XXI

Mana se arrumou e foi ao mercado- e Közi, que já estava "arrumado" à sua maneira, o seguiu. Lá, Mana comprou coisas corriqueiras e... plantas. Sim, mais duas plantas para a sua "coleção". Ele adorava plantas... não gostava de bichos de estimação, mas amava ter vários vasos em casa. Amava verde...

"Imagine, um gótico que ama verde...", pensava Közi, sempre se espantando ao ver o quão peculiar era o gosto do amigo.

Em casa, momentos antes, Mana parecia um pouco "apagado" em decorrência da hesitação de Közi em namorar com ele... mas ao ver as plantas, ele simplesmente se sentia outro. O colega levou as compras de casa, e Mana as plantas. As pessoas estranhavam, pois ele, vestido de mulher, parecia mulher... e as pessoas se perguntavam como poderia aquela mulher magra levar aqueles vasos pesados e ainda sair rindo.

Ao chegarem em casa, Mana, ainda animado, logo foi posicionando os vasos em locais estratégicos da casa. Sorriu para elas, e tocou nas folhas.

– Veja, Közi... veja como ela gosta!

O outro coçou a cabeça, intrigado.

– ...gosta? Como você sabe?

– Ora...! Ela é tão viva quanto você e eu. Veja! Fale com ela.

– Falar com a planta...?

– É! Ela pode não falar a nossa língua, mas compreende e responde. Tente falar com ela!

Ainda achando aquilo tudo bem esquisito, Közi começou a falar...

– Ah... e aí, cara, como vai?

Mana riu com gosto!

– Közi...! Não tem uma única vez em que não consiga deixar de chamar alguém de "cara"?

– É o costume, sabe como é...

– Bem...! Deixe-a aí. Vou regar e depois preciso ver o meu armário. Hoje é meu dia de arrumar armário! Vai ser meio chato, mas se quiser ficar...

– Ah, não tem nada de bom pra eu fazer em casa. E o seu armário deve ter umas coisas interessantes, logo... eu fico!

– Oh, OK Közi!

Após Mana regar os novos "amigos", subiu para o quarto e enfim começou a devassar o armário. Era tanta, mas tanta roupa, que Közi não sabia como cabiam ali.

– Caralho, Mana! Quanta roupa, meu Deus...!

– É... eu não jogo nenhuma fora, por isso tem um monte aqui que nem uso mais...

– Por que não doa isso pra uma instituição de caridade, sei lá...?

– Tenho pena. É como se elas fossem "vivas" e fossem sentir a minha falta...

O punk ficou olhando aquele monte de roupa... eram muito bonitas. Até as que Mana não usava mais...

– Cara, você cuida bem de cada uma delas, hein!

– Sim! Tenho que cuidar.

– Que paciência...

– Közi, sem querer abusar de você nem nada... mas pode me ajudar a separá-las por cores?

– Ah... claro! Claro, posso...

– Veja. Tome as escuras e coloque de um lado. Agora as claras deixe que eu arrumo.

Apesar de ser "gótico", Mana tinha muita roupa clara também. Afinal, de vez em quando "fingia" ser mulher "normal"... e no meio daquele monte de roupa de mulher, também havia algumas "de homem" que ele usava combinadas com outras coisas. Nunca se vestia totalmente normal...

Uma a uma, Közi foi dobrando as roupas do jeito que podia. Foi quando reparou... numa linda roupa negra e vermelha, um vestido longo, de saia vaporosa e de pontas, quase como a saia de uma cigana.

– Cara, que roupa bonita essa! Você usa quando?

Mana, assim que bateu o olho na peça, sentiu uma pontada no peito.

– Ahn... eu a uso muito de vez em quando.

– Iiiiih, que carinha triste é essa?

– Essa roupa... eu a estava usando no dia em que o Gakuto me traiu.

– Peraí, era ESSA roupa maravilhosa que você tava vestindo? E ele te colocou a galhada?

– Ele não sabia que eu estava vestindo isso, até... até chegar em casa, já com a coisa toda consumada.

– Caraaaaaaaaalho, tu deve de ficar mais lindo ainda do que já é com isso! Aposto que ele se arrependeu no exato instante em que te viu vestido nisso! E com a produção ainda... estava vestindo isso quando me ligou perguntando por ele?

– Sim...

– Ah, desculpe mesmo te fazer relembrar essas coisas... mas cara! Você estava divino dentro disso, eu aposto! E não é puxação de saco, é a realidade!

Mana sorriu esmaecidamente.

– Obrigado, Közi.

– De nada, cara! E... desculpe a curiosidade de novo, mas... e a bota? A bota... que despedaçou a fuça do infeliz? Tá aí...?

– Está... é essa.

Sem muita procura, Mana achou a bota em sua sapateira. Era uma bota vermelha e negra, com plataforma não tão alta, atada por um cadarço negro na frente.

– Caaaaraaaaca meu, a bota! Eu acho que poderia ter isso como uma relíquia em casa! Hahahahahahaha, a bota que detonou com o Gakuto! Queria ter visto, queria mesmo!

Mana sorriu mais uma vez. E... uma idéia surgiu em sua mente fértil...

– Közi... me dê aqui essa roupa, sim?

– Epa, peraí! Não é porque colocou a roupa no dia do chifre que agora vai jogar fora! Ou vai?

– Claro que não! Não vou jogar fora... é que... sabe essa parte aqui?

– Sei!

– O espartilho não cabe nela direito!

– Você usou isso de espartilho...? Cééééééus, devia estar melhor ainda!

– Então... não cabe. Acho que preciso ajustar, sim? Vou lá dentro dar uns pontos nisso aqui, e já volto. OK?

– Oh, cara... tudo bem!

– Deixe-me levar a bota junto... pra ver se ela vai combinar com o que eu vou colocar aqui, sim? Enquanto isso, Közi, por favor, continue dobrando as roupas... se acabar antes de eu terminar, me chame.

– Tudo bem, cara! Pode contar comigo!

E assim, Közi continuou dobrando as roupas, separando-as uma por uma, maravilhando-se com cada uma das peças... mas Mana não foi arrumar a roupa.

Não. A roupa ainda estava perfeita pro uso. Ele foi ao banheiro, se despiu, tomou banho, cuidou da pele com várias essências e cremes... e em seguida se vestiu todo com a roupa. Sim... se vestiu todo, atando bem o espartilho, fazendo aquele lindo coque que conseguia fazer com tanta desenvoltura... e se maquiando todo como naquele dia. Sombra negra e dourada, cílios postiços, batom vermelho... e dessa vez era de paixão. De novo. Até o perfume, Dolce Vita, era igual.

Conferiu tudo. Sim, estava igual. Sorriu diante de sua habilidade, e enfim... foi ao quarto.

Közi, do jeito que era lento pra lidar com roupa, dobrava tudo errado, desdobrava, dobrava de novo... e por isso demorava demais pra concluir o serviço. Enfim chegou a uma roupa mais difícil de dobrar, e decidiu pedir ajuda a Mana.

– Aí, cara, né por nada não, não sei se a roupa aí tá dando trabalho... mas po, essa daqui, essa manga, como que se dobra? Ô manguinha chata!

Közi ouviu passos de salto entrando no quarto. E um cheiro bom... hum, não lembrava de Mana estar assim tão cheiroso antes...

– Ma-mana...!

Quando os olhos caíram sobre ele, viram... o colega completamente vestido com a roupa, todo "montado", um olhar lânguido em seus olhos...

– Cara...! Tá... tá melhor do que eu imaginei...!

– Está...? Pois era assim, exatamente, que eu estava vestido pra ele naquele dia... e foi assim mesmo que o botei pra fora de casa.

Andando devagar, Mana enlaçou o pescoço do outro com os braços... e ficou com o rosto bem perto do dele. Közi já sentia o membro reagir dentro da calça... só de ver aquele "monumento" que era o Mana vestido daquele jeito, e de sentir o cheiro dele.

– Közi... - o crossdresser sussurrou bem em frente ao rosto dele - Ele não quis a minha noite especial... ele esqueceu dela... pra ficar com aquela mulherzinha insossa! Pois então... Közi... eu quero dar essa noite pra você...

– Oh, Mana...! Seria... seria maravilhoso!

Sem esperar outra reação, ele beijou a boca do colega, abarcando-o com os lábios vermelhos... e sem resistirem mais, ambos caíram na cama, sem parar se se beijar.

– Un... Mana... Mana, o negócio... as roupas...! Vão cair...!

– Deixa caírem...! - e enquanto ainda se dedicava a explorar os lábios do companheiro, Mana jogava todas as roupas no chão - A gente arruma isso depois...!

– Mana...! Me deu o maior trabalho separar tudo isso...!

– Deixa, Közi... deixa...!

O apelo de Mana era realmente difícil de resistir... pois ele já começava a tirar a blusa do outro.

– Oh, Mana...!

– Uhn... a gente vai se comer tão gostoso hoje...!

– Uh, cara, meu pau... já está todo duro aqui embaixo...! Quase dói, de tão duro que tá...!

– É...? Pois espere só mais um pouquinho...

Lânguido e ainda devagar, Mana saiu da cama e foi buscar fósforo. Em seguida, fechou as janelas e... acendeu as velas de seu quarto, uma por uma.

– Oh, cara, meu Deus...! Meu Deus, obrigado por ter colocado esse lindo anjo na minha cama...! Transar à luz de velas...! Quem mais teria essa idéia fantástica? E fica... fica mesmo bem sensual... putz, cara, que meu bimbo mal se aguenta dentro da calça...!

– Calma... ele já vai ter alívio!

Sorrindo maliciosamente, Mana, após acender as velas, deitou devagar ao lado do parceiro, engatinhando até ficar por cima dele. Depois, retirou enfim as calças e as cuecas dele, deixando-o completamente nu.

– Hum... ele está mesmo precisando de um alívio!

– Ei, Mana, só uma coisinha...

– Hum?

– É... a gente transou sem camisinha ontem...mas... e hoje?

– Ah, Közi... já foi uma vez mesmo! Vamos outra!

Não dando oportunidade de Közi responder, Mana o beijou de novo na boca... e o colega começou a se masturbar, dado que estava realmente difícil ficar sem uma estimulação...! Mana sorriu.

– Közi... você disse que eu era um anjo... mas na verdade... eu sou uma succubus do inferno que veio te atacar...!

– Oh, cara, não faz assim que eu vou morrer de tesão...!

O colega sorriu, e sentou ao lado dele. Em seguida, tomou um óleo que trouxera do banheiro... e começou a masturbar o membro do parceiro com ele.

– Uuuuun, Mana, caramba...! Meu Deus, como isso é bom...!

O crossdresser não parava de sorrir. Em seguida, desceu da cama, ajoelhou-se em frente ao membro dele... e começou a chupar com maestria.

– Uuuuuunnnn, Mana...! Caramba, como você chupa bem...!

O crossdresser realizava a felação sem parar, sorrindo por dentro ao ver como o parceiro ficava enlouquecido... segurando as coxas dele, Mana tentava engolir mais... e como o membro de Közi era menor que o de Gackt, dava pra colocar quase tudo...

"Que brinquedinho gostoso de brincar...", pensava ele, divertido, enquanto o sentia reagir cada vez mais afoito...

– Uhn, Mana...! Mana, cara, eu vou gozar muito rápido...!

"Isso, goza... goza na minha boca, pra eu sentir o seu gosto pela primeira vez..."

Mana só pensava, mas Közi parecia conseguir ler o que ele pensava. Em menos de cinco minutos, durante os quais Közi falou muito palavrão e expressões chulas sobre o prazer que sentia, ele derramou-se todo na boca de Mana... o qual o sorveu com gosto.

– Huuum... está vendo? Eu sei sugar bem o seu sangue branco...

Közi queria rir, mas se sentia muito cansado pra isso. Havia sido esplêndido...!

– Mana... caralho, cara...! Eu nunca demorei muito pra gozar, mas dessa vez foi meio... rápido? É, cara... foi bem rápido! Porra, que troço bom...!

– É... foi bom, não foi? Mas ainda tem eu...

– Só me diz uma coisa... esse óleo aí, ele é comestível?

– É, sim... é de morango. Gostoso... hum... morango com chantilly!

Közi riu. Há seis meses, não imaginaria jamais que falaria desse tipo de besteira com o Mana, muito menos que faria. Logo... aquilo era um avanço e tanto.

– Sabe, Mana... sempre tive curiosidade de saber como é chupar um pau. E de fato já tentei chupar alguns, mas cara... com camisinha era ruim demais! Puta que pariu, gosto de borracha da porra! Então eu nem finalizava... se é que me entende. Então, cara... queria fazer em você.

– Hum... pode fazer! Mas antes... antes queria transar de fato... e depois fazer.

– Olha ele, bastante ávido hein...! Que fome de sangue branco, rapaz!

Eles riram juntos. Közi direcionou as mãos para o laço bem atado do espartilho de Mana, e quis começar a tirar... mas Mana o impediu.

– Ainda não... ainda não é hora de desembrulhar o presente todo!

– Hum... como assim?

– Közi... eu quero saber como é transar de roupa. Vamos...?

– Ah, de espartilho e tudo...?

– Espartilho, saia, botas, tudo...! É uma curiosidade que eu tenho...!

– Deve ser mais esplêndido ainda... você com essa roupa linda, gemendo, subindo e descendo no meu pau... caralho, cara...! Já começo a querer ter uma segunda ereção só de pensar...!

Mana sorriu, tomando mais um pouco do óleo e passando a masturbar o membro do parceiro a partir de então.

– Então... não se exima. Tenha a segunda ereção... pois eu estarei te esperando...

– Uuuunnn...!

OoOoOoOoOoOoO

Gackt fitava o telefone em suas mãos. Os dedos coçavam pra ligar... mas e a coragem? Será que ele o atenderia? Ou seria rude? Ou...? O que ele faria?

Ficou alguns minutos assim, na indecisão de ligar ou não... e por vezes escondia o telefone, pra não precisar ligar... e segundos depois o retomava, com vontade de ligar.

Mas não conseguia realizar a ligação, nervoso que estava...

OoOoOoOoOoOoO

Junto com o estímulo das mãos de Mana, Közi decidiu acariciar o corpo do parceiro. Primeiro passou a mão pelo corpete justo dele, coisa que também o excitava, dado que ele adorava figurinos vitorianos... e em seguida, passou para a saia. Não demorou para querer passar as mãos para baixo da saia, a fim de retirar a roupa de baixo do amigo, e qual não foi a sua surpresa...

– Mana! Já está sem nada?

Um sorriso de orelha a orelha tomou o rosto do crossdresser, o qual acenou afirmativamente com a cabeça em seguida.

– Eu já planejava isso, Közi...! Então vim do banheiro sem nada por baixo mesmo...!

– Uuuuun, safadinho...! Minha succubus gostosinha...!

Ainda sorrindo, Mana continuou masturbando o colega, até ver que ele ia atingir outra ereção... e não demorou muito, pois o apelo dele era realmente forte...

– Huuun, Közi... posso ir por cima de novo...?

– Fique à vontade, minha coisa linda... como você escolher, tá escolhido!

Mana sorriu, pensando que era engraçado... durante todos aqueles anos em que sequer se tocaram sexualmente, Közi sempre preferira deixar a liderança das coisas em suas mãos... e naquele instante, quando iam fazer sexo, era a mesma coisa...!

O crossdresser tomou o óleo de morango que trouxera do banheiro e entregou nas mãos de Közi, o qual já estava mais acostumado a fazer aquela deliciosa preparação. Enquanto untava os dedos de óleo, passava as mãos por debaixo da saia de Mana, sentia aquela bundinha gostosa com os dedos restantes, e com o indicador enfim encontrava e penetrava ao amante, já tendo um vislumbre de como seria o resto a partir dali...

– Mana... céus, como você é apertadinho e quente...!

O crossdresser não parava de sorrir, já começando a se mover mesmo que apenas no dedo do outro... hum... não muito tempo depois, nem um nem outro aguentava mais ficar sem aquilo. Sem titubear, Közi retirou o dedo de dentro do parceiro, dando um tapa de leve em sua bunda em seguida... sendo acompanhado por mais risadas. Enfim, Mana levantou a saia e foi sentando nele... apoiando as mãos logo em seguida em seus ombros.

Ao sentir aquele calor maravilhoso envolver seu membro, Közi não conseguiu reter um gemido... e segurou na cinta fina do parceiro, o qual já começava a se mover em cima de si.

– Huuuuun, Közi...!

– Vai, minha succubus deliciosa... vai, drena todo o meu sangue branco que você tanto gosta... pegue o que precisar... un...!

Enquanto falava e Mana se movia, Közi segurava no traseiro dele com uma mão, enquanto a outra ainda se aferrava em sua cintura. No entanto, logo a mão da cintura passou para baixo da saia... e masturbou o membro dele.

O crossdresser gemeu... e Közi passou a lamber e succionar o lóbulo da orelha dele, pois sabia... que ele gostava tanto daquilo...! E quanto mais ele gostava, mais emitia aqueles gemidos maravilhosos que Közi tanto apreciava escutar...!

OoOoOoOoOoOoO

Gackt digitava o começo do número e depois desistia. Era muita, muita humilhação...! Ligar para o cara que apenas uma semana antes arrebentara-lhe a cara daquele jeito...! Podia tentar se distrair com mulheres - afinal, sua lista de números telefônicos de "casinhos" era grande... mas a lembrança do corpo de Mana... da transa de Mana, que era algo tão excepcional...!

Que fazer...?

Tomou o telefone e enfim digitou o número. Que fosse o que o Destino quisesse!

OoOoOoOoOoOoO

– Uuuuunnn, Közi...!

– Mana...! Como você mexe gostoso, cara...!

No meio da transa, ambos começaram a se beijar... e aquela coisa deliciosa, do calor que tomava conta de Mana quando ele começava a se embalar na transa... começava a aparecer no crossdresser, e a ser transferido para Közi através do contato corporal de ambos. De repente, Mana o abraçou e ficou ali, praticamente grudado com ele... como se não quisesse de desgrudar jamais.

E Közi quase entrava junto com ele naquele estado de transcendência do qual falara anteriormente... quando o telefone tocou.

– Mana... o telefone...

– Un...! Mas que hora maldita de tocar telefone...!

– Atende...?

– Un... não... se for importante, liga depois...!

E, para aplacar a distração do amante, Mana voltou a beijá-lo nos lábios, continuando o ritmo cadenciado do ato.

OoOoOoOoOoOoO

Gackt esperou. E esperou. E esperou mais ainda.

"Quer se vingar de mim, sem me atender..."

Orgulhoso, continuou ligando. Afinal, ele ainda fazia parte da banda! Não poderia ficar sem contato, assim, sendo que em breve fariam mais shows...!

OoOoOoOoOoOoO

Mana tentava se concentrar no ato, porém ficava mais e mais difícil... o telefone parava por um instante, mas depois voltava...! Ora, aquilo estava simplesmente estragando a sua transa especial...!

Fingiu que não ouviu. E continuou o ato, até a hora em que sentiu o orgasmo começar a chegar perto...

– Uuuuunnnn, Közi...! Vai, só mais um pouco...!

– Vai, cara... vai, goza que eu quero ver...!

– Uuuuun, Közi...!

Logo, Mana gemeu mais intenso, agarrou os ombros do amante com força e gozou em sua mão. Közi, vendo aquele orgasmo tão gostoso, não aguentou e... gozou quase junto com ele, embora aquela já fosse a sua segunda vez no dia.

– Oh, cara...! Não quero me separar de você, não quero...!

Mana sorriu pra ele, ainda tentando recuperar o ritmo da respiração normal.

– Não... nós não vamos nos separar. Não após oito anos...

Ambos sorriram. E continuaram abraçados enfim.

– Ah, cara... isso de transar de saia, dá certo? Não vai sujar não? Quer dizer, não sujou...?

– Não sei, ainda não vi... mas qualquer coisa lava-se.

Eles riram de novo, e enfim Közi começou a desfazer o espartilho de Mana. E foi despindo-o todo aos poucos... o espartilho, depois o vestido... e enfim as botas. Mana resolveu soltar o coque também, o qual já estava um pouco bagunçado pelo agarra-agarra anterior na transa.

– Közi... você sabe despir um espartilho...

– Claro... apesar de gostar da "vibe" punk, também flerto com o goticismo...! E que gótico não curte espartilhos...? Hein?

– Hun... é verdade... o Gakuto não sabia despir um...! Tive de ensinar!

– Que idiota, é só tirar um laço atrás do outro... mas ei, cara, não vai pensando que acabou não...! Afinal... eu não esqueci daquele boquete não...!

Mana riu, e decidiu deitar um pouco, pra se recuperar e ver se logo atingia outra ereção... pois se o amante queria tanto... e reparou que o telefone parara de tocar.

"Até que enfim!", pensou, e logo em seguida, não conseguindo ficar muito tempo longe de si, Közi deitou ao lado dele e o beijou nos lábios mais uma vez.

– Un, Mana... ficar com você é algo tão magnífico... que eu até esqueço de fumar! Estou sem fumar desde ontem...! Sério, nenhum cigarro!

– Ora, que bom...! Você até mesmo beija melhor sem fumar... quando fuma e logo depois me beija, parece que estou fumando uns cinco cigarros através da sua boca...! Fumante passivo por sua causa...!

– Ah, Mana, quase todo mundo no Japão fuma...! Você é exceção!

– Eu sei... mas mesmo assim, não gosto, oras! Vocês que têm o costume do cheiro não se incomodam, mas eu...! É horrível!

– Quem sabe... eu acabo parando de fumar, se tiver a sua companhia sempre?

– Tomara...!

E em seguida ambos voltaram a se beijar, ávidos que estavam da boca e do corpo um do outro.

OoOoOoOoOoOoO

Gackt ficou um tempo apenas pensando, do lado do telefone. Inferno...! O crossdresser sabia ser orgulhoso quando queria...! Pois a não ser que houvesse saído de casa, com certeza Mana teria olhado o telefone e visto... que era o número dele!

Não atendia de pirraça, decerto!

Decidiu esperar mais um pouco e depois voltar a ligar. Aquilo já estava virando questão de honra!

OoOoOoOoOoOoO

Depois daquele beijo longo e molhado, Közi aproveitou a deixa e desceu com os lábios pelo pescoço do amante, depois indo até o peito, chupando os mamilos dele... e acariciando as coxas dele por dentro enquanto ainda o fazia. Mana se arrepiava e gemia, arqueando as costas e pensando... hum... que aquele toque delicioso do amante era diferente do toque do outro, do Gackt... tinha algo a mais, que ele não sabia explicar... era algo... que mexia demais consigo.

E realmente, enquanto ia descendo para o ventre do parceiro, Közi pensava... que jamais tivera tanto gosto em beijar o corpo e a pele de alguém. Talvez fosse justamente aquele sentimento de entrega, de paixão... que fazia com que ele beijasse e acariciasse o amante de forma mais dedicada, e por isso fosse melhor do que Gackt, o qual só pensava em Mana como uma "foda a mais".

Enfim chegou perto do membro. Já estava um pouco ereto, dado que as carícias eram realmente quentes e intensas, e mexiam muito com Mana...

Ainda acariciando a parte interna das coxas do parceiro, Közi enfim abocanhou o membro dele e começou a chupar. Mana gemeu forte, arqueando as costas de novo e segurando nos ombros dele... para em seguida colocar as mãos sobre suas costas e tentar acariciá-las enquanto recebia a felação... porém, era tão, tão difícil...! Ele só tinha ganas de agarrar, de segurar, de gritar, arranhar...! Tamanho era o prazer que sentia!

– Oh, Közi...!

O punk sorria por dentro, enquanto continuava a felação, devagar e sempre, sentindo enfim o gosto que ele tanto quisera sentir, por tanto tempo. E não só o gosto... mas os gemidos dele, o prazer dele... só aquilo já era tão... hun... tão bom! Era música para seus ouvidos...

E Mana era uma coisa tão linda quando se descontrolava de prazer... não gemia muito alto, porém a modulação de seus gemidos era tão gostosinha... que Közi decidiu sempre querer fazer mais daquilo nele.

Aquele gosto do óleo de morango, misturado com o resquício sêmen que ele havia expelido pouco antes, era tão bom... que ele não resistiu. Parou um pouco a felação e introduziu um dos dedos na boca, para em seguida colocar na entradinha dele...

– Uhn, Közi...! Você quer me enlouquecer...!

– Tá gostando...?

Mana respondeu apenas com meneios afirmativos de cabeça... não se sentia estável o suficiente para falar muito. Ao menos não até o amante terminar o "serviço"...

Logo, sem parar de fazer o fio-terra, Közi voltou a chupar gostoso. E Mana continuou gemendo e segurando ora nos lençóis da cama, ora nas costas ou ombros do parceiro... quando, justamente na hora em que seu prazer começava a ficar mais intenso de novo, o telefone tocou...

"Maldito telefone, sempre nessas horas...!", pensou Mana, amaldiçoando a telefonia celular em pensamentos.

Közi já sabia a resposta: Mana não ia parar com aquele ato tão prazeroso pra atender à chamada. Então nem se deu ao trabalho de parar. Continuou chupando e colocando o dedinho dentro dele... até a hora em que o amigo enfim segurou com firmeza a cabeça dele, empurrou os quadris contra a boca dele... e gemeu um pouco mais alto, derramando enfim toda a seiva na boca do amante.

"Hum, caramba, que bom...! A porra quentinha direto na boca... hum...! Cara, como isso é bom...!"

Közi sorveu tudo que podia, enquanto Mana se derretia na cama, acabado após aqueles dois orgasmos esplêndidos. Assim que "limpou" o membro do amante, Közi deitou ao lado dele e beijou-lhe a boca, compartilhando daquela seiva com o amante... sendo correspondido por ele com prazer.

– Közi... você gostou de fazer?

– Adorei...! Cara, que pica gostosa você tem...! E não é só isso... sei lá, você tem o equilíbrio perfeito entre a delicadeza e a força... sei lá, cara, pra mim você não é homem nem mulher... você é Mana-sama... simplesmente Mana-sama, cara! Transar com você é uma viagem, cara, mesmo sem eu gozar, como fizemos agora...! Meu Deus, o que foi isso...?

Ainda cansado, Mana sorriu ao colega.

– Que bom que gostou... pois eu também gostei bastante. Sabe, o Gakuto me fazia algumas dessas de vez em quando... mas nunca me deixava gozar na boca.

– Fresco do cacete... e você, deixava ele gozar na sua?

– Deixava... eu estava completamente cego, Közi!

– Ah, cara, deixa pra lá... deixa esse cara pra lá, ele é passado... faz o seguinte, eu quero falar de uma coisa bem mais importante pra gente...

– O que...?

– Eu aceito.

– Aceita...? O quê, Közi?

– Aceito ser seu namorado.

Um sorriso de surpresa agradável surgiu nos lábios do crossdresser.

– Por que assim de repente, Közi...?

– Sei lá, cara, a gente se dá tão, mas tão bem...! Não sei como poderia dar errado...! E depois dessa "transa especial" aí, que você ia dar pro Gakuto mas acabou dando pra mim... eu não posso mais deixar de pensar que namorar você só me traria coisas boas!

Mana, sem parar de sorrir, abraçou o então novo namorado... e ficou ali, de olhos fechados, intimamente agradecendo a alguma entidade por ter Közi enfim como seu...

– Eu também acho que a gente vai se dar bem. É como eu disse... não vamos mudar as coisas. Apenas o nome do nosso relacionamento mudou.

– É, cara, eu sei... mas sabe... eu também pensei nisso, porque a gente vai lá no show de metal, não vai? Então, os caras vão ver a gente junto lá. E a tal da Lara, a perigute que eu rejeitei... ela vai ver você lá também. E cara, ninguém nesse mundo conceberia deixar de comer a Lara, que é uma mulher que não se joga fora, por uma peguete! Não, cara, nem por namorada ou esposa muitos fazem... homem é foda, homem é um bicho ruim do cacete - e eu sei que eu e tu também somos homens, mas eu sei lá... você nem se diz, você é mais feminino que muita mulher. E eu apesar desse modo mais "machão" de ser, no fundo no fundo nunca quis magoar ninguém...! Então, de duas uma: ou sai em casual e deixa claro que é só casual, ou cumpre direito o protocolo do relacionamento e fica fiel. Entende? Fazer o que o Gakuto faz é uma tremenda merda, que eu não quero e nem pretendo fazer com você.

– Eu entendo...

– E é por isso mesmo que quero te apresentar como "namorada" pro pessoal lá. É, porque se falo "peguete" os caras nem vão acreditar. Fiel pra peguete? É foda! Ah, mas deixa eu parar de falar, que quando desembesto só sai merda!

Mana riu, e continuou abraçado ao companheiro.

– Közi... você quer usar alianças?

– Ah...? Ah, quero! Puxa, eu que nunca sonhei em namorar, usando aliança! Mas se é prateada fica bonita, adoro anel prateado, sério mesmo!

O crossdresser sorria, todo contente, pensando... pensando que Közi o atendia tão bem, por mais maluco que fosse...!

E então, uma coisa muito bela aconteceu... Közi ficou ali, acariciando os longos cabelos do namorado, olhando pra ele com um olhar lânguido que não direcionara a mais ninguém na vida... e Mana sentiu aquele olhar, mesmo estando de olhos fechados. E finalmente... Mana pôde ser uma pessoa apaixonada plenamente correspondida.

– Mana...

– Sim, amour...?

– Lembra do que eu disse outro dia...? Que esse negócio de paixão, de namoro, era tudo furada...?

– Sim...! Ora, eu o aconselhei a não namorar jamais e agora o peço em namoro...! Mas que maluco!

– É... mas saiba... que eu estou adorando ficar com você. Cara, é tão bom... eu não quero mais ficar longe de você...!

– Közi, você tem vontade de ficar quanto tempo do meu lado...?

– O tempo todo...! Só não te liguei antes porque...! Porque tinha medo... de parecer um babaca dependente...! Mas eu só pensei em você o tempo todo, depois da primeira vez em que a gente saiu... é, cara, porra, eu estou me apaixonando após tantos anos depois da adolescência, puta que pariu...! Mas não quero fugir disso. Não mais. Eu quero você, Mana...!

O crossdresser sorriu, quase com lágrimas nos olhos. E abraçou forte ao amigo. Ficaram ambos ali, abraçados, e em seguida se beijaram intensamente, não querendo que aquele momento acabasse jamais...!

Enfim, após mais algum tempo, o telefone tocou pela enésima vez no dia. Mana, após o término do beijo, suspirou pesadamente.

– Que coisa chata...!

– Aí, cara, né por nada não... sei que é um pé no saco essa merda aí, tocando sem parar... mas se estão insistindo tanto, não deve ser importante...? Não é melhor atender não?

– Tem razão... eu vou lá.

– Vai... mas volta, sim? Volta, que eu não quero ficar muito tempo longe desse corpinho lindo...!

Antes de Mana levantar, Közi o abraçou pela cintura e o beijou intensamente no rosto e no colo. O colega sorriu, e em seguida enfim se levantou. Közi ficou da cama observando aquele traseiro bonitinho, aqueles cabelos longos e negros um tanto quanto revoltos por tudo que haviam feito momentos antes...

Mana tomou o celular e observou o número antes de atender. Foi quando seu coração deu um salto, e ele, com a descarga de adrenalina no sangue, soltou um suspiro de admiração.

– Cara, que foi, cara? - indagou Közi, reparando na mesma hora o abalo do parceiro.

– Közi, é... é o número do Gakuto...!

– Quê? E esse imbecil ainda tem o disparate de te ligar depois de tudo?

– É...! Közi, eu não quero atender...! E... e se ele está ligando com tanta, mas tanta insistência... é porque vai continuar ligando até eu falar com ele...! Ele vai me perseguir...!

– Aaaaah, mas isso ele não vai mesmo! Dá aqui esse telefone, que eu vou passar um sabão na cara imunda desse escroto!

Ainda um pouco relutante, Mana enfim passou o celular pras mãos de Közi... o qual apertou o botão de "atender"... e, para que Mana também pudesse desfrutar do "show", também ativou o viva-voz.

– Alô?

Por um momento, Gackt pensou que havia digitado o número errado. Mas não... era o do Mana mesmo. Portanto, respondeu:

– Közi?

– Não, é a Sailor Moon! Duh, claro que é o Közi!

–... esse não é o telefone do Mana?

– É, sim, mas eu que tô atendendo! Qual o problema?

– Közi... é o Gakuto.

– Eu sei, porra! Só que eu estou atendendo pra ele! O que você quer, cara? Eu já não te falei pra sumir da vida do Mana?

– Közi... eu imagino que, após tudo... o que ocorreu entre eu e ele... ele tenha buscado refúgio em você. Mas Közi...! Talvez você não entenda, pois nunca saiu com ele... só o vê como amigo... mas eu preciso... preciso rever o Mana...! Ele... eu pude ter sido meio abusado com ele e tal... eu entendo tudo isso. Mas... me queima por dentro, Közi...! Me queima por dentro não poder tê-lo aqui comigo...!

– Aaaaah, sim...!

– É como se fosse uma... uma droga, Közi...! É sério, eu nunca senti com mulher nenhuma o que eu senti com ele...

Közi sabia bem o que era aquilo. Ele mesmo sentia aquela sensação, naquele exato instante. Gackt poderia não saber, mas Közi também já fazia parte dos "Mana addicted"...

– Gakuto, você não acha que é um pouquinho tarde pra isso não? Acha mesmo que ele ia te aceitar de volta após o chifre?

– Não... eu sei que não. Mas não tem... como você me ajudar?

– Ajudar como, cara? Você acha MESMO que eu seria imbecil de ajudar a um crápula como você a voltar com o Mana?

– Eu sei que errei... mas Közi, todos erram...!

– Olha, cara... - o punk tentava falar sem demonstrar a raiva que tinha do outro, principalmente por ele querer pegar o que agora era seu - Eu sei que todos erram e o cacete, mas você errou feio demais. E outra a tua chance - já foi! Já foi, mané! Procura outro ou outra, porque agora ele não tá mais disponível!

–...como assim?

– Quer que eu desenhe? Pois eu vou desenhar: eu sou o novo namorado do Mana, tá ouvindo?

To be continued

OoOoOoOoOoOoO