Capitulo 21

Capitulo 21

Os primeiros raios solares começam a iluminar a cidade de Princeton. Uma brisa suave soprava derrubando as folhagens das árvores ao redor do hospital. Muitos médicos chegavam para o começo do turno enquanto outros saiam do plantão.

Lisa Cuddy tentava abrir seus olhos. Sentia uma pequena dor na lateral esquerda do seu corpo, e suas pálpebras mais pesadas. Com dificuldade consegue abri-las e seus olhos azuis se depara com ele. House encontrava-se com a cabeça repousada na cama e dormia. Ela conseguia ouvir o som que o ar fazia ao sair com força das suas narinas. Ele estava ali ao seu lado. Pelo visto devia ter dormindo ali. Velando seus sonhos. Sentiu uma sensação que há muito tempo não sentia. Não conseguiu segurar a felicidade e deixa escapar um enorme sorriso. Mas, a ansiedade provocada pelo momento lhe fez movimenta-se um pouco na cama, levando-o a despertar.

House após passar boa parte da madrugada sem conseguir pregar os olhos havia recostado na cama ao lado dela. Era perfeito ficar ali quietinho só sentindo o delicioso aroma que a pele dela exalava. Era o mesmo que fazia sua mente ferver quando jovem. Ela ali deitava recuperando-se do enorme susto parecia tão indefesa. Nem aparentava ser a Lisa Cuddy que conhecia e admirava. A mulher forte, decidida e corajosa, a mulher que amava loucamente. Mas, que há dias encontrava-se num mar de tristeza. Como queria curar as feridas que afligiam o coração dela. E assim pensativo adormece.

Abre seus enormes olhos azuis e se depara com os delas. Como era bom vê-la.

Cuddy: Você dormiu aqui?

House: Bom dia pra você também!

Cuddy: Sorry! Bom dia!

House: Bom dia!

Cuddy: Mas, por que dormiu aqui?

House: Estava te monitorando.

Cuddy: Tem um monte de enfermeiras nesse andar que podem fazer isso. Por que está aqui?

House: Hum. Não lembra da conversa que tivemos ontem. Essas anestesias são demais.

Cuddy: Anestesia? Ontem?

House: Ontem a noite ainda sobre o efeito da anestesia acordou. E me fez essa mesma pergunta.

Cuddy: Amnésia anestésica? Já tinha ouvido falar, mas achava que era lenda.

House: Posso lhe afirmar que não.

Cuddy: Bem, como não lembro nada sobre ontem. Pode por favor me dizer o porque de está aqui House?

House: Pedindo assim com tanto carinho, não consigo resistir...

Cuddy olha pra ele com ar de poucos amigos.

House: Lá vamos nós de novo. Durante o procedimento tivemos um pequeno problema...

Cuddy: A Luna? Ela está bem? Quero ver minha filha!

Cuddy tenta se levantar, mas encontrava-se tonta devido à anestesia e com ajuda dele deita novamente.

House: Ela está bem. Relaxe. O problema não foi com ela. Foi contigo. Seu coração nos aplicou um pequeno susto, mas o doutor aqui agiu rápido e conseguir controlar a situação.

Cuddy: O que você fez com o meu coração House?

House: Nada que já não tenha feito...

Cuddy: House deixa de brincadeira. Estou falando sério.

House: Está bem. Apliquei duas doses de epinifrina...

Cuddy: Duas doses?

House: O que posso fazer se seu coração é guloso?

Cuddy: House!

House: Seu coração não respondeu a 1 dose, nem a 2, então tive que apelar pra as massagens cardíacas. Assim te trouxe de volta.

Cuddy sentiu uma onda de medo invadir seu corpo. Por anos procurou pela sua filha e agora que havia lhe encontrado quase tinha partido. House sentiu o medo em seus olhos e gentilmente põe uma das mãos sobre a dela fazendo-a sentisse protegida.

House: Está tudo bem agora.

Cuddy: Obrigada.

Cuddy tinha um brilho especial nos olhos e House captou-os.

House: Não por isso.

Cuddy: Salvou minha vida. Não sei se um dia poderei retribuir um gesto como esse.

House: Sei como pode retribuir esse gesto.

Cuddy: Sabe?

House: Hum... Hum...

House esboçava um olhar diferente. E Cuddy notou a malicia em seu olhar.

Cuddy: Tenho até medo de lhe perguntar como.

House: Relaxe, mamãe! Essa tarefa será fácil. Só terá que realizar três desejos meus.

Cuddy: Três desejos? Por acaso sou algum tipo de gênio?

House: Isso, mas não como o gênio do Aladim está mais para Jeannie.

Cuddy não conseguia acreditar no que seus ouvidos escutavam. E solta uma enorme gargalhada. E sente uma enorme pontada na região onde ocorreu a cirurgia.

Cuddy: Hahahaha... Ai!

House: Ta vendo? Deus castigou!

Cuddy: Você não pode está falando sério.

House: São apenas 3 míseros desejos. Lembre-se salvei a sua vida...

Cuddy: Isso por acaso é chantagem?

House: Se a carapuça serviu...

Cuddy respira fundo.

Cuddy: Tudo bem! Quais são esses 3 desejos?

House: AÊ! Cuddy gênia...

Cuddy quis rir, mas segurou a risada pra evitar a dor.

Cuddy: Desembucha.

House senta-se na cama ficando ao lado dela.

House: Lá vai minha genia.. Meu primeiro desejo é 1 ano sem ter que atender na clínica!

Cuddy: 1 ano? Nunca...

House: Que tipo de genia é você? Tem apenas que atender aos desejos.

Cuddy: 1 ano sem clínica nem pense nisso House.

House: Sua vida não vale isso?

Cuddy: Isso não vem ao caso.

House: Está bem. 8 meses?

Cuddy: 2 meses!

House: 2 meses? Ta brincando comigo? Se quer jogar baby, tem que dar um lance maior.

Cuddy: 3 meses!!

House: 3 meses? Isso que chama de lance maior? 6 meses?

Cuddy: 5 meses e não se fala mais nisso!!

House: Está bem. 5 meses sem clínica. Mas que tipo de genia fui arranjar!!

Cuddy estava fazendo um enorme esforço pra não rir. House estava conseguindo faze-la esquecer dos problemas que a afligiam naquele momento. Fazia tempo que não se sentia assim. Tão livre e feliz.

Cuddy: 2 desejo?

House: Lá vai. Preparada?

Cuddy: House!

House: Aff! Onde está seu espírito de genia? Da próxima vez peço a Jeannie em vez de você!

Cuddy: Acho que a Jeannie não faz seu tipo.

House: Tem razão. Seu traseiro e sua comissão de frente da dez a zero nela.

Cuddy: House! Fala logo.

House: Sua chata! Lá vai... Meu segundo desejo é... Tcham... Tcham... Receita de Vicodim sempre que pedir sem me questionar!

Cuddy: Não precisa de mim pra as receitas sabe muito bem falsificar minha assinatura e do Wilson...

House: Depois do Triter é melhor não arriscar.

Cuddy: Tudo bem.

House: Como assim tudo bem? Sou um viciado, lembra-se?

Cuddy: Você quer as receitas ou não?

House: Quero...

Cuddy: Então... 3 desejo!

House: Último desejo. Preparada?

Cuddy: Vamos House...

House: Vou reclamar no sindicato dos gênios...

Cuddy: House!

House: Está bem. 3 e último desejo. Bem... Meu último desejo é... Quando seu médico lhe der alta e estiver melhor terá que me deixar leva-la pra jantar.

Cuddy: Como assim meu médico? Você é meu médico..

House: Pequeno detalhe Honey...

Cuddy: Por acaso esse jantar seria tipo um encontro?

House: Yep.

Cuddy: Um encontro??

House: Vai dizer que não sabe como é? Já te vir ter esse tipo de jantar com um monte de idiotas!

Cuddy: Não sei...

House: Como assim não sabe?

Cuddy: É complicado.

House: Somos complicados. Além do mais acho que o que tinha de errado pra acontecer já aconteceu.

Cuddy: Por acaso está dizendo que a Luna foi um erro?

House: Não tou falando da Luna... Lisa... Vamos sua tonta... Vai realizar meu ultimo desejo?

Cuddy: Sabia que os rapazes devem ser gentis com as garotas quando as convidam pra um encontro? Chama-las de tonta não é ser gentil.

House: Em primeiro lugar não somos mais jovens... E em segundo lugar... Sou o House não faço as coisas como devem ser feitas, e acredito que é isso que lhe faz ser tão gamada em mim como é...

Cuddy: Convencido.

House: E ai... Vai realizar meu último desejo ou não?

Cuddy: Tudo bem...

House: Então diga: Eu aceito sair pra jantar com você House!

Cuddy: Aceito sair pra jantar com você House!

House inclina seu corpo em direção ao dela. Seus rostos ficam muito próximos. O ar que saia das narinas do House fazia uns fios de cabelo dela voar. Quando os lábios estão quase colados.

Wilson: Bom dia Cuddy!

Wilson entra com tudo sem bater imaginou que a amiga estivesse sozinha, mero engano. O casal se afasta. House olha furioso para o amigo. O beijo estava tão próximo.

Cuddy: Wilson!

House: Estraga prazeres!

Wilson: Não sabia que tinha visita. House? Por acaso dormiu aqui?

House: Não é da sua conta.

Wilson: Vim visitar minha amiga, mas se estiver atrapalhando alguma coisa... Posso voltar outra hora...

House: Já que falou...

Cuddy: Não Wilson... Pode ficar... O House já estava de saída...

House: Estava?

Cuddy: Alguém ta com a roupa de ontem e precisa de um bom banho...

House levanta ambos dos braços cheira as axilas de ambos. Cuddy se segura pra não cair na gargalhada.

House: É tem razão... Volto mais tarde...

Ele alisa carinhosamente uma das mãos dela. E sai da cama. Anda na direção da porta, onde Wilson estava parado observando tudo. Aproxima-se do amigo.

House: Seu estraga prazeres.

E sai. Wilson ri pra si e anda na direção da amiga, a qual sorri quando o mesmo se aproxima. Alisa carinhosamente uma das suas mãos.

Wilson: Soube hoje pela manhã que teve problemas durante a cirurgia. Desculpa por não ter ficado ao seu lado ontem.

Cuddy: Tudo bem.

Wilson: Mas pelo visto esteve em boas mãos. O House além de salvar sua vida passou a noite cuidando de você?

Cuddy: Pra você ver como o mundo da voltas.

Wilson: E o coração como ta?

Cuddy: Mexido com tudo isso...

Wilson: Você salvou a vida da sua filha, House salvou sua vida... Nossa... Quanta coisa pra um dia!

Cuddy: Não sabe da maior! Ele me convidou pra sair pra jantar... Não agora, quando melhorar...

Wilson: Um encontro?

Cuddy: Exato.

Wilson: Você aceitou?

Cuddy: A vida me deu uma segunda chance... Se eu quero que minha filha me perdoe é necessário que aprenda a perdoar aqueles que me machucaram... O House merece uma segunda chance...

Wilson: É assim que se fala!

Cuddy: Wilson! Preciso de um favor... Um grande favor...

Wilson: Claro...

Cuddy: Sabe o Hotel Central?

Wilson: Sei...

Cuddy: Preciso que consiga o número e tente falar com minha mãe. Lúcia Cuddy.

Wilson: Hum...

Cuddy: Diga que preciso falar com ela... Pra vim me ver.

Wilson: É pra já... Farei isso agora.

Wilson já ia saindo quando Cuddy o interrompe.

Cuddy: Wilson! Antes de ir... Me diz porque está com essa fisionomia tão tranqüila e feliz.

Wilson: Tive um encontro maravilhoso ontem à noite...

Cuddy: Ah... Por isso não veio me ver?

Wilson: Sorry!

Cuddy: É brincadeira... Fico feliz por você... Depois volta aqui... Quero saber de tudo que ocorreu ontem.

Wilson: Pode deixar...

Wilson sai sorridente. Cuddy vira pra o lado na cama. Ela fecha os olhos. Ainda podia sentir o aroma da pele dele. Eram tão bons os momentos ao lado dele. E algo estava lhe dizendo que as coisas entre eles iam melhorar. Fica na cama de olhos fechados lembrando os momentos maravilhosos que já tiveram juntos.