Palavra do dia: hediondo.
Este capítulo é dedicado à linda Lory Higurashi, por todo o seu apoio, que não desistiu de mim e continuou perguntando pela Donzela Maculada lá no Twitter.
Desculpe por toda a ansiedade que te provoquei Lory Higurashi XD
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Trinta meses separados
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Inuyasha inclinou-se sobre o parapeito da janela e observou através dela a paisagem invernal que se espalhava pelo pátio da escola, apesar de já não haver mais neve, pensando que talvez aquele fosse o último inverno que visse em sua cidade por muito tempo, abriu a janela e aspirou com certa satisfação o ar gelado daquele dia, Izayoi achava muito perigoso andar de bicicleta no inverno – por causa de todo o gelo e a neve – por isso a entrega á domicilio era sempre suspensa durante aqueles gélidos meses, e só retornava quando a primavera já desabrochava nas cerejeiras, mas provavelmente não haveria mais entregas naquela primavera... A menos que ela arranjasse outro entregador para explorar.
Miroku parou ao seu lado, com as mãos nos bolsos, apesar das aulas já terem sido encerradas por aquele dia, alguns alunos ainda permaneciam na escola, retardando ao máximo a hora em que teriam de sair para o frio, e também observando a paisagem perguntou:
—Você vai mesmo se mudar para Tóquio na primavera e cursar a faculdade lá?
Inuyasha assentiu.
—Embora eu não tenha passado no exame para entrar nela, Sesshoumaru e Rin disseram que sou bem vindo á casa deles, então me mudarei para Tóquio desde já e tentarei de novo ano que vem.
Miroku ouviu tudo em silêncio.
—Mas por quê? — perguntou — Você foi aceito na daqui, por que não fica e cursa o ensino superior aqui mesmo então? Quer seguir os passos de Sesshoumaru, é isso?
Inuyasha balançou a cabeça. Lá embaixo, no pátio, uma garota corria atrás de seu gorro, levado pelo pela força do vento.
—Não é nada disso.
—Então é por causa dela, não é?
Perguntou com um suspiro retirando as mãos nos bolsos e também se inclinando sobre o parapeito da janela, apoiando-se ali com os cotovelos.
Fazia agora pouco mais de dois anos e um terço que Kagome fora embora e mesmo assim Inuyasha ainda não a havia esquecido, e embora tivesse prometido espera-la a cada dia que se passava ele tornava-se mais impaciente, ao ponto de agora querer simplesmente ir atrás dela.
—Inuyasha isso é loucura! — exclamou quando o amigo permaneceu em silêncio — Como vai encontrá-la? Tem ideia de quantas pessoas moram na capital? Bem, deixa eu te dizer uma coisa: Tóquio é a cidade mais populosa do mundo!
—Não importa. — respondeu — Ainda assim terei mais chance de encontrá-la indo procurar por ela lá do que ficando aqui, simplesmente esperando.
E, além disso, o coração de Inuyasha apertava-se com a dúvida de que talvez Kagome já houvesse o esquecido, já fazia quase dois meses agora que os dois não se lavam, nem sequer por mensagem de texto.
Não havia forma de convencê-lo a ficar, a própria Izayoi já havia se descabelado, chorado e esperneado tentando o fazer, até mesmo chegara ao ponto de ameaçar deserda-lo caso ele partisse, mas Inuyasha não queria ouvir, sua mãe ia ter que perdoá-lo.
—O que vai ser de mim se você também se for? — ela havia dito em uma de suas últimas discussões — Vou me tornar uma velha louca e solitária com setenta e três gatos, você vai ver!
—Não vai. — ele tinha respondido com um sorriso tranquilo, e puxando-a pelos ombros beijou-a na testa, era agora bem mais alto que a mãe, quando antes os dois tinham quase a mesma altura — Porque a senhora é alérgica a gatos.
Miroku mexeu-se desconfortável ao seu lado.
—Quantos anos têm o seu sobrinho agora?
—Dois e mais uma fração. — respondeu.
—Não vai ser fácil estudar para os exames de admissão com uma criança pequena assim na casa.
E mesmo depois de todo aquele tempo Rin e Sesshoumaru ainda não eram casados... Izayoi havia reclamado disso pouco antes deles partirem de volta a capital depois que Toya Henrique havia nascido, o menino tinha então uns quatro meses, — e só haviam ficado por tanto tempo porque Izayoi tinha insistido que ficassem, pelo menos, até o Natal, e essas foram as noites mais mal dormidas da vida de Inuyasha — mas com muita paciência Sesshoumaru explicou que só não eram casados, porque Rin recusara seu pedido.
E muito calmamente Rin explicou o porquê:
—Já namorávamos há três anos, mas ele só me pediu em casamento depois que soube que eu estava grávida. E mais de 70% dos casais que se casam por causa dos filhos acabam se separando antes mesmo da criança fazer cinco anos.
Izayoi não aceitou aquela resposta.
—Então o que você pretende? Casar só depois que Toya fizer cinco anos ou o que?
Rin sorriu, olhando para o filho nos braços do pai.
—Bem, vamos ver primeiro se as coisas dão certo, e então, quem sabe daqui a algum tempo, eu não acabe aceitando, não é?
—Algum tempo quanto? — Izayoi alfinetou.
E sempre que Rin ou Sesshoumaru ligavam, ou vinham visitá-los, Izayoi perguntava a mesma coisa: "Quando vão se casar?", e talvez por isso, finalmente cedendo à pressão, é que, na ultima vez que ligaram na semana passada, quando Izayoi voltou a pergunta pela centésima milésima vez sobre a data do casamento Rin respondeu:
—Daqui a seis meses, sogra, seis meses.
—Jura?! — Izayoi tinha se animado. — Mas por que esperar tanto tempo?
—É que nessa data é aniversário do nosso primeiro encontro.
—É? — tinha perguntado Sesshoumaru.
O que levou Rin e Izayoi a uma longa e crítica conversa sobre como os homens sempre esqueciam essas datas importantes, e como não seriam nada surpreendente se Sesshoumaru esquecesse já do primeiro aniversário de casamento deles.
Inuyasha sorriu de volta ao presente.
—Eu vou dar um jeito. — afirmou.
—Por favor, você dois fechem a janela, querem congelar todo mundo aqui dentro? – reclamou Sango, parada atrás deles, com as mãos postas nos quadris.
Miroku esticou a mão e fechou a janela.
—Desculpe por isso... Presidente. — murmurou virando-se com um sorriso.
Sango girou os olhos, havia se tornado presidente do conselho estudantil no começo do segundo ano, depois que o presidente anterior se formara, e agora também estava ela prestes a se forma e deixar o cargo para outro, mas mesmo assim Miroku continuava a chamá-la daquela forma.
—Oh pare com isso! — reclamou.
—Desculpe presidente.
Ela bufou, mas acabou sorrindo e lhe estendendo uma caixa de bombons de chocolate em seguida.
—Bem, pegue logo isso seu idiota. — mandou com um sorriso — Antes que eu me arrependa.
Miroku pegou a caixa com todo cuidado e sorriu para Sango, queria ter a agarrado ali mesmo e a beijado, afinal era 14 de fevereiro, dia dos namorados, e Sango era sua namorada — não se cansava de dizer isso — tinha esse direito, mas sabia que ela ficaria zangado se fizesse uma coisa daquelas em público, principalmente na escola — como ficaria sua imagem de presidente então? — por isso limitou-se a inclinar-se de forma cortês e beijar a costa da mão de Sango com simulado cavalheirismo.
—Prometo agradece-lhe mais adequadamente, por este presente, mais tarde. — prometeu olhando-a.
Sango corou e puxou a mão.
—Pare com isso!
E reparando que Inuyasha ainda estava ali, observando-os com o que poderia ser um pouco de inveja, mas também algum ar de divertimento, ela recompôs-se e lembrou-se do que tinha ido fazer ali.
—Será que você poderia estar sozinho, atrás da escola daqui a uns dez minutos Inuyasha? — pediu.
Inuyasha suspirou recostando-se á janela.
—Eu devia ir pra casa, já estou cansado disso. — resmungou mais para si mesmo do que para os amigos — Sango, porque continua me passando esses recados?
—Ah, vá lá Inuyasha! — disse Miroku — Pelo menos você também ganha um pouco de chocolate hoje!
Inuyasha o olhou irritado pelo canto dos olhos.
—Só hoje, eu já recusei exatamente onze caixas de bombons de chocolate! — reclamou.
—Nem me fale. — Sango suspirou cansada, e cruzou os braços — A sala do conselho estudantil está cheia de meninas chorosas que foram rejeitadas! Estou cansada de ficar consolando-as. Eu devia te cobrar os lenços de papel. Sabia? Tente não fazer essa chorar muito, tudo bem Inuyasha?
Inuyasha ficou pasmo.
—Estão chorando? Não era minha intenção! Juro!
—Está tudo bem, Sango só está exagerando! — afirmou Miroku dando-lhe um pequeno empurrão nas costas, para ele prosseguir — Elas só estão um pouco desiludidas, só isso, mas vão superar, tenho certeza! Você vai ver!
Inuyasha foi, embora receoso, nunca foi sua intenção fazer qualquer garota chorar, ele não era nenhum cafajeste.
—Eu não estava exagerando. — Sango disse quando Inuyasha foi embora — Umas cinco já tinham parado, e três ainda estavam soluçando quando sai, mas todas estavam chorando quando chegaram.
—Eu sei disso, mas você não precisa dizer a ele, você sabe como Inuyasha é, seria hediondo para ele ser o causador das lágrimas de uma mulher. – Miroku suspirou – Além do mais, é inevitável que elas chorem, ficaram magoadas e desiludidas, afinal gastaram seu tempo, amor e dinheiro com aqueles chocolates, e mesmo assim foram rejeitadas, porque a única pessoa de quem Inuyasha aceitaria chocolates... É Kagome.
—Mas ele podia pelo menos aceitar os chocolates. — Sango insistiu teimosamente — Seria menos rude, e evitaria as lágrimas.
—Mas daria falsas esperanças a elas. — Miroku olhou-a — E isso não faz o gênero dele.
—Tem razão. — Sango suspirou, finalmente assumindo sua derrota.
—Mas ele não era tão popular assim antes. O que foi que aconteceu? — Miroku perguntou quase em tom de reclamação.
Sango entendia isso, porque enquanto Inuyasha estava á caminho de rejeitar a sua décima segunda caixa de chocolates provavelmente a única caixa de chocolate que Miroku tinha recebido fora a que Sango lhe dera — e ai dele que tivesse recebido chocolate de outras garotas!
—Acontece que Inuyasha amadureceu muito desde que Kagome partiu. — explicou — As meninas percebem isso, embora a grande e esmagadora maioria sequer se lembre de que Kagome um dia existiu.
—Kagome era uma menina quieta, pouco sociável, sempre se isolava e por isso fácil de esquecer. — disse Miroku.
—Não para Inuyasha.
Sango começou a se afastar, tinha de voltar para a sala do conselho, ainda tinha muito trabalho para ela, a presidente, fazer ali e provavelmente mais uma garota chorosa para consolar a caminho, Miroku a seguiu.
Quando Inuyasha chegou ao local indicado por Sango encontrou ali não uma, mas duas jovens, conversando entre si, mas quando o viram chegando uma delas saiu correndo deixando a segunda sozinha com ele.
Suspirou. Melhor terminar logo com aquilo, estava frio lá fora e ele tinha se esquecido do agasalho.
—Ah! — a menina arfou quando ele parou a sua frente — Inuyasha-senpai!
—Sou eu. — confirmou — Você mandou me chamar?
A menina corou, e abaixou a cabeça, puxando com força a barra do suéter que usava por cima do uniforme escolar.
—Sim. — respondeu — É que eu... Eu...
Essa era um pouco mais tímida que as outras, o que era ruim, porque ele queria logo ir embora, pois estava realmente com frio, mas ao menos ela não havia trazido chocolates.
—Pode falar. — falou, não sem gentileza, não queria fazer mais esta chorar também.
A menina respirou fundo.
—É que já faz algum tempo...
—Sim?
Ela puxou e torceu um pouco mais a barra do suéter e trocou o peso do corpo de um pé para o outro olhando de um lado para o outro de forma nervosa.
—Já faz um tempo que eu... O observo. — recomeçou — Você é sempre tão gentil, e também... É... É... Bem... É que... Gosto de você! Por favor, permita que eu entregue meu coração a você!
E o olhou muito mais vermelha que antes, para saber qual a sua reação.
Inuyasha sorriu, e fez algum esforço para tirar uma das mãos do bolso e coloca-la sobre a cabeça da menina, ela chegava a ser ainda menor que Kagome, mas o cabelo estava errado, era castanho, não negro, e muito curto também.
—Desculpe-me. — disse — Mas isso não será possível.
—Não? — a menina balbuciou.
—Não. - ele colocou a mão de volta no bolso — Acontece que... Já há alguém que me deu seu coração, e eu dei o meu em troca.
Usou as palavras dela, para tentar fazê-la entender melhor.
A menina se afastou um pouco.
—Tem namorada?
—Sim. — mas não tinha certeza se Kagome sabia que ela era sua namorada.
—E... Onde ela está?
—Em Tóquio.
—Tóquio? — murmurou.
—É lá que ela mora.
E como a menina não disse mais nada, ele pensou que ela tinha entendido, começou a ir embora, mas ela segurou-lhe o pulso, e mais corajosa do que antes falou:
—Só que namoros a distancia nunca dão certo! — ele a olhou surpreso, e ela lhe devolveu o olhar, olhando-o diretamente nos olhos e continuou — Ela foi embora, não entende? Não vai mais voltar. Por que não a esquecer? Eu estou aqui e ela não!
Inuyasha puxou o pulso, libertando-o dela.
—Entendi. — falou — Você já sabia de Kagome, alguém te falou sobre ela.
O lábio inferior da menina tremeu.
—Eu...
—Você estava tentando agir como ela. Era disso que você e aquela outra estavam falando?
—Não!
Inuyasha suspirou e passou a mão pelos cabelos, que complicado, até onde essas mulheres eram capazes de ir?
—Mas você tem razão.
Ela o olhou de maneira incerta.
—Eu tenho?
—Tem. — concordou — Namoros a distancia nunca dão certo.
Parecendo ter sido encorajada a garota deu um passo a frente.
—Bem, então nós podíamos tentar, não é?
—E é por isso que vou me mudar para Tóquio.
—O que?
_Vou me mudar para Tóquio, para ficar perto dela.
Os olhos da garota se arregalaram em completa surpresa, mas ela finalmente pareceu entender.
—Você gosta mesmo dela, não é?
—Amo-a.
A menina arfou e levou as mãos a boca, dois segundos depois se acalmou.
—Entendo. Desculpe tê-lo incomodado então senpai.
Inuyasha acenou com a cabeça e tentou ir embora mais uma vez, só que ela o chamou.
—Senpai!
_Sim?
—Acha que... – e lá estava ela, novamente puxando e torcendo a barra do suéter novamente, talvez a cena de antes realmente não fosse fingimento — Que se não houvesse ela, eu teria alguma chance?
Inuyasha sorriu, bem de leve.
—Acho que não. — responde com sinceridade — Estou me formando esse ano, você sabe, não daria certo.
—É... Tem... Tem... Razão. — e repentinamente curvou-se — Novamente, desculpe tê-lo incomodado dessa forma!
Ergueu-se e saiu correndo dali.
Inuyasha suspirou achando ser melhor ir de uma vez para casa, antes que mais incidentes como aqueles se repetissem... Algo tocou a base de suas costas, ele gemeu, tarde demais, mas quando se virou não encontrou ali outra garota, e sim um cão.
Um enorme cão negro.
—Sir Lancelot! — exclamou — Vagabundeando de novo é? As pessoas já acham que você é um cão de rua por causa disso!
Ele começou a andar, e Sir Lancelot o acompanhou.
A primeira vez que tinha visto Sir Lancelot depois da partida de Kagome fora no festival escolar, a turma dele havia feito um pequeno planetário improvisado na sala de aula, era a primeira semana de outubro, e Rin e Sesshoumaru ainda estava ali com o pequeno bebê Toya Henrique.
Os alunos da turma dele haviam se dividido em quatro grupos de quatro alunos cada, para se revezarem durante o festival, assim enquanto quatro alunos cuidavam do planetário, os outros doze podiam passear e aproveitar o festival.
E era a vez do grupo dele.
Inuyasha estava na porta, recebendo todos os visitantes, do lado de dentro eles encontrariam a sala toda escura com imagens projetadas de estrelas, constelações e planetas se movendo pelo teto e paredes, enquanto dois alunos apontavam e falavam sobre determinada estrela ou constelação, mas a cada vinte minutos ele desligava as projeções de estrelas e planetas e as trocava pela projeção de um pequeno vídeo – narrado nas vozes de Sango e Miroku – que falava das características de cada planeta do sistema solar, enquanto o quarto integrante do grupo andava pelo festival fazendo propaganda da turma deles.
—Por que não podemos entrar? — Rin reclamou, tinha Toya amarrado nas costas.
—Por causa de Toya. — suspirou.
—O que tem meu filho? — Sesshoumaru, que carregava a sacola de fraudas, perguntou –—Ele é só um bebê, só tem um mês de vida.
—Exatamente por isso. — suspirou — Acontece que se ele começar a chorar no meio da exibição do vídeo...
—Inuyasha! — Sango gritou ao longe, ela vinha correndo pelo corredor, empurrando e atropelando quem estivesse na sua frente, juntamente com Miroku — Inuyasha!
Inuyasha olhou-os confuso, sem saber por que aqueles dois estavam tão adiantados, ainda faltava quinze minutos para o grupo dele ser liberado, e depois ainda haveria outro grupo antes de ser a vez do grupo deles. Rin e Sesshoumaru se aproveitaram de sua distração para se esgueirar, com Toya e tudo, para dentro do planetário.
—O que houve? — perguntou.
Sango ergueu um dedo pedindo um minuto para recuperar o fôlego, que tinha perdido correndo pela escola inteira chamando por ele, e Miroku, que não tinha perdido tanto fôlego assim se adiantou:
—Sir Lancelot está aqui.
—Como assim?
Sango endireitou-se, e ainda puxando algumas golfadas de ar, explicou:
—Estão todos dizendo que tem um enorme cão preto andando pela escola, usa coleira por isso não é um cão de rua, mas ninguém sabe de quem é, e pior, temem que seja algum cachorro que fugiu de casa e que possa ser agressivo. Quem mais pode ser além do cachorro de Kagome? Não é esse o nome dele, Sir Lancelot?
—É sim. — respondeu surpreso.
—Enquanto estávamos vindos para cá ouvimos alguém dizer que ia chamar a carrocinha.
—A carrocinha?!
—É! — Sango o pegou pelos ombros, virou-o e o empurrou — Agora pare de repetir tudo o que dizemos como um papagaio treinado e vá procura-lo! Não entende o que isso pode significar? Kagome pode estar de volta!
Kagome pode estar de volta...
Essas palavras ecoaram centenas de vezes em sua cabeça em apenas uns poucos minutos, enquanto ele corria como um louco pela escola, com o coração acelerado em seu peito cheio de expectativa e esperança, talvez Kagome tivesse voltado por isso Sir Lancelot estava ali, ela o tinha mandado para busca-lo!
Encontrou o cão perto do ginásio, farejando por ali, ele ergueu a cabeça quando Inuyasha apareceu a sua frente, cheirou-o um pouco e depois deixou de dar-lhe atenção e continuou farejando pelo lugar.
Levou algum tempo até Inuyasha se dar conta de que Kagome não tinha voltado, e que, justamente por isso Sir Lancelot estava ali na escola farejando tudo: ele procurava por ela.
Quando se deu conta disso arranjou uma corda em algum lugar qualquer, amarrou-a no pescoço de Sir Lancelot e o levou de volta para casa, não que a corda fizesse alguma diferença, com a sua força o cão podia muito bem não ir se não quisesse.
—Desculpe pelo trabalho filho. — vovó Kaede desculpou-se quando se deparou com ele e o cão á sua porta. — Mas Sir Lancelot não consegue aceitar que Kagome já não está aqui.
A separação não fora dolorosa somente para Inuyasha, embora Sir Lancelot não entendesse porque Kagome não estava mais ali ele também sofria.
No dia em que fora embora Kagome se agarrara á Sir Lancelot e chorara como uma criança, Kaede queria poder dar o cão á neta, mas isso era impossível. Como Kagome o levaria para casa? Sir Lancelot era um cão enorme, nenhuma companhia aérea aceitaria transportá-lo.
Ele ficou deitado no gramado assistindo Kaede entrar no táxi, junto com Kagome e Miho — a mãe de Kagome — e ainda estava deitado lá quando Kaede voltou sozinha, ela o chamou para entrar, mas ele nem pareceu ouvi-la, e ficou lá deitado esperando Kagome voltar.
Ao cair da noite começou a chover e ela tentou novamente chama-lo para dentro, mas ele não quis ouvir.
Em algum momento da noite o cão enlouqueceu, talvez finalmente percebendo que Kagome não voltaria, e uivou por muitas horas seguidas, como nunca tinha uivado antes, nem mesmo quando era um filhote, os vizinhos reclamaram, mas Sir Lancelot não parou de uivar e então na manhã seguinte... Ele já não estava mais lá.
Ela passou a maior parte do dia seguinte o procurando, mas só o encontrou à tardinha, no cemitério farejando em volta do túmulo do avô de Kagome.
Kaede sequer sabia que a neta o levava ali, ela levou Sir Lancelot para casa e o acorrentou no quintal, mas novamente ele voltou a uivar durante a noite, e pela manhã já não estava mais lá, dessa vez ela o encontrou vagando pela praça onde Kagome jogava xadrez, e assim isso acabou se tornando rotina, Kaede o levava para casa, mas a noite ele uivava tão alto que ninguém na vizinha conseguia dormir, e então pela manhã seguinte simplesmente não estava lá, e ela o encontrava nos mais diversos locais: o cemitério, a praça onde Kagome jogava xadrez, a praça onde ela o levava para passear, a lavanderia onde ela ia buscar suas roupas... Até que, pela metade da terceira semana, ele finalmente pareceu ter se conformado que, por mais que procurasse, não encontraria Kagome. Embora, vez ou outra ainda saísse sozinho por ai, agarrado num ultimo vestígio de esperança de que poderia encontrá-la.
—Como agora. — Kaede completou — Onde ele estava dessa vez?
—Na minha escola. — Inuyasha respondeu — Apareceu lá no meio do festival cultural.
—Oh, sinto muito pelo trabalho filho. — desculpou-se pegando a corda das mãos de Inuyasha.
E Kaede parou de ir atrás dele, porque achou que ao menos essa pequena esperança era mais saudável para o cão do que ficar sozinho e deprimido em casa... Afinal, já ouvira falar de muitos animais que, na ausência de seus donos, acabavam morrendo de saudade.
Então Sir Lancelot continuou vez ou outra, acabando por aparecer na escola, como naquele dia.
—Sabia que muitos cães morrem atropelados ou envenenados nas ruas? — comentou enquanto andava lado a lado com o cão. Depois de vinte e nove meses já não se sentia mais tão idiota conversando com um anima supostamente irracional.
Embora soubesse perfeitamente que Sir Lancelot atravessava a rua com muito mais prudência que muitas pessoas por ai, e, devido ao seu treinamento militar, jamais comia nada na rua, nem que estivesse sendo oferecido por alguém – ainda alguns meses antes Sango e Miroku haviam tentado dar petiscos a ele, mas o cão os ignorou.
A velha D. Kaede estava sentada numa cadeira de balanço em sua varanda, com os cabelos brancos trançados por cima do ombro quando Inuyasha e Sir Lancelot atravessaram seu portão.
—Bem, que belo cão acompanhante e de guarda você é. — ela reclamou ao ver o dogue alemão — E se tivesse me acontecido alguma coisa? Sou velha, me é perigoso morar sozinha!
Sir Lancelot lhe lambeu levemente a mão que repousava num dos braços da cadeira, depois deu duas voltas e deitou-se aos seus pés.
—Boa tarde vovó Higurashi. — Inuyasha sorriu.
—Boa tarde?
—Já passa do meio dia. — explicou a ela.
—Ah, então boa tarde Inuyasha. — a senhora respondeu.
Inuyasha moveu-se desconfortável.
—Alguma noticia... De Kagome?
Por um segundo um lampejo passou pelos olhos da idosa, mas logo sumiu, e ela respondeu com voz arrastada:
—Não filho, eu sinto muito.
Inuyasha suspirou, ajeitando o cachecol em volta do pescoço.
—Sei... Bem, até logo vovó Kaede. — disse já lhe dando as costas.
—Até logo Inuyasha. — a idosa despediu-se erguendo uma mão.
Inuyasha cruzou o portão e foi subindo a rua até desaparecer na esquina enquanto Kaede o observava.
Se Rin estivesse ali ela teria visto o que Inuyasha fora incapaz de ver: Kaede escondia alguma coisa.
*.*.*.*
Inuyasha suspirou e fechou a mochila, estavam em março agora naquela época em que o inverno começava a se despedir e as primeiras flores desabrochavam, mas ainda estava frio demais para guardarem os casacos, e o ano letivo havia finalmente terminado.
—Ah! — Miroku espreguiçou-se, levantando os braços o mais alto possível – Finalmente as provas finais terminaram, e estamos livres! Livres afinal! Livres!
—Eu posso dizer com toda certeza que alguns vários professores também estão bem felizes em se ver livres de você. — provocou parando ao lado do amigo, já pronto para ir embora.
Miroku apoiou o rosto numa mão.
—Eu faço uma brincadeirinha de nada... E eles nunca mais esquecem. Que injusto.
—Neste último ano, você simplesmente escondeu o esqueleto do laboratório num dos boxes do banheiro feminino e levou várias meninas a um ataque de histeria coletiva. Jogou uma centopéia na peruca do Sr. Hyde... — Sango começou a listar as varias confusões do namorado.
—A centopéia foi acidente! — Miroku defendeu-se.
—Fez cobras e aranhas de plástico chover do teto na cerimonia de abertura! — Sango irritou-se — Como você fez aquilo?!
Triunfante Miroku cruzou os braços.
—Este é um segredo que vou levar para o túmulo.
Sango continuou listando as peraltices de Miroku:
—Encheu a piscina daquela coisa azul, durante as aulas de natação no verão, e a escola ficou parecendo à vila do Smurfs.
Miroku riu.
—Aquela foi a melhor!
—Eu estava naquela aula! — Inuyasha reclamou. — Levou quase três meses para a tinta sair do meu cabelo!
Sango girou os olhos.
—Libertou os sapos de laboratório que íamos dissecar no dia seguinte, foi um verdadeiro pandemônio na escola aquele dia. E isso sem falar do dia do meu aniversario! Você deu um jeito de tirar o diretor da sala dele e colocou uma serenata nos alto falantes!
—Essa foi por amor!
—Você levou uma semana de suspensão!
—Por amor!
—Não sei como você não foi expulso da escola, com tudo que aprontou esse ano!
Inuyasha sorriu observando aqueles dois, Miroku só não havia sido expulso porque, fora o caso da centopeia e o caso da serenata romântica nos alto falantes, nunca puderam provar de fato que ele tinha feito quaisquer uma das outras brincadeiras, embora soubessem de que a culpa era dele, porque Sango, mesmo sendo a presidente do conselho estudantil, o acobertava.
A verdade era que, como presidente do conselho estudantil, Sango era sempre muito rígida e responsável, em contrapartida seu namorado Miroku havia no último ano se tornado um verdadeiro "pesadelo de brincos" como vários professore o haviam apelidado, mas mesmo assim eles se davam bem, e continuavam juntos.
—Ouvi alguns professores comentando que vão ficar de olho nele durante a cerimônia de encerramento. — Inuyasha comentou.
—É verdade. — Sango confirmou, e seus olhos cerrados e brilhantes deixavam claro que os professores não seriam os únicos a ficarem de olho em Miroku na cerimônia de encerramento.
Como se quisesse alegar inocência, Miroku ergueu as mãos.
—Pode ficar tranqüila querida e amada Sango. Eu não vou fazer nada na cerimônia de encerramento. Juro.
Sango cerrou ainda mais os olhos.
—Verdade mesmo? — perguntou desconfiada — Não vai mesmo querer encerrar o ano com chave de ouro?
—Não. — negou — Minhas idéias acabaram.
—Mesmo? — perguntou ainda desconfiada.
—Na verdade eu tinha uma idéia espetacular. — Miroku confessou — Ia contratar um gogo boy para invadir o palco no meio do discurso do orador e começar uma dança "sensual" sabe? Nada de nudez, claro, mas ia ser hilário! Só que ai pensei melhor, e desisti, primeiro porque o orador desse ano vai ser o Inuyasha.
—Ah, muito obrigado por se lembrar de mim dessa vez. — Inuyasha agradeceu com os dentes trincados, ainda zangado com a história da tinta azul no cabelo.
—E também porque não queria minha bela e amada Sango olhando para um cara sarado dançando de sunguinha no palco.
Sango corou violentamente.
—Você é impossível Miroku!
—Bem, eu prometi que não vou fazer nada, não prometi? — ele sorriu.
—E você estava mesmo falando serio?
—Estava.
Parecendo relaxar um pouco mais, a presidente sorriu, e apoiou-se na mesa do namorado com a mão espalmada nela, para em seguida inclinar-se em sua direção e o beijar.
—Certo. Eu confio em você Miroku. — ela endireitou-se, e jogou para trás os cabelos que estavam presos num rabo de cavalo e haviam lhe caído sobre o ombro quando ela se inclinara — Agora tenho uma reunião, afinal, até semana que vem eu ainda sou a presidente, vai demorar por isso não precisa me esperar, certo?
—Claro Sango. — Miroku colocou o rosto entre as mãos e sorriu bobamente — Pode ir tranqüila tá?
Sango sorriu, despediu-se de Inuyasha também e foi embora.
Observando-a partir uma dúvida veio á mente de Inuyasha:
—Mas por que tudo isso?
—O que? — Miroku o olhou sem entender.
—Todas essas brincadeiras. — Inuyasha explicou — Por que decidiu se tornar essa praga no último ano do colegial? Queria ser expulso da escola e retardar em mais um ano a sua entrada na faculdade?
Relaxando contra a cadeira, Miroku cruzou os braços atrás da cabeça.
—Inuyasha, meu caro e inocente Inuyasha, acha que se tivesse sido por isso eu teria me deixado ser pego só uma vez?
—Você foi pego duas vezes. — afirmou.
—Já disse que a centopéia foi um acidente! — irritou-se o outro.
Inuyasha suspirou, não valia a pena discutir por aquilo.
—Então por quê?
—Bem, lembra-se de quando nós terminamos o segundo ano, e fomos, eu e você, assistir a cerimônia de enceramento dos senpais que estavam se formando?
—Lembro.
—Naquele dia eu percebi uma coisa. — revelou — Todo aquele pessoal lá havia passado a maior parte dos últimos três anos aqui dentro, ralando pra caramba pra entrar numa boa faculdade depois, mas quando o ano letivo recomeçasse ninguém mais ia se lembrar deles. E ai pensei "Cara, isso não pode acontecer comigo também!", e foi ai que eu decidi que meu último ano aqui seria o ano. Aquele ano pra ninguém nunca mais esquecer!
Inuyasha cruzou os braços e recostou-se a uma mesa atrás de si.
—Então você não queria ser esquecido?
—Basicamente.
—Mas no final, acho que não adiantou de nada, quando as aulas recomeçarem ninguém mais, além dos professores talvez, vai se lembrar de seu nome.
_Mas as minhas brincadeiras ainda serão lembradas! — Miroku levantou-se — Sabe que até hoje varias meninas tem medo de usar o banheiro do segundo andar por causa da brincadeirinha do esqueleto? O dia em que cobras e aranhas caíram do teto do ginásio no dia de uma cerimônia de abertura será lembrado por anos! No próximo verão, ninguém vai entrar tão confiante na piscina. E o pandemônio dos sapos de laboratório soltos pelo colégio? Foi épico! Eu posso até ser esquecido Inuyasha, mas não minhas brincadeiras. — e deu um sorriso confiante — Porque elas se tornaram uma lenda.
—E falando em não esquecer... — Inuyasha jogou a cabeça para trás — Você sabe que dia é, o dia seguinte ao da cerimônia de encerramento?
Miroku franziu o cenho guardando suas coisas na mochila.
—Creio que seja... 14 de março, terça-feira, não?
—Exato! — confirmou, e ao perceber que o outro não percebia do que ele estava falando, deu-lhe um soco na cabeça — Seu idiota. 14 de março faz exatamente um mês que se passou o dia dos namorados, é o White Day o dia em que vocês, garotos sortudos que receberam chocolates no dia dos namorados, tem a chance de retribuir a gentileza das meninas que se esforçaram em lhes presentear.
—Oh, é mesmo! — Miroku lembrou, batendo o punho na palma da mão — Caramba eu ainda não comprei nada para Sango! É melhor eu me apressar! — e virando-se para Inuyasha não resistiu em fazer uma última brincadeirinha — Agora entendi porque recusou todos aqueles chocolates mês passado.
Inuyasha inclinou a cabeça de lado.
—Ah é?
—Claro. — afirmou — Imagina se você tivesse que dar presentes para todas aquelas garotas?! Ia ser uma confusão do cão, ia ter puxão de cabelo, esmalte, brincos e sapatos voando pra tudo que é canto!
Sorrindo Inuyasha deu-lhe um soco brincalhão no braço.
—Vai pentear macaco Miroku.
—Depois que eu comprar o presente de Sango! — Miroku respondeu saindo correndo.
—E não se esqueça de que Sango é alérgica á prata! — Inuyasha gritou para suas costas.
—Tá, valeu! — Miroku respondeu.
Inuyasha sorriu e balançou a cabeça jogando o casaco por cima do ombro direito saindo da sala de aula em seguida, já estava pagando de vela para aqueles dois a mais de dois anos, e ainda tinha que ficar lembrando um ou outro das datas que tinham que presentear um ao outro.
O que é que seria daqueles dois quando ele fosse embora?
Suspirou cansado quando, ao abrir seu armário de sapatos, mais de uma dúzia de cartinhas de amor caiu de lá e esparramou-se aos seus pés, ele precisou abaixar-se para recolher todos, eles vinham aumentando muito de quantidade nos últimos dias, provavelmente porque estava prestes a sair da escola, arrumou a todos e colocou-os de volta no armário juntamente com os chinelos que usavam dentro da escola, calçou os sapatos e saiu.
Teria de ir a pé para casa, pois sua mãe só lhe permitiria voltar a andar de bicicleta quando a primavera tivesse definitivamente chegado... Embora não houvesse mais risco de haver gelo na pista.
Mas para sua surpresa, o carro de Izayoi estava estacionado em frente à escola, e ela começou a buzinar assim que o viu.
—Inuyasha! — chamou entre as buzinadas — Aqui Inuyasha!
—Mãe. — disse entrando surpreso no carro — O que a senhora faz aqui?
—Vim te buscar, é claro. — ela deu a partida.
—Aconteceu alguma coisa?
—Não.
—E o restaurante?
—Fechei mais cedo.
Ele espantou-se.
—O que está acontecendo aqui mamãe? Não pretende me sequestrar e me encarcerar em algum lugar isolado para me impedir de ir embora, pretende?!
—Essa não seria uma má ideia. — Izayoi respondeu pensativa — Mas não, não é isso.
—Então?
Izayoi franziu o cenho concentrada na estrada.
—Caramba Inuyasha, você não lembra mesmo que dia é hoje?
Inuyasha bateu a palma da mão contra a testa.
—É hoje?!
—Francamente Inuyasha, seu pai ficaria muito chateado se soubesse que você esqueceu que hoje faz quinze anos que ele morreu.
Inuyasha apoiou a cabeça contra o encosto do banco e suspirou.
—Você está certa mamãe, desculpe, é que estou com a cabeça cheia esses dias... Sabe, com a formatura no colegial e a minha viagem para Tóquio.
O cemitério que o pai de Inuyasha estava enterrado era bem diferente daquele onde, certa vez, ele roubara o segredo de Kagome, ele não parecia abandonado, pois havia ali um templo pequeno e modesto e os monges do local tomavam conta do cemitério, havia dois deles no pátio quando Inuyasha e sua mãe chegaram que acenaram para eles amigavelmente, eles acenaram de volta e dirigiram-se ao cemitério nos fundos do templo.
—Mamãe. — chamou, querendo fazer uma pergunta que a muito o deixava curioso — Por que todos os anos você traz as mesmas flores?
—Hum? — fez Izayoi.
—Flores de pessegueiro. — Inuyasha explicou — Todos os anos a senhora traz um buque de flores de pessegueiro.
—Ah. — Izayoi segurou as flores carinhosamente — Porque foi debaixo de um pessegueiro que seu pai e eu nos conhecemos.
Inuyasha olhou-a surpreso.
—Nunca tinha me contado isso antes mamãe!
—Como você sabe Inuyasha, seu pai era quatro anos mais velho. — Izayoi começou a contar — Naquela época eu estava no penúltimo ano do ginásio, e ele no último do colegial, como você agora, mas pulei o muro do colégio de ensino médio porque queria alguns pêssegos... Você sabe que eu amo pêssegos.
—Sei mamãe. — respondeu.
—Eu subi na árvore para pegar os pêssegos, só que eles aparentemente não eram tão resistentes quanto eu tinha pensado a principio, então os galhos partiram-se... E seu pai me pegou. — suspirou apaixonadamente — Eu achei que ele tinha me visto em apuros e quis me resgatar, mas na verdade seu pai nem tinha se dado conta do que acontecia ali, ele só estava passando... Quando uma garota maluca do ginásio caiu em cima dele. Apaixonamo-nos. Mas sua avó sempre me odiou principalmente depois que eu engravidei e seu pai teve que sair da faculdade para cuidar de mim e do seu irmão.
Inuyasha olhou a volta, o cemitério ali era bem tratado pelos monges, havia flores brotando em canteiros e árvores frutíferas perfeitamente podadas crescendo por ali, era realmente um bom lugar para se descansar em paz.
—Por isso insistiu tanto para que Sesshoumaru chamasse o filho dele de Toya? — perguntou. — Porque flores de pêssego te fazem lembra-se de papai.
—Exatamente. — Izayoi suspirou parando em frente ao túmulo de Inu no Taisho, seu falecido marido — E por falar nisso, que acha de chamar seu primeiro filho de "Daisuke"? Significa grande protetor... Ou então é guardião... Assim quem sabe um dia ele não salve uma garota como seu pai me salvou?
Desconcertado Inuyasha suspirou e balançou a cabeça.
—Mamãe, eu mal fiz dezenove anos, que tal esperar para termos essa conversa daqui uns dez anos?
Izayoi concordou, e deixando o buque no chão arregaçou as mangas e disse:
—Certo. Agora vamos trabalhar!
Eles esforçaram-se para deixar a lápide limpa e bem organizada, no final Izayoi deixou ali o buque com flores de pêssego e uma garrafa de saquê, porque ela não sabia se havia bebidas como aquela no paraíso e quando vivo Inu no Taisho sempre disse que nenhuma pessoa nunca deveria chegar ao reino de Buda sem antes ter provado o sabor de um bom saquê, apesar de que ele não era alcoólatra, e Inuyasha deixou alguns incensos queimando para o pai, e secretamente lhe pediu que continuasse cuidando de sua mãe depois que ele fosse embora para Tóquio.
Izayoi podia ser uma mulher determinada, forte e independente, mas, mesmo depois de passados todos aqueles anos, ela ainda sofria com a morte de Inu no Taisho, e isso se fazia ainda mais visível no silêncio que enchia o carro todos os anos quando Inuyasha e ela voltavam para casa do cemitério.
Sem querer intrometer-se na dor de sua mãe, Inuyasha permaneceu calado e esperou, pacientemente, até que ela estivesse pronta para falar novamente — era principalmente em dias assim que ele se sentia mais culpado por está deixando-a para trás.
—Hum... — ela fez, após um longo tempo, tentando encontrar um assunto para puxar conversa — Soube que teremos vizinhos novos?
Inuyasha desviou os olhos da janela.
—É mesmo?
Sua mãe fez que sim com a cabeça.
—Vão se mudar para a rua atrás da nossa.
Inuyasha pensou um pouco, havia realmente uma casa a venda naquela rua, pertencia à Senhora Sae, uma mulher de trinta e poucos anos recém-divorciada e sem filhos que não via utilidade em ter uma casa tão grande agora que estava morando sozinha.
—A senhora sabe quando?
—Semana que vem eu acho, ou então na outra. — respondeu, e estacionando o carro completou — Espero que eles não tenham cães, ou crianças irritantes, e nem que sejam daquele tipo de vizinho barulhento que incomoda toda a vizinhança!
Rindo Inuyasha desceu do carro.
—Que os Céus os ajudem se você não gostar deles mamãe! — falou — Porque nesse caso sei que você vai fazer da vida dos novos vizinhos um verdadeiro inferno!
—E vou mesmo! — Izayoi confirmou também descendo do carro — Até eles se mudarem.
Ela era, novamente, a mesma Izayoi Taisho de sempre, e Inuyasha sorriu enquanto seguia a mãe até a porta da frente.
—Vou sentir sua falta mamãe. — afirmou — Sabe que a amo, não sabe?
Izayoi parou com a chave ainda na fechadura.
—Se realmente me ama... — disse — Por que também está me deixando?
Inuyasha aproximou-se, e tocou os ombros da mãe, por trás.
—Eu... Eu preciso mamãe.
—Eu sei. Também vou sentir a sua falta Inuyasha. — Izayoi suspirou — Não se esqueça de ligar, entendeu?
_Entendi mamãe. — ele respondeu compreensivo.
Izayoi soluçou.
—Não me importa para o quão longe você vá, ou o quanto fique mais alto que eu, para mim você sempre será o meu garotinho especial Inuyasha. Então se você não ligar... Juro que vou te buscar pelas orelhas em Tóquio. Está me ouvindo?
—Estou mamãe.
—Não se esqueça de ligar. — ela repetiu — Não se esqueça... Não... Oh eu te amo tanto Inuyasha, por favor, eu só tenho você agora, não me abandone Inuyasha, por favor, não vá, não me deixe sozinha.
E cobrindo o rosto com as mãos, Izayoi finalmente deixou que as lágrimas viessem, Inuyasha abraçou-a por trás, apoiando o queixo em seu ombro, e deixou que ela chorasse livremente.
*.*.*.*
Olá!
Sim, não é miragem, nem é sonho não, depois de praticamente três meses finalmente temos capitulo novo!
Eu sei que eu quase matei vocês com a última prévia, mas sinto dizer... Foi proposital uahushauhs
Infelizmente não tivemos Kagome nesse
Bem, é isso, até a próxima o/
E não esqueçam, aquelas que quiserem saber sobre o andamento das fics, ou apenas me perturbar pela demora basta me seguir no Twitter:
/Fl0r_D0_De5ert0
Respostas às review's:
Lory Higurashi: Eu sei, eu si, a última prévia foi angustiante, e foi feita propositalmente de maldade. Desculpe, eu queria me divertir um pouco.
Mas eu realmente gostei de escrever prévias, acho que depois que acabar Donzela Maculada vou começar a empregá-las em De repente Papai.
Sim você leu direito, este foi o penúltimo capitulo, e o próximo é o último.
Pois pode perturbar, saiba que eu me alegro muito. :x
k-chan98: Você diz que sou cruel, eu digo que sou péssima em escrever romances.
Acho que podemos dizer que é um pouquinho dos dois. ^^'
Até a próxima o/
Nanda Taisho: Oi! Oi! Oi!
Por favor, diga que está viva!
Seu coração agüentou, não é? Não é?!
Sim eu apoio o drama de minhas leitoras. U.U
E no próximo capítulo de "Donzela maculada"...
Mesmo que todos sigam em frente, eu simplesmente não consigo, não sem ela.
E ainda que todos tenham se esquecido dela, eu não me esquecerei.
Eu a encontrarei. Haja o que houver nunca desistirei de te buscar Kagome.
Porque eu sou... O cavaleiro de uma donzela só.
Não perca no último capitulo de donzela maculada: O cavaleiro e a Donzela.
