Em pleno dia dos namorados - que eu vou passar só, mas não tem problema algum : P (sou + eu!) - dedico este capítulo a todos os amantes. A todos que são correspondidos e também aos que não são; aos que vão passar a data juntinho do seu amor e aos que estão sozinhos; aos que acabaram recentemente e aos que estão juntos há muito tempo. Mas dedico principalmente a todos que amam, que já amaram ou que ainda vão amar!

Um dia dos namorados muito feliz para todos nós!

Amy havia encontrado um bom lugar para ficar. Havia uma árvore de amoras que ficava não muito longe da casa e era iluminada por um candelabro. Em baixo de sua copa havia um banco de pedra.

Amy estava tão entretida sentada, observando o relicário, que não percebeu a aproximação de uma pessoa.

– Ela era bonita, não é? – uma voz macia ecoou em seus ouvidos. Amy pulou de susto. Virou-se para encontrar aqueles olhos âmbar bem conhecidos.

– Desculpe, não queria lhe assustar. – Ian falou com um sorriso irresistível.

Amy corou, mesmo sem saber porquê. Ela já havia o enfrentado ontem, podia enfrentá-lo hoje. Mas era difícil... Ela não falou nada, apenas olhou para baixo.

– Posso me sentar? – ele perguntou. Amy não falou nada. "Como é que ele pode ser tão desagradável?" ela pensou, mas seu coração protestou na mesma hora com um forte aperto.

Ela olhou para ele com o rosto cheio de indignação. Viu sua tez morena, seus sedosos cabelos pretos, seus misteriosos olhos âmbar... "Meu Deus!" Amy pensou, tomada pelo susto. Olhou mais uma vez para a foto no relicário, para a foto do homem que havia tomado tanto o seu tempo, analisando-a. Agora ela sabia com quem ele se parecia tanto.

– Oh, meu Deus! – foi o que ela conseguiu pronunciar. Seu rosto estava pálido.

– O que foi, Amy? O que houve? – Ian perguntou preocupado, olhando em volta.

– V-v-você e ele... – ela disse com os olhos esbugalhados, sua voz vacilante, as mãos na boca – são idênticos! – Amy quase não conseguiu terminar a frase. Ian riu.

– Não tem graça! – Amy disse enquanto sentia todo o seu sangue ir para sua face deixando-as rubras.

– Ei, Amy, calma. – ele disse recuperando-se do acesso de riso – Esse é Henrique, o avô do meu avô. Também acho que me pareço com ele. E essa é Isabelle. – ele explicou, apontando para a moça da fotografia. – Quer que eu te conte a história deles? – ele perguntou, abrindo um sorriso sedutor.

Amy abaixou a cabeça, olhando para o relicário aberto e alisando a foto mecanicamente. Ela permaneceu calada. Ainda se lembrava da briga de ontem. Se sentia, no mínimo, desconfortável com aquela situação. Ela queria saber da história, mas algo apertado em sua garganta lhe impedia de falar, algo impossível de descer ou sair. Ian olhou para ela.

– Acho que isso foi um sim. – ele disse compreensivo

– Bom, esse é Henrique, um rico inglês e um Lucian admirado. Sempre foi aventureiro. Era conhecido por nunca parar em um lugar por muito tempo. Vivia viajando, mas tendo do bom e do melhor. Se hospedava nos hotéis mais caros, comia nos restaurantes mais apreciados e só vestia roupas de estilistas muito requisitados. Também era conhecido por seu bom gosto impecável. Foi disputado por muitas mulheres, chegou a ficar noivo de uma Lucian chamada Helen, mas deixou-a para ficar com Isabelle. Ele procurava as pistas. Isabelle era uma moça muito bonita, uma francesa. Sua pele era tão clara que chegava a ser pálida. Em um de seus diários, quando a conheceu, Henrique chegou a relatar que ela possuía uma palidez cativante, encantadora. Ela usava os cabelos longos e soltos, o que não era muito comum naquela época. Seu cabelo era castanho escuro e seus olhos verdes, da cor dos seus. – Ian falou, referindo-se aos olhos de Amy. – Falando sério, você parece bastante com ela. – ele disse, sorrindo, mostrando todos os seus brilhantes dentes brancos. – Ela era uma Madrigal.

Aquela palavra atingiu Amy e ela sentiu um arrepio, um estremecimento, percorrer seu corpo, do fio de cabelo até o dedão do pé. Será que ele sabia? Parecia que não pois ele continuou sua narrativa normalmente.

– Eles se conheceram quando estavam numa missão. Ele buscando a pista e ela tentando destruí-la. Por ironia do destino os dois se apaixonaram. Mas não podia ser assim. Todos foram contrários, mas o amor deles era mais forte. Isabelle renunciou aos Madrigais para se casar com Henrique, mas ele não deixou o clã. Continuou a busca mesmo com o perigo envolvido. Casaram-se e foram morar afastados de todos, numa pequena ilha na Grécia. Quando ele estava perto de conseguir a trigésima pista, Isabelle lhe implorou para não viajar, porque ela estava grávida e precisar dele por perto. Eles já tinham um filho pequeno chamado Felipe, de três anos. Ele insistiu dizendo que nada aconteceria com ele, que ele voltaria bem, que faltavam poucas pistas e logo tudo acabaria. Henrique não ouviu-a e foi. A cada dia que se passava, a preocupação de Isabelle aumentava. Até que um dia, ela recebeu uma carta dele dizendo que havia encontrado a pista. Junto com essa carta ele mandava o colar para ela como presente. Também dizia que chegaria uma próxima carta contando coisas secretas e que era para ela não contar para ninguém. Terminou dizendo que chegaria em poucas semanas e que a amava muito. Em torno de uma semana depois, Isabelle recebeu uma carta dizendo que Henrique tinha morrido em um barco voltando para casa. Esta barco teria dado uma virada brusca e ele teria caído no mar. Isabelle chorou pelo resto da sua vida. A verdade é que ela nunca se conformou com a morte repentina do marido. Ela sabia que alguém havia assassinado-o. Ele não era um perigo só para os Madrigais e Lucians, mas para todos os outros clãs. Depois de cinco anos após a morte do marido, Isabelle faleceu por tristeza. Seu filho maior, Felipe, decidiu ser Madrigal, vendo todo o desespero da mãe, passou a ter ódio do pai e dos Lucians. Já Fanny, a sua filha menor, se juntou aos Lucians, ouvindo as histórias de coragem e aventura do pai. Felipe foi criado pela família da mãe e Fanny pela do pai. A outra carta, que Henrique disse que chegaria, nunca chegou e as trinta pista foram perdidas, já que se acredita que ele as escrevera nesta carta.

Ian parou e olhou para Amy.

– E aqui acaba a trágica história de Isabelle e Henrique.

Sabendo da história dos dois, agora Amy sentia uma profunda pena de Isabelle. "Ela não fez nada de errado. Só amou alguém. Talvez esse alguém não fosse o certo para ela, mas ela o amava. Ela não merecia isso. Ela só queria ser feliz. Só isso. Por que é tão errado alguém ser feliz? Por que as pessoas não ficam feliz com a felicidade alheia? Por que não a deixaram em paz? Ela só queria ser feliz. Só queria viver em paz com o marido e os filhos. Nada a mais. A verdade é que ela nunca seria feliz se ele não estivesse ao seu lado. Ela nunca se sentiria completa. Sempre faltaria algo no seu coração, sempre faltaria ele... Sentiria falta dos seus abraços, dos seus beijos, da forma como ele lhe olhava, da forma como ele lhe amava. E ele se foi. E a deixou completamente desamparada. Ela não era nada sem ele. Nunca foi e nunca seria. Seria só ela. Ela e ela mesma. E para ela, isso não fazia sentido. Ela o amava, e queria ser feliz, com ele, só isso...".

Amy sabia como Isabelle se sentia. Porque ela também se sentia assim. Incompleta sem ele, com um vazio no coração...

Que tal a história dos dois? Deixem reviews!

Por mera coincidência resolvi postar esse capítulo bem hoje, dia dos namorados! - não, eu não fiz esse capítulo especialmente para o dia dos namorados.

Aqui estou eu, em frente ao computador, pronta para postar outro capítulo - o vigésimo primeiro, com muito orgulho "Obrigada, obrigada" - , com a TV ligada, esperando começar o jogo de vôlei do Brasil X EUA - na verdade, esperando mesmo ver Vissotto com aquele corte novo de cabelo que eu amei! S2 - e cai a ficha "OMG! Hoje é dia dos namorados!".

Para completar essa história linda de amor, eu transcrevo aí embaixo um trecho do livro "Tristão e Isolda" - eu substitui os nomes, hehehe! - para você - sozinho ou não, apaixonado ou não - ficar inspirado e ver a vida com lentes cor-de-rosa, pelo menos no dia de hoje!

"Assim termina a história de Henrique e Isabelle. Que todos aqueles que ficarem sabendo de sua paixão orem por eles. Essa história de amor anima os que estão tristes e sozinhos e lhes dá esperança. E aos apaixonados, dá ainda mais alento e força para enfrentar a intolerância, a injustiça, a dor da perda e todos os males que podem atingir os que sofrem de amor"