Título: Brain and soul

Autor: Fernanda

Classificação: MA, NC-17

Capítulo: 21

Resumo do capítulo anterior:

_ Cullen, Cullen. Como você é ingênuo. Se ele é seu melhor agente, acha que ele ia se conformar em não conseguir solucionar um caso que é de seu superior há tanto tempo? Você devia ter dado o caso a algum desses moloides sem ambição que trabalham pra você.

_ Eu vou resolver isso. Ou melhor, já resolvi. Agora é só esperar...

O Juiz o encarou desconfiado.

_ Não me diga que você matou mais alguém?

_ Por causa da indiscrição do idiota do Robert eu tive que matar meu melhor agente. Nesse momento a polícia deve estar recolhendo os pedaços dele e daquela Antropóloga num quarto de hotel em Maryland. – ele retrucou.

_ Ainda bem que eu sou seu amigo... – o Juiz retrucou. – E quanto ao parceiro dele?

_ Esse é um pouco mais lerdinho e não deve desconfiar de nada. Acredito que Sully não vá nos criar problemas. Mesmo porque, com a morte do Booth e da Testemunha, você poderá pedir o arquivamento do processo.

_ Preciso fazer isso o mais rápido possível, pois os novos compradores já pensam em desistir do negócio.

Continua...

Sully entrou no carro e deu a partida, as palavras do chefe ecoando em sua mente. Algumas lágrimas embaçaram sua visão enquanto ele dirigia rapidamente pelas ruas de Washington. Não podia acreditar que o parceiro e melhor amigo estava morto, e pelas mãos do chefe deles, um homem de confiança do FBI.

Sully não pôde evitar o sentimento de culpa. Se ao menos ele tivesse desconfiado de seu chefe antes, seu amigo ainda estaria vivo. Mas ele só havia juntado as peças do quebra cabeça ao encontrar o cartão sobre a mesa de Cullen. Um cartão com o endereço de um relojoeiro em Maryland havia despertado um clique dentro dele.

Já suspeitava de traição de alguém ali dentro, depois tinha ouvido uma conversa de seu chefe com um homem sobre o novo carregamento. Mas foi o cartão que o deixou intrigado, fazendo com que ele rastreasse o celular de Booth. Quando descobriu que o amigo estava em Maryland, resolveu seguir o agente Cullen.

Ele teve muita sorte. Se algum daqueles homens tivesse notado sua presença no corredor, ele estaria morto agora. Ainda não acreditava que tinha conseguido permanecer mudo depois da revelação chocante.

Sully parou o carro e pegou o celular. Discou o número do celular provisório de Booth, rezando para o amigo atender. Depois da quinta vez, ele desistiu. Um ódio cego invadiu seu peito. O agente Cullen ia ver quem era o lerdinho, ele pensou. O lerdinho ia desmascará-lo e vingar a morte de seu melhor amigo. Sully jurou que pegaria a quadrilha, sozinho, nem que fosse a última coisa que fizesse.

Seis e meia da noite...

Caroline atendeu ao telefone, esperando que fosse sua cliente e amiga, mas ficou decepcionada ao ouvir a voz de um homem.

"_ É o parceiro do agente Booth, doutora Caroline."

_ Até que enfim! Você pode dizer ao seu parceiro para devolver minha cliente? Preciso falar com ela. O início do Julgamento será em duas semanas e eu ainda não dei sequer uma instrução a ela.

"_ Desculpe, mas eu acho que preciso conversar com a senhora pessoalmente. Tenho informações importantes demais para serem ditas por telefone."

Caroline notou a apreensão na voz do homem e se endireitou na cadeira.

_ Aconteceu alguma coisa com a minha cliente? – ela perguntou tensa.

"_ Por favor, me encontre no parque Constitution Garden, em frente ao Monumento dos Veteranos, em meia hora."

_ Estarei lá. – ela fez uma pausa e fechou os olhos, nervosa. – Agente Sully, é grave?

"_ Bastante. – ele informou e desligou."

Caroline pos o fone no gancho e suspirou. Não queria que nada acontecesse com sua cliente. A moça estranha a tinha cativado desde o começo, e era uma excelente pessoa. Ela de repente se viu rezando para que nada tivesse acontecido a ela, coisa que não fazia há muito tempo.

Sete da noite, parque de diversões, Maryland...

_ Booth, será que eles tentarão algo contra minha advogada?

Temperance estava deitada na cama, a cabeça apoiada no colo de Booth. Ele parou de acariciar seus cabelos e suspirou.

_ Honestamente não sei, Bones. Mas quando conversarmos com ela amanhã de manhã, pretendo avisá-la do perigo. Só que eu não sei se posso confiar em alguém para protegê-la.

_ Eu entendo.

_ Eu já pensei em uma maneira de te levar segura no dia do julgamento.

Temperance se sentou e olhou para ele.

_ Como? – perguntou curiosa.

Booth sorriu.

_ Disfarçada.

Ela fez uma careta.

_ Você quer dizer... usando uma peruca, óculos escuros, roupas diferentes, ou o que?

_ Tudo isso junto, que tal?

_ Não sei... Onde vamos arranjar uma peruca, Booth? Se você for visto andando pela cidade atrás de uma, o FBI pode nos descobrir.

_ Já pensei nisso, Bones. Você sabe onde nós estamos?

_ Claro que sei, Booth. Num velho parque de diversões. – ela disse, ainda sem entender.

_ Um parque de diversões certamente tem uma Casa do terror, ou algo parecido, certo?

_ Não sei o que isso significa, Booth.

Booth arregalou os olhos, espantado com a ingenuidade dela.

_ Bones, não me diga que você nunca esteve em um parque de diversões!

Tenperance ficou sem graça, afinal era mais uma das coisas que a faziam ficar deslocada no mundo moderno.

_ Eu sempre achei que isso fosse coisa para crianças, Booth.

_ Não é só coisa de criança, Bones. Somente alguns brinquedos, como o carrossel. Quando eu era adolescente sempre levava minhas namoradas ao parque de diversões.

_ Passei a adolescência num orfanato, Booth.

Booth a encarou com um olhar culpado.

_ Eu sinto muito! Desculpe, Bones. Não devia ter falado sobre isso.

_ Não diga bobagens. Você não é culpado pelas dificuldades que eu enfrentei na vida, Booth. Eu superei tudo isso há muito tempo.

Ele sorriu. Temperance voltou a se deitar.

_ Está com fome? – Booth perguntou depois de um tempo.

_ Ainda não.

Booth a fitou pensativo e depois a beijou. Ele se levantou da cama, puxando-a pela mão.

_ Posso saber aonde vamos?

Ele sorriu enigmático e continuou puxando-a. O cachorro os seguiu.

_ Vou levá-la para um passeio pelo parque. – ele disse, seguindo pelo corredor.

_ No escuro?

_ Temos duas lanternas. Uma aqui no meu bolso e outra no carro. – ele parou e a encarou. – Com medo?

Temperance sorriu desafiadora, a mão na cintura.

_ Não tenho medo de nada, muito menos do escuro!

Parque Constitution Garden, Washington DC...

Caroline olhava incrédula para o agente com cara de garoto à sua frente.

_ Você tem certeza do que está me dizendo, rapaz? São acusações gravíssimas!

Sully passou a mão pelo cabelo.

_ Infelizmente eu tenho certeza sim. Eu gravei boa parte da conversa deles. Depois fugi e fui tentar descobrir o que tinha acontecido de fato. Eu não consegui descobrir se aconteceu alguma explosão em Maryland. Não tenho contatos lá, e não deu nada nos noticiários, ou na Internet. Mas nem pude procurar muito, tive que ser discreto. Não sei em quem posso confiar lá.

Caroline pegou o celular.

_ Não acho que a imprensa deixaria de noticiar um agente do FBI virando picadinho. Eu vou tirar isso a limpo já. Tenho um ex-marido lá em Maryland. Ele me deve alguns favores.

Sully observou-a ligar para o ex-marido. Ele rezava para que Booth e Temperance estivessem bem.

Continua...