Bella Pov
Eu não sabia há quanto tempo estava ali.
Horas ou talvez dias... não dava pra saber ao certo. Tudo parecia ter se passado em segundos.
O cheiro de hospital era inconfundível.
A claridade só me dava a noção que pelo menos horas já se foram.
Tentei me levantar, ou pelo menos, me mexer um milímetro que fosse, mas fui imediatamente pega por uma dor alucinante. Não dava pra saber onde doía já que parecia que todas as células do meu corpo estavam gritando para que eu não me mexesse.
Uma pontada na barriga me dizia que ali estava o pior ferimento.
Talvez fosse o efeito de algum medicamento, pois não tinha força nem para abrir meus olhos.
Ouvi estalos de uma, provavelmente, cadeira.
Uma tosse baixa e então eu sabia que o Charlie estava comigo.
Tentei falar, mas minha boca estava seca demais pra isso.
Continuei parada. Muda e cega.
- Ela ainda não sabe? - eu não consegui distinguir de quem era a voz. Ouvi o rangido da porta e passos cuidadosos.
- Não - Charlie respondeu num sussurro.
- Charlie, ela tem o direito de saber!
- Eu sei... mas o que você quer que eu faça! Ela ainda não acordou! E mesmo se tivesse, não sei se conseguiria contar pra ela... - ele parecia chorar.
A única coisa que veio a minha cabeça: Edward.
A conversa terminou ali. Eu queria perguntar o que quê eu tinha que saber?
Queria perguntar se estava tudo bem com o Edward... mas talvez não fosse mais preciso já que o monitor começou a apitar freneticamente devido ao aumento absurdo da minha freqüência cardíaca.
Eu ouvi a cadeira sendo empurrada e passos apressados.
Uma mão repousou sobre a minha.
- Bella? Você está acordada querida? - barulhos de passos e eu sabia que quem quer que estivesse ali já tinha ido embora.
Eu comecei a me sentir mole, cansada e desnorteada.
Parecia que não dormia há dias.
Ainda com os olhos fechados, abri a boca para tentar falar mas parecia ser em vão.
- Edward... - foi o que saiu antes de eu me entregar ao sono.
- barulhos de passos e eu sabia que quem quer que estivesse ali já tinha ido embora.
Dessa vez, quando acordei, meus olhos se abriram instantaneamente. Não havia claridade alguma ali. Noite e luz do quarto apagada.
- Pai? - minha voz saiu fraca. Eu não conseguia ver nem um palmo na frente dos meus olhos.
- Bella! Graças a Deus! - a cadeira mais uma vez foi empurrada e eu senti a mão gélida de Charlie na minha testa.
- Há quanto tempo estou dormindo?
- O acidente foi há dois dias atrás, Bella...
- Dois dias? - eu perguntei atônita.
- Sim... você estava sob o efeito de muitos remédios, amor - eu ouvi um 'click' e uma lâmpada se acendeu ao meu lado. Havia um abajur ali.
Minha barriga doeu quando eu tentei me mexer.
- Não Bella! Você precisa ficar quietinha! - Charlie apertou um pequeno interruptor que havia na parede ao lado da cama.
- O que quê aconteceu?
- Você tem um corte na barriga que agora está cicatrizando. Não pegou nenhum órgão, graças a Deus...
- Não, eu quero saber o que quê aconteceu com o Edward!
Charlie desviou os olhos dos meus, passando a mão pelo seu bigode. Pelas suas olheiras, poderia jurar que ele não dormia há dois dias.
- Cadê o Edward, pai? - eu repeti, entrando em panico.
- É... - a porta foi aberta e Charlie definitivamente parecia agradecido por isso.
Meu coração pulava no peito e o monitor apitava tanto que parecia ser apenas um barulho continuo.
Um homem de meia-idade vestido todo de branco entrou sorrindo.
- Isabella! - ele falou como se me conhecesse há anos.
- Só Bella. - eu respondi automaticamente.
- Então Bella, como estamos? - depois de acender a lâmpada do quarto, foi até o monitor, deixando-o mudo.
- Eu quero saber como está o Edward!
- Edward? - ele perguntou sem entender, olhando para o Charlie.
- Sim! O filho do Carlisle!
- Oh! Sim... Desculpe- me querida, mas ele não é meu paciente...
- Mas o senhor não sabe nada sobre ele? Impossível! - falei rispidamente, batendo a mão no colchão, fazendo com que ela doesse.
- Desculpe... - ele desviou os olhos sem dar uma resposta
- Bom, sente alguma dor? - ele continuou.
- Eu to ótima! Sublime! - respondi sem paciência. Charlie me olhou como se falasse 'tenha modos, Isabella'. O doutor sorriu.
- Fico feliz que esteja tão bem assim, querida! Não quer dormir um pouquinho? Você tem que descansar - ele falou enquanto trocava meu soro.
- Eu estou descansando há dois dias! - disse entre os dentes. Ele suspirou, sem me olhar.
- Certo... mas são três horas da manhã agora... não vejo o porque você não dorme um pouco.
- Eu não vou dormir enquanto não saber do Edward! - tentei me levantar, mas meu corpo protestou.
- Acho melhor você dormir, Isabella - ele me olhava preocupado.
Tirou uma embalagem com uma injeção de dentro de uma gaveta e um vidrinho.
- Qual é o seu nome?
- Peter, querida... - ele falou enquanto injetava sabe-se-lá-oque junto ao soro.
- Hn... eu vou me lembrar desse nome quando sair daqui, doutor - falei tentando parecer mais ameaçadora possível. Ele começou a rir alto.
- Acho que devo me preocupar com isso, não é? - ele perguntou ainda rindo. Eu bufei.
- Durma bem, querida - ele continuou, saindo do quarto.
Olhei para Charlie que me encarava. Parecia extremamente concentrado em alguma coisa além do meu rosto.
Eu já começava sentir o torpor devido o remédio.
Minha cabeça pesava.
Charlie respirou profundamente na hora enquanto eu lutava para manter meus olhos abertos.
- Bella... - ele colocou sua mão sobre a minha. Eu não conseguia nem falar devido àquela merda que ele me dera. Apenas olhei para ele.
Ele deu mais um profundo suspiro antes de voltar a falar.
- Bella... o Edward está em coma - e então eu dormi.
