Damashi no Mori

Capítulo 18:Mahamrityunjaya

(e se segurem porque o capítulo tá punk e reviravoltante)

Para Rin-chan

Rin havia esquecido como respirava.

Foi como se o tempo tivesse parado. Ela, praticamente derretendo sob um abraço, ofegou por um segundo antes de virar o rosto e encontrar o rosto sério de Sesshoumaru examinando a extensão dos ferimentos e do sangue – parte dela e parte de Miroku – que sujara as roupas, os quimonos que ele escolhera para ela usar.

Claramente que alguém precisava tomar controle da situação.

-Rin... – ele parecia realmente agitado por trás daquela fachada de semideus da tranquilidade terrena – Vou deixá-la com Jaken e Ah-Un. Ficará protegida com eles enquanto nós lutamos com Naraku.

-Sess... – ela agarrou a manga do quimono dele numa súplica e começou a falar num jato – Miroku precisa de ajuda, e-ele tentou me proteger, mas ele tá machucado, não sei se ele ainda vai...

-Calma. – ele colocou um dedo nos lábios dela, aterrissando num ponto da floresta fora da barreira maligna de Naraku. Lá estavam Kagome, deitada nas costas do querido Ah-Un e parecendo muito enfraquecida, Hachi, o servo de Miroku, e Jaken.

Colocando-a de pé no chão, os dois se encararam, com Rin agora com as mãos pousadas nos ombros. A diferença entre as alturas agora era perfeitamente visível.

-Aquele servo dele nos contou. – ele a tranqüilizou, indicando Hachi com um ligeiro movimento de cabeça – Mas sei que vai querer me impedir de arrancar a cabeça dele por conta do fez a nós... a mim quando a sequestrou. Acredite, minha Rin, mesmo que tenha sido para enganar Naraku, aquele mongenão vai escapar de mim.

Rin mordeu os lábios, nervosamente.

-Mesmo que eu peça para não machucá-lo?

-Sem garantias. – ele moveu a cabeça para os lados – Ele ainda teve a ousadia de colocar as mãos em você. Eu senti o cheiro do seu sangue nos dedos dele, e sei que eles estiveram no seu cabelo. Eu vejo o punhado de cabelos puxados, um ferimento no seu queixo, e tudo me leva a crer que foi ele. – ele retirou gentilmente as mãos delicadas dos ombros dele sem desencontrar o olhar – Como já dito: ele não vai escapar de mim.

Rin deu um suspiro. Fechou os olhos e ponderou alguns segundos.

-Ok, então. – ela reabriu os olhos e fixou-os nos dele – Promete que vai pelo menos esperar tudo isso acabar e voltarmos para... casa... – "casa"? Que "casa"? – para acertar as contas com ele?

Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha. Depois assentiu.

Sim? Sesshoumaru disse "sim"? Ele iria se controlar até que tudo acabasse para acertar as contas com Miroku-sama?

-Obrigada... – ela murmurou e deixou que um sorriso gentil aparecesse nos lábios. Depois ficou na ponta dos pés e fez com que os lábios rosados tocassem a meia-lua na testa.

Aos que viam, aquela parecia ser uma cena típica dos tempos de guerra, quando marido e mulher precisavam se separar e trocavam carinhos no momento da partida.

-Conversamos logo... está bem? – ele a fitou.

Foi com um aperto no coração que ela o viu se afastar e depois dar as costas para ela e para o grupo. Não sabia o porquê, mas era como se...

-Sesshoumaru... – os lábios deixaram escapara um murmúrio que nem mesmo ela entendeu e estendeu o braço ao longe, como se quisesse alcançá-lo.

... se fosse a última vez que o visse.

Sesshoumaru voltou ao campo de batalha sem olhar para trás, bem a tempo de salvar o irmão de uma das falanges de Naraku, cortando o ligamento com a espada e deixando Inuyasha cair no chão.

-Eu mal saio por dois minutos e você já conseguiu ser ferido, irmãozinho?

-Sesshoumaru... ele tem a tinta agora. – Kikyo avisou, e ele virou o rosto para vê-la se erguer trêmula do chão de lama a qual fora arremessada, e segurar o ombro machucado. A roupa branca, uniforme de sacerdotisa, estava inteiramente suja de sangue.

Notando o olhar dele no ombro, Kikyo completou depressa:

-Eu não vou morrer aqui.

-Excelente, então. – ele declarou – Já sei que não vou me preocupar em carregar seu corpo para a aldeia.

Sesshoumaru empurrou a espada e analisou a figura não tão mais sorridente em frente. Parecia que o humor vitorioso de Naraku tinha sumido ao ver a presença do Lorde das Terras do Oeste ali.

-Prazer em conhecê-lo, ó poderoso Lorde Dono da Floresta de Enganos.

-Então... – Sesshoumaru permaneceu indiferente àquela saudação feita num tom provocativo – É você que quer tomar posse das minhas terras com um campo maligno e um bando de criaturas fracas no meio?

-Eu mesmo. – Naraku levou o braço ao peito e, como um cavaleiro se apresentando a um rei, curvou-se ligeiramente para frente – Obrigado por me poupar as demais explicações.

Abriu então a palma da mão e estendeu na direção de Sesshoumaru.

-Você vai me dar muito trabalho. – disse, por fim – Melhor me livrar logo de você.

Os olhos de Sesshoumaru se alarmaram com a declaração, mas não por causa de Naraku, cuja força, para ele, não representava grande perigo. O fato era que Naraku era uma criatura cheia de truques sujos.

E mal Sesshoumaru teve tempo de se preparar para um deles – porque, repentinamente, tudo ficou escuro, e não pôde mais escutar ou sentir nada. Nem chegou a ouvir o irmão gritar o nome dele antes de a escuridão dominá-lo completamente, enquanto Inuyasha e a sacerdotisa eram dominados novamente pelas falanges de Naraku.

No outro instante, Sesshoumaru já havia desaparecido.

De longe, Miroku ainda tentava recuperar as forças quando viu, impotente, Sesshoumaru ser sugado para dentro de um buraco de energia maligna.

Não havia mais jeito, agora que a cartada final, que ele julgava ser mais poderosa que Naraku, tinha sido facilmente derrotado.

Ergueu-se e tentou dar alguns passos na direção dos dois conhecidos que ainda se debatiam. Pisou sem querer na sacola de pergaminhos caída no chão, cujo conteúdo estava espalhado pela grama suja.

O olhar ficou fixo num dos pergaminhos.

Quando começou a formular o plano de vingança contra Naraku, aos dezoito anos, depois de perder o pai, Miroku pensava em cada detalhe que poderia dar certo e errado no ataque, e nenhum detalhe havia mudado até um novo dono do tinteiro aparecer. A chegada de Rin tinha sido uma enorme mudança no plano, uma virada drástica que só poderia beneficiar se Sesshoumaru entrasse no ataque para protegê-la – o que realmente aconteceu.

Se por acaso o Lorde do Oeste não tivesse aparecido, ou se desde o começo nem ele e nem Rin tivessem surgido como rei e rainha da jogada para dar o xeque-mate, o monge teria que executar um plano fácil – dar um tempo na vingança e replanejar o ataque – ou um plano difícil, muito difícil.

Miroku escolheu, naquela hora, o mais difícil para fazer um ataque.

Do nada, abaixou-se para abrir um dos pergaminhos no chão e reler um trecho. Depois fechou-o e o guardou dentro da sacola.

Olhou ao redor. Inuyasha e Kikyo estavam pressionados contra o solo por um dos braços esticados de Naraku, e este lutava com Sesshoumaru com apenas um braço. Sabia que Rin estava a salvo e cuidava da outra sacerdotisa, a que tinha aspecto doente, longe dali, e ambas eram protegida pelo capetinha verde e Ah-Un. Hachi provavelmente estava com eles, cumprindo outra parte da tarefa para salvá-los. Então não seria muito perigoso o que faria ao grupo. Eles estariam bem.

Fechou os olhos e respirou fundo. Uniu as mãos como numa oração, pressionando-as em frente ao peito.

Agora.

-त्र्यम्बर्धनम्कंयजामर्ध… नम्हेसुगन्धिं... र्धनम्पुष्टिवर्धनम्…

Ninguém pareceu prestar atenção nele até que a mão que prendia Kikyo e Inuyasha tremeu e soltou os alvos, assim como algo pareceu vibrar e ficar brilhante no peito de Naraku. Sim, estava dando certo.

O mantra que ele mesmo exigira que Naraku entregasse nas mãos dele como uma recompensa estava funcionando, e era a única arma que o destruiria. O demônio nada sabia sobre o poder que ele entregara de graça a Miroku.

Naraku agora gritava e uma forte fumaça emanava das mãos, como se estivessem derretendo, e Inuyasha e Kikyo aproveitaram a brecha para atacar.

-उर्वारुकन्धनान्मृमि… वबन्धनान्मृत्योर्मु...क्षीयमामृतान्धनान्मृत्…

E então sentiu delicadas e pequeninas mãos tocarem os lábios dele. Arregalou os olhos e viu a outra sacerdotisa, doente, pressionar os dedos contra o rosto dele e recitar outra coisa, que ele entendeu ser uma prece de salvação. Uma prece contra a prece dele.

A fúria tomou conta dele quando entendeu o que havia acontecido. Ergueu a mão do colar de contas e sentiu a sanidade se esvair, a fachada serena e bem humorada desaparecer numa única ação.

Agarrou o pescoço para sufocá-la.

-MALDITA SACERDOTISA! – Miroku gritou numa voz altamente furiosa. O aperto no pescoço de Kagome ficou mais forte e conseguiu erguê-la do solo – VOCÊ QUEBROU O ENCANTAMENTO DO MEU MANTRA!

-MIROKU! – Rin tentou acalmá-lo, segurando-o pelo braço, mas foi sem sucesso. Parecia que nem sentia a presença dela, de tão fixo que estava nos olhos de Kagome – MIROKU-SAMA, PARE!

Kagome engasgou, fechando os olhos para ter alguma coerência. Ele ia matá-la num estrangulamento em poucos minutos.

-A-Aquilo é-é... Mahamrityunjaya, o m-mantra da morte de S-Shiva – ela gemeu de dor e forçou os olhos a abrirem, notando o olhar de puro ódio que ele tinha por ela ter rompido o encantamento – S-Se con... tinuasse a... a... recitar, vo-você também... – falou a última palavra num fôlego só – morreria com e-ele!

-Mais do que já estou! – ele sibilou, meio furioso, meio irônico – Não ia fazer muita diferença mesmo no meu caso!

Kagome precisou agarrar a mão que apertava as cordas vocais dela com certa gentileza, o que resultou num afrouxamento no aperto.

-Deixe-me ajudá-lo. – ela implorou, deixando uma lágrima resultante do sufocamento escapar pelo canto direito, engolindo ar para os pulmões antes de continuar – Eu tenho um plano também, senhor monge. Naraku também matou nossos pais.


Nota da Autora: Hmm... pra onde será que Sesshoumaru foi?

Obrigada aos comentários de: Rukia-hime, Tamy, Lan-Lan, Hiwatari Satiko, Jade Amorim, Cla.V, Kagome Unmei Taisho Kuchiki e Hana-Lis :)

Se este capítulo for digno de comentário, ficarei feliz em receber um.

Beijos da Shampoo-chan