Capítulo 20 – In my Place
Não posso fazer. Simplesmente não posso. Não ná como escrever esse e-mail sem ficar parecendo uma paranóica maluca.
Olho desesperada a décima tentativa.
Caro Alec,
Preciso da sua ajuda. Acho que sofri uma armação do Caius. Acho que ele plantou aquele memorando na minha mesa. Há alguma coisa acontecendo. Ele tem ligações familiares com a BLCC Holdings e a Glazerbrooks, você sabia?? Por que ele jamais contou a ninguém? E agora me proibiu de entrar no prédio, o que, em si, é suspeito...
Estou parecendo iludida. Estou parecendo uma ex-empregada amargurada, confusa, cheia de ressentimento.
O que, claro, sou.
Enquanto passo o olhar pelas palavras lembro, nada mais, nada menos, do que da velha de olhos loucos que costumava ficar na esquina da nossa rua, murmurando "Eles vêm me PEGAR".
Agora tenho total simpatia por aquela velha. Eles provavelmente estavam atrás dela.
Alec vai simplesmente rir. Posso vê-lo agora. Caius Volturi é um bandido? Parece insano. Talvez eu esteja insana. É apenas uma teoria. Não tenho provas; não tenho nada sólido. Inclino-me adiante e pouso a cabeça, desesperada, nas mãos. Ninguém jamais vai acreditar em mim. Ou sequer me ouvir.
Se ao menos tivesse alguma prova. Mas onde iria conseguir?
Um bip no meu celular me faz dar um pulo e levanto os olhos, cansada. Quase tinha esquecido onde estava. Pego-o e vejo que recebi uma mensagem de texto.
estou aqui embaixo. tenho uma surpresa para você. Jazz.
Enquanto desço, não estou realmente ligada. Clarões de raiva ficam me dominando enquanto penso no sorriso jocoso de Caius, no modo como ele encorajava minha mesa bagunçada, em como disse que faria o máximo por mim, como ouviu enquanto eu me culpava, enquanto eu pedia desculpas e me humilhava...
O pior de tudo é que nem tentei me defender. Não questionei o fato de que não conseguia me lembrar de ter visto o memorando. Presumi imediatamente o pior de mim mesma; presumi que era minha culpa, por ter uma mesa tão bagunçada.
Caius me conhece muito bem. Talvez estivesse contando com isso.
Sacana. Sacana.
— Oi. — Jasper balança a mão na frente do meu rosto. — Terra chamando Alice.
— Ah... desculpe. Oi! — De alguma maneira consigo sorrir. — Qual é a surpresa?
— Venha por aqui. — Ele ri e me leva até o seu carro, que é um antiqüíssimo fusca conversível. Como sempre, fileiras de potes de sementes estão atulhando o banco traseiro e uma velha pá de madeira se projeta atrás.
— Senhora. — Ele abre a porta, galante.
— Então, o que vai me mostrar? — pergunto entrando.
— Viagem fantástica. — Jasper dá um sorriso enigmático e liga o motor.
Saímos de Forks e pegamos um caminho que não reconheço, através de um minúsculo povoado vizinho e subindo as colinas. Jasper está num clima alegre e me conta histórias de cada fazenda e pub por onde passamos. Mas praticamente não escuto uma palavra. Minha mente continua fervilhando.
Não sei o que posso fazer. Nem posso entrar no prédio. Não tenho credibilidade. Estou impotente. E só tenho três dias. Assim que Caius desaparecer nas Bahamas, acabou-se.
— Aqui estamos! — Jasper sai da estrada para um caminho de cascalho. Manobra o carro para perto de um muro de tijolos e desliga o motor. — O que acha?
Com esforço puxo o pensamento de volta ao presente.
— Ah... — Olho ao redor, sem idéia. — É. Lindo.
O que eu deveria estar olhando?
— Alice, você está bem? — Jasper me lança um olhar curioso. — Parece tensa.
— Estou bem. — Tento sorrir. — Só meio cansada.
Abro a porta do carro e saio, afastando-me de seu olhar. Fecho a porta, dou alguns passos e olho ao redor.
Estamos em algum tipo de pátio ardendo ao sol da tarde. Há uma casa meio arruinada à direita, com uma placa de VENDE-SE. Adiante há fileiras de estufas brilhando ao sol baixo. Há terrenos cheios de fileiras de legumes, uma cabine portátil onde está escrito CENTRO DE HORTICULTURA...
Espera aí.
Viro-me perplexa e vejo que Jasper também saiu do carro. Está rindo para mim e segurando um maço de papéis.
— Uma oportunidade de negócio em horticultura — lê ele em voz alta. — 1,6 hectare de terra, com mais quatro hectares disponíveis, sujeitos a negociação, 930 metros quadrados de estufas. Sede com quatro quartos, precisa de reparos...
— Você vai comprar isso? — pergunto com a atenção totalmente agarrada.
— Estou pensando. Queria mostrar primeiro a você. — Ele abre um dos braços. — É uma propriedade muito boa. Precisa de reparos e construção, mas o terreno está aí. Podemos começar a fazer umas áreas cobertas de tela, aumentar o escritório...
Não consigo absorver tudo isso. Desde quando Jasper ficou tão empreendedor?
— Mas e os pubs? Por que você de repente...
— Foi você. O que disse no jardim naquele dia. — Ele pára, com a brisa agitando os cabelos. — Você está certa, Alice. Não sou dono de pubs, sou jardineiro. Estarei mais feliz fazendo o que realmente quero. Assim... tive uma longa conversa com minha mãe e ela entendeu. Nós dois achamos que Seth pode assumir o comando. Não que ele já saiba.
— Uau. — Olho de novo ao redor, vendo uma pilha de caixotes de madeira; pilhas de bandejas de sementes; um cartaz velho anunciando árvores de natal. — Então você vai mesmo fazer isso?
Jasper dá de ombros, mas posso ver a empolgação em seu rosto.
— Só se tem uma chance na vida.
— Bom, acho fantástico. — Rio com entusiasmo genuíno.
— E há uma casa. — Ele assente na direção dela. — Ou pelo menos haverá uma casa. Está meio arruinada.
— Certo. — Olho a construção precária, rindo. — Realmente parece meio arruinada.
— Queria que você visse primeiro. Conseguir sua aprovação. Quero dizer, um dia você poderia... — Ele pára.
Há silêncio no pátio. De repente meus sensores de relacionamento estão girando feito loucos, como o Hubble vendo uma nave alienígena. O que eles acabaram de captar? O que ele ia dizer?
— Poderia... ficar para passar a noite? — digo finalmente, meio sem jeito.
— Exato. — Jasper esfrega o nariz. — Vamos dar uma olhada?
A casa é maior do que parece por fora, com tábuas nuas, velhas lareiras e uma escada de madeira que range. Um cômodo praticamente não tem reboco e a cozinha é totalmente antiquada, com armários dos anos trinta.
— Grande cozinha. — Lanço-lhe um olhar provocador.
— Tenho certeza que eu poderia colocá-la nos padrões do cordon bleu.
Subimos para o andar de cima e entramos num quarto enorme que dá para os fundos da casa. Do alto os canteiros de legumes parecem uma organizada colcha de retalhos, estendendo-se na campina verde. Vejo um pequeno terraço lá embaixo e um minúsculo jardim privado, pertencente à casa, todo cheio de clematites e rosas emaranhadas.
— É um lugar lindo — digo apoiando-me no para-peito da janela. — Adorei.
Ali parada, olhando a vista, sinto que Portland fica em outro planeta. A Carter Spink, Caius e todos eles subitamente parecem fazer parte de outra vida. Não estou simplesmente fora do laço, estou totalmente longe da corda.
Mas ao mesmo tempo em que olho a tranqüila cena campestre, sinto-me estendendo a mão para a ponta da corda. Não posso soltá-la; não consigo relaxar. Só seria necessário um telefonema para a pessoa certa.
Se eu tivesse alguma prova...
Qualquer coisa...
Minha mente começa a revirar os fatos de novo, como um pássaro girando sobre conchas de caracóis vazias. Desse jeito vou ficar louca.
— O que eu fiquei pensando era...
De repente percebo que Jasper está falando. Na verdade acho que ele pode estar falando há um tempo — e não ouvi uma palavra. Viro-me rapidamente e o vejo me encarando. Suas bochechas estão vermelhas e ele demonstra uma falta de jeito pouco familiar. Pelo visto, o que esteve dizendo exigia algum esforço.
— ...você sente o mesmo, Alice?
Ele tosse e pára num silêncio cheio de expectativa.
Encaro-o feito idiota. Sinto o mesmo com relação a quê?
Ah, merda. Droga. Será que ele estava dizendo alguma coisa sentida e significativa? Estaria fazendo algum discurso amoroso? E eu perdi?
Isso vai me ensinar a não ser obcecada. O homem por quem estou me apaixonando secretamente acaba de fazer um discurso romântico — provavelmente o único que ouvirei em toda a vida —, e eu não estava escutando?
Quero dar um tiro em mim mesma, por ser tão imbecil.
E agora ele espera a resposta. O que vou fazer? Ele acaba de abrir o coração. Não posso dizer "Desculpe, não ouvi direito"!
Ah... — empurro o cabelo para trás, tentando ganhar tempo. — Bem... você me deu muito em que pensar.
— Mas você concorda?
Concordo com quê? Pena de morte para os ladrões? Sexo a três?
Certo, este é o Jasper. Tenho certeza que concordo, o que quer que seja.
— Sim. — Dou-lhe o olhar mais sincero que consigo, — Sim, concordo. De todo o coração. De fato... freqüentemente também pensei isso.
Um tremor passa pelo rosto de Jasper enquanto ele me examina.
— Você concorda — diz ele, como se quisesse ter certeza. — Com tudo?
— É... sim! — Estou começando a me sentir meio nervosa agora. Com o que concordei?
— Mesmo com os chimpanzés?
— Chimpanzés? — De repente vejo a boca de Jasper se retorcendo. Ele percebeu.
— Você não ouviu uma palavra do que eu falei, ouviu? — diz ele em tom casual.
— Não percebi que você estava falando uma coisa importante! — gemo baixando a cabeça. — Você deveria ter me avisado!
Jasper me olha, incrédulo.
— Foi preciso um bocado de coragem, você sabe, para dizer tudo aquilo.
— Diga de novo — imploro. — Diga tudo de novo! Eu vou escutar!
— Ahã. — Ele ri balançando a cabeça. — Talvez um dia.
— Desculpe, Jasper. Desculpe mesmo. — Viro-me para olhar de novo pela janela, apertando a cabeça no vidro. — Eu estava simplesmente... distraída.
— Eu sei. — Ele vem e passa os braços ao redor dos meus. Sinto seu coração batendo firme, acalmando-me. — Alice, o que houve? É o seu antigo relacionamento, não é?
— É — murmuro depois de uma pausa.
— Por que não quer me contar a respeito? Eu poderia ajudar.
Viro-me para encará-lo. O sol está brilhando em seus olhos e no rosto pálido. Ele nunca pareceu tão bonito. Tenho uma visão súbita de Jasper dando um soco na cara de Caius.
Mas não posso jogar tudo isso em cima dele. É demais. É grande demais. É... sórdido demais.
— Não quero misturar aquele mundo com este — digo finalmente. — Simplesmente não quero.
Jasper abre a boca de novo mas eu me viro antes que ele possa falar. Olho a paisagem idílica outra vez, piscando por causa do sol, a mente num tumulto.
Talvez eu apenas devesse desistir de todo o pesadelo. Esquecer. Deixar para lá. As chances são de que nunca possa provar nada. Caius tem todo o poder; eu não tenho nenhum. As chances são de que, se tentar mexer nisso, só receberei mais humilhação e desgraça.
Poderia facilmente não fazer nada. Poderia simplesmente tirá-lo da cabeça. Fechar a porta sobre a vida antiga e deixá-la para trás, para sempre.
Tenho um emprego. Tenho Jasper. Tenho um possível futuro aqui.
Mas mesmo enquanto estou pensando — sei que não é isso que farei. Não posso esquecer. Não posso deixar para trás.
(In My Place - Coldpaly) ~~ música linda!!
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Demorei muito... EU SEI!!... me desculpem meus amores... estava atolada de coisas... e tinha perdido esse capítulo no meu pc... mas aqui está ele... quero reviews, hien... Essa fic foi a primeira que eu comecei a postar aqui, não se preocupem meus amores... NUNCA irei abandonar essa fic!!
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Respondendo reviews::::
Amanda Ellen: que bom que você gostou... mto sacanagem mesmo... vo querer review grandona, hein.. você prometeu... kkkkkkkkk' BJOS!
Hollidaay': foi tudo armação... Caius canalha, ela confiava tanto nele... Ness MTO mimada, tinha que ser a tia Rose... kkkkkkkk'... o episodio das framboesas foi... HOT... kkkkkkkkk'.... que bom que você está gostando... BJOS!
MahRathbone: minha querida Mah, que passou em todas as minhas fics para me cobrar esse capítulo... desculpe a demora, mas finalmente postei, antes tarde do que nunca, né?... eles foram mto canalhas mesmo, foram armar logo para ela, que sempre foi aplicada no trabalho...
Agora é minha vez... quero capítulo em "Just Trhee Words", hein... BJOS!!
Carol Vaz: se você tivesse visto meu perfil, você saberia disso... não me venha falar coisas que você não sabe....
tatianne beward: você tá aqui também... \o/... adoro suas reviews querida... que bom que você está gostando... BJOS!
Lah L: calma querida... não abandonei não... tah ai mais uma capitulo... BJOS!
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Só queria reforçar... Que minha fic "Para Sempre", já está no segundo capítulo.. para quem não conhece, é uma fic sobre o Seth e sua impressão... é uma fic que eu amo mto , pois escrevi para minha irmã... apareçam por lá.... ok!
A Lógica do Coração, para quem não conhece, tbm é Alisper... linda!! apareçam por lá.... ok!
Para quem gosta de shipper Emmelie, vocês vão adorar Quem Segura o Bebê... Está bem no comecinho, mas Emm e Rose já estão aprontando... Essa fic tbm está sendo traduzida para espanhol [to chic genti.. o.O... kkkkkkk'] pela rosaliehaledecullen... apareçam por lá.... ok!
Estou planejando algo para shipper Carlisle e Esme também [amo esse casal]... assim que tiver algo, vocês saberam...
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BJOS!!!
