"O que vai ensinar hoje Sr. Fitz?" Eu pergunto para ele. Nas nossas conversas concordámos manter o registo formal durante as aulas e perto de outras pessoas.
Ele sentou-se perto de mim. "Estive a pensar e talvez seja melhor uma pausa."
"Uma pausa?" Pergunto confusa. "Mas já estivemos quase 2 semanas sem aulas."
"Eu sei, mas acho que algumas coisas devem ser discutidas entre nós." Ele diz.
Eu concordei e senti-me imediatamente envergonhada pelo meu comportamento de ontem. Apesar de vivermos na mesma casa não tivemos oportunidade de falar sobre isso.
"Eu quero que te sintas à vontade comigo, mas existem algumas coisas que temos de resolver." Eu concordei novamente. "Nós estamos apaixonados, nós amamo-nos, mas não podemos."
"Dizes isso como se estivesses a convencer a ti mesmo e não a mim."
"Estou… é muito difícil estar perto de ti sem poder fazer nada. Eu gostava de te poder agradar, dizer coisas agradáveis em frente a outras pessoas e até sair para algum encontro, mas o facto é que não posso."
"Eu gostava que fosse mais fácil… isto está a fazer-te sofrer e a mim também."
"Talvez esteja na altura de aceitar… não existe um futuro para nós. A única solução que vejo é sair." Ele não olhou para mim.
Eu olhei para ele. "Sair?"
"O tempo cura tudo Aria, nós vamos esquecer o que sentimos e ter uma vida normal. Tu vais ter a vida que mereces."
"Esquecer-te? Achas que isso vai acontecer? Tu vais esquecer-me? Como se nada disto tivesse acontecido?" Eu não podia acreditar. Ele nem teve a coragem de olhar para mim. "Quando se ama realmente alguém nunca esquecemos." Eu lembrei-me da minha mãe e lágrimas vieram imediatamente. "O tempo ajuda na dor, mas o sentimento está lá para sempre. O amor e a dor ficam de mãos dadas connosco e a felicidade nunca chega até nós." Ele olhou para mim. "Então um raio de sol aparece para nos tirar do sofrimento e da escuridão, mas… as nuvens estão lá sempre ameaçadoras. Eu preciso sair da escuridão Ezra… eu não posso deixar que a luz da esperança desapareça. Eu não posso deixar que vás. O que vai ser de mim sem ti?" Eu mordi o lábio para tentar parar de chorar.
"Aria…"
"Eu sei que estou a ser egoísta... tu mereces alguém que possa andar e que não seja tua aluna." Como ela se conseguia rebaixar tanto. "Eu percebo que querias sair, cortar o mal pela raiz e seguir em frente. Deves pensar na tua felicidade em primeiro lugar e esquecer-me."
"Eu estou assustado Aria." Ele diz. Eu não fui capaz de perguntar a razão. "Como podes achar tão pouco de ti? A minha felicidade é contigo Aria. Cada vez que estamos juntos ou falamos é quando estou realmente feliz." Ele suspira. "Isso assusta-me… eu não sei como controlar… Não é correto, mas eu sinto-me bem perto de ti." Ele ficou mais sério e olhou para mim. "Mas existe uma coisa que nunca vou permitir. Eu não vou deixar que arruínes a tua vida por um simples professor e se fizeres isso eu vou sair e nunca mais me verás."
"Penso que essa não é uma escolha tua."
"Tens de me prometer que não haverá loucuras."
"Que tipo de loucuras?"
"Como fugir ou ficares contra a tua família."
"Eu não posso fugir mesmo que quisesse." Eu disse. "Aquilo que eu disse ontem foi verdadeiro, mas eu não sei se teria a coragem de o fazer. Tem de haver uma forma Ezra! Tem de haver uma forma de ficarmos juntos."
"Não penses nisso Aria. É ilegal, é algo abusivo e que nos vai levar a problemas."
"Não com o meu consentimento. Eu sou maior de idade, eu posso responder por mim."
Ele suspirou derrotado. "Eu não te posso ver chorar."
Limpei as lágrimas do meu rosto e sorri-lhe.
"O que propões?" Ele pergunta.
"Eu proponho que devemos ver até onde tudo isto nos leva."
"Isso é o que estamos a fazer e vê onde nos levou… tu a fantasiar durante a minha aula."
Eu corei envergonhada pelo seu comentário.
"Talvez seja uma boa ideia acabar com isto." Ele diz.
"O quê?"
"Beijamo-nos e tudo termina."
As minhas bochechas estavam a queimar com a sua proposta. Eu não tinha pensado em algo assim… sem romantismo… sem uma razão especial… "Agora? Aqui?"
Eu acho que ele percebeu. "Desculpa… é uma ideia idiota, não estou a ser melhor do que aquele pintor. E eu sou teu professor… não posso fazer isso."
"Não penses nele. Eu gostava de te beijar Ezra, mas assim forçado não me parece certo e a nossa situação não é a melhor."
Ele concordou. "Sentes-te confortável para ficar de pé?" Ele estava a tentar mudar de assunto, voltar a ter um ambiente de naturalidade entre nós. Podemos discutir o assunto noutra altura… quando estivermos resolvidos do que queremos.
"Já não tento há algum tempo." Digo.
"Temos de tentar todos os dias." Ele diz. Parecia mais empolgado do que eu. Ele virou a minha cadeira para ele e tira a manta que eu tinha no colo deixando-a em cima da mesa. "Como está o teu joelho?"
"Tinhas razão… ficou negro, mas apenas dói quando toco." Ele permaneceu sentado e eu tirei os meus pés do apoio para o chão. "Não me deixes cair."
"Tu sabes que não."
Eu fiz força com os braços e com sucesso fiquei de pé. O Ezra pegou-me imediatamente na cintura mantendo a minha posição e como ele ficou sentado foi mais fácil para mim alcançar os seus ombros largos.
"Não precisas de me agarrar com tanta força." Ele diz e soltou a minha cintura.
"Não me soltes." Eu fiquei nervosa.
"Relaxa Aria… eu não vou te deixar cair." Ele removeu uma das mãos do seu ombro e pegou nela como apoio para mim. "Podes soltar o meu ombro."
"E se…"
"Não tenhas medo. Sê corajosa!" Ele diz-me.
Eu respirei fundo e afrouxei o aperto até me soltar dele. Apenas a sua mão estava na minha apoiando-me.
"É isso! Agora… consegues colocar o teu pé mais para a frente?"
Eu neguei.
"Apenas arrastar." Ele sugere.
"Eu vou tentar."
Ele levantou-se, abraço a minha cintura de lado e pegou a minha mão como se fosse o meu suporte. "Vamos lá."
Ele sabia como me fazer sentir segura. Eu tentei, mas… não consegui. Ao ver a minha desilusão ele parou. "Aria, Aria!" Eu olhei para ele. "Está tudo bem. Não vais conseguir fazer tudo num dia. Pensa que levou tanto tempo só para ficares de pé. Isto é uma conquista!" Ele diz.
Eu concordei. "Tens razão… eu não posso desistir."
"É isso mesmo." Ele sorri.
"Eu quero muito voltar a andar e dançar Ezra."
"Tu vais!" Ele beijou a minha testa. "Vamos dançar." Ele diz tentando esquecer o beijo que deu na minha testa por impulso.
"Eu não posso." Digo-lhe.
"Porque não?" Ele pergunta. Então ele ficou na minha frente, apoiei-me nele enquanto ele colocou os meus pés em cima dos dele. A minha mão encontrou o apoio no seu ombro e a outra na sua mão. Ele agarrou-me firmemente contra ele para não cair e começou a mover-se. Eu fiquei espantada com o resultado. "Diz-me se quiseres parar."
"Não! Eu não quero parar nunca." Eu sorri para ele. Ele era a pessoa mais incrível que podia ter aparecido na minha vida. "Apenas falta a música." Comentei.
"Não quero que te falte nada minha querida." Ele começou a trautear Für Elise de Beethoven.
Eu não parei de rir enquanto ele continuava, ele parecia feliz também. Meu Deus… ele é tão perfeito. Ele agarrou-me pela cintura e rodopiou. Eu não me senti tão livre por tanto tempo… Ele voltou a colocar-me no chão.
"Foi tão divertido." Digo.
Ele sorri-me. Então pega a minha mão a cima a minha cabeça e fica atrás de mim abraçando-me enquanto as nossas mãos ainda estão juntas. Eu podia ouvir o meu coração e a respiração dele no meu ouvido. Fiquei encostada a ele, este até é um dos momentos romântico que já tinha pensado.
Eu rodei um pouco o meu tronco, olhei bem nos seus olhos e depois os seus lábios. Ele lambeu o lábio inferior olhando para os meus lábios brevemente. Ele vez uma breve proximidade, eu não me afastei e continuei a olha-lo. Então os seus lábios suaves beijaram os meus.
Cruzamos a linha que não podia ser cruzada…
Muito obrigado pelo comentário EzriaBeauty! :3 Eles beijaram-se finalmente! (ao fim de 20 capítulos... desculpem lá qualquer coisinha xD)
Boa Páscoa para todos! *.*
(shanalystuff. tumblr. com) Publiquei as imagens deste e outros capítulos! Sintam-se à vontade para fazer perguntas pelo tumblr ou aqui :)
Espero que tenham gostado! Muito obrigada por lerem e pelo apoio! Até ao próximo capítulo! Beijinhos!
