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Disclaimer: TWILIGHT não me pertence e nem a música MONEY HONEY... Mas a Bellinha de vinte anos e que arrebenta na pole dance sim! Então, por favor, respeitem! E curtam...

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N/A: Olá flores! *acena*

Obrigada pelas reviews lindas que recebi! Muita gente saiu da moita e disse o que pensava sobre a atitude da Bella com o juiz... Nem preciso dizer que amei, né?

Então eu digo: AMEI!

Eu sei que teve muita gente que ficou revoltada, dizendo que ela deveria ser sincera com ele. Eu também acho, mas vamos analisar a história por outro lado: O Edward deixaria a Bella se envolver nessa história? Todas nós já percebemos o instinto de proteção que ele tem em relação a ela e que ficará cada vez mais acentuado. Vocês acham que ele deixaria a Bella se envolver com Samuel para descobrir algo? De jeito nenhum!

Há três grandes motivos: Primeiro, porque ele tentou ao máximo protegê-la dessa história toda; segundo, ele não confia em Samuel de jeito nenhum! (lógico que o fator "ciúmes" está incluído aí) e o terceiro, ele sente que o Samuel seria o melhor pra Bella (Mesmo que algumas não concordem muito com isso! Ou seriam todas?)

Enfim, é complicado mesmo. O mais legal foi ver algumas concordando, outras discordando... Fiquei muito vyada com tudo isso! *smile* Gosto da diversidade de opiniões!

Mais uma coisinha: A linda da Priscila Siqueira (obrigada, flor!) está fazendo um tumblr lindo pra nossa "Money Honey". Lá vou colocar fotos, fofurices, links, tudo o que me inspira a escrever esses capítulos loucos! Vai ficar mais visual também e deixar tudo por aqui mais arrumadinho.

Ainda estamos arrumando por lá... Vou colocar as imagens da roupa da Bella, do local do desfile e tudo o que envolver esse capítulo, os anteriores e os próximos!

O endereço é este aqui: moneyhoneyfanfic(ponto)tumblr(ponto)com (Só trocar a palavra ponto pelo símbolo correspondente)

Aguardo vocês por lá!

Vamos deixar de blá-blá-blá e partir para o que é bom! Música linda para esse capítulo e propostinha mais do que indecente feat recadinho fofo no final!

Just Enjoy, juizetes! ;)

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CAPÍTULO 17 – Tão perto e tão longe.

"Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve..." (Cecília Meireles)

BELLA POV

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Senti meu coração falhar por alguns instantes. Ver os olhos de Edward em mim e sentir a sua decepção era mais do que eu podia suportar; era angustiante, sufocante. E eu daria qualquer coisa para sair daquele cenário que eu concordara.

E, por alguns segundos, sentindo seus olhos arderem em mim, sem a coragem necessária para encará-los, pensei em contar a ele toda a verdade. Falar sobre o meu plano, o pai de Samuel e o que ele me dissera; destruir o muro que eu havia construído entre nós por mentiras e dúvidas. Implorar pelo seu perdão e insistir no meu arrependimento.

Mas meus pensamentos foram dissipados quando finalmente senti seus olhos penetrantes nos meus. E ali eu senti que algo havia mudado. E que Edward talvez não fosse mais o mesmo.

Senti que havíamos voltado ao início, quando ele não confiava em mim.

O que mais doía era saber que havia diferença: em outrora, Edward não confiara em mim porque não me conhecia. Agora, ele não confiava porque eu havia traído a confiança dele.

E talvez não a recuperasse nunca mais.

- O que estão fazendo aqui? – Sua voz era fria, dura. Seu rosto era impassível, enquanto os seus olhos diziam outra coisa. – Pensei que respeitasse a minha casa, Samuel. Mas vi que estava completamente enganado. – Ele me encarou. – Muito enganado.

- Boa Noite, Edward. – Samuel se levantou e estendeu a mão. Edward a encarou e não se mexeu. – Eu respeito a sua casa. E muito. Eu iria falar com você a qualquer momento.

- Falar sobre o quê? – Edward cruzou os braços na altura do peito. A blusa branca realçava os seus músculos. – Sobre a sua incompetência em relação ao caso do meu pai?

- Incompetência? – Samuel o fitou atordoado. – Do que você está falando?

- Sobre o cara que prenderam. O tal de Alec Barker. - Edward adotou uma postura rígida e muito séria. Totalmente profissional. Eu ainda não tinha o visto assim. – Eu me admiro muito que não saiba das últimas informações. E que não esteja realmente preocupado com a solução do caso; afinal, o seu último trabalho como advogado do meu pai depende disso. - Ele o encarou furioso.

- Eu me mantenho informado, Edward. Mas ao contrário de você, acredito na eficiência da polícia. – Samuel se aproximou. – Eu entendo a sua frustração e raiva, mas temos que esperar. E só isso que nos resta.

- Você está completamente enganado. Mais uma vez. – Edward diminui a distância entre eles. – Eu vou procurar as respostas enquanto você se preocupa em vir a minha casa e se divertir às nossas custas. – Edward estava ignorando completamente a minha presença.

- Edward, eu... – Me levantei para falar qualquer coisa que dissipasse a tensão e desse um fim àquela conversa. – Foi minha culpa. Eu chamei Samuel aqui.

- Não, a culpa foi minha. – Samuel pegou a minha mão e eu senti a minha pele arder; provavelmente Edward nos encarava. – Eu nunca iria me divertir com Bella. Não mesmo. – Samuel sorriu pra mim.

- Eu – eu... – Eu estava zonza por tudo que estava acontecendo e só tinha uma saída pra mim: sair correndo dali. Ou ficar e sustentar a mentira. Tentei reformular as palavras, mas elas mal saíram da minha boca.

- Já está ficando tarde. – Eu não reparara que Samuel já havia soltado a minha mão. – Vou embora e amanhã conversaremos sobre isso. – Ele encarou Edward. – Nós também.

- Eu não tenho nada pra conversar com você, além dos interesses da minha família. – Eu estava surpresa diante da passividade de Edward. – Compareça às oito da manhã no tribunal. Conversaremos na minha sala.

- Eu estarei lá, com certeza. – Samuel estava visivelmente consternado, tanto quanto eu.

E, sem qualquer aviso prévio, ele beijou o meu rosto. Um beijo suave e lento o bastante para sentir a minha pele queimar onde ele depositara os lábios.

- Amanhã eu ligo pra você. – Ele sussurrou pra mim. – Boa Noite.

E saiu, passando por Edward. Os dois se encararam por alguns segundos, com Samuel desviando o olhar logo em seguida, enquanto Edward sustentava o dele.

Ele mantinha um ar superior, como se nada tivesse acontecido, como se não houvesse nada para abalar a sua estrutura emocional.

Fiquei por um tempo parada, abraçando o meu corpo, sem coragem para sair dali e tomar uma atitude. Edward olhou para o céu e em seguida, me encarou. Nada havia mudado em seu olhar, nem com a ausência de Samuel.

Música: Come Close (Acoustic) - Saosin

"Come close, and I will carry you - "Venha para perto e eu vou levar você

Come close, in my arms" - Venha para perto, nos meus braços."

Mas ainda havia algo lá. Eu ainda não podia identificar certamente o que era, mas havia algo... Bom? Por trás do ressentimento, da mágoa, da raiva e da frustração, eu ainda sentia um calor emanar da sua pele e vir para a minha... O seu cheiro me inebriando, me envolvendo de certa forma que, por mais que eu tivesse força e coragem para sair dali, eu não conseguia nem sequer arrastar os meus pés.

Eu queria falar alguma coisa, qualquer coisa; precisava quebrar aquele silêncio, antes que ele fosse rompido por mim beijando-o furiosamente, deixando para trás tudo o que pensei, constatei e fingi.

Sem aviso, a memória indesejada da nossa última noite juntos, antes que tudo desabasse, voltou à minha mente. Automaticamente, tentei bloqueá-la. O problema era que eu queria me lembrar. Precisava de algum jeito de manter Edward por perto. Baixando a guarda, deixei vir a sensação da sua boca na minha, seus dedos passeando pelo meu rosto, como se desejassem gravar cada detalhe do meu rosto, seu corpo quente e sólido encostado em mim, como se quisesse se unir de qualquer jeito ao meu corpo e ...

- Bella? – Edward me encarava curioso. – Você disse alguma coisa? – Saí do transe imediatamente.

- Eu? – Falei mais alto do que intencionava. – Não! Só estou me lembrando de algumas coisas... – Sussurrei

- Certo. – Tive a impressão de que ele tentava conter algum sorriso. - Alice estava procurando por você.

- Estava? – Levantei rapidamente e senti a tontura me invadindo. Desequilibrei nos meus próprios pés e estava prestes a cair quando senti mãos firmes em mim.

Tentei voltar ao banco inutilmente, pois nesse momento Edward já me segurava. E eu não conseguia sair do seu enlaço.

E o pior, eu não queria.

Aonde isso tudo chegaria, meu Deus?

- Você está bem? – Edward exigiu saber. O vento chiava por trás dele, chicoteando os galhos da árvore.

- Estou. – Gaguejei com o coração ainda paralisado pela surpresa do seu toque.

- Tem certeza? – Repetiu ele, não parecendo nem um pouco convencido. – Ainda sim, prefiro que vá logo para o seu quarto. Descanse e, se sentir qualquer coisa, não hesite em chamar por Alice.

- Mas, Edward, eu... – Tentei retrucar inutilmente, pois ele não me deixou nem terminar a frase.

- Entre agora. – Ele puxou o meu corpo para mais perto do seu, sem afrouxar a sua mão do meu braço. – Senão serei obrigado a carregá-la à força... – Edward baixou o olhar para o chão e quando voltou a me olhar, seus olhos transbordavam algo como... dor? – E com certeza não poderei responder por mim. E nem por você.

Suas palavras trouxeram um choque ao meu corpo que, instantaneamente, me soltei dele. O que ele pretendia? Obrigar-me a ficar com ele? Ver a minha derrota quando eu confessasse que nada havia mudado, que sua presença ainda me afetava, assim como seus olhos, seu toque e a sua boca? Ele queria me humilhar, mostrando que eu era uma fraca; que tudo o que eu fizera tinha sido inútil e desnecessário para nós?

Minha cabeça girava e só tinha uma certeza: eu precisava friccionar as minhas pernas para conseguir um tipo de alívio. Qualquer alívio, pela salvação da minha alma.

Eu já estava condenada ao inferno, porque ter pensamentos impróprios com o meu meio irmão já me dava uma passagem de ida, sem direto a estorno ou arrependimento.

Senti minha umidade aumentar e sabia que meu coração palpitava devido a minha excitação.

Minhas mãos suavam.

Em questões de segundos, Edward descobriria tudo.

Então, antes que as minhas emoções fluíssem e falassem por mim, eu me soltei. Cambaleante, consegui me afastar o suficiente para não sentir o seu perfume e me sentir confusa ou desesperada. Estava longe o bastante para pensar coerentemente. Por enquanto.

- Eu vou me cuidar. – Tentei agir naturalmente. Em vão. – Você está bem? – Perguntei, sabendo que ele havia bebido. Dava para sentir o cheiro de vodca barata.

- Você tem alguma coisa a ver com isso? – Seu olhar mudara, voltando ao modo impassível e frio. – Não se preocupe comigo. Perca o seu tempo com coisas mais... Interessantes. – Ele cruzou os braços e me estudou.

- Não precisa ser desse jeito... – Sussurrei, tentando voltar a um ponto que eu sabia que não daria em nada. -... Nós podemos ser amigos e...

- Amigos? - Edward baixou o olhar para o chão e apertou a ponte do nariz. Dava para perceber que ele estava reunindo toda a paciência que tinha. – Seremos muito mais do que isso.

- Seremos? – Um calafrio me atravessou. – Obrigada, Edward, eu...

- Nós seremos irmãos. – Ele fez um gesto de descaso. – Estou quase acreditando que você seja mesmo a minha irmã, Isabella Cullen.

- Não me chame assim. – Não consegui olhar para ele. Ergui o queixo e mirei na árvore, atrás do seu ombro. – Eu sou Isabella Swan.

- Por pouco tempo. – Ele me fitava. – O que você disse era verdade. Não vivemos sozinhos, numa bolha. Existem pessoas que seriam magoadas... Pessoas que nos amam, nos apoiam e que não merecem esse tipo de traição... – Eu sabia que ele falava dos irmãos; ele se aproximara bastante deles. – Se nos permitimos sentir o que quisermos sentir, estaríamos sendo egoístas... Estaríamos sendo como Carlisle. É a última coisa que quero é ser comparado a ele.

A pronúncia do nome do grande responsável pela dor que eu sentia foi definitiva. Tão definitiva que foi como se uma porta tivesse sido fechada diante de mim.

- Vou ser apenas seu irmão de agora em diante. – Edward me falou calmamente, os olhos transbordantes de súplica, como se quisessem o meu aval. – Era o que você queria, não era? – Sua voz era urgente. E a minha resposta seria derradeira para tudo o que vivemos.

Em uma fração de segundo, perguntei a mim mesma se ele estava fazendo isso para me magoar, mas não era o que parecia... Ele estava assustadoramente calmo, depois de tudo o que havia acontecido. O esforço dele para me tratar de forma natural era evidente e eu não podia castigá-lo por tentar fazer o certo. Eu havia pedido por isso, certo? Como agora poderia ficar brava ou magoada?

Eu finalmente havia conseguido o que queria.

Enfiei as minhas unhas na palma da minha mão, lutando para me concentrar na dor física e não na emocional, naquela que parecia me destroçar internamente. Fiquei desse jeito, entorpecida, tentando manter o controle das lágrimas que ameaçavam acabar com qualquer aparência serena que eu sustentara até aquele momento.

- Era. – Queria gritar para que ele se retratasse e dissesse que tudo não passava de uma brincadeira de péssimo gosto. De uma mentira. De um engano. – Era isso que eu queria. – A minha voz soava como um eco distante e superficial.

- Que bom. – Edward sorriu pela primeira vez naquela noite. – Bom, vou indo. Tente Descansar. Avisarei a Alice que está aqui.

- Obrigada. – Sussurrei, forçando para que a minha voz saísse um pouco mais convincente.

Assim que Edward virou-se, caminhei entorpecida à direção contrária. Minha visão ficou borrada pelas lágrimas quentes que desciam. Fechei os olhos, desejando que ele voltasse.

Queria ele comigo.

Queria que ele me apertasse contra o corpo dele e me beijasse até dissipar qualquer dor e rejeição que me matava por dentro, lentamente. Mas o som dos passos voltando em minha direção nunca chegou.

Fiz o caminho de volta à casa e agradeci por Alice ter esquecido de mim. Tirei meus sapatos e deitei em posição fetal, com as palavras de Edward formando um eco poderoso em minha cabeça.

"Vou ser apenas seu irmão de agora em diante."

Afundei o meu rosto no travesseiro, molhando – o com as minhas lágrimas. Chorei por bastante tempo, até que, mergulhada num estado de entorpecimento, adormeci.

[...]

Na manhã seguinte, assim como nas manhãs que vieram após a minha conversa definitiva com Edward, eu me arrastei para fora da cama. Depois de uma passagem pelo banheiro, que incluía um rápido banho, a aplicação de corretivo MAC para disfarçar as olheiras, borrifada nos cabelos com um spray Sebastian e um treino de sorriso na frente do espelho, fui para a sala de jantar e encontrei Alice já sentada à mesa.

Segurava nas mãos uma xícara de café, o cabelo estava cuidadosamente preso num rabo de cavalo. Olhando por cima dos óculos, ela sorriu.

- Bom dia.

Deslizei na cadeira à sua frente e despejei um pouco de café na minha xícara. Enquanto eu tomava o líquido que inundava a minha garganta com o seu sabor familiar, Alice falava sobre o desfile.

- Bella, está me ouvindo? – Levantei os olhos que encaravam um prato que estava à minha frente. – Você não me ouviu pelos últimos cinco minutos.

- Me desculpe. – Corrigi minha postura e afirmei. – Já tomei todas as providências necessárias... Só não consegui confirmar se Marc virá ou não.

- Ele não virá. – Os olhos de Alice perderam o viço de antes. – Parece que os seus negócios na França são mais importantes do que eu.

- Alice... – Resolvi sair do meu estado de egoísmo permanente e me sentei ao seu lado. -... Marc ficou para cuidar dos negócios de vocês dois. – Fiz um carinho em seu rosto. - E além do mais, ainda não chegou o dia do desfile. Quem sabe ele não aparece na última hora?

- Duvido. – Ela me respondeu com a voz chorosa. – Se ele viesse, me avisaria. Mas me deu a certeza de que não poderá comparecer... – Ela passou a mão nos olhos afastando possíveis lágrimas. – Tudo bem! Jasper me fará companhia e...

- Calma aí! – Levantei a mão em sua direção. – E o que o Marc vai achar disso tudo, hein? – Ela me olhou de soslaio. – Ele não conhece o Jazz e provavelmente ficará morto de ciúmes! Sem contar que a imprensa fará disso uma fofoca e...

- Pouco me importo. – Ela fez um gesto de descaso, tal como Edward. Qual era o problema daquela família? - E Jasper é só um amigo. Um amigo querido. – Revirei os olhos porque eu sabia das verdadeiras intenções do meu amigo. – E ele já topou me acompanhar. Nem morta chegarei sozinha a esse evento.

- E Edward? – Meu coração palpitou quando meus lábios moveram-se pronunciando o nome dele. – Ele poderia ir com você, que tal? – Queria fazê-la mudar de ideia.

- Edward não vai. – Os olhos de Alice brilharam em frustração. – Ele vai trabalhar até tarde. Emmett irá com Rose e Mike tem uma cirurgia marcada. Não tenho outra escolha.

- E Samuel? – Falei alto demais. – Você poderia ir com ele!

- Ele é seu par, bobinha! – Alice bateu em meu queixo. – Ou você pensa que eu não sei que estavam juntos ontem à noite, hein?

Meu estômago se revirou e eu engoli a seco; sabia que Alice aguardava algum pronunciamento.

- Não precisava falar sobre isso, se não quiser... – Alice me abraçou. – Fico feliz que tenha encontrado alguém à sua altura, Bella. Gosto muito de Samuel. Aliás, todos nós gostamos. – Ela se afastou e me encarou. – Se papai estivesse vivo, ficaria feliz com a sua escolha.

Por algum motivo que eu ainda desconhecia ou não queria encarar, eu senti meus olhos arderem como se tivessem sido atingidos por uma rajada de areia ou sal. Abracei Alice novamente para disfarçar.

Porque eu sentia ânsia só em pensar em Carlisle como pai, por mais que ele tivesse colocado Alice e Edward no mundo.

E a mim.

Abracei a minha irmã fortemente e me permiti sentir o amor de quem eu sabia que era verdadeiro naquela casa.

[...]

O resto da semana passou num piscar de olhos e, quando menos desejei, já estávamos no final de semana.

Na véspera do desfile da marca "Mary Alice".

Samuel me procurou no dia seguinte ao nosso encontro, mas só fez perguntas triviais. E eu sentia que, em breve, ele me faria a famosa pergunta.

E eu já sentia um mal estar por isso.

Ele não quis me contar a conversa que teve com Edward e eu me convenci que ele não falaria nada naquele momento; mas que talvez ele falasse no desfile ou na after party.

Porque eu o convenceria a falar. De um jeito ou de outro.

Eu ensaiava Maggie exaustivamente até Alice aprovar cada passo, cada gesto.

Então, recebi meu último pagamento pela aula. E ele já tinha destino certo.

- Estou tão nervosa, Bella... – Maggie enxugava o rosto. -... Eu não sou tão boa quanto você, tenho a impressão que farei tudo errado!

- Não, você não fará! – Segurei firmemente o seu ombro. – Nós ensaiamos muito e honestamente, fiz um bom trabalho. – Eu sabia que, na arte da pole dance, eu era muito boa. – Você vai se sair bem. Eu garanto. – Olhei diretamente em seus olhos verdes.

- Tudo bem. – Ela sorriu, hesitante. – Estarei no museu às três horas da tarde.

- Chegue mais cedo, assim nós poderemos ensaiar por lá também. – Amarrei meu cabelo num coque frouxo. – E você ainda tem que experimentar a roupa, fazer o cabelo e a maquiagem... Quero que tudo esteja na perfeita ordem. – Ela assentiu. - Chegue às duas.

- Okay. – Ela pegou a mochila preta que estava jogada num canto. – Tchau, Bella.

- Até amanhã! – Gritei enquanto ela se dirigia à porta.

Voltei ao escritório e conferi se o buffet estava de acordo com que Alice havia encomendado. Depois de checar a lista de convidados, lista da imprensa e dos patrocinadores, que faziam parte da Cullen Enterprise, decidi que estava na hora de relaxar para o dia seguinte.

Afinal, se algo desse errado, Alice seria capaz de engolir o meu fígado.

Ou cortá-lo em pedacinhos e servi-lo como patê, com tomates assados, azeite e alho.

Deitei e, antes que começasse a pensar em Edward, tomei um antialérgico. Eu tinha rinite alérgica; há algum tempo não tinha uma crise. Mas tinha o remédio para qualquer eventualidade.

E o remédio baixava bruscamente a minha pressão... Perfeito para quem não queria sonhar, pensar ou desejar, como eu. Ele me derrotaria fácil, fácil, sem direito a segundo round.

Eu queria me prevenir... Afinal, eu tinha crises também quando o meu emocional estava demasiadamente abalado para que o meu corpo reagisse a qualquer coisa.

Logo constatei que estava abalada. E que poderia ter uma crise.

Antes que meu cérebro gritasse que eu estava ficando louca, engoli o pequeno comprimido e, em questões de minutos, ele fez o efeito desejado.

[...]

- Bella? – Alguém segurava o meu braço. - Bella?

- Edward... – Eu sentia o toque reconfortante da sua mão mesmo de olhos fechados. – O que você está fazendo aqui? – Sussurrei.

- Não é o Edward, mas obrigado pela comparação! – Me assustei com o tom brincalhão da voz e abri os olhos. – Você não vai ao desfile?

- Que horas são? – Pulei da cama, pegando a primeira calça que estava na minha frente. – Alice vai me matar!

- Não antes de matar uns dez! - Jazz sentou no sofá.

Enquanto Jazz brincava, eu colocava uma regata básica e prendia os meus cabelos. Depois de alguns segundos, eu percebi que havia ficado de calcinha e sutiã na frente dele.

– Ai meu Deus!

- O que foi? – Ele me perguntou assustado.

- Eu não acredito que troquei de roupa na sua frente... – Tampei o meu rosto visivelmente envergonhado e rubro. -... Intimidade é uma merda! – Esbravejei.

- Intimidade é uma glória! – Ele levantou os braços e eu mandei língua pra ele. – Permite que nós vejamos amigas gostosas em trajes mínimos!

- Babaca! – Ele sorriu e piscou pra mim. - Vamos?

- Claro! – Ele abriu a porta e eu passei. – Alice já deve ter matados uns quinze desde que eu a deixei no museu... Na última vez, eu havia contabilizado cinco mortos.

- Cinco? – Ele confirmou com a cabeça. – Até o fim dessa noite, não sobrará ninguém. Nem eu e nem você.

- Disso tenho certeza! – Nós rimos e saímos de Rose Hill.

No caminho, compramos dois cafés no Starbucks, depois de ter desistido de levar mais um para Alice.

Se a minha pequena irmã com jeito de fada já estava nervosa sem café, imagina com a cafeína rolando solta pelo seu organismo?

Nós não queríamos correr nenhum risco.

Acelerei o carro, passando pelo trânsito da Michigan Avenue. O Museum of Contemporary Art Chicago ficava no centro, mais precisamente na 220 East Chicago Avenue.

No coração de Chicago.

Assim que estacionei, visualizei a grande escadaria de uma das maiores instalações dos EUA dedicado à arte do nosso tempo.

As janelas, assim como as portas, eram de vidro espelhado. O reflexo da cidade ficava ainda mais majestoso diante daquele grande prédio que datava de 1945.

Subi as escadas rapidamente, com Jasper ao meu encalço. Do lado de fora, ainda era possível ouvir a voz de Alice em meio ao som da arrumação do desfile.

Mary Alice Cullen Renaud havia escolhido muito bem. O lugar era particularmente de bom gosto, com trabalhos e idéias de artistas vivos, que casariam perfeitamente com a proposta que ela queria apresentar ao público.

Pelo o que eu tinha ouvido e pesquisado, o MCA era um centro inovador e atraente de arte contemporânea.

E inovador e atraente eram palavras que traduziam a criação da marca "Mary Alice".

Eu havia bisbilhotado algumas peças e estava totalmente encantada com tudo.

- Bella! – Alice me gritou assim que pus os pés na porta principal do museu. – Onde você estava? - Ouvi a sua pergunta enquanto olhava uma escultura.

- Estava resolvendo algumas pendências no ateliê. – Olhei cúmplice para Jasper. – Trouxe isso. – Entreguei um copo de Iced Caramel Macchiato para ela. – Vou cuidar de tudo agora. Descanse um pouco.

- Err... Obrigada. – Ela tomou um longo gole, sujando a boca com a calda de caramelo. – Era tudo o que eu precisava. – Ela tomou mais um gole.

- Eu sei. – Sorri pra ela. – Vou ver como estão arrumando as cadeiras. – Olhei para Jasper. – E você, vai voltar à Rose Hill?

- De jeito algum. – Ele sentou-se ao lado de Alice. – Vou ficar... Se Alice precisar de mim e...

- Já sei! – Bufei irritada, sabendo que não havia remédio que curasse a paixão platônica do meu amigo. – Vou lá dentro e já volto.

Ajudei os montadores com o palco, vi a iluminação e o som; consegui colocar as lingeries em seus respectivos lugares, junto com as fotos das modelos trajando cada peça.

A coleção de Alice estava inspirada na mulher contemporânea que, apesar de toda a revolução feminina e da sua liberdade, ainda queriam ser sensuais, mesmo que discretamente.

A criação de Alice se propôs a prestar uma homenagem ao bustiê eternizado por Madonna nos anos 90. Com uma aparente diferença já que aquele era um modelo ultra sexy, enquanto que o modelo de Alice tinha ares românticos.

Eram peças de rendas e babados de tule numa combinação pra lá de harmoniosa de sensualidade e elegância francesa.

As cores eram bem definidas. Ora preto, ora nude e outras vezes preto com nude.

Peguei uma peça delicada entre os dedos – era um corselete de renda preta, com alguns detalhes em tom nude – e fiquei imaginando se eu conseguiria usar aquilo. E para quem eu usaria.

Meu coração bateu acelerado, indicando que eu ainda vivia.

E que eu só poderia usar aquela peça para uma única pessoa.

O meu coração estava inquieto ao imaginar a reação dele.

- Bella? – Coloquei o corselete em seu lugar. – Acho que já podemos ir.

- Tudo bem. – Disfarcei, tirando algum fio invisível da minha blusa. – Maggie já chegou?

- Não. – Alice me fitou preocupada. – Por quê?

- Eu marquei com ela às duas. – Olhei o relógio que adornava o meu pulso. – Acho que está um pouco atrasada.

- Um pouco? – Alice inspirou lentamente tentando se acalmar. – Vamos fazer o seguinte: Você vai para casa se arrumar e vou entrar em contato com ela. – Alice pegou o celular que estava em sua bolsa. – Na verdade, vou dizer a ela para arrastar o seu traseiro magro pra cá. Agora. – Alice discou o número e eu percebi o quanto ela se parecia com Edward.

Depois de alguns segundos, ela fechou o celular com violência.

- Eu posso ir até lá, se você quiser. – Me aproximei. – Não deve ser muito longe daqui...

- Então você vai. – Alice andava de um lado para o outro. – Vou para casa me arrumar e volto. Preciso conferir tudo antes que o desfile comece.

- Okay. – Sorri, tentando amenizar a tensão. – A barra e o biombo estão prontos?

- A barra, sim. Mas o biombo... – Alice passou a mão nos longos cabelos. – Eu desisti dele. Maggie dançará para todos verem. Usando um corset que desenhei especialmente para esse desfile, calcinha, meias 7/8 e uma máscara linda que eu trouxe de Paris... – Os olhos de Alice brilhavam.

- Mas você disse que ela ficaria atrás de um biombo! – Imaginei o desespero da menina ao saber que não ficaria "tão" escondida. – Como você pode mudar de ideia tão fácil, Allie? O que vou falar com Maggie?

- Bellinha, ela vai aceitar... – Alice me deu um sorriso esperançoso. – Afinal, ela foi bem paga pra isso. Ela não vai desistir agora.

- Tudo bem. – Fechei os olhos, tentando resgatar alguma paciência que sobrara. – Vou e espero voltar com ela.

- Você voltará. – Alice deu um tapinha em meu ombro e saiu.

[...]

Não consegui encontrar Maggie. Nem em seu endereço e nem pelo telefone.

E eu teria que dar logo a notícia a Alice.

Eu estava ferrada. Literalmente.

- Alice! – Voltei à Rose Hill para falar com ela. – Alice! – Gritei ainda mais alto.

- Estou aqui. – Ela estava dentro da sua suíte. – Vou esperar você se arrumar... Deixou Maggie por lá?

- Maggie não vai mais dançar. – Baixei o olhar e, logo em seguida, ergui o queixo. – Eu não consegui encontrá-la.

- O quê? – Alice estava visivelmente atônita. – Ela não vai mais... – Ela sentou-se na cama. -... O que eu vou fazer? Meu desfile vai ser um fracasso!

Alice se jogou na cama e começou a chorar.

- Eu sinto muito, Allie. – Fiz um carinho em suas costas. – Tentei encontrar Maggie de qualquer jeito, mas não consegui. – Ela olhou para mim com os olhos vermelhos. – O atraso já era um indício de que ela não apareceria... Deve ter surtado, eu acho.

- Eu vou matar aquela vadia agora! – Alice levantou rapidamente, furiosa. – Quem ela pensa que é? Eu sou Mary Alice Cullen Renaud! Ela não pode fazer isso comigo!

- Mas fez. – Eu me afastei da sua fúria. – Temos que pensar em outra estratégia e... – Alice me fitava quieta.

Parei por alguns instantes porque conhecia aquele olhar.

O olhar de súplica, de alguém que precisava ser retirado do enforcamento naquele instante.

- O que você está pensando? – Perguntei ingenuamente.

- Que você poderia dançar pra mim... – Passei a mão no rosto, atordoada com toda aquela situação. – Eu preciso de você, Bella!

- Mas eu nunca dancei assim! – Ela me olhou confusa. – Eu nunca dancei num evento desses!

- Sempre tem a primeira vez! – Eu bufei, cansada. – E além do mais, só você conhece os passos, o ritmo da música... Tudo! – Alice segurou a minha mão. – E você ganhará um bom dinheiro no final da apresentação.

- Não é isso, é só que... – Lembrei-me da voz rouca de Edward dizendo que eu nunca dançaria daquele jeito para outras pessoas. Só pra ele. –... Eu não vou conseguir dançar. Sinto muito.

- Bella. – Alice segurou a minha mão fortemente. – Eu não estaria fazendo esse pedido se houvesse outra saída. – Ela me olhou carinhosamente. – Por favor, eu preciso de você. E serei eternamente grata se você passar por cima da sua timidez e de tudo que a esteja impedindo...

- Tudo bem, Alice. – Sorri e seus olhos se iluminaram. – Eu danço pela "Mary Alice"!

- Obrigada, Bella! – Alice me abraçou fortemente. – Eu não poderia ter uma irmã melhor! – Senti suas lágrimas molharem os meus ombros.

Alice separou a roupa que eu usaria na after party do desfile; ela fazia questão de escolher algo do seu incrível guarda-roupa pra mim.

Mas eu não pude ver. Coisas de Alice.

Peguei um par de sandálias que havia guardado para evento.

Coloquei tudo dentro de uma pequena mala que havia ganhado de presente.

Tomei um banho demorado, sabendo que seria arrumada no museu. Lá eu teria uma maquiadora, manicure e cabelereiro à minha disposição.

Obviamente não surtei tanto quando visualizei minha aparência no espelho do banheiro.

Coloquei um jeans folgado, camiseta e uma sapatilha confortável. Eu estava bem comportada diante da peça íntima que estava prestes a trajar e dançar na barra de pole dance.

Minhas mãos suavam.

- Alice? – Nós estávamos entrando no museu. – Quem virá? - Eu estava ouvindo alguns burburinhos.

- Você quer saber dos nossos irmãos? – Assenti. – Só Emmett. Talvez Mike passe por aqui, mas ainda não é certo. – Ela me fitou. – Por quê?

- Pensei que Edward quisesse vir... – Sussurrei.

- Não, ele vai trabalhar até tarde. – Alice entregou o meu vestido a alguém. – Achei estranho o fato dele não querer vir, até porque Edward é um dos solteiros mais cobiçados de Chicago e é um desfile de peças íntimas... Realmente é algo que ele curte. Só não entendi o seu súbito interesse por um trabalho sábado à noite. - Alice cumprimentou alguém.

- Ele está se empenhando no caso. – Não dei mais detalhes, sabendo da aversão de Alice por esse assunto.

- Nem me fale. – Ela sorriu para algum convidado que chegara cedo demais. – Fico com medo dele se tornar obsessivo.

- Obsessivo? – O tom da minha voz sugeria preocupação. – Ele sabe onde está pisando. – A encarei. – Não sabe?

- O pior é que ele não sabe. – Alice parou de andar e olhou pra mim. – Bella, Edward sofreu muito.

- Eu sei. A morte de Tanya. – Comentei, lembrando-me do dia em que eu o presenciara chamando por ela.

- Ele contou a você? – Como não respondi, ela continuou. – Não é só pela Tanya... – Ela olhou para os lados antes de falar. – Edward acha que foi queima de arquivo. Acha que o assalto foi só uma desculpa... – Alice tomou fôlego. – Edward acha que o alvo era ele. E que Frank Sloane foi mandante do crime. O segundo mandante. – Alice soltou o ar que prendera sem perceber.

- Frank Sloane? – A minha voz subiu uma oitava. – O pai de Samuel?

- Ele mesmo. – Alice depositou a sua bolsa em cima de uma mesa. – Ele era o cara que meu pai mais confiava... Era ele que colocava a mão na merda, literalmente.

- Como? – A história era mais suja do que eu pensava. – Mas o pai do Samuel não foi prejudicado pelo seu pai?

- Foi. Mas isso só aconteceu depois... – Alice sussurrou. – Depois do assassinato de Tanya. Antes disso, eram cúmplices.

- Então o Sr. Sloane tentou matar Edward a mando do seu pai? – Eu estava tentando encaixar o enorme quebra cabeça que formara em minha mente. – O seu pai mandou matar o próprio filho?

- Isso é o que Edward acha. – Alice levantou os ombros. – Meu pai não tinha nada a ver com essa história. A única certeza que eu tenho é que o Sr. Sloane estava envolvido nisso até os dentes.

- Envolvido em quê? – Eu estava absorta em pensamentos e eu podia sentir algumas peças se encaixando em minha cabeça.

- Em tráfico de drogas. Prostituição infantil. Lavagem de dinheiro... – Alice começou a enumerar e por mim passava um turbilhão de sentimentos: Nojo, medo, compaixão, raiva... – É tanta podridão que Edward nunca quis dividir isso com a gente. Só falou alguma coisa depois que eu o pressionei muito.

- Meu Deus... – Coloquei a mão em forma de concha na boca. – Nem sei o que pensar!

- É melhor não pensar em nada mesmo. – Alice fez um carinho em meu ombro. – Só achava justo você saber, afinal, você também é uma Cullen. – Ela virou para dar ordens a alguém.

- Alice? – Ela virou e me encarou. – Você sabe o que aconteceu ao Sr. Sloane?

- As drogas pesadas acabaram com ele. – Alice disse com pesar. – Meu pai também era usuário, mas não chegou ao fundo do poço como o Sr. Sloane chegou... Ele parou antes que fosse tarde. – Alice saiu sem olhar para trás.

Por isso ele era doente daquele jeito... As drogas haviam acabado com ele?

Por um momento, imaginei como ele teria sido... Será que Samuel se parecia com ele quando jovem?

Algo dentro de mim gritava que sim.

[...]

Eu estava com um roupão de cetim preto. Fiquei colocando o tecido liso entre os dedos enquanto sentia algumas mãos em meu cabelo.

- Você poderia cortar esse cabelo, hein? – O cabelereiro atrás de mim sussurrou. – Você ficaria linda num corte chanel.

- Talvez um dia. Quem sabe. – Estremeci me lembrando de Edward dizendo que gostava dos meus fios longos. – Não se atreva a tirar um milímetro!

- Tudo bem! – Ele levantou as mãos em sinal de rendição. - A mademoiselle Renaud já me passou o que quer... – Vi seus olhos brilharem através do espelho que estava em minha frente.

Um arrepio percorreu a minha espinha.

Vi ele erguer a tesoura e de repente, começar a repicar o meu cabelo... O que ele estava fazendo? Fiquei parada, com medo de que ele cortasse mais do que o necessário.

Já estava pronta para fazer um escândalo, quando ele me virou, pegou a minha franja e a desfiou.

E eu fiquei lá, parada. A minha cabeça fervilhava de raiva.

- Eu disse que não queria que você cortasse o meu cabelo... – Senti os meus olhos arderem. – Você é maluco? – Aumentei o meu tom de voz. – Eu vou processar você!

- Espere e verá. – Ele respondeu e eu tive vontade de socá-lo.

Como os meus fios estavam úmidos, eu não tinha a noção exata do jeito que o meu cabelo ficara.

Depois de um spray, eles foram escovados e enrolados em bobes de velcro. E eu não parava de tremer na cadeira.

De raiva. E depois, de medo.

- Pronto, baby! – O tal cabelereiro me virou e indicou para que eu me levantasse. – Vá fazer a sua maquiagem antes que sua pele derreta de ódio por mim. – Ele me encarou e eu o olhei como se ele fosse uma aberração.

De uma coisa eu tinha certeza: Depois do desfile, eu acabaria com Alice.

- Olá. – Uma loira simpática segurou a cadeira para que eu me sentasse. - Becca?

- Bella. – Revirei os olhos de irritação. – Be – lla. - Soletrei

- Tudo bem, Bella. – Ela enfatizou o meu nome. – Relaxe, que você só sairá daqui mais perfeita do que já é! – Não pude deixar de sorrir com o elogio.

Fechei os olhos e deixei que ela fizesse o serviço, só abrindo-os quando era necessário.

Depois de alguns minutos, ela me virou na direção do espelho.

- Prontinho, Becca. – Abri os olhos e nem me importei com o erro do meu nome. – Você está perfeita!

Pisquei algumas vezes até ter a certeza de que era a minha imagem refletida ali.

Minha pele estava naturalmente uniforme; as maçãs do meu rosto estavam destacadas por um blush terracota. Os meus olhos estavam com uma sombra verde num efeito degradê. Rente aos cílios, ela esfumaçou um lápis marrom; eu estava de cílios postiços, ainda realçados por alguma máscara.

Os meus lábios receberam Juicy Tubes 33, da Lâncome. Esse era o único produto que eu reconheci entre tantos dentro de uma maleta de maquiagem.

- Bella... – Alice estava me chamando. – Bellinha! – Ela gritou quando me viu. – Blush da Guerlain? – Apontou para o meu rosto.

- Exatamente. – A loira que me maquiara estava sorrindo satisfeita, respondendo a Alice. – A mademoiselle reconhece tudo.

- Obviamente. – Alice fez um gesto de pouco caso. – Você está perfeita, Bella!

- E você pediu ao cabelereiro que cortasse o meu cabelo sem a minha permissão? – Alice deu de ombros. – A minha opinião não importa pra você?

- Não nesse caso. – Eu a olhei incrédula. – Se não fosse assim, duvidaria que aceitasse cortar... – Ela sussurrou. – E cá entre nós: Seu cabelo já estava ficando poroso, cheio de pontas duplas. Inaceitável para uma Cullen. – Ela olhou para o meu cabelo enrolado. – Agora ele ficará perfeito!

- Tudo bem... – Suspirei cansada. – O que eu faço agora?

- Vou ajudar você a colocar o corset dress*, as meias e os sapatos. – Os olhos de Alice brilharam – Você vai ficar maravilhosa!

Troquei de roupa no meio das modelos alvoroçadas; algumas estavam nuas e outras estavam com apenas uma das peças íntimas.

E rapidamente me lembrei da boate que eu dançava em Seattle. Era um pouco parecida com a confusão que rondava ali.

Só que usávamos peças muito menos elegantes e refinadas.

Assim que coloquei a peça principal, me visualizei no grande espelho que estava no meio da sala.

O corset tinha amarrações nas costas e barbatanas metálicas. A peça tinha reduzido a minha cintura espetacularmente, mantendo o meu corpo mais ereto, mas controlando as suas formas naturais.

Eu estava... Elegante.

Sedutoramente elegante.

Coloquei as meias e as prendi devidamente; Alice trouxe um par de sandálias que o salto media, mais ou menos, sete centímetros.

- Está confortável? – Alice perguntou enquanto eu me mexia em frente ao espelho.

- Esse espartilho é lindo... – Perguntei, virando-me e analisando cada forma do meu corpo. – É uma obra-prima.

- É corset dress, Bella. – Olhei para ela de soslaio. – É a mesma coisa, só que é mais chique.

- Tudo bem. Corset. – Falei, fazendo biquinho. – Essas sandálias são minhas?

- Com certeza. – Ela me ajudou a colocar. – Um Louboutin legítimo. Um Ambro Lace Pumps. – Alice se levantou e me encarou.

- Okay. – Virei e me olhei no espelho.

Estava me sentindo radiante, poderosa... Mulher.

E o meu eu, perturbadoramente egoísta, ficou imaginando o que Edward diria se me visse daquele jeito.

Com aquele corset, meias 7/8 e sandálias de salto alto.

Estremeci.

- Nossa, está bem melhor do que ficaria na Maggie... – Alice colocou as mãos em meus ombros e me fitou dos pés a cabeça. -... Muito melhor! – Ela gritou e bateu palminhas.

Voltei ao cabelereiro que ainda me olhava desconfiadamente. Sentei na cadeira e deixei que ele soltasse o meu cabelo.

E foi quando eu tive a grata surpresa, acalmando o meu coração que batia acelerado de pavor.

O meu cabelo estava com um repicado que realçava o meu rosto, emoldurando-o.

Caía em ondas pelas minhas costas; o comprimento permaneceu quase o mesmo, o que me deu um grande alívio.

A franja estava na diagonal e eu ainda não me acostumara com ela. Mas pela cara de Alice, eu havia surpreendido.

- Vamos só passar essa pomadinha mágica... – Ele passou as mãos pelo meu cabelo e o bagunçou ainda mais, criando um ar selvagem e sexy. – Voilà!

- Uau! – Alice colocou a mão na boca. – Magnifique, Jean! – Ela deu um beijo estalado no rosto do homem que mexia em meu cabelo.

- E você? – Ele me encarou com a sobrancelha arqueada. – Ainda quer me matar?

- Talvez eu adie a sua sentença de morte... – Ele e Alice riram. – Obrigada... Ficou lindo. – Passei a mão pelo cabelo que não parecia ser meu.

- De nada. – Ele sorriu debochadamente.

Coloquei a máscara que Alice me entregou.

- Essa máscara fez parte de um editorial da Vogue. - Arrumei o adereço em meu rosto. - Você vai ficar ainda mais sexy! - Ela começou a bater palminhas.

Olhei para o espelho e não estava me reconhecendo ali. Algo dentro de mim queria se libertar; queria dançar e esquecer por alguns segundos quem eu era e o que estava fazendo ali.

Porque quando eu dançava tudo ficava mais fácil. E menos doloroso.

Fiquei nos bastidores, enquanto Alice aguardava o início. Ela estava tão nervosa que não conseguia simplesmente parar ou relaxar.

De longe, eu ouvia as pessoas conversando. Parecia estar lotado.

Ela andava de um lado para o outro, mexendo as mãos freneticamente.

Entreguei um copo d'água a ela.

- Está lotado, Bella. – Ela tomou um gole e me entregou o copo. – Está lotado!

- Eu sei! – Sorri pra ela. – Não era isso que você queria?

- Era, lógico... Mas... – Ela hesitou. – Esse desfile é tão importante pra mim!

- E ele será o primeiro de muitos aqui em Chicago. – Coloquei as mãos em seus ombros. – Alice, você é uma artista. A coleção está maravilhosa e todos beijarão os seus pés. – Ela sorriu. - Você será reverenciada.

- Okay. – Ela inspirou e expirou o ar. – Vou ver como estão as coisas e já volto.

Fiquei alguns minutos parada tentando me concentrar e me lembrando de cada movimento.

Ajeitei novamente a máscara no rosto e contei até dez para me acalmar.

- Bella... – Alice segurou a minha mão. – É a sua vez.

Olhei para ela tentando ver alguma hesitação em seu olhar.

Mas Alice não hesitara. Ela confiava plenamente em mim.

E eu não poderia decepcioná-la.

Andei lentamente até chegar ao início do corredor que trazia o nome "Mary Alice" no alto. Estava escrito de forma simples, porém muito elegante.

Alice deu o sinal atrás de mim e eu ouvi a gravação com alguns gemidos e sussurros invadir o lugar.

Era o início da apresentação.

Fui andando lentamente até chegar a barra de ferro; flashes pipocaram em cima de mim e eu agradeci por estar tão diferente da Bella Swan que eu costumava ser e, ainda por cima, mascarada.

Ninguém me reconheceria.

Por alguns segundos, convenci a mim mesma que não haviam motivos para ficar tão nervosa. Eu não era conhecida no mundo da moda e estava disfarçada.

E o melhor: Edward não estava ali para me atormentar com os seus olhos queimando a minha pele.

Caminhei em volta da barra, deslizando o meu corpo e encostando-me nela.

E a música finalmente começou a tocar.

Música: Justify my love - Madonna

Subi no mesmo instante, deixando extravasar toda a sensualidade que a música e a dança pedia.

Ali eu estava livre.

Ouvi as pessoas aplaudindo, enquanto eu elevava minha perna direita e a descia, girando o meu corpo e subindo, colocando o quadril para cima.

Joguei minha cabeça para trás e subi, apoiando-me na barra.

Desci novamente, agora com as pernas unidas e com o corpo rente a barra de ferro.

Quando voltei a posição inicial, olhei para a platéia que encarava silenciosamente a minha dança.

Pude ver Samuel a alguns metros de mim, longe o bastante para não perceber quem era a mulher por trás daquela máscara e daquele corset.

Virei-me para a barra e curvei o meu corpo para trás, realizando um cambret.

E nesse instante, desisti de fazer o próximo passo.

Ele estava próximo a mim, seus olhos perfuraram os meus, mesmo com uma máscara entre nós. Suas mãos seguravam fortemente a cadeira, deixando os nós dos dedos brancos, indicando a tensão que ele sofria.

Ele sabia quem eu era.

Seus olhos seguiram todo o meu corpo e eu comecei a tremer por dentro.

Seu olhar vagava por cada parte descoberta do meu corpo e o meu coração dava cambalhotas de desejo.

O pensamento racional me abandonou e eu imaginei o que Edward seria capaz de fazer comigo vestida daquele jeito.

Eu queria que ele fosse capaz de fazer muitas coisas. E eu tinha certeza de que ele seria.

O olhar dele transbordava de excitação, enquanto sua língua passeava preguiçosamente por seus lábios; suas mãos foram diretamente à gravata e a afrouxaram.

Edward se ajeitou na cadeira, parecendo desconfortável. Mas em nenhum momento ele desviou o seu olhar de mim.

E eu me mantive nele. Com o coração latejando em meu ouvido, era possível sentir a tensão que dançava entre nós.

E ali tive a certeza de que eu nunca seria livre. Não com ele por perto.

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corset: É um espartilho, corpete justo usado para modelar o corpo, dos seios ao quadril. (Fonte: google)

cambret: Passo realizado na dança em que se inclina o corpo para trás.


N/A: Esclarecendo que a coleção da Alice existe! Foi a coleção assinada por Jean-Paul Gaultier para a marca de lingeries italiana La Perla para o outono/inverno 2011/12. Tudo de muito bom gosto como todo o universo La Perla e Gaultier! *baba*

Quem quer uma lingerie dessa? \o/

No próximo capítulo vou postar algumas criações para a gente sonhar e o corset dress da Bellinha estará disponível no tumblr.

Sou apaixonada por lingeries e a La Perla... Sem comentários! Vi um vídeo de um desfile e fiquei imaginando a nossa Alice criadora de tudo!

Tudo o que foi usado aqui em parte visual será postado no tumblr da fic... O link tá lá em cima!

Não consegui mandar a preview para Chuva Fina, Vitória e Jas. MENINAS, deixem seu email do jeitinho que eu falei! (Tudo separadinho, sem arroba).

Continua a propostinha: Review = Preview do capítulo 18!

Capítulo 18 virá depois do Carna, ok? Aproveitem para pular, brincar e deixar uma review linda pro Juiz!

Bom Carnaval para todas as juizetes, hein? Nos vemos em breve!

Beijos do Juiz!