Quase 100 reviews O.O
Nunca me passou pela cabeça que fosse chegar a este ponto. Muito obrigada *.*
Já sei que o último capítulo causou umas quantas emoções fortes que eu própria experienciei enquanto escrevia ao som da banda sonora do anime que é fantástica e inspiradora.
E sem mais demoras, vamos ao capítulo! :D
-X-
Fuga
_*_Levi_* _
Saí do quarto mais uma vez. Não aguentava todo aquele clima depressivo. No meio de feridos com gravidade, outros que lutavam pela vida, estava o Eren. Ainda respirava. Ainda, era o que repetia para mim a cada hora excruciante que passava.
Embora, tivesse sobrevivido à viagem de regresso ao castelo, as garantias de que fosse aguentar muito mais, eram francamente baixas. Já tinha parado de respirar mais do que uma vez e em todas essas vezes, eu ou outra pessoa que estivesse presente fazia-o regressar de novo. As massagens cardíacas não funcionariam sempre e já tinha ouvido alguns enfermeiros comentarem que até já podiam existir danos cerebrais irreversíveis, devido à privação de oxigénio. Portanto, era uma questão de tempo.
Encostado à parede fria daquele corredor vazio, ouvia os soluços de amigos dele e o choro quase constante da irmã que só saía do quarto quando estritamente necessário. Também queria ficar ao lado dele o mais que pudesse, mas ver toda aquela tristeza à minha volta, fazia com que sentisse que ia desmoronar outra vez. Não queria sentir-me tão fraco, tão vulnerável como naquele dia em que o segurei nos meus braços e pedi que ficasse comigo. Não me importei com mais nada, nem ninguém. Não quis saber se me ouviam, se me viam perder a compostura. Não queria ver-me outra vez naquele estado por isso, ocasionalmente saía do quarto para apanhar um pouco de ar.
- Levi?
- O que queres, Hanji? – Perguntei sem olhar para a mulher parada ao meu lado.
- Sobre o Eren…
- Vais repetir tudo o que já me disseram lá dentro? Se for isso, não quero ouvir.
- A regeneração dele é muito lenta comparada com o que ele precisaria de recuperar para poder… - Parou de falar, assim que me viu sair dali. Não queria ouvir. Já bastava ter a minha mente a torturar-me com a certeza de que ele nunca mais ia acordar.
Não precisava de mais nada que esfregasse isso na minha cara. Doía muito mais do que podia imaginar. Não sabia até quando iria suportar tudo aquilo. Talvez o meu limite fosse o último suspiro que ele desse… porque depois disso, com certeza não ficaria ali. Não seria capaz de continuar ali… nem em lugar algum…
"Não quero ficar num mundo, onde a razão mais forte para lutar todos os dias… iria simplesmente desaparecer. Não quero ficar num mundo onde ele não está…", repetia em pensamento enquanto entrava no seu quarto e sentado na cama, desarrumava os seus cabelos. Deixei-me cair, deitado de lado na cama e fechando os olhos.
- Eren… - Murmurei.
_*_Armin_* _
- Não comeste nada, Armin. – Comentou o Jean num tom preocupado ao meu lado.
- Não consigo… - Respondi, levantando-me.
- Onde vais? Vais vê-lo outra vez? – Jean também saiu da mesa. – Vou contigo.
- Não… por favor, Jean. – Sorri o melhor que pude. – Preciso estar um pouco sozinho. – Vi o ar magoado que se desenhou no seu rosto e segurei a sua mão por alguns instantes. – Obrigado por estares ao meu lado, mas preciso só de estar um pouco sozinho. Volto mais tarde, pode ser? Também devias descansar.
- Ok, mas se precisares…
- Eu sei. Se precisar, sei onde te encontrar. – Larguei a sua mão e mal o fiz, vi que ele parecia observar o salão e assim que concluiu que só estávamos os dois, aproximou-se o suficiente para deixar um beijo na minha testa. Corei com esse gesto e afastei-me, acenando. Tê-lo por perto era a melhor coisa que podia ter acontecido, mesmo que isso tivesse vindo de uma desilusão com a Mikasa.
Porém, desde do princípio por muito fascinado que tivesse, até ele devia perceber que a minha amiga de cabelos negros não conseguia olhar para outro rapaz que não fosse o Eren. Mesmo assim, ele tentou acreditar na falsa esperança que a Mikasa lhe deu até que senti-me mal por estar a ver o quanto brincavam com os sentimentos dele. Não era justo. Ele não merecia nada daquilo e quando dei por mim, estava demasiado envolvido, demasiado preocupado com aquele rapaz que chorou no meu ombro.
Contudo, mesmo encontrando alguém especial de forma quase improvável, não podia esquecer o meu sentimento pelo Eren. Aquele que estava a corroer-me por dentro cada vez que entrava no quarto e o via agarrado à vida por um fio prestes a quebrar-se. O meu melhor amigo. Aquele que sempre fez de tudo para me proteger. Aquele que confiava em mim, que partilhava do mesmo sonho de conhecer o mundo lá fora.
Ele ia morrer e eu não fiz nada para impedir… não consegui fazer nada enquanto ele lutou com todas as suas forças até ao final. Sentia-me a pior pessoa à face da terra por não poder fazer nada por ele.
Enxuguei as lágrimas que teimavam em cair e virei em mais uma esquina daqueles longos corredores, quando vi a Hanji encostada à porta do escritório do comandante Irvin. Ela também notou a minha presença e fez sinal para não fazer barulho. Estava a ouvir atrás da porta e por muito que isso fosse errado, qualquer coisa também atiçou a curiosidade dentro de mim. Ultimamente, a única coisa que andava dentro da cabeça daquela mulher doida não eram o fascínio pelos titãs e sim, o bem-estar do Eren.
- Não vou autorizar.
- Não estás a perceber, Irvin. Não precisamos da tua autorização. Prepara-o porque amanhã, vamos levar o Eren Jaeger.
- Nem ao menos sabemos se ele ainda vai estar vivo amanhã.
- Mais um motivo para não perdermos tempo com esta discussão inútil.
Os passos aproximaram-se da porta e Hanji agarrou o meu braço, fazendo-me correr com ela até estarmos em segurança. Isto é, sem sermos apanhados a ouvir atrás da porta. Ainda espreitei uma última vez, apenas para confirmar as minhas suspeitas. O emblema dos homens que conversavam com o comandante Irvin pertencia à Polícia Militar. Por que razão lhes interessava vir buscar o Eren?
- Chamam-no de monstro, mas cada vez tenho mais a certeza de que os monstros estão dentro das muralhas. – Disse Hanji, agarrando a minha mão e fazendo com que a seguisse.
- Desculpe mas… para onde estamos a ir?
- Temos que falar com o Levi. O Eren precisa de desaparecer deste lugar antes que seja tarde demais.
Sem fazer mais perguntas, deixei-me arrastar pela Hanji. Embora não estivesse a dizer uma só palavra, a minha mente estava longe de estar silenciosa. Só conseguia pensar no que pretendia a Polícia Militar. Com certeza, o comandante Irvin teria deixado bem claro que as hipóteses de recuperação do Eren eram demasiado baixas. Então, por que razão queriam levá-lo? Um arrepio percorreu o meu corpo ao imaginar a única razão. Ainda pensavam em dissecá-lo? Esse pensamento fez com que o meu estômago quisesse expulsar a pouca comida que tinha conseguido enfiar no estômago.
Se o meu raciocínio estivesse correto, o desprezo pela vida do meu melhor amigo era total. Eles não queriam mesmo saber e mesmo que ele já não pudesse ser salvo, não conseguia aceitar o que pretendiam fazer. Eren era humano e devia ser tratado como tal. Não era um rato de laboratório.
A porta da enfermaria abriu-se e ao lado da cama com o rosto coberto de lágrimas estava Mikasa que passava as mãos nos cabelos de Eren que estava tal como antes. Mergulhado num sono tão profundo que precisávamos de confirmar constantemente que continuava a respirar. Por vezes, nem o movimento do peito podia ajudar nisso e éramos obrigados a procurar a pulsação. Os segundos que demorávamos a tentar perceber se ainda havia vida naquele corpo eram agonizantes.
Do outro lado da cama de braços cruzados, estava o capitão Levi de pé. Podia ver que apesar da postura impassível, apertava os seus braços com as mãos como se procurasse controlar-se. Eu já sabia… mesmo que ele não o demonstrasse sempre, ele amava o Eren e com esse sentimento no peito, eu podia partilhar as mesmas sensações que o deviam estar a atravessar naquele momento.
Ao meu lado, Hanji hesitou no que ia falar e percebi que o fazia pela presença da Mikasa e por isso, entendi que teria que a fazer sair. O que quer que fôssemos falar ali, dispensava a presença dela. Não queria afastá-la daquela forma, mas quem sabe fosse o melhor. Se a Hanji queria tirar o Eren dali, sabia como a Mikasa iria fazer de tudo para ir com ele e naquele momento, até eu sabia que se alguém fosse fugir com ele…seria o capitão Levi. Nós teríamos que ficar para trás e manter uma história, uma mentira que diríamos para o resto das nossas vidas.
- Mikasa, o comandante Irvin chamou-te. – Disse no tom mais neutro que consegui e ignorei os olhares de Hanji e do capitão Levi que conseguiram ver claramente que estava a mentir.
- Agora? – Perguntou, limpando as lágrimas e levantando-se. – O que ele quer a esta hora? – Não estava satisfeita, mas estava a afastar-se para obedecer à convocatória falsa.
- Não sei, mas pediu-me que viesse aqui chamar-te.
- Ok… obrigada. Vou ver o que ele quer, fica com o Eren. – Disse, passando por mim enquanto tentava manter-me firme para não denunciar a grande mentira que tinha acabado de dizer.
Pouco depois da porta da enfermaria se ter fechado, Hanji aproximou-se onde Eren permanecia inconsciente e o capitão Levi perguntou:
- Porque lhe mentiste? O Irvin vai…
- Se ele tiver um pingo de consciência que seja, vai alinhar na mentira e manter a Mikasa longe daqui durante algum tempo. – Falei. – Sei que em parte a culpa de tudo é dele e que se sente culpado por toda esta situação por isso, vai entender que estamos a tentar fazer a coisa certa.
- Esperemos que sim, Armin. – Disse Hanji, voltando a sua atenção para o capitão. – Temos que tirar o Eren daqui. Vocês precisam de desaparecer imediatamente. A Polícia Militar esteve ainda agora com o Irvin e querem levar o Eren para estudar o corpo dele. Não lhes interessa se chega lá vivo ou morto. Querem vê-lo por dentro e livrar-se dele de vez.
- E o Irvin concordou com aqueles filhos da puta?! – Perguntou e vi como a postura indiferente se esfumara em poucos segundos. Não podia culpá-lo, até porque começava a partilhar do mesmo ódio ao ver que a minha teoria confirmava-se. Eles queriam dissecar o meu melhor amigo. A sobrevivência dele não lhes interessava.
- Não era uma questão de concordar, a decisão está tomada e o Irvin não pode fazer mais do que obedecer a ordens. – Hanji afastou os lençóis das pernas de Eren que ainda apresentavam muitas marcas, mas nada que se assemelhasse à imagem que nunca sairia das nossas mentes. Aquela em que os ossos das suas pernas perfuravam a carne e estavam bem expostos.
A regeneração estava a atuar, mas num ritmo dolorosamente lento que estava a fazer com que o seu corpo muitas vezes quisesse desistir.
- Eren? – A voz de Hanji chamou a minha atenção e vi que ela acabara de tentar mexer na perna direita dele. Tanto eu como Levi tentámos pará-la porque só podíamos imaginar as dores em que estaria e seria pior se acordasse. Os ossos não pareciam completamente regenerados e por isso, o que se seguiu não nos devia ter surpreendido. Os olhos dele abriram-se ao mesmo tempo que a sua boca procurava deixar sair algum som para expressar a dor que devia ter sentido, mas nada se ouviu. Aliás, a seguir procurando a pulsação, mais uma vez o sinal era demasiado fraco o que forçou Hanji a ter que fazer mais uma massagem cardíaca. Quantas vezes já teriam feito aquilo? Já tínhamos perdido as contas.
- Está a respirar. – Disse Hanji aliviada e viu que apesar dos olhos de Eren permanecerem abertos, não havia qualquer sinal de que estivesse consciente. Os olhos estavam demasiado fixos e até apagados. Ela decidiu deixar as observações de lado ao ver como aquilo estava a afetar sobretudo Levi que se encontrava mais próximo e parecia estar a ter problemas em lidar com o que via.
Tendo isso em consideração, a mulher de óculos levou a mão até aos olhos de Eren com cuidado e acabou por fechar os olhos do rapaz.
"Não podia mentir ou sequer esconder como aquilo era horrível. Os olhos dele nem pareciam ter a mesma cor. Pior do que não haver a cor, era não haver qualquer sinal de vida neles. Os mesmos que aproveitava a cada instante para admirar em silêncio enquanto muitas vezes, sem se aperceber disso, ele conversava tranquilamente ao meu lado...", Levi fechou os próprios olhos perdido nessas lembranças e assim que regressou novamente à realidade, já só conseguia pensar numa coisa. Se o rapaz fosse realmente morrer, não seria ali. Se houvesse a oportunidade de sobreviver, então o capitão faria de tudo para que fosse possível. Tentaria até aos últimos instantes, mas não ali. Fugiria dali. Para longe… para bem longe, onde nunca os pudessem encontrar.
"Se mesmo longe daqui, não conseguires sobreviver… então, morrei contigo longe disto. Longe de todos aqueles que te querem tirar de mim".
- Desde que chegámos, tenho preparado tudo para vocês saírem daqui. – Anunciou Hanji. – E agora é o momento certo. Queria que ele tivesse mais tempo para recuperar, mas…não temos escolha. – Olhou para Armin. – Achas que consegues criar o ambiente ideal para uma fuga?
- Um ambiente de pânico deve ser suficiente. – Respondeu o rapaz de cabelos loiros decidido. Não havia volta a dar. Era um mal necessário. Teria que despedir-se do amigo. – Espero que encontres um lugar melhor que este, Eren…
Virou as costas e saiu rapidamente da enfermaria, tentando deixar as lágrimas para trás. Precisava ser convincente já que o falhanço colocaria não só a ele, mas também Levi e Hanji numa situação irremediável.
Quando os primeiros sons de alarme se espalharam à volta do castelo, o comandante Irvin que continuava a entreter Mikasa com uma conversa demasiado formal, soube que aquilo não era real. Porém, assim como resolveu inventar uma razão para ter a rapariga de cabelos negros no seu escritório, sabia que tinha que continuar a alinhar naquela mentira. Desconfiava que além de Armin, também Hanji e Levi deviam estar envolvidos em tudo aquilo.
"Aquele ar inocente atrás daqueles olhos azuis escondem alguém calculista. Não hesitou em brincar com os meus sentimentos de culpa, sabendo que acabaria por ajudá-los a salvar o Eren… mesmo assim, espero que ainda exista alguma esperança para ele. Espero que consigam desaparecer e que isso salve a vida dele", Irvin saiu do escritório acompanhado por Mikasa que queria ir ver o irmão, mas o comandante ordenou que se juntasse aos colegas para proteger a zona ao redor do castelo.
_*_Levi_* _
- Não vou poder levá-lo o caminho todo assim, mas espero que até chegar àquela fronteira, esteja um pouco melhor…
- Leva a carroça até onde puderes, se bem me lembro a zona onde te perdeste depois começa a ficar pantanosa e complicada. – Comentou Hanji, acabando de acomodar Eren e respetivos mantimentos perto dele.
- Sim, não tem um acesso muito fácil, mas ainda me recordo do caminho. – Antes de subir para cima do cavalo, segurei o braço da mulher ao meu lado. – Tens a certeza que preferes ficar?
Ela sorriu e inesperadamente aproximou-se do meu rosto, deixando um beijo de leve.
- O Armin vai precisar de alguém para mentir com ele e o Eren só vai precisar de ti. Boa sorte aos dois.
- Tch, como não vou voltar... – Puxei pelo seu colete para abaixá-la um pouco e perto da sua orelha, murmurei. – Obrigado Hanji…por tudo. Até um dia. – Beijei o seu rosto e subi rapidamente para cima do cavalo e ela acenou sorridente enquanto nos afastávamos para a direção oposta onde toda a confusão se concentrava.
_*_Hanji_* _
Peguei numa das espadas que guardava no meu 3DMG e cravei no meu ombro. Precisava de uma história. Precisava de algum drama pelo meio.
A agitação prolongou-se durante quase uma hora até perceberem que se tratava de um alarme fácil e pelas vozes que escutava, ninguém ainda tinha notado a ausência de Levi e Eren. Sorri enquanto acariciei mais uma vez o meu rosto, onde aquele meu amigo resmungão tinha deixado um beijo de agradecimento. Só queria que ele fosse feliz e para que isso fosse possível, o Eren teria que sobreviver.
- Hanji?
- Ah Armin, então? Continuam à procura dos titãs invisíveis?
- Acho que já estão a perceber que foi alarme falso, mas ainda estão a tomar algumas precauções. Está a sangrar?
- Sim… tentei impedir o Levi de fugir com o Eren… - Disse-lhe.
- Acha que vão acreditar que o capitão a atacou?
- Ele atacaria até a mãe se a tivesse, por que não me atacaria a mim? Lembra-te que quase todos os dias, ameaçava-me de morte. – Brinquei para relaxar um pouco a postura do rapaz ao meu lado que rasgava um pouco da sua camisa para tentar fazer um curativo improvisado no meu braço. – És demasiado atencioso, Armin.
- Hanji… tem alguma ideia do local para onde eles foram? Desculpe, mas está demasiado relaxada para quem viu alguém sair para fora das muralhas, onde sabemos que o perigo está por todas as partes.
Para tranquilizá-lo, contei-lhe que numa expedição há cerca de três anos atrás durante o regresso à noite, alguns soldados perderam-se do grupo. Levi procurou-os, mas já era demasiado tarde para os homens que acabaram por morrer nas mãos dos titãs.
Contudo, a busca de Levi levou-o para zonas não exploradas anteriormente, acabando ele mesmo por desorientar-se e perder-se durante um período de quase três semanas. Contra todas as probabilidades, encontrou um local seguro e sobreviveu, acabando por regressar.
Porém, sempre manteve em segredo o local que encontrou. Apenas tinha partilhado essa informação comigo, acrescentando que o sítio que encontrou embora de difícil acesso, não parecia ter qualquer rasto da passagem de titãs que pareciam evitar aquela zona. Nem ele ao certo sabia porque guardava segredo daquele lugar.
- Gosto de pensar que nada é por acaso e que o segredo foi mantido para este dia, mesmo que naquela altura, o Eren para ele não passasse de um desconhecido. Ah, pensar no destino não é uma coisa romântica?
Vi Armin forçar um sorriso e concordar.
- Não está a sentir-se tonta? Ainda está a sangrar.
- Não te preocupes. Estou bem, não podia estar melhor.
- Suponho que a esta altura, os dois já estejam longe deste lugar. – Era a voz do comandante Irvin. Voltei-me para ele com um ar dramático e disse:
- Tentei impedi-los, mas está a ver este ferimento? O Levi quis levar o Eren a qualquer custo, mesmo que ele não tivesse em condições de fugir.
Irvin suspirou.
- Brincar com os meus sentimentos de culpa, Arlet… - Pude ver pelo canto do olho quando o rapaz de cabelos loiros estremeceu ao meu lado. – E depois ainda tenho que ver essa atuação terrível, Hanji. Espero que sejas mais convincente quando a Polícia Militar aparecer e perceber que tanto o Eren como o Levi desapareceram.
- Até amanhã eu e o loirinho teremos uma peça de teatro completa. – Disse-lhe, abraçando o Armin que corava e tentava libertar-se do meu abraço que se calhar, estava a ser um pouco sufocante.
"Acho que vou sentir falta de abraçar o Eren. Era bem mais resistente aos meus carinhos. Bom, terei que deixar as saudades para segundo plano, precisava conspirar com o Armin e tudo parecia bem mais simples, ao ver que o Irvin não faria nada para nos impedir e provavelmente, até ajudaria a corroborar as nossas histórias", puxei o Armin em direção ao meu laboratório. Teríamos uma longa conversa antes que as notícias se espalhassem.
-X-
