Fui acordada naquela manhã por um enjôo terrível. Tirando o mal estar que eu sentia.
Me sentei na cama e percebi que estava sozinha e nua.
Meu estômago dava voltas, parecia querer desfazer um nó dentro da minha barriga.
Me enrolei num dos lençóis da cama e corri pro banheiro, vomitando o resto de cereal que eu havia comido de madrugada.
- Merda! – murmurei encostando a testa na cerâmica fria do vaso sanitário. Não tinha forças pra levantar do chão, decidi ficar ali até que alguém me achasse.
Eu estava tremendo, suando frio, minha respiração estava ofegante, meu coração batia frenético no peito e sentia muito frio a ponto do meu queixo tremer. Eu sabia que aquilo não era normal.
- Kris? – ouvi a voz de Robert me chamar do quarto.
- Aqui. – sussurrei, mas pelo tom da minha voz acredito que ele não ouviu.
Poucos minutos ele chegou ao banheiro.
- Kris? – ele me chamou alarmado. Provavelmente meu rosto devia estar tão ruim quanto eu me sentia. – Esta enjoada? - ele mexeu numa mecha do meu cabelo, se sentando ao meu lado no chão do banheiro.
- Rob... eu...eu não to me sentindo bem. – sussurrei com a voz trêmula.
Ele me enrolou no lençol que estava caído no chão do banheiro, me pegou no colo e me colocou na cama.
- Me diz o que você tá sentindo pequena. – ele pediu apreensivo.
- Eu estou tremendo... – estendi minhas mãos pra ele pra ele as visse tremendo. – Estou suando frio e tendo calafrios... não sei nem se consigo ficar em pé. – falei baixinho.
Meu coração batia frenético no peito.
Eu só pensava no bebê. Será que ele estava bem? Que ele ficaria bem?
A sensação de impotência diante do que estava acontecendo me assustava mais ainda.
- Deve ser sua glicose. – ele se levantou rápido e pegou seu celular. - Jack? Oi! – ele pausou – Não, não está! Kristen não se sente bem... – ele pausou – Acho que é a glicose dela. – pausou novamente. – Ok, eu tenho aqui! Venha logo. – ele fechou o aparelho. – Vou te colocar no soro pequena, Jackson também acha que sua glicose diminuiu bruscamente.
Eu apenas assenti, não tinha forças pra falar.
Ele saiu do quarto e voltou com as coisas necessárias pra me pôr no soro.
Gemi fracamente quando ele me furou com a agulha e fiz uma careta.
Irônico uma enfermeira não gostar de agulhas. Eu gostava de furar os outros, não que furassem a mim.
- Desculpe por isso! – ele fez uma careta e beijou minha mão.
- Rob? – o chamei fracamente. Ele levantou os olhos e me fitou. – O bebê?
- Vai ficar tudo bem pequena, descanse. – ele disse, mas não foi isso que seu olhar me passou.
O alivio foi quase imediato com a glicose nas minhas veias.
Eu ainda sentia minhas mãos tremendo, mas a vertigem e os calafrios haviam passado.
- Eu não sabia que você sabia puncionar uma veia. – sorri fracamente pra ele. – Pensei que isso fosse coisa de enfermeira.
- Eu também não sabia que você entubava pacientes e também é uma coisa de médico, então... estamos quites. – ele sorriu e deu de ombros.
- Fomos tão bobos aquele dia. – eu sorri ao lembrar da nossa primeira briga e do nosso primeiro beijo na sala de descanso do Mercy.
- Eu já te amava. – ele tocou meu rosto. – Por isso fui tão intolerável, mas pra falar a verdade aquilo não me irritou, me deixou foi orgulhoso de você. – ele sorriu e se aproximou pra me beijar, mas eu me virei.
- Rob eu acabei de vomitar! – fiz uma careta.
- E? – ele beijou minha testa e se levantou pegando o telefone que ficava em cima do criado mudo. – Maria... – ele disse. – Faça uma daquelas suas sopas pra mim. – pediu – Por favor, sem temperos fortes...ah! e faça com frango e não carne. – pausou – Ok. Pode me chamar. – desligou.
- O que é isso? – apontei pro telefone curiosa.
- Um interfone. – ele deu de ombros. – É bom não ter que ficar gritando com elas quando estou no segundo andar. – ele sorriu e afastou uma mecha do meu cabelo que caia em meu rosto. – Como você está?
- Mole. – sorri como uma drogada. Ele riu.
- Descanse! – beijou minha testa – Jackson está vindo ver você. Quando a sopa ficar pronta eu te aviso.
Acordei com vozes ao meu lado, mas antes de abrir meus olhos meu lado curioso pediu pra eu fingir que estava dormindo e escutar a conversa.
- Você acha que ele está bem? – era Robert.
- Não sei, trouxe o ultrassom do hospital pra olhar ele. – Jackson disse. – Eu conheço poucos casos de aborto por causa de glicose, mas não custa nada olhar.
- Eu não sei como vai ser se... se o bebê... ela vai... – a voz da minha prima o cortou.
- Se acalma Robert! – Ashley pediu. – Tenho certeza que está tudo bem... e se acontecer alguma coisa, ela precisará de você.
Eles estavam falando do meu filho? Aliás, falando como se ele não existisse mais.
Eu o havia perdido, é isso?
Um misto de dor e desespero me atingiu como uma avalanche e eu resolvi que era hora de abrir os olhos.
- Hey dorminhoca! – Ashley sorriu e sentou na cama.
- O bebê? – falei apreensiva. - Rob? – o chamei e ele se sentou ao meu lado na cama. – O bebê está bem, não está? – meus olhos correram dele até Jackson. – Não está? – repeti nervosa.
- Pequena se acalme! – Robert pediu alisando meus cabelos. – O Jackson vai dar uma olhada em você, tudo bem? – eu assenti.
Ele mediu minha pressão e disse que estava um pouco baixa. Fez um teste rápido de glicose com o HGT e disse que ela já tinha se normalizado, mas quando ele passou o gel na minha barriga eu congelei.
E se o bebê estivesse morto? Eu não suportaria perdê-lo.
Eu já o amava... assim como amava Angel.
- Espere. – parei sua mão antes que ele colocasse o aparelho na minha barriga. – Não sei se eu quero fazer isso. – olhei pra Robert, mas foi Jackson que me respondeu.
- Kristen, só vamos confirmar que o bebê está bem! – ele disse.
- Ou não! – respondi. – Eu não sei se vou agüentar. – olhei pra Robert.
Ele me abraçou apertado e quando me soltou sentou atrás de mim, me fazendo recostar em seu peito.
- Eu estou aqui! – ele sussurrou em meu ouvido. – Está tudo bem, você vai ver. – ele pousou seu queixo sobre meu ombro.
- Posso? – Jackson perguntou.
Eu apenas assenti.
Fechei os olhos com força pra evitar que minhas lágrimas saíssem, mas mesmo assim não consegui evitar.
Por favor, esteja bem, esteja vivo, esteja ai! – eu pensei.
Foram longos e torturantes minutos em que o Jackson mexia aquele aparelho na minha barriga e aquele gel gelado me causava arrepios. A única coisa que eu consegui fazer era chorar... ele não existia mais, talvez tivesse sido somente um sonho bom.
Me amaldiçoei centenas de vezes por ter um problema idiota como a falta de açúcar no sangue.
- Abra os olhos Kiki! – ouvi a voz de Jackson.
Eu hesitei, mas assim que Robert sussurrou no meu ouvido um "abra pequena" eu abri.
Jackson segurava a pequena tela do ultrassom na minha frente, mas eu não via nada. Minha visão estava turva por conta das lágrimas.
- Está ouvindo? – Jackson me perguntou.
E então eu ouvi.
Um pequeno coração... batendo num ritmo tão frenético, que chegava ser assustador.
- Estou! – sorri e funguei.
- É o seu bebê! – Jackson sorriu pra mim. – Saudável como um cavalo. Ele até cresceu. – ele brincou.
Todos no quarto sorrimos da sua brincadeira e de alivio.
- Eu te amo! – Robert sussurrou em meu ouvido.
- Eu também! – levantei meu braço e passei a mão pelo seu pescoço, alcançando seus cabelos.
Jackson limpou a meleca na minha barriga e me deu algumas orientações.
- Bom, eu quero que você coma agora de 3 em 3 horas Kristen, sem exceção. Isso pode acontecer de novo. – ele disse. – Eu vou te dar esse aparelho e você vai medir sua glicose duas vezes por dia, até o bebê nascer e quando for sair de casa irá levar uma injeção de glicose na sua bolsa, ela tem que ficar num pequeno isopor e conter instruções dentro, pra caso se você passar mal na rua e algum desconhecido te socorrer saber o que fazer.
- Ok! – eu disse pegando o aparelho que ele me estendeu.
- Ela não irá ficar sozinha! – Robert garantiu.
- Temos que conversar sobre isso ainda. – falei pensando na faculdade que eu queria voltar a cursar.
- Depois pequena. – ele disse sério.
- É isso! – Jackson se levantou – Você terá que fazer de 6 a 7 refeições por dia, mas entre elas pode comer uma fruta, uma barrinha ou uma bolacha... Se você se comportar e seguir o que eu falei... – ele piscou pra mim. – Isso não acontecerá novamente.
- Que susto! – Ashley disse.
- Nem me fale! – falei.
O telefone tocou.
- Ashley atenda pra mim! – Robert pediu.
Ela foi até o telefone e atendeu.
- Está se sentindo bem? – Robert me perguntou.
- Maravilhosamente bem. – respondi.
- Isso é bom! – cheirou meu pescoço.
- Essa fala é minha. – brinquei com ele.
- Suas manias, minhas manias. – ele também brincou.
- Rob, a Maria disse que a sopa está pronta. – Ashley disse.
- Peça pra ela trazer Ashley, por favor! – ele pediu a ela.
Ele se mexeu e eu me inclinei pra frente pra que ele saísse de trás de mim e sentei encostada na cabeceira.
- Temos que ir! – Jackson disse – Daqui a pouco entramos no plantão.
- Você também Rob, vá se arrumar. – eu disse.
- De forma alguma deixaria você sozinha. – ele disse sério. – Avise ao Steve pra mim. – ele disse ao Jackson. – Mais tarde ligarei pra ele.
Quando eles estavam saindo eu resolvi tirar uma dúvida com Jackson.
- Jack. – o chamei e ele se virou pra mim. – Eu tinha acabado de comer cereal com mel, não entendi porque minha glicose abaixou. – falei.
- Oh...uhm...isso é relevante Kiki! – ele disse sem jeito – Algum estresse? – neguei – Esforço físico? – fiquei muda, porque me lembrei das 3 vezes que eu e Rob fizemos amor antes de dormir. – Ok, entendi. Não precisa responder. – nós rimos. – Peguem leve! – ele disse ainda rindo.
Robert saiu com eles, provavelmente foi levá-los até a porta.
Ouvi batidas na porta e mandei que entrasse.
- Com licença senhora, sua sopa. – uma senhora de cabelos grisalhos entrou no quarto.
- Você deve ser a Maria? – perguntei.
- Sim, senhora. – ela abaixou a cabeça.
- Me chame de Kristen, por favor. – ela apenas sorriu. Eu dei uma colherada na sopa. – Uhmm...está uma delícia Maria. – a elogiei.
- Obrigada Sra. Pattinson.
Congelei.
Do que ela me chamou?
Não, não, não... você está enganada! – tive vontade de dizer.
Mas me calei, eu estava com Robert, ia morar com ele, ser a mãe dos seus filhos...era natural que me chamassem assim. Não era?
Relaxei da minha tensão e dei mais uma colherada na sopa.
Sra. Pattinson.
É... podia me acostumar com isso também.
