N.A.: Ah, la amour! Eu tinha uma idéia pra esse capítulo e ela seguiu por um caminho dimetrialmente oposto. Mas ficou maneiro. Ainda não faço a mínima idéia de com quem a Sara vai ficar mas tem tempo pra isso. Fora que eu gosto, além dos aprendizes, dos cavaleiros. Acho que vouf azer ela tirar uma casquinha geral. Beijos.
CAPÍTULO 20 - Cãibras
Se olhar pudesse matar, Adonis teria dado seu último suspiro há muito tempo. Sara o olhava com tanta raiva quanto podia.
- Por que faz essa cara? Não fui eu quem o colocou aqui dessa vez.
- Maldita hora em que fui te defender.
- Ah, vai me dizer que não está feliz? Horas e horas preso na minha bela companhia... - Disse o grego malicioso, retirando a camisa e amarrando-a na cintura. A menina observou-o furiosa e reparou pela primeira vez no tórax largo e nos músculos bem definidos. Virou o rosto corada.
- Vai ser um inferno, isso sim.
- Se eu fosse você, tirava a camisa. - Ela ficou intrigada.
- Ué, por quê?
- Não vê que a água está subindo? Daqui a pouco estará tudo cheio, teremos mar até o pescoço. E quando a maré baixar vai ser de noite, ou seja, frio. Ficará mais fácil de secar fora do corpo. - Respondeu como se ditasse uma aula a um aluno menos aplicado.
- Pois eu prefiro morrer congelado! - Retorquiu, sentando-se numa pedra mais alta, longe do rapas.
- Não diga que não avisei...
À medida que as horas passavam, sobrava pouca terra para eles colocarem os pés. Durante esse tempo Sara limitou as conversas e se concentrou em alguns exercícios de alongamento para as pernas. Logo ambos já nadavam, com um metro de água sob seus pés.
- Por que estava se esticando, florzinha?
- Quanto tempo é capaz de nadar? - Questionou de volta.
- Hã? Como assim?
- A maré demora umas seis horas para virar, pelo que dizia meu pai. Agüenta tanto tempo?
- Claro que agüento, eu serei o portador da Armadura de Gêmeos, suporto qualquer coisa! - Afirmou orgulhoso. A menina suspirou, seu ego era desinsuflável.
Não demorou muito e já tinham que se segurar nas barras, com os rostos virados para cima aproveitando o pouco espaço areado que sobrava. Quando a maré finalmente baixou até a metade, o que a brasileira esperava aconteceu.
Adonis sentiu uma fisgada na perna e ela adormeceu, tornando-se dolorida e pesada. Sem esse membro, nadar tornou-se difícil e ele sentiu-se afundar.
- Ei! Daniel! Me ajude!
- Eu não, você não era o Grande Futuro Portador da Armadura de Gêmeos? - Sacaneou ela.
- Socorr... - Não conseguiu terminar a frase pois uma segunda fisgada, agora na outra perna levou-o direto ao fundo.
A garota ficou horrorizada ao ver o colega afundar e mergulhou ao seu encontro. Encontrou-o no chão da caverna, debatendo os braços furiosamente, sem conseguir subir. Por um momento ela ponderou se devia deixá-lo ali mesmo ou salvá-lo mas acabou com a segunda opção. Foi até o rapaz e virou-se de costas, fazendo-o abraçá-la por cima dos seios e subiu de volta à superfície.
- Gasp, gasp! Aaaaahhhh... - O geminiano respirava com dificuldade, apertando a colega com força.
- Não aperta muito que a gente volta lá pra baixo.
- Ai, você manda... - Disse cansado.
Quando finalmente a maré baixou, a brasileira depositou-o numa pedra lisa e comprida, retirando a camisa da sua cintura, torcendo e estendendo-a sobre um pedregulho.
- Está melhor?
- Não, minhas pernas doem... Principalmente as coxas. - Reclamou.
- Fresco. Me ajude aqui que vou dar um jeito nisso. - Falou abrindo a calça do rapaz. Ele segurou-lhe a mão surpreso.
- Ei, que pensa que está fazendo? Eu sei que sou irresistível mas não estou muito em forma nesse momento.
- Não seja ridículo! - Exclamou exasperada, corando. - Vou dar um jeito nessa cãibra. - E ao terminar de falar, puxou suas vestes, deixando-o só de cuecas.
- Minha Deusa, agora que a florzinha vai se aproveitar de mim! Um pobre aprendiz de alma pura e mente inocente... - Parou ao receber um cascudo.
- Terminou? Deixe-me ver... - E ela iniciou uma massagem pelas coxas grossas, friccionando com habilidade a musculatura tensa. O geminiano suspirou, toda a tensão desaparecendo como um passe de mágica. Logo não sentia mais dor alguma, apenas um agradável comichão na virilha.
- Sabe que você é bom nisso?
- Meu irmão sempre tinha essas crises. - Disse a garota, arrependendo-se imediatamente.
- Irmão? Qual o nome dele?
- Não interessa.
- Quanto mau humor, florzinha. Mas não pare, isso é delicioso.
Ela continuou por mais algum tempo quando subitamente parou. O grego abriu os olhos intrigado e viu que a morena olhava-o espantada. Seguiu o olhar até se deparar com uma ereção coberta apenas pelo fino tecido de sua roupa de baixo. Tentou sem sucesso esconder aquilo com as mãos.
- NÃO OLHE! - E empurrou a garota que caiu sentada no chão.
- Que idéia foi essa? Você faz a besteira e depois me expulsa? Pois fique aí com essa perna podre! - Exclamou se afastando até o outro lado da caverna, onde se sentou vigiando-o.
- Pervertido... Como se atreve a me deixar nesse estado?
Sara não respondeu, não entendia o porquê de ele estar tão alterado. E também não entendia o que era aquele estufamento na sua cueca. Parou para raciocinar um pouco e lembrou-se dos animais que criava. O coito dos cavalos surgiu-lhe na mente e ela associou um fato a outro, corando até o último fio de cabelo com a idéia: provocara um excitamento no aprendiz.
A noite e parte da madrugada passaram lentamente, eles não se falaram e novamente enfrentaram a fúria das ondas. Por volta das três horas da manhã ambos estavam exaustos. A garota recostou-se na parede da gruta para dormir mas um frio intenso fazia com que seu corpo tremesse violentamente. Esfregou os braços tentando se esquentar quando sentiu uma presença à sua frente.
- O que quer? Mais massagem? - Perguntou sarcástica.
- Não, aqui é muito duro o chão. Aproveitaríamos pouco... - Sorrindo maliciosamente e abaixando-se, olhando-a nos olhos.
- Incrível como nada arranha esse seu ego, grego. - Grunhiu ela. Ele ignorou o comentário.
- Está frio, vem que eu te esquento. - E abriu os braços.
- Pode esquecer! Sabe lá o que vai fazer comigo.
- Nunca vi ninguém tão teimoso como você, florzinha! Largue de bobagens e venha logo!
- Não!
- Não me deixa outra escolha... - E puxou-a pelos ombros, colocando-a de pé e depois no colo.
- EI! ME PÕE NO CHÃO! - Gritou se debatendo.
- Logo, logo...
Adonis carregou-a até um ponto mais alto e seco e sentou-se com ela, prendendo-a pela cintura de costas para ele e entre suas pernas.
- Fique quieto viu? - E sara sentiu um calor tomar conta de si; seu colega havia elevado o cosmo e aquecia ambos. Ficaram na mesma posição por muito tempo, quietos, ela por medo e ele por indiferença. Por fim, o cansaço a abateu, deixou a cabeça recostar em seu peito e ele aspirou o perfume de seus cabelos. - Adoro esse cheiro... Mesmo com tanto sal...
- Bobo... Você e Damien são dois doidos. Atraídos por um homem...
- O mais belo do mundo... - Sussurrou em seu ouvido, fazendo-a estremecer. - Por que eu acho que se eu enfiar a mão por baixo da sua camisa agora vou encontrar algo bem macio?
- Porque é um louco...
- Você me deixa louco, Daniel...
- Não pode se apaixonar por um rapaz...
- Sou grego, lembra? Está no nosso sangue amarmos pessoas do nosso sexo... Agora olhe para mim.
- Pra quê? - Questionou virando o rosto para fitá-lo.
O aprendiz sorriu e alisou com a ponta dos dedos os lábios rosados da menina, eram carnudos, sensuais e convidativos. Inclinou-se, aproximando a boca da dela. Sara não oferecia resistência, estava hipnotizada pelo rapaz e o beijaria se naquele exato momento passos não tivessem sido ouvidos fora da caverna.
- Ei, tem alguém aí? É hora de um de vocês sair!
Adonis soltou um palavrão baixo e libertou a colega, que se pôs de pé saiu cambaleando em direção à saída. Antes de ir porém olhou o geminiano e soprou-lhe beijo, surpreendendo-o.
- Boa pescaria, aprendiz. - E se foi.
