James

Conforme os dias foram passando Lily e eu nos tornávamos cada dia mais unidos. Decidimos até começar a correr juntos. Tomávamos café da manhã e saíamos para uma corrida.

O que eu sentia por Lily começava a me assustar. Nunca pensei que poderia amar tanto alguém. Sempre fui um cara frio com essas coisas de amor e romance, mas com Lily tudo isso sumia e eu me transformava em um boboca romântico. E quanto mais eu comprovava a profundidade dos meus sentimentos, mais medo sentia, porque sabia que não seria assim para sempre. Em menos de uma semana Lorenzo voltaria e então eu ficaria sem ela novamente.

Queria tanto que Lily sentisse o mesmo por mim, entretanto por mais que parecesse que ela me desejasse, isso não parecia ser o bastante. Ela ainda fazia questão de ressaltar que eu era seu irmão e confesso que isso já estava me irritando. Eu não queria ser porra de irmão nenhum. Queria ser seu homem. Seu amante. Seu melhor amigo. Só que isso parecia cada vez mais distante e impossível, mas eu não podia desanimar. Lutaria até o fim por ela.

- Aposto que chego naquele poste antes de você. - Lily desafiou me fazendo esquecer por um momento minhas divagações.

- Feito! - paramos e nos encaramos. - Vamos no três, ok? - ela assentiu e tomamos posição. - 1, 2... 3! - contei e corri o mais rápido que pude.

- Ai! - ouvi Lily gritar fazendo com que parasse na mesma hora. Assim que a vi caída no chão, voltei correndo.

- O que houve? - perguntei apreensivo me agachando na sua frente.

- Tropecei - falou fazendo uma careta. Sentou no chão e viu que sua calça de ginástica estava rasgada no joelho e sangrava. - Droga! - praguejou.

- Espera! - segurei sua mão antes que tocasse a ferida. - Melhor cuidar disso em casa.

- Tem razão - quando ela ia se levantar a surpreendi a pegando no colo. - James! - exclamou me olhando seriamente. - Não é para tanto - reclamou fazendo aquele bico lindo que eu tanto desejava beijar.

- É sim, na verdade acho que deveríamos ir para o hospital, pode ter contundido algo - expliquei enquanto caminhava com ela no meu colo.

- Exagerado! Eu estou bem. Foi só um arranhão. Poderia muito bem ir andando.

- Não comigo por perto - ela balançou a cabeça e sorriu. - Você está muito leve. Acho que não está se alimentando muito bem - apontei preocupado.

- Deixa de ser chato, estou com meu peso ideal - desconversou.

- Ainda acho que deveria engordar um pouco - Lily cerrou os lindos olhos verdes.

- Não se preocupe, quando meu namorado voltar ele vai cuidar de mim – respondeu arrogante.

Só a menção de Lorenzo fez com que meu bom humor sumisse. Depois disso não falei mais nada. Com certa dificuldade abri a porta do seu apartamento e a levei até sua cama. Voltei para trancar a porta e em seguida fui no banheiro pegar a caixinha com curativos.

Sentei na cama e com extremo cuidado levantei sua calça expondo a ferida em seu joelho.

Passei um algodão com água para limpar e depois o antisséptico. Lily me olhava atentamente.

- Está chateado comigo? - perguntou em um sussurro, a encarei e neguei.

- Claro que não, eu que fui indiscreto. Não deveria ter dito nada sobre seu peso, sei como vocês, mulheres, são com esse assunto - ela sorriu e segurou minha mão que estava sobre a cama.

- Mesmo assim, me desculpa. Eu fui grossa sem necessidade, James. Estamos de bem? - perguntou apreensiva. Sorri.

- Estamos sim - ela abriu um sorriso lindo. Voltei minha atenção a sua perna e toquei seu tornozelo. Sua pele tão sedosa. Minha mão parecia queimar com esse simples toque. – Está doendo? - olhei para Lily e ela parecia um pouco corada.

- Não, acho que foi só o arranhão mesmo - disse rapidamente. Meus dedos faziam movimentos circulares em seu pé e ao poucos via como isso a estava afetando. Sua respiração estava ofegante. Seu peito subia e descia. Essa visão estava me deixando duro e com um desejo descomunal. Antes que pudesse fazer uma loucura o telefone tocou quebrando o clima.

Lily pareceu despertar também e atendeu um pouco perdida. Sem tirar os olhos de mim.

- Alô. Oi, Lorenzo - Lily respondeu enquanto meu coração afundava. Levantei da cama e fui até a porta. - Só um minuto. James? - chamou, virei e a fitei. - Obrigada por cuidar de mim.

- Nada mais justo depois de tudo o que já fez por mim, não acha? - ela sorriu abertamente.

- Creio que agora estamos quites - falou sorridente. Como se cuidar de um joelho ralado pudesse se comparar com tudo o que ela havia feito por mim. Só minha Lily para pensar assim.

- Acho que preciso cuidar de muitos joelhos para estarmos quites - respondi brincando.

Ela sorriu lindamente para mim e em seguida saí. Tinha que dar privacidade para que pudesse conversar com seu amado namorado, que fazia tanta falta que fez até ela emagrecer.

Fui para o meu quarto aborrecido e desmontei na cama sem a mínima vontade de tomar banho e sair para o trabalho. Cada dia mais eu via que ela me desejava. Mas do que adiantava isso? Eu queria mais. Queria seu amor.

Meu celular começou a tocar me distraindo. Suspirei e atendi sem muita vontade.

- Alô.

- Que desanimo é esse meu irmão? - Sirius disparou.

- Nada, não. E aí? O que manda tão cedo?

- Estava combinando com o Remus aquela revanche no boliche. O que acha? Chama aquele seu amigo do trabalho e fazemos dupla contra dupla - só Sirius para me animar nesse momento.

- Gostei, vou falar com ele hoje e depois nos encontramos no boliche, beleza?

- Fechou! - exclamou animado.

- Se prepare para sofrer, Sirius - provoquei, ele gargalhou alto.

- Essa eu pago para ver. Nos vemos à noite, cara.

- Beleza - disse e desliguei.

Vi que não ia adiantar nada ficar lamentando, então resolvi levantar e me arrumar para o trabalho. Seria bom sair com os rapazes, me distrair um pouco e parar de pensar em Lily e seu namorado perfeito.


Lily

A cada dia que passava eu me sentia mais vulnerável com a presença de James.

Quando me machuquei e ele me pegou no colo, simplesmente esqueci de tudo. Isso até ele mencionar o meu peso. Fiquei sem jeito e me senti mal com aquilo. Desde a viagem de Lorenzo eu não andava me alimentando bem, e não era por estar com saudades dele, como dei a entender a James, mas sim porque eu vivia tensa ao ter James ao meu lado. Ao mesmo tempo que amava sua companhia, eu estava com muito medo de acabar me deixando levar pelo desejo que sentia por ele. Era uma luta diária. Respirei fundo e tentei deixar isso de lado, pelo menos por enquanto.

Aproveitamos que os rapazes tinham ido jogar boliche e fizemos uma noite de garotas no apartamento da Emmeline e Remus. Depois do nosso embate no jantar com o pessoal, minha relação com Emmeline estava meio estremecida. Eu achava infantilidade sua atitude com James. Todo mundo estava dando uma chance a ele. Por que era tão difícil ela fazer o mesmo?

- Vocês duas vão ficar a noite inteira com essas caras? - Marlene perguntou impaciente.

- Eu não tenho culpa se Lily não vê o que está fazendo.

- Como é? Eu vejo muito bem o que faço, Emmeline - respondi aborrecida.

- Pois eu acho que não. Você e ele pareciam um casal de namorados naquele jantar, Lily. E o Lorenzo? Sabe que você e o James não se desgrudam mais?

- Eu não escondo nada do Lorenzo, Emmeline.

- A não ser o seu passado com o James e o que sente por ele.

- Eu não sinto nada pelo James!

- Lily, você não me engana. Está na cara que ainda o ama - Não! Eu não podia amar o James! Não podia!

- Isso é um absurdo, Emmeline! - rebati já sem paciência.

- Gente, calma - Marlene tentou apaziguar.

- Calma nada, Marlene! - Emmeline respondeu a Marlene que levantou as mãos em sinal de rendição e sentou no sofá. - Absurdo? - questionou virando na minha direção.

- Ao invés de falarmos sobre coisas divertidas e interessantes, o que estamos fazendo? Falando do babaca do James. Você tem que esquecer ele, Lily!

- Ele é a única família que eu tenho, Emmeline - argumentei.

- De novo essa desculpa? Família é quem cuida, ama. Tudo o que o James fez na vida foi fazer você sofrer. Ele é como uma droga e você está completamente viciada - balancei a cabeça exasperada.

- Emmeline, isso é ridículo! Acho que você não consegue entender mesmo, não é? Claro, não sabe o que é perder os pais e depois os pais adotivos. Ele é tudo o que me restou – falei com a voz embargada. O choro preso na minha garganta. Emmeline sentou na minha frente e segurou minha mão com carinho.

- É exatamente por isso que eu prezo tanto a sua felicidade, Lily. Você já sofreu tanto. Aliás, a maior parte por culpa dele. Não posso permitir que isso aconteça de novo - eu a abracei apertado e desabei. Eu já não sabia mais o que fazer e que caminho seguir.

- Eu estou tão confusa - acabei confessando enquanto Emmeline afagava minha costas.

- Se afaste dele - Emmeline disse seriamente. O que?

- Eu não posso - sussurrei derrotada. Por que eu não conseguia me ver longe de James? Eu não podia querer ele tanto assim. Me condenei.

- Lily, todo mundo já sabe da história de vocês, se o Lorenzo souber e o James estiver por perto não sei o que aconteceria.

- Eu sei disso - murmurei cabisbaixa.

- Pois não parece.

- Eu gosto da companhia dele - só da companhia, Lily? Minha mente questionou.

- Você precisa ver o que é o melhor para você, Lily - Emmeline tentou argumentar.

- Nisso eu tenho que concordar com a Emmeline - Marlene interveio se fazendo presente na nossa discussão maluca.

- Você falam como se eu fosse deixar o Lorenzo para ficar com ele.

- Pois é para isso que você está caminhando - Emmeline respondeu séria.

- Eu não vou deixar o Lorenzo, ele é tudo o que eu preciso. Já te disse isso.

- Mas não é o que parece.

- Emmeline olha para mim - pedi seriamente.

- O que eu senti pelo James faz parte do passado. Eu não vou ser estúpida a ponto de abrir mão de uma pessoa incrível como o Lorenzo para tentar recuperar algo com o James que eu sei que nunca passaria de uma aventura. Fui clara? - agora só faltava eu mesma acreditar nisso. Ela deu um suspiro.

- Acho que você tem razão. Eu estou pegando pesado. Só não quero que você sofra por causa daquele crápula de novo - explicou, seu semblante mais relaxado. - Você é como uma irmã para mim, Lily.

- Eu sei amiga e agradeço por ter pessoas tão maravilhosas na minha vida, mas você precisa me dar um voto de confiança - ela sorriu e estendeu a mão na minha direção.

- Amigas de novo? - perguntou acanhada, eu neguei e a abracei.

- Irmãs. Eu fui injusta quando disse que só tinha James como minha família. Vocês todos são minha família - falei e chamei Marlene para um abraço coletivo.

Finalmente as coisas pareciam se ajeitar. Tudo o que me restava fazer era acreditar em tudo o que dizia, principalmente que James não significava nada para mim.


James

O resto da semana passou tranquilamente. Toda a vez que eu ouvia Lily conversando com o Lorenzo pelo telefone me afastava. Fazia o possível para isso não me abalar, mas a verdade era que o dia do retorno dele estava perto e eu sentia que por mais que eu e Lily estivéssemos próximos, simplesmente não parecia que ela estava se apaixonando por mim do modo que eu queria e isso estava me deixando desesperado. Já não sabia mais o que fazer. Passei a mão pelo cabelo, irritado. Será que eu deveria admitir que tinha perdido? Que nunca a teria? Só de pensar nessa hipótese a dor em meu peito que parecia ter cicatrizado nas últimas semanas aumentou fazendo com que sentisse o ar me faltar. O que eu faria sem a minha Lily?

- James? - ouvi Lily chamar e virei em direção a sua voz.

Fiquei estático. Ela estava absolutamente linda, usando um vestido preto só de um ombro e o cabelo jogado de lado. Sua visão na minha frente me deixou duro instantaneamente. Respirei fundo tentando me controlar. Era para acabar com minha sanidade.

- Tudo bem? - perguntou se aproximando com o cenho franzido.

- Sim. É só que... uau... você está deslumbrante - ela ruborizou levemente.

- Obrigada, você também está muito bem - sorri, feliz com seu elogio.

- Bom, acho melhor irmos. O pessoal já deve estar esperando - disse a fim de mudar de assunto. Não poderia ficar perto de Lily tão linda daquele jeito sem evitar a vontade que tinha de puxá-la para os meus braços, beijá-la e torná-la minha.

- Verdade, Emmeline acabou de ligar dizendo que estamos atrasados.

- Então vamos antes que ela ligue de novo - comentei apressado. Lily riu e saímos do apartamento.

Combinamos com o pessoal de sairmos para dançar. A princípio Lily não queria ir sem Lorenzo, mas acabamos convencendo ela. Pegamos o carro e logo chegamos no lugar combinado. Ao entrarmos na boate não demoramos para encontrar o pessoal.

- E aí, povo? - Sirius perguntou animado.

- Demoraram - Emmeline reclamou com um semblante desconfiado. O que raios ela achou que estávamos fazendo?

- Eu atrasei no trabalho - Lily se desculpou.

- Quer beber o quê? - perguntei a ela.

- Quero um suco de laranja.

- Suco, Lily? - Sirius questionou com uma careta.

- Estou dirigindo, Sirius - explicou.

- Deixa o rapaz aí dirigir e enche a cara - rimos.

- Pelo jeito você já fez isso, não é Sirius? - caçoei vendo como ele estava alegre, mais do que o normal.

- E como viu, James - Marlene disse cutucando o namorado que a puxou para seu colo dando um beijo de cinema. Só Sirius mesmo.

- Vou buscar nossas bebidas - disse a Lily e fui até o bar. Peguei o suco dela e um refrigerante para mim, não estava a fim de beber. Levei a bebida até Lily e percebi que ela estava sozinha.

- Onde foi o pessoal?

- Me abandonaram e foram dançar - respondeu se fazendo de magoada, segurei sua mão e a puxei para a pista. - James, o que está fazendo?

- Vamos dançar também.

- Mas e nossas bebidas? - falou preocupada.

- Depois eu pego outras. Vamos curtir, Lily! - ela sorriu com minha animação e acabou dançando também. Lily ria, dizendo que era uma péssima dançarina. Não resisti e passei meus braços pela sua cintura a puxando para mais perto. Achei que ia se afastar, mas não, ela me abraçou pelo pescoço e começamos a nos mover no ritmo da música.

- Eu te guio - sussurrei no seu ouvido e a senti arrepiar sob o meu corpo.

Todo mundo dançava como louco enquanto ela e eu ficamos presos em um mundo só nosso. Subi uma mão pelas suas costas e encostei minha testa na sua. Se pudesse nunca mais sairia dali. Seu aroma. Sua pele. Seu toque. Tudo mexia comigo de um modo surpreendente.

Sentia meu corpo flutuar e minhas veias esquentarem. O sangue corria mais rápido e meu coração parecia que ia explodir, assim como meu membro que latejava dentro da calça jeans.

Evitava chegar mais perto dela com medo que percebesse meu estado e se afastasse. Desejo. Tesão. Amor. Estava me perdendo com Lily tão próxima a mim e a ponto de fazer uma loucura.

Felizmente ou infelizmente, um idiota esbarrou em mim e quebrou o encanto. Lily ficou desconcertada e disse que iria sentar, a acompanhei.

- Não precisa ficar comigo, James - ela explicou. - Vá se divertir.

- De jeito nenhum deixo você sozinha - respondi seguro. Nunca a deixaria ali com um bando de abutres em volta.

- Estou com sede, pode pegar outras bebidas pra gente? - pediu sorrindo.

- Claro, não saia daqui - intimei indo até o bar. Logo em seguida voltei com nossas bebidas. - Prontinho - disse me sentando ao seu lado.

Não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de acontecer.

Será que a Lily não sentiu a mesma urgência?

Percebi que ela tinha ficado tão alterada quanto eu, mas como sempre não era só isso que eu queria. Olhei para ela e Lily estava concentrada tomando sua bebida e observando o pessoal na pista de dança. O que eu não daria para saber o que passava pela sua cabeça? Ela percebeu que a observava e me encarou sem graça.

- Que foi? - perguntou bem próximo ao meu ouvido devido ao volume da música.

Antes que pudesse responder senti alguém tampando meus olhos. Se fosse o Sirius eu juro que cairia na porrada com ele. Quando toquei a mão, parecia ser delicada demais para ser de homem, me virei e vi Lauren. Era só o que faltava.

- Oi, Jay! - cumprimentou animada. Jay? Desde de quando tinha dado tal liberdade a ela?

- Oi - respondi surpreso. - Lembra da Lils? - ela me olhou confusa.

- Lils? Não é Lily?

- Lily para todo mundo e Lils para mim - expliquei com um sorriso bobo nos lábios,

Lily me olhou sorrindo.

- Vamos dançar, Jay? - Lauren se pôs novamente na conversa.

- Não, valeu - neguei na hora. De modo algum deixaria Lily sozinha para dançar com outra mulher.

- Vai, James - Lily incentivou.

- Tá vendo. Vamos, Jay - Lauren disse me arrastando.

- Valeu, mas eu não quero - neguei novamente, voltando a sentar.

- Não seja chato, James. Vai se divertir. Vou ficar bem. Vai - não pude lutar contra a insistência de Lily e acabei indo com Lauren. Ela enlaçou meu pescoço e começou a se esfregar em mim. Percebi na hora que estava um pouco alta.

De onde estava ainda podia ver claramente Lily. Ela parecia distraída e até um pouco triste. Não devia ter deixado ela sozinha.

- Você é um delícia, Jay - Lauren sussurrou no meu ouvido e passou os lábios pelo meu maxilar. Revirei meus olhos.

- Aposto que é uma loucura na cama - falou descendo sua mão pela minha barriga e antes que fosse mais baixo a segurei pelo pulso. Ela mordeu os lábios tentando parecer sedutora.

- Eu adoraria descobrir - estreitei meus olhos.

- Desculpe, mas eu não. E por favor, nunca mais me chame de Jay. Não lhe dei tal liberdade - ela me olhou chocada pelo meu tom seco. - Com licença - respondi saindo dali.

Quando foquei novamente onde Lily estava, vi um cara perto dela segurando seu braço. Perdi completamente meu controle com aquela cena e corri até ela.

- Me solta! - pude ouvir Lily gritando e tentando puxar seu braço, mas o cara a apertou mais.

- A gatinha é selvagem - o imbecil rosnou bruscamente e para minha surpresa Lily deu um belo de um tapa na cara do sujeito com sua mão livre. Antes que ele pudesse pensar em revidar eu cheguei a tempo para segurá-lo.

- Nem pense nisso! - gritei com raiva.

- E que tal nisso? - nem tive tempo de responder. No instante seguinte, senti o soco no meu rosto fazendo com que me desequilibrasse e caísse no chão.

- James! - Lily se desesperou, mas eu não consegui vê-la.

O cara foi para cima de mim e começamos a brigar. Enquanto ele me socava eu revidava, conseguir virar o corpo e parei em cima dele. Minha raiva era tanta que não parava de socá-lo. Subitamente, senti meu corpo sendo levantado e braços me puxando. Olhei para trás e vi Sirius me segurando. O cara também tentava se soltar enquanto seu amigo o arrastava para fora do lugar.

- Me deixa, Sirius! Vou matar esse desgraçado! - bradei nervoso. Lily apareceu na minha frente com a expressão assustada e segurou meu rosto com carinho.

- Calma, James - pediu quase chorando. Tentei me tranquilizar ao ver seu estado. Minha respiração descompassada, ainda estava possesso com o abuso daquele filho da puta.

- Você está machucado, James - Lily notou com a voz embargada. - Vem. Vamos para casa. Me ajuda, Sirius? - ele assentiu me levando para fora enquanto ainda tentava me soltar.

Fomos até o carro de Lily e seguimos para casa.

- Você foi muito irresponsável, James! - ralhou comigo. - E se ele estivesse armado?

- Eu sei, mas perdi a cabeça quando ele tocou em você - ela me olhou de relance e suspirou.

- Foi uma loucura, mas obrigada por me defender - agradeceu.

- Não fiz mais do que minha obrigação - ela abriu um sorriso fraco. Quando chegamos no apartamento me mandou sentar no sofá e esperar. Logo depois, voltou com o curativos.

- Acho que você gosta de cuidar de mim, hein - gracejei com um sorriso bobo nos lábios.

- Fazer o quê, se você dá mais trabalho que uma criança - respondeu brincando. Sorri. Eu já devia tudo a ela mesmo, o que era mais esse detalhe?

Lily pegou o algodão molhado e limpou com extremo cuidado as feridas no meu rosto, enquanto isso eu aproveitava para observar o seu. Ela parecia tão concentrada e linda fazendo essa tarefa. Lembrei quando cuidou de mim com tanto carinho da primeira vez, mesmo que eu não merecesse na época.

Lily terminou os curativos passando um creme cicatrizante.

- Pronto. Como está se sentindo? - perguntou preocupada acariciando de leve meu rosto.

- Bem melhor agora - peguei sua mão e beijei a palma que ela havia usado para bater naquele imbecil.

Lily observava atenta cada gesto meu. Quando percebi nossos rostos estavam ainda mais próximos do que quando dançamos naquela noite. Enquanto sua mão pousava sobre meu ombro, a minha ia para o seu rosto. Meu coração batia descompassado. Após tanto tempo, enfim, beijaria minha Lily. Já podia sentir seu hálito fresco batendo contra o meu e a vontade de sentir seus lábios só aumentou. Esse momento era perfeito e nada iria arruiná-lo.


Olá! E aí gente, já estava na hora? Perdão, mas como disse em Inesperado, estive trabalhando em muitos projetos. Espero que o capítulo tenha valido a demora :)

A Emmeline é osso duro de roer, ClauMS, não vai ser fácil o James conquistar a confiança dela e mostrar que de fato mudou, na verdade nem sei se ele terá tempo para isso (?) Dentro de pouco capítulos você entenderá o que quero dizer ;)

Boa pergunta Deby, o James mudou da água para o vinho e se ele terá uma recaída, bom temos que aguardar e torcer que não :/ Quanto ao Lorenzo, ele está fora resolvendo uns problemas causados por um dos seus funcionários, fica tranquila que ele não está traindo Lily, Lorenzo jamais faria isso :)

Como vimos hoje Ninha Souma, Emmeline só quer o bem da Lily e realmente não da para ficar com raiva dela. Quanto ao James, é muito bom ver ele fazendo novas e verdadeiras amizades, aos poucos as coisas vão se acertando na vida dele. Infelizmente todos vão sofrer um pouco, mas fica tranquila que não vou judiar muuuuito do Lorenzo, hehe.

Muito obrigada ClauMS, Deby e Ninha Souma pelas reviews e mais uma vez perdão pela demora. Beijos :*