OS PERSONAGENS PERTENCEM A STEPHANIE MEYER E A TRAMA A ROSEMARY ROGERS, A MIM, APENAS A LOUCURA DE ADAPTAR UM DOS MEUS ROMANCES PREDILETOS.
Bella Tinha começado a detestar aquele quarto onde era prisioneira.
Já fazia uma semana que permanecia ali, e Bella se sentia uma cativa no harém de algum sultão. Até o quarto - sua cela de veludo, com as figuras decorativas no teto, os espelhos convenientemente colocados na penteadeira e o luxo aparatoso -, tudo lembrava o que aquilo era e onde estava.
Ele ficava fora o dia inteiro e parte da noite, e ela já havia perdido a noção das horas.
O prostíbulo regurgitava à noite; durante o dia a maioria das jovens dormia. Já sabia agora, naturalmente, a espécie de lugar para o qual ele a levara, e se atormentava com perguntas e com uma abjeta sensação de humilhação.
Puta, sou sua puta, seu brinquedo, pensou. Sempre fui isso desde o início - uma experiência nova, uma virgem tola, estúpida e condescendente! Oh! Deus, eu me ofereci a ele. De certo modo, mereço isso. Agora ele me conserva num bordeI, para Seu próprio prazer. Mas depois - e esse era o pensamento que a fazia estremecer e ficar gelada de medo -, depois que ele se cansar. que fará comigo? Eu sei demais, pensou, ele não vai me deixar livre quando concluir seus negócios ou o que quer que seja que o mantém afastado tanto tempo. E ... depois?
Havia chorado muito, no começo, planejando uma forma de escapar. Mas, à medida que os dias passavam, foi se resignando. O quarto estava trancado. As janelas, além de tranca, tinham também pesadas cortinas. Suas refeições eram trazidas pela menina índia, mas o gordo Manuel estava sempre por trás dela, com um rifle na mão. Suas crises histéricas eram recebidas friamente, com rostos impassíveis, e uma vez a própria Lilas veio dizer-lhe, numa voz doce e amistosa, exatamente o que costumava dizer às jovens que se rebelavam.
- Você deve compreender, naturalmente, minha querida quanto você é, vamos dizer, privilegiada, não? Ter um só amante. Mas não posso ter encrencas, é ruim para a disciplina, e as meninas já estão reclamando... de modo que, se você não se comportar ...
Depois disso, apavorada, sentindo-se fisicamente doente, Bella aprendeu a controlar seu gênio, limitando-se a chorar quando estava só e sufocando os soluços no travesseiro.
Não recebia a menor atenção de Edward, que estava sempre tenso e distraído, esquecido de sua presença.
Para passar o tempo, sentindo-se terrivelmente só e ansiosa por qualquer espécie de companhia, Bella começou, a princípio timidamente, a conversar com algumas das "meninas" de Lilas, quando elas, curiosas, vinham a seu quarto a pretexto de lhe trazer a refeição.
Uma delas, uma franco-canadense vivaz, que dizia chamar-se Lorena, era mais amável que as outras e mais gentil, depois que Bella se acostumou a seus modos francos e palavreado brusco.
Com o passar dos dias, Lorena vinha freqüentemente visitá-Ia para conversar, no seu hobe de cetim de cores berrantes, e ficava sentada em sua cama, bocejando. Seus olhos pretos brilhavam, divertidos, com a ingenuidade da nova colega.
Como as outras meninas, Lorena falava principalmente de homens - do que gostavam e do que não gostavam na cama, e de suas peculiaridades. Consideravam Bella feliz por ter um amante que a queria só para ele, e mais feliz ainda por esse amante ser Edward Masen.
Lorena disse a Bella, sem rodeios, que achava que ela era uma tola por querer escapar.
- Aonde você iria, ma petite? De volta para a casa do papai?
Não, depois disso é muito tarde, eu lhe garanto! Esse é o inconveniente de ser uma mulher "boa"; pois, depois que um homem a possui, ela passa a ser ruim. Não é mesmo? Veja o meu caso, por exemplo: sou uma puta porque preciso sobreviver, e o trabalho é fácil. Trabalho pesado, como ser empregada dos outros, lavar chão, isso não é para mim, não!
Lorena estremeceu ligeiramente.
- Depois que meu homem morreu a facadas, descobri que os homens são todos iguais. Querem que a gente os ache bonzinhos e dê para eles uma coisa diferente, você me entende? Uma coisa que as mulheres boazinhas deles não lhes dão.
Não demorou muito para Lorena perceber que Bella não compreendia o que ela estava dizendo. Rindo, prometeu que lhe ensinaria alguma coisa sobre os homens.
- Pois é possível - disse-lhe, revirando os negros olhos líquidos - que, se uma mulher for muito boa na cama, possa fazer que um homem fique louco por ela, tão louco que ele vira escravo dela. Eu mesma sei disso!
Entediada, sem ter o que fazer, Bella se viu, a contragosto, prestando atenção ao que ela dizia e aprendendo coisas que nunca sonhara que existissem. Lorena, ou uma das outras meninas, costumava entrar em seu quarto para dividir uma refeição e regalá-Ia com os detalhes sobre seu amante da noite anterior. De vez em quando, se ocorria de um homem ter sido muito bruto, elas apareciam com marcas pelo corpo. Lorena contou que certa vez estivera com um homem que queria lhe bater e que lhe oferecera uma gorjeta de cem dólares se ela consentisse nisso.
- Eu permiti aquela vez, pelo dinheiro, mas juro que não faço mais isso! - disse, estremecendo ao se lembrar da dor que sofrera.
- Oh! Deus, por que os homens são feras assim? - falou Bella, horrorizada, e Lorena lhe deu um tapinha na mão, consolando-a.
- Bem ... talvez nem todos o sejam, não é? - Piscou maliciosamente, olhando de lado para Bella. - Você promete não ter ciúmes? O seu Edward, ele é ... é magnifique na cama, eu sei Uma vez, já faz muito tempo, chérie, não se zangue comigo, nós passamos uma noite inteira juntos, e eu não tive que fingir nenhuma uma vez. Ele é um garanhão! Você tem muita sorte, p'tite.
- Sorte! - falou Bella amargamente, enquanto sua boca se contraía. - Como você pode dizer que tenho sorte, quando você sabe que não estou aqui por minha livre vontade? Eu o odeio, tenho tanto medo, Lorena, o que ele vai fazer comigo?
Lorena encolheu os ombros.
- A vida é incerta. Quem sabe o que qualquer homem pode fazer? Mas acho que ele gosta de você mais do que diz e mais do que você pensa, minha inocente! Por que ele ia fugir com você? Talvez até se case com você um dia, quem sabe? Você falou que ele foi o primeiro para você, e isso é muito importante para um homem.
Depois que Lorena foi embora, os pensamentos de Bella estavam mais amargos que antes. Casar! Lorena não sabia que ele achava que houvera outros depois dele – Eric Yorkie e até o querido Mike. Ela nunca lhe diria o contrário, naturalmente - ele que imaginasse o pior, que ela havia preferido outros homens a ele! Quanto a casamento, ela sabia muito bem o que ele pensava a esse respeito.
"As mulheres fazem do casamento uma armadilha para os homens", dissera-lhe Edward certa vez. "Pretendo ficar longe disso e do amor também, outra desculpa das mulheres para pôr uma corrente num homem e prendê-Io num lugar só. Sou um homem boneca, e não posso ficar no mesmo lugar por muito tempo,"
Ela não se casaria com ele nem que ele lhe pedisse de joelhos - nem que fosse o último homem sobre a Terra -, Bella se prometeu. Conseguiria escapar antes que ele se cansasse dela e planejasse deixá-Ia. De alguma forma, ela voltaria para a proteção da casa do pai e ele faria que tudo voltasse ao normal. Talvez ele a deixasse voltar à França; mesmo que não se casasse, pelo menos lá ela teria liberdade para escolher seus próprios amantes. Como a famosa Ninon, talvez ela também se tornasse uma cortesã. Serei rica, sim, e independente - uma demi-mondaine, uma cortesã, mas nunca uma puta comum, pensou com rebeldia, nunca deixarei que ele me transforme nisso!
Vivia se repetindo isso, munindo-se de coragem até que ele voltasse ao quarto, todo sujo, recusando-se a lhe dizer onde estivera e o que fizera.
Uma semana se passou, e Bella sentiu que não suportaria mais aquilo. O calor punha seus nervos à flor da pele, e sua vontade era gritar, arranhar as paredes que a encarceravam, bater na porta até ferir as mãos.
Não esperava que Edward voltasse, de repente, pouco antes do almoço. Surpreendeu-se atirando-se a ele, em desespero.
- Por que você não me deixa sair? Não vê que estou morrendo aqui aos poucos, que estou sufocando? Pelo amor de Deus, Edawrd, sinto que estou ficando louca, é isso o que você quer?
- Controle-se, Bella. Tenho que partir novamente em um minuto. Talvez a leve para passear a cavalo hoje à noite, se eu chegar cedo.
- Mas você tem me levado outras vezes. Aonde é que você vai? O que está fazendo? Por que não posso ir com você?
Ele deu um riso curto.
- Deveria sentir-me lisonjeado por esse seu interesse por companhia, mas hoje não pode ser, Bella. Há uma patrulha me caçando, e já estão muito perto. Estou preparando uma trilha falsa para eles, fazendo que se afastem, para que possamos sair daqui.
Seus olhos se dilataram.
- Você quer dizer que há ajuda tão perto de nós? Por que não me deixa ir?
Ele se afastara, mas ela foi atrás dele, puxando-o pela manga.
- Por favor, oh! Por favor! Se você me deixar ir, farei que meu pai lhe pague a quantia que você quiser! Farei também que ele consiga que essa gente deixe de persegui-lo. Será que não percebe? Você ficará livre também.
Ele puxou seu braço das mãos que o apertavam e segurou-a pelos ombros, enterrando os dedos cruelmente em sua carne.
- Vou ficar com você pelo tempo que for necessário, enquanto precisar de você. Sinto muito, Bella, mas você é meu único trunfo. Há um delegado dos Estados Unidos liderando aquela patrulha, e nem mesmo seu pai vai fazê-Io desistir. Só o fato de eu ter você comigo faz que não cheguem mais perto. Eles ouviram boatos de que há uma porção de ouro sendo trocado por armas, e assim... - ele riu subitamente. - Tenho atravessado a fronteira fazendo que eles me vejam de vez em quando, deixando uma trilha que eles não resistem a seguir. Tem sido como um jogo boneca, pena que você não possa compartilhar dele.
- Seu bastardo sujo, podre! - Ela estava aprendendo a xingar, e as palavras lhe vinham com facilidade.
- Estou ficando cansado dos seus palavrões - ele lhe disse e ela estremeceu sob seu olhar frio e hostil. - Na verdade, estou cansado de seus resmungos, de suas amolações e de seu ódio me batendo na cara, assim que entro por esta porta. Vou deixá-la sozinha esta noite, Bella. Divirta-se!
Ela se voltou para olhá-Io, assustada. Ele estava falando sério Pôs o chapéu na cabeça, de novo, apanhou uma sacola, que colocou nos ombros, e já estava se encaminhando para a porta.
- Mas você disse ... aonde é que vai? - As palavras foram quase gritadas, e ela viu os cantos de seus lábios se contraírem.
- Se quer saber, doçura, vou para outro quarto. Vou fazer barba, tomar um banho, mudar de roupa, depois vou descer para jogar cartas, embebedar-me ligeiramente e arranjar uma mulher que seja meiga e complacente. Boa noite! - Curvou-se diante dela polida e sarcasticamente antes de sair, deixando-a com o olhar fito na porta.
Bella ficou estranhamente inquieta e tensa depois que Edward saiu. Andava de um lado para outro no quarto, e sua cabeça trabalhava sem parar. Deus do céu, e se ele resolvesse não voltar? Se resolvesse continuar viajando sem levá-Ia? Será que a Odiava tanto que consideraria uma piada deixá-Ia assim para se transformar numa das putas de Lilas?
Vestida apenas com um hobe muito leve, por causa do calor Bella ora andava de um lado para outro, ora se atirava na cama e chorava de raiva e de medo até empapar o travesseiro. Havia um relógio dourado sobre a mesinha-de-cabeceira, e ela não tirava olhos dele, acompanhando os ponteiros que avançavam inexplicavelmente.
Caiu num sono leve e inquieto e acordou numa espécie de estupor. Mecanicamente, pôs-se a andar pelo quarto, acendendo luzes. Deus do céu... Sete horas já! Onde estaria ele? Volte, miserável! Atirou-se na cama desfeita. Não fico aqui, não fico! Você não pode fazer isso comigo! Será que não podia? Frio, bruto ... calculista ... Ele era todas essas coisas. Talvez tivesse, chegado à conclusão de que ela era uma carga pesada, perigosa demais e belicosa demais para ele continuar carregando.
Ouviu passos pesados e firmes no corredor, parando à porta, hesitando um pouco e, depois, afastando-se. Depois que o homem foi embora, Bella percebeu que tinha estado com a respiração presa, apavorada. Já os ouvira antes - os clientes de Lilas, fregueses das meninas, passando por sua porta.
O pensamento de que estava presa ali, forçada a ficar esperando qualquer coisa que ele tivesse planejado para ela, era insuportável. O que podia fazer? Os olhos de Bella dirigiram-se, esperançosos, para a janela, mas já fizera isso antes e vira que as grades eram grossas e pesadas e cravadas na pedra. Além das grades, havia as cortinas, que nunca se abriam para deixar entrar um pouco de ar puro.
Bella começou a andar outra vez, mais nervosamente, e suas mãos se abriam e se fechavam à sua frente. Ele tinha que voltar, tinha!
Todas as vezes em que ouvia passos na porta, Bella ficava gelada, e a cor fugia de seu rosto, para voltar só depois que se afastavam. Ele está fazendo de mim uma puta, pensou furiosamente, febrilmente. Sim, porque estou ficando igual a elas, esperando, ouvindo os passos do homem que me possuirá esta noite. Deus, não posso deixar que ele faça isso comigo. Tenho que ficar calma!
Andando até a penteadeira, Bella apanhou a escova e começou a escovar os cabelos com tanta força que o couro cabeludo lhe ardeu. Contudo, a dor ajudou-a a pensar com mais clareza.
Viu-se nos elegantes espelhos, que triplicavam sua imagem - manchas de cor nas faces, como se tivesse se pintado, os olhos verdes maiores do que nunca. Os passos se afastaram um pouco e depois voltaram. Ouviu uma voz do outro lado da porta - engrolada e pastosa, como a de um bêbado.
- Ei, você está aí? Você é a número 7? A cabecínha vermelha que ela me prometeu para hoje?
Sem voz, gelada de medo, Bella ouviu mexerem na fechadura.
- Como é, vai abrir ou não vai? Maldita, eu já paguei um dinheirão a Lilaas, mas, se você for bonita como ela falou, pago até mais...
Não tinha sequer ouvido seus passos e, no entanto, ali estava ele! E a cabecinha vermelha que ele estava procurando... não, não era possível! Ele estava mexendo na porta novamente, xingando. Tudo o que tinha a fazer era ficar quieta, e alguém, com certeza, viria tirá-Io dali. Claro que viriam!
E se ... quase sem parar para pensar, Bella correu para a porta, segurando a maçaneta.
- Moço? Moço, estou presa! O senhor vai ter que abrir a porta por fora, se é que quer mesmo... - só então se lembrou de suavizar a voz e torná-Ia suplicante.
Será que ele havia sido mandado de propósito? Mas, nesse caso, não teriam lhe dito que a porta estava trancada por fora? Não lhe teriam dito para entrar e surpreendê-Ia?
Mas se ele não tivesse sido mandado, estivesse bêbado e se houvesse se enganado ao olhar o número do quarto, então...
- Oh! Deus! - rezou em silêncio -, fazei que ele esteja tão bêbado que eu possa lidar com ele facilmente.
Ouviu uma risada de ébrio, sentiu mexerem na fechadura, e ficou imaginando se era preciso uma chave para abri-Ia. Não... não se lembrava de ter visto Edward usar chave. Com certeza, teria ouvido o ruído.
Continuou rezando:
- Fazei que ninguém venha aqui agora, ainda não!
Ouviu o dique da fechadura e recuou, enquanto a porta se abria e um homem entrava, cambaleando. Antes que ele pudesse dizer uma palavra, ela se atirou para a frente rapidamente e, agarrando uma escova, introduziu a parte estreita do cabo entre a porta e o batente - o bastante para que ela não voltasse a se fechar.
- Se... se eu não fizesse isso, aí você ficaria preso aqui dentro também - explicou num fôlego.
- Até que não era má idéia, agora que vi você, sua potrinha!
Bella se endireitou com cuidado, andando para trás e se afastando dele, esperando que seus movimentos não fossem notados. Vendo os lábios grossos do homem rindo de sua própria graça, e vendo o olhar que ele lhe dirigia, passando a língua pelos lábios, deu-se conta, de repente, de seu aspecto.
Tudo o que vestia era um hobe leve que não escondia nada àqueles olhos cúpidos. O cabelo lhe caía solto sobre os ombros e as costas. Agora, subitamente, começou a se preocupar com o que havia feito, e seu coração começou a bater com força.
- Por Deus, desta vez Lilas não mentiu! Linda, linda... você é uma verdadeira jóia! Vamos lá, bonequinha, não precisa bancar a inocente comigo. Dê cá uma beijoca, vamos.
Furtivamente, o homem foi se chegando para seu lado, e Bella recuou, assustada, não se arriscando a tirar os olhos de seu rosto.
- Por favor, moço, oh! Por favor, espere um pouco! O senhor tem que me ouvir, precisa me ouvir!
Seus olhos eram opacos, como os de um animal, e ela percebeu que ele tinha enormes mãos vermelhas, que estendia para ela. Santo Deus, será que ele não tinha vergonha? Era mais velho que seu pai - um homem de cabelos brancos, com um começo de calva, uma barriga enorme que caía por cima do cinto e olhos azuis aguados. Estava rindo maliciosamente, os olhos piscando sob a testa baixa e proeminente.
- Vamos logo, boneca, eu gosto de potrinhas selvagens e impetuosas, não precisa fingir, já lhe disse, dê-me um beijinho, pra começar, está bem?
Ele riu, e Bella ficou doente de medo quando viu que não podia recuar mais - já sentira a beira da cama contra as coxas. Teve vontade de gritar.
- Meu senhor! O senhor quer me ouvir um minuto? - passou a língua nos lábios, nervosamente, tentando fazer sua voz soar meiga e suplicante. - Qual é a pressa, querido? Vê, sou toda sua, mas você precisa deixar que eu converse um pouco com você antes, precisa ser paciente comigo, compreende? Oh! Por favor... ! ¬Ele não compreendeu. Ela atirou as mãos para ele em desespero e tentou de novo. - Eu... é a minha primeira vez, por favor ... Não compreende isso? É por isso que ela me mantém trancada aqui, para eu não fugir, mas você me parece tão gentil e você é tão... Tão bonitão ... Distinto, sabe?
Ele parou de cambalear, olhou desconfiado para ela, e Bella sentiu um raio de esperança. Pelo menos ele a estava ouvindo agora! Tratou de pôr toda a súplica que conseguiu na voz, desagradavelmente consciente da cama por trás dela.
- Você... vi logo que era um cavalheiro. Você vai me ajudar, não vai? Eles me mantêm prisioneira aqui, à força, mas você vai me salvar, não vai? - Deu um pequeno soluço e viu que seus olhos pequenos a examinavam, numa espécie de dúvida.
- Olhe aqui, moça! Lilas falou que você era uma cabecinha vermelha muito bonita e que não ia me decepcionar, que a gente ia se divertir muito. Não venha com drama pra cima de mim, não, que não quero saber de problema, só vim aqui para dar uma dormidinha com uma boa mulher...
Ela viu que seus olhos a mediam, sua língua saía da boca para umedecer os lábios grossos, e sentiu seu coração parar. Oh! Deus, ele tinha que escutá-Ia!
- Por que você não fecha essa matraca, vem aqui e me dá o beijinho que estou pedindo faz tempo?
Bella se forçou a sorrir para ele e jogar a cabeça para trás num gesto faceiro.
- Você é tão grande e forte que seus braços me amarrotariam num instante! Por que você não...
Rindo, ele começou a tirar o cinto, e ela falou rapidamente, inclinando-se para a frente:
- Você... Você vai ter que ir bem devagar, promete? Eu... realmente sou nova nisso e não sei...
- Olhe aqui, coisinha linda, eu já paguei a Lilas. Não vai tentar me passar para trás. Eu conheço vocês, putinhas, e quanto mais inocentes vocês parecem, mais ruins são Vamos parar com essas mentiras, já!
Mas não sou uma puta! Não quero ser! Escute aqui. Você parece um camarada esperto, que não se deixa levar pelas aparências. GostarIa de ganhar uma recompensa? Um montão de dinheiro? Coisa assim como dez mil dólares? Você vai poder fazer seu preço se me levar de volta para meu pai.
Alguma coisa no tom aflito de sua voz e a forma como trançava e destrançava os dedos parecia ter prendido a atenção do homem, e, apesar de seu estado de embriaguez e de lascívia, ele fixou os olhos nela.
- Você está louca?
Para seu desespero, ela viu que seus olhinhos de porco haviam adquirido um ar frio, e ele a olhava com raiva no rosto.
- Escute, não vim aqui para fazer graça! Conheço o tipo de mulher que Lilas tem, e não há nenhuma vagabunda aqui contra a vontade.
- Meu nome é Isabella Swan. Swan? Pelo amor Deus, você quer prestar atenção? Meu pai é senador pela Califórnia e deve ter mandado pregar avisos oferecendo recompensa pela minha volta, tenho certeza! Se me levasse com você... Por favor!
- Sei... Sei... - Ele estava sacudindo a cabeça, sempre olhando para ela de soslaio, com um riso de malícia nos lábios - Olhe aqui, boneca, você me dá alguma coisa primeiro, depois a gente vê o que pode fazer!
Enlouquecida de pavor, viu-o afrouxar o cinto e os suspensórios, sempre rindo para ela.
- Vamos, agora. Seja bem boazinha para mim, que depois eu vejo o que posso fazer, está ouvindo?
Ele se atirou para ela, ainda com as calças nas mãos, e sua mão tocou em seu seio.
Com um grito de medo e desespero, Bella rolou para o lado e para trás na cama, e ele foi atrás dela, já arrancando seu robe com as mãos.
- Não... Não! Tire essas mãos sujas de cima de mim!
- Você é do tipo que briga, é? Gosta que o homem seja bruto? Eu terei por aquilo pelo que paguei.
Ela tentou sair pelo outro lado da cama, mas as mãos - como garras, seguraram sua perna, e ela o ouviu dar uma gargalhada. Com a outra mão ele a segurou pelos fundilhos e, por fim, ela gritou. Suas mãos se agitaram e pousaram na mesa-de-cabeceira - o relógio!
Quase sem poder raciocinar, Bella o agarrou com os dedos crispados e deu com ele na cabeça do homem, com toda a força que tinha.
Ele emitiu um som que mais parecia um grunhido, e ela teve a impressão de que seu pesado corpo cambaleou terrivelmente antes de se estatelar no chão, ainda tentando agarrá-Ia com os dedos.
Soluçando, tremendo de medo ainda, Bella olhou para ele.
O bastardo sujo e seboso! Ele merecera aquilo. Mesmo que ela o tivesse matado, ele o teria merecido. Ele fedia a suor e a roupa suja, e ela se deu conta, de repente, de que, mesmo enquanto se despia na expectativa de possuí-Ia, não havia se dado ao trabalho de tirar as botas e as nojentas roupas de baixo.
Desceu da cama, arrancando o resto do hobe do corpo, e correu ao armário. Felizmente, pelo menos tinha roupa. Lorena, com pena dela, havia lhe trazido dois vestidos, dois dias antes. Tudo o que Edward havia lhe dado era uma blusa branca e uma saia de montaria!
Não havia tempo para escolher. Bella pegou o primeiro vestido que lhe caiu nas mãos, um traje verde vaporoso, de renda e cetim, com grande decote, que enfiou pela cabeça. Seus dedos tremiam enquanto se forçava a ter a calma necessária para abotoar os pequenos botões que prendiam a blusa. O pânico, um medo seco que a deixava tremendo como uma folha, era o que a movia agora.
Enfiando os pés em sandálias de saltos altos, totalmente impróprias, Bella correu ao espelho e prendeu os cabelos para cima, de qualquer maneira, enrolando parte em cima da cabeça e deixando o resto cair sobre as costas. Um pouco de pintura na boca - se alguém a visse, não deveria parecer diferente das outras "meninas" - e já estava longe do espelho e se dirigindo à porta, parando apenas um segundo para verificar se o homem ainda estava inconsciente. Estava se movend0... Deus, ele se mexera! Estava gemendo. Não querendo ver mais nada, Bella saiu correndo do quarto, só parando para ver se a porta estava fechada atrás dela.
Pelo menos escapara do quarto, mas ali, no corredor estreito e silencioso, Bella deu um soluço desesperado ao imaginar como conseguiria escapar do prédio. A porta dos fundos estava fora de cogitação, pois Manuel a vigiava, mas a escada à sua frente dava para o térreo - sem dúvida, para o próprio salão.
Com os ouvidos atentos, Bella ouviu uma porta se abrir e se fechar no andar de baixo... O som de um piano... Uma voz de mulher cantando e um riso masculino. Embaixo havia gente, luzes brilhantes e falatório. Será que não haveria, entre os homens que freqüentavam a casa de Lilas, um ou dois bastante decentes para ajudá-Ia? Será que iriam ter coragem, lá embaixo, em público, de fazê-la prisioneira novamente?
Em seguida, sem pensar nos riscos que corria, Bella se encaminhou rapidamente para o fim do corredor, para perto da escada grata pelas luzes fracas e rosadas que Lilas mantinha ali.
A escada fazia uma ligeira curva; ao descê-Ia, o mais silenciosamente possível, Bella viu um pequeno vestíbulo, com uma porta vaivém que deveria dar no salão. Seu coração bateu mais forte, e ela praticamente desceu correndo os últimos degraus. Tinha que haver outra porta ali, não podia deixar de haver! Ao chegar, p0rém, ao fim da escada, teve a maior desilusão, pois só havia um grande espelho na parede que refletia sua imagem assustada e contra a parede, uma estante de madeira com um jarro de flores murchas.
Parou, hesitante. Nesse momento a porta se abriu, e um homem e uma mulher, ambos sorrindo, passaram por ela. O homem era um mexicano ou espanhol, alto e magro, com bigode escuro, e a jovem era Lorena. Ele tinha a mão em volta de sua cintura e ainda estavam rindo e fazendo graça, até que Lorena viu Bella que parecia presa ao chão, petrificada, com a boca semi-aberta.
- Bella! Oh! chérie, como é que você pôde...
- Outra novata bonita? Onde é que Lilas acha todas vocês? -O homem sorriu, mostrando dentes brancos.
- Quem sabe ela também quer vir conosco, Lorena? Tenho bastante dinheiro e depois acerto com Lilas.
Antes que Lorena pudesse dizer alguma coisa mais, ou o homem sorridente completar sua proposta, Bella passou pelos dois correndo e entrou no salão, movida por um pânico cego e um desespero incontrolável.
Seus olhos espantados olharam rapidamente para a direita e para a esquerda, notando que não havia muita gente no salão. Um garçom enxugava copos por trás do longo e curvo bar;das "meninas", apenas uma, sentada sobre o piano com as pernas ousadamente cruzadas, cantava uma canção picante.
O salão era mais comprido do que largo, Logo que localizou a porta da frente, Bella levantou a saia e precipitou-se em direção a ela, correndo mais do que já o fizera em toda a sua vida.
Ouviu Lorena chamando por trás dela:
- Bella, pare! Você não deve... - Atravessou então as largas portas e continuou correndo cegamente, quase sem noção de para onde ia, sabendo apenas que precisava continuar correndo para escapar do que Edward lhe faria se a encontrasse.
Ginny ouviu o som de seus sapatos no calçamento irregular e seus passos soavam terrivelmente alto, Depois, ouvindo outros passos atrás de si, correu como um animal acuado, notando apenas, ofegante, que a rua era estreita e poeirenta,
Seus cabelos se soltaram, caindo-lhe sobre o rosto e os ombros, cegando-a, mas ainda assim continuou a correr. Podia sentir o suor lhe escorrendo pelo corpo, a respiração fazia doer-lhe a garganta e sentia, com incrível desespero, que estava se cansando e que seus passos já estavam lentos e arrastados.
Oh! Deus! Será que ela tinha tido mesmo esperança de fugir?
Para onde podia ir? Um de seus sapatos saiu do pé e ela tropeçou; tentando se equilibrar, abriu os braços e caiu pesadamente, esparramando-se vergonhosamente na poeira e na sujeira da rua.
Ficou deitada ali, sem ação, sem se mover, tendo perdido todas as forças. Que degradação lhe faltava ainda?
Abrindo os olhos, viu suas botas, uma de cada lado de seu rosto. Teria que ser ele... Quem mais viria atrás dela? Ouviu sua voz sarcástica, vinda de algum lugar acima de sua cabeça.
- Francamente, minha querida! Você poderia ter-me dito que queria tomar um pouco de ar fresco. Ou será que estava tão ansiosa assim pela minha companhia?
Sem lhe dar tempo para responder às suas ironias, ele se abaixou e, agarrando seu braço, colocou-a brutalmente de pé.
Ela continuava soluçando desesperadamente, e ele, com uma exclamação irada, tirou o lenço do pescoço e começou a limpar seu rosto, enquanto seus dedos, enterrados na carne de seu braço, a mantinham imóvel.
- É bom você melhorar seu aspecto, antes de eu levá-Ia novamente para dentro - disse-lhe friamente.
Bella olhou à sua volta, alucinadamente, e viu que, apesar de ter a impressão de haver corrido quilômetros, estava a pequeníssima distância da porta iluminada do bar de Lilas. Uma meia-lua esbranquiçada pairava no céu, e à sua luz difusa podia ver quão enfurecido Edward estava - com as sobrancelhas negras quase se encontrando, e os lábios, comprimidos de irritação.
- Vamos embora agora, ande - disse, sacudindo-a. - Você queria um passeio e um pouco de divertimento; você o terá. Antes, porém, abaixe-se e calce a sandália. Não fica bem você entrar descalça como uma índia qualquer, fica?
- Por favor - murmurou incoerentemente, mas resolveu se calar e não prosseguir com a súplica, pois sabia que seria inútil.
Ódio, pânico, esperança, tudo se evaporou, deixando um frio desespero. Silenciosamente, pôs-se a caminhar a seu lado, quase não sentindo seus dedos, como uma torquês a apertar-lhe o braço pouco acima do cotovelo.
