Foi um convite manuscrito, Hermione concluiu mais tarde, que mudou sua vida.
Depois que, Harry Potter lhe entregou a sua parte do dinheiro, Hermione deixou, o Savoy e foi para Park Street, 47, um hotel sossegado, semi-residencial, com quartos grandes e agradáveis, um serviço impecável.
No seu segundo dia em Londres, o convite foi entregue em sua Suíte pelo porteiro. Estava escrito numa letra pomposa: "Um amigo comum sugeriu que poderia ser proveitoso para nós dois se nos conhecêssemos. Não gostaria de tomar chá comigo esta tarde, no Ritz, às quatro horas? Se me perdoar o cliché, estarei usando um cravo vermelho." A assinatura era "Gunther Hartog".
Hermione nunca ouvira falar dele. Sua primeira inclinação foi ignorar o bilhete, mas a curiosidade acabou prevalecendo. Às 16:45 estava na entrada do elegante restaurante do Ritz Hotel.
Notou-o imediatamente. Era um homem na casa dos 60 anos, calculou Hermione, de aparência atraente, um rosto fino, intelectual. A pele era lisa e clara, quase translúcida. Vestia um terno cinza de corte perfeito, com um cravo vermelho na lapela. Quando Hermione se aproximou da mesa, ele levantou-se e se inclinou ligeiramente.
-Obrigado por ter aceito meu convite.
Ele sentou-a com um galanteio antiquado que Hermione achou muito atraente. Parecia pertencer a outro mundo. Hermione não podia imaginar o que um homem assim haveria de querer com ela.
- Só vim porque estava curiosa - confessou Hermione. - Mas tem certeza de que não me confundiu com outra Hermione Granger? - Gunther Hartog sorriu.
- Pelo que ouvi dizer, só pode existir uma única Hermione Granger.
- O que exatamente ouviu?
- Não é melhor conversarmos sobre isso enquanto tomamos o chá?
O chá consistia de pequenos sanduíches, com ovo picado, salmão, pepino, agrião e galinha. Havia bolinhos quentes, com manteiga ou geléia, doces frescos, tudo acompanhado por chá Twinings. Eles conversaram enquanto comiam.
- Seu bilhete mencionava um amigo comum - comentou Hermione.
- Conrad Morgan. Tive negócios ocasionais com ele.
"Fiz negócios com ele uma vez "pensou Hermione, sombriamente. "E ele tentou me passar para trás."
- Ele é um grande admirador seu - acrescentou Gunther Hartog.
Hermione observou mais atentamente o seu anfitrião. Tinha o porte de um aristocrata e a aparência de riqueza. O que ele quer comigo?, especulou Hermione novamente. Ela resolveu deixá-lo continuar, mas não houve menção adicional a Conrad Morgan ou a qualquer possível beneficio mútuo que pudesse decorrer de uma ligação entre Gunther Hartog e Hermione Granger.
Hermione achou o encontro extremamente agradável e absorvente. Gunther lhe falou a respeito de suas origens.
- Nasci em Munique. Meu pai era um banqueiro, um homem rico. Infelizmente, cresci um tanto mimado, cercado por belos quadros e antiguidades. Minha mãe era judia. Quando Hitler subiu ao poder, meu pai recusou-se a abandoná-la. Por isso, foi despojado de tudo o que possuía. Ambos morreram nos bombardeios. Amigos me mandaram às escondidas da Alemanha para a Suíça. Depois que a guerra terminou, resolvi não voltar à Alemanha. Vim para Londres e abri uma pequena loja de antiguidades na Motint Street. Espero que a visite um dia.
Então isso é tudo, pensou Hermione, surpresa. Ele quer me vender alguma coisa.
Mas ela descobriu que estava enganada.
Enquanto pagava a conta, Gunther Hartog disse, casualmente:
- Tenho uma pequena casa de campo em Hampshire. Receberei alguns amigos para o fim de semana e ficaria deliciado se quisesse se juntar a nós.
Hermione hesitou. O homem era um completo estranho e não tinha a menor idéia do que ele queria dela. Mas acabou chegando à conclusão que nada tinha a perder.
O fim de semana foi fascinante. A "pequena casa de campo" de Gunther Hartog era um findo solar do o XVII, numa propriedade de 30 acres. Gunther era viúvo e vivia sozinho, exceto pelos criados. Levou Hermione para uma excursão pela propriedade. Havia um estábulo com meia dúzia de cavalos, uma área em que ele criava galinhas e porcos.
- Assim, nunca passaremos fome - disse ele, solenemente. - Mas vou lhe mostrar agora o meu verdadeiro hobby.
Ele conduziu Hermione a um galpão cheio de pombos.
- Estes são pombos-correio. - A voz de Gunther transbordava de orgulho. - Veja só que belezas! Está vendo aquela cinzenta ali? É Margo.
Ele pegou a pomba, afagou-a.
- Sabia que você é uma garota terrível? Ela implica com os outros. Mas é a mais inteligente.
Hartog alisou as penas por cima da cabeça pequena e largou-a com todo cuidado. As cores dos pombos eram espectaculares. Havia uma ampla variedade de azul-preto, azul-cinza com diversos padrões, prateado.
- Mas não há brancos - comentou Hermione.
- Os pombos-correio nunca são brancos - explicou Gunther. - As penas brancas se soltam facilmente, e quando os pombos voltam para casa voam a uma velocidade média de 65 quilómetros horários.
Hermione observou enquanto Gunther alimentava as aves com uma ração especial de corrida, contendo vitaminas extras.
- Os pombos-correio constituem uma espécie espantosa – disse Gunther. - Sabia que são capazes de encontrar seu pombal a uma distância superior a 800 quilómetros?
- Isso é fascinante...
Os outros convidados eram igualmente fascinantes. Havia um ministro de Estado, com sua esposa; um conde; um general e sua amante; a Maharani de Morvi, uma jovem muito atraente e simpática.
- Por favor, chame-me de V. J. - disse ela, numa voz quase sem sotaque.
Ela usava um sari vermelho, com fios de ouro, as jóias mais lindas que Hermione já vira.
- Guardo a maioria das minhas jóias num cofre-forte - explicou V. J. - Há tantos roubos atualmente...
Na tarde de domingo, pouco antes do momento em que Hermione deveria voltar a Londres, Gunther convidou-a para seu estúdio. Sentaram-se com uma bandeja de chá entre os dois. Enquanto servia o chá nas delicadas xícaras Belleek, Hermione disse:
- Não sei por que me convidou para vir aqui, Gunther, mas qualquer que seja o motivo tive um fim de semana maravilhoso.
- Fico satisfeito por isso, Hermione. - Depois de um momento, ele acrescentou: - Estive observando-a.
- Entendo...
- Tem planos para o futuro?
Ela hesitou.
- Não. Ainda não decidi o que vou fazer.
- Creio que poderíamos trabalhar muito bem juntos.
- Na loja de antiguidades?
Gunther riu.
- Não, minha cara. Seria uma pena desperdiçar os seus talentos. Sei de sua aventura com Conrad Morgan. E devo dizer que controlou tudo de maneira brilhante.
- Gunther... tudo isso pertence ao passado.
- Mas o que tem pela frente? Disse que não fez planos. Deve pensar em seu futuro. Não importa quanto dinheiro possua agora, certamente acabará um dia. Estou sugerindo uma sociedade. Eu frequento círculos influentes, internacionais. Compareço a bailes de caridade, caçadas e passeios de iate. Conheço as idas e vindas dos ricos.
- Ainda não entendi o que isso tem a ver comigo...
- Posso introduzi-la nesse círculo dourado. E dourado, Hermione, no caso, é mesmo por causa do ouro. Posso fornecer informações sobre jóias fabulosas e quadros extraordinários, como consegui-los com absoluta segurança. Posso vendê-los particularmente. Você estaria equilibrando um pouco a situação de pessoas que enriqueceram demais à custa de outras. Tudo seria dividido igualmente entre nós. O que me diz?
- Digo que não.
Ele estudou-a com um ar pensativo.
- Entendo. Poderia me procurar, se por acaso mudar de idéia?
- Não mudarei de idéia, Gunther.
Hermione retornou a Londres ao final daquela tarde.
Hermione adorou Londres. Jantou em Le Gavroche, Bill Bentley's e Coin du Feu, foi ao Drones depois do teatro para comer autênticos hambúrgueres americanos e chili apimentado. Foi ao National Theatre e Royal Opera House, compareceu a leilões no Christie's e Sotheby's. Fez compras na Harrods, Fonnum e Mason's, folheou livros na Hatchards e Foyles. Alugou um carro com motorista e passou um fim de semana memorável no Chewton Glen Hotel, em Hampshire, à beira da New Forest, onde o cenário era espetacular e o serviço impecável.
Mas todas essas coisas eram caras. Não importa quanto dinheiro possua agora, certamente acabará um dia. Gunther Hartog estava certo. Seu dinheiro não duraria para sempre e Hermione compreendeu que precisaria fazer planos para o futuro.
Ela foi convidada para outros fins de semana na casa de campo de Gunther, apreciando intensamente cada visita e a companhia dele.
Um domingo, ao jantar, um membro do Parlamento virou-se para Hermione e disse:
- Nunca conheci um verdadeiro texano, Senhorita Granger. Como eles são?
Hermione se lançou a uma imitação maliciosa de uma matrona nova-rica do Texas, arrancando risos efusivos de todos. Mais tarde, quando ficou a sós com ela, Gunther indagou:
- Não gostaria de ganhar uma pequena fortuna fazendo essa imitação?
- Não sou uma atriz, Gunther.
- Está se subestimando. Há uma joalheria em Londres... Parker & Parker..., que sentem a maior delícia... como dizem os americanos... em explorar seus clientes. Você me deu uma idéia sobre a maneira de fazê-los pagar por sua desonestidade.
Ele expôs a idéia a Hermione, que respondeu no final:
- Não.
Quanto mais pensou a respeito, no entanto, mais se sentiu atraída. Lembrou-se da emoção de ser mais esperta do que a polícia em Long Island, de Boris Melnikov, Pietr Negulesco e Harry Potter. Fora uma emoção indescritível. Mesmo assim, isso era parte do passado.
- Não, Gunther - insistiu ela.
Mas desta vez não havia tanta certeza em sua voz.
Londres estava excepcionalmente quente para outubro e ingleses e turistas aproveitavam igualmente o sol forte. O tráfego de meio-dia era intenso, com paralisações em Trafalgar Square, Charing Cross e Piccadilly Circus. Um Daimler branco saiu da Oxford Street e entrou na New Bond Street, avançando pelo tráfego, passando por Roland Cartier, Geigers e Royal Bank of Scotland. Poucas portas além da Hermes o Daimler parou diante de uma joalheria. Uma discreta placa polida no lado da porta anunciava: PARKER & PARKER. Um motorista de libré saltou da limusine e deu a volta apressadamente para abrir a porta da passageira. Uma jovem loura, com um excesso de maquilhagem e um vestido italiano de tricô muito justo, sob o casaco de zibelina, totalmente impróprio para o tempo, saltou do carro.
- Onde fica a espelunca, júnior? - perguntou ela, em voz muito alta, com um desagradável sotaque texano.
O motorista indicou a entrada.
- Ali, madame.
- OK, meu bem. Fique esperando. A coisa não vai demorar muito.
- Talvez eu tenha de dar uma volta pelo quarteirão, madame. Não me permitirão ficar estacionado aqui.
A mulher deu-lhe um tapinha nas costas.
- Faça o que tiver de fazer, cara.
Cara! O motorista estremeceu. Era sua punição por estar reduzido a guiar carros de aluguel. Ele detestava todos os americanos, particularmente os texanos. Eram selvagens... mas selvagens com dinheiro. Ele ficaria espantado se soubesse que sua passageira nunca estivera no Texas, o Estado da Estrela Solitária.
Hermione verificou seu reflexo na vitrine, armou um sorriso e avançou para a porta, que foi aberta por um empregado uniformizado.
- Boa tarde, madame.
- Boa tarde, cara. Vende alguma coisa nesta espelunca além de jóias de fantasia?
Ela riu de sua piada. O porteiro empalideceu. Hermione entrou pela loja, deixando em sua esteira uma fragância irresistível de Chioé. Arthur Chilton, um vendedor de fraque, adiantou-se.
- Posso ajudá-la, madame?
- Talvez sim, talvez não. O velho P. J. disse para eu comprar um presentinho de aniversário para mim mesma. E aqui estou. O que tem para me mostrar?
- Madame está interessada em alguma coisa em particular?
- Ei, parceiro, vocês ingleses não perdem tempo, hem? – Ela riu escandalosamente e bateu em seu ombro. Chilton precisou fazer um grande esforço para permanecer impassível. – Talvez alguma coisa de esmeraldas. O velho P. J. adora quando eu compro esmeraldas.
- Se quiser me acompanhar, por favor...
Chilton conduziu-a a um mostruário em que havia diversas bandejas com esmeraldas. A loura oxigenada lançou um olhar desdenhoso para as pedras.
- Estas são as bebés. Onde estão os papais e mamães?
Chilton, disse, tensamente:
- Estas peças têm um preço que vão até trinta mil dólares.
- Ora, isso eu dou de gorjeta ao meu cabeleireiro. - A mulher soltou uma risada. - O velho P. J. ficaria insultado se eu voltasse com uma dessas pedrinhas.
Chilton visualizou o velho P. J. Gordo e barrigudo, tão escandaloso e repulsivo quanto aquela mulher. Eles bem que se mereciam. Por que o dinheiro sempre corre para quem não o merece?
- Em que nível de preço madame está interessada?
- Por que não começamos logo por alguma coisa em torno dos cem bagarotes?
Ele permaneceu impassível.
- Cem bagarotes?
- Ora essa, pensei que todos vocês falassem a língua do rei. Cem mil dólares.
Chilton engoliu em seco.
- Nesse caso, talvez seja melhor falar com o nosso diretor-executivo.
O diretor-executivo, Gregory Halston, insistia em cuidar pessoalmente de todas as vendas grandes. Como os empregados da Parker & Parker não recebiam comissão, não fazia a menor diferença para eles. Com uma cliente tão desagradável quanto aquela, Chilton sentia-se aliviado em passá-la para Halston.
Ele apertou um botão por baixo do balcão e um momento depois um homem pálido e magro saiu de uma sala nos fundos. Olhou para a loura vestida tão afrontosamente e rezou para que nenhum de seus clientes regulares aparecesse até que a mulher fosse embora. Chilton disse:
- Sr. Halston, esta é a Sra... ahn...
Ele virou-se para a mulher.
- Benecke, meu bem. Mary Lou Benecke. A esposa do velho P. J. Benecke. Aposto que todos já ouviram falar de P. J. Benecke.
- Claro.
Gregory Halston concedeu à mulher um sorriso que mal tocava seus lábios.
- A Sra. Benecke está interessada em comprar uma esmeralda, Sr. Halston.
Gregory Halston indicou as bandejas de esmeraldas.
- Temos aqui algumas esmeraldas excelentes que...
- Ela queria alguma coisa em torno aproximadamente de cem mil dólares.
Desta vez o sorriso que iluminou o rosto de Gregory Halston era genuíno. Uma ótima maneira de começar o dia.
- É o meu aniversário e o velho P. J. quer que eu compre alguma coisa bem bonita.
- Pois não - disse Halston. - Quer me acompanhar, por favor?
- Ora, seu pequeno patife, o que está pensando em fazer comigo?
A loura soltou uma risadinha. Halston e Chilton trocaram um olhar angustiado. Malditos americanos! Halston conduziu a mulher a uma porta trancada, tirou uma chave do bolso e abriu-a. Entraram numa sala pequena, intensamente iluminada. Halston tornou a trancar a porta, cuidadosamente, explicando:
- É aqui que guardamos as nossas mercadorias para os clientes mais importantes.
Havia no centro da sala um mostruário com uma coleção espectacular de diamantes, rubis e esmeraldas, faiscando.
- Assim está melhor. O velho P. J. ficaria doido aqui dentro.
- Madame vê alguma coisa que lhe agrade?
- Vamos ver o que tem aqui. - Ela foi até a caixa contendo as esmeraldas. - Deixe-me dar uma olhada nestas coisas.
Halston tirou outra chave do bolso, destrancou o mostruário e tirou uma bandeja com esmeraldas, colocando em cima da mesa.
Havia dez esmeraldas na bandeja de veludo. Halston observava, enquanto a mulher pegava a maior, um broche requintado, engastado em platina.
- Como diria o velho P. J., esta aqui tem o meu nome escrito nela.
- Madame tem excelente gosto. Esta é uma colombiana de dez quilates, impecável e...
- As esmeraldas nunca são impecáveis.
Halston ficou aturdido por um momento.
- Madame está correta, é claro. O que eu quis dizer foi...
Pela primeira vez, ele notou que os olhos da mulher eram tão verdes quanto a pedra que ela virava nas mãos, estudando as suas facetas.
- Temos uma coleção maior se...
- Não se afobe, queridinho. Ficarei com esta aqui.
A venda levara menos de três minutos.
- Esplêndido! - Uma pausa e Halston acrescentou: - Em dólares, dá cem mil. Como madame vai pagar?
- Não se preocupe, Halston, doçura. Tenho uma conta em dólares num banco aqui de Londres. Farei um chequinho pessoal. P. J. pode me pagar depois.
- Excelente. Mandarei limpar a pedra e depois entregar em seu hotel.
A pedra não precisava de limpeza, mas Halston não tinha a menor intenção de entregá-la antes que o cheque fosse devidamente descontado, pois eram muitos os joalheiros que haviam sido enganados por vigaristas espertos. Halston orgulhava-se de jamais ter sido trapaceado em uma libra sequer.
- Onde devo entregar a esmeralda?
- Estamos na Suíte Oliver Messel, no Dorch.
Halston escreveu uma anotação.
- O Dorchester.
- Eu chamo de Suíte Oliver Bagunça. - Ela riu. - Uma porção de gente não gosta mais do hotel porque vive cheio de árabes. Mas o velho P. J. faz uma porção de negócios com eles. "O petróleo é o seu próprio país", como ele sempre diz. P. J. Benecke é um cara muito esperto.
- Tenho certeza que sim - respondeu Halston, afavelmente. Ele observou-a pegar um cheque e começar a preencher. Notou que era do Barclays Bank. Ótimo. Tinha um amigo ali que poderia verificar a conta dos Beneckes. Halston pegou o cheque.
- Mandarei entregar-lhe a esmeralda pessoalmente amanhã de manhã.
- O velho P. J. vai adorar - comentou a mulher, radiante.
- Não tenho a menor dúvida - comentou Halston, polidamente. Ele acompanhou-a até à porta da loja.
- Haston...
Ele quase corrigiu-a, mas depois se decidiu contra. Por que se incomodar? Nunca mais tornaria a ver aquela mulher, graças a Deus!
- Pois não, madame?
- Tem de aparecer para tomar um chá com a gente um dia desses. Vai adorar o velho P. J.
- Tenho certeza que sim, madame. Mas, infelizmente, trabalho durante a tarde.
- É uma pena.
Ele observou a cliente sair para a calçada. Um Daimler branco parou um momento depois, um motorista saltou e abriu a porta. A loura fez um sinal com o polegar para cima na direção de Halston, enquanto o carro se afastava.
Halston voltou à sua sala, pegou o telefone e ligou para seu amigo no Barclays:
- Peter, meu caro, tenho aqui um cheque de cem mil dólares de uma certa Sra. Mary Lou Benecke. É bom?
- Espere um instante, meu velho.
Halston esperou. Contava que o cheque fosse bom, pois os negócios andavam meio parados ultimamente. Os sovinas irmãos Parker, que possuíam a loja, viviam constantemente reclamando, como se fosse ele o responsável e não a recessão. É claro que os lucros não haviam caído tanto quanto poderiam, pois Parker & Parker tinha um departamento que se especializava na limpeza de jóias; a intervalos frequentes, a jóia devolvida ao cliente era inferior à que fora recebida. Já houvera queixas, mas nada fora provado. Peter voltou ao telefone:
- Não há problema, Gregory. Tem dinheiro mais do que suficiente na conta para cobrir o cheque.
Halston sentiu um tremor de alívio.
- Obrigado, Peter.
- Não há de quê.
- Vamos almoçar juntos na próxima semana... por minha conta.
O cheque foi compensado sem problemas na manhã seguinte, e a esmeralda colombiana foi entregue por um mensageiro de confiança à Sra. P. J. Benecke, no Dorchester Hotel.
Naquela tarde, pouco antes da hora de fechar, a secretária de Gregory Halston informou-o:
- Uma certa Sra. Benecke está aqui e deseja lhe falar, Sr. Halston.
Ele sentiu um aperto no coração. Ela viera devolver o broche e ele não podia se recusar a aceitá-la. Malditas sejam as mulheres, todos os americanos e todos os texanos! Halston afixou um sorriso e saiu para cumprimentá-la.
- Boa tarde, Sra. Benecke. Presumo que seu marido não gostou do broche.
Ela sorriu.
- Pois presumiu errado, meu chapa. O velho P. J. ficou louquinho pela pedra.
O coração de Halston se encheu de alegria.
- É mesmo?
- Para dizer a verdade, ele gostou tanto que quer que eu arrume outra esmeralda igual, para fazer um par de brincos. Arrume uma pedra gémea da que me vendeu.
Um pequeno franzido apareceu no rosto de Gregory Halston.
- Infelizmente, Sra. Benecke, talvez haja um pequeno problema.
- Que tipo de problema, doçura?
- A sua pedra é única. Não há outra igual. Mas tenho um jogo maravilhoso, num estilo diferente, que poderia...
- Não quero um estilo diferente. Quero uma pedra igualzinha à que comprei.
- Para ser absolutamente franco, Sra. Benecke, não há muitas pedras colombianas de dez quilates impecáveis... – Ele percebeu a expressão no rosto da mulher. - ... quase impecáveis disponíveis.
- Ora, cara, deixe disso. Tem de haver outra pedra em algum lugar.
- Com toda honestidade, só encontrei bem poucas pedras dessa qualidade e tentar duplicá-la exatamente, no formato e na cor, seria quase impossível.
- Temos um ditado no Texas de que o impossível só demora um pouco mais. Sábado é meu aniversário e P. J. me quer ver com os brincos. E o que P. J. quer, P. J. consegue.
- Creio que não é possível...
- Quanto paguei pelo broche... cem mil? Sei que o velho P. J. está disposto a pagar duzentos mil ou até trezentos mil pela outra pedra.
Gregory Halston pensava depressa. Tinha de haver uma duplicação daquela pedra em algum lugar. Se P. J. Benecke estava disposto a pagar 200 mil dólares extras, isso representaria um lucro apreciável. Na verdade, pensou Halston, posso dar um jeito para que represente um lucro apreciável para mim. Em voz alta, ele disse:
- Farei algumas indagações, Sra. Benecke. Tenho certeza de que nenhum outro joalheiro de Londres possui uma esmeralda idêntica, mas sempre há coleções sendo leiloadas. Veremos se obtemos resultados.
- Tem até o fim da semana para conseguir - advertiu a loura. - E aqui entre nós e o lampião, o velho P. J. provavelmente estará disposto a pagar até trezentos e cinquenta mil.
E a Sra. Benecke se foi, o casaco de zibelina esvoaçando em sua esteira.
Gregory Halston ficou sentado em sua sala, imerso em devaneio. O destino jogara em suas mãos um homem tão apaixonado por sua sirigaita loura que se mostrava disposto a pagar 350 mil dólares por uma esmeralda que valia cem mil. O que daria um lucro líquido de 250 mil dólares. Gregory Halston não via necessidade de sobrecarregar os irmãos Parker com os detalhes da transação. Seria muito simples registrar a venda da segunda esmeralda por cem mil dólares e embolsar o resto. Os 250 mil dólares extras seriam uma garantia pelo resto de sua vida.
Tudo o que tinha de fazer agora era descobrir uma esmeralda igual à que vendera à Sra. P. J. Benecke.
Só que isso se tornou muito mais difícil do que Halston previra. Nenhum dos joalheiros para os quais telefonou tinha em estoque uma pedra que sequer parecesse com a que precisava.
Ele pôs anúncios no Times de Londres e no Financial Times, entrou em contato com a Christie's e Sotheby's, com uma dúzia de outros leiloeiros. Nos dias subsequentes ofereceram a Halston incontáveis esmeraldas inferiores, boas esmeraldas e umas poucas esmeraldas de primeira qualidade, mas nenhuma se aproximava da que estava procurando. A Sra. Benecke telefonou-lhe na quarta-feira e avisou:
- O velho P. J. está ficando impaciente. Ainda não descobriu a pedra?
- Ainda não, Sra. Benecke. Mas não se preocupe. Acabaremos encontrando.
Ela tornou a telefonar na sexta-feira:
- Amanhã é o meu aniversário.
- Sei disso, Sra. Benecke. Se me desse mais alguns dias, tenho certeza que poderia...
- Não se preocupe com isso, doçura. Se não tiver a outra esmeralda até amanhã de manhã, devolverei a que comprei. O velho P. J. ... abençoado seja o seu coração... diz que vai me comprar em vez disso uma velha propriedade rural. Já ouviu falar de um lugar chamado Sussex?
Halston começou a suar.
- Detestaria viver em Sussex, Sra. Benecke. Detestaria uma dessas velhas mansões rurais. Quase todas se encontram em estado deplorável. Não possuem aquecimento central e...
Ela interrompeu-o:
- Aqui entre nós, eu preferia ficar com os brincos. O velho P. J. até mencionou alguma coisa sobre pagar quatrocentos mil dólares por uma gêmea daquela esmeralda. Não faz idéia de como o velho P. J. pode ser teimoso.
Quatrocentos mil dólares! Halston podia sentir o dinheiro escapulindo entre seus dedos.
- Pode estar certa de que estou fazendo tudo o que é possível
- suplicou ele. - Dê-me um pouco mais de tempo.
- Isso não compete a mim, doçura. O problema é com P. J.
E a linha ficou muda.
Halston continuou sentado, amaldiçoando o destino. Onde poderia encontrar uma esmeralda de dez quilates idêntica? Ele estava tão absorvido em seus pensamentos amargurados que não ouviu a campainha do interfone até o terceiro toque. Apertou o botão e disse bruscamente:
- O que é?
- Há uma certa Condessa Marissa no telefone, Sr. Halston. Quer falar sobre o nosso anúncio da esmeralda.
Mais uma! Ele já recebera pelo menos dez telefonemas naquela manhã e todos haviam sido uma perda de tempo. Ele pegou o telefone e disse rudemente:
- Pois não?
Uma voz feminina suave disse, com um sotaque italiano:
- Buon giorno, signore. Li que está interessado em comprar uma esmeralda. E verdade?
- Se corresponde às minhas exigências, é sim.
Ele não podia esconder a impaciência de sua voz.
- Tenho uma esmeralda que pertence à minha família há muitos anos. É um peccato... uma pena... mas me encontro agora numa situação em que sou obrigada a vendê-la.
Ele já ouvira aquela história antes. Devo tentar o Christie's novamente, pensou Halston. Ou o Sotheby's. Talvez alguma coisa tenha aparecido no último momento ou...
- Signore? Está procurando por uma esmeralda de dez quilates, si?
- Exatamente.
- Tenho uma verde de dez quilates... colombiana.
Quando começou a falar, Halston descobriu que sua voz estava estrangulada:
- Pode... pode dizer isso de novo, por favor?
- Si. Tenho uma verde colombiana de dez quilates. Estaria interessado?
- Posso estar - disse Halston, cuidadosamente. – Poderia passar por aqui para eu dar uma olhada na pedra?
- Não, scusi, mas infelizmente me encontro muito ocupada neste momento. Estamos preparando uma festa na embaixada para meu marido. Talvez na próxima semana eu poderia...
Não! Na próxima semana seria tarde demais.
- Posso então ir procurá-la? - Halston tentou eliminar a ansiedade de sua voz. - Posso ir agora mesmo.
- Ma, no. Sono occupata stamani. Planejei sair para fazer algumas compras e...
- Onde está hospedada, condessa?
- No Savoy.
- Posso estar aí dentro de quinze minutos. Dez.
A voz de Halston era quase desesperada
- Molto bene. E seu nome é...
- Halston... Gregory Halston.
- Suíte ventisei... vinte e seis.
A corrida de táxi foi interminável. Halston passou das culminâncias do paraíso para as profundezas do inferno e tornou a voltar. Se a esmeralda fosse realmente similar à outra, ele seria rico além de seus sonhos mais desvairados.
Ele pagará 400 mil dólares! Um lucro de 300 mil. Compraria uma propriedade na Riviera, talvez um iate. Com uma villa e seu próprio barco, poderia a tantos rapazes bonitos quanto quisesse...
Gregory Halston era ateu, mas ao seguir pelo corredor do Savoy Hotel para a Suíte 26 descobriu-se a rezar: Faça com que a pedra seja bastante parecida para satisfazer o velho P. J. Benecke.
Ele parou diante da porta da condessa, respirando fundo, lutando para se controlar. Bateu na porta. Não houve resposta.
Oh, Deus, pensou Halston, ela não esperou por mim. Saiu para fazer compras e...
A porta se abriu e Halston descobriu-se na frente de uma mulher elegante, na casa dos 50 anos, olhos escuros, um rosto vincado, cabelos pretos com muitos fios brancos. Quando ela falou, a voz era suave, com o familiar sotaque italiano melodioso:
- Si?
- Sou Gre-gregory Halston. Re-recebi seu telefonema.
Em seu nervosismo, ele estava gaguejando.
- Ah, si. Sou a Condessa Marissa. Entre, signore, per favore.
- Obrigado.
Halston entrou na Suíte, comprimindo os joelhos juntos, para impedir que tremessem. Quase que disse impulsivamente: "Onde está a esmeralda?" Mas sabia que devia se controlar. Não era conveniente que parecesse muito ansioso. Se a pedra fosse satisfatória, teria a vantagem na negociação. Afinal, ele era o perito, enquanto a mulher não passava de uma amadora.
- Sente-se, por favor - disse a condessa.
Ele ocupou uma cadeira.
- Scusi. Non parlo molto bene inglese. Não falo muito bem o inglês.
- Não, não. É encantador, encantador...
- Grazie. Aceita um café? Chá?
- Não, obrigado, condessa.
Halston podia sentir o estômago se contraindo. Seria cedo demais para falar da esmeralda? Mas não podia esperar por mais um segundo sequer.
- A esmeralda...
- Ah, si... A esmeralda me foi dada por minha avó. Eu gostaria de dá-la à minha filha quando completasse vinte e cinco anos, mas meu marido está iniciando um novo negócio em Milão e...
A mente de Halston estava em outras coisas. Não se interessava pela tediosa história da vida da estranha sentada à sua frente. Sentia-se ansioso em ver a esmeralda. O suspense era mais do que podia suportar.
- Credo che sia importante ajudar meu marido a iniciar seu novo negócio. - Ela sorriu tristemente. - Talvez eu esteja cometendo um erro...
- Não, não - Halston apressou-se em dizer. - Absolutamente, condessa. O dever de uma esposa é ficar ao lado de seu marido. Onde se encontra a esmeralda?
- Está aqui.
Ela meteu a mão no bolso e tirou uma jóia, envolta em papel de seda, estendendo para Halston. Ele contemplou-a e seu coração se reanimou. Olhava agora para a mais perfeita esmeralda colombiana de dez quilates que já vira. Era tão próxima, na aparência, tamanho e cor, da que vendera à Sra. Benecke que era quase impossível distinguir uma da outra. Não é exatamente a mesma coisa, disse Halston a si mesmo, mas somente um perito poderia reconhecer a diferença.
Ele virou a pedra, deixando a luz incidir sobre as facetas, depois disse em tom de quase desinteresse:
- É uma pedra bastante bonita.
- Spiendente, si. Eu a tenho amado muito por todos estes anos. Detestarei me separar dela.
- Está fazendo a coisa certa - assegurou-lhe Halston. – Assim que o empreendimento de seu marido começar a dar bons resultados, poderá comprar tantas pedras assim quantas desejar.
A condessa suspirou.
- É exatamente o que eu penso. Você é molto simpático.
- Estou prestando um pequeno serviço a um amigo, contessa. Temos pedras muito melhores do que esta em nossa loja, mas meu amigo quer uma que combine exatamente com a esmeralda que comprou para a esposa. Calculo que ele estaria disposto a pagar até sessenta mil dólares por esta pedra.
- Minha avó me amaldiçoaria da sepultura se eu vendesse sua esmeralda por sessenta mil dólares.
Halston contraiu os lábios. Tinha margem para subir o preço. Ele sorriu.
- Vamos fazer uma coisa... acho que posso persuadir meu amigo a subir até cem mil dólares. É muito dinheiro, mas ele está ansioso em obter a pedra.
- Parece um bom preço.
O coração de Gregory Halston inflou dentro do peito.
- Bem! Eu trouxe o talão de cheques. Assim, farei um cheque agora mesmo...
- Ma, no... Infelizmente, isso não resolverá o problema.
A voz da condessa era triste. Halston ficou aturdido.
- O problema?
- Si. Como expliquei, meu marido vai se lançar em um novo negócio e precisa de trezentos e cinquenta mil dólares. Eu tenho cem mil dólares do meu dinheiro para lhe dar, mas preciso de mais duzentos e cinquenta mil. Esperava conseguir isso com a esmeralda.
Ele sacudiu a cabeça.
- Minha cara condessa, nenhuma esmeralda no mundo vale tanto dinheiro. Acredite em mim, cem mil dólares é mais do que uma oferta justa.
- Tenho certeza disso, Sr. Halston. Mas não poderei ajudar meu marido, não é mesmo? - A condessa levantou-se. - Guardarei a esmeralda para a nossa filha.
Ela estendeu a mão esguia e delicada.
- Grazie, signore. Obrigada por ter vindo.
Halston entrou em pânico.
- Espere um momento. - Sua ganância duelava com o bom senso, mas ele sabia que não devia perder aquela esmeralda agora. - Sente-se, por favor, condessa. Tenho certeza de que podemos chegar a um acordo justo. Se eu puder persuadir meu cliente a pagar cento e cinquenta mil...
- Eu só venderia por duzentos e cinquenta mil...
- Que tal duzentos mil?
- Só duzentos e cinquenta mil dólares.
Não havia como demovê-la. Halston tomou sua decisão. Um lucro de 150 mil dólares era melhor do que nada. Significaria uma villa e um barco menores, mas ainda era uma fortuna. E seria bem feito para os irmãos Parker pela maneira mesquinha como o haviam tratado. Esperaria um dia ou dois e depois lhes daria o aviso prévio. E na próxima semana estaria na Côte d'Azur.
- Negócio fechado - disse ele finalmente.
- Meraviglioso! Sono contenta!
Deve mesmo estar contente, sua cadela, pensou Halston. Mas ele nada tinha do que se queixar. Estava com a vida feita. Lançou um último olhar para a esmeralda e depois guardou-a no bolso.
- Eu lhe darei um cheque da conta da loja.
- Bene, signore...
Halston preencheu o cheque e entregou-o. Faria a Sra. P. J. Benecke pagar 400 mil dólares pela esmeralda. Peter descontaria o cheque para ele, cobriria o cheque dos irmãos Parker que dera à condessa e embolsaria a diferença.
Combinaria com Peter para que o cheque de 250 mil dólares não constasse do extrato mensal dos irmãos Parker. Eram 150 mil dólares!
Ele já podia sentir o quente sol francês em seu rosto.
A viagem de táxi de volta à loja pareceu demorar apenas uns poucos segundos. Halston imaginou a felicidade da Sra. Benecke quando lhe transmitisse a boa notícia. Não apenas encontrara a jóia que ela queria, mas também lhe poupara a experiência dolorosa de viver numa casa de campo desmantelada e cheia de correntes de ar. Assim que Halston entrou na loja, Chilton aproximou-se e disse:
- Senhor, um cliente aqui está interessado em...
Halston dispensou-o com um aceno jovial.
- Mais tarde.
Ele não tinha tempo para os clientes agora. Nem agora nem nunca mais. Dali por diante, as pessoas teriam de servir a ele. Faria compras na Hermes, Gueci e Lanvin.
Halston foi para a sua sala, fechou a porta, pôs a esmeralda em cima da mesa e discou um número. A telefonista atendeu:
- Dorchester Hotel.
- Suíte Oliver Messel, por favor.
- Com quem deseja falar?
- Sra P. J. Benecke.
- Um momento, por favor.
Halston ficou assobiando baixinho enquanto esperava. A telefonista voltou à linha:
- Lamento, mas a Sra. Benecke já deixou a suíte.
- Pois então ligue-me para a Suíte em que ela está agora.
- A Sra. Benecke deixou o hotel.
- Mas isso é impossível. Ela...
- Vou ligá-lo com a recepção.
Uma voz de homem disse:
- Recepção. Em que posso servi-lo?
- Qual é a suíte em que está a Sra. Benecke?
- A Sra. Benecke deixou o hotel esta manhã.
Tinha de haver alguma explicação. Alguma emergência inesperada.
- Pode me informar o endereço que ela deixou, por favor? Aqui é...
- Lamento, mas ela não deixou qualquer endereço.
- Mas é claro que ela deixou!
- Fiz pessoalmente o registro de saída da Sra. Benecke. Ela não deixou qualquer endereço.
Foi um murro na boca do estômago. Lentamente, Halston repôs o telefone no gancho e ficou imóvel na cadeira, atordoado. Tinha de encontrar um meio de entrar em contato com a mulher, informá-la que conseguira finalmente localizar a esmeralda.
Enquanto isso, tinha de recuperar o cheque de 250 mil dólares que entregara à Condessa Marissa. Ele discou prontamente para o Savoy Hotel.
- Suíte 26.
- Com quem deseja falar, por favor?
- Condessa Marissa.
- Um momento, por favor.
Mas, antes mesmo que a telefonista voltasse à linha, alguma terrível premonição revelou a Gregory Halston a notícia desastrosa que estava prestes a ouvir.
- Lamento muito, mas a Condessa Marissa já saiu do hotel. Ele desligou. Os dedos tremiam tanto que mal conseguiu discar o número do banco.
- Dê-me o chefe dos caixas... depressa! Eu gostaria de suspender o pagamento de um cheque.
Mas é claro que ele estava atrasado demais. Vendera uma esmeralda por cem mil dólares e comprara de volta a mesma esmeralda por 250 mil dólares. Gregory Halston continuou sentado, arriado na cadeira, imaginando como iria explicar aos irmãos Parker.
Nota:Oi pessoas, mais um capitulo, provavelmente cheio de erro, porque nem deu tempo de corrigir, mas provavelmente amanha, quando eu postar o próximo eu leio esse de novo e se tiver muitos erros eu apago e faço de novo. Mas enfim valeu pelos comentários, estou amando ! Continuem mandando, beijos e até a próxima.
