O Voo do Passarinho
Capítulo XXI - Irmandade Sem Estandartes
Um mês havia se passado desde que a sua identidade fora descoberta pelos seus captores e tudo por um descuido que ela mesma cometera na Estalagem do Homem Ajoelhado, administrada por Sharna. Mas era Harwin, dizia para si mesma para se convencer de que havia tomado a atitude certa, quando estava em Winterfell era ele quem me levava o pônei quando eu queria montar. Harwin era filho de Hullen, o Mestre dos Cavalos em sua antiga residência natal. Fora ingenuidade da garota acreditar que ele poderia ajudá-la a reencontrar a sua família. A guerra muda as pessoas, ela deveria saber, ainda mais quando viu o seu possível salvador andando com foras da lei.
Durante esse um ano em que esteve em constante fuga a garota se dera bem na estrada, superando todas as expectativas que as pessoas que traçaram o seu caminho criaram. O disfarce de garoto que Yoren lhe dera que garantira o seu sucesso. Ninguém mexia com Arry, o órfão, e se mexessem, bem, ela sabia como manejar uma espada, ainda que de forma desajeitada desde que lhe tomaram a sua Agulha em Harrenhal. Também não podia ignorar o papel fundamental que os seus companheiros de viagem realizaram, não que eles fossem o seu escudo ou coisa do tipo, mas eles eram a sua matilha. Eu sou uma loba, começara a dizer isso para si mesma com frequência e os sonhos de lobo que vinha tendo recentemente só validava os seus argumentos. Seu pai a alertara sobre isso em uma das últimas conversas que tiveram, ele havia lhe dito que o lobo solitário morre quando chega o inverno, enquanto a matilha sobrevive. Mentira, rebateu em seus momentos de fúria. Lorde Eddard Stark estava cercado por seus soldados nortenhos e mesmo assim os leões conseguiram aniquilar todos eles e a mesma coisa aconteceu quando Theon Greyjoy atacou Winterfell com os homens de ferro, matando os seus dois irmãos mais jovens, Brandon e Rickon Stark.
Quando deixara Porto Real no dia em que a Mão do último rei fora decapitada, Arya desejara com todo o seu coração que a corrente do Água Negra subisse e levasse todas as pessoas da cidade com ela, principalmente a Rainha Cersei, o Rei Joffrey, Sor Ilyn Payne e o Cão de Caça, mas no instante seguinte ao pensamento mudara de ideia; sua irmã, Sansa, continuava na capital e por mais que tivesse desavenças com ela não lhe desejava a morte. O crime da mais velha das filhas de Lorde Eddard e Catelyn Stark era a estupidez, e a cura desse mal não era a morte. Fora Jaqen H'ghar, o homem que podia mudar o rosto e que fora retirado das celas mais escuras de Porto Real para ser levado à Muralha por Yoren quem lhe ensinara a mais forte das filosofias sobre a vida e a morte no momento em que ele lhe concedera três mortes. Foi dessa maneira que a garota que naqueles dias servia como copeira do Montanha e atendia pelo nome de Nan e Doninha, entendera que a morte deve vir para aqueles que a merecem e não aleatoriamente. Algumas vezes ela se questionava se havia dado o nome certo para Jaqen; havia tantas pessoas em Harrenhal que merecia morrer e ainda havia aqueles que estavam em sua lista da morte bem distante daquela localização e sabia que o seu campeão não se negaria a matá-los. No fim, eu nomeei o Weese e o Chiswyck, e o próprio Jaqen, ainda que no fim tenha retirado o nome dele em troca de que libertasse os nortenhos que estavam presos no calabouço. Gendry Waters, o rapaz com a idade próxima de seus irmãos mais velhos, Jon e Robb, e o último de sua matilha, fora quem lhe questionara os nomes dados. Gendry é um tolo, esbravejou ao recordar do som das mesmas palavras ditas pelo rapaz.
Arya não podia negar que por mais que estivesse acostumada a ser abandonada pelas pessoas ao seu redor, ela criara um forte laço de amizade com Gendry e não conseguiu evitar que as lágrimas escorressem de seu rosto quando a maior de suas certezas se provou correta.
Na manhã da segunda mudança de lua desde que chegara ao Septo de Pedra, ela encontrou Gendry trabalhando na forja da vila. A princípio a garota de não mais do que doze anos pensou que o seu companheiro de viagem estivesse trabalhando na construção de um novo elmo em formato de cabeça de Touro para substituir o que perdera, por esta razão a sua surpresa foi grande quando ficou sabendo que o rapaz estava trabalhando na construção e no reparo do armamento de seus captores.
- Por que você os está ajudando!?- Questionou e a pergunta veio em sua habitual voz infantil lamuriosa, típica de quando estava brava.
- Eles disseram que teriam lugar para mim, caso eu desejasse ficar - Gendry respondeu, sem se incomodar em desviar a atenção de seu trabalho. Seu tom de voz era monocórdico, não se importando com que Arya pudesse pensar disso.
Nem tudo o que havia previsto podia prepará-la para o que ele estava fazendo. Não era apenas a decisão de Gendry se separar dela que a incomodava, mas a indiferença dele lidar com isso, como se apenas ela desse alguma importância para a relação que ambos haviam desenvolvido nesse um ano desde que deixaram Porto Real juntos.
- Você também terá lugar em Winterfell, ou em Correrrio! - A garota não tinha como ter certeza disso, contudo falou mesmo assim - Harwin disse que eles irão me levar para Correrrio, onde meu irmão está!
- Harwin não manda aqui, é ao Senhor do Relâmpago que todos obedecem - Retrucou - E o que eu faria trabalhando para o seu irmão ou o seu tio? - Seus olhos se encontraram. Os olhos de Gendry eram tão azuis que Arya se sentiu diminuir perante eles - Aqui eu tenho a chance de crescer, Thoros pode me ensinar a usar uma espada e Anguy pode me treinar no arco, como eles disseram que fariam. Eles são a Irmandade Sem Estandartes, eles são os meus irmãos, a minha família - O martelo de forja que tinha em mãos voltou a desempenhar sua função e o contato visual teve um fim - Eu nunca tive uma família.
A garota percebeu que havia uma espécie de raiva contida e um pesar quase palpável na última sentença do rapaz. Depois de um curto período de silêncio atípico de sua personalidade, lhe disse:
- Eu posso ser a sua família - Você é a minha matilha, como Torta Quente também o fora antes de escolher ficar na estalagem da Sharna.
O que Arya disse fez o rapaz rir tristemente e os olhos dele tornaram a encontrá-la. As sobrancelhas de Gendry agora estavam franzidas como se ela havia dito a coisa mais ridícula do mundo, digna de pena.
- Você não seria a minha família, você seria minha Lady.
Gendry não voltou a utilizar o martelo ao fim da frase. O coração de Arya estava agitado como se ela fosse o metal a ser trabalhado e as palavras do rapaz o instrumento que a moldava. Em sua cabeça palavras aleatórias circulavam para formar uma frase, mas a única que conseguiu formular foi Eu sou uma loba, e lobos não choram. Sua resolução mostrara-se inútil. Seus olhos cinzas estavam turvos de lágrimas, embora nenhuma tivesse escorrido pelo rosto ainda; seus dentes mordiam o lábio inferior para evitar que chorasse. Sentia-se humilhada, traída, amputada e acima de tudo envergonhada. Não tinha mais nada a dizer para convencer Gendry de que ele estava tomando a decisão errada, porém foi só quando diversos cães latiram em coro do lado de fora anunciando o retorno do Caçador Louco que Arya finalmente conseguiu quebrar o contato visual com o rapaz, deixando-o na forja enquanto ela corria de volta para o Pêssego, a estalagem/bordel cujo qual estava hospedada com diversos outros membros da Irmandade Sem Estandartes.
Desde este dia, Arya fizera de tudo para evitar contato com Gendry. Não era preciso muita inteligência para perceber as investidas que o rapaz estava fazendo para se aproximar dela, mas a garota estava decidida que tudo o que ele tinha para lhe dizer não era de seu interesse, pois a única coisa que podia fazê-la um pouco feliz ele não diria. Ele continua trabalhando na forja e agora já treina com seus outros irmãos... Gendry também já não dividia mais o quarto com ela. Tanásia, a responsável pelo Pêssego, lhe dera o seu colchão mais velho e algumas velas e Beric Dondarrion pessoalmente junto com Thoros e Barba Verde fizeram da forja do Septo de Pedra um espaço habitável mais uma vez e era lá que o mais novo irmão daquela irmandade passava os seus dias e parte da noite, pois a outra parte ele se socializava no andar inferior do bordel, bebendo vinho, comendo uma refeição quente e conversando com as garotas que ali trabalhavam.
Para melhorar a sorte de Arya, foi no dia seguinte a conversa com Gendry que ela fora informada por Harwin que eles não iriam levá-la para Correrrio tão cedo, sendo até mesma comparada à um esquilo de ouro, afirmando que com tantas pessoas atrás dela, a coisa mais inteligente a se fazer era ocultar a sua verdadeira identidade antes que eles tivessem que pagar o preço por tê-la entregado para a pessoa errada. Para aquele que paga mais, ela sabia. Entretanto, os seus captores não ousariam devolvê-la para os Lannisters, não imediatamente, assim como não ousavam em revelar quem ela realmente era para os habitantes locais, mencionando apenas o fato dela ser uma garota bem nascida. Arya se lembrava dos horrores que os homens do Montanha fizera com as pessoas que encontravam na estrada em busca de Lorde Beric. E o Cócegas continua vivo. A garota recordava perfeitamente bem do rosto manchado por espinhas do jovem responsável por interrogar as pessoas da forma mais cruel possível de acordo com o seu humor, podendo variar entre fogo e pequenos roedores, todas as formas de torturas eram difíceis de assistir e a cada dia que se passava antes da Montanha ter chegado à Harrenhal e tirado ela, Gendry e Torta Quente do cercado da interrogação, Arya se perguntava se gritaria tanto quanto os demais quando fosse a sua vez de ser questionada. Se uma pessoa que soubesse quem Arya realmente era fosse capturada pelos homens do Montanha, então Lorde Beric teria ainda mais problemas para lidar.
- Olhe com os olhos - Repetiu as palavras que aprendera com Syrio Forel, a primeira espada de Braavos e o seu professor de dança contratado pelo pai em Porto Real que lhe ensinara a lutar como uma dançarina da água.
Procurar um meio de fuga se tornara a sua prioridade e toda manhã quando acordava se ocupava em andar por toda a extensão da muralha que isolava o Septo de Pedra em busca de uma saída, sem nunca encontrar nenhuma diferente da do grande portão verde que substituíra o anterior e por onde só entrava e saia pessoas com a autorização de Lorde Beric. Nesta manhã o seu resultado não fora diferente das demais. Agora, já mais próximo do meio dia, se encontrava sentada na fonte com o formato de uma truta saltitante, localizada no coração do Septo de Pedra. Ao redor dessa construção estava as ruínas do que deveria ser um mercado e que agora sustentava diversas jaulas de corvos feitas de metal, improvisadas para conter soldados nortenhos capturados pelas mesmas pessoas que a detinham presa ali, porém ao contrário deles sua jaula era feita de pedra e possuía liberdade para se locomover, não o suficiente para deixá-la e por esta razão não se sentia mais sortuda do que eles. Se Syrio Forel estivesse aqui ele já teria escapado há muito tempo. As aulas de dança que tivera na Fortaleza Vermelha parecia ser acontecimentos de outra vida. A garota de hoje já não era mais aquela menininha desajeitada que perseguia gatos pelo castelo, tentando ser mais rápida do que eles. Contudo, os ensinamentos que aprendera com o seu professor de dança ela carregaria pelo resto da vida. O medo corta mais fundo do que a espada. Arya costumava ser uma garotinha muito medrosa, mas Nan não o era quando cortou a garganta daquele guarda no dia em que escapara de Harrenhal.
Pelo cheiro que alguns dos homens desafortunados exalava em seus cativeiros de metal, a menina tinha certeza que a maioria estava morto. O cheiro de carne em decomposição se tornara tão familiar para ela quanto o cheiro dos delicados bolos de limão que a sua única irmã adorava. As duas coisas são cítricas, comentou ao constatar a semelhança. Porém o cheiro da morte não era nem um pouco agradável, ele trazia consigo o odor ferroso do sangue coagulado e da infecção vinda do ferimento mortal. Mesmo quando a pessoa ainda estava viva, ela aprendera a cheirar a morte que rodeava a vítima desafortunada. Arya já havia rodeado diversas vezes aquelas jaulas a procura de alguma pista que pudesse levá-la ao seu irmão, Robb, e a sua mãe, mas nada encontrara, a não ser os comentários de que o Regicida, Jaime Lannister, escapara de sua prisão em Correrrio porque Lady Catelyn o libertara. Minha mãe nunca faria isso! Desejou gritar, principalmente quando sentiu o olhar inquisidor de Gendry sobre ela. Entretanto fora um daqueles homens que agora estava morto quem lhe contara a história, alegando que Lorde Karstark, o Senhor cujo qual ele servia, ordenara que ele fosse atrás do Regicida e o levasse de volta para Correrrio e também que o Rei do Norte aprisionara a própria mãe por ela ter cometido traição.
- Lorde Hoster não deveria ter entrado nessa guerra, deveria ter feito como Lady Arryn, no Ninho, olha só o que eles causaram sobre nós - Uma lavadeira comentou com a outra. Ambas se ocupavam em lavar peças de pano na fonte em que Arya estava sentada.
- Tem razão, os leões estão queimando todas as vilas a oeste daqui enquanto os lobos destroem as do leste em busca do Regicida. Nada disso teria acontecido durante o reinado dos dragões - Comentou a outra lavadeira.
Eles estavam enganados. Foi justamente na Rebelião de Robert que o Septo de Pedra fora resumido as ruinas que é atualmente. Quando a Mão do Rei Aerys II, Jon Connington atacou o então Lorde Robert Baratheon, o mesmo se escondeu no Septo de Pedra e os seus perseguidores vieram à sua procura, destruindo tudo o que viam pela frente e teriam de fato encontrado quem procuravam se seu pai, Lorde Eddard, não tivesse aparecido em resgate ao cervo ferido, garantindo a sua vitória.
- Foram os seus dragões que deixaram o Septo de Pedra assim - Arya se intrometeu na conversa delas. Não que ela tivesse algo contra os Targaryen, mas não permitiria que falassem dessa forma de sua família, ainda que não tivesse revelado a sua descendência para os habitantes locais.
Os olhos repreensivos das duas mulheres a encontraram. Foi a primeira que iniciara o diálogo quem lhe respondeu:
- E como uma garotinha que não é daqui sabe dessas coisas?
Deu de ombros.
- Tom das Sete me contou - De fato, essa era a verdade. Talvez tivesse ouvido essa história antes de Meistre Luwin, mas não se recordava.
- E o que você estava fazendo com Tom das Sete? - O olhar delas revelavam curiosidade.
Arya abrira a boca para contar que havia sido sequestrada pela Irmandade Sem Estandartes próximo ao Tridente depois de dias que haviam fugido de Harrenhal, mas isso só resultaria em mais perguntas e todas as respostas levariam as mulheres a despertarem o ódio para ela, fosse pela sua relação com os Bolton, com os homens da Montanha ou com os Starks. Não que ela se importasse com o que as pessoas pensavam a seu respeito, ela só não queria dar motivos para parar dentro de uma daquelas gaiolas de corvos.
- Fugindo dos leões - A resposta veio da voz masculina tão familiar para ela, pertencente a mesma pessoa de quem estava fugindo todos esses dias.
Arya se pôs de pé em um instante e conseguiu correr alguns passos antes de ter o seu braço segurado por Gendry. O treino que o rapaz começara a receber de seus novos irmãos junto com o trabalho na forja deixara as suas mãos mais pesadas e ásperas. A garota que era tão magricela quanto um esquilo, sentiu que poderia perder o braço se lutasse contra o aperto dele.
- Por que você está me evitando!? - Gendry exclamou em praça pública. Algumas cabeças se voltaram para eles, mas ninguém se atreveu fazer algo mais do que observá-los.
- Me solta! - Esbravejou o comando, voltando-se para encará-lo.
Hesitante, Gendry deixou-a livre.
- Há dias que eu... - Antes que pudesse terminar de falar, Arya estava correndo novamente.
O Septo de Pedra estava mais movimentado do que de costume, entretanto, sendo agora hora de almoço, poucas eram as pessoas que circulavam nas ruínas do antigo mercado. Arya em sua fuga, correu em direção a um mercador de frutas que expunha os seus itens em um carrinho de mão. Ao passar por ele, a garota bateu o quadril em uma das laterais do objeto expositor. Apesar de ter sentido uma dor agonizante nada disse, diferente do mercador, que a xingou de diversas coisas que nem ela mesma sabia dizer o que era, só porque alguns de seus tomates caíram no chão. Arya continuou correndo, às suas costas podia ouvir os passos de Gendry indicando que estava próximo à ela. Não era definitivamente uma boa ideia continuar correndo na direção do Pêssego como estava fazendo. Girando-se sobre os calcanhares, se direcionou rumo a parte da vila que mesmo depois de vinte anos continuava em ruínas. Ela sabia como se locomover por ali, já explorara aquele sarcófago do tempo tantas vezes que conseguiria encontrar um lugar para se esconder de Gendry até que esse desistisse de ficar em seu encalço. Claro que ele poderia encontrá-la no bordel em que estava hospedada, mas ele não o faria. Se ele quisesse realmente já o teria feito e isso só servia para chateá-la ainda mais.
- Pare de correr! - Gendry inutilmente bufou o comando.
Arya passou por de baixo de uma escada e entrou no que parecia ter sido uma torre de corvos em outros tempos. Se não há corvos, não há necessidade de manter as gaiolas deles, pensou. Dentro dessa ruína não havia nada além de paredes de pedra, um pouco de palha no chão e escombros do teto que ruíra. A construção tinha quatro andares e uma estreita escada fazia o papel de uni-los. A garota correu em direção da mesma. Quando atingiu o primeiro lance de degraus os passos do rapaz voltara a ressoar e o seu barulho ecoou por todo o ambiente desocupado.
- Arya? - Ele a chamou. Ousando agora que estavam sozinhos a dizer o seu verdadeiro nome.
Manteve-se em silêncio. Silenciosa como uma sombra, disse para si mesma. Já sem todo aquele afobamento do princípio, continuou a subir os degraus tentando ao máximo não emitir som algum. Tinha conseguido esse primor nos próximos cinco deles, mas no sexto, tropeçou em uma elevação e caiu sobre o quadril ferido, tendo de apoiar em suas mãos para manter o equilíbrio. O grito de dor inevitavelmente saiu de sua garganta.
- Eu sei que você está aí! - A voz de Gendry veio do início da escada e em seguida o ouviu correr pela mesma.
Arya o imitou, ignorando a dor que sentia e tão rápida quanto uma serpente subiu o próximo lance de escadas, adentrando o cômodo lateral à ela. Nessa altura, já havia chego ao terceiro andar da construção e diferente do primeiro, havia buracos nos chão e algumas gaiolas de metal e outras de pedra, sendo as últimas embutidas na parede. No fundo de uma dessas gaiolas de pedra havia um buraco tão pequeno e escuro que era quase imperceptível à primeira vista. Arya se atirou para dentro da gaiola, faltando passar apenas as suas pernas para estar segura nessa sala adjacente. Entretanto, foi exatamente nesse momento que o seu coração ameaçara relaxar com a possibilidade de ter encontrado um refúgio que as mãos de Gendry fecharam ao redor de suas pernas. O rapaz a puxou para fora com tanta facilidade que a garota pensou ser apenas uma boneca inútil em todas aquelas sedas que suas anfitriãs lhe dera.
Gendry ria, arfando da corrida.
- O que é você agora? Um rato? - Perguntou, virando-a pelas pernas, mas ainda mantendo-a presa ao chão.
- Eu não sou um rato! - Rebateu, contorcendo-se nas mãos dele.
- Tem razão, você é uma Lady - O sorriso no rosto de Gendry se tornara amargo. Havia diversão na palavra, porém não contentamento.
- Eu não sou uma Lady! - Tornou a exclamar.
- Então o que você é? - O rapaz questionou, entretido com a situação.
- Uma loba - Sua resposta foi firme e o silêncio se fez entre eles, sendo rompido apenas pelo som da respiração ofegante de ambos.
Arya não sabia dizer quando e nem como, mas Gendry se pôs sobre ela, como eles haviam feito anteriormente na pousada da Sharna e por um motivo um tanto parecido com este. O rosto do rapaz nesta ocasião já não demonstrava mais a felicidade de quando estavam conversando, ainda que a sombra do sorriso permanecesse em seus lábios. Eram as suas sobrancelhas expressivas que revelava uma mistura de dor. Teria ele se machucado naquele carrinho de frutas também?
- E por que uma loba estaria fugindo de mim? - Ali estava a raiva de ter sido ignorado todos esses dias.
- Eu não estava fugindo de você! - Disse-lhe e voltou a se debater em busca de liberdade. Gendry a deteve firme no chão, com os braços ao redor os ombros dela.
- Vê? Ainda está! - Disparou as palavras e logo em seguida Arya parou de lutar contra ele. Os olhos de ambos se encontraram.
- O que você quer? - Foi a vez dela de lhe perguntar algo.
Gendry respirou fundo, como se tudo aquilo o estivesse cansando.
- Há dias que eu venho tentando falar com você, Lorde Beric acredita que eu esteja pronto para agir com eles - O sorriso no rosto do rapaz aumentou.
Ele mal consegue segurar uma espada. Arya se lembra de tê-lo visto treinar algumas vezes pela janela de seu quarto no Pêssego e outras em lugares abertos. Gendry ainda era melhor na forja do que na luta, contudo ele demonstrava um talento nato para as armas, um talento que ela invejou ao vê-lo se locomover com precisão aos golpes que proferia e recebia. Ainda assim ele não está pronto, insistiu, mas não seria ela a lhe dizer a verdade.
- E daí? - Deu de ombros, fazendo pouco caso das novidades dele.
O rosto de Gendry se contorceu.
- Eu vou partir com o Caçador Louco, Thoros, Anguy e Barba Verde no alvorecer.
Os grandes olhos cinzentos da garota dobraram de tamanho com a notícia e seus lábios entreabriram-se. Não... murmurou internamente. Sabia que com a decisão de Gendry uma hora ou outra eles viriam a se separar, mas por que agora? Por que ele tinha que ir para uma aventura e ela tinha que ficar presa naquele lugar como se fosse realmente a Lady que ele a chamava? Arya queria odiá-lo por isso, ela devia odiá-lo, contudo, não conseguia.
- Aonde você vai? - A pergunta saiu em um fio de voz que revelava a sua verdadeira idade.
- Não sei - Gendry finalmente deu a liberdade que Arya procurava, sentando-se sobre os joelhos. A garota continuou inerte no chão - Thoros disse que iremos encontrar uma amiga dele que tem algo importante para nós.
- Que amiga é essa? Sharna? - Disparou.
O rapaz riu.
- Não faço ideia, Thoros não disse.
Arya se sentou e seus olhos procuraram pelos dele.
- Você não deveria ir... - Murmurou - E se for uma armadilha?
- E quem iria me querer? - Gendry franziu o cenho.
Os Lannisters! podia o ter lembrado da razão pela qual deixara Porto Real. Por algum motivo desconhecido, os soldados com o leão cozido no couro de seus gibões estavam a procura do ferreiro e pelo visto deveria ser por algo sério, caso o contrário não teriam se incomodado em o seguir até a Estrada do Rei quando já estava destinado à chegar à Muralha. Os homens do Montanha e os Bolton também entravam na lista de pessoas que podiam querer por as mãos em Gendry, porém Arya não acreditava que a Irmandade Sem Estandartes faria qualquer negociação com esses dois últimos; com os Lannisters ela tinha dúvidas, assim como Robb, mas o Gendry não era o esquilo de ouro, pelo menos até onde ela sabia.
O rapaz pareceu entender tudo o que se passava na cabeça da garota sem que ela precisasse se expressar em palavras.
- Eles são os meus irmãos, Arya - A repreendeu.
- E o que você sabe sobre irmãos? Você nunca teve nenhum - Se lembrava como se fosse ontem da traição que Sansa cometera com ela ao mentir sobre o acontecido entre ela, Joffrey e Mycah. Foi graças a mentira da irmã mais velha que ela teve que se despedir de sua loba, Nymeria, e que Lady, a loba de Sansa, fora executada pelo pai. E o Mycah..., ainda doía pensar no filho do açougueiro, o rapaz ruivo rechonchudo que fora assassinado pelo Cão de Caça quando tinha a idade que ela tem agora. Arya perdoara a irmã pela mentira, mas nunca perdoaria Joffrey nem o seu cão pelo mal que cometeram. Valar Morghulis.
- Eu pensei que você ficaria feliz por mim! - Gendry se levantou, claramente exaltado pela hostilidade. A garota compreendeu que aquele assunto era o ponto fraco dele e se sentiu mal por isso.
E eu pensei que você nunca iria me abandonar. Arya mordeu o lábio inferior e cravou as unhas na palma de suas mãos. Queria ter algo para lhe dizer, mas não tinha. Estava dominada pela fúria, pela inveja e pelo sentimento de traição. Mais uma vez o silêncio brotou entre eles e foi Gendry quem o rompeu depois de um tempo.
- Se a Lady permite, irei retornar aos meus irmãos - A provocou, com o semblante tão carrancudo que por um instante Arya pensou estar vendo o rei Robert Baratheon vinte anos mais novo à sua frente. São os olhos e o cabelo, constatou.
- Não me chame de Lady! - Rosnou e o empurrou com toda a sua força, marchando para fora das ruínas da torre dos corvos com passos determinantes.
Dessa vez Gendry não a seguiu nem fez menção para detê-la. Uma parte dentro de si desejava que ele tivesse feito e dito que ela tinha razão, que era loucura entrar para a Irmandade Sem Estandartes e que os dois poderiam fugir juntos para Correrrio, onde a mãe e o irmão de Arya estariam. Ele é tão orgulhoso... nos últimos tempos percebera o quão difícil era lidar com uma pessoa que assim como ela tinha dificuldades para ceder.
Quando Arya retornou para o Pêssego, Tanásia a xingou pelo estado em que se encontrava. O vestido de laços na tonalidade lilás que trajava estava encardido, assim como diversas extensões de seu corpo. Quando se ajoelhara dentro da gaiola dos corvos o seu corpo suado e o tecido fino que o cobria absorveu uma quantidade gigantesca de poeira e de algo a mais que podia ser tanto excremento de pequenos animais quanto humanos. Sem poder contestar, foi banhada por Sineta, a garota que alegava ser filha bastarda de Robert Baratheon. A moça usava tanta força para esfregar as suas costas que Arya se questionava se Sineta desejava a esfolar viva. Desde que chegara em Septo de Pedra, a atendente do bordel ficara de prosa com Gendry e a garota tinha certeza que as vezes riam dela.
Naquela noite a refeição servida no Pêssego fora carneiro defumado com batatas e cenouras douradas, a carne foi obtida do último rebanho que o Caçador Louco trouxera e que agora estava escasso. O Caçador prometera que quando ele retornasse traria consigo ainda mais carneiros e em comemoração à promessa, Tanásia ordenara servir um desses animais como sinal de boa sorte. Arya comeu pouco, não sentia-se animada como a maioria. Em um canto da sala bem distante de onde estava percebeu que Gendry comia tanto por si mesmo quanto por ela, assim como todos aqueles que deixariam o Septo no alvorecer. Lorde Beric, sentado de frente para Arya não movera nem mesmo a sua faca.
- Você deve comer, Beric - Thoros o aconselhou, demonstrando preocupação em seu tom de voz.
O homem que uma vez fora cheio de sorrisos, beleza e juventude, capaz de encantar tanto Sansa quanto a sua amiga Jeyne Poole, hoje não passava de uma vaga lembrança de dias passados. O Senhor do Relâmpago, como Beric era conhecido em referência ao brasão de sua Casa, parecia apenas existir e não era pra menos. O cavaleiro fora ressuscitado algumas vezes pelo Senhor da Luz, o Deus cujo qual Thoros era sacerdote. Arya acreditava que essa história não passava de meras lorotas como as histórias que a Velha Ama contava e as canções que o Tom das Sete cantava. Nessa noite o bardo se ocupava em cantar Cama de Penas. Arya não conhecia as músicas como Sansa, mas pelo tempo em que estava passando na companhia desses foras da lei ela estava quase nivelando o seu conhecimento com o da irmã, ainda que quando tentasse cantar algo as estrofes saiam como gritos de gárgulas.
Minha cama de penas é profunda e macia
E ali eu a deitarei
Eu a vestirei com seda amarela
E na sua cabeça uma coroa depositarei.
Porque você será a minha Lady do amor
E eu serei o seu Lorde.
Eu sempre a manterei sã e salva
E a protegerei com a minha espada.
Tom cantava e tocava tão bem que a sua atenção logo fora levada até ele, mesmo que os seus olhos estivessem postos sobre Gendry. Aquela canção não era a sua favorita, preferia as que faziam referência à cavaleiros e chacotas, mas o bardo não cantaria essas canções quando estivesse na presença de mulheres. Ele afirmara que as canções de donzelas e cavaleiros faziam mais sucesso entre esse sexo.
- Você deveria conversar com ele antes que ele parta - Lorde Beric rompera o transe da garota. Arya o fuzilou com o olhar, não sabendo o quão óbvia estava sendo.
- Não tenho nada para lhe dizer - Ele não ouviria, de qualquer forma.
- Então deveria parar de encará-lo como se ele fosse o cordeiro que está no seu prato - O Senhor do Relâmpago permitiu que um sorriso formasse em seus lábios.
- Eu não o estou olhando dessa forma! - Protestou e Thoros de Myr soltou uma gargalhada.
- Até o rapaz já percebeu que você está! - O sacerdote apontou com o punhal que tinha uma batata presa na ponta para Gendry na outra mesa. Como ele dissera, a atenção do rapaz estava voltada para eles.
Arya sentiu o rosto esquentar e se pôs em pé, batendo as mãos na mesa em uma atitude nada feminina.
- Não tenho mais fome - Dito isso, marchou para o seu quarto no andar superior, enquanto Tom das Sete terminava a sua canção.
E como ela sorriu e como ela riu, a donzela da árvore.
Ela rodopiou para longe e lhe disse:
Nada de cama de penas para mim.
Eu usarei um manto de folhas douradas,
E trançarei o meu cabelo com grama,
Mas você pode ser o meu amor da floresta,
E eu serei a sua garota da floresta.
Assim que chegou na tranquilidade de seu aposento rapidamente retirou o vestido azul que trajava e pôs a sua camisa de dormir, embrenhando-se no meio das cobertas que a protegia do vento frio outonal que passava pelas rachaduras das paredes de pedra. Sinto falta de Winterfell, murmurou para si mesma, deixando-se levar pelo sonho do verão, onde nenhuma guerra havia estourado e toda a sua família estava viva, quando ela brincava com os seus irmãos mais velhos e se ocupava com os chatos trabalhos manuais que a sua mãe a obrigava a aprender com Septã Mordane. Sinto falta da minha família... Em seus sonhos eles nunca eram a sua matilha; todos os seus irmãos pertenciam à matilha de Lorde Eddard Stark e com a morte dele, todos os lobos se perderam, inclusive ela. Minha matilha era composta por um Touro... Sentiu a visão ficar turva. O quarto estava tão escuro e vazio que não se importava em mostrar as suas fraquezas ali. Quando o inverno chega, o lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive. Arya se sentia como o lobo solitário. A Irmandade Sem Estandartes não era a sua matilha, muito menos a sua família. Ela não tinha ninguém com quem contar, sentia medo. O medo corta mais profundo do que a espada, Syrio Forel lhe dissera. Engoliu o choro, tentando demonstrar força e para isso fez a sua prece de costume, dizendo o nome de todos aqueles que segundo ela mereciam a morte e as duas palavras que aprendera com Jaqen H'ghar: Valar Morghulis, Sor Gregor, Dunsen, Polliver, Raff, o Querido, Cócegas, Joffrey, Rainha Cersei, Sor Meryn, Sor Ilyn Payne, Cão de Caça.
Desejando que esta noite nunca terminasse, a garota adormeceu e em seus sonhos ela se viu novamente com os olhos da loba que rondava as terras fluviais em uma matilha composta com cães. Naquela noite a loba se alimentou com carne de um cervo que ela matara e dividira com os seus irmãos, mas havia um cheiro diferente no ar, que ela, como Arya, jamais conseguiria sentir, diferente do animal pelo qual via o mundo neste momento; era cheiro de humanos... e fogo. Quando tornou a abrir os olhos, pôde escutar o latido dos cães do Caçador e o trotar de cavalos ao longe.
- Não! - Arya exclamou, se pondo de pé e pulando por sobre os leitos vagos em seu quarto.
Ao abrir a janela, a fraca luz do amanhecer podia ser vista surgindo diante de seus olhos e lá embaixo da colina onde o Septo se localizava, ela viu as silhuetas apagadas dos homens partindo. Com facilidade reconheceu Limo, com o seu habitual manto verde se destacando da multidão e ao lado dele, ela sabia, era Gendry que estava ali. Arya mordeu o lábio e o coração disparou. Tinha um mau presságio sobre essa campana. Desejava ter desejado boa sorte para Gendry ou então se empenhado para que ele não fosse e se no fim ele ainda tivesse escolhido ir, deveria ter pedido para Lorde Beric deixá-la ir junto com ele. Ainda não é tarde, disse para si mesma, criando coragem para correr até onde eles estavam. Os seus pés não a obedeceram, algo dentro de si não a deixava se mover e quando o fez, eles já não estavam mais ao alcance da vista.
Nenhum comentário sobre a expedição deles foi feito em qualquer lugar do Septo de Pedra. Depois que eles partiram, Lorde Beric se restringia a passar a maior parte de seu tempo nos próprios aposentos e quase nunca estava presente no horário das refeições. Não que Arya se importasse se o Senhor do Relâmpago vivesse ou morresse, mas ela buscava qualquer informação que pudesse sobre o que a Irmandade Sem Estandartes estava fazendo, para onde foram e por quê foram. Todas essas respostas, ou pelo menos a maior parte dela, foram respondidas depois de dez dias em que eles haviam partido. Foi no por do sol do décimo dia que os cães do Caçador Louco anunciaram a sua chegada. Pelo barulho a garota percebeu que eles haviam aumentado de número e deixando o salão do Pêssego correu para fora em busca de Gendry. Ela estava determinada a perdoá-lo no instante em que ele partira.
- Espero que essa gaiola seja confortável o suficiente para você, Sor! - Limo zombou para o prisioneiro.
Havia uma pequena multidão que se formara com a chegada dos membros da Irmandade e Arya, pequena para a sua idade, precisou encontrar espaço para subir na fonte com a escultura de peixe para ver do que se tratava toda aquela agitação. Estando agora com uma visão privilegiada do que acontecia, ela reparou no homem que eles tratavam como prisioneiro que ocupava lugar dentro da já apertada gaiola de metal que se tornara ainda menor devido o tamanho dele.
O prisioneiro escarrou.
- Eu não sou nenhum Sor... - Arya sentiu o frio subir pela espinha.
Quando o homem virou para os seus inimigos ela reconheceu aquela face. O rosto dele não deixava dúvida sobre quem era, tendo a face esquerda derretida pelo fogo.
- Cão de Caça! - Deixou o nome pelo qual ele era conhecido escapar de seus lábios que se rasgaram em um sorriso cruel. Aquilo não podia ser outra coisa que não um presente dos deuses para ela. Finalmente ele teria o que lhe era de direito. A justiça voltava a fazer sentido no mundo dela.
Gendry! Foi Gendry quem o trouxe! A sua animação aumentou. Procurou pela cabeleira negra do Touro no meio da multidão. Onde estava ela conseguia enxergar praticamente todo mundo que estava reunido na praça, mas não enxergou o rapaz que procurava.
- Parece que eles perderam o ferreiro... - O senhor que vendia frutas comentara com uma lavadeira.
A garganta da garota secara e sentira o coração bater nos ouvidos. Não, não é possível... , recusava-se a acreditar. Olhe com os olhos, mais uma vez, sem dar-se por vencida, vasculhou a multidão, mas não encontrou nada. Sentiu uma dor súbita no quadril, justamente na região onde batera no carrinho de mão. Havia dedos fortes a prendendo ali.
- Venha, Lady Arya, essa noite é uma noite de celebração! Dentro de poucas horas você verá Lorde Beric julgando e condenando esse soldado Lannister por todos os crimes cometidos! - Era Harwin quem a pegara e a colocara no chão.
- Gendry..? - Estava arfando, a cabeça estava dormente.
A expressão no rosto de Harwin mudara.
- Lamento, minha senhora, mas ele não pertence mais à Irmandade.
Arya não encontrou palavras para se expressar. Estaria Gendry morto? Seria esse o preço dos deuses? Toda vez que algo lhe era dado outro era tirado? Se essa era a balança da justiça, então ela não sabia dizer se os pesos e as medidas estavam corretas.
N/A: Pois é, Arya é um dos novos POVs, fazendo com que Gendry seja o outro. Não sou fã de Gendrya, pra ser sincera eu prefiro muito mais a Arya com o Jaqen (eu e a Lady Nocturna somos as únicas? rs), mas para essa história fluir como eu quero, esse shipper será fundamental. Espero que vocês tenham gostado do capítulo, demorei um tempo considerável para escrevê-lo devido a quantidade de informações que eu tive que buscar e baseei muitas coisas nos livros e na série, além de alterar uma coisinha ou outra, rs. Escrever esse capítulo foi praticamente como escrever o primeiro capítulo de uma nova fanfic! Comentários são muito bem vindos! Quero saber o que vocês pensam a respeito das novidades! Agradeço a todos os leitores que chegaram até aqui! ;)
O Capítulo XXII se chamará Pedra do Dragão. Será que veremos Stannis, finalmente?
