Estando morta
O que acontece a seguir é difícil de explicar, mas eu vou tentar fazer o meu melhor. Você já sonhou algo tão convincente, tão real, que você ficou confuso quando acordou? Como se o seu sonho fosse real e a realidade parecia falsa? Foi mais ou menos assim, só que não foi um sonho. Foi real.
Minha história já é estranha para se dizer o minimo. Eu começo como uma garota normal em konoha, então me torno órfã, filha unica, e esposa, tudo no decorrer de um ano. Eu me apaixonei pelo cara com quem fui forçada a casar, e descobri que não era tão orfã assim.
Essas são as partes da história que já foram ditas.
Essa é a parte onde eu morro.
Mas só por um tempo. Veja, quando eu desmaiei, eu não desmaiei exatamente. Eu morri. Tipo, meu coração parou de bater e eu parei de respirar. Meus ferimentos, por mais severos, não teriam sido suficientes para me matar se eu não tivesse vivido os últimos quatro meses quase não comendo e dormindo. O estado do meu corpo foi ladeira a baixo, então quando o Deidara acionou a sua bomba, ele conseguiu o que queria: a minha vida.
O que, você provavelmente já deduziu, enfureceu um já raivoso Sasuke. Marido enfurecido, mais psicopata ,mais esposa morta é igual a batalha épica. Natsu foi para cima de Tobi, o que quase o matou. Quase matou o Natsu. Tobi conseguiu fugir.
A batalha de Sasuke contra o Deidara, durou a noite e avançou até o amanhecer. Natsu, seriamente ferido, e seriamente triste com a minha morte, foi até o meu corpo para protege-lo. E para ficar longe da batalha que não apenas tiraria a vida de Deidara, mas a de Sasuke também senão fosse por uma coisa.
Eu.
Veja bem, eu disse que isso seria difícil. Quero dizer, como eu poderia salvar o meu marido? Eu já estava morta, e como eu disse antes, você não pode fazer muita coisa quando está morto. Na verdade, você não consegue fazer nada quando está morto.
Então como eu salvei o Sasuke do tumulo?
Em uma palavra, Suki. Ela me encontrou no portão de ferro coberto por correntes. Eu presumi que estava no pós-morte (muitas pessoas que voltaram de situações de quase morte falaram sobre ver um portão que leva para o outro lado, mas eu nunca pensei que fosse realmente um portão.)
A principio, eu pensei que eu estava inconsciente de novo, meu corpo lutando para permanecer vivo. Suki e eu estávamos em lados diferentes do portão, então eu pensei que desde que eu não abrisse o portão eu estava segura.
Errada.
Suki era a guardiã do portão, esperando por almas perdidas chegarem até ela para que ela pudesse lhes dar uma direção e assim as almas poderiam finalmente descansar em paz.
Ela apenas abria o portão quando as almas estavam prontas para ir aonde elas precisavam ir. O lado dela era o lado de pessoas chegando ao pós morte. o meu lado era de almas que já estavam nele. Então adivinha?
Eu estava no lado errado do estupido portão.
"Eu não esperava ver você aqui por mais alguns anos." Suki comentou casualmente.
"Eu não esperava vê-la, de jeito nenhum." Eu admiti.
"Ninguem espera."
Eu encosto a minha cabeça nas barras que nos separam e a estudo. Ela não havia mudado em nada, não que eu esperasse que ela tivesse mudado. O seu cabelo era da mesma cor, do mesmo comprimento. Ela estava com a mesma altura, peso, tudo. Ela era ainda a esposa do meu irmão, minha cunhada. Ela ainda era Suki.
Era bom poder vê-la e tudo mais, mas a hora era meia que inoportuna. Quero dizer, Sasuke havia me perseguido por meses, e eu iria morrer no segundo em que ele me encontra?
Apesar que, suponho que isso seja apropriado para mim, uma punição por ter sequer pensado que poderia ser feliz ou qualquer outro pensamento igualmente profundo. Mas Natsu e Sasuke, procurando por mim todo esse tempo, somente para me encontrar morta...
"E agora?" Eu pergunto. "Eu apenas me viro e começo a andar?"
Ela inclina a cabeça para o lado e me encara. Era um pouco mais do que enervante. Na verdade, estava me assustando. Suki nunca foi de encarar. Na verdade, ela sempre foi mais vocal sobre o que estivesse em sua mente.
Mas agora ela estava encarando.
E não estava parando.
Finalmente eu não podia aguentar mais. "O que você está encarando?" Eu perguntei.
"Você pode tocar o portão." Ela disse, mais para si mesma do que para mim. "Nem todo mundo consegue fazer isso." Para provar, ela tentou alcançar as barras. Antes de seus dedos tocarem o metal, algo que parecia um raio azul envolveu a sua mão.
Ela recuou sua mãe lentamente, ainda me encarando. (e ainda me assustando)
"Eu acho que você não deveria esta aqui " ela me disse. "Ainda é muito cedo para você, mas você já está do outro lado."
Eu agarrei as barras e as balancei, sacudindo as correntes. O portão gemeu, mas se manteve fechado. Talvez se eu quebrasse as correntes, eu pensei, - já tentando pega-las- o portão se abriria. Elas não cediam. Eu pus cada pedacinho da minha força superhumana em tentar quebrar as correntes, mas elas nem mesmo se curvaram.
"Se eu não deveria estar aqui," eu disse, chutando o portão em frustração," porque eu não consigo sair?"
Suki mordeu o seu lábio.
"Eu não sei," Ela admitiu. "É estranho. O portão quer deixar você passar, mas não abre. é como se ele tivesse te testando."
Eu parei de chutar. "O portão quer me deixar passar? Desde quando um portão quer alguma coisa?"
"Esse portão não é como qualquer outro portão que você já tenha visto. Ele decide vai ou não deixar as pessoas passarem. A maioria das pessoas pensam que este é o meu trabalho, mas sou apenas a mensageira. O portão é que faz todo o trabalho, eu apenas informo qual foi a sua decisão." Ela franziu as sobrancelhas, e encarou o topo do portão. " Mas essa é a primeira vez que eu não sei o que ele irá fazer."
Eu estava tão confusa.
"O que isso significa?"
Ela olhou para mim, confusão estampada em todo o seu rosto. " Eu acho que significa que você tem que escolher se vai ou não."
Huh?
Lendo a minha confusão corretamente, Suki elaborou. "Poque você deixou Som?" Ela perguntou.
"Para proteger as pessoas que amo." Eu disse, ainda confusa. "Mas o que isso tem haver com alguma coisa?"
"Uma vez você pensou que, se você morresse, todos ficariam seguros, certo? O portão sabe disso, e sabe o que você está pensando agora. Se você decidir que a sua morte é o que precisa acontecer, o portão vai permanecer fechado. Entretanto, se você decidir de continuar vivendo, e voltar para Natsu e seu marido, o portão talvez abra, e deixe você passar."
Eu olhei para as correntes. "Talvez?"
Ela tremeu, olhando para cima novamente. "Não há garantia que vá funcionar." Ela disse. "Mas eu acho que é por isso que ele não está me dizendo nada."
"Então, porque eu não sei se preciso viver ou não, o portão não sabe também, o que significa que ele não pode te dizer nada, porque ele sabe que eu não sei?"
"É , de uma forma resumida é isso."
Isso significa que eu tinha que decidir se eu queria voltar a vida ou não. Meu primeiro pensamento foi é claro que eu quero voltar. Mas depois eu comecei a pensar ( algo perigoso, eu sei, mas as vezes não posso evitar.) Eu pensei sobre todos os perigos em que eu pus todos. Eu pensei em todas as vidas que foram perdidas em meu lugar. Pensei em todas as pessoas que sofreram para me manter segura.
Eu pensei em Sasuke, abandonando seu dever como líder para vir atras de mim. Eu pensei no bebê da Tenten, que nunca verá a luz do dia. Eu pensei na Hinata, esmagada debaixo dos escombros de uma bomba que foi posta para mim.
Todas essas coisas aconteceram por minha causa.
Então não seria melhor se eu continuasse morta?
"Antes de você tomar uma decisão, tem algo que você deva saber." Suki disse suavemente.
Eu me preparei mentalmente antes dela me dizer. Eu estava morta, então não havia muito que iria me surpreender, mas ainda sim que queria estar preparada, só por precaução.
"Sasuke vai morrer."
Meu coração não estava batendo, então sangue não estava exatamente correndo pelo meu corpo naquela hora, mas eu juro que ele se tornou gelo. Eu fiquei completamente entorpecida e nem conseguia sentir os meus lábios quando murmurei:
"Porque?"
Suki parecia estranhamento feliz e triste ao mesmo tempo. Como se ela tivesse que me dizer isso e eu precisava ouvir, mas eu não iria gostar nada.
Ela ficou quieta por um período muito longo. Eu agarrei o portão e o chacoalhei tão forte que eu pensei que a corrente iria arrebentar.
"Suki me responda!"
"Ele te ama."
Eu podia sentir meu rosto enrubescer. "O que isso tem a ver com isso?" Eu balancei o portão de novo, tentando usar a minha força para entortar as barra e poder passar e poder bater em algo.
"Ele mesmo disse, Você é o mundo dele, e você acabou de morrer. Agora ele está zangado com o homem que te matou, e ele está prestes a matar esse homem." Ela parecia um pouco presunçosa com isso. "Mas..."
Eu estava prestes a derrubar o portão e enforca-la se ela não começasse a me falar tudo.
" Quando a luta acabar, se você ainda estiver morta, ele vai morrer. Ele não irá morrer dos ferimentos, ou por conta do veneno que o Deidara está tentando injetar nele. Ele irá morrer porque ele vai perder a vontade de viver."
Meus joelhos dobraram debaixo de mim e eu escorreguei para o chão sem esforço. Eu não podia falar, me mover ou formar um pensamento coerente. Eu senti como se uma pessoa duas vezes mais forte que eu me socasse no estomago e me jogasse do outro lado do comodo.
"Se você está morta, ele não vê o ponto em viver."
Sasuke iria morrer porque que não queria seguir sem mim.
Ele morreria porque eu morri. Ele morreria porque isso quebraria o seu coração.
"Você está bem?"
Eu consegui levantar a minha cabeça. Suki estava ajoelhada do outo lado do portão, braços esticados como se ela quisesse me tocar, mas as barras evitavam que ela se aproximasse. Eu senti lágrimas começando a se formaram e descendo pelas minhas bochechas.
Sasuke iria morrer por conta de um coração quebrado.
Sasuke iria morrer.
"Sakura?"
Aquele idiota.
"É possível," eu perguntei. "Amar alguém com todo o seu coração e ainda sim querer matar- lo?"
Suki riu um pouco. "Acredite, é possível."
"Se ... se eu voltar, se eu viver, Sasuke viverá também?"
"Sim, mas, " ela disse rapidamente, antes de eu abrir a minha boca, "não faça a sua escolha só por ele. Faça a sua escolha por todas as pessoas que você ama, não apenas uma."
Todas as pessoas que eu amo. Não apenas Sasuke, mas todos.
Memórias inundaram a minha mente. Tenten rindo e me derrubando. A risada histérica de Ino e suas provocações. Naruto recuando quando eu mostrei os meus punhos cerrados. O agradecimento silencioso de Neji enquanto ele segurava Tenten em seus braços. Kanni pulando de alegria quando eu curei uma paciente quase morto. Anko brigando comigo porque eu baguncei o meu cabelo. Yumi sorrindo agradecida por uma xícara de café.
Pessoas desconhecidas me agradecendo por tudo o que já fiz. Sasuke rindo. Natsu cantando. Temari rindo e passando o seu braço sobre o meu ombro.
Hinata enrubescida, porem determinada, nos braços do Naruto.
Obrigada, muito obrigada.
Tudo isso aconteceu por minha causa.
Então que bem vou fazer estando morta?
"Eu vou voltar." Eu disse, decidida. "Meus amigos precisam de mim."
"Essa é a minha garota." Suki sorriu. "Diga ao Natsu que eu disse oi, e que ele é um idiota, mas eu o amo."
E as correntes se despedaçaram, o metal caiu e desapareceu. O portão se abriu em uma luz tão forte que eu tive que fechar os meus olhos. E quando eu os abri, Natsu estava ao meu lado, lágrimas caindo pelo seu rosto, uma mão pressionando a lateral do seu corpo para estancar um sangramento de uma ferimento enorme.
E Sasuke estava ajoelhado ao meu lado, seus olhos marejados.
"Você está viva." Ele engasgou. "Você está viva."
"Graças a Deus." Natsu suspirou, afastando o cabelo de meus olhos.
Eu virei a minha cabeça em sua direção, segurando o olhar do meu irmão. Ele estava um pouco acabado, mas iria sobreviver.
Todos iriamos.
Eu sorri, e peguei a mão do Natsu com uma mão, e a outra eu peguei a do Sasuke. Ele pegou a minha mão, e a segurou como se estivesse com medo que eu fosse quebrar.
"Suki disse que você é um idiota," eu sussurro. "E que ela ama você."
Natsu fez um barulho de soluço, apertando a minha mãe tão forte que os nossos dedos ficaram brancos. Novas lágrimas caíram de seus olhos mas ele sorriu, até riu um pouco, enquanto ele me ajudava a sentar. A pesar do fato de que eu deveria estar machucada, eu me sentia bem. Nenhum ferimento, e nenhum sangramento.
Suponho que alem de me mandar de volta, o portão resolveu me curar também.
Sasuke olhou para mim, gentilmente tocando o meu rosto, me virando para encara-lo. Levou toda a minha coragem para olhar em seus olhos- todos esses meses fugindo, o evitando, não havia como eu dizer o que ele estava sentindo - mas quando eu olhei, eu não vi nada alem de alivio. Não havia raiva, nem ódio - apenas o alivio por eu estar viva. (bem, e um caso sério de fatiga.)
"Não vou deixar você sair da minha vista até você ter 80 anos." Ele me informou.
"É, você está totalmente de castigo Mana."
Apesar de tudo, eu comecei a rir.
"Não se preocupem," eu disse a eles. "Eu não vou a lugar nenhum."
E então, pela primeira vez em quatro meses, duas semanas e cinco dias, eu envolvi os meus braços em volta do pescoço do meu marido e o beijei. O braço dele envolveram a minha cintura, e o outro agarrou o meu cabelo para me trazer para mais perto.
Estávamos no meio do mato, perto de lugar nenhum, qualquer vila ou pessoas. Nós estávamos cansados, suados, machucados e queríamos nada mais alem de uma boa refeição e um lugar para dormir e nos certificar que nossos amigos estavam bem.
Mesmo assim eu não podia deixar de sentir que, com os braços de Sasuke o meu redor, o seu coração batendo em sintonia com o meu, eu finalmente estava no lugar onde deveria estar.
Sasuke não em soltou, mesmo após cruzarmos a fronteira de Konoha (nós decidimos ir para lá já que era mais perto do que Som, e pedir um lugar para descansar por um tempo.), mas eu não reclamei. Ele me perdeu, mesmo que só por um momento, e ele estava me mantendo o mais perto possível dele.
Mas ele não fazia ideia do quão perto da morte ele mesmo tivera. Ele tinha seus braços em volta da minha cintura, me guiando para os portões da vila, mas era eu quem o mantinha ao meu lado.
E eu tinhas todas as intenções de me certificar que ao meu lado é onde ele estaria.
"Você tem certeza que é seguro fica aqui?" Natsu perguntou.
"As forças de Konoha eliminaram os integrantes da Aktsuki que não encontramos. " Sasuke disse. "Alem do mais, nós iremos diretamente até a hokage avisar que Tobi ainda está a solta. Eles já tem os seus melhores homens procurando por ele mesmo, então é só uma questão de tempo ele ser encontrado. Eu acho que ficaremos bem."
"Verdade, mas eu estava falando com a Sakura."
Eu pisquei, parecendo tão confusa quanto eu me sentia. Se eles estavam seguros em Konoha, porque eu não estaria também? Até o Sasuke parecia confuso.
"Porque eu não estaria segura aqui?" Eu perguntei.
"Bem, você perdeu o casamento da Ino."
Eu parei de andar.
"OH, merda."
Okay, eu sei que vocês querem me matar por ter demorado tanto. Me desculpem.
Na verdade não há palavras que eu possa dizer para me justificar. Sei o quanto é chato ficar esperando por uma atualização, entendo o lado de vocês. E quando eu comecei a postar a história eu disse a mim mesma que eu não seria daquelas que deixam as minhas leitoras esperando. Porém a vida é complicada. E tenho muitas coisas para fazer e pouco tempo.
Mas agradeço de coração cada uma de vocês. Cada review que recebi foi muito importante para mim. Faz tempo que não respondo nenhum, me desculpem. Mas quero que saibam que li cada um, e que toda vez que eu me forçava a ficar em frente ao comutador, para traduzir uma frase apenas no dia, eu pensava em vocês. Pessoas completamente desconhecidas, mas que assim como eu nutrem um amor por fics e por esse casal.
Então muito obrigada.
Nem sei se ainda tenho alguma leitora, depois do meu tempo de ausência. Mas se alguém chegou até essas ultimas linhas comigo, eu só tenho que dizer obrigada.
PS: O ultimo capitulo é o epilogo, tentarei postar-lo o mais rápido possível.
Beijos, e amo vocês, apesar de não conhece-las.
Valeu Jaque!
