Mais um capítulo longo, luxurioso e cheio de segredos, mas eu juro que estou revelando aos poucos. Cada capítulo eu revelo alguma coisa, é só ficar atento... ;)

Boa leitura!


CAPÍTULO XXI – Sobre os Seus Pais...

Shion havia se atrasado para o jantar mais uma vez. Desde que o grande mestre do Santuário descobrira sobre a existência do Catálogo de Sage as refeições na companhia de Aneta se tornaram raras. Antes de toda aquela investigação começar eles jantavam juntos todas as noites. Jantavam juntos, conversavam animadamente, depois iam para o jardim observar as estrelas. O céu do Santuário toda noite oferecia um verdadeiro espetáculo de encanto. No verão as estrelas e a lua reinavam absolutas na noite negra, e Shion fazia questão de contar as histórias que cercavam as sagradas constelações a cada passeio noturno.

De onde estava sentada Aneta podia ver o céu negro todo rabiscado de pontos luminosos, a lua e toda a atmosfera mágica da noite do Santuário de Athena que ela havia aprendido a admirar ao lado de Shion. Voltou-se para a cadeira vazia onde seu mestre deveria estar sentado, suspirou. Os jantares não eram mais os mesmos, a noite não era mais a mesma, ela não era mais a mesma mulher.

Tudo mudou depois da chegada dele. Daquele dia no País de Gales que o viu sentado na cadeira de seu amado pai. Aquele sorriso medonho cheio de dentes amarelos... Jamian era a besta que assombrava os pesadelos de Aneta. Seus corvos, seu poder sinistro, sua aparência, sua presença, tudo nele era medonho e lhe aterrorizava desde então. Fechou os olhos imaginando aquele cavaleiro perto de seus pais. Era doloroso imaginar as atrocidades que podiam estar passando...

Uma lágrima ameaçou descer de seus olhos azuis. Aneta apertou o punho em cima da mesa ricamente forrada com uma toalha francesa repleta de pratarias para não chorar. Ela tinha que ser forte, tinha que suportar aquela provação para salvar aqueles que eram tudo para ela, tudo o que ela tinha. Forçou-se a não chorar.

Pensou que em breve tudo aquilo podia estar acabado. Shion encontraria o Catálogo, ela entregaria para Jamian, este libertaria os seus pais, conforme prometido e tudo voltaria a ser como era antes. Será? Será que teria de volta os jantares alegres, os passeios calmos nos jardins do Templo de Athena, a paz sublime que eram os momentos ao lado de Shion? Olhou para a garrafa de vinho grego que Shion mais gostava, depois para a refeição posta a espera do senhor do Santuário de Athena.

Lembrar dele lhe causou nova onda de angústia. Como poderia pensar que tudo ficaria bem se ela mesma não acreditava nisso? Como poderia conviver com aquela traição baixa contra Athena e seu amado Shion? Como olhar para ele e contar mais uma mentira? Ele sempre fora tão bom para ela...

- Shion... – balbuciou com lábios trêmulos.

De repente começou a pensar que não era merecedora de todos os momentos passados ao lado dele. De que adiantava ouvir seus ensinamentos e juras de amor? Sua traição posterior destruiu toda a magia desses momentos felizes. Shion não merecia isso. Não merecia uma serva como ela. Ela não merecia estar ali sentada na mesa do grande mestre esperando por ele. Devia estar morta ou no lugar dos pais, sofrendo nas mãos cruéis de Jamian. Shion era honrado e ela era uma infeliz traidora, falsa e mentirosa.

Sorria para ele e depois o apunhalava pelas costas todas as vezes que ia falar com Jamian. Todo o esforço do grande mestre era minado por ela, a informante de Hanzo. Apertou os olhos e buscou ar para os pulmões tentando recuperar o fôlego perdido. Não conseguiu. Estava sufocando dentro da túnica, mas a túnica não estava apertada, nem a sala era estreita. Muito pelo contrário, era ampla e cheia de janelas. As paredes decoradas com inúmeras pinturas do Santuário pareciam querer desabar sobre ela. Batalhas mitológicas pintadas a óleo, cavaleiros saltando sobre exércitos, feras sendo decapitadas e contidas, esses eram os cenários em volta de Aneta.

Uma das pinturas se destacou na visão de Aneta, talvez por ser a maior. Mostrava uma gigantesca fera sendo decapitada. Observou com mais atenção a fera. Não era ela que devia ter sua cabeça cortada? Sempre achou que traidores deviam ser punidos rigorosamente. Levantou da cadeira com os olhos fixos na pintura, na fera sendo decapitada. Era um colosso que caía pelas mãos de um cavaleiro de ouro... Aquele era o seu destino? Uma nova lágrima quis sair de seus olhos, desta vez ela não teve forças para retê-la. Imaginou-se mais pecadora do que aquele ser mitológico. Teve que apoiar a mão na cadeira para não cair.

De todo jeito seria castigada, ou pelos cavaleiros ou pelo inimigo. Ela não tinha mais destino. De repente teve certeza que não sairia viva daquele jogo de ocultação onde o homem que dava ordens a Jamian ditava todas as regras. Voltou ao dia em que viu Jamian pela primeira vez. Devia ter recusado, lutado contra ele, fugido de suas garras, contado tudo a Shion, buscado a sua proteção, o seu conselho... Daria qualquer coisa para não estar li naquela situação.

- Como fui tola... – sussurrou para si mesma.

Não adiantava mais alimentar alguma esperança de dias melhores. E seus pais? Será que ainda estavam vivos conforme a palavra de Jamian? Podia ela acreditar nisso? Jamian não lhe inspirava nenhuma confiança. E se todo esforço dela resultar em nada? Tinha alguma chance dela e dos pais saírem vivos daquela armadilha que caíram? Naquela noite estava tão sem esperanças. Estava cada vez mais difícil manter a falsidade, os sorrisos forçados para todos naquele templo. Tudo aquilo era tão cansativo.

Olhou novamente para a cadeira vazia de Shion. O coração batendo acelerado dentro do peito, a cabeça pressionada pelo arrependimento... Fechou os olhos e respirou fundo. Não, não tinha nenhuma garantia da segurança de seus pais nem dela própria depois de tudo aquilo. Nem Hanzo, o qual nunca vira, nem Jamian teriam vantagens em manter o acordo feito com ela. Ela era só uma peça barata no jogo de ocultação. Só um pião...

Abriu os olhos e contemplou a figura do colosso decapitado pela última vez. Seu semblante estava sério e resoluto. Era certo que acabaria como aquele colosso, mas antes agiria. Decidiu-se a pensar numa maneira de usar aquele jogo de ocultação a seu favor. Eles precisavam dela, podiam andar pelo Santuário sem serem vistos pelos cavaleiros, mas ela estava ao lado do grande mestre e de Athena, ela tinha um papel importante. Ela era um elo a ser mantido naquela corrente nefasta. Quem sabe não poderia dar vida a seu pião e fazer a próxima jogada por si própria?

Enxugou as lágrimas com os dedos, tomando cuidado para não borrar a maquiagem. Logo Shion apareceria para o jantar marcado e ela queria estar bonita para ele. Deu às costas a pintura da batalha contra o colosso e foi para frente da janela. As estrelas até pareciam mais bonitas, mais brilhantes. Estava voltando a sua calma. Deu um passo a fim de visualizar a lua quando o viu.

Um dos corvos de Jamian estava empoleirado em uma coluna grega do jardim lateral. Eles sempre ficavam ali no jardim, era o local de observação preferido. A ave negra de olhos vermelhos e vítreos encarava Aneta sem trégua, devia estar ali a muito tempo. Silenciosa, observadora, sorrateira. Analisando todos os seus movimentos, o tempo todo e em todos os lugares por onde ela passava. Será que também espionava seus pensamentos?

Aneta sufocou um grito com as mãos e andou para trás perante o olhar monstruoso do corvo. Só não se chocou contra a mesa por que foi amparada por braços hábeis e gentis a tempo. Os mesmos braços a fizera girar nos calcanhares velozmente, em seguida Aneta sentiu seus lábios serem tomados. O beijo fora quente e gentil como era do feitio dele...

- Meu amor... – segurando o rosto com carinho – Mil perdões por ter demorado... – outro beijo quente cheio de amor – Não consegui sair mais cedo dos arquivos secretos...

Shion encostou a testa na testa de Aneta enquanto acariciava o rosto da serva com as costas dos dedos. Ficaram nessa posição por algum tempo, um sentindo a respiração fluir pela pele da outra, buscando conforto na presença um do outro como sempre faziam.

Shion abraçou Aneta e a fez encostar a cabeça dela em seu ombro largo. Apertou os cabelos cacheados com uma mão e com a outra segurou-lhe a mão trêmula.

- Senti tanta saudade... Tanta, não imagina o quanto! Passei o dia contando os minutos para estar aqui perto de ti sem ninguém por perto. Só eu e você... – notou a mão trêmula da serva envolvida pela sua – Algum problema? Você parece agitada Aneta.

Aneta se soltou dos braços de Shion e olhou por cima do ombro do lemuriano. O corvo não estava mais lá, mas a sua presença passada naquela coluna ainda lhe aterrorizava.

- Aneta, me diga o que está acontecendo? – pediu Shion com voz mansa, porém preocupada.

A serva tremia dos pés a cabeça. Não conseguiu responder logo de cara, passou um tempo fitando os olhos cor de violeta de Shion, olhando para seu rosto de traços tão jovens e imponentes. Parecia que sua voz vinha de outro mundo, que não aquele de terror que Aneta estava imersa há tantos dias. Piscou várias vezes os olhos querendo voltar a realidade.

- Grande mestre... – fez uma pausa para respirar – Eu estou bem, deve ser uma queda de pressão, nada mais que isso...

- A culpa foi minha. – beijou a mão da serva com carinho – Não devia ter de deixado esperando tantas horas sem comer...

- De maneira nenhuma, senhor! A demora não é a causa do meu mal estar... já estou até me sentindo melhor! – disse sorrindo para parecer bem.

- Mas ainda está um pouco pálida... – puxou uma cadeira e fez com que Aneta se sentasse – Melhor começarmos a comer logo, já esperamos tempo demais, não é mesmo?

O jantar era particular, sem nenhum servo ou serva para servir os acompanhantes. Aneta preparava tudo sozinha depois de dispensar todas as servas que trabalhavam no Templo de Atena. Usavam uma sala situada dentro dos aposentos de Shion onde podiam ficar totalmente a sós.

Shion abriu o vinho tinto enquanto Aneta destampava os pratos e organizava as taças, talheres, guardanapos... Enquanto comiam, ou melhor, Shion comia e Aneta beliscava o prato, um silêncio incomum se instaurou naquele jantar. Aneta de vez em quando olhava para a janela procurando o corvo de antes.

- Aneta, quero que marque na minha agenda uma reunião com os 12 cavaleiros de ouro para amanhã à tarde. Preciso deixá-los a par de tudo o que está acontecendo. Mande o aviso da reunião por e-mail, talvez seja mais seguro do que mandar o recado por algum servo... – Aneta fez que sim com a cabeça – Pretendo ir a Jamiel essa semana procurar o Catálogo de Sage verdadeiro. Dohko e eu achamos que pode estar lá no templo onde meu mestre morou antes de morrer. Ou pelo menos alguma pista de sua localização... Mas isso fica só entre nós, não quero que todo o Santuário fique sabendo da minha viajem.

- Eu compreendo, senhor.

- Vou deixar o Aioros como grande mestre interino enquanto estiver fora, mas acredito que não passarei mais do que um dia em Jamiel.

Aneta novamente balançou a cabeça em sinal de afirmação. Olhou para a janela e por fim bebeu um gole de vinho, procurando manter os gestos suaves apesar da alma rígida.

- Como sou indelicado falando de trabalho em pleno jantar! – deu um sorriso sem graça – Peço que me perdoe, meu anjo, mas não podia esperar até amanhã para te dar estas recomendações importantes. Quero deixar tudo pronto bem cedo...

- Não se preocupe, senhor – interrompeu – Minha função é servi-lo a qualquer hora e em qualquer lugar. Jamais ficaria chateada.

- Mesmo assim, não cabe falar de trabalho numa hora como essa... – tocou a mão de Aneta que estava sobre a mesa – Devemos aproveitar ao máximo as poucas horas que temos para ficar juntos.

Aneta deu um sorriso tímido.

- Imagine, senhor. Realmente não me incomodo em falar de trabalho. Só de estar aqui em sua companhia já me sinto feliz.

Voltaram a comer. Mesmo Aneta fazendo de tudo para não transparecer suas preocupações, os olhares para a janela e o semblante pensativo não passaram incólumes por Shion.

- Meu anjo, estou notando você com uma expressão muito preocupada de uns tempos para cá. Essa queda repentina de pressão e a falta de apetite é sinal de que algo não está bem. Diga-me – segurou novamente a mão de Aneta entre as suas – Algo te perturba? Tem alguma coisa errada acontecendo neste Templo que eu não estou sabendo?

Aneta perdeu momentaneamente a voz. Abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu. Olhava para o rosto de Shion e para a mão dele apertando as suas em cima da mesa. Lutou com todas as suas forças para não cair em prantos e contar tudo para o homem que amava, mas ela sentia que não podia. Respirou fundo e forçou um tom de voz natural.

- Não há nada errado, a não ser o cansaço.

- Tem certeza? – olhou-a profundamente nos olhos.

- Tenho. – abriu um sorriso largo para mostrar que estava tudo bem – Encontraram mais alguma coisa nos arquivos secretos hoje?

- Sim, mas... – lançou um olhar malicioso para Aneta enquanto enchia a taça dela de vinho – Vamos deixar esse assunto para depois. Quero aproveitar essa noite devidamente como há muitos dias não aproveitamos, minha querida.

Aneta sentiu suas faces ficarem rubras. Conhecia bem aquele olhar e aquele tom de voz manso. Era sinal de que a noite demoraria a terminar...

*****\L/*****

Outra manhã de Sol no Santuário de Atena. As 12 casas acordavam calmamente, sem pressa ao som dos passarinhos que voavam de cá para lá embalados pela brisa fresca. Os primeiros raios de Sol eram sempre gentis.

Agitação mesmo só na sexta casa, precisamente no quarto do guardião. A cama rangia ruidosamente, travesseiros eram atirados ao chão, o lençol azul claro de algodão era puxado pelas mãos pequenas de Jim. Gemidos masculinos e femininos se misturavam, sons de lábios se descolando, beijos e ronronados, mais gemidos... Pés pequenos roçando a perna torneada de Shaka, cabelos loiros sendo puxados, unhas arranhando a carne das costas masculinas e braços fortes que apertavam o corpo da jovem...

Mais rangidos, mais gemidos, risadinhas, respiração descompassada e barulhenta, lábios beijando e dentes mordendo uma pequena orelha rodeada por fios castanhos... Os mesmos lábios migram para o queixo depois subiram até a boca. Uma pequena briga para ver com controla o beijo se inicia. Mais risadinhas ecoam pelo quarto. Shaka usa seu peso e força física para vencer aquela guerra. Jim protesta com um gemido de insatisfação.

Para afastar a má impressão agora ele a beija com carinho, acaricia os cabelos castanhos úmidos de suor e volta a se movimentar em cima dela. Afasta-se um pouco para controlar melhor os movimentos de sobe e desce. Os lábios da jovem se contraem e se mordem de frente a expressão de desejo acalorada de Shaka. Naqueles momentos ele ficava muito diferente, mudava sua expressão serena para uma maliciosa, lábios entreabertos anunciavam seu desejo.

Jim adorava vê-lo daquele jeito, só aquele olhar já bastava para deixá-la molhada. Com os cotovelos apoiados na cama, Shaka voltou a beijá-la à medida que subia e descia cada vez mais rápido... Até as pernas de Jim se contraírem e ela soltar um gemido alto e longo, tinha chegado ao orgasmo mais uma vez. Segundos depois foi a vez de seu mestre.

Minutos depois, aproveita-se de um momento de distração de Shaka para inverter as posições. Com o corpo todo molhado de suor ela levanta jogando os cabelos para trás num movimento sexy que mostrava que todo seu corpo estava acesso ainda devido ao ato sexual recém terminado.

- Eu... – puxa o ar para dentro dos pulmões querendo recuperar o fôlego – Acho que estou... – puxa o ar de novo, afasta os cabelos da frente dos olhos – Atrasada para o treino...

Shaka olha para todo o corpo de sua discípula sentada em cima de si, anota cada detalhe com os olhos. Se ela ainda estava acessa, ele estava em chamas. Vê-la ali naquela posição lhe deu muitas ideias...

- Não, não está. Ainda temos tempo... – puxa pela nuca para mais um beijo de língua.

É obrigada a interromper o beijo para poder respirar. Novamente levanta jogando os cabelos para trás, estava completamente sem fôlego. Demorou até recuperar a voz.

- Por que não... Aproveitamos esse tempo para... – inspira e expira lentamente - Descansar um pouco?

A resposta vem na forma de beijos. Shaka a puxa de novo pela nuca e joga o corpo em cima de sua discípula. Com controle total do beijo, segura a nuca com a mão enquanto a outra desliza dos ombros até a coxa. Traz a perna de Jim para cima de seu corpo. Ele a queria perto, muito perto...

As caricias quentes contagiaram Jim em pouco tempo. Já se sentia completamente envolvida pelos beijos quentes e pelos toques ousados do mestre. Shaka não era mais aquele homem contido e cheio de pudores. As "aulas" e as noites dormindo com a interna o transformaram em um amante decidido, quente, sedutor, fogoso... se tornou tudo isso em pouco tempo.

Teve que interromper o beijo de novo, pois queria realmente descansar. Sabia que se ficasse ali correspondendo as carícias acabaria cedendo a mais uma maratona de sexo e isso a faria chegar atrasada e cansada à arena.

- É a meditação que te deixa assim com esse fogo todo? – perguntou com um sorriso malicioso.

- A culpa não é minha e sim sua.

Jim empurra Shaka de cima de si e pergunta sentada na cama:

- Minha? Como assim minha?

Shaka balança a cabeça num longo sim. Jim sorri e engatinha por cima dele, fala bem próxima aos lábios sagrados:

- Não tenho culpa se o meu mestre é um viciado em sexo...

- Não sou viciado. – fecha os olhos.

Jim deixa escapar uma risadinha sarcástica.

- Atualmente seria capaz de ficar uma semana sem sexo?

Shaka pensa um pouco antes de responder.

- Seria se você não morasse na minha casa.

Jim desatou a rir com a resposta. Ia levantar para sair da cama, mas é agarrada pela cintura e tem seu pescoço atacado. Choraminga inconformada:

- É sério mestre! Vou acabar me atrasando...

- Não vai. Já disse que temos tempo...

Tenta beijá-la, mas Jim desvia do beijo habilmente.

- Tempo só se for para tirar um cochilo.

Fecha os olhos e deita a cabeça no ombro de Shaka para mostrar que estava cansada.

- Você está precisando voltar a tomar aquela vitamina de ervas e cereais que tomava no começo do treinamento para ganhar mais disposição.

- Eu estou precisando dormir, isso sim. – solta um bocejo e abraça o corpo de Shaka.

- Está bem. Primeiro tomamos um banho... – levanta com Jim nos braços – Depois tiramos um rápido cochilo... – caminhando até o banheiro – E então você vai treinar.

Na porta do banheiro ela consegue pular dos braços de Shaka e empurrá-lo para fora.

- Correção: eu tomo banho e você vai preparar a minha vitamina, depois volta e fica quietinho na cama me esperando.

Depois de banhada e alimentada ainda tiveram tempo para um breve descanso. Perto da hora do treino, Jim vestiu seu uniforme indiano (agora adaptado a suas necessidades, com um sári bem menor, leia-se) e desceu na companhia do mestre até a Casa de Áries. Foram recebidos por um sério Mu no salão principal bem na hora em que davam umfurtivo beijo de despedida.

- O que o mais novo casal do Santuário faz em meu templo tão cedo?

- Eu estou de passagem para a arena e ele veio falar com você. Melhor eu ir, não quero chegar atrasada e dar motivo a Cobra para me castigar de novo. Acredita que ela me mandou trocar fraldas no orfanato do Santuário só por que eu não cumpri a ordens no dia do ataque...

- E você diz "só", Jim? – Mu interrompe com expressão de reprovação.

- Ta bom! Eu sei que eu errei que fui imprudente, que banquei a super heroína... – olhou para Shaka de soslaio – A Shina e o Buda aqui já me convenceram disso. – suspirou - Vou para o meu treino. Até de noite rapazes!

- Até, bom treino. – dizem Shaka e Mu um após o outro.

Assim que Jim sai da Casa de Áries, Shaka começa a conversa com o amigo em tom de voz preocupado:

- Que mensagem telepática foi aquela que você me mandou?

- Não entendeu? Eu disse que precisava falar com você com urgência...

- Sim eu entendi essa parte, só não entendi a forma e o tom. Seu cosmo está muito agitado desde que chegou ao Santuário...

- Se você tivesse visto o que eu vi no Brasil também estaria com o cosmo agitado... – Mu agarra o braço de Shaka e o carrega consigo – Vamos para a oficina. O assunto que eu tenho para falar é confidencial e muito importante para ser falado no meio da minha casa. Também não quero que o Kiki escute. Ele está treinando no quintal e deve ficar lá por um bom tempo.

Chegando à oficina de armaduras, Mu tranca a porta assim que Shaka passa.

- O que está acontecendo, Mu? – pergunta vendo com preocupação a apreensão de seu melhor amigo.

- Shaka, o que eu tenho para te falar é assunto totalmente confidencial, diz respeito a minha missão no Brasil. Não preciso dizer que isso não deve ser comentado com ninguém...

- Sim, sim, pode ficar tranquilo.

Sentaram-se nas cadeiras da oficina um de frente para o outro.

- Primeiro eu quero saber se a Jim comentou algo sobre a família dela, sobre a morte dos pais ou sobre algum parente vivo. Sabe dizer se ela procurou alguém enquanto esteve aqui no Santuário ou recentemente?

- Recentemente não. Ela se comunica com eles através da internet, redes sociais, coisas desse tipo. Quanto a morte dos pais, ela não gosta de falar sobre isso, só comentou o trivial, que eles morreram num acidente de carro ha 5 anos...

- Ainda bem que ela não procurou se comunicar com ninguém...

- Por que a pergunta? – perguntou com uma ruga de preocupação na testa.

- É que a morte dos pais da sua discípula não foi acidente como ela pensa. Eu tive acesso ao inquérito policial que investigou o acidente que vitimou os pais da Jim. A capotagem foi provocada...

- Como assim? – Shaka sem querer alterou o tom de voz.

- O acidente foi "provocado", pelo condutor do veiculo, o pai da Jim. Ele teve uma parada cardíaca enquanto dirigia numa estrada deserta, e sabe qual foi a causa da parada cardíaca? Gelo. O coração do pai da Jim foi congelado igual ao da filha no dia do ataque nas ruínas do templo de Abel... Vou te mostrar a conclusão do médico legista... – Mu levantou e tirou uma folha de papel de uma de suas gavetas. – Aqui, leia isto... – indicou o parágrafo final que continha as informações que ele queria que Shaka lesse.

- "Perda da função cardíaca devido à exposição a baixíssimas temperaturas. Temperatura aferida durante autopsia -147° C..." Então foi assassinato?

- Não tem outra explicação. O inimigo congelou o coração deste senhor da mesma forma que atacou a Jim naquela ocasião. A semelhança diz tudo. Só que, no caso dos pais da Jim, acredito que ele fez isso querendo que parecesse um acidente.

- Tem toda razão. – Shaka afastou as vistas do papel e engoliu em seco.

- Eu investiguei pessoalmente, me infiltrei no departamento policial ocultando a minha presença, li todo o inquérito. Na época do acidente a policia não acreditou na hipótese de infarto por que o pai da Jim gozava de boa saúde e a família não tinha historio de doenças cardíacas. O processo demorou anos para ser concluído e não encontraram outra explicação para o gelo nem quem pudesse fazer isso. Então o inquérito policial acabou sendo arquivado.

- Isso será um choque muito grande para ela... – a ruga de preocupação de Shaka se tornou mais evidente.

- Vai sim, e isso não é tudo, meu amigo. Os pais da Jim não foram as únicas vitimas do inimigo, toda a família dela foi morta por ele.

- Que?! – Shaka arregalou os olhos para Mu.

- Isso que você ouviu. Não há mais nenhum parente vivo. As mortes começaram durante o primeiro mês de treinamento. Alguns morreram de acidentes de causas controversas, suicídios não explicados, assassinatos, mas estes só ocorreram recentemente. A maioria dos assassinatos se deu através de objeto cortante de grande porte...

- Espada. – disse Shaka estreitando os olhos.

- Isso mesmo. Vi as fotos de alguns inquéritos policiais, e não tive dúvidas, ferimento causado por espada. No Brasil estão comparando a família da Jim aos Kennedy nos Estados Unidos.

- Mortes com cara de acidentes e assassinatos sem nenhum suspeito. – Shaka pôs a mão no queixo pensativo.

- Exatamente. Coisa de profissional. – disse Mu de olhos fechados.

- Tem certeza que todos estão mortos?

- Sim, eu me certifiquei. A família da Jim não era tão grande, tinha alguns remanescentes espalhados por São Paulo, outros no norte do país, mas a maioria era de São Paulo. Dos mais velhos até aos mais novos, ninguém sobreviveu, apenas ela...

- Disse que houve suicídios também?

- Sim. O inimigo deve ter usado seus poderes mentais para induzir essa gente a se matar, do mesmo jeito que controlou a mente do Milo no dia do ataque. As mortes tipo "acidente" ocorreram das mais variadas maneiras, vi relatos de casas desabando sem nenhum motivo, atropelamentos, onde as testemunhas afirmaram que os carros eram jogados contras as pessoas...

- Telecinese.

- Exato. Ele também tem essa habilidade. Já uma família inteira que vivia no estado do Amazonas, praticamente no meio da floresta, foi dizimada a fio de espada. Foi retalhada. Um deles era apenas um bebê de 9 meses...

- Deve ter se aproveitado que viviam numa região isolada para agir às claras, com toda a crueldade...

- É. Esses eram esposa e filhos de um tio da Jim. A polícia local também não conseguiu achar nenhum suspeito. Essa foi a última tragédia. Antes dela houve um acidente com um ônibus numa rodovia de São Paulo. O motorista perdeu o controle e caiu num precipício. Testemunhas chegaram a afirmar que viram a pista congelada...

- Ele congelou a pista para fazer o veiculo escorregar... – disse Shaka imaginando toda a cena.

- Essa hipótese acabou sendo taxada como infundada, por que não foi encontrado nenhum vestígio de gelo minutos depois do acidente. Todos que viajaram no ônibus morreram, e entre os mortos uma prima de terceiro grau da Jim, ela só tinha 18 anos...

Shaka suspirou e recostou-se na cadeira com uma expressão que dizia puro consternamento. Mu continuou:

- Ele foi criterioso, muito cuidadoso e implacável. Conseguiu encontrar todo mundo em pouco tempo. Não deixou se quer um mínimo vestígio de sua autoria, nenhum fio solto. Até 2 parentes distantes que moravam no leste europeu foram assassinatos, mas estes se suicidaram, quer dizer, foram induzidos ao suicido...

- Por que matá-los? Eles tinham alguma ligação com o Santuário ou com algum outro deus...

- Não, eram pessoas normais. Funcionários públicos, alguns trabalhavam no comércio, professores, estudantes, pessoas completamente comuns. Gente inocente. Eles não sabiam da existência dos cavaleiros nem de nenhuma guerra, tão pouco sobre Athena. Não conheciam nada sobre o cosmo. Viviam uma vida totalmente normal. – Mu fez uma pausa olhando para a expressão de "por quê" de seu melhor amigo, aquela preocupação não era outra se não com a segurança da mulher que amava – Eu acredito que essa gente morreu por causa da Jim. Lembra que o mestre Shion suspeita que ela tenha alguma ligação com o inimigo?

- Lembro. Isso significa que ele realmente quer vê-la morta, assim como toda a sua família.

- Ou não. – Mu levantou da cadeira e apoiou as mãos na mesa, disse olhando para a madeira – Se ele quisesse matá-la ele teria feito tão rápido quanto matou os outros. Às vezes eu acho que ele só quis dar um susto nela, testá-la...

- Para que, Mu? – perguntou ficando de pé.

- Pense bem, Shaka, pode até parecer absurdo, mas seja quem for esse inimigo, poderia ter matado todo mundo, inclusive a própria Jim, há muito tempo atrás enquanto ela estava no Brasil. Mas ele não fez isso, escolheu esperar até ela vir para o Santuário e ficar sozinha. Então ele foi até o Brasil e matou todo mundo sem que ela soubesse. Você mesmo disse que ela não tem notícias da família há algum tempo...

Shaka caminhou até a mesa e ficou novamente de frente para Mu.

- Sim. O treinamento com a Shina e comigo a deixou muito ocupada para se preocupar com a sua antiga vida. E eu também limitei o uso do computador na minha casa... Está dizendo que ele quer matá-la na nossa frente? Por isso não fez nada antes?

- Não. Eu tenho quase certeza que ele quis testá-la, não matá-la. Mestre Shion também pensa assim.

Silêncio. Áries e Virgem ficaram sem pronunciar uma só palavra durante mais de um minuto. Mu continuou com as mãos apoiadas na mesa olhando para a madeira e Shaka adquiriu uma expressão fechada olhando para o vazio, buscando uma explicação para tanta atrocidade cercando a sua amada Jim. Ambos pensavam em mil coisas ao mesmo tempo.

- Ela vai ficar devastada quando souber. Não sei como vou contar isso a ela... – Shaka sentou na cadeira e apoio os cotovelos na mesa fazendo as mãos entrelaçadas de apoio para o queixo – Perder entes queridos nunca é fácil, ainda mais dessa maneira sem explicação... – fechou os olhos.

- Eu sei como se sente. Mestre Shion também ficou de cabelo em pé quando soube. – Mu foi até Shaka e colocou a mão em seu ombro – De qualquer forma, você é o único que pode contar isso a ela, é a pessoa mais indicada nesse Santuário. Mestre Shion me pediu que te falasse isso e que fosse você a contar.

Shaka abre os olhos repentinamente e olha para Mu, suas palavras saem em tom de desprezo.

- Shion passou esse tempo todo escondendo tudo o que investigava sobre a minha própria discípula e agora quer que eu seja o portador de uma notícia que vai arrasá-la?

- Eu compreendo que esteja se sentindo logrado, Shaka, mas veja o lado do meu mestre: ele só escondeu tudo isso para o bem da Jim. Só que um fato como esse não pode ser mantido em segredo. Imagine se ela resolver telefonar para algum parente, ou até mesmo procurar o paradeiro deles em alguma rede social ou ler alguma notícia de jornal sobre uma destas mortes? Isso sim seria muito pior, por isso eu concordo com o mestre Shion. Só você pode contar o que aconteceu com a família dela. Vocês já são íntimos, ela te ouve mais do que qualquer cavaleiro nesse Santuário, é o mestre dela.

- Não queria que ela sofresse.

- Eu também não, mas não há outra saída. Ela tem que saber. – Mu puxa uma cadeira e senta de frente para Shaka, olha profundamente nos olhos azuis da reencarnação de Buda – Então você vai contar para ela sim ou não?

******\A/******

Na arena, Jim aproveitava o tempo livre antes de começar o treino para tirar um cochilo. Essa não foi a sua intenção inicial. Seu cansaço e a tranquilidade da arena a levou a se entregar nos braços de Morfeu. Quando chegou não havia muitos internos, sinal de que ela havia chegado cedo. Quando não viu sua mestra nem nenhuma de suas amigas por perto andou se arrastando até as arquibancadas, procurou um lugar afastado na sombra e sentou.

Quando se deu conta estava sendo acordada por um grito de Lucy.

- JIIII! – exclamou a interna de Afrodite bem no ouvido da de Shaka.

- Perdão por ter dormido durante a meditação, mestre! – disse afobada levantando a cabeça no susto.

Quando viu que era Lucy e não Shaka fez uma cara de quem não estava entendendo a própria reação. Depois fechou seu semblante quando Lucy começou a rir dela.

- Não tem graça assustar as pessoas desse jeito.

- Susto seria se no fosse a Shina a te pegar dormindo aqui. – Lucy sentou ao lado da amiga no cantinho abrigado do sol que ela tinha escolhido – O que houve? Não tem cama na Casa de Virgem? O Shaka te fez treinar a noite toda?

- Não é nada disso – tentou disfarçar – Na verdade eu... – bocejou - Não ando dormindo muito bem e sim eu treino até tarde por que quero ficar forte.

- Sei... – Lucy rolou os olhos de forma maliciosa.

Jim esfregou os olhos para tentar afastar o sono. Viram Helena entrar na arena. Lucy acabou dando outro grito para chamar a atenção da loira o que fez Jim tampar os ouvidos com as mãos. Tudo irrita quando se está com sono acumulado.

- Nossa que cara é essa Ji? Está com uma expressão cansada, abatida... Parece que não dorme há dias... – disse Helena ao se sentar ao lado de Jim.

- Acabei de comentar isso com ela antes de você chegar.

- Estou treinando demais só isso. Meu mestre é muito rigoroso e eu passo a noite toda estudando os manuais de treino. Vocês duas deviam fazer o mesmo. – sem querer deu um bocejo assim que terminou de falar.

- Nossa quanta dedicação. – disse Helena com uma falsa expressão de assombro.

- Pelos seus sinais de cansaço e pela sua pele sempre viçosa e sorrisos estampados... – disse Lucy com a mão no queixo – Só posso concluir que você passa a noite fazendo outra coisa.

Jim engoliu em seco e ficou paralisada no acento.

- Que coisa? – perguntou com medo de ouvir a resposta.

- Namorando! – berrou Lucy.

- Namorando com quem? – perguntou Helena com sua inocência característica.

- É dona Lucy, namorando com quem? – Jim pôs a mão na cintura se fazendo de ofendida.

- Não sei, me diga você... – deu um sorriso malicioso – Será que você não se teletransporta para a Sibéria para namorar o Camus escondido do Shaka?

Jim deu uma risada cansada.

- Eu não consigo me teletransportar para tão longe e mesmo se conseguisse, não poderia atrapalhar uma missão importante como a que o Camus e o Aldebaram estão realizando.

- Se não é o Camus, quem é então? É algum interno? Eu conheço? – perguntou Lucy avançando em cima da amiga com um olhar de grande expectativa.

- Não estou namorando ninguém, ora essa! – exclamou se afastando de Lucy e caindo em cima de Helena.

- Pode ser um cavaleiro. É de prato ou de bronze, Jim? – disse Helena com um sorriso zombeteiro.

Indignada e com mais medo de ser descoberta, Jim se levanta de entre as duas amigas e diz muito exaltada:

- Até você, Helena! E você, Lucy Renard, só por que você se encontra escondido com o Mascara não significa que todo mundo tem que fazer o mesmo! – depois virou a cara.

Lucy se levantou e foi até a amiga com graça e cheia de sorrisos.

- Em primeiro lugar, minha cara, eu não me encontro escondido com o Mask. Não o vejo há muito tempo. Me considero curada desse mau chamado Mascara da Morte...

- Para cima de mim, Lucy? – interrompeu com olhos sarcásticos – É só o Mascara entrar nessa arena que você fica toda derretida e outro dia até assumiu que gostava dele. Vai negar?

- Não tente mudar de assunto, mocinha! – exclamou Lucy com o dedo no qual uma unha pintada de esmalte gliterizado se destacou, na cara de Jim. – Não é de mim, nem do Mask que estamos falando, e sim de você e seu namorado misterioso.

- Eu não estou namorando ninguém! Quantas vezes tenho que dizer isso?! – berrou Jim.

Lucy ia berrar de volta, mas a voz calma de Helena se fez presente.

- Não precisam brigar por isso, meninas.

- Isso mesmo, Helena. – mostrou a língua para Lucy e se sentou ao lado da amiga corpulenta – A Lucy é a única que está enxergando cabelo em ovo...

- Isso é facilmente resolvido. É só você dizer com quem está ficando, Ji. – disse Helena com a mesma calma.

Jim explodiu.

- Buda daime paciência! Como vocês são chatas! Eu já disse que não tem namorado nenhum...

A explosão de raiva não convenceu nem a sueca nem a brasileira. Ambas encararam Jim por longos segundos, demonstrando que não acreditavam e que esperavam uma resposta. De preferência que ela admitisse logo o que elas queriam ouvir. Helena encarou Jim cruzando os braços, e Lucy fez o biquinho de "eu se o que você fez no verão passado".

Sabendo que nada do que dissesse seria capaz de convencer aquelas duas desconfiadas, Jim bufou de raiva. Resolveu entregar os pontos.

- Ok. – levantou os braços na posição de "não atirem, eu me rendo" – Eu confesso. – suspirou para tomar coragem – Eu estou...

- Namorando? – fez Lucy sentando ao lado dela batendo os pés no chão de ansiedade.

- Não! – exclamou.

- Ficando? – perguntou Helena com o mesmo olhar de Lucy.

- Não! Quer dizer... Mais ou menos. – olhou para o chão.

- Como assim? – interrogou mais vez Lucy.

- Digamos que eu esteja ficando... – disse pausadamente sem olhar nem uma nem outra e sim o céu.

- Com quem? É cavaleiro ou interno? – a mesma Lucy curiosa.

- Cavaleiro... – respondeu hesitante.

- Ouro, prata, ou bronze? – disse Helena no mesmo tom curioso de Lucy.

Jim olhou novamente para a curiosidade latejando nas expressões das amigas. Sabia que tinha ido longe demais, mas perdeu parte do pânico. Elas não estavam desconfiando de Shaka, e isso ela teve certeza quando ouviu os pensamentos de cada uma. Começava a achar divertido todo aquele interrogatório, principalmente por que seus pensamentos estavam a salvo em sua mente, graças ao seu bloqueio mental. Portanto, ela tinha a situação na mão. Era só saber administrar.

Levantou e disse com ar de superior:

- Não posso falar.

- Como assim não pode falar?! – exaltou-se Lucy, a mais curiosa.

- Isso mesmo. Vocês não saberão agora o nome dele. – checou as unhas com ar de pouco caso.

Em sua cabeça, Shaka iria contar para todo mundo em breve, como ele mesmo havia dito, então o que estava falando não era de todo mentira.

- O Shaka sabe que você está ficando com alguém? – perguntou Helena.

- Não. Ele não desconfia nem pode desconfiar de nada, se não já viu... – mentiu.

- Isso não é justo! – disse Lucy batendo o pé – Eu preciso saber quem ele é. Diz apenas se é alguém que eu conheço...

- Não posso, já falei. – enfatizou.

- Eu ainda acho que é o Camus... – disse Helena com a mão no queixo.

- Não é o Camus! Garanto! – voltou a se sentar no meio das amigas – Quando for o momento oportuno eu conto tudo para vocês.

Lucy sorriu encostando o queixo fino no joelho da amiga.

- Ah, então diz pelo menos como ele é. Ele é alto, forte, musculoso, bonito, tem pegada...

- Não, ele não é como o Mascara, mas é tudo isso que você falou sim...

- Então ele tem pegada... – deu um sorriso carregado de malícia – Hum, deve ter mesmo, para te deixar desse jeito. Sabe que eu estou me lembrando que não é a primeira vez que você chega nesse estado aqui na arena? – suspeitou Lucy.

- Você se atrasava antes por causa dele? – perguntou Helena.

- Às vezes sim, às vezes não... – enrolando um cacho cor de rosa da cabeça de Lucy.

- Me fale exatamente como é a pegada. Ele é do tipo que domina, é carinhoso ou é daquele que tem fogo?

Jim mordeu o lábio inferior pensando nas opções. No momento a opção que melhor se encaixava com o Shaka era a terceira. Sair da cama estava cada vez mais difícil. Se elas soubessem que o amante fogoso se chamava Shaka de Virgem com certeza não acreditariam. Quem acreditaria que por trás da expressão serena de Buda havia aquele furacão?

- Acho que ele é do tipo que tem fogo. Muito fogo. – segurou uma risadinha.

- Eu sei como é. – disse Lucy piscando o olho numa expressão travessa – Mas, como é a performance dele, quero saber o quanto ele é fogoso... Você poderia me dar um número de quantas vezes vocês fazem... – rolou os olhos, Lucy viu Helena olhar para o lado com as bochechas levemente coradas, mas mesmo assim não se deixou abater pelo constrangimento da amiga. Lucy adorava aquele tipo de conversa safada – Por exemplo, mais de 3?

Jim pensou um pouco antes de responder. Não teve certeza se respondia ou não aquela indagação. No fundo estava se sentindo bem em dividir parte de suas experiências com as amigas. Não se sentia bem em ter que mentir todo santo dia para elas, esconder uma coisa importante como aquela de amigas tão queridas não era fácil. Elas dividiam os percalços daquela vida dura de aprendiz, eram parceiras, irmãs. Em nome dessa relação, ela respondeu:

- Sim, mais de 3.

- 4? – insistiu Lucy.

- Mais... – novamente Jim segurou um risinho.

- 5? – insistiu de novo Lucy e vendo a expressão risonha de Jim, só pode concluir que o numero era bem maior. – Estamos falando em, por exemplo, mais de 7?

- Bem mais do que isso, Lu.

Lucy e Jim desataram a rir. Helena não sabia onde enfiar a cara.

- Vocês duas são terríveis. – Helena olhou para Jim querendo de alguma forma participar daquela conversa para não ser tachada de ingênua, mas no fundo ela não tinha ideia do que significava aquele 7 – Então está explicado toda essa falta de disposição. Seja quem for esse moço, deve ser incansável.

- Espero que estejam satisfeitas – disse se levantando – Por que eu não vou comentar mais nada, fechei para balanço!

Foi andando para a área de aquecimento, Lucy a seguiu.

- Ji, eu só quero um número! Seria 10?

A morena parou de andar e girou nos calcanhares.

- É um numero maior do que 10 sim, Lucy. – virou-se e saiu rindo.

Lucy ficou parada por alguns segundos de boca aberta ao lado de Helena que também não soube esconder o assombro.

- Estou com inveja de você, Ji! – gritou a interna de Afrodite.

Em pouco tempo a arena ficou cheia de internos, conversando, ensaiando golpes, se aquecendo, etc. Lucy ainda tentou arrancar mais detalhes quentes do suposto ficante de Jim, mas não teve sucesso. A Poucos minutos para começar o treino, chegam Shina e Marin à arena.

- Bom dia internos! – saudou Marin com um sorriso, todo mundo respondeu.

- Os bebês chorões já terminaram os alongamentos? – perguntou Shina com sua costumeira "delicadeza" - Ótimo, comecem dando 40 voltas na arena. Vocês têm exatos 10 minutos para terminar a corrida. Hoje eu quero rapidez. Temos muita coisa para fazer. Apressem-se, vamos! – berrou.

Depois da ordem as duas foram observar a corrida um pouco afastadas. Nem bem os internos começaram a correr, Shina já distribuía reclamações.

- Raul, seu imbecil! – gritou de braços cruzados fazendo o interno ruivo parar de correr - Como me chega para treinar com esses sapatos? Está querendo esfolar os pés para sair do treino mais cedo? – o interno negou balançando a cabeça, contraindo o canto da boca mostrando que estava com medo – E não fique parado ai me olhando como se estivesse constipado! Vai logo trocar esses sapatos de bailarina por alguma coisa que resista ao treinamento!

- Sim, mestra. – e saiu correndo em direção aos vestiários.

- Lucy e Jim, menos conversa e mais corrida! – depois de dar bronca nas suas "preferidas para se pegar no pé" foi a vez do restante da turma: - É melhor correrem mais rápido se não quiserem levar as garras do trovão! RÁPIDOOO! Os espectros de Hades alcançariam vocês com uma perna amarrada nas costas nesse ritmo de tartaruga.

Depois das broncas, foi falar com Marin que estava sentada no primeiro lance das arquibancadas.

- Toda essa gritaria e pose de durona é para esconder que está feliz? – disse a ruiva com os braços cruzados.

- Ficou louca, Marin?

Marin deu um sorriso de canto vendo a amiga ficar na defensiva.

- Eu estou vendo um brilho incomum nos seus olhos desde que você passou aquela noite se divertindo com o Milo na sua casa que ele está ai e você não faz outra coisa se não esconder...

- Alto lá! – levantou o dedo – Não me diverti com o Milo coisa nenhuma. Ele se aproveitou da minha embriaguez para me levar para a cama e isso ainda não passou pela minha garganta...

- Isso ainda não passou, mas outra parte do corpo dele deve ter passado... – disse com ar de malícia.

- Marin! – berrou de punhos cerrados.

Marin levantou e botou o dedo na cara da amazona de Cobra antes de jogar as verdades.

- Admita que se divertiu! Admita que estava precisando disto, que descarregou todas as suas energias acumuladas e agora está se sentindo muito bem, e principalmente, admita que estava com saudade dele...

Shina ficou muda. Piscou várias vezes os olhos verdes pensando numa resposta, numa reação qualquer que convencesse Marin do contrário daquelas palavras, mas não lhe ocorria nenhuma. Marin tirou o dedo da cara dela, mas continuou encarando com olhos firmes. A resposta veio na forma de gargalhadas.

- Eu com saudade daquele falador do Milo? Tenha santa paciência, Marin. A estupidez do Aioria está contagiando você. – balançou as mãos na frente da Águia e voltou-se para a corrida dos aprendizes.

Marin fechou os olhos e andou de volta para o acento. Sentou-se cruzando as pernas e disse mais serena do que nunca:

- Você ri, grita, explode de raiva, nega até o fim, diz que não gosta mais dele e que quer distância, mas eu não acredito em nenhuma palavra que sai dessa sua boca, minha cara.

Shina teve que se segurar para não explodir de raiva de novo depois daquelas palavras. Resolveu ignorar a amazona líder e dar total atenção ao treino de seus aprendizes.

- E um dia você vai ter que dar o braço a torcer, Shina... – notou que estava sendo ignorada – Está me ouvindo, Shina? – disse em alto e bom som.

- Infelizmente sim. – respondeu ainda sem se virar.

Marin suspirou e levantou do acento batendo a poeira de sua roupa de treino. Foi até a amazona de Cobra sem a postura firme que lhe era característica e parou ao lado dela.

- Você é teimosa, hein mulher?

- Não suporto quando você começa a defender o Milo...

- Tudo o que eu quero é que vocês parem com essa guerrinha estúpida. Vai ficar inimiga dele pela eternidade?

- E se for? – Shina a encarou com olhos ameaçadores, mas estes nunca surtiram efeito em Marin.

- Está perdendo tempo. Perdendo a chance de ser feliz. – Marin segurou os braços de Shina e a fez olhá-la de frente – Esqueça o passado, Shina de Cobra. O que passou, passou. Não acho que o Milo foi o único culpado da briga de vocês. Você se quer deu uma chance para ele se explicar! Pode estar acusando ele todo esse tempo de uma coisa que ele não fez. – Shina soprou a franja verde da frente dos olhos – Pense bem nisso. Uma vez o Aioria me contou uma coisa que...

- Não quero ouvir! Chega dessa conversa. Você está dizendo que eu devo esquecer o passado, mas é a primeira a relembrar...

- Tudo bem. – disse Marin – Não vou mais falar nesse assunto, apesar de eu ter convicção que a briga de vocês está mal resolvida, por isso vocês se estranham sempre que se esbarram... – olhou por cima do ombro de Shina e viu um cavaleiro de cabelo loiro entrando na arena, deu um sorriso – Quem sabe chegou o momento de você provar que pode lidar com o passado? É exatamente ele que está vindo ai...

- Não me diga que... – Shina foi arregalando os olhos.

- Sim, "o passado"... – e virou a italiana para ver Milo entrando.

Shina fechou o punho e soltou um grunhido.

- Aquele desgraçado aproveitador teve coragem de pisar aqui! Eu te avisei, Milo de Escorpião que se você cruzasse o meu caminho de novo eu ia te matar...

Prestes a avançar com tudo na direção de Milo tem o braço agarrado por Marin.

- Não! Nem pense nisso! Não vai armar outro barraco na frente de seus aprendizes, Shina!

- Não quero armar barraco nenhum, eu quero matá-lo! Não vou aturar as gracinhas, ou aquele sorrisinho infame dele nessa arena de novo...

- Faça um esforço para se controlar na frente de seus aprendizes pelo menos! Mesmo vocês tendo suas questões, aqui não é lugar para expor desavenças! – disse com muita firmeza na voz.

Ambas olharam em volta e viram os olhares dos internos, eles esperavam mais uma briga do ex casal. Shina não gostou nada de ser olhada daquela maneira. Sentiu-se exposta, isso aumentou sua raiva, mas não ia dar o que aquele bando de internos queriam. Não ia dar gostinho nenhum nem a eles nem a ninguém! Desfez a cara de brava, respirou fundo e disse para Marin:

- Um sorrisinho, um sorrisinho sedutor apenas e eu mato ele.

- Shina, não vá disposta a brigar...

- Não estou indo disposta a brigar. Eu disse que o mataria, mas não vai ser aqui e agora.

Shina se virou para ir até Milo, mas este já estava bem perto dos internos. As meninas o receberam com largos sorrisos, acenos e até beijinhos. Tudo aquilo fazia o escorpiano ficar nas nuvens. Porém, Shina tratou de fazê-lo descer em dois tempos...

- O que você veio fazer aqui, Milo de Escorpião? – disse parada atrás dele.

- Olá Shina – a saudação saiu tão cordial que Shina estranhou. Ela esperava ser chamada de Raio de Sol, ou ser provocada com alguma ironia ou desaforo, mas aquele tom cordial, jamais. – Eu vim falar com você, mas não queria atrapalhar a sua conversa com a Marin... – acenou para a namorada de Aioria de pé logo atrás de Shina – Imaginei que estivessem discutindo alguma coisa sobre o treino...

- De fato estávamos. – devolveu o tom cordial forçado.

Por toda arena nenhum interno entendeu aquela conversa aparentemente amigável. Lucy mordia o polegar, Jim prestava atenção principalmente em Milo, pois o estava achando muito sério e Helena estava pronta para apartar uma briga entre Escorpião e Cobra a qualquer segundo. Percebendo o interesse de seus alunos em assuntos indevidos, Shina tratou de tirar Milo do meio da arena.

- Vamos conversar nas arquibancadas, é mais apropriado...

- Prefiro aqui. O assunto que me trouxe de volta é do interesse dos internos também.

"Me trouxe de volta", "assunto de interesse dos internos"? Depois de ouvir essas palavras Shina começou a desconfiar que Milo voltaria a treinar o primeiro ano e aquilo seria o apocalipse para ela. Decidida, pegou o ex pelo braço e o arrastou até as arquibancadas, bem longe dos olhos e ouvidos de curiosos.

- Vem comigo Escorpião! – disse enquanto o puxava, e depois entre dentes, assim que o soltou – Fala logo o que você tem para falar e some. Já atrapalhou de mais o treino de hoje.

- Não vim para atrapalhar, estou cumprindo ordens do Grande Mestre... – disse de olhos fechados.

- Mas atrapalhou! Alias você sempre atrapalha não é Milo? Em qualquer lugar que eu estou, você chega para me atrapalhar. Se eu estou no bar, se eu estou treinando, se eu estou dando aulas, você sempre chega para me atrapalhar!

Enquanto Shina ficava vermelha de raiva, Milo observava todos os seus movimentos com olhar sério, desprovido de qualquer sedução ou malícia. Apenas observava. Escolheu a cordialidade em vez das provocações, pois queria seguir os conselhos de Mu. No entanto estava sendo muito difícil e tentador para ele não fazer explodir o barril de pólvora chamado Shina.

Então um anjinho de cabelos lilases apareceu no ombro direito de Milo e repetiu as palavras ditas pelo ariano na casa de Áries, em seguida um diabinho com a cara do Mascara da Morte se materializou no ombro esquerdo, este tinha um sorriso zombeteiro e dizia exatamente o contrário.

- Shina... – começou cruzando os braços mantendo o tom de cordialidade e a expressão séria – Não precisa ficar tão brava? Só vim aqui para conversar...

O anjinho foi mais convincente...

- Não tenho nenhum assunto para falar com você. O que você quer? Me desmoralizar na frente dos meus aprendizes de novo, é isso? Se for ponha-se daqui para fora! – apontou para a saída da arena com raiva.

- Na verdade eu me expressei mal. Não vim aqui para conversar, tão pouco para provocar você. Saiba que eu mudei...

Shina ficou calada momentaneamente sem entender nada, depois soltou uma gargalhada.

- Vai se fazer de bonzinho agora? Já conheço essa tática...

- Conhece, é verdade. Já a usei com você outro dia a noite, na sua casa, lembra? Estava chovendo... – deu um sorriso sedutor e continuou provocando – E você bem que gostou...

Mas o diabinho sempre ganhava...

- Cara de pau... – estreitou os olhos verdes para aquele sorriso – Pronto, já fez a sua provocaçãozinha? Agora pode ir embora para nunca mais voltar que eu vou voltar para o meu treino...

- Espera, ainda não disse o que vim dizer. – segurando o braço de Shina.

- Nada do que você tem para dizer me interessa, cavaleiro! – puxando o braço da mão de Milo com força e raiva.

- Nem se for o nome do próximo cavaleiro a vir treinar o primeiro ano nesta arena?

- Eu achei que fosse você, já que está aqui... – parada olhando para Milo.

- Você queria que fosse eu? – deu um beliscãozinho no rosto de Shina conservando o sorriso sedutor.

Desta vez o diabinho saltitava e ria no ombro de Milo, enquanto o anjinho Mu bufava de ódio. Então o anjinho Mu, resolveu partir para a ignorância. Pulou no pescoço do diabinho Mascara cansado de ser ignorado por Milo por conta daquela presença nefasta. Iniciou-se uma briga no ombro esquerdo...

- Fala logo o nome, diabo! – disse dando um tapa na mão que tocava o seu rosto.

Milo até pensou numa provocação, mas resolveu ignorar o próprio extinto irônico e voltar a cordialidade que chegou. Nesse momento o anjinho Mu tomava chá sentado nas costas do derrotado diabinho Mascara...

- Na verdade são dois nomes. Dois cavaleiros virão treinar o primeiro ano semana que vêm por determinação do Grande Mestre: Shaka e Aioros.

Aqueles nomes pegaram Shina de surpresa.

- Deixa eu adivinhar, meditação, técnicas de cura e luta com armas?

- Isso mesmo. É exatamente o que o Grande Mestre quer.

- Cada vez mais me convenço de que Shion está ficando gagá. Não era necessário mandar dois cavaleiros de ouro ensinar coisas básicas como essas. Eu já estava pensando em dar as primeiras lições de armas para eles... – desdenhou.

- Você sabe que o Grande Mestre tem a mania de fazer tudo escondendo alguma intenção oculta. Algo me diz que Shion tem uma boa razão para colocar Aioros e Shaka nesta arena...

**\N/**

Casa de Virgem...

- Vigiar a Jim! Isso mesmo que você ouviu, Shaka. Mestre Shion te colocou na arena não para treinar o primeiro ano e sim para vigiar a sua discípula. – disse Mu organizando seus instrumentos de reparar armaduras na mesa.

- Foi isso que ele disse? – perguntou de braços cruzados e expressão nada contente.

- Não diretamente, mas ta na cara que ele está preocupado com a segurança da sua interna. Conheço o mestre Shion há muito anos e nunca o vi tão preocupado com uma pessoa como ele está agora... – pegou um martelo de ouro de dentro de uma gaveta – Ele a protege de uma forma muito estranha...

- Estranha como? – perguntou seguindo o andar de Mu com o olhar desconfiado.

- Não sei bem... Precisava ver como ele ficou quando eu contei que toda a família dela morreu. Meu mestre ficou extremamente transtornado. Parecia culpado... – levou a mão ao queixo.

- Por que Shion se sentiria culpado pela morte dessas pessoas, Mu? – agora estavam lado a lado.

- Eu não faço ideia, Shaka – disse Mu encarando Virgem – Mas eu convivo com o mestre Shion há muitos anos, sei quando ele está muito preocupado com alguma coisa ou desconfiado. Aprendi a ler seus olhares e seus gestos, pois quando ele começa a ficar com ares misteriosos, não adianta perguntar, ele não fala o que está pensando ou os motivos de suas preocupações, pelos menos não diretamente. Acho que ele faz isso para preservar todo mundo, principalmente Athena...

- É realmente estranha a postura dele em tudo o que envolve a minha discípula. Eu sinto, que de alguma forma eles tem uma ligação muito forte.

- Também penso assim, Shaka.

Mu suspirou e encostou-se a parede da janela. Naquela manhã o Santuário não estava tão quente. O Sol constantemente se escondia atrás de nuvens espessas e ventava forte.

- Não era preciso o grande me mandar para arena, eu sempre estou de olho na minha discípula quando estou meditando. Até parece que ele esqueceu que ela mora comigo.

- De tanto observá-la acabou se apaixonando por ela, não é verdade?

Shaka corou.

- Você não está totalmente errado.

- De qualquer forma, eu acredito que o mestre Shion quer a sua presença física 24 horas ao lado dela e que você não tire os olhos dela um só segundo...

- Eu já faço isso, Mu – disse contrariado – Acaso Shion acha que o inimigo pode atacar no meio do treino e na frente de todo mundo? Pouco provável. Sabemos que ele não gosta de testemunhas e age sempre nas sombras.

- Sim, mas, veja pelo lado bom, vocês vão passar mais tempo juntos – Shaka desviou o olhar – Não me diga que isso te incomoda? Tem medo das pessoas descobrirem que vocês estão juntos, é isso?

- Sim, no momento isto está me incomodando. Não vai ser fácil ficar perto dela na frente de outras pessoas e fingir que nada está acontecendo. Shina não é boba, tão pouco Aioros, o menor deslize nosso e eles vão perceber. – de repente a voz de Shaka ficou carregada – Isso é culpa minha, eu devia ter contado ao grande mestre antes...

- Um conselho, não conte nada ao mestre Shion agora. Tenho certeza que uma notícia destas não seria bem vinda nesse momento. Dê um tempo, espere essa poeira baixar. Quanto a presença de outras pessoas, não há o que temer, é só agir naturalmente.

Shaka andou pela oficina com ares pensativo, sentou na grande mesa e ficou em posição de meditação.

- Pensando bem, é bom eu ficar perto da minha discípula na arena, assim evito que ela fique sabendo de coisas confidenciais pelas bocas erradas outra vez...

Mu levantou a cabeça rapidamente mostrando que tinha sido pego de surpresa pela novidade.

- Como assim? O que ela ficou sabendo?

- A investigação sobre sua origem. Alguém passou por cima das ordens de Shion e contou tudo a ela...

Mu mudou imediatamente sua expressão de surpresa para uma de raiva.

- Quem fez isso?

- Só consigo suspeitar do Kanon. Quem mais tem interesse em jogar a minha discípula contra mim?

- Filho da mãe! – e bateu o punho contra a mesa. – Como isso foi acontecer? Como ele descobriu?

- Não sei, de repente ela chegou à minha casa arrasada e apavorada com a possibilidade de todo o Santuário desconfiar dela... Não imagina o trabalho que tive para acalmá-la. Pelo estado que veio até mim, tenho certeza que o desocupado do Kanon fez algo além de contar a verdade... – abriu os olhos repentinamente e naquele momento os orbes azulados de Shaka de Virgem brilhavam de ódio e ciúme só de cogitar a possibilidade das mãos sujas de Kanon tocando sua amada.

- Isso não devia ter acontecido. Eu te avisei para evitar isso custe o que custar... – Mu deu um longo suspiro enquanto coçava a nuca de forma lenta. No fundo ele também se sentia culpado por estar longe e não ter evitado aquela revelação desnecessária – Como o irmão de Saga consegue sempre ficar sabendo das coisas antes de todo mundo?

- Isso também me intriga... – disse coçando o queixo – Como quer que seja, ele não chega mais perto da minha discípula sem antes passar por um dos 6 infernos...

- Mais um motivo para você contar sobre a morte dos pais e da família toda. Acho que você deve fazer isso ainda hoje, meu amigo.

- Vou pensar.

- Se precisar de ajuda é só chamar. – sorriu e tocou a própria testa com o dedo indicador mostrando o canal que sempre usavam, telepatia. – Mudando de assunto, por que você não fica aqui e me faz companhia até a Alexia chegar?

- Alexia?

Saíram da oficina e foram para o grande salão principal.

- Ela é a serva de Athena que tomou conta do Kiki enquanto estive fora. Por sorte eles se deram bem. Ela é uma ótima pessoa. Como vou precisar de alguém que tome conta do Kiki futuramente quando o mestre Shion me der outras missões, que por sinal ele já me preveniu disto ontem, pensei na Alexia ficar de babá de novo. Ontem eu fiz a proposta e ela ficou de me dar a resposta hoje...

****\A/***

Casa de Gêmeos...

Gemidos... Gemidos de mulher ecoavam pelo quarto. O chão estava repleto das roupas deles perfazendo uma trilha até a cama. Uma calça jogada em cima do ar condicionado, camisa ao pé da cama, vestido florido atirado próximo a porta, sinal de que Alexia terminou de ser despida assim que entrou no quarto de Kanon. Sutiã no criado mudo, calcinha ainda pendendo de seu pé esquerdo. O ato fora começado antes da peça ser totalmente retirada. Eles tinham pressa.

O mesmo pé subiu roçando a panturrilha do Dragão Marinho. Mais gemidos, desta vez mais altos, intensos, carregados de luxuria, incentivos, estimulantes, verdadeiros aplausos para tudo o que ele fazia com sua nova amante. Alexia gemia do jeito que Kanon gostava.

Uma gota de suor escorreu pelas costas largas que subia e descia agora mais rápido. Houve mais gemidos intensos, quase gritos, estes foram calados com beijos. Depois que tirou todo o fôlego da serva, Kanon atacou o pescoço feminino. Boca, língua e dentes que deixaram marcas por onde passavam...

Escolheu dar prazer primeiro a ela, e depois de vê-la resfolegar de prazer embaixo de si, deu um sorriso malicioso e foi buscar a sua satisfação. Os movimentos anteriormente lentos e ritmados se tornaram rápidos e violentos...

Então veio o prazer máximo e todos os músculos do Dragão Marinho se retesaram em cima do corpo de Alexia. Deixou-se desfalecer em cima dela por alguns segundos. Abrigou o rosto nas curvas confortáveis do seio moreno, a respiração aos poucos se estabilizando, os olhos verdes se fechando...

Alexia se sentia comprimida pelo peso de Kanon, mas não quis se mexer, não queria perturbá-lo. Seus dedos finos entraram pelos cabelos azuis e assim que começou a fazer carinhos, Kanon abriu os olhos e levantou de cima dela em um lapso de segundo. Jogou os longos cabelos azuis para trás ficando de joelhos entre as pernas de Alexia Olhou para o corpo suado da serva com olhar de predador.

- Gostei de você ter vindo...

- Esperei a confusão no Templo de Atena passar para vir...

Ele voltou a deitar em cima dela sem, no entanto colar os corpos. Apenas os lábios e os narizes se tocavam de leve. Aquilo era só para atiçar. Kanon era quem tinha o domínio, ele controlava a distância entre os corpos, se aproximava e recuava, tocava os lábios absurdamente tentadores de Alexia do jeito que bem queria, e ele queria brincar e não beijar.

Alexia se movimentou de modo a acomodar melhor o corpo de Kanon sobre o seu, abraçou o pescoço coberto pelos cabelos azuis que caiam pelas costas. A respiração de Kanon ficou pesada, fazendo jus a sua armadura de Dragão Marinho, seu hálito quente lembrava o da fera mitológica dos oceanos. Tentou beijá-lo, mas ele escapou mais uma vez aumentando a distância entre eles.

- Qual foi o motivo da confusão no Templo de Atena?

- Shion descobriu que Athena saia escondido do Templo para visitar crianças órfãs de um orfanato nos arredores da Vila da Amazonas e não gostou nada...

Kanon riu debochado.

- Ele ficou bravo?

- Você não imagina o quanto...

Enquanto conversavam Alexia perseguia a boca de Kanon até os lábios se unirem. Ele a apertou contra si marcando desta vez as coxas com as mãos.

- Quero que beba comigo. – disse depois de interromper o beijo de língua.

Levantou mais uma vez de cima dela jogando os cabelos azuis para trás. Deixou a cama e foi até a cômoda, voltou com uma garrafa de vinho grego numa mão e duas taças na outra.

- Comprei especialmente para beber com você... – despejou o conteúdo até o meio da taça e entregou à brasileira. – Pegue.

- Não posso. Logo mais vou me encontrar com Mu de Áries na casa dele e não seria de bom tom chegar lá com hálito de vinho.

Kanon pegou a mão de Alexia e a fez segurar a taça.

- Não me faça essa desfeita, minha querida. Beba pelo menos uma taça comigo.

Sem jeito de recusar mais uma vez, acabou bebendo para não desagradá-lo. Levou tímida a taça até os lábios e ficou surpresa com o sabor adocicado da bebida. Kanon esperou ela virar a taça para puxá-la pela cintura. Antes dela engolir o vinho ele atacou seus lábios.

- Delícia... – sussurrou depois do beijo com gosto de vinho.

Sentou na cama e serviu-se de mais uma taça de vinho com a mulher colada as suas costas. Enquanto ele bebia, Alexia beijava seu cavaleiro no ombro, pescoço, orelha, afastou os cabelos molhados de suor do rosto dele. Inclinou-se sobre ele e se deu conta de como ele era grande, alto, robusto. Os ombros de Kanon eram o dobro dos de Alexia em largura. Acariciá-lo por inteiro representava uma aventura demorada para suas mãos.

- O que Mu quer com você? – perguntou sem olhá-la.

- Ele me pediu que ficasse de babá do Kiki por uns tempos. Parece que ele vai cumprir mais missões fora do Santuário até o final do mês...

- Ele disse para onde iria? – perguntou virando a cabeça para olhar o rosto da serva através do canto do olho.

- Não. Só disse que vai precisar se ausentar mais vezes.

Kanon colocou a taça no criado mudo e colocou o corpo de Alexia deitado ao lado do seu. Passou a mão pela coxa subindo até a cintura e voltando para a coxa repetidas vezes. Olhou para ela de forma insinuante e disse:

- Mas se você aceitar bancar a babá vai ficar impossibilitada de descobrir as informações de que preciso...

- Não se preocupe. Eu impus a condição de só cuidar do Kiki se não tivesse que me ausentar do Templo de Athena. Mu concordou.

Kanon sorriu cobrindo o corpo da serva com o seu novamente.

- Você foi esperta. – acariciou os cabelos negros da serva mantendo os olhos fixos nos lábios carnudos que esperavam entreabertos pelos seus. – Melhor para mim que não perdi a minha linda informante...

Beijou-a, em seguida voltou a vira-la de lado, desta vez a deixou de costas para ele. Levou a mão dela até seu pescoço enquanto explorava a orelha feminina com mordidinhas. A sentiu arfar descontroladamente perante os seus beijos fortes.

- Shion já encontrou o tal Catálogo? – atacando o pescoço, desta vez delicadamente para não impedir a serva de falar.

- Ainda não, mas ainda continua procurando e bagunçando a biblioteca junto com Dohko e Aneta. Ouvi dizer que ninguém mais pode entrar lá a não ser um dos três.

- O que mais você ouviu? – mordendo a orelha e apertando os seios com força suficiente para ouvir um maravilhoso gemido e não machucá-la.

- Ouvi que Shion pretende ir a Jamiel essa semana e que haverá uma reunião a portas fechadas com os cavaleiros de ouro amanhã.

- Interessante... mais alguma informação relevante? – segurando o queixo colocando os lábios a milímetros dos seus.

Alexia pensou um pouco.

- Não sei se seria relevante, mas eu surpreendi Aneta chorando escondido na cozinha hoje cedo. Sussurrava o nome do grande mestre entre as lágrimas e parecia muito aflita...

- Humm... – deu um beijo final e mudou de posição para pegar outra camisinha no criado mudo. Voltou a ficar colado as costas da serva enquanto abria o preservativo – A serva pessoal de Shion sabe demais. Ofereça consolo, tente descobrir o motivo da tristeza dela.

- Isso será muito difícil. Ultimamente Aneta está muito fechada. Ou está trancada em seu quarto ou está com o grande mestre na biblioteca, é raro a ver fazendo outra coisa.

- Sempre tem um jeito de se conseguir o que quer das pessoas... – sussurrou enquanto removia os cabelos negros e finos do pescoço da serva.

Depositou vários beijos naquela região, mesmo fazendo de forma delicada, deixou a pele da mulher arrepiada. Alexia tentou se virar para ficar de frente para o geminiano, mas ele não deixou. Já com o preservativo devidamente colocado, voltou a segura-la no queixo. Introduziu um dedo em sua boca e pediu que Alexia sugasse. Foi atendido. Depois levou o dedo lubrificado até a feminilidade de sua amante querendo proporcionar prazer de outra forma.

Alexia mordeu os lábios com força, deixou impresso seus dentes no lábio inferior tamanha era a onda de prazer que sentia por conta do entrar e sair do dedo de Kanon em sua cavidade. Ele fazia a masturbação de forma vigorosa e intensificava a cada espasmo muscular da serva. Não dava trégua. Chupava a orelha ao mesmo tempo em que esfregava o membro duríssimo no traseiro macio da brasileira.

Ela sentia a excitação dele aumentar a cada gemido seu, cada vez que contraia os lábios e as pernas. Não queria deixar a mão dele sair daquele ponto tão sensível. Também era imensamente prazeroso cada vez que Kanon esfregava seu membro pulsante em seu bumbum, chegando a tocar a cabeça na entrada...

O interesse dele era ali mesmo, naquela entrada mais quente e apertada, mas sentia que ainda não era hora de possuí-la daquela forma. Precisava deixá-la mais entregue, mais submissa, mais escrava de seus prazeres e principalmente não gostaria de assustá-la de nenhuma forma. Tudo isso para não perder a fonte de informação.

****\D/****

O dia de treino passou rápido. Shina ensinou novos golpes à turma e a cada vez que isso acontecia obrigava todo mundo a praticar repetidas vezes até que todas as falhas de execução fossem eliminadas. O movimento tinha que sair perfeito e a repetição também ajudava a fixar o golpe na memória dos aprendizes.

Passava das 5 quando Shina deu o ok final e liberou a turma. Mais uma vez a interna de Shaka se sobressaiu nos treinos. Foi a primeira a aprender o movimento, executou diversas vezes com perfeição e ainda ajudou alguns internos de sua turma a corrigir algumas falhas. Foi melhor até do que Helena que tinha mais tempo de Santuário.

Todos ficaram de boca aberta quando Shina foi pessoalmente lhe dar os parabéns. A Cobra apenas disse um magro "bom trabalho" e deu as costas, mas isso foi mais do que suficiente para Jim se sentir nas nuvens, ou melhor vingada. De alguma forma era um tapa com luva de pelica na cara da mestra que a escolhia constantemente para cristo.

Shina nunca escondeu que pegava no pé de Jim. Era mais rígida com ela de propósito. Porém naquele dia teve que dar o braço a torcer em público admitindo com aquele elogio que ela era uma boa aprendiz, apesar de ainda a achar protegida demais. "Teus mestres são o que te estragam, menina. Um dia eu ainda vou descobrir o que te faz tão especial aos olhos dos cavaleiros de ouro...", pensou Shina vendo as três amigas tagarelando e sorrindo indo em direção a saída da arena.

E assim que atravessaram os enormes portões, Lucy puxou Jim pelo braço.

- Ji, preciso de um favor seu.

- Que favor?

- Pode me teletransportar para a Casa de Câncer?

A brasileira riu.

- No máximo eu posso te deixar na frente da Casa de Áries. Esqueceu que ninguém passa pela barreira protetora das 12 casas?

- Tudo bem. Então me deixa em frente à Áries mesmo! – disse animada.

Jim olhou para a amiga com olhar de reprovação e disse com as mãos na cintura:

- Lucy, não me diga que vai correr atrás daquele carcamano denovo? Não disse hoje cedo que não estava mais interessada nele?

- Er... – fez Lucy buscando palavras.

- Acabamos de combinar de jantar em minha casa e você quer ir à Casa de Câncer? – disse Helena sem entender a atitude da amiga.

- Eu não vou correr atrás dele. Não vejo o Mask há alguns dias e eu só quero saber se ele está em casa. Ele está faltando os treinamentos que concordou em me dar. Mestre Afrodite não está nada satisfeito... – parada e soltando os cabelos – Também tenho o direito de querer ficar forte como vocês duas, não tenho?

- Tem sim, mas... – respondeu Helena.

- Que nada, Helena – interrompeu – Ela quer encontrar o Mascara, isso sim. Está com saudade dele, confessa!

- Não estou com saudade daquele cafusu idiota, ranzinza e mal educado! – explodiu Lucy e logo se refez ajeitando os cabelos olhando para seu espelhinho de bolso. – Eu só quero ver se ele está em casa para levar um recado do mestre Afrodite. Só isso. – mentiu.

- Mas e o nosso jantar? – indagou Helena.

- Depois que eu der o recado ao Mask, volto a Touro para jantar com vocês. Vai ser rapidinho. – deu uma piscadinha para Helena – Então, Ji, vai me teletransportar sim ou não?

- Ta bom! – disse depois de bufar – Mas agente vai fica te esperando em Touro ta? E vê se não demora.

Jim tocou o ombro da amiga e usou seu poder para desaparecerem e reapareceram em frente às escadarias da primeira casa.

- Merci, Ji. – mal agradeceu e começou a subir correndo as escadarias.

- Juízo heim. Não vai se perder na Casa de Câncer. – disse Jim pouco antes de sumir.

Lucy rapidamente passou pela Casa de Áries, Touro, Gêmeos e quando chegou as escadarias de acesso a Câncer, parou para retocar o batom. Sim, além do espelhinho ela carregava um mini gloss vermelho melancia no bolso para eventuais necessidades.

Começou a subir as escadas e viu com pesar que as luzes estavam apagadas, também não havia sinal do cosmo do guardião. Porém decidiu-se a entrar e ver com os próprios olhos. Mascara poderia estar dormindo ou treinando ocultação de cosmo, imaginou. Cruzou o grande salão principal que outrora era decorado com cabeças humanas e parou em frente à área privativa do templo.

Bem devagar abriu a porta. Para seu azar a área privativa também estava às escuras. Tateou em busca do interruptor e logo encontrou. Ela conhecia bem todos os recantos daquela casa. A escuridão não a incomodou, somente a ausência do dono. Foi até a cozinha, ninguém. Deu um suspiro triste. Olhou em volta procurando indícios da presença de Mascara da Morte. Um copo ou prato sujo, toalha de banho posta para secar no varal da área de serviço, restos de comida na geladeira. Nada. A casa parecia não ser frequentada por um bom tempo.

Lucy desesperou-se. Imaginou o pior. Mascara podia ter sido vitima ou sequestrado pelo inimigo que rondava o santuário a meses, ou pior, podia estar com alguma mulher. Essa última hipótese fez seu sangue ferver de ódio. Saiu da cozinha e foi direto para o quarto. Abriu lentamente a porta e entrou na ponta dos pés.

A cama estava vazia e no banheiro da suíte o mesmo aspecto de falta de uso do restante da casa. Tudo estava rigorosamente arrumado e limpo. Contudo aquela casa não podia estar simplesmente desabitada todos aqueles dias. Com que autorização Mascara tinha saído do Santuário? Sem saber o que pensar e triste por passar mais um dia sem ver seu cavaleiro preferido, Lucy saiu do banheiro da suíte.

Andou pelo quarto amplo cabisbaixa e não viu uma sombra se projetando atrás de si. Não deu tempo de tocar a maçaneta da porta, antes disso uma mão enorme a puxou pelo braço. Sentiu-se ser jogada na cama com força e rapidez por um vulto, ou melhor...

- Mask?! – olhando para o rosto do italiano com olhos arregalados – De onde você surgiu?

- Calada! Sou eu que pergunto. Por que entrou escondida em minha casa?! – berrou a encarando nos olhos.

- Não entrei escondida. E você por onde andou? Por acaso se mudou do santuário e esqueceu de avisar todo mundo?

- Não me mudei. Estava fazendo rondas pelo Santuário a pedido do grande mestre a procura do inimigo. Ao contrario do seu mestre, que passa o dia fazendo limpeza de pele e lixando as unhas, eu protejo o Santuário.

- Sei... – desdenhou – Você não coloca os pés aqui há dias, confessa!

- Ficou louca?

- Não! E quer fazer o favor de sair de cima de mim?! – berrou de volta.

Sem mudar a expressão carrancuda, Mascara saiu de cima de Lucy e foi até a cômoda pegar um charuto de sua caixa de charutos cubanos.

- Se está se referindo a falta de sujeira na casa, é por que eu mandei limpar. Estava cansado de tropeçar em embalagens de pizzas... - ascendendo o charuto com um isqueiro.

Lucy pulou da cama e falou de frente para o italiano:

- Não mente para mim, Mask! Por onde você andou?

- Eu já disse que estava fazendo rondas, caspita! – agarrou o dedo de Lucy com raiva – E não coloque este dedo na minha cara! Perdeu o amor a vida, ragazza?! Ou está me confundindo com o viado do seu mestre para aturar os teus xiliques?

Lucy fez uma cara de choro e puxou o dedo das mãos grossas de Mascara. Acabou caindo sentada no chão devido à força que fez para se livrar do aperto.

- Mask, por que está me tratando assim? – perguntou com um fio de voz triste.

Mascara deu uma tragada no seu charuto e soprou a fumaça para cima.

- Por que estou cansado de você, Lucy.

- Cansado de mim? Por quê? O que eu fiz de errado? – disse Lucy engatinhando e parando com a cabeça na altura do joelho de Mascara.

- E você ainda pergunta, ragazza? – disse a fulminando com o olhar.

- Me diz o que eu fiz de errado, Mask, por favor... – pediu se segurando para não chorar. Doía muito aquele tratamento, pois ele nunca havia a tratado daquele jeito. Mascara era sempre amoroso com ela, amoroso do jeito dele.

- Ok. – soprou novamente fumaça para cima e enquanto falava mais fumaça saía de sua boca – Estou cansado de você me destratar na frente de todo mundo. Estou cansado de te ver saindo para cima e para baixo com o Frô, sendo que comigo se quer podemos ficar sozinhos. Eu virei seu mestre para que? Se não posso te treinar onde e quando eu quero? Estou cansado de seguir as ordens do Afrodite! E principalmente, estou cansado de você valorizar mais ele do que a mim!

Lucy piscou várias vezes os olhos sem saber o que responder. Não esperava aquelas palavras, não soube interpretá-las em um primeiro momento. Ciúme? Despeito? Rancor? Raiva? O que era aquilo afinal...

- Mask... – ficou de joelhos ainda piscando os longos cílios – Eu nunca disse que preferia o Afrodite a você. Eu até fiz de tudo para te trazer de volta a Casa de Peixes. Eu ajudei a convencer o mestre. Esqueceu aquela noite depois do ataque do inimigo...

- Você diz isso, mas faz exatamente o contrário. Me dá nojo ouvir você endeusando o Afrodite. Sabia que ele também não teve um passado muito bonito?

- Sim. Ele me contou tudo, mas ele ressuscitou um novo homem e quer ser uma pessoa melhor, e quanto a você, Mask?

Mascara fulminou Lucy com os olhos novamente e disse em tom seco:

- Eu não pedi para ser ressuscitado. E acho isso de "querer ser uma pessoa melhor" papo furado. Ninguém muda apenas dizendo isso, Lucy. Agora saia da minha frente, volte para o seu amado mestre. Vou sair, preciso me trocar...

- Aonde vai a essa hora? – apoiou as mãos nas coxas masculinas.

- Sair, já disse. – levantou e foi até o guarda roupa.

- Não vou sair daqui até você me dizer aonde vai! – gritou ficando de pé – Por acaso pretende se encontrar com alguma mulher? – fechando os punhos com força.

Mascara virou o rosto na direção da interna exibindo um sorriso maldoso. Estava adorando ver a raiva de Lucy pela sua ausência. Demonstrações de ciúme nunca foram de seu feitio, mas desprezar mulheres como ela só para vê-las se arrastando aos seus pés era um vicio para ele.

- E se for? Estaria indo atrás de quem me valorizasse diferente de você... – e pegou uma camisa de botões e mangas compridas no guarda roupa.

Lucy olhava para a figura musculosa de Mascara da Morte vestindo a camisa branca sentindo falta de ar, tamanho era sua raiva. Ele dizer com aquela naturalidade que ia encontrar com outra mulher era demais para seus ouvidos. Explodiu de ódio e ciúme.

- Eu mato a vadia que chegar perto de você!

Calmamente Mascara fechou a porta do guarda roupa antes de fechar os botões da blusa branca. Lucy não se conteve mais avançou em cima do italiano, estava farta de ser ignorada e desprezada. Ia mostrar para ele do que era capaz. Encarou Mascara com olhos que apesar de firmes, estavam lacrimejantes.

- Eu mato! Você ouviu?! Mato qualquer uma! – dando socos no peito masculino.

- Mata! Faz o que você quiser! – berrou na cara de Lucy segurando os braços da sueca com força - Eu estou nem ai!

Lucy caiu sentada na cama quando ele a soltou com fúria. Uma lágrima tentou se jogar de seu olho, mas ela impediu limpando com o dedo antes que saísse. Esconder o seu ressentimento era impossível, mas ela era orgulhosa o suficiente para tentar. Só tentar... Era impossível também ignorar os gritos de seu coração.

- Por que está agindo assim? Ainda não consigo entender... – perguntou como se falasse consigo mesma.

Mascara passou por ela e voltou a se sentar na cama.

- Não sou o seu cachorrinho, Lucy. Tão pouco o seu objeto sexual...

- Objeto sexual? – olhou para ele confusa – Eu nunca disse isso! Isso nunca me passou pela minha cabeça. – ficou de joelhos na frente dele – Eu pensei que você gostasse das nossas aventuras...

Silêncio. Ignorando completamente a presença da sueca, Mascara pegou o charuto do pequeno cinzeiro do criado mudo, bateu um pouco para tirar a cinza e o levou até a boca.

- Responde Mask! Você se cansou disso também? – novamente ficando de joelhos na frente dele.

Passado alguns segundos de silêncio e desprezo, Mascara olhou para o rosto de Lucy. Ela estava visivelmente nervosa, os lábios da jovem tremiam como se estivessem prestes a gritar. Olhar para aqueles lábios carnudos e brilhantes, pintados de vermelho melancia excitou o italiano. Mais excitante era a expressão de suplica em seu rosto delicado de fada rosa. Deu um sorriso maldoso e puxou aquele rostinho delicado para junto do seu.

- Você foi divertida, torta de morango... – disse com os lábios a milímetros dos dela, depois soltou o seu rosto e a jogou de qualquer jeito no chão – Mas conseguia me broxar falando sem parar do Afrodite. Você se importava mais que ele não soubesse do nosso envolvimento do que em me agradar.

Lucy levantou da posição rapidamente e voltou a ficar de joelhos na frente dele sentado na cama. Engolindo o próprio choro, ela disse:

- Isso não é verdade, Mask. Eu escondo o nosso envolvimento do mestre para vocês não brigarem. Eu odeio ver vocês brigando! – apertou as coxas masculinas – Quero vocês juntos perto de mim para sempre! Nunca quis desagradar nenhum dos dois... - subiu e segurou o rosto de Mascara entre as mãos – Mask... Eu te amo... Por favor acredita em mim...

A resposta de Mascara veio na forma de uma respiração carregada, quase um gemido. Limitou-se a olhar os lábios vermelhos de Lucy. Não havia mais o tremor do medo e da tristeza, e sim o fogo do desejo crepitando neles, pedindo para serem tomados, mordidos e da forma mais selvagem...

- Me perdoa, Mask... – passando a mão na nuca masculina e enterrando os dedos nos cabelos azuis sempre revoltos – Me perdoa...

Com a mesma respiração carregada e barulhenta, Mascara a viu se meter entre suas pernas escancaradas. Arrepiou-se quando ela tocou sua nuca, segurando os cabelos daquela área com delicadeza. Lucy também olhava para os lábios de Mascara com um desejo infernal de beijá-los, mas ambos ficaram naquela distância por um bom tempo para provocar um ao outro, ou para testar a resistência de ambos. "Me perdoa...", sussurrou de novo desta vez tocando seu lábio superior com o inferior de Mascara bem de leve.

Então Mascara abandonou seu alto controle fingido e mordeu os lábios sabor melancia que o tentavam. Abocanhou a boca de Lucy com violência só para deixar a marca de seus dentes ali impressa. Assustada, Lucy se afastou quando sentiu a dor causada pela dentada. Tocou o lábio ferido e sentiu na ponta do dedo a marca, a pele afundada que ardia.

Mascara deu um sorriso maldoso que mostrava toda a sua satisfação por fazer aquilo. Novamente puxou-a pela cintura, fez com que ela ficasse completamente debruçada nele. O corpo de Lucy apesar de curvilíneo era leve, uma pulga comparado ao dele, portanto de fácil manipulação. Atacou de novo os lábios da jovem, desta vez não mordeu, só beijou com sua costumeira intensidade e selvageria.

Logo os gemidos abafados vieram. De dor e de prazer, pois ele a segurava com tanta força os cabelos rosados, que a impedia de mexer a cabeça conforme a sua vontade. Também não conseguia afastar um centímetro de seu corpo colado ao dele. Os braços de Mascara da Morte eram esmagadores como tentáculos, dando a impressão de serem bem maiores do que realmente eram.

Uma mão grossa e pesada desceu pelas costas de Lucy e chegou ao bumbum, apertou com força aquela parte, depois deu um sonoro tapa. Lucy gemeu.

- Já me perdoou? – sussurrou no ouvido dele.

- Ainda não... – respondeu farejando os cabelos rosados. – Você ainda não está merecendo.

- O que eu posso fazer para merecer? – perguntou esfregando o rosto de forma insinuante no rosto mal barbeado.

Mascara agarra novamente os cabelos de Lucy e diz olhando-a profundamente nos olhos.

- Passe esta noite comigo aqui, amore mio. Quero te fazer minha muitas vezes a noite toda. Também estou cansado de rapidinhas...

Lucy abriu a boca puxando um pouco de ar, fora completamente pega de surpresa e o coração bateu a mil por hora quando ele a chamou de amore mio... Depois da briga que tiveram aquilo era como som de violino, mas ela não podia fazer aquilo, apesar de querer, querer muito.

- Não posso, Mask, você sabe, isso provocaria outra briga entre você e o meu mestre...

Decepcionado, Mascara a soltou e disse retirando as mãos dela de seu peito:

- Então volte para a Casa de Peixes e para o viado do Frô. Ou você é minha por completo ou nada.

- Não faz assim Mask! – segurou de novo o rosto dele próximo do seu – Você sabe que eu quero isso, desde o começo... Mas não posso, não posso. Se vocês brigarem, os dois vão se afastar de mim e isso eu não quero. Eu prefiro morrer a perder vocês dois... – e beijou-o sem ser correspondida.

Ele tinha voltado a ignorá-la, mas Lucy não se deixou vencer. Desceu até o pescoço distribuindo beijos, lambidas e mordidinhas.

- Eu te amo Mask... – olhou para ele de forma lasciva e beijou seu peitoral.

- Me perdoa... – beijou agora a barriga sarada até o umbigo.

Prevendo o que ela iria fazer, Mascara apoiou os cotovelos na cama sem tirar um segundo os olhos da cabeça rosa que lhe estimulava. Quando ela começou a abri a calça dele, o italiano sorriu pegando o charuto do cinzeiro.

Lucy delicadamente abriu o zíper e desceu a roupa até expor a cueca preta. Tocou o membro enrijecido com a ponta do dedo e levou o dedo até os próprios lábios. Com o mesmo cuidado, baixou a cueca box.

- Vou fazer você me perdoar... – e lambeu a glande úmida.

Desceu a língua até a base do pênis, voltou sugando a pele quente até chegar na cabeça novamente. Levantou os olhos para ver a o rosto de Mascara que tinha uma expressão faminta atrás da fumaça que expelia. Voltou a lamber a glande só depois abocanhou. Mascara jogou a cabeça para trás soltando grande quantidade de fumaça e um sorriso maldoso brotou de seus lábios.

Lucy continuou, sem tirar o membro de dentro da boca, começou a fazer movimentos de sobe e desce com a cabeça. Sugando e passando a língua em tudo o que podia. Seu desejo era engolir completamente aquele membro pulsante, mas era inviável por conta do tamanho. Só conseguia chegar até a metade.

Quando ela chupou e masturbou com as duas mãos ao mesmo tempo, Mascara emitiu um gemido rouco.

- Você é boa, ragazza, muito boa... – disse retirando os cabelos da frente do rosto de Lucy.

Queria ver toda a ação, não queria perder nenhum movimento dos lábios de Lucy. Ajeitou-se de modo a ficar de frente para o belo espetáculo, mas ainda com os cotovelos apoiados na cama. Jogou por fim o charuto que segurava entre os dedos e ficou só olhando, mas logo teve vontade de interagir. Segurou uma boa quantidade de cabelos rosados para ter o controle da felação.

Velocidade e profundidade estavam na mão de Mascara agora e ele fazia sem se preocupar se ela estava sufocando ou não. Um fio de saliva escorregou da boca de Lucy e molhou a cama. A velocidade aumentou absurdamente e então Mascara tirou seu membro de dentro da boca de Lucy com um movimento rápido. Quase gritando de prazer jogou todo o gozo para fora, atingindo a boca e parte do rosto da interna.

- Humm... – sorriu Lucy lambendo o lábio melado.

Antes de Mascara se recompor do orgasmo, Lucy subiu e o beijou de língua o fazendo sentir o próprio gosto.

- Que merda é essa, garota? – disse se afastando dela bruscamente e cuspindo.

Lucy deu uma risada.

- Qual o problema? Isto veio de você, Mask, é o seu gosto. – e riu mais.

- Não teve graça. – passando a mão na boca fazendo careta de nojo. Acabou correndo para o banheiro para se lavar.

- Como é machista! – disse Lucy parada na porta o vendo jogar água no rosto.

Com o rosto pingando água, Mascara puxa Lucy pela cintura e limpa o sêmen que tinha ficado no rosto da interna com papel higiênico, depois joga o papel sujo fora, fazendo a mesma cara de nojo.

- Agora você vai me beijar?

- Ainda não... – e passa a mão nos cabelos rosados terminando por apertar a nuca como sempre fazia – Você vai ficar aqui comigo?

- Não posso, mas amanhã eu volto. – deu um sorriso malicioso.

Mascara a levantou pelas coxas e soltou o corpo de Lucy na cama. Arrancou a calça de treino que ela usava junto com a calcinha.

- Por que deixar para amanhã o que podemos fazer hoje?

- Espera, Mask! Eu preciso, preciso... Aaaaahhh... – gemendo bem alto quando sentiu sua cavidade ser sugada – Preciso, avisar as meninas. Elas estão me esperando na casa de Touro...

Mascara levantou a cabeça de entre as pernas de Lucy, pegou o celular do bolso e jogou para ela.

- Liga. Daqui você não sai tão cedo. Aproveita e liga para o Frô também. Diga que vai ficar com suas amigas em Touro. – deu uma piscadinha que dizia "se é que me entende".

Lucy não teve tempo de responder, antes disso já estava sendo novamente chupada. Com vontade, com fome, com ânsia, Mascara queria ouvir seus gemidos enquanto ela telefonava. Arrancou a parte de cima do uniforme de treino de Lucy e atacou seus seios. A respiração de Mascara era tão carregada e barulhenta que lembrava a de um animal. Foi descendo pela barriga beijando e mordendo a pele, ficou novamente entre as pernas de Lucy para então continuar chupando.

Com dedos trêmulos, Lucy começou a discar o número do celular de Helena...

****\E/****

Casa de Virgem...

Naquele dia Shaka não conseguiu estabilizar sua mente junto com seu cosmo para meditar. Seus pensamentos iam e vinham em apenas um assunto: contar ou não contar a Jim sobre a morte de sua família. Era certo que devia contar, mas quando? Como dar uma notícia daquela a uma pessoa sensível como Jim? Se sentia tão ligado a discípula que todo sofrimento dela era seu também. Independente da magia Hanzo que estavam por trás das lágrimas de Jim, ao qual Shaka desconhecia, vê-la chorar feria mortalmente a sua alma.

Estava sentado a mesa da cozinha quando a sentiu entrar em sua casa. Pela pulsação do cosmo estava alegre. Ouviu quando ela entrou correndo ao seu encontro. Sem saber o que lhe esperava, Jim entrou na cozinha portando o seu mais inocente sorriso.

- Me atrasei, eu sei. Estava jantando na casa da Helena. Ela convidou Lucy e eu para comer com ela. Coitada, se sente meio sozinha com a ausência do mestre... – inclinou-se e beijou o rosto do indiano que mantinha os olhos fechados – Acabamos jantando só Helena e eu, por que a Lucy disse que tinha um recado para dar ao Mascara e acabou não voltando. Ela passou por aqui?

- Sim, há alguns minutos. – respondeu segurando a mão da discípula e depositando um beijo.

- Menos mal, pelo menos ela não se perdeu pelo meio do caminho... – puxou o elástico que prendia seus cabelos num rabo de cavalo – Vou tomar banho para podermos treinar... - e saiu andando rápido ate seu quarto assoviando uma música animada.

Saiu do banheiro com a mesma animação. Desta vez cantando em vez de assoviando:

- I don't even notice what life was like. Now I'm in LA and it's paradise. I finally found you… Now sing it to me - Eu nem mesmo notei como a vida era. Agora estou em Los Angele paraíso. Eu finalmente encontrei você... Agora cante para mim.

Andou até o espelho e retirou a toalha da cabeça. Viu Shaka sentado em sua cama a fitando com a mesma seriedade que mostrava na cozinha. Resolveu puxar algum assunto trivial.

- O Milo contou que você e o Aioros vão treinar agente semana que vêm. Gostei muito desta notícia! – deu um largo sorriso enquanto secava o cabelo com a toalha.

- Não vai ser semana que vêm. O treino começa amanhã. Já comuniquei ao grande mestre e ele concordou.

- Melhor ainda! Vai gostar de treinar o primeiro ano, somos uma turma boazinha.

Shaka desta vez não respondeu. Apenas ficou observando sua discípula secar o cabelo embalada pela canção alegre que cantava. Perguntou-se por que tinha que ser ele a acabar com aquela alegria. Quando ela terminou de se secar, foi até ele sorridente, segurou o rosto de seu mestre e beijou os lábios sagrados. O beijo fez Shaka amenizar um pouco seu semblante sofrido, mas o sorriso não veio.

- Now my life is sweet like cinnamon, like a fucking dream I'm living in. Baby love me cause I'm playing on the radio (how do you like me now?)¹- Agora minha vida é doce como canela, como a porra de um sonho em que estou vivendo. Querido, me ame porque estou tocando no rádio (Como você gosta de mim agora?) - Banho tomado, agora podemos ir treinar. – disse.

- Não vamos treinar hoje, Jim. – fechou os olhos. – Precisamos conversar um assunto muito importante.

- Ok... – conteve um sorriso de euforia por se livrar das horas de meditação - Mas... Você parece tão preocupado, mestre. O que está acontecendo?

Shaka retirou as mãos da discípula de seu rosto e gentilmente fez com que ela se sentasse na cama ao seu lado. Acarinhou a face e os cabelos molhados da jovem. Baixou a cabeça para olhar dentro de si. Viu sua alma sangrando por ter que falar o que tinha para falar.

- Sobre os seus pais...

Continua...


1 – Radio da Lana Del Rey.

*Próximo capítulo haverá drama, luto, os motivos que levaram a morte da família de Jim, Hanzo, Aneta contra Jamian, Aioros e Shaka na arena e mais algumas coisas...

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