Um toque de anjo

Romance – Yaoi

Fanfiction de Sion Neblina

Capítulo final

Até que a morte os separem

Capítulo XXI

Zeus estava dentro do seu templo de onde Hera disse que não deveria sair até segunda ordem. Estava irritado ao extremo e com isso, aproveitava para lançar raios a terra, pela janela. Quem aquela deusa pensava que era?

- Que trocadilho, infame! – fala Zeus para a autora que o ignora.

Bem, ele continuava em seu quarto de castigo, até que a porta se abriu e Hera entrou com um sorriso dos mais meigos; Zeus ficou desconfiando, há muito que ela não sorria daquele jeito, o que aquela mulher estava aprontando?

- Querido esposo, eu tenho um presente pra você...

- Presente? Mas, nem é meu aniversário! – desconfiou o Deus.

- Bem, eu o perdoarei das bobagens que você tem feito, com uma pequena condição...

- Que condição?

A deusa sorriu o seu sorriso mais sedutor e se inclinou cochichando ao ouvido do Deus que arregalava os olhos e se resignava; estava perdido.

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Ikki apertava a gravata do fraque e olhava o rosto emburrado do irmão mais novo.

- Shun, não adianta ficar com essa cara... – disse.

- Odeio quando você é burro, Ikki, por que vai se casar com a Esmeralda?

- Isso é algo sem importância, Shun, é só um acordo comercial, mais nada.

- Mais nada? E se o Shaka voltar?

Shun resignou-se, não queria entristecer o irmão, falando do anjo, mas saiu antes que pudesse evitar. Ikki baixou os olhos e sorriu com tristeza.

- Ele não vai voltar, Shun...

O Amamiya mais novo achou melhor não insistir, de nada adiantaria. Ikki terminou de arrumar o fraque e saiu da capela, acompanhado de Shun. O jardim da mansão dos Matsui estava repleto de boas cabeças da sociedade japonesa. A decoração luxuosa como Esmeralda gostava, era digna do casamento da filha única do rico empresário, como ele gostava de dizer, sua princesinha. A fútil mocinha quis um casamento tradicionalmente ocidental, como os de suas amigas americanas. Ikki não se importava, só rezava que a cerimônia terminasse logo, para que voltasse para sua casa; sim, o combinado era que voltaria para sua casa e sozinho...

- Que demora dessa noiva! – reclamou Kanon que era um dos padrinhos ao lado de Shina – Onde eu acho uísque, Ikki?

- Não sei se você reparou, mas estamos na cerimônia ainda, Kanon e não na recepção! – reclamou o sócio.

- Não, estamos em um circo, e um circo dos horrores! – reclamou o geminiano e se afastou para procurar algo para beber.

Shina encarou Ikki.

- Infelizmente tenho que concordar com ele, Ikki, você está cometendo o pior erro da sua vida.

- Que vida, Shina? Que vida? – perguntou irritado, saindo de perto da sócia.

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Do Olimpo, Shaka olhava a cena da igreja. Milo se aproximou dele e afagou-lhe o ombro.

- Não terá coragem de descer, não é?

- Não... – suspirou – Estaria feliz se soubesse que ele ficaria feliz ao lado dela, mas...

- Shaka, temos que fazer alguma coisa, livre arbítrio, lembra-se?

O loiro mirou o escorpiano.

- O que quer dizer?

- É hora de você escolher, é hora de você dizer aos deuses que não aceita isso. Que você quer ser mortal!

- Minha missão...

- Que merda! Será que em toda fanfiction você tem que ficar com essa mesma ladainha? – explodiu Milo – Você ama o Ikki ou não?

- Amo, mas...

- Então você não pode aceitar ficar sem ele!

- Eu tenho medo, Milo, tenho medo que... que ele seja punido por minha causa.

- Shaka, você não pode aceitar e viver sofrendo assim, são dois corações em prantos, isso não é justo!

- Eu concordo! – falou Camus se aproximando e Milo segurou-lhe a mão – Shaka, eu e os demais tomamos uma decisão e acho que você também deve participar dela.

O anjo loiro mirou os companheiros meio hesitante.

- Qual a decisão que vocês tomaram, Camus?

- Exigiremos a mortalidade. – quem respondeu foi Shura que se aproximava também com os demais.

- E você deveria parar de querer ser tão certinho e vir com a gente! – piscou Aioros.

- Mas... é que... se eu mudar...

Todos olharam para o rosto hesitante do arcanjo.

- Ficarei OOC...

- Ah, isso? – riram os demais – Não liga não, você já está!

- Ok, então eu entro no motim! – concordou Shaka e todos seguiram para o quarto portão. A missão agora era convencer o ranzinza e também "todo certinho" Senhor dos exércitos celestiais.

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- Como se não bastasse participar desse circo dos horrores, ainda temos que suportar um atraso de mais de uma hora da noiva! – reclamou Shina.

- É. A Esmeralda está exagerando! – falou Kanon bebendo o uísque que só a autora sabe onde ele encontrou.

- Isso é bom, quem sabe o Ikki não toma juízo e foge?

Kanon olhou para a ex-secretária (sim, acho que a Shina merecia uma promoção por aturar Ikki e Kanon), que vestia um sensual vestido salmão.

- Você está linda, Shina, nem parece aquele sargentão...

- E você não era pra tá na fossa, ao invés de ficar me secando?

- Ah, é, né? Instintos, fazer o quê? – riu Kanon sem jeito e observou Shun e Hyoga se aproximarem.

- Parece que o projeto de espiga de milho chegou. – falou o primeiro de má vontade.

- É, mas parece que ela ficará mais umas... meia hora na capela, refazendo a maquiagem. – sorriu Hyoga com ironia.

Então, todos os olhos se voltaram para o noivo que sem nenhuma cerimônia estava sentado nos degraus do altar.

- Ele está dormindo?

- Ainda não. – respondeu Shun e foi até o irmão – Ikki, você está bem?

O moreno pareceu voltar de alguma outra dimensão. Sorriu para o irmão.

- Estou sim, Shun, não quero que se preocupe. Ficarei bem.

Shun sorriu, sabendo que não adiantaria brigar mais com o irmão. Sua tristeza era tão intensa que nada pareceria apagá-la.

- Ikki, você tem certeza?

- Shun, a única coisa da qual tenho certeza é que queria o Shaka comigo agora...

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A algazarra era total em frente ao templo de Zeus. Os arcanjos exigiam a mortalidade, exigiam a felicidade dos amigos e exigia a volta para a terra, afinal, no Olimpo não tinha cerveja.

Hera saiu e mirou a algazarra dos onze arcanjos.

- Afrodite, até você? – chocou-se a deusa.

- Entrei no time, chefinha, mas a culpa é do Aioros!

Todos os olhos se cravaram no arcanjo do amor.

- Epa, epa! Todos concordaram! – defendeu-se Aioros.

- Isso não vem ao caso agora. – falou Saga que sim, tinha aderido ao motim. Não suportava mais ver Kanon se afogando em uísque – Queremos voltar para a terra.

Hera mirou-os e cruzou os braços.

- E por que vocês acham que merecem isso?

- Por que queremos! – respondeu Shura – E nossa vontade não pode ficar a critério dos deuses.

- Tudo aqui está a critério dos deuses, arcanjos. Esse não é um argumento muito forte.

- Então, porque não somos mais úteis no Olimpo. – argumentou Mu – Nossa presença aqui só atrapalha o bom funcionamento das coisas celestiais.

- Continuo sem achar muito relevante. – suspirou Hera e nesse momento, se aproximaram do grande templo, os deuses, Hades, Afrodite, Athena, Métis e Zeus.

Eles prostraram-se ao lado de Hera.

- Temos direito a livre arbítrio. – falou Aiolia – Nenhum Deus pode forçar um arcanjo a ser o que ele não é!

- Isso! E além de tudo, ela! – Milo aprontou para Afrodite (a deusa) que levou a mão ao peito – Ela nos envenenou com a luxúria. Se alguém deve ser responsabilizado por isso é ela!

- Eu? – espantou-se a deusa – Não fui eu quem mandou vocês para a terra!

Todos os olhos se voltaram para Zeus que ficou coradinho e baixou a cabeça.

- Ah, certo, certo, admito. – disse o Deus supremo – Mas, isso será resolvido. A Hera, minha querida e inteligente esposa, junto com minha filha predileta já conseguiram achar uma solução.

- Ah, mas nessa só quem se dará mal sou eu... – Athena se calou ao receber o olhar do pai – Certo, certo, tudo bem.

Os arcanjos miraram a deusa primeira dama e ela sorriu.

- O desejo de vocês será concedido. – falou e houve euforia entre os arcanjos – Vocês retornarão para a terra como querem. Mas, advirto que serão mortais sem mais nenhuma ligação com o Olimpo. Estarão sujeito a todas as agruras mortais; morte, doenças, dor. Todas as formas de sentimentos e sofrimentos, possíveis. Vocês tem certeza que querem isso?

Os arcanjos se entreolharam e então, Shaka se adiantou a deusa.

- A senhora se esqueceu de citar outras coisas que a vida mortal nos oferece; amor, carinho, amizade. Sentimentos que vocês nunca saberão o que é.

Os deuses prestaram bastante atenção ao arcanjo e Shaka continuou:

- Morte, dor, doenças, tudo isso faz parte da vida humana; mas, há também, alegria, sorrisos, paixão. Há chocolate e abraços quentes; há música... Há tantas coisas que fazem a vida humana plena e bela! – o loiro suspirou – Então, eu tenho certeza do que eu quero, e eu quero ser mortal.

Fez-se silêncio por alguns minutos, até que Milo se adiantou e sorriu.

- Ah, loiro, você se esqueceu de dizer o mais importante...

Shaka mirou o escorpiano e os outros.

- O quê?

- HÁ SEXO! QUEREMOS SEXO! – bradaram os outros e os deuses cobriram o rosto com as mãos.

- Certo, então, seja feita a vontade de vocês! – disse Hera – A partir do momento em que se tornarem mortais, terão novas identidades, serão perfeitamente humanos, como se tivessem nascido e crescido como pessoas normais.

Os arcanjos fizeram uma reverência à deusa.

- Obrigado, senhora. – disse Shaka erguendo a cabeça.

Aiolia e Aioros se aproximaram de Afrodite (a deusa).

- Sentirei saudades, mamãe! – disse o segundo e ambos a abraçaram.

- Só desejo que vocês sejam felizes. – disse a deusa, emocionada, enchendo seus rebentos de beijinhos e tentado enxugar as lágrimas – Agora vão...

Eles se afastaram e então, Hera falou:

- Preparem-se arcanjos, suas vidas agora serão de vocês!

Milo segurou a mão de Camus.

- Eu não acredito que... desceremos da mesma forma de sempre?

Todos olharam para a deusa que sorriu perversamente. Então, todos foram envolvidos num imenso redemoinho.

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a marcha nupcial começou a tocar enquanto a noiva percorria o imenso tapete vermelho em direção ao altar, de braços dados com o pai. O noivo continuava cabisbaixo e Shina balançou a cabeça, observando o esplendor do luxuosíssimo vestido amarelo, assinado por algum estilista famoso.

- Agora entendo o que o Shun quis dizer com "projeto de espiga de milho" – ela cochichou no ouvido de Kanon que começou a rir baixo.

A noiva em fim chegou ao altar e Ikki tomou-lhe a mão, ouvindo de Matsui que deveria cuidar bem de sua "princesinha". O Amamiya mais velho resignou-se e a moça era só sorrisos.

- Agora você é meu, Ikki, nada mais poderá se interferir entre a gente.

O moreno ergueu os olhos aos céus e suspirou resignado e finalmente caindo à ficha de que estava fazendo tudo errado, mas era tarde. Guiou a noiva para o altar, onde o juiz de paz sorria e começava o discurso...

Esmerada batia o pé nervosa com a tagarelice do homem; Ikki estava indiferente e os convidados do noivo, apreensivos. Chegou um momento em que Seiya preferiu sair andando pelo imenso jardim, porque não tinha paciência para aturar a cerimônia chata.

E em fim o momento esperado chegou:

- Se tem alguém aqui que possa dizer algo contra esse casamento que diga agora...

- Eu...! – tentou gritar Seiya que voltara correndo para a cerimônia. Mas Shiryu já esperava por isso e tapou-lhe a boca saindo arrastando-o para longe do jardim e da cerimônia.

- Shi, por que você me impediu? – perguntou o sagitariano irritado.

- Essa é uma decisão do Ikki, você não pode se intrometer. Isso só fará com que fique pior.

- Mas... ele é nosso amigo, e está fazendo uma burrada!

- É a vida dele, Seiya. – reclamou Shiryu tranquilamente e o namorado, como sempre, acabou aceitando que ele tinha razão.

Voltaram para a cerimônia a tempo de ouvir o juiz dizer:

- Se não há nada e nem ninguém que possa impedir essa união, eu os declaro...

Suspense... olhos vidrados na tela se isso não fosse uma fanfiction!

Então houve um clarão no céu e gritos foram ouvidos, por todos os lugares do jardim, anjos ou ex-anjos caíam como cometas.

- Mamãe, tá chovendo homem! – disse uma garotinha que só entrou na história para falar isso.

- Aleluia! – gritaram todas as mulheres que estavam no casamento e também as leitoras da fanfiction.

E então, como já era de se esperar, o juiz não disse mais nada, mesmo porque um loiro de mais de um e oitenta caiu em cima do noivo e um monumento grego, caiu em cima do padrinho do noivo, e ambos agora jaziam desacordados no altar.

- Ai, dessa vez, até que a queda foi macia! – disse Shaka se sentando nos quadris de Ikki e olhando Saga que fazia a mesma coisa em Kanon.

Os dois trocaram um olhar e depois miraram os amados que jaziam desacordados com o impacto.

- Ikki!

- Kanon!

- Fale comigo! – gritaram os dois balançando os mortais.

Ambos abriram os olhos vagarosamente.

- Shaka...

- Saga...

- Eu... eu morri atingido por um meteoro loiro e vim para o céu, é isso? – perguntou Ikki – Amor, senti tanto a sua falta, agora ficaremos juntos?

- Sim, meu amor, ficaremos, mas você não está no céu, eu que vim até você. – falou e o puxou do chão o abraçando.

- Kanon, eu... eu sei que você é um bobo, tarado, mas... – dizia Saga – Eu não sei mais viver sem você, por isso, voltei, voltei para que ficássemos juntos...

Kanon sorriu, apesar das dores que sentia por ter sido golpeado pelo arcanjo. Ergueu os braços e puxou Saga pra si, trocando um ardente beijo bem no meio do luxuoso altar feito no imenso jardim dos Matsui.

E durante tudo isso, foi aparecendo homens de togas de todos os cantos do jardim. Tanto que as mulheres presentes começaram a achar que teriam uma performance sexy depois do casamento; já que as togas eram minúsculas e os ex-arcanjos... ah, imaginem as pernas dos ex-arcanjos desfilando pelo tapete vermelho...

Obs. Autora para e corre para a cozinha para tomar um copo d'água, porque imaginar isso foi demais para ela.

Continuando...

- Ai, agora que somos mortais, pensei que os deuses teriam mais piedade... – reclamou Aiolia, massageando o traseiro.

- Para de reclamar, pelo menos você não caiu em cima de uma roseira... ai! – reclamou Máscara da morte tirando um espinho do traseiro.

- Ah, amor, deixa que eu cuido de você! – fez becinho Afrodite, afagando os cabelos do amado.

Mu e Aiolia se entreolharam.

- Eh, acho que o efeito da flecha não vai passar, não.

Os arcanjos foram se aproximando do altar e Shun e Hyoga correram até eles.

- Vocês voltaram! – gritou o Amamiya mais novo se jogando nos braços de Milo, que gemeu porque seu corpo estava muito dolorido com a queda, mas mesmo assim sorriu.

- Claro que sim, meu pequeno! Eu disse que queria ser mortal!

- Ficamos felizes! – disse Hyoga abraçando Camus – Pena que não terei mais anjo da guarda!

- Terá sim, eles sempre designam outro.

Milo afastou Shun enquanto os outros se aproximavam.

- Shun, esse é o seu ex-anjo da guarda, Afrodite! – apresentou e o pisciano abraçou o ex-protegido.

- Olá, Shun, eu o conheço desde pequenininho!

- Ah, eu acredito! – disse o adolescente.

- Bem, todos voltaram? – perguntou Hyoga e mirou Aldebaran que sacudia algumas folhas da toga verde escura que vestia – Até você, por quê?

- Ah, depois de vir aqui, o Olimpo se torna muito chato e... – o gigante mirou Shina que sorriu com charme – Aqui tem tanta coisa interessante, não é?

- Sei... – todos riram e então, se viraram abruptamente para o altar, onde Kanon e Saga continuavam se beijando e Shaka continuava sentado nos quadris de Ikki e... ESMERALDA torcia nervosamente o vestido amarelo, rubra de raiva, até que gritou:

- Ahhhhhhhhhhhhh, eu vou matar esse pesadelo loiro! – a mocinha se armou com o livro do cartório e o jogaria na cabeça de Shaka se não fosse interrompida por um chamado.

- ESMERALDA! - virou-se e então, viu Seiya com o lindo bolo do casamento nas mãos e logo ele estava sobre seu rosto.

O projeto de espiga de milho... Digo, a noiva caiu sentada no altar. Houve comoção geral, os seguranças foram chamados. Shaka pegou Ikki e jogou em cima do ombro, pois o rapaz não tinha condições de andar com a pancada; Saga fez o mesmo com Kanon e eles e os demais ex-arcanjos, junto com Seiya, Shiryu, Shina, Hyoga e Shun saíram correndo do que seria um casamento seguido de uma festa.

- Ele está roubando o noivo! – gritou outra garotinha anônima.

- E o padrinho também! – falou uma das mulheres.

As damas correram atrás dos arcanjos.

- Me dá seu telefone! – gritou uma das mulheres ao passar a mão no traseiro de Camus.

- Agulha es...ai!

Milo levou um safanão do amante.

- Você quis ser mortal, agora relaxa que não sobrou agulha nenhuma em suas unhas.

- Ah, é mesmo, então vamos correr dessas taradas! – disse tentando proteger seu próprio traseiro e o de Camus – Ah, mas como uma agulha faz falta...

- Arcanjos... – sorriu Aldebaran envolvendo os ombros de Shina que sorriu tímida – Não vamos esquecer...

- Já sabemos! – disseram os outros rindo – ISSO AQUI É U.A. É U.A.!

Saíram correndo da festa, deixando a comoção geral do local. Enquanto isso, Esmeralda chorava o bolo destruído; Matsui dizia para ela não chorar que ele lhe daria um executivo novo e as mulheres suspiravam e acenavam adeus para os gostosos de toginha.

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Ikki abriu os olhos e achou que tudo tinha sido um sonho. Quase gritou de frustração e voltou a fechar os olhos fortemente.

- Ah, Shaka... Não diga que foi um sonho! Onde você está?

- Aqui. – ouviu a voz do loiro e voltou a abrir os olhos se sentando abruptamente na cama o que fez suas costas doerem e ele soltar um gemido.

O anjo que mirava a rua pela janela do hospital voltou para perto dele e se sentou na cama, tocando-lhe o rosto.

- Veja, eu sou real.

Ikki o puxou para seus braços, apertando-o com tanta força que Shaka achou que iria se partir ao meio.

- Ah, meu anjo, eu rezei tanto por isso... – disse o executivo emocionado – Me diga que será pra sempre, Shaka, me diga que não vai mais me deixar...

- Ah, Ikki, eu não posso garantir isso... – sorriu o loiro afagando-lhe os cabelos – Agora sou mortal, e estou sujeito a tudo que a mortalidade pode oferecer; doenças, acidentes e ao final, vou morrer como qualquer pessoa.

Ikki se afastou para mirar o rosto plácido e sorridente do loiro. As lágrimas que caíram dos seus olhos, foram automaticamente limpas pela mão de Shaka.

- É verdade? Então, os deuses...

- Os deuses viram que nem mesmo eles poderiam vencer um amor como o nosso, Ikki.

- Então...

- Isso mesmo, agora sou um humano e espero ser um humano bonzinho, porque vou ganhar um anjo da guarda e não quero dar muito trabalho a ele. Não! Não quero ser igual a você, Ikki, ah, você é um protegido que dá muito trabalho e que...

- Ah, você não muda! Cala a boca! – Ikki o puxou, dando-lhe um ardente beijo, tentando matar toda a saudade que tinha daquela boca, daquele homem que tanto amava.

Em fim, a penitência havia acabado. Estavam livres para amar e enlouquecer de amor...

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Olimpo:

Hera olhava os rostinhos angelicais que estavam parados em frente a Zeus que empalidecia ao verificar que a mulher escolhera para novos arcanjos, guardiões do Olimpo, exatamente cópias dos arcanjos rebeldes.

- Querido esposo, quero que você os conheça em ordem decrescente... – riu perversamente Hera levando as crianças para perto do Deus supremo – Essa coisa linda de cabelos azuis claros é o Albafica e será o guardião do décimo segundo portão. Para proteger o décimo primeiro, eu trouxe esse cubinho de gelo que é o Dégel, e assim, se segue, El Cid, Sísifo, Kárdia, Asmita, Regulus, Manigold, Deuteros, Hasgard e... Esses serão os novos arcanjos sagrados!

- NÃAAAAAAAAAAAAAO! – grita Zeus desesperado e imediatamente as crianças mortais e futuro arcanjos, começam a fazer a festa pelo Olimpo.

- Querido, o melhor eu não disse! Você ficará encarregado de cuidar delas! Hahahahahaha... – Hera solta sua risada maligna e Zeus começa a chorar.

- Hera, tenha piedade... – implora Zeus.

- Ah, por favor! – a deusa colocou as mãos na cadeira – Aproveite para treiná-los muito bem, antes que a guerra santa chegue e o Kurumada pegue todos de volta! Enquanto isso, vou passear um pouquinho com o Kratos...

- Hã?

- Isso mesmo, me disseram que ele consegue fazer quarenta vezes o que você não tem conseguido fazer uma!

- Ah... é que estou estressado!

- Então é melhor começar a se desestressar ou terei que utilizar a toalha molhada celeste do caos em você!

- Querida...

- Tchauzinho, esposo. Espero encontrar essas crianças bem comportadas quando eu voltar.

A deusa sumiu e Zeus olhou para as pestinhas espalhadas pelo jardim. Regulus já puxava o cabelo do coitadinho do Asmita, Kárdia estava trepado num dos pilares; Deuteros dizia que mataria todo mundo. Só havia duas pessoas que poderiam ajudá-lo...

- Dohko, Shion, EM MEU NOME, CUIDE DESSES PESTINHAS QUE EU VOU ME TRANSFORMAR EM CHUVA DE OURO!

Dohko e Shion que estavam "se divertindo"" no primeiro templo, suspiraram, voltando a vestir as túnicas.

- Sempre sobra pra gente! – reclamou o ruivo.

- É. Eu não sei o que o Kurumada tem contra a gente, não bastasse lutar numa guerra, ele nos colocou para lutar em duas! – suspirou Shion.

- Mas, Shion, dessa vez não foi o Kurumada, foi a Sion...

- Ah, é mesmo...

- E não vamos esquecer, não é?

- Claro que não...

- ISSO AQUI É U.A. , SION, U.A.!

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Festa de ano novo. Todos juntos para ver a queima de fogos na baía de Tóquio, onde também, haveria muitos shows de músicos famosos.

- Vamos, Shaka, nem humano você deixa de ser devagar! – reclamou Ikki ajeitando a camisa de frente ao espelho.

O loiro apareceu sorrindo, enrolado num roupão.

- E você sempre mal educado! – reclamou o virginiano e começou a se vestir. Ikki ficou observando-o pelo espelho. Sorriu não resistindo e indo até ele o empurrando na cama.

- Ikki, vamos nos atrasar...

- Ah, não tem problema, eu quero fazer amor com você...

- Ikki, só temos feito isso durante esses três dias...

- Ah, mas parece que minha fome de você nunca será aplacada...

O ex-anjo acariciou-lhe o rosto e o beijou, enlaçando-lhe o pescoço, puxando-lhe o corpo para mais perto, e...

- Puxa! Vamos perder a queima de fogos, Ikki, Shaka, vamos! – eles ouviram as vozes dos outros ex-anjos que invadiam o quarto.

Ikki rolou para o lado, bufando de frustração.

- Parece que nunca teremos paz! – grunhiu o moreno – Shaka, eles não podiam ter ficado lá no Olimpo, não?

O loiro riu.

- Ah, Ikki, não reclama, agora somos humanos, só humanos!

- É, e você está um humano bem gostosinho, Shaka... ai! – Milo gemeu com o beliscão que recebeu de Camus e só então, Shaka e Ikki se deram conta que o anjo estava somente de cueca.

- SOMEM DAQUI SEUS TARADOS! – gritou o executivo arremessando o travesseiro.

Os anjos seguiram para a sala onde ficaram esperando por eles. Logo depois, todos saíram para ver a queima de fogos na baía de Tóquio. Uma festa muito bonita.

Estavam lá os onze ex-arcanjos, Kanon, Seiya e Shiryu, Shina já engatando um affair com Aldebaran (o último arcanjo hetero dessa história) , Shun e Hyoga. Em fim, todos para comemorar a chegada do ano novo. Todos felizes e apaixonados.

A mortalidade nunca foi tão prazerosa. Fogos de artifício, música e dança. Do céu alguns deuses prestavam atenção, alguns arcanjos também, uns enciumados, outros felizes.

A festa corria solta, a banda tocava no palco uma animada música e os ex-arcanjos e os sempre mortais caíam na folia.

Shaka, Ikki, Camus e Saga não quiseram dançar, então, ficaram observando enquanto os companheiros soltavam a franga no salão do clube à beira mar, de onde eles olhavam o espetáculo dos fogos de artifícios.

- Ah, Shaka... – começou Ikki – Algumas grifes entraram em contato conosco para saber a qual agência de modelo você e os outros pancadas pertenciam. Parece que estão interessado em contratá-los, há foto de vocês por todo o mundo nesse momento.

- Ah, Ikki, eu não quero pensar nisso agora! – riu – O único trabalho que quero ter é o de ser seu anjo da guarda, mais nenhum!

- Você será sempre meu anjo, Shaka, não importa quão mortal você seja.

- Sim, eu vou sempre cuidar de você, meu amor!

Eles se beijariam, sim, se não fossem puxados pelos demais para participar da dança, nem Camus e Saga escaparam, agora estavam todos num animado trenzinho a rodar pelo salão. Dançando ao som do Village People.

Body...wanna feel my body?

Body...such a thrill my body

Body...wanna touch my body?

Body...it's too much my body

Check it out my body, body.

Don't you doubt my body, body.

talkin' bout my body, body,

check it out my body

Every man wants to be a macho macho man

to have the kind of body, always in demand

Jogging in the mornings, go man go

works out in the health spa, muscles glow

You can best believe that, he's a macho man

ready to get down with, anyone he can

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man (macho man)

I've got to be, a macho man

Macho, macho man

I've got to be a macho! Ow....

Body, its so hot, my body,

Body, love to pop my body,

Body, love to please my body,

Body, don't you tease my body,

Body, you'll adore my body,

Body, come explore my body,

Body, made by God, my body,

Body, it's so good, my body

You can tell a macho, he has a funky walk

his western shirts and leather, always look so boss

Funky with his body, he's a king

call him Mister Eagle, dig his chains

You can best believe that, he's a macho man

likes to be the leader, he never dresses grand

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man

I've got to be, a macho man

Macho, macho man

I've got to be a macho! (all right)

Ugh! Macho..baby!

Body, body, body wanna feel my body,

Body, body, body gonna thrill my body,

Body, body, body don'tcha stop my body,

Body, body, body it's so hot my body,

Every man ought to be a macho macho man,

To live a life of freedom, machos make a stand,

Have their own life style and ideals,

Possess the strength and confidence, life's a steal,

You can best believe that he's a macho man

He's a special person in anybody's land.

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man (macho man)

I've got to be, a macho man

Macho, macho man

I've got to be a macho! (dig the hair on my chest)

Bem, por aí vocês já devem crer que em algum momento sobre efeito de muito álcool. Milo, Aiolia e Aioros fizeram stripper numa das mesas, exibindo seus corpos sarados, levando o público e seus parceiros a loucura, mas por motivos diferentes.

Foram puxados pelas orelhas, mas não ficaram zangados por muito tempo. Logo o baile estava perfeito. Shun um pouquinho alto, agarrou Hyoga e o beijou o que desencadeou uma série de beijos sem fim, até quem não estava na história se beijava também, para logo depois seguir no trenzinho, até o dia clarear.

Do Olimpo as crianças arcanjos observava tudo...

- Dégel, acho que lá embaixo é muito mais divertido... – disse Kárdia.

- Parece realmente...

- Vamos descer?

O aquariano ponderou...

- Sim, mas não vamos sozinhos, vamos chamar os outros.

- Você tem razão... hehehehehehehe!

As pestinhas riram esquentando as mãos.

Paris: Um mês depois:

Hyoga estacionou o carro no campus de medicina da Sorbonne; quando vislumbrou um homem de cabelos grisalhos e longos entrando num carro, cheio de papéis nas mãos.

Aproximou-se dele.

- Professor Lune? – chamou e o homem se virou, ele sorriu – Saindo de férias?

- Não, fui despedido, um aluno inventou uma calunia a meu respeito e o imbecil do reitor acreditou! – falou o homem guardando seus pertences no carro.

- Mas, ouvi dizer que essa calúnia foi provada com uma fita de vídeo de um dos laboratórios, não foi? – perguntou o russo cinicamente, cruzando os braços.

O homem emudeceu e encarou o rapaz.

- Você é um dos meus alunos? Nos conhecemos? Não consigo me recordar...

- Não, na verdade, eu sou o noivo do rapaz que inventou a calúnia...

O homem empalideceu e em instante recebeu um murro bem no meio da cara que lhe quebrou dentes e nariz. Caiu quase desacordado sobre o carro.

- E só não bato mais porque aqui no estacionamento também tem câmera. – sorriu o russo e saiu andando.

Hyoga: Ah, Sion, quase cheguei a pensar que você se esqueceria desse cara!

Sion: Jamais, ele fez maldade com meu verdinho, nunca esqueceria...

Hyoga: Espera aí, Sion, seu não, meu...

Sion: Ah, tá bom, SEU...ciumento!

Hyoga retorna para o seu carro já encontrando Shun parado o esperando.

- Hyoga, onde você estava... o que foi isso em sua mão? – pergunta o japonês aflito.

- Fui dar adeus para o seu querido ex-mestre Lune... – sorriu e evolveu o ombro do amado.

- Ah, Hyoga, eu não acredito que você fez isso!

- Ah, eu não conseguiria terminar essa fanfiction se não fizesse isso...

- Eu te amo...

- Eu também te amo MEU verdinho!

- Hã?

- Ah, deixa pra lá, vamos almoçar...

Japão:

Sim, após o ano novo a vida no Japão também voltou ao normal. Quer dizer, o normal que seria a vida de ex-arcanjos. Saga foi morar com Kanon, Milo e Camus continuaram na casinha bonitinha dada por Zeus. Mu e Aiolia, Aioros e Shura compraram uma casa a beira mar (não me pergunte onde eles acharam dinheiro, digamos que Zeus lhes concederam casa, comida, identidade e roupa lavada).

Aldebaran alugou junto com Máscara da Morte e Afrodite um apartamento moderno no centro de Tóquio, em fim, todos viviam felizes para sempre.

Emprego não foi difícil, com os rostos espalhados por todo o mundo, eles viraram os modelos mais requisitados por todas as agências; além, do mais, quem negaria empregos a esses monumentos?

Em fim, vida normal para os arcanjos, normal dentro do possível, porque eles continuavam sendo exímios encrenqueiros e sempre havia os finais de semana onde todos se encontravam... Aí só Zeus para segurá-los!

Zeus: Eu não! To fora, me livrei dessa corja!

Ok, corrigindo, aí ninguém os seguravam!

oooOOOoooOOOooo

Shaka entrou em casa reclamando, segurando o braço.

- Para de reclamar, Shaka, foi só uns furinhos, você quer ficar doente? – ria o executiva.

- Ah, vacina não é bom, Ikki, não é mesmo! – reclamou o ex-arcanjo.

Ikki o puxou pra si pela cintura.

- Agora que os deuses me concederam você, nada vai tirar você de mim, muito menos um vírus...

- Ikki, você em fim se tornou minha fênix... – disse o loiro.

Eles se beijaram longamente. Sentiram que ficariam assim, por muitos e muitos anos e nada, nem os deuses poderiam interromper aquele amor.

Do Olimpo os deuses suspiravam, dando benção aquele amor que parecia que não acabaria nunca...

Fim

Notas finais: Demorou mais saiu. Afff! Fico até triste de terminar essa fic, ela me acompanhou por tanto tempo. Perdoem-me a demora e se o final não sair de acordo com a expectativa, queria ter feito melhor, mas ela já estava parada há tempo demais e não achei justo. Há gente, sem perguntar difíceis, tipo: Como Seiya pegou o bolo? Como os arcanjos (mortais) não quebraram alguns ossos na descida? Como Ikki e Saga não tiveram, ao menos, algumas costelas partidas ao serem golpeados por dois homens daquele tamanho? Aldebaran e Shina? (ÓOOOO), O Lune só levou um muro? (Sei que merecia ser torturado, mas não deu!), Ah, vocês gostaram dos mini-arcanjos Lost canvas?

Ah, fala sério, é loucura demais para uma fic só! Não me cobrem sanidade!

Abraços especiais a todos que me ajudaram nessa caminhada:

Neka, Amamiya fã, Cristal Black, Suellen-san, Amaterasu Sonne, Etyane, Kojican, Ana, Angela, Gaby, Hokuto, Belle26, Shinny-sama, Lua prateada, Fenix_Cdz,sasulove, Shunzinhaah2, lalay, Mefram_Maru, Arcueid, Danieru, liliuapolonio, Jake Baa-chan, Sun, XL-chan, Sandrini, nathyzany, Iris_Prisma,hinatinha05.

Esses são aqueles que além de ler, tiveram a gentileza extrema de deixar um review de incentivo durante todo esse longo processo.

Obrigada de coração e espero não ter decepcionado muito!

Shaka: Ah, eu fiquei decepcionado, pensei que aconteceria algo bem pior ao Zeus, ele merecia!

Sion: Calma, reencarnação de Buda, não seja vingativo!

Shaka: Ele deveria dar uma voltinha no Tártaro sim, só por me fazer sofrer.

Sion: O que é isso, loiro?

Shaka: Você está defendendo porque na verdade a culpada de tudo é você, Sion!

Sion: Eu????

Shaka: Claro que sim, e chega de conversa que estou cansado, foram 21 capítulos!

Sion: Certo, certo, te amo, loiro!

Shaka: Já disse que não acredito!

Sion: Ingrato!

Shaka: Sádica!

Ah, para quem notou alguma coisa desencontrada, hehehe, um pequeno epílogo.

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Casa de Camus e Milo. Os ex-arcanjos, mais Ikki e Kanon estavam sentados na varanda, conversando, observando o mar e esperando que Milo e Máscara da Morte terminassem de fazer o almoço aquele domingo. Muito ócio, conversas e afagos. Até que Mu, o desmancha prazer da turma, faz uma bombástica interrogação:

- Engraçado, eu estava pensando por esses dias... – começou ele – Camus, o que aconteceu com a galinha?

- Galinha? Que galinha? – perguntou o aquariano.

- A galinha possuída. – disse Mu e nesse momento todos se entreolharam e se levantam correndo para a cozinha onde os dois ex-arcanjos estão cozinhando e gritam:

- NÃO MÁSCARA DA MORTE, NÃO DESCONGELE A GALINHA!

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Fanfiction finalizada em 06/03/2010