Capítulo 21: "O Anel da Rosa"
Então a varinha de Ginny estava na sua mão e ele trancava a porta atrás de si, sua arma apontada para o peito dela.
A expressão inicial da ruiva foi de total pavor e choque, mas depois ela ficou muito séria e apreensiva. Draco respirava em arquejos, nervoso. Observou a ex-namorada – seus cabelos compridos, sua face e seu corpo – tudo tinha mudado. E pra melhor.
- Se você abrir a boca, eu te mato – ameaçou, engrossando a voz.
Deu passos lentos, contornando o sofá, para ficar frente a frente com ela, que mantinha os punhos cerrados e o rosto tenso. Podia notar todos os músculos do corpo dela contraídos. Parou a uns dois metros de distância da mulher.
- Onde está Potter? – perguntou.
- Ele não está aqui – respondeu ela.
Encarou seus olhos castanhos. Era verdade.
- O que você quer? – disse Ginny, voz falhando. – Eu não sei onde está Harry.
Mentira. Mas tanto fazia para Draco, pois não estava nem ai pro paradeiro de Potter. Por baixo da máscara, o loiro sorriu torto. Ginny estreitou os olhos, pensativa.
- Quem é você? – perguntou ela.
Sentiu a desconfiança dela. Claro, ela podia ver os olhos inconfundivelmente prateados dele. Deu uma risada e Ginny entreabriu a boca, nervosa. Seu lábio inferior tremia.
- Quem você acha que eu sou, Weasley?
Ela deu um passo para trás, parecendo chocada demais para dizer qualquer coisa.
- Quem diabos VOCÊ ACHA QUE EU SOU?! – exclamou Draco, arrancando a máscara e jogando ela no chão com violência, olhos cinza pegando fogo.
Ginny retrocedeu mais um pouco, tapando a boca com as mãos. Rosto completamente perplexo e apavorado. Draco respirava pesadamente enquanto baixou o capuz, encarando a ruiva com todo desgosto que podia.
- Malfoy – falou ela. – Você... – estreitou os olhos.
- Sim, Weasley. Eu. – disse ele com sarcasmo. – Estou tão diferente assim? – ergueu uma sobrancelha.
Ela não respondeu, encarando o loiro com curiosidade.
- O que você veio fazer aqui? – perguntou ela.
Draco soltou outra risada insana, deixando a ruiva mais nervosa do que já estava.
- Como está seu filho, Weasley? Tem os olhos verdes do pai? – perguntou ele.
- O quê?
- Não se faça de desentendida – Draco ficou sério. – Eu vi você e Potter juntos do Beco Diagonal. E sua barriga estava enorme.
Ginny ficou pasma, com a boca semi-aberta, como se as palavras estivessem entaladas na sua garganta.
- Seu Lorde te mandou aqui por causa de Elliot? – perguntou ela, incrédula.
- Elliot – murmurou ele quase sem fazer som algum, apenas para processar o nome do filho dela.
- Achando que era filho de Harry? – foi a vez de Ginny rir.
Draco ficou confuso e vacilou. Claro que não demonstrou isso, apenas ficou com a expressão mais dura.
- O Lorde não me mandou aqui – disse.
- Que bom, porque senão você ia decepcionar seu mestre – disse ela com a voz cheia de sarcasmo. – Elliot não é filho de Harry.
O sonserino encarou fundo nos olhos dela e constatou que era verdade, coisa que o deixou mais abalado.
- De quem é? – perguntou, temendo a resposta. Seria outro namorado que ela teve? Ou marido?
- Elliot é o filho Colin e Blaise – disse ela séria. – Que carreguei dentro de mim.
Os olhos prateados do loiro se arregalaram levemente, mas ele logo se recompôs. Tentou pensar em alguma coisa pra dizer. Ginny estaria inexpressiva se não fosse o olhar triste, que tentava reprimir.
- Então – começou ela com a voz falha. – O que você quer, Malfoy? Se não foi seu Lorde que te mandou aqui, vá embora.
Ele não respondeu, ainda juntando palavras e coragem para continuar falando.
- Por que você veio? – ela continuou, parecendo não conseguir ficar calada.
Sentiu a insegurança dela, a angústia, vários os sentimentos que ela tentava controlar.
- Então você não está com Potter? – murmurou.
Ginny fez cara de perdida.
- Agora estou – respondeu veemente. – Faz cinco meses que ele me pediu em namoro.
Silêncio.
- O que isso importa afinal, Malfoy? – perguntou ela, irritada.
Draco não conseguiu responder. Tentava assimilar as informações que acabara de receber. O filho não era dela e do Potter. Mas agora ela estava com ele. Sentiu a garganta apertar forte, mas não vacilou a arma apontada para o peito da garota. Seus olhos saíram de foco. Ginny apenas cruzou os braços, tentando esconder o nervosismo pulsante em suas veias.
- Como você me achou? – perguntou ela, com a voz trêmula. – Ah, já sei... Pansy. É por isso que ela namora Cook então?
PAF. Com um leve aceno de varinha, Draco deu um tapa na cara de Ginny.
- Cala a boca – respondeu o loiro, a raiva que sentia por ela voltando a crescer. – Você não sabe nada sobre a Pansy.
- É, assim como não sei nada sobre você! – bradou ela e Draco pode ver o brilho em seus olhos castanhos tremeluzir.
Ele deu dois passos em direção a ela
- Eu poderia te matar agora e ninguém ficaria sabendo – ameaçou ele com desgosto, olhando-a dos pés a cabeça.
E uma parte dele queria matá-la. Acabar de uma vez por todas com aquele pesadelo, com sua sina – com aquela assombração que era Virgínia Kiddo Weasley.
- Então me mate – sussurrou ela, avançando até ele, parando apenas quando a ponta da varinha estava encravada no peito dela.
Draco sorriu torto, tentando disfarçar o vacilo após a demonstração de coragem da ruiva. E pior, ela estava sendo sincera.
- Que coisa idiota para dizer – ironizou. – Só porque fomos namorados você acha que eu não te mataria?
- Vindo de você, acho que mataria sim – disse Ginny.
A honestidade que via em seus olhos lhe machucou. Draco fechou a cara. O silêncio se seguiu, enquanto os dois apenas se encaravam.
- É por isso que veio aqui afinal? – explodiu ela, sem agüentar ficar calada. – Matar a mim e meu filho?
O Comensal não respondeu, nem ao menos esboçou mudança na expressão gelada. Parecia uma estátua.
- Mate-me então! – disse Ginny. – Mas não encoste um dedo em Elliot. Ele não tem nada a ver com a gente.
- Você repete isso tanto que estou começando a gostar da idéia – Draco estreitou os olhos. – Mas provavelmente antes de te matar, teria que te levar pra cama, talvez assim conseguisse te esquecer.
- O quê? – exclamou ela, irritada e perplexa. – Como assim me esquecer?
- "Como assim"? – bradou Draco. – Por que você acha que eu me importo se você está com Potter ou não? Que eu me importo se você tem um filho com ele ou não? – deu cutucões com a varinha na pele dela ao fazer as perguntas.
Ginny balançou a cabeça, confusa.
- Isso não faz sentido, Malfoy – disse. – E sua namorada americana?
- Não existe uma namorada – retrucou ele rapidamente.
- Ah, então você dispensou ela também? Antes de resolver voltar e virar um Comensal da Morte?
- Nunca existiu uma americana! – exclamou. – Nunca houve viagem pros Estados Unidos!
Ele respirou fundo antes de continuar.
- Você foi minha última namorada.
Ginny estava com a boca semi-aberta, chocada.
- Então você mentiu pra mim? – exclamou ela. – Inventou uma desculpa para acabar comigo? Isso é covardia, Malfoy.
- Cala a boca – cortou Draco agressivamente, encravando mais fundo a varinha na pele dela, que mesmo assim não recuava. – Eu precisava acabar com você.
- É pra isso que você veio aqui? Inventar desculpas esfarrapadas? – ela esboçou um sorriso dolorido.
- Eu não sei por que eu vim aqui – admitiu finalmente. – Não é uma desculpa – ele suspirou. – Eu só estava protegendo você e sua família...
Ginny deu uma risada curta e sarcástica, que deixou Draco mais irritado ainda.
- Protegendo? De quem? – ela abriu um sorriso cheio de desgosto. – Inventa outra. Nós conseguimos nos defender sozinhos e você sabe muito bem disso.
- Do meu pai, Virgínia! – bradou ele, perdendo o controle. Seus olhos prateados brilharam insanos e raivosos por uns instantes.
A ruiva fechou a boca e manteve a expressão o mais dura que conseguiu. Parecia um pouco surpresa. Ela estreitou os olhos castanhos, analisando-o e imaginando se ele estava mentido. O peito de Draco subia e descia rápido agora.
- Ele ameaçou fazer coisas horríveis – disse com a voz baixa e tensa. – Ele falou que ia exilar seu pai do Reino Unido, que ia fechar a loja de seus irmãos, que – Draco vacilou – que ia machucar você...
Seu tom chegou num suspiro nas últimas palavras. Ginny ainda não sabia o que dizer – não sabia se deveria acreditar nele. Os dois ainda se encaravam sem vacilar e a ponta da varinha dele ainda estava colada no peito dela.
- Você sabe muito bem o poder que meu pai tem no Ministério – continuou ele num tom angustiado. – Ele disse que se eu voltasse a falar com você quem arcaria com as conseqüências seria sua família.
- Se isso é verdade – ela pôs as mãos na cintura lentamente. – Então o que você está fazendo aqui?
Draco deu um sorriso irônico.
- Meu pai não da mais bola pra isso – contou. – Ele acha que eu já superei tudo. Afinal, se passaram set-
- Sete anos – completou Ginny, assentindo. – Sete anos, Draco. Se você não foi pros Estados Unidos, onde esteve?
- Fiquei um ano na Rússia, treinando.
- Pra se tornar um Comensal da Morte? – ela ergueu a sobrancelha, cheia de desprezo.
- É – respondeu ele.
- Ótimo – disse Ginny. – Esplêndido.
- Eu não tive escolha – justificou ele entre dentes. – Era tudo parte do plano de Lúcio. Acabar com você, virar um Comensal da Morte... Tudo uma encenação que fui obrigado a fazer.
- Eu não acredito em você – disse ela, voz embargada. – Quando eu acreditava, você me decepcionou. Foi embora. E agora veio aqui, sete anos depois, pra dizer que tudo era uma mentira.
- Eu vim aqui esclarecer tudo. Vim aqui pedir desculpas...
- Não acha que é meio tarde pra se desculpar?
Silêncio.
- Todo esse tempo eu esperei por você! – gritou ela. – Esperei você voltar! Por mais que eu não quisesse, esperei! Sete anos, Draco! Sete anos que eu vivi acreditando numa mentira!
Draco fechou os olhos, sentindo o peito flamejar.
- Sete-anos-de-merda! – exclamou ela pausadamente, finalmente usando as mãos para bater no homem.
O loiro tocou a varinha para longe e segurou os punhos dela com força.
- É tarde demais, seu babaca! – debateu-se Ginny. – Me solta!
Ele obedeceu e a ruiva deu as costas para ele, escondendo o rosto molhado nas mãos.
- Desculpa – disse ele com a voz rouca. – Eu sei o que foram esses sete anos pra mim. Não sei como foram pra você, mas sei que pra mim, foi o inferno na terra – Draco limpou a garganta.
Ela soluçou.
- Olha pra mim, Ginny – pediu ele.
Ela negou com a cabeça.
- Olha pra mim! – exclamou, virando a mulher e a segurando forte pelos ombros.
Os dois se encararam. Cinza seco no castanho molhado.
- Me responda uma coisa verdadeira que eu vou embora e nunca mais você vai precisar me ver – ele fez uma pausa. – Você está feliz? – perguntou. – Porque eu sei que eu não estou – acrescentou num sussurro.
Os olhos assustados da ruiva piscaram algumas vezes.
- Sim – respondeu Ginny, desvencilhando-se dele bruscamente. – Eu estou feliz – disse com a voz trêmula.
- Não minta pra mim, Ginny – disse ele. – Eu sempre sei quando você está falando a verdade ou não.
- VÁ EMBORA! – explodiu ela, agora sem nenhuma tentativa de esconder as incontáveis lágrimas que caíam. – O QUE VOCÊ QUER DE MIM?
- EU NÃO TE ESQUECI! – berrou Draco em seguida, apertando os punhos, controlando a vontade de quebrar aquela sala toda. – Você não faz idéia do que foram esses anos pra mim!
- E você não sabe o que foram pra mim! Você sumiu! – ela puxou o ar com força. – Você não pode simplesmente aparecer assim depois de tudo e pedir desculpas! E achar que vai ficar tudo bem!
O lábio inferior de Draco tremia e ele não conseguia mais controlar, assim como a vontade de derramar lágrimas na frente dela. Ginny parou para enxugar os olhos e respirar tremulamente.
- Eu estou com Harry agora... – completou. – E, bom, eu não te amo mais.
Draco engoliu em seco. Foi então que viu, dentro dos olhos dela, dentro de sua mente. Ele endireitou-se.
- Você está mentindo – sussurrou fracamente.
Num instante, Ginny estava encostava contra a parede, com a mão de Draco em seu pescoço. Ela agarrou o pulso dele, tentando desvencilhar-se. Conseguia respirar, mas sabia que com um mero apertão ela sufocaria. Com a outra mão, Draco adentrou o suéter de Ginny. O peito da garota arfava loucamente e seus olhos estavam arregalados de pavor. Quando ela percebeu o que ele segurara, debateu-se mais, mas de nada adiantou.
Draco encarou o anel preso à corrente em sua palma. Então encarou Ginny.
- Por que você ainda usa isso, Weasley? – perguntou ele, estreitando os olhos.
Sem resposta. Mas ele não precisava. Estava denunciado em sua íris. Podia ver tudo, todos os momentos em sua mente, todos os setes anos que ela nunca conseguiu se livrar do anel.
- Não se atreva – começou ele. – a mentir que não me ama mais, Kiddo.
Uma lágrima escorreu pelo rosto da mulher encurralada à sua frente.
Cinza no castanho.
Então, num movimento rápido e brusco, sentido toda a vontade, raiva, desejo implodir em seu peito, Draco juntou seus lábios aos dela. Não houve vacilo, nem por um segundo. Suas bocas se encaixaram como teriam se encaixado há sete anos, mas agora elas tremiam de desespero, enquanto algumas lágrimas ainda escorriam dos olhos de Ginny. Logo as mãos de Draco soltaram o pescoço dela e foram parar em suas costas, quadris, cintura, indecisas sobre que parte tocar. Ela segurou os ombros do loiro fortemente.
Sem parar para pegar ar, Draco segurou a ruiva pelos quadris, que entrelaçou as pernas na cintura dele – como nos velhos tempos. Ginny agarrou os cabelos dele com força, enquanto o loiro seguia cegamente até onde ele imaginou que seria o quarto.
Chegando lá, Ginny foi recolocada de novo no chão e as roupas começaram a ser puxadas com força por cima da cabeça, jogadas no chão do quarto logo em seguida. Suas peles ferviam e ansiavam por mais e mais carne. Draco sentia sua cabeça nas alturas, entretanto nunca esteve mais acordado em sete anos quanto naquele momento em que seus dedos entrelaçavam os cabelos ruivos e longos de sua sina.
O êxtase já transbordava de seus poros quando a deitou na cama. Deslizou a boca pelo rosto dela, em direção ao pescoço. Pressionou seu quadril contra o dela. Ginny soltou um gemido sofrido.
E foi assim, com frouxos raios de sol entrando pela janela, que Draco se sentiu completo de novo.
