Capítulo 21

BELLA

Eu abri e fechei a boca umas dez vezes, mas não saiu som algum. Era isso mesmo o que ele estava propondo? Casar comigo por causa do bebê? E ele deixou bem claro que a decisão não foi dele, e sim dos pais dele.

"O que te faz pensar que um pedaço de papel resolve tudo? Isso é ridículo."

"Bella, eu disse a mesma coisa para a minha mãe, mas ela me fez ver que essa criança tem o direito de ter um pai e uma mãe. E eu não quero que apontem para ela na escola como um acidente, fruto de um casinho entre colegas de trabalho, porque ela não é."

Não, ela era o fruto do nosso amor e naquele momento me lembrei da minha conversa com Esme, o que ela me havia me pedido. Ela estava falando do pedido de casamento. Eu prometi a ela que aceitaria as "condições" dele. E quer saber? Foda-se! Isso poderia acabar mal, mas também era a minha chance de tentar reconquistá-lo. Respirei fundo e disparei.

"Tudo bem, eu me caso com você."

"Vamos fazer isso funcionar." Ele parecia um pouco surpreso, talvez esperasse um pouco de resistência. De repente, seu semblante voltou a ser a máscara fria que ele usava quando estava comigo e então ele tirou do bolso uma caixinha e me entregou.

"Com anel e tudo?" Eu consegui achar graça no meio daquela tensão toda.

"Você não precisa usar, mas a minha mãe não faz nada pela metade."

"Então foi ela quem escolheu? Isso é... diferente." Eu fiquei um pouquinho decepcionada, mas o que eu queria? Que ele se ajoelhasse na minha frente, dizendo que apesar de tudo me ama e que iria me fazer feliz? Acorda Bella. Esse casamento era para dar um sobrenome para o meu filho, mais nada.

"Eu vou usar. Esme gostaria disso." Peguei a caixinha da mão dele e coloquei eu mesma o anel no meu dedo. Era lindo – simples, porém lindo. Uma camélia preta em um aro liso de platina ou ouro branco - e era a minha cara.

"Certo. Agora eu vou até o meu quarto buscar as minhas coisas. Você pode dormir. Eu levo a chave."

"Como?"

"Eu vou me mudar para cá. O que aconteceu hoje cedo poderia terminar mal se Alice não tivesse dado por sua falta. Eu vou ficar aqui para garantir que não aconteça novamente. Deixa um travesseiro pra mim no sofá, amanhã eu falo com alguém para me trazer um colchão."

"Edward, a minha opinião não te interessa? Afinal é do meu quarto que estamos falando."

"Realmente? Não. A sua opinião não me interessa." Saiu e me deixou bufando de raiva. Quem esse bruto pensava que era? Ah sim, meu noivo. Oh céus!

EDWARD

Era hoje. Não dava para adiar, não dava para empurrar com a barriga, pedir para alguém fazer por mim, mudar de planeta. Eu estava indo até o quarto de Bella ter uma conversa definitiva sobre tudo.

Eu estava nervoso para porra. Uma pilha de nervos. Marquei com ela as oito, mas meus pés não se moveram para que eu chegasse lá no horário certo. Ela que me esperasse.

Bella abriu a porta para mim, e eu senti o peso do anel no meu bolso. Era agora. Suspirei e disse um breve "oi". Bella respondeu e me mandou entrar.

Sentei em uma cadeira que havia pego na varanda, e pedi que ela começasse a falar. Eu queria ouvir a história da boca dela. A versão com os motivos dela, o que a levou a tomar a decisão de me deixar após a conversa com Royce. Eu queria entender, queria entrar na cabeça dela e saber se ela realmente fez aquilo porque me amava. Claro que ela falar, não me provava nada, mas eu precisava ouvir tudo da boca dela.

"Bella, eu queria te ouvir, antes de falar o que eu vim te dizer."

"Olha para mim, Edward."

Eu não conseguia olhar para ela. O que antes era tão simples, tão bom, agora fazia meu coração doer e minha respiração falhar. E não de um jeito bom. Ela tinha me machucado demais, e olhar para ela, só me fazia lembrar de tudo. Ergui a cabeça lentamente, e olhei para ela.

"Ainda é muito difícil olhar nos seus olhos."

"De onde você quer que eu comece?"

De onde mais ela queria começar? Do maldito dia que ela conversou com o filho da puta do Royce, e os dois resolveram foder com a minha vida. Respirei fundo, e respondi sua pergunta de um modo mais educado, não querendo arrumar mais confusão do que o necessário. Eu estava ali para ouvi-la, não para piorar as coisas.

"Do começo seria bom. Comece me contando do dia que você resolveu a minha vida por mim."

"Royce me esperava naquela tarde para falar comigo. E eu o ouvi. Ele deixou bem claro que por minha causa você não iria ter a carreira que merece, e que somente eu poderia mudar a situação. As palavras que ele usou foram duras e me machucaram profundamente, mas nada se compara a dor que eu senti quando... bem... quando escolhi deixá-lo para que você fizesse as suas escolhas sem a minha interferência. E acredite em mim, Edward, foi a coisa mais difícil que eu fiz na minha vida."

"Tão difícil que você não pensou duas vezes."

"Engano seu, Edward. Eu chorei aquela noite toda nos seus braços pedindo silenciosamente por uma solução, mas ela não veio, é claro. E na manhã seguinte, eu fiz a maior atuação da minha vida, acredite."

Ela queria que eu acreditasse nela? Eu já fiz isso. E me fodi completamente.

"Acreditar em você? Não sei se consigo mais. Mas continue. A história não termina na porra do seu teatrinho."

Ótimo, agora ela ia começar a chorar. E eu, sentimental da porra que sou, comecei a ficar sentido por ela.

"Eu tentei seguir em frente, dei o meu melhor no meu filme. Mas sempre que eu voltava para o hotel, as suas fotos estavam lá para me lembrar quão dura era a minha realidade. Dois meses depois, quando eu descobri que estava grávida, por um momento eu cheguei a pensar que as coisas mudariam e... Bem, eu logo voltei à realidade. Mas acredite, eu fiquei muito feliz, mesmo. Era um pedacinho seu crescendo dentro de mim e isso, nem Royce, nem ninguém me tiraria."

Ela falou do nosso filho. Senti meu peito se inflar de orgulho, mas omiti dela. Não ia mostrar compaixão nenhuma agora. Eu estava feliz para a porra com isso, mas ela o havia escondido de mim, ainda tinha muita coisa para explicar. E o nome daquele... O nome dele naquela frase foi o que bastou para que eu recompusesse a minha postura.

"Não fala o nome dele na minha frente. Mas então, continua. Você iria me contar quando que eu vou ser pai? Quando ele estivesse indo para a faculdade?"

"A minha mãe me avisou que isso iria acontecer, que você descobriria de qualquer jeito, mas eu não ouvi. Eu só pensava que não era o momento de você saber. Você está cheio de novos projetos e..."

Mais uma vez a insistente história de trabalho em primeiro lugar. Ela continuava a me empurrar para longe. Que porra ela estava pensando para insistir com aquilo?

"Para! A porra do trabalho de novo não! Eu não caio mais nessa sua conversinha. Você pretendia criar essa criança sozinha? Vai ver você já tem um pai substituto."

"Não! Eu não tenho ninguém, mas eu poderia sim criá-lo sozinha. É claro que eu considerei a possibilidade de encontrar outra pessoa no futuro, eu tenho 18 anos. E você também não iria ficar sozinho por muito tempo. Se é que está sozinho."

Caralho! Mais que porra?! O que é isso agora? Queria eu ter seguido em frente! Mas o meu amor por ela ainda me consumia. Ainda doía em mim.

Ela está achando que era fácil esquecê-la? Ela já me esqueceu? Talvez o que ela sentia por mim realmente não fosse tão forte assim. Como ela disse, eu fui apenas uma distração.

Talvez não existisse mais chance para nós, mas o meu filho, ela não iria tirar de mim. Se Bella estava achando que eu iria ignorar essa criança, ou que iria mantê-la longe de mim, ela estava enganada.

"Nenhum filho da puta vai criar o meu filho! Você está entendendo? Eu vou estar por perto. É a mim que ele vai chamar de pai!" Levantei gritando, e acabei derrubando tudo que vi pela frente.

"Gritar comigo não mudará os fatos. Se você quer continuar essa conversa, senta aí e baixa a voz."

Ela tinha razão. Respirei fundo, puxei o cabelo com as mãos algumas vezes, e arrumei a cadeira que havia chutado.

"Ok, me desculpe. Só me diz mais uma coisa. Você em algum momento se arrependeu?"

"No instante em que eu passei por aquela porta, e agora. Me arrependo novamente por ter te escondido a gravidez. Será que algum dia você vai conseguir me perdoar?"

Mas que merda. Essa mulher está fazendo uma merda do caralho com a minha cabeça. Ela quer o meu perdão? Eu não posso fazer isso agora. Eu ainda a amo. Claro! Só eu sei o quanto! Mas ela está muito enganada se ela acha que eu vou dar tudo para ela de mão beijada. Ela me pisou, me destruiu, me deixou acabado, e pensa que vai ser simples assim?

Agora é a minha vez.

"Ok, agora eu vou falar. Por favor não me interrompa."

"Eu vou te ouvir."

"Eu realmente não sabia o que pensar quando aquele médico me disse que você está grávida. Era tudo tão louco, então eu liguei para sua mãe. Como você já deve saber, Renne me contou a verdade, e eu não consegui te encarar. Então saí de perto de você. Era como se a sua presença me fizesse mal naquele momento. Eu estava com muita raiva por ter sido tão idiota, por não ter visto a mentira nos teus olhos naquela manhã em que você foi embora. Por que certamente eu veria se tivesse prestado mais atenção. Mas são fatos que não podem ser mudados."

Ela estava quieta sentada na poltrona me ouvindo.

"Eu fui para Chicago, não para fugir de você, como você deve estar pensando. Eu não teria que ir tão longe. Eu precisava da minha família. Dos conselhos dos meus pais. E respirar o ar do meu lugar me fez bem. Agora eu já consigo encarar você e fazer o que tem de ser feito."

Estava na hora de falar sobre o bebê. Ela não ia me tirar a honra de criar meu filho.

"Bella, meus pais me fizeram ver o quão importante será a minha presença na vida dessa criança que você carrega. Eu quero acompanhar o crescimento do bebê. E mesmo que eu não faça a menor idéia de como agir, eu quero ajudá-la a educar o meu filho. E embora possa parecer totalmente maluca, a solução que meus pais apresentaram me parece ser a correta."

"Solução? Eu não preciso que você resolva nada, Edward. Eu não vou impedi-lo de estar por perto, se é esse o seu medo."

"Você disse que não iria me interromper."

"Desculpe. Pode continuar."

De vez em quando, eu sentia uma vontade louca de abraçá-la, e fazer tudo voltar ao que era. Quando eu pensei no que falaria a seguir, foi um desses momentos. Mas eu sabia que não seria tão simples assim.

Senti o peso da caixinha no meu bolso novamente, e sabia que estava na hora. Aquele pedido ia mudar tudo.

"Bella, o melhor que a gente pode fazer por essa criança é ficar juntos. Então... pelo bebê... casa comigo?"

Bella abriu e fechou a boca tentando dizer alguma coisa.

"O que te faz pensar que um pedaço de papel resolve tudo? Isso é ridículo."

É claro que eu não fazia isso apenas para dar um nome ao meu filho, eu fazia isso porque eu ainda a queria para mim.

E ela ainda me amava também. Era só olhar para ela. Eu ainda a conhecia mais do que a mim mesmo. Eu tentava me convencer de que eu era a distração dela, mas claro que eu sabia que aquilo não era real. Pensar que ela não me amava, faria eu me convencer de que devia esquecê-la também. Mas não funcionou.

E olhando mais uma vez para Bella, ouvindo a voz dela, eu tive a certeza que não podia viver sem ela. Não importava quantas vezes ela ia me magoar, eu precisava dessa mulher para viver. Eu só estava me enganando, achando que poderia, de alguma forma, tê-la longe de mim. Eu estava fodido. A minha cabeça estava fodida.

Eu ainda a amava e queria um futuro feliz com ela, mas, por enquanto, ela vai achar que o motivo desse noivado apenas tem a ver com o nome para o nosso bebê.

"Bella, eu disse a mesma coisa para minha mãe, mas ela me fez ver que essa criança tem o direito de ter um pai e uma mãe. E eu não quero que apontem para ela na escola como um acidente, fruto de um casinho entre colegas de trabalho, porque ela não é."

"Tudo bem, eu me caso com você."

"Vamos fazer isso funcionar."

Peguei a caixinha preta no bolso, e mostrei para ela.

"Com anel e tudo?"

"Você não precisa usar, mas a minha mãe não faz nada pela metade."

"Então foi ela quem escolheu? Isso é... diferente."

Ela não esperava que eu perdesse meu tempo escolhendo anel?! Não nessas circunstâncias.

"Eu vou usar. Esme gostaria disso." Ela pegou a caixa na minha mão, e colocou o anel.

E eu gostei de vê-lo no dedo dela. Era um anel prateado, com uma flor qualquer preta. Lindo. E mais lindo ainda contra a pele clara dela.

"Certo. Agora eu vou até o meu quarto buscar as minhas coisas. Você pode dormir. Eu levo a chave."

"Como?"

Apenas um detalhe que eu havia esquecido de mencionar.

"Eu vou me mudar para cá. O que aconteceu hoje cedo poderia terminar mal se Alice não desse por sua falta. Eu vou ficar aqui para garantir que não aconteça novamente. Deixa um travesseiro para mim no sofá, amanhã eu falo com alguém para me trazer um colchão."

"Edward, a minha opinião não te interessa? Afinal é do meu quarto que estamos falando."

Eu ri internamente. Qual parte de "vamos fazer isso funcionar" ela não entendeu?

"Realmente? Não. A sua opinião não me interessa."

Saí, e ouvi Bella bufando no quarto.

Eu sei que as coisas não voltariam ao normal agora. Mas eu acredito que eventualmente iríamos nos entender, e criar nosso filho juntos. Nós seremos a família que ele merece.

Vai ser um longo e tortuoso caminho. Que eu saiba percorrê-lo.


Cansadinha do domingo movimentado, mas estou postando para não deixá-las sem o capítulo de hoje! Revisem para me deixar feliz, ok? kkkk

Acho que a maioria ficará contra Bella por aceitar a proposta 'nada romântica' de Edward... mas lembrem-se que ela o quer de volta e nesse caso eu faria o mesmo. u.u

Beijo, Nai e Ana.