Capítulo XXI

Bella o observava alimentando o fogo na fogueira enquanto se espreguiçava na cama de palha improvisada e sentia o cheiro dele que emanava nos lençóis. Ainda não conseguia acreditar que o dia anterior não passara de um sonho, mas o leve ardor que sentia nas suas partes intimas indicava que era tudo real! Céus... Nunca pensou que algo tão incrível assim lhe aconteceria algum dia. Nunca se quer cogitou que pudesse existir uma sensação tão maravilhosa como aquela que sentiu quando seu marido uniu seus corpos daquele modo tão intimo!

E agora estavam os dois ali, sozinhos na cabana que fora de sua mãe, no meio do Bosque dos Lamentos, longe de tudo e de todos. Edward estava completamente nu, de costas para ela enquanto atiçava as brasas e ela sentia suas bochechas queimando só em recordar-se do modo como ele a tocara e a beijara. Agora era sua esposa, perante os olhos de deus e dos homens. Agora ele era dela, até que a morte os separasse! Talvez, um ano e um dia significassem uma vida inteira!

-Está gostando do que vê? – Indagou Edward quando finalmente se virou e a pegou analisando-o. Bella engoliu em seco e puxou a coberta um pouco mais contra ela, sentindo-se extremamente constrangida. Uma dama não agia do modo como ela vinha agindo ultimamente!

-Você... Você dormiu bem? – Mudou de assunto rapidamente enquanto erguia-se e se colocava sentada na cama, tomando cuidado de omitir os seios com os lençóis.

-Como uma criança! – Respondeu Edward rindo do constrangimento dela e sentando-se a seu lado para lhe dá um rápido, porem caloroso beijo. Isabella parecia incrível, com os cabelos em completo desalinho e um brilho especial naqueles enigmáticos olhos violetas.

-Sério? Não teve nenhum daqueles maus-sonhos que sempre tem?

Ele parou por um segundo e a encarou como se ela tivesse dito algo de outro mundo. Buscou em sua mente qualquer vestígio do sonho ou de pelo menos alguma agitação durante a noite passada, mas não se recordou de absolutamente nada! Na verdade, após ter feito amor com sua esposa, ambos foram até aquela velha cabana e dormiram tão bem quanto duas crianças. Edward só despertou por que sentiu as pequenas mãos de sua Isabella lhe abraçando o tronco enquanto tremia de frio.

-Eu... Eu não sonhei essa noite! – Admitiu enquanto a encarava com verdadeira surpresa e admiração – Na verdade, essa é a primeira vez em anos que durmo uma noite inteira!

-Sério? – Bella sorriu de modo inocente e o deu um beijinho rápido, como se o recompensasse por alguma proeza – Você sempre vence suas batalhas...

-Não... Quem venceu essa batalha foi você, que me deixou tão exausto que a única coisa que meu corpo conseguiu fazer foi cair nessa cama improvisada e dormir como uma pedra.

Bella riu com aquilo e o abraçou com força. No momento em que suas mãos tocaram na pele das costas dele, ela sentiu suas cicatrizes e não pôde evitar deslizar a ponta dos dedos por sobre elas. Sabia que falar sobre aquilo poderia estragar aquela felicidade que eles sentiam, mas queria conhecer o homem a quem se entregara como mais ninguém! Sendo assim, afastou-se dele para encará-lo e fez a pergunta sem pensar duas vezes.

-Edward... Sei que é doloroso para você falar sobre esse assunto, mas... Eu realmente gostaria que me contasse o que houve na Terra Santa.

-Me peça qualquer coisa, menos isso. – Respondeu ele de forma seca enquanto desviava os olhos dos dela e passava a encarar as chamas da fogueira.

-A única coisa que quero é compreender meu marido. A única coisa que quero é conhecer o melhor possível o homem a quem me entreguei de todas as formas que uma mulher pode se entregar!

Edward manteve-se calado, olhando para o fogo com o rosto inexpressível. Bella esperou que ele tomasse seu tempo, enquanto segurava sua mão. Mas logo se arrependeu de ter feito aquela pergunta, pois começou a acreditar que seu marido jamais lhe daria uma resposta, até que Edward respirou fundo e começou.

-Isso foi há sete anos, quando eu estava na Terra Santa ao lado de Emmett. Havia um general árabe cujo passatempo era torturar soldados normandos e o filho do comandante de meu batalhão acabou caindo nas mãos deste monstro. O meu comandante ficou sego pelo desespero e ordenou que nós avançássemos contra as tropas do general árabe. Eu pressenti que aquilo não acabaria bem, mas não tinha outra opção, uma vez que não podia desobedecer as ordens de um superior. Sendo assim, segui o batalhão ao lado de Emmett e de meu escudeiro, Seth Clearwater.

-Oh, céus! – Exclamou Bella levando a mão até a boca – O filho de Sue!

-Sim, um garoto que não devia ter mais do que dez anos. – Ele respirou fundo antes de prosseguir, ainda encarando o fogo – Assim como eu imaginava, nosso batalhão acabou caindo em uma armadilha e formos todos capturados. O árabe nos aprisionou em celas separadas e começou a torturar um por um, tentando descobrir em que local ficava nosso acampamento, mas nós não sabíamos responder isso, uma vez que nossas tropas se deslocavam todos os dias. Ainda assim, o desgraçado não acreditava e continuava com suas loucuras. Arrancava os olhos de uns e os fritava em óleo fervendo, costurava as bocas de outros e os deixava morrerem de fome, esfolava homens vivos e jogava vinagre em suas feridas...

Ele fez uma nova pausa e a encarou diretamente nos olhos, esperando ver lágrimas, horror ou qualquer outro tipo de sentimento de repulsa. Mas tudo o que encontrou naquelas ires violetas foi o reflexo de sua própria dor. Isabella parecia disposta a continuar ouvindo aquela terrível história, e só por isso, Edward prosseguiu!

-Quando chegou a minha vez, o maldito general árabe foi até "piedoso". Limitou-se apenas a escrever com uma adaga em minhas costas e depois jogou sal nas feridas para que eu não morresse por hemorragia. A dor física que sentia estava presente em algum lugar de minha mente, mas a única coisa em que eu conseguia pensar era em Emmett, que estava desacordado ao meu lado devido a um ferimento que sofrera durante a batalha e no pequeno Seth que chorava sem parar. Acho que o árabe percebeu isso e resolveu mudar sua estratégia.

Bella sentiu que agora deveria vir a pior parte daquele horror pelo qual seu marido havia passado. Viu os olhos dele se encherem de um tormento que alma nenhuma deveria suportar e segurou suas mãos com mais força na tentativa de passá-lo conforto. Queria ter força suficiente para ajudá-lo a superar tudo aquilo, mas não sabia o que fazer.

-Ele ordenou que seu ajudante o trouxesse Seth e amarrou o menino de bruços em uma mesa, de modo que suas nádegas ficassem expostas. Eu tentei me libertar dos grilhões que me prendiam ao chão, mas não conseguia romper as correntes de modo algum. Vi quando o árabe maldito pegou uma vara de metal que devia ter pouco mais que um metro e deixou sua ponta em brasa. Eu já imaginava o que ele iria fazer, mas me recusava a acreditar. Quando o desgraçado começou a introduzir a vara pelo ânus de Seth, a única coisa que chegou aos meus ouvidos foram os gritos do garoto.

-Oh... Eu, eu não sabia... – Disse Bella compreendendo finalmente o motivo dele acordar todas as noites banhado em suor.

-Ele tinha prática naquilo, e conseguiu evitar os órgãos vitais. Seth permaneceu vivo e gritando, até que a ponta da vara saiu por sua boca. Quando o Árabe disse que Emmett seria o próximo, eu não sei de onde tirei forças, mas consegui me libertar dos grilhões. Matei um soldado que tentou me impedir lhe enfiando o primeiro objeto pontiagudo que encontrei e depois... Agarrei o maldito árabe e enfiei sua cabeça em um caldeirão que estava no cômodo. Não sei o que havia ali dentro, mas quando ele submergiu vi sua pele derretendo, deixando apenas pele e músculos corroídos, enquanto o desgraçado gritava em agonia.

Bella estremeceu-se ao ouvir aquilo e sentiu seus olhos encherem-se de lágrimas. Nunca pensou que Edward tivesse passado por algo tão horrível assim, mas se pegou dando graças aos céus por ele ter sobrevivido e cruzado seu caminho. Quem sabe agora ela poderia cicatrizar suas feridas?

-Não sei como consegui sair dali com Emmett... Lembro-me apenas de empunhar uma espada bastarda que encontrei em algum lugar e matar uma dúzia de soldados árabes até que conseguir libertar meus companheiros de batalhão. Desde então venho tendo esse mesmo sonho, onde revivo o momento exato em que o general enfiava a vara em Seth e o matava empalado. Somente hoje, após sete anos, consegui dormir com um pouco de paz, graças a você.

-Você disse que ele escreveu em suas costas... – Lembrou Bella após um momento em silêncio, indicando que Edward finalmente havia terminado seu relato – Mas eu não sei o que esse símbolo significa.

-A escrita árabe é diferente da nossa. O general tinha o costume de escrever "Predestinado" nas costas de suas vítimas, para indicar que estavam fadados a morrer... Acho que fui o único a sobreviver após receber esta marca.

Edward a encarou e esperou ver lágrimas nos olhos de Isabella, mas o que viu foi surpresa. Ficou extremamente confuso quando ela levantou-se com um salto e passou a dar voltas pela cabana, parecendo não notar sua completa nudez. Seus cabelos ruivos escondiam seus seios e seus pelos acobreados lhe cobriam a feminilidade, mas ela não parecia nem um pouco incomodada com aquilo. De repente, Bella pareceu finalmente compreender algo e correu para junto dele, ajoelhando-se exatamente na sua frente e apoiando as mãos nos joelhos de Edward.

-Agora compreendo tudo! – Exclamou enquanto lhe mostrava a peculiar marca que trazia em seu pulso esquerdo.

-Do que está falando?

-Da profecia! Oh, você não entende, não é?! – Bella parecia tão agitada que até mesmo uma tarefa simples como respirar lhe trazia problemas – Há muitos anos, durante a invasão romana, a tribo céltica que havia nestas terras foi massacrada. Os homens foram executados, as mulheres foram tomadas pelos bárbaros para servirem de concubinas e as crianças foram vendidas como escravos. Mas um grupo de feiticeiras druidesas amaldiçoaram os romanos, dizendo que estas terras jamais veriam tempos de paz e logo depois, para concretizar a maldição, se jogaram do topo da Queda das Almas, dando suas vidas em troca. A lenda diz que naquele dia, as águas do rio correram vermelhas de sangue...

-Isabella! – Interrompeu Edward achando aquela história extremamente fantasiosa – Isso deve ser apenas uma lenda que contam para crianças dormirem.

-Não! Não é! – Bella parecia angustiada e tinha uma verdadeira necessidade de fazê-lo compreender o que falava – Edward, quando uma maldição é lançada, o curso natural das coisas é alterado, e algo deve ser dado em troca por isso. O que aquelas feiticeiras não sabiam, era que o preço cobrado pela maldição que lançaram, seriam suas almas.

-Você tem noção do quão isso soa insano? – Bella não o deu ouvidos e prosseguiu.

-Para que suas almas sejam libertas, a maldição deve ser desfeita e a paz deve tornar a reinar nessas terras. Mas isso jamais ocorreu em séculos e é por isso que os espíritos dessas feiticeiras druidesas ainda perambulam pela Queda das Almas.

-E eu pensando que o problema eram os escoceses que vivem tentando invadir a fronteira norte! – Ironizou Edward fazendo pouco daquela estória – Apenas diga como libertar essas almas e viveremos em paz pelos próximos séculos!

-Não é tão simples quanto parece... A libertação dessas almas só poderá vir através de um guerreiro que trará a união entre os povos que aqui vivem. E apenas uma pessoa que traga o sangue druida em suas veias poderá encontrar tal guerreiro, mas infelizmente, as inúmeras guerras que vêm ocorrendo quase dizimou esse povo. A última descendente que restou fui... Fui eu.

-Você? Você é descendente dessas feiticeiras da lenda? – Questionou passando a prestar mais atenção ao que ela falava.

-Sim, sou. Todas as mulheres que descem de meu antigo povo recebem uma marca no pulso esquerdo após sonharem com uma palavra. Essa palavra a levará até o guerreiro que finalmente trará a paz a essas terras e só assim os espíritos que vivem na Queda das Almas poderão ter o descanso eterno.

-Então as mulheres de sua família marcam o pulso esquerdo desde a época do Império Romano? – Ele pareceu achar aquilo insano, mas ela resolveu não da importância e apenas prosseguiu.

-Sim, todas! Não é algo que podemos evitar... Apenas sonhamos com a palavra em uma noite, e após isso é como se nossas vidas mudassem para sempre!

-Mas isso no seu braço não parece uma palavra. – Acusou ele.

-É por que está escrito em runas celtas. Eu sonhei que uma anciã me encontrava no meio da Queda das Almas, e quando ela me perguntou qual era o primeiro nome que vinha em minha mente, eu respondi "Predestinado"! É isso que está escrito em meu pulso, Edward! Está escrito "Predestinado"!

Ele manteve seu rosto inexpressível, parecendo tentar absorver tudo o que ela dizia. Como Isabella poderia ter marcado em seu corpo a mesma palavra que ele tinha marcada no seu? Nunca acreditou em superstições, mas a cada dia que passava ao lado dela, começava a duvidar de tudo naquele mundo.

-Se não acredita em mim, pegue qualquer pergaminho que contenha a escrita celta e decifre você mesmo! A palavra que tenho gravada em meu pulso é "Predestinado"! Foi por isso que você me encontrou há dois anos atrás... Foi por isso que você me libertou do texugo, ou me salvara da cabana em chamas! E é apenas por isso que você consegue entrar na Queda das Almas, quando nenhum outro homem consegue!

-Quando você fez essa marca?

-Quando eu tinha onze anos, no verão pouco antes de minha mãe falecer.

Edward fez as contas. Quando Isabella tinha onze anos, ele deveria ter vinte e três. A mesma idade em que ele fora marcado pelo general árabe. Céus, aquilo era de mais para sua mente... Era coincidência de mais. Será que realmente existia destino afinal? Será que ele e Isabella estavam predestinados a ficarem juntos desde antes de nascerem? Ficaria louco se pensasse naquilo.

-Isabella, se foram forças sobrenaturais que nos unirão ou o mero acaso, o que realmente importa é que agora estamos juntos...

-Você não compreende! – Exclamou Bella levantando-se e fazendo menção de afastar-se dele.

Mas Edward a segurou e a puxou de volta, forçando-a a ficar em pé, parada entre as pernas dele enquanto ele lhe segurava a cintura delgada com suas fortes mãos. Bella sentiu seu corpo estremecer quando seu marido lhe beijou sua barriga plana, mas no final acabou rindo de modo divertido.

-Do que acha graça? – Indagou encarando-a parecendo curioso.

-Não acho graça de nada... – Respondeu ela ainda sorrido – É só que sua barba cresceu um pouco durante a noite e ela me fez cosquinhas na barriga!

Ela o encarou com seus ternos olhos violetas e o acariciou na face para enfatizar o que dizia, sentindo a aspereza da barba recém-nascida. Como por extinto, seus dedos chegaram até a pequena cicatriz que ele tinha no queixo, que só ficava aparente quando Edward deixava a barba crescer.

-Quero curar todas as suas feridas... – Disse antes de perceber o quão intensa ela acabara de ser e sentindo-se ruborizar.

-Não vamos mais pensar nisto. – Decidiu Edward enquanto levantava-se e a abraçava – Vamos esquecer toda essa história de profecias, árabes desumanos e qualquer outra coisa. Vamos apenas pensar em nós dois.

-Sim... Acho que você está certo.

-Ótimo. Agora devemos regressar a Masen antes que meus homens venham averiguar o motivo de nossa demora.

-Oh, não podemos ficar um pouco mais? – Bella parecia frustrada, mas Edward não achava que fosse seguro permanecerem ali por muito tempo. Nunca se sabe quando os Volturi irão atacar novamente.

-Prometo que a trarei até essa queda d'água com mais frequência. Mas agora temos mesmo que ir se não quisermos problemas. E além disso, quero aproveitar que minha barba está arranhado para lhe mostrar algo.

-Mostrar o que?

-É uma surpresa! Verá quando chegarmos à Masen. – Havia algo de sedutor em seus olhos verdes e isso fez o corpo de Bella estremecer – Farei você gritar de prazer, mas agora temos que nos apressar e voltar.

Bella fez que sim com a cabeça e se pegou ansiando pelo que a aguardava. Mas naquele momento, limitou-se apenas a vestir-se e ajudar seu marido a preparar as coisas para o retorno a Masen. Apagaram o fogo e trancaram a porta da velha cabana, antes de seguirem até o local onde Edward havia deixado seu cavalo pastando. Foi só então que Bella notou um rápido movimento no meio da vegetação, momentos antes de um formoso lince de pelagem dourada aparecer.

-Oh, Patas-Suaves! – Exclamou ela enquanto corria ao encontro do animal. Pensara que estivesse morto, e agora sentia seu coração extremamente feliz por reencontrado. Edward se pôs em alerta, uma vez que não confiava naquele gato selvagem, mesmo sabendo que fora ela quem o criara.

-Deve tomar mais cuidado com esse animal! – Disse enquanto observava-a acariciando o tufo de pelos que o lince tinha atrás das orelhas – Ele pode estranha-la e atacar.

-Patas-Suaves nunca faria isso. Eu o conheço desde que era criança e ele sempre me protegeu.

-Mas agora você tem a mim para protegê-la!

O lince olhou para Edward, como se compreendesse o que ele acabara de falar. Seus olhos verdes eram salpicados com pontos dourados e o animal ronronava mediante o carinho de Bella. Sem prévio aviso, ele lambeu sua mão e esfregou seu focinho no rosto dela, como se tentasse acariciá-la pela última vez, momentos antes de regressar para dentro da vegetação.

-Não o veremos novamente. – Afirmou Bella com lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto.

-Por que diz isso?

-Por que a missão dele já está cumprida. – Ela tornou a encarar Edward e segurou sua mão para sentir o calor que emanava desta – Já não necessito mais da proteção dele. Tenho você agora.

-Sim, tem a mim. Agora venha, temos que ir.

Bella fez que sim com a cabeça e com a ajuda de seu marido, montou no enorme corcel. A viagem era longa e a trilha um tanto apagada. Edward manteve um ritmo mais lento, para não cansá-la, uma vez que sabia o quão Isabella detestava cavalos, além de imaginar que sua esposa poderia está dolorida após ter perdido a virgindade. Mas ainda assim, não levou muito tempo até que chegaram à Masen, quando o sol já estava a pico. Um pequeno pajem ajudou a jovem Lady a desmontar e logo em seguida levou o cavalo de Edward de volta para o estábulo, onde descansaria e receberia feno.

Juntos, caminharam de mãos dadas até a entrada da fortaleza, e pela primeira vez em muito tempo, Bella sentiu como se estivesse regressando a sua casa. Se pegou ansiando pelo momento em que poderia ver seu herbário, ou falar com Sue sobre assuntos domésticos! Mas aquilo precisava esperar. Primeiro tinha que cuidar do conforto de seu marido, como uma boa Lady deve fazer.

-Oh, graças aos céus que meus senhores regressaram em paz! – Saudou Sue enquanto corria na direção deles com um enorme sorriso.

-Sim, em paz e desejosos de descanso. – Disse Edward – Mande que levem comida para nosso quarto e providencie para que ninguém nos incomode até a hora da ceia. Isabella e eu temos certos... "Assuntos" a tratar.

Bella sentiu suas bochechas corarem quase que imediatamente, ao recordar da promessa que Edward lhe fizera antes de partirem da cabana: "Farei você gritar de prazer". Céus, o que ele pretendia fazer com aquela barba mal feita, afinal?!

-Sim, será como meu senhor ordena! – Disse Sue com um olhar significativo pouco antes de retirar um pergaminho de sua túnica e o entregar a Edward – Mas antes, devo dá-lhe isto. Um mensageiro deixou aqui ontem pela tarde...

Bella sentiu seu coração acelerar por um momento. O selo que vedava o pergaminho era o selo real! Notou que seu marido tinha o rosto inexpressível, mas em seus profundos olhos verdes, vislumbrou um pouco de preocupação. Algo estava errado... O que o rei poderia querer com ele?

-Estive aguardando por isso há um bom tempo. – Afirmou Edward enquanto segurava a mão dela com ainda mais força – Irei ler em meus aposentos. Agora, se nos der licença...

Ele se quer esperou que Sue o respondesse, antes de sair praticamente arrastando Bella pelas escadas da torre leste. Não sabia o que estava acontecendo, mas não gostava nada daquela situação. Quando por fim chegaram ao último quarto da torre, Edward trancou a porta e foi até uma mesa que havia próxima a lareira que já estava acesa. Bella sentou ao lado dele e o viu quebrando o selo real pouco antes de abrir o pergaminho. O papel estava um tanto danificado, mas dava para ler perfeitamente. Estava escrito em francês normando e por isso Bella terminou de ler pouco depois dele.

-Compreende o que está escrito aqui? – Indagou Edward após ver que ela finalmente parava de correr os olhos pelo pergaminho.

-Sim. As freiras me ensinaram a ler francês normando... O rei teve relatos dúbios de nossas bodas e irá enviar um bispo até Forks para averiguar o que está acontecendo. Ele exige nossa presença lá...

-Sim. – Confirma Edward tentando mantê-la calma – Assim que nos casamos eu enviei um comunicado a Henry, informando que nossa união teve o consentimento de seu guardião, Sir Benjamim, e de seus parentes escoceses. Mas eu sabia que os Volturi também enviariam a versão deles...

-Onde provavelmente alegam que você me sequestrou e me forçou a casar contra minha vontade... Oh, céus! O que faremos?! Nos casamos sem autorização do rei e isso lhe trará problemas!

-Não totalmente. – Afirmou enquanto segurava a mão dela e dava um meio sorriso para reconfortá-la – Tenho uma carta assinada pelo próprio Henry, dando-me autorização para casar com qualquer mulher, desde que esta pertencesse a uma família nobre, não tivesse nenhum contrato de casamento assinado e fosse saxã ou escocesa. Acho que você se enquadra em todos esses requisitos.

-Oh, isso pode garantir nossa segurança?

-Creio que sim. Agora nosso casamento é verdadeiramente válido, uma vez que o consumamos ontem... – Ela corou e balançou a cabeça afirmativamente – Não acho que Henry queria acabar com uma união tão vantajosa para ele!

-Sim... Através de mim você tem uma união mais estável com os escoceses e com o povo saxão. Isso pode está ao nosso favor. Temos que começar a organizar nossa viagem até Forks e tentar buscar aliados que nos ajudem... Talvez meu primo escocês possa depor a seu favor. Poderíamos enviá-lo uma carta, pedindo para que ele viesse até Forks.

-Não iria dá certo. Seus parentes escoceses são muito orgulhosos e dificilmente viriam até aqui só por que os enviamos uma carta. Terei que ir amanhã mesmo até lá e convencê-lo.

-Ir até a Escócia novamente? – Indagou Bella parecendo frustrada – Mas você mal voltou de lá...

-Já está sentindo minha falta?

Edward queria apenas fazer uma brincadeira, mas pelo modo como ela corou era óbvio que acertara em cheio: Isabella iria sentir sua falta! Não suportou e segurou seu rosto em formato de coração e a puxou para si, dando um delicado beijo em seus lábios, fazendo com que Bella perdesse o fôlego e esquecesse tudo o que estava falando.

-Não se preocupe! Jurei lhe proteger, e é isso que pretendo fazer.

Eles foram interrompidos por três leves batidas, indicando a entrada de duas criadas que carregavam bandejas. Era provavelmente a refeição que Edward pedira e pela primeira vez Bella percebeu que estava faminta. Havia comido apenas algumas frutas que seu marido encontrara no caminho, e o cheiro do carne assada lhe fazia o estômago roncar.

-Vamos deixar esse assunto para amanhã. – Disse Edward quando as criadas finalmente se retiraram, os deixando sozinhos novamente – Agora iremos comer e recuperar nossas energias. Vou exigir bastante de você hoje à noite, minha Belle!

-Oh... – Gemeu Bella quando o sentiu deslizando a mão por sua cocha e a tocando no sexo.

Sim... Iria esquecer de Alec e Jane. Iria esquecer o rei e todos os outros! Pensaria apenas em Edward e suas mãos. Pensaria apenas neles. Afinal, seus dias ao lado de seu marido poderiam está em risco!

Alec entrou no cômodo iluminado apenas por velas e archotes. Sentiu o cheiro da cera derretida misturado a algo mais... Sangue talvez? Tomou cuidado para não fazer barulho enquanto caminhava, até que chegou na enorme cama com colunas e lentamente afastou as cortinas de seda que a cercava. Lá, deitada no leito, estava Jane, com os longos cabelos prateados espalhados ao redor de seu rosto fino e agora mais pálido do que o normal.

Seus olhos estavam fechados e rodeados por escuras olheiras, fazendo-a parecer ainda mais doente. Alec odiava vê-la daquele modo. Queria ouvi-la sorrindo, provocando-o, implicando com alguém... Mas lá estava sua irmã, dormindo um sono profundo em um leito de convalescente. Quando Jane começara a sangrar naquela manhã, após o desjejum, sentiu que começaria tudo de novo! Queria fazer algo por ela, mas sabia que aquele pesadelo só acabaria quando a maldita bruxa que os amaldiçoara morresse! E por isso tinha tanta pressa em por as mãos em Isabella!

-Ela ainda sangra? – Indagou Alec à velha curandeira que velava o sono de Jane, sentada em uma cadeira ao lado da cama enquanto costurava algo.

-Não, meu senhor. – Respondeu encarando-o com seus grandes olhos negros que contrastavam de maneira macabra com seus cabelos brancos – Ela já não sangra... Mas se a hemorragia voltar creio que não poderei fazer mais nada pela criança que carrega em seu ventre. Seu corpo teima em rejeitar o feto, como das últimas vezes.

-Maldição! – Praguejou baixinho, temendo acordar a irmã – Você está se mostrando mais incompetente do que eu esperava, velha! Jane já perdeu três filhos, se ela perder o quarto, você pagará caro.

-Não tenho culpa, meu jovem senhor. Não possuo controle sobre todas as coisas da natureza. As crianças geradas pelo ventre de sua irmã são deformadas, monstruosas... Talvez algo mais forte não queira que ela dê a luz.

-Não torne a usar tais palavras contra minha irmã! – Ordenou Alec se segurando para não esbofetear aquela velha miserável. Jane estava convalescendo, e se ouvisse tais acusações, poderia acabar se debilitando ainda mais – Sabe qual foi o motivo desse sangramento?

-Não. Ela parecia bem essa manhã. Talvez seu corpo e o da criança não sejam compatíveis...

-Saia. Deixe-me sozinho com minha irmã.

-Não creio que seja prudente os dois ficarem sozinhos, trancados em um quarto...

-Não estou lhe pedindo conselhos, sua velha ignorante. Sou o senhor destas terras e aqui minha palavra é lei. Agora SAIA.

A velha curandeira o olhou por algum tempo, com aqueles bizarros olhos que pareciam ver a alma. Mas Alec não se deixou intimidar. Sabia que ela nada poderia fazer contra ele e por isso apenas se manteve firme.

-Sairei, meu senhor. – Disse a velha enquanto se levantava com dificuldade e caminhava lentamente até a porta. Era extremamente baixa e seu corpo parecia que iria se desfazer a qualquer momento – O senhor ainda será o responsável pela morte de sua irmã.

Disse antes de fechar a porta atrás de si e finalmente deixá-los só. Alec precisava encontrar outra curandeira imediatamente. Aquela velha não servia de mais nada, e Jane merecia o melhor! Mas agora tinha assuntos mais importantes a tratar, e era por isso que estava ali. Caminhou novamente até o leito onde sua irmã estava deitada, e antes de abrir as cortinas da cama novamente, a ouviu falar com uma voz baixa e fraca.

-Eu o perdi novamente, não foi? Perdi o bebê...

-Jane... – Alec sentou-se na cama, bem ao lado da irmã, e a acariciou o seu rosto com ternura – É claro que não perdeu! A criança ainda está em seu ventre... Só precisa descansar um pouco e se recuperar.

-Fiquei tão assustada quando vi o sangue escorrendo, que pensei que o perderia, assim como perdi os outros... Não quero passar por aquilo novamente! Nunca mais.

-Nós iremos conseguir dessa vez, você verá. Só temos que dá tempo ao tempo.

-Não... Estou farta de esperar! Quero vingança, Alec. Quero que Isabella morra pelos três filhos que me fez perder com sua maldição! Quero que ela sofra tudo o que me fez sofrer e ainda mais! Quero que aquele bastardo com quem ela se casou sinta o mesmo que você sente, todas as vezes que me vê fraca desse jeito! Só assim poderei levar essa gestação até o final.

-Esse dia está mais perto do que você imagina. – Prometeu ele enquanto a acariciava a face novamente.

-Seu aliado em Masen conseguiu alguma coisa? Conseguiu afastar Isabella de seu marido?

-Sim, ela conseguiu, mas os homens que enviei para capturarem Isabella disseram que perderam seu rastro, como se aquela bruxa tivesse evaporado no meio da floresta. Além disso, havia dois soldados de Masen no caminho, e isso os impediu de continuar com a busca.

-Oh, essa sua aliada se mostrou mais incompetente do que eu esperava! Ela só tinha que atrair Isabella para longe de seu marido! Como pôde falhar em algo tão insignificante?

-Eu sei, eu sei... Estamos cercados por idiotas. Mas não se preocupe, essa inútil já está pagando por sua incompetência. Ordenei que a prendessem nas masmorras, e assim que você se recuperar, irei ordenar que tragam-na aqui, para que você se "divirta" um pouco. – Jane deu um sorriso débil ao ouvir aquilo.

-Oh, sim! Irei castigá-la com muito prazer, assim que me recuperar.

-Sabia que você iria gostar de ter um novo brinquedinho. Mas agora tenho algo para você. – Disse Alec enquanto retirava um pergaminho amassado que trazia no bolso – Reconhece esse selo?

Jane estreitou seus olhos cinzentos e tentou enxergar o timbre da carta, mas a pouca iluminação fornecida pelas velas não a ajudava muito. Com mãos trêmulas, ela tomou o pergaminho do irmão e o aproximou mais dos olhos, dando um sorriso torpe ao finalmente reconhecer o selo.

-O rei respondeu nossas suplicas! Finalmente!

-Sim, minha doce irmã. – Alec segurou sua delgada mão e a beijou com delicadeza – Henry enviará um bispo para Forks, para averiguar o que ocorre. Ele requer nossa presença lá, juntamente com Isabella e com o bastardo de Masen. No fim das contas, aquela bruxa desgraçada virá correndo ao nosso encontro, e aí poderemos finalmente acabar com tudo isso.

-Oh, será maravilhoso! Quando isso ocorrerá?

-Dentro de um mês. Creio que você já estará recuperada para a viagem, não é?

-Sim! Estarei... – Afirmou Jane com um sorriso vacilante – Essa criança que carrego em meu ventre depende disso para sobreviver. Farei qualquer coisa para acabar com aquela desgraçada. Qualquer coisa!


E nossos mistérios estão finalmente sendo revelados! Agora o rei tmb quer meter o dedo na relação deles... O que será que vai acontecer quando chegarem em Forks? Vou logo adiantando que o Edward e a Bella vão encontrar uma surpresinha lá ahahahaha Vcs não perdem por esperar!

Hj, irei dedicar este capítulo para Natalocas, Brennda Silva, Jana Masen, Marjorie, Milena, Joana Patricia, Jje, Ginny M. Weasley P e Patylayne. Espero que vcs estejam gostando do desenrolar das coisas!

Amanhã tem muito mais (e a temperatura poderá subir um pouco) ahahah

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