Capítulo Vinte

O escândalo era inevitável, pois os detalhes de seu «noivado» eram a fofoca de toda Londres. Mas lady Lyon tinha conseguido atenuar os efeitos. Bella, ante sua insistência, assistiu a todas as festas vestidas do modo mais decorosa e modesta possível e procurou alternar com viúvas e casadas respeitáveis.

Bella ficou surpreendida nessas reuniões quando homens com os quais tinha jogado e trocado amistosos insultos, com os quais tinha bebido e compartilhado piadas no Black's, a tratavam com um respeito inesperado. Em uma ocasião piscou os olhos às escondidas á um dos cavalheiros mais velhos, como se estivessem conspirando. Por outro lado as esposas se comportavam com ela com circunspeção. Não havia ninguém que se atrevesse a dar as costas abertamente, já que lady Lyon e seus amigos se achavam sempre a seu lado. Também ajudava o fato de que Bella possuía um título impressionante, respaldado por uma fortuna mais impressionante ainda.

Bella se sentia satisfeita cada vez que chegava a um porto em uma daquelas reuniões. Era impossível não precaver da mudança na forma como a olhava, das cortesias e os cuidados que a brindavam. Alguns dos aristocratas que se comportaram com ela durante todos esses anos com a mais educada frieza, mostravam-se agora lisonjeiros, afetuosos inclusive, como se tivesse sido sempre sua favorita. No fundo, para Bella pareciam indignos todos aqueles trâmites necessários para converter-se em uma pessoa respeitável, e isso divertia Edward.

— É como se estivesse desfilando diante deles à espera de sua aprovação — dizia Bella. Achavam-se em uma das salas do andar superior, repassando a lista de convidados. — Vejo-me como um desses que levam a cauda repleta de cintas trancadas. «Olhem todos, não parece tão vulgar como temíamos...» A verdade, Milord, espero que tanto esforço valha a pena!

— Tão duro te será ? — perguntou ele com olhos faiscantes.

— Não –admitiu. — Quero que saia bem. Aterroriza-me pensar o que poderia me fazer sua tia Esme se não conseguir.

— Gosta — assegurou Edward.

— OH, de verdade? É esse o motivo pelo qual anda sempre fazendo comentários a respeito de meu comportamento, meus olhos ou meus vestidos? Outro dia se queixou de que estava brilhando meu o seio meu Deus!

— Tem um seio muito bonito.

Ela olhou com ironia seus pequenos e viçosos seios.

— De pequena, mamãe me obrigava a me jogar água fria no peito para que crescesse. Nunca fiz. O seio de Rosalie é muito melhor que o meu.

— Não me tinha dado conta — disse Edward. Jogou no chão os convites e tentou agarrá-la.

Ela se abaixou lançando uma gargalhada.

— Edward! Lorde Faxton aparecerá de um momento a outro para falar da fatura que nos quer apresentar.

— Terá que esperar. — Agarrou-a pela cintura e a empurrou para o sofá.

Bella ria e se esquivava protestando.

— E se vier Burton?

— Burton é muito avisado para fazer isso.

— A verdade, Milord, maravilha-me o orgulho que sente dele. — Bella não deixava de lutar. — Em minha vida tinha visto um homem que sentisse tanta avaliação por seu mordomo.

— É o melhor mordomo da Inglaterra — disse Edward, tratando de sujeitá-la, embora agradecido pela energia que se mostrava. Era uma mulher de força extraordinária para sua pequena envergadura. 'Ela tentava tirá-lo de cima sem poder evitar a risada. Edward então a agarrou os pulsos com uma só mão e as colocou em cima da cabeça. A outra mão vagou livremente ao longo de seu esbelto corpo.

— Edward, me solte — disse ela sem fôlego.

ele baixou as mangas e tirou seu vestido.

— Não penso fazê-lo até te convencer de quão bonita é.

— Estou convencida. Sou bonita. Encantadora. e agora para já

— Lançou um grito sufocado para ouvir o som da delicada malha rasgando-se.

Edward, olhando-a diretamente nos olhos, seguiu tirando o vestido até deixar os seios ao ar. Acariciava a pele nua, provocando com isso cócegas de prazer. Percorreu brandamente com a ponta do dedo os delicados mamilos, enquanto seus olhos jogavam fogo contemplando a débil curvatura dos seios. A vontades de parar se esfumaçou e começou a respirar com dificuldade.

— Milord, podemos esperar. É importante que... — Sua cabeça era um turbilhão de sensações. — É importante que vejamos o Faxton assim que chegue.

— Não existe nada mais importante que você.

— Sei razoável...

— Estou sendo razoável. — Seus lábios se fecharam sobre um mamilo.

Logo beijou os seios com luxuriosa sensualidade. Bella tremia. Voltava à cabeça de um lado a outro, tentava mover os punhos que tinha tão firmemente, presos. Edward levantou as saias para acariciar as pernas, e o calor de sua mão se filtrou através das finas meias de seda.

— Jamais tinha desejado uma mulher como desejo você — murmurou. Sua boca brincava pelo pescoço até acabar lambendo sua orelha. — Poderia te devorar. Adoro seus seios, sua boca, tudo. Acredita? — Vendo que fugia a resposta, acariciou a boca com os lábios, obrigando a responder. — Acredita?

Ouviram então que alguém batia com os dedos na porta fechada da sala. Bêbada de prazer, Bella se negava a aceitar a realidade daquele som. Edward se deteve, entretanto, e levantou a cabeça.

— Sim? — Surpreendentemente, sua voz soou serena.

Ouviu-se a voz de Burton no outro lado da porta.

— Milord, acaba de chegar um bom número de visitas, todas de uma vez.

— Quantas são? Quais são? — perguntou Edward mal-humorado.

— Lorde e lady Swan, o visconde e lady Stamford, o senhor Seth e um cavalheiro que se identificou como seu tutor.

— Toda minha família — exclamou Bella.

Edward suspirou.

— supunha-se que Seth não chegava até manhã... Verdade?

Ela se deu de ombros.

— Acompanha-os a todos ao salão do primeiro andar, Burton — disse Edward, e diga que em seguida estamos com eles.

— Sim, Milord.

Bella se amontoou contra o peito de Edward; tinha o corpo dolorido pelo desejo insatisfeito.

— Não — choramingou.

— Seguiremos mais tarde — disse ele, acariciando a ruborizada bochecha com a ponta do dedo. Ela, frustrada, agarrou sua mão e a levou ao seio. Ele, lançando uma gargalhada, abraçou-a e beijou seu cabelo. — Quererão ficar para jantar.

Ela exalou um gemido de protesto.

— Despacha-os — disse, mesmo sabendo que pedia algo impossível.

— Quero estar a sós com você:

Edward esboçou um sorriso e acariciou suas costas.

— Temos milhares de noites por diante.

Bella assentiu em silêncio, apesar de que o desespero alagava a alma... Não podia prometer aquilo sem saber o que ocultava, o segredo que os separaria para sempre.

Edward, sem nenhuma pressa, olhou a beira descosturada do vestido e inclinou a cabeça para beijar o vale profundo entre seus seios.

— Melhor será que te troque de vestido –murmurou. — Não acredito que sua mãe o passasse, embora eu te encontro arrebatadora tal como está.

Bella fez sua entrada no salão embelezada com seu vestido favorito: de seda vermelha escura com adornos e apertado. As mangas de tecido transparentes revelavam brilhos dos esbeltos braços e o ligeiro vôo da saia deixava adivinhar as pernas. Era um vestido que nunca teria aprovado tia Esme. Mas sentava muito bem, e Bella tinha decidido conservá-lo como um vestido de andar pela casa. Era evidente que Edward, não podia tirar os olhos de cima, aprovava-o também.

— Bella! — exclamou lady Renné entusiasmada. — Minha querida filha, minha favorita, minha encantadora menina, ansiava verte. Fez tão feliz sua querida mãe; estou tão contente e orgulhosa que não posso evitar derramar lágrimas de alegria cada vez que penso em você...

— Olá, mamãe — disse Bella com ironia, abraçando Renné e dirigindo uma careta a Rosalie e Emmet.

Ver os dois juntos a enchia de satisfação. Rosalie estava sentada junto a Emmet e seu rosto reluzia de amor pelos quatro cantos.

Emmet se sentia também feliz, apesar de que observava Bella com olhar inquisitivo.

— Não podíamos acreditar a notícia –disse adiantando-se para abraçar Bella. — Tínhamos que vir para comprovar que estivesse bem.

— Naturalmente que estou bem — respondeu Bella, coibida de ter que enfrentar-se com o olhar de seu antigo amigo. — Tudo foi muito rápido. Lorde Cullen tem uma forma de cortejar esmagadora, por não dizer mais.

— Estou de acordo com você — disse Emmet, contemplando seu rosto rosado. — Jamais tinha te visto tão bonita.

— Lorde Swan — disse Edward, estreitando a mão de seu sogro, pode estar seguro de que cuidarei de sua filha e de que não faltará nada para ela. Sinto que não houvesse tempo para solicitar seu consentimento. Espero passar por cima de nossas pressas e abençoar nossa união.

Charlie Swan o observava com uma careta de ironia. Ambos sabiam perfeitamente que Edward importava que ele desse ou não sua aprovação.

Possivelmente foi o duro olhar de Edward que obrigou a Charlie a respeitar as formalidades e responder com uma calidez que não era habitual nele.

— Têm vocês minha bênção, lorde Cullen, e meus mais sinceros desejos de que desfrutem de uma vida feliz juntos.

— Obrigado. — Edward se aproximou de Bella e a atraiu para si, obrigando ao pai e filha a olhar-se no rosto.

— Obrigado, papai — disse Bella. Ficou surpreendida ao ver seu pai adiantar-se e agarrá-la pelas mãos, pois poucas vezes tinha brindado uma demonstração de afeto.

— Desejo-te o melhor, filha, e não me importa que pense o contrário.

Bella sorriu e devolveu o aperto de mãos; apesar de seu receio seus olhos se umedeceram.

— Acredito, papai.

— Agora me comprimente-disse uma voz jovem. Bella se pôs a rir quando Seth se equilibrou sobre ela. — Agora é minha irmã! — exclamou, espremendo-a. — Não podia esperar nem um dia mais para te ver. Sabia que Edward se casaria com você. Pressentia! E agora que viverei com vocês me levará a Black's, cavalgaremos e iremos caçar, ensinará-me a fazer jogar,com as cartas e...

— Shhh. — Bella tampou sua boca e olhou de esguelha para Edward. — Nenhuma palavra mais, Seth, ou seu irmão iniciará os trâmites de divórcio.

Edward, com os olhares assombrados de sua família, acariciou os cachos de Bella e a beijou na bochecha.

— Jamais — declarou, e Bella, com o coração encolhido, permitiu acreditar.

— Lorde Cullen — interrompeu Burton com voz pausada e apresentando um cartão. — Lorde Faxton acaba de chegar.

— Que aconteceu — disse Bella rindo. — Possivelmente queira ficar para jantar.

Compartilharam um largo e prazeroso jantar. Os temas da conversa foram desde considerar se era justa a fatura apresentada por lorde Faxton até o talento do tutor de Seth, o senhor Radburne, um homem sóbrio, embora afável, aficionado à história e à língua.

Bella era a anfitriã perfeita, animando a conversa quando decaía e proporcionando à noite, sem nenhum esforço, um encanto tal que todos os convidados se sentiam a gosto. Edward a observava com orgulho do extremo oposto da mesa. A tensão de Bella, ao menos por essa noite, esfumaçou para dar passo a uma mulher deslumbrante. Só vacilou em uma ocasião: quando seus olhares se cruzaram e a paixão se apoderou de ambos.

Os cavalheiros se retiraram a tomar uma contribuição e Rosalie se levou a Bella com a intenção de manter um bate-papo privado.

— Bella, ficamos tão surpreendidos quando nos inteiramos de que tinha casado com lorde Cullen! Mamãe quase se deprime. Pensávamos que te odiava!

— Também pensava — disse Bella, algo incômoda.

— Bem, o que aconteceu?

Bella se deu de ombros e sorriu envergonhada.

— Será difícil de explicar.

— Lorde, Cullen parece outro, tão amável e sorridente, e te olha como se te adorasse! Por que te casou tão de repente? Não entendo nada de nada!

— Ninguém entende — assegurou Bella. — Nem eu. Rose, não falemos de meu casamento. Quero ouvir como vai o teu. É feliz Com o Em?

Rosalie suspirou extasiada.

— É melhor do que podia ter imaginado! Cada manhã me acordo temendo que tudo vá terminar, como se fosse um sonho milagroso. Já sei que soa ridículo...

— Não de tudo — disse Bella muito devagar. — Sonha maravilhoso. — de repente sorriu com malícia. — Me conte da fuga. comportou-se Emmet como um Dom Juan, ou adotou o papel de noivo tímido e sufocado? Venha, não te guarde só para você os detalhes mas emocionantes.

— Bella — protestou Rosalie, vermelha como um tomate. Duvidou um instante, mas a seguir se inclinou para sua irmã e sussurrou-: Em, com a ajuda dos criados, penetrou na casa uma vez que papai e mamãe se retiraram. Veio a meu quarto, abraçou-me e me disse que ia ser sua esposa e que não ia permitir que sacrificasse minha felicidade pela família.

— Bravo por ele — exclamou Bella.

— Pus umas coisas em uma mala e o acompanhei à carruagem que nos estava esperando... OH, tinha tanto medo de que nos agarrassem, Bella! Mamãe e papai podiam descobrir minha ausência a qualquer momento, ou lorde Cullen podia retornar inesperadamente...

— Não. Assegurei-me de que lorde Cullen estivesse indisposto essa noite.

Rosalie abriu os olhos Com curiosidade.

— Que demônios fez?

— Não pergunte, querida. Só me diga uma coisa:" comportou-se Em como um cavalheiro e esperou que chegassem a Gretna Green ou te atacou na carruagem?

— Como pode pensar isso? — reprovou Rosalie. — Sabe perfeitamente que a Emmet nunca passaria pela cabeça aproveitar-se de uma mulher. Emmet dormiu em uma cadeira junto à lareira.

Bella fez uma careta.

— Incuráveis — disse, soltando uma gargalhada. — Ambos são honoráveis.

— Bem, também é lorde Cullen — assinalou sua irmã. — Acredito que é ainda mais formal e convencional que Emmet.

Estou segura, de ter estado vocês em nossa situação, lorde Cullen se teria comportado com decência e decoro.

— Possivelmente — murmurou Bella e sorriu. — Mas, Rose... Não teria dormido em uma cadeira.

Os convidados se foram todos muito tarde, e Seth e seu tutor foram acomodados em suas respectivos quartos. Bella quis assegurar-se de que todo o relacionado com a família estava em ordem e correu acima e abaixo até conseguir. Quando subiu ao quarto com Edward se sentia extremamente satisfeita do resultado da noite. Edward despediu do serviço, e enquanto Bella desfrutava explicando quão feliz estava sua irmã, ajudou-a a despir-se.

— Rose está radiante — disse ela enquanto Edward desabotoava seu vestido pelas costas. — Jamais a tinha visto tão feliz.

— Esta muito bem — admitiu Edward.

— Bem? Resplandece por onde quer que a olhe. — Bella tirou o vestido e se sentou na beira da cama, estendendo a perna para que tirasse a meia. — Vê-la agora me fez pensar em quão infeliz a teria feito, com suas maneiras bruscas. — Sorriu provocativamente, disposta a desabotoar a blusa. — Afastá-la de ti foi a melhor coisa que fiz em minha vida.

— E quase acaba comigo de passagem — brincou Edward, contemplando a meia de seda bordada que tinha na mão.

— OH, não seja dramático. Não foi mais que uma cabeçada. — Bella acariciava o cabelo dourado, arrependida. — Eu não gostava absolutamente da idéia de ter que te fazer mal. Embora não me ocorria outro modo de te reter. É um homem tremendamente obstinado.

Edward se desfez da camisa, franzindo a sombracelha. Seu largo peito musculoso ficou descoberto.

— Poderia ter pensado em uma forma menos dolorosa de me ter afastado de Cullen Park essa noite.

— Imagino que poderia te haver seduzido. — Na comissura de seus lábios se desenhou um sorriso. — Mas a idéia não me atraíra muito.

Edward seguiu despindo-se sem deixar de observá-la.

— Ainda tenho que te pagar aquela noite com a mesma moeda — disse. O brilho de seu olhar não inspirava confiança.

— Me pagar com a mesma — moeda?-embainhou-se a camisola, desejava cobrir-se entre os lençóis. — Refere-te a me golpear com uma garrafa?

— Não precisamente.

Edward se meteu na cama e começou a brincar com Bella. Ela lutava, rindo, enquanto ele tratava de roubar beijos. Bella desfrutou daquele combate, até que de repente Edward estendeu um braço e atou com presteza seu punho a um dos extremos da cama com uma das meias. Bella riu para ocultar seu temor.

— Edward... — antes que pudesse continuar se encontrou com o outro punho sujeito de igual maneira. Sua risada se desvaneceu, e assombrada começou a atirar as ligaduras. — O que faz? –perguntou.

— Deixa. Me desate agora mesmo.

— Ainda não. — Edward se estendeu sobre ela, olhando-a nos olhos.

Um calafrio de terror e paixão sacudiu o corpo de Bella.

— Edward, não.

— Não te farei mal –disse ele com um fraco sorriso. — Fecha os olhos.

Ela não podia apartar a vista de suas duras e bronzeadas feições, da promessa sensual de seus olhos.

Edward a cobria totalmente com seu poderoso corpo e roçava com as pontas dos dedos seu pescoço. Bella fechou os olhos e gemendo se deu por vencida. Ele percorreu seu corpo com a boca e as mãos, provocando um prazer ardente que ela era incapaz de devolver. Atormentou-a com delicadas carícias até deixá-la rígida debaixo dele, esperando que aquela doce tortura a fizesse estourar. Elevou a pélvis para ele quando Edward a penetrou muito devagar enquanto dava enlouquecedores beijos. Estreitou com suas pernas, tremendo. Suas sensações convergiram de repente em uma ardente alienação. Gritou fracamente, estremecendo-se, ofegando, enquanto ele chegava à cúpula do prazer em seu interior.

O final foi lento, como um contínuo fluxo crescente. Edward afrouxou as ataduras. Sufocada, rodeou o pescoço com os braços.

— Por fez isso?

Ele a acariciou lentamente.

— Pensei que você gostaria de saber o que sente.

Bella recordou que ela em sua oportunidade tinha dado a mesma explicação, e afogou um gemido.

— Edward, e eu... Não quero voltar a fazer isto com você.

Sentiu a pressão de seus lábios no pescoço.

— O que quer? — perguntou ele com voz rouca.

Bella agarrou a cabeça.

— Quero ser sua esposa — sussurrou, solicitando seus beijos.

À medida que foram acontecendo os dias Bella se deu conta de que desejava as carícias de seu marido, seus sorrisos, o ter junto a ela. Tinha temido que sua vida com ele fosse cinza, como um cárcere Mas ao contrário era mais emocionante do que tinha experimentado em sua vida. Edward a desafiava e a deixava perplexa a cada momento, era impossível adivinhar Como ia surpreender a próxima Vez. Em ocasiões a tratava com maneiras rudes que devia utilizar com seus amigos quando se reuniam a beber e a discutir de política. Não vacilava absolutamente em levá-la a cavalgar ou a caçar com ele.

Levava, inclusive, a algum combate de boxe e ria observando suas mudanças de atitude: encolhida ante qualquer ação violenta ou saltando para animar a seu favorito. Edward se sentia orgulhoso de sua inteligência e não se esforçava por ocultar sua surpresa ao descobrir sua habilidade no manejo das contas da casa. Bella se explicou brevemente que os dois últimos anos de ganhos tão inseguros a tinham convertido em uma perita em economia e previsões.

A Bella agradava ouvir elogiar seu talento e agradecia que respeitasse suas opiniões. Gostava inclusive do modo em que às vezes a provocava tratando-a como se fosse uma dama pouco distinguida. Em outras ocasiões, pelo contrário, desconcertava-a mimando-a como se fosse uma rosa estranha e delicada.

Havia tardes, quando ela estava banhando-se, em que entrava para lavar seus cabelo e secá-lo como se fosse um bebê, para acabar esfregando o corpo com azeite perfumado.

Nunca tinha se sentido tão plenamente agradecida e mimada. Depois, de tantos anos de ter que valer-se por si mesmo, surpreendia ter alguém que procurava satisfazer todas suas necessidades. Com apenas expressar de um desejo, era concedido, bem fossem mais cavalos no estábulo, entradas para o teatro ou simplesmente que a abraçasse. Despertava com beijos quando tinha pesadelos e a consolava até que dormisse de novo entre seus braços. Quando queria agradá-la na cama se transformava em um amante paciente e dava lições de erotismo que os excitavam e deixavam plenamente satisfeitos.

Sua forma de fazer amor era imensamente variada: de Um ataque selvagem até a delicada sedução que podia prolongar-se durante horas. Ela às vezes se sentia atordoada, aberta a tudo e espantosamente vulnerável. Apesar disso se sentia mais feliz do que nunca tivesse imaginado.

Edward era capaz de passar da arrogância à amabilidade em Um abrir e fechar de olhos; persuadia a lhe confessar aquelas intimidades que ela jamais teria feito a ninguém.

Impregnava-a com uma claridade assombrosa, compreendia o acanhamento que existia sob sua fachada. Em inumeráveis ocasiões sentiu tentada de lhe contar o da Nicole, embora sempre se tornava atrás. O tempo que estava passando a seu lado se converteu em algo muito precioso. Não podia o perder ainda.

Seguia esperando em vão notícias de James, e tinha avisado a Burton, sem que ninguém mais se inteirasse, para que passasse suas mensagens logo que chegassem. Tinha considerado a idéia de Contratar de novo o senhor Riley para procurar Nicole, mas temia que isso pusesse em perigo suas possibilidades de recuperar sua filha. Não podia fazer outra coisa que esperar. Sentia-se tão tensa às vezes que acabava irritando-se com tudo o que a rodeava, incluindo Edward.

Em uma ocasião se produziu uma amarga briga. Na manhã seguinte, envergonhada por seu arrebatamento, apenas podia lhe olhar nos olhos. Além disso dava medo que pedisse uma explicação por seu comportamento tão pouco razoável.

Mas Edward se comportou como se nada tivesse acontecido, e se mostrou amável e afetuoso. Bella se dava conta de que com ela fazia concessões que não se permitiu com ninguém mais. Era o marido que jamais tivesse imaginado que pudesse chegar a existir: generoso, rápido em perdoar e mais preocupado pelas necessidades dela que pelas próprias.

Descobriu, entretanto, que Edward tinha também seus defeitos. Era protetor em excesso e ciumento, fazia cara feia quando um homem olhava sua esposa ou sustentava mais do devido sua mão entre as suas. Bella se divertia com aquela atitude, como se todos os homens de Londres a desejassem. Edward não cessava de advertir que se afastasse de seu primo, Laurent Lyon, quem o fazia encantadoras proposições cada vez que se viam.

Assistiram a um baile esplêndido, e naquela ocasião Laurent a fez rir quando agarrou a mão para depositar intermináveis beijos, como se fosse uma raposa faminta diante de uma deliciosa galinha.

— Lady Cullen — disse depois de um eloqüente suspiro, sua beleza é tão deslumbrante que nem a luz da lua se faz necessária. Até me humilha.

— Já humilharei você — interrompeu Edward com cara de poucos amigos, recuperando a mão de sua esposa.

Ross envolveu Bella com um sorriso sedutor.

— Não confia em mim.

— Nem eu — murmurou ela.

Fez cara como de sentisse ferido.

— Só desejo solicitar uma valsa, madame — protestou, para acrescentar com um sorriso-: Jamais dancei com um anjo.

— Prometeu-me isso — respondeu Edward, sombrio, levando sua Bella.

— O que me diz do seguinte? — disse Ross, seguindo-os.

— Prometeu-me todos isso — respondeu Edward por cima do ombro.

Bella, rindo, advertiu:

— Edward, mamãe sempre tentou me ensinar a dançar com graça, mas não houve maneira. Diz que meu estilo é comparável ao galope de um cavalo desbocado.

— Não pode ser tão mau.

— Asseguro isso, é!

Edward pensou que brincava. Mas logo descobriu que estava certa. No salão de baile teve que valer-se de todas suas habilidades para reprimir o vigor atlético de sua esposa, e em muitas ocasiões manobrou com destreza para evitar que ela caísse.

— Me siga — disse Edward, tratando de guiá-la.

Bella, apesar da firmeza dos braços de Edward, seguia movendo-se na direção equivocada.

— Seria mais fácil se te limitasse a me seguir — sugeriu ela com malícia.

Edward inclinou a cabeça para sussurrar ao ouvido que pensasse na última vez que tinham feito amor.

Aquele conselho tão pouco ortodoxo a fez rir como uma tola; mas de repente, assim que olhou nos olhos e se concentrou no fato de estar juntos, permitir que fosse ele quem governasse todos os movimentos se converteu em uma tarefa fácil, e o que estavam fazendo chegou a parecer-se com uma dança.

— Olhe, fazemos bem! — exclamou Bella.

Edward, incapaz de não sorrir ao vê-la tão satisfeita e surpreendida, pediu-lhe várias valsas mais, o que provocou que mais de um os observasse arqueando as sobrancelhas.

Que marido idolatrasse tão abertamente sua esposa não estava na moda, mas Edward parecia não se importar. A Bella divertia ver as sofisticadas mulheres da alta sociedade ocultando atrás dos leques invejosas pela atenção que Edward estava emprestando.

Seus maridos falavam com indiferença e passavam as noites nas camas de suas amantes.

Inclusive Rosalie, surpreendendo Bella, fez se notar quão possessivo Edward chegava a mostrar-se, e declarou que Emmet jamais seria capaz de reclamar sua companhia daquele modo.

— Do que falam todo o momento? — perguntou Rosalie com curiosidade durante o entreato de uma representação no Drury Lane.

— O que é que ele diz que possa chegar a te interessar tanto? — Ambas as irmãs se achavam em um ângulo da entrada do primeiro andar. Antes que Bella pudesse responder, uniram lady Elizabeth Burghley e a senhora Gwyneth Dawson, jovens e respeitáveis madames que acabavam de fazer amizade com Bella. Bella gostava de Elizabeth em especial, pois tinha um grande senso de humor.

— Eu adoraria escutar a resposta — declarou Elizabeth, e se pôs a rir.

— Todas estamos nos perguntando o que é o que temos que fazer para que nossos maridos fiquem do nosso lado, tal tomo acontece a Bella. Querida, o que é o que faz que te encontra tão encantador?

Bella se deu de ombros e olhou para Edward. Achava-se junto a uma corriola de homens no centro da sala, todos eles em alguma conversa corriqueira. Ele devolveu o olhar e sorriu ligeiramente. Ela voltou sua atenção às mulheres.

— Falamos de tudo — explicou sorrindo. — De bilhar, da cera das abelhas e do Bentham. Sempre dou minha opinião, inclusive sabendo que não vai gostar de ouvir.

— Mas não deveríamos falar com os homens a respeito de políticas como o senhor Bentham — disse Gwyneth, perplexa. — Para isso têm aos amigos.

— Parece-me que já cometi outro erro social-declarou Bella rindo, fazendo como se tachasse o tema de uma lista invisível. — Acabaram-se as discussões impróprias sobre políticas.

— Bella, não mude — apressou-se a dizer Elizabeth, piscando. — É evidente que lorde Cullen gosta das coisas tal como são. Possivelmente deveria perguntar a meu marido o que opina da cera de abelha e do senhor Bentham!

Bella, sorridente, deslizou uma vez mais o olhar sobre a multidão que enchia a entrada. Alarmou-se ao vislumbrar por um instante um cavalo negro como o carvão e umas feições que eram familiares.

Um calafrio de desassossego sacudiu seu corpo.

Piscou e procurou de novo aquela cabeça, mas tinha desaparecido. Sentiu o calor de uma mão no braço.

— Bella? — perguntava Rosalie. — Aconteceu algo ruim?


Olá minhas queridas !

Desculpe pela pressa, mas hj vou ter que falar rapidinho... =/

Muito obrigada a todas que leram, principalmente a lorena, AnaMartaOliveira, Diana, BibiAlbano, Raquel e Visil ! AMO VOCÊS !

Beijoos e até segunda !