Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

Muito obrigada pelas reviews e espero que tenham tido um ótimo Natal :D

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Passado manchado

- Surpreendido? – Indagou o professor ao ver o olhar perplexo de Eren que acabava de provar a refeição preparada pelo primeiro.

- Há alguma coisa que não consigas fazer, além da falta de socialização? – Perguntou, continuando a comer.

- Não sei fazer tudo, mas viver sozinho obriga-nos a aprender determinadas coisas.

- À frente do fogão só me safo em meia dúzia de coisas. – Confessou. – E tudo simples para uma sobrevivência básica. – Levou mais uma vez o garfo à boca. – Isto está mesmo muito bom. – Sorriu. – Não me importava que cozinhasses assim todos os dias para mim.

- Tch, vai sonhando, Jaeger. – Comentou e Eren riu.

Sabia que Levi estava irritado com alguma coisa quando resolvia tratá-lo pelo apelido. Fora isso, agora procurava chamá-lo sempre pelo primeiro nome. Isso era algo que deixava o jovem de olhos verdes com um sorriso estampado no rosto, sempre que ouvia o nome dele sair dos mesmos lábios que o tinham marcado no pescoço.

Ele ainda mal queria acreditar que estava na casa do professor, a almoçar com ele à mesa sem ninguém para os atrapalhar. Eren queria saborear cada momento. Dentro dele, algo lhe dizia que momentos como aquele eram ansiados há muito tempo. Como se um desejo longínquo e intenso finalmente, se tornasse realidade.

Depois da refeição, o rapaz quis ajudar a lavar a loiça, mas depressa concluiu que os padrões de limpeza por ali eram demasiado elevados. Descobriu que existia uma técnica para limpar perfeitamente a loiça e como não queria discutir sobre isso, ajudou somente a tirar a mesa e depois manteve-se encostado à mesa.

Não obstante a atmosfera leve e agradável, Levi sabia que precisava de falar sobre duas coisas em concreto. Optou por começar pela mais relevante no momento e assim que terminou de secar as mãos, voltou-se para o rapaz que lhe sorria.

- Eren precisamos falar sobre como vão ser as coisas daqui para a frente.

- Como assim?

Levi cruzou os braços, mantendo um ar sério sem deixar de olhar para Eren que agora estava um pouco ansioso.

- Ainda és menor de idade.

- Por poucos meses. – Lembrou-o o rapaz, não gostando do rumo da conversa.

- Sou teu professor, Eren. – Frisou. – Essas duas coisas podem causar-nos problemas se não tivermos cuidado. Não estou a dizer-te para te afastares de mim e muito menos que vou ignorar-te. Só que temos que ser discretos pelo menos, até estares fora da escola. – Começou por dizer. – Isso significa que na escola ou em locais públicos, onde possamos encontrar conhecidos é melhor que mantenhamos apenas o papel de aluno e professor. Quando estivermos sozinhos como é este o caso, não me importo que me trates por Levi e sem formalidades.

- Queres basicamente que escondamos tudo. Já disse e repito que a opinião alheia não me interessa. – Retrucou o rapaz.

- Por muito compreensivo que o Irvin seja, ele destacou perfeitamente as regras que existem naquela escola. O relacionamento com alunos é estritamente proibido. Posso ser expulso e acabar na cadeia. Não é dramatismo, Eren. É a lei. É a regra que existe e que também te pode transferir para outro lugar qualquer. – Explicou e ao ver que o jovem de olhos verdes ia replicar, prosseguiu. – Não tenho gosto algum em cumprir algo assim, até porque é como já me disseste, não estás assim tão longe de atingir os dezoito anos. Mas são as regras e é com elas que teremos que lidar durante os próximos meses.

"Queria rebater aquilo tudo e dizer-lhe que continuava a não ver razão para escondermos as coisas. Só que infelizmente, ele tinha razão. Se eram as regras e além de prejudicar-nos, iria até afastar-nos… não podia correr esse risco. Teria que mentalizar-me que seriam só mais alguns meses", pensava o rapaz quando notou que o professor avançara na sua direção.

- São só alguns meses. – Repetiu.

- E depois… não precisamos mesmo de esconder mais nada?

- Claro que não. Achas que tenho vergonha de ti, Eren? – Perguntou e arqueou uma sobrancelha ao ver o rapaz corar. – A resposta é não, pirralho. Estou apenas a querer manter-nos perto um do outro.

- Ok… vou fazer de tudo para ser discreto. – Concordou, desviando um pouco o olhar.

- Ótimo. Agora vem. – Disse Levi ao sair da cozinha.

- Onde vamos?

- Queres dormir na sala ou no quarto? – Perguntou e parou a meio da sala.

- Vais dormir comigo? – A questão saiu mesmo antes de poder parar para pensar nela.

- Tch, claro que não por isso é que estou a perguntar-te qual queres escolher. – Respondeu e olhou de soslaio, apenas para ver um olhar de embaraço juntamente com a hesitação em dar-lhe uma resposta. – Vou ficar na sala a ver documentários até adormecer. Queres assim tanto passar tempo comigo?

O adolescente assentiu ainda envergonhado e caminhando atrás dele. Esse comportamento era terrivelmente semelhante ao que via em sonhos e ele parecia ser o único capaz de provocar esse tipo de postura. Não que isso lhe desagradasse, pelo contrário, gostava e muito de saber que o rapaz só se comportava assim com ele.

Chegando à sala, Levi pegou no comando da televisão e sentou-se. Eren também se sentou, mas mantendo alguma distância enquanto remexia as mãos e apresentava tiques nervosos, como passar a mão pelos cabelos ou brincar com as mangas da camisola que levava. Isso não passava despercebido ao homem de cabelos negros que ligou a televisão e procurou um canal onde passasse uma programação do seu agrado.

Assim que entrou o que pretendia, tirou o som da televisão e olhou para Eren que lhe lançou um olhar confuso.

- Vais ver documentários sem som? – Arriscou perguntar. – Podes pôr som, eu adormeço mesmo que haja ruído por perto.

- Antes de ver televisão, há outra coisa de que queria falar. – Começou Levi. – Sei que não é um tema de conversa de que vais gostar, mas preciso saber… exatamente o que aconteceu nos tempos em que estiveste no orfanato.

Eren era perfeitamente consciente daquilo que lhe estava a ser pedido. Com certeza, o homem ao seu lado não queria algo em geral, queria algo em particular. Os acontecimentos que manteve em segredo até de Mikasa e Armin, a quem contou apenas o superficial sem nunca entrar em detalhes. Se eles os dois soubessem seriam ainda mais protetores e poderiam acabar por culpar-se pelo que tinha acontecido. Tendo isso em mente, o jovem de pele morena sempre guardou os horrores daqueles dias, semanas e meses para si mesmo. Todas as noites sem exceção, os sonhos variavam entre os sonhos estranhos de uma época distante ou então, os terríveis pesadelos que retratavam pedaços do seu passado. Eram raras as noites em que podia dizer com alívio que não se lembrava de nada com o que tinha sonhado.

Às vezes, chegava a ter dúvidas do que seria preferível. Os pesadelos com aquela época distante ou aqueles de um passado mais recente. Sim, ele sabia que não podia continuar a considerar os outros sonhos/pesadelos como fantasia já que eles explicavam a razão para sentir uma estranha nostalgia sempre que estava ao lado de Levi. Mesmo assim, continuava sem coragem de comentar isso com o homem ao seu lado dado que se fosse somente fruto da imaginação, passaria vergonha. E se havia coisa que não queria, era envergonhar-se diante dele.

- Porque queres saber sobre uma coisa dessas? – Perguntou Eren e abaixou o rosto. – Não sei se quero falar disso. E se…

- E se? – Insistiu Levi.

- Se depois de te contar o que aconteceu, não quiseres ficar comigo?

- Isso não vai acontecer. – Afirmou, aproximando-se um pouco. – Tens a minha palavra que isso nunca vai acontecer.

Seguiu-se um longo silêncio. Nenhum dos dois dizia mais nada e os olhos de Eren estavam presos às mãos que tinha sobre as pernas e amassavam o tecido das calças. Mais do que hesitação em como começar, tentava ganhar coragem para contar coisas que guardava há anos. Para que fosse mais simples falar sobre o assunto, iniciou a narrativa, falando um pouco de como era orfanato antes desses acontecimentos.

Pelo que lhe tinham dito, estava naquele local desde dos seus três anos. As más condições do local e a falta de funcionários tornavam cada dia bem mais longo do que deveria. As refeições eram escassas e por vezes, não abrangiam a todos. Em consequência disso, ou partilhavam o pouco que tinham ou alguém poderia ficar sem comer parte do dia ou o dia inteiro, se o mesmo se repetisse nas próximas refeições. As roupas eram oferecidas, só que as funcionárias muitas vezes levavam-nas para os próprios filhos e deixavam os órfãos ali presentes com velhos trapos que mais do que roupa, pareciam panos de chão. A higiene era outro aspeto negado já que mesmo havendo chuveiros e água suficiente para todos, o seu uso era bastante limitado.

Naquele orfanato mais do que passar parte do dia a brincar com brinquedos velhos, as crianças eram obrigadas a limpar e a arrumar. Atividades que deveriam ser levadas a cabo pelas funcionárias que nada mais faziam do que dar ordens, fazer comentários desprezíveis e castigar os desobedientes.

- Era castigado muitas vezes porque era dos poucos que me queixava das condições e da forma como éramos tratados, mas acima de tudo porque tentei fugir de lá muitas vezes. – Fez uma pequena pausa. – Quando tinha nove anos, ele chegou… era o novo funcionário. Usualmente, os contratados eram sempre mulheres. Ele era a primeira exceção e desde do primeiro dia, pela forma como olhava para nós em geral, não gostei do que vi. A primeira vez que pensei em dirigir-me a ele foi quando o Armin veio dizer-me que esteve juntamente com outros colegas a ser ajudado a vestir-se. Coisa estranha, pois já há muito tempo que as outras funcionárias apenas se preocupavam em vestir ou despir as crianças mais novas. A partir de uma certa idade deixavam de ajudar-nos. Não era um processo gradual. Era algo repentino que apanhava a muitos desprevenidos. – Respirou fundo. – Fiquei desconfiado desde desse comentário do Armin que dizia não sentir-se muito à vontade com alguém a tocar-lhe tanto só para ajudá-lo a fazer uma coisa que já sabia há bastante tempo. Ignorei por mais alguns dias até ao dia em que a Mikasa veio a correr até mim. Estava assustada e dizia que aquele velho pervertido tinha tentado empurrá-la até à zona dos chuveiros para dar-lhe banho e ela não queria ir. Aquilo estava a ir longe demais e por isso, fui confrontá-lo com aquilo. – Engoliu em seco. – Assim que lhe atirei à cara tudo o que queria dizer, arrastou-me até uma divisão que passaria a conhecer muito bem nos próximos meses. Nesse dia, não passou de violência física. Bateu-me até não poder levantar-me do chão e deixar de ter força para lhe continuar a responder. Depois… - O nó na garganta estava de volta e sentia como se a respirar se tornasse mais difícil. – No dia seguinte, obrigou-me a tirar as roupas à frente dele e… deixar que me tocasse. Disse-me que se fosse obediente, nenhum dos meus colegas precisaria passar por aquilo.

- Eren…

- Não é como se eu quisesse fazer aquilo! – Exaltou-se. - Ninguém ia ajudar-me! Elas sabiam, todos os que trabalhavam ali sabiam, mas durante meses ninguém fez nada para me ajudar! – Lágrimas caíam abundantemente. – Ninguém quis saber… durante meses, todos os dias à mesma hora era o entretenimento dele e por causa disso, nesse período de tempo ninguém teve que passar por aquilo que passei.

- O que dizias ao Armin e à tua irmã? Ou mesmo ao resto dos teus colegas? Como é que nenhum deles desconfiava? – Perguntou Levi, tentando não perder a compostura e manter-se calmo perante as coisas horríveis que ouvia.

- Sempre lhes disse que ele só me batia. Nunca contei a verdade. Não podia contar-lhes uma coisa dessas. – Deixou escapar mais lágrimas. – Não podia dizer-lhes que num desses dias, aquele nojento de merda vendou-me e levou-me para fora do orfanato. Durante horas estive em outro lugar com outros pervertidos como ele que se divertiram às minhas custas…

Levi não era alguém que se impressionava com facilidade ou que fosse afetado por palavras. Porém, nesse momento, sentia-se angustiado e até enojado. Não conseguia aceitar como alguém podia descer tão baixo a ponto de abusar de crianças. Ainda estava a processar o que tinha acabado de ouvir quando Eren continuou:

- Fiz tudo como ele queria e mesmo assim, não foi suficiente. – Os olhos pareciam algo apagados e perdidos naquelas memórias sombrias. – Um dia, tentou agarrar a Mikasa… ameaçou-a com uma navalha, a mesma que já tinha usado comigo em outras ocasiões. Perdi a noção. Perdi a cabeça. Ataquei-o e assim que consegui ter navalha na mão, apunhalei-o vezes sem conta. Nunca quis tanto que alguém morresse e se o mundo fosse um lugar justo era o que teria acontecido…

- Ele sobreviveu? – Perguntou Levi com um nó na garganta.

- Sim, embora nunca mais tenha voltado a trabalhar lá. – Respirou fundo, tentando controlar os tremores e as lágrimas que escorriam pelo seu rosto sem parar. – Fui levado para uma casa de correção. Passei lá seis meses. Fechado num quarto e nas primeira semanas, amarrado à cama porque o monstro em toda esta história só podia ser eu… - Sorriu amargamente. – Tive direito a uma psiquiatra que fez o favor de dizer-me que as coisas não eram tão más e não justificavam as minhas ações. Ela disse-me que como nunca houve um abuso grave, devia quem sabe… até ficar contente. – Ironizou, fechando as mãos em punho.

- O que ela pensa que aconteceu? – Perguntou o homem de cabelos negros, tentando com dificuldade manter a compostura.

- Deixar que aquele animal e os amigos me tocassem ou que os masturbasse não era tão mau como ser mesmo penetrado, pelo menos foi isso que aquela vaca me disse. Esse é a puta da lei que temos, enquanto não tiver cada porção da minha dignidade reduzida a zero, o resto é irrelevante! O esperto afinal sempre foi ele que graças a isso, não teve uma pena tão pesada…no fim, resta-me apenas o conforto de que podia ter sido pior…se é que isso é algum conforto depois de tudo o que passei. – Encolheu-se no sofá, levando os joelhos até ao queixo. Abaixou o rosto, tentando controlar um choro que tinha fugido totalmente ao seu controlo. Era sofrido e angustiante.

Levi estendeu os braços e puxou o rapaz. Envolveu-o num abraço forte, murmurando:

- Perdoa-me, Eren…

- Pelo quê? – Perguntou entre soluços e com o rosto escondido.

- Por te ter feito recordar estas coisas. Por te ter feito chorar. – Enumerou. - Gostava de ter encontrado antes. De ter protegido, mas eu prometo que nunca mais alguém irá fazer-te sofrer assim. Vou estar sempre aqui. Não deixo que ninguém te faça mal.

Era a segunda vez em poucas horas que ouvi aquelas palavras, aquela promessa de que iria protegê-lo. O adolescente esboçou um pequeno sorriso e recusou-se a quebrar aquele abraço por bastante tempo. Era consciente de que mesmo que não tivesse escutado aquelas palavras, aqueles braços fortes faziam-no sentir no lugar mais seguro em que alguma vez esteve. O calor que emanava daquele corpo era reconfortante e o seu cheiro era viciante, como se cada vez que o sentisse, se tornasse mais dependente dele a cada minuto que passava. Para ele não havia qualquer razão para duvidar que aquela era a pessoa com quem sempre quis estar.

Devido ao cansaço acumulado ao longo das últimas horas, Eren não resistiu à vontade de dormir. Precisava descansar e Levi notou isso pela forma como a respiração já mais calma, demonstrou um ritmo consistente ao mesmo tempo que o corpo encostado ao seu relaxava cada vez mais. Assim, com cuidado desfez o abraço e deitou o rapaz adormecido no sofá. Só que em vez de o deixar ali sozinho, deitou-se ao seu lado e então, aumentou ligeiramente o volume da televisão. Decidiu ocupar a sua mente com os documentários que passavam. Os dedos que seguraram o comando da televisão, depressa dirigiram-se aos cabelos castanhos que acariciou durante horas até ele mesmo, acabar por cair no sono.

Com o cair da noite, um par de olhos verdes começaram a abrir-se vagarosamente. A televisão ligada com um volume bem baixo contrastava com a escuridão da casa. Isso fez com que piscasse os olhos algumas vezes até habituar-se ao ambiente. Sentia os seus olhos inchados, devido ao número de lágrimas derramadas. Só que mais do que isso, arrepiou-se ao notar uma respiração cálida sobre o seu pescoço. Essa que num ritmo sossegado arrepiava a sua pele. Depressa notou que havia um corpo contra o seu e que um braço o envolvia pela cintura.

De alguma forma, tinha adormecido encostado ao peito de Levi que deitado ao seu lado, o envolvia com o braço e tinha a respiração colada ao seu pescoço. Corou ao mexer de leve as suas pernas e reparar que estavam quase entrelaçadas.

Ainda estava a tentar gerir toda aquela situação quando o nariz do professor roçou na sua pele e isso fez com que tentasse afastar-se demasiado rápido. Para evitar algum despertar constrangedor por não conseguir controlar as reações do seu corpo, praticamente atirou-se para fora do sofá. Isso valeu-lhe uma queda aparatosa no chão. Podia ao menos agradecer a presença do tapete no chão, caso contrário teria sido ainda mais doloroso. Porém, como tinha feito barulho, esperou alguns momentos completamente imóvel no chão que Levi dissesse alguma coisa ou desse algum sinal de que ia acordar.

"Não acordou? Tem o sono pesado", pensou. Com cuidado, levantou-se e espreitou, confirmando que o homem de cabelos negros permanecia imóvel e na mesma posição. Tudo parecia normal e por isso, concluiu que ou o professor dormia como uma pedra ou estava mesmo cansado. Qualquer que fosse a razão, Eren ao queria desperdiçar uma oportunidade como aquela. Era como se algo o impelisse a não só observar, como tocar na pessoa que dormia tranquilamente à sua frente. Ajoelhado em frente ao sofá estendeu a mão. Somente com as pontas dos dedos num primeiro instante, tocou os cabelos negros e lisos que eram ainda mais suaves do que aparentavam. Servindo-se ainda dos seus dedos, deslizou-os pelo rosto. Percorreu uma linha invisível que o próprio desenhava e que se estendeu dos olhos até ao queixo. Aí deteve-se por alguns momentos, antes de passar o polegar pelos lábios do professor. Só de lhe tocar era como se recordasse com exatidão do beijo que lhe dera horas antes. Lembrava-se de como sempre tentava ter algum controlo da situação e falhava, cedendo perante aquela boca quente e deliciosa.

"Não consigo estar perto dele sem pensar o quanto quero beijá-lo…", aproximou ligeiramente o seu rosto. No entanto, não esperava que os olhos de tons acinzentados se abrissem sem qualquer pré-aviso de que isso fosse acontecer. Isso fez Eren quase cair para trás quando tentou distanciar-se desajeitadamente.

- Julgas que tenho o sono pesado? – Perguntou Levi ao sentar-se, passando a mão nos próprios cabelos.

- Nã…não estavas a dormir? – Perguntou Eren completamente corado e em frente da televisão sem saber muito bem o que fazer.

- Claro que não. – Respondeu o professor, arqueando uma sobrancelha já que não queria acreditar na ingenuidade à sua frente. – É o troco pela tua pequena brincadeira. Quando estivemos no Colégio Rose, também achaste que devias encostar-te a mim e cheirar o meu pescoço. Se bem que depois de te teres atirado para o chão, não é difícil concluir quem de nós os dois tem um péssimo autocontrolo.

- Estavas acordado também naquela vez? – Indagou completamente aterrado.

- Claro. Quem disse que gosto que me toquem assim sem mais nem menos? Lembra-te que passei parte da minha adolescência com a Hanji. Estar sempre alerta não era opcional. – Levantou-se do sofá. – Só não podia imaginar é que também preciso ter cuidado contigo. – Sorriu de lado ao ver que o rapaz ficava ainda mais ruborizado.


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Preview:

« (...)

- Ele parece gostar bastante de ti.

Annie olhou curiosa para o professor e com um meio sorriso, perguntou:

- Incomoda-o que sejamos próximos?

- Foi apenas um comentário. – Disse secamente.

- Hum, é verdade que a minha heterossexualidade só reage na presença dele, mas ainda assim, continuo a preferir outras bandas. – Viu o professor arquear a sobrancelha. – Não sou indecisa. Só mais lésbica a mais de 90%.

- E o que acontece com a percentagem restante?

- Essa dúvida quando vejo estas coisas! – Disse, apontando para o palco onde Jean e Eren executavam mais uma coreografia provocante. (...) »

Desejo uma excelente passagem de ano!

Até ao próximo capítulo (e ano)! \0/