CAPÍTULO VINTE: AMIZADES VERDADEIRAS
A lua ainda brilhava sobre Godric's Hollow quando Peter aparatou na entrada, bem no limite das magias de proteção. Ele sabia a senha, é claro, mas no seu estado atual, ele não pretendia acabar tudo tão rápido. De novo, forçou-se a inspirar fundo e começou a dirigir-se para a porta da frente dos Potter. Estava na hora.
Um disco prateado materializou-se diante dele com um aceno da varinha e a magia mensageira lançou-se à frente enquanto Peter avançava. Desimpedido pelas barreiras físicas, o disco passou veloz pela porta verde e adiante, agora fora de vista. Sentia-se melhor de certo modo agora que chegara a uma decisão. Mais de uma década de arrepedimento ainda o acompanhava a cada passo, mas aquilo se tornara suportável -- de certo modo, a idéia de poder ainda fazer diferença mudava as coisas. Aquilo não consertava os erros, é claro, mas pelo menos era um começo. Esticou a mão para a porta, erguendo a mão direita para bater quando James apareceu.
Sonolento e apertando os olhos, seu velho amigo fitou-o surpreso. "Peter?" ele perguntou sem necessidade, empurrando os óculos no nariz. "O que está fazendo aqui, cara?"
Peter sentiu as mãos tremerem. Agora não, ele ordenou-as com raiva. "Preciso conversar com você, James."
"A essa hora?"
O trabalhor James Potter estivera claramente dormindo, o que era evidente pelo fato de estar vestindo nada além de calças comuns gastas. Seu cabelo preto também estava de pé, mas aquilo não era muito diferente de quando ele estava acordado, então Peter não prestou atenção. Nem, ele suspeitava, James se importava a mínima com sua aparência -- apesar de Lily, que descia a escada, parecer um pouco mais decente do que o marido, tendo claramente pausado para pôr um robe enquanto James se lançou para a escada.
"É." Pela primeira vez Peter percebeu que era mais de uma da manhã. "É importante."
"Bom, então entre, Rabicho," James sorriu, agora totalmente acordado devido ao tom preocupado na voz de Peter. Anos atrás, James nunca seria aquele que notaria essas coisas, mas o tempo mudara a todos.
Peter entrou em Godric's Hollow e permitiu a James levá-lo até a sala de estar pelo que devia ser a milionésima vez, mas ele sentia um arrepio incomum correndo pela espinha. Era isso. Isso era o começo da verdade ou o fim de tudo que ele adorara a sua vida inteira... mas tinha que ser feito. Não importava o resultado, valeria a pena e ele devia isso aos amigos. Devia isso aos Marotos, mas principalmente, àquele que sofrera por dez anos e agora poderia ter uma chance de viver. E eu estava tão perto e nunca percebi... Ele fez uma careta e James devia ter notado, porque perguntou:
"O que é, Peter?"
Ele suspirou e aceitou a cadeira que lhe foi oferecida. "Prometa que vai escutar, James, antes de dizer qualquer coisa."
"É claro que vou escutar--"
"Só me prometa, por favor." Nunca imaginara que isso seria tão difícil, mas agora James franzia o cenho e Lily o observava com o olhar preocupado. Por Sirius, ele se lembrou. Devo isso a Sirius... Deus, devo isso a todos eles. Devo tanto a eles e traí a confiança deles...
"Prometo." Tão nobre e confiante, James Potter. Ansioso em prometer mesmo sem compreender o por quê. Sempre fora assim e doze anos como Auror não o tornara nem mesmo cínico o suficiente para mudar isso. Peter sempre admirara isso, mas agora o magoava.
Não conseguia nem pensar nas palavras para dizer, então, depois de um momento de hesitação, ele só afastou a manga das vestes, revelando a Marca Negra.
James e Lily prendendo a respiração depressa foi o único som no aposento, mas ele sentiu a amizade morrendo ali. Lentamente, ele começou a falar: "Me tornei um Comensal da Morte em junho de 1980," Peter disse baixinho, incapaz de fitá-los e finalmente passando a olhar o chão. "Pareceu uma boa idéia na época... Tinha tanta certeza de que o Lord das Trevas ia vencer. Pensei que de algum modo..." Deus aquilo soava tão estúpido. Tão idiota. "Que de algum modo eu poderia proteger meus amigos desse jeito... Que quando o fim chegasse, estando ao lado dele, eu poderia salvar a vida de vocês."
"Não levou muito tempo pra perceber o quanto fui idiota, mas na hora não tinha jeito de sair. Não sabia o que fazer, ou pra onde ir, e tinha certeza de que se eu contasse a alguém do nosso lado, isso me poria em Azkaban ou pior ainda. Na maior parte eu era espião, dando a Você-Sa--- Voldemort -- informação e como eles achavam que eu era imbecil, nunca achavam que eu sabia muito. Banquei o idiota e assustado e só dei informação suficiente para ficar no círculo. A maioria dos Comensais da Morte nem mesmo sabe que eu sou porque eu era um espião. Só Malfoy e os Lestrange sabem a verdade."
Ele engoliu em seco. James ainda estava em silêncio. Ele piscou os olhos. Adultos não choravam.
"Não queria ser um Comensal da Morte," Peter sussurrou. "Mas quando Malfoy fez a oferta, dizendo que isso salvaria vocês --" Com um suspiro estremecedor, ele interrompeu-se. Não estava ali para implorar; ele estava além daquilo agora. O que quer que acontecesse era o que ele merecia. "Mas isso não importa. Não agora."
"E o que importa?" a voz de James soou vazia e magoada, como se viesse do além-túmulo.
"Sirius." a cabeça de Peter ergueu-se, e ele forçou-se a olhar James nos olhos.
"O quê--"
"Fui convocado para uma reunião hoje a noite e Vo-- Voldemort disse que ele estava em Azkaban e que ele fugiu. Ele está vivo, James, e em algum lugar-- todos os Comensais da Morte estão procurando por ele agora, porque ele quer Sirius a qualquer custo. Mas ele está vivo." As palavras sooram estranhas aos seus ouvidos, embora ele as tivesse escutado antes. "Ele está vivo."
"Vivo?" James assumira um tom branco pálido e fantasmagórico quando Peter falou e agora as palavras saíam num sussurro estrangulado. "Sirius?"
Ao seu lado, Lily apertou a mão do marido, mas quando ela olhou para Peter, as palavras eram frias. "Voldemort sabe que ele é animago, não é?"
Peter balançou a cabeça. "Nunca contei a ele," ele sussurrou. "James..." Ele esperou que o amigo erguesse os olhos antes de continuar. "Entendo se me odiar, mas pelo menos, entenda isso:
"Nunca quis trair meus amigos. Fui muito covarde para corrigir meu erro, mas se tem uma coisa que nunca fiz, foi trair você... ou Remus, e até mesmo Sirius, mesmo quando eu achava que ele estava morto. Falei a verdade quando jurei que éramos irmãos. Não fiz juz à sua confiança, mas nunca traí vocês. E não irei, não importa o que aconteça." Ele teve que desviar os olhos quando James o estudou com um olhar profundo e sem expressão. "Gostaria que não tivesse precisado de algo assim para que eu percebesse que não posso continuar com isso... mas pelo menos espero poder ajudar Sirius antes que seja tarde demais. Não importa o que aconteça comigo, ele merece mais do que isso."
Um longo momento de silêncio reinou. Finalmente, Lily sussurrou, "Muitas coisas fazem sentido agora..."
Foi difícil segurar as lágrimas agora. Ele fitou o chão novamente.
"Peter." a voz de James estava baixa. Ele engoliu em seco, mas não conseguiu falar. De repente, era difícil demais. Como dizer sinto muito por uma quebra de confiança tão horrível? Não havia palavras e ele sabia que acabara. Ele balançou a cabeça, lutando para controlar as emoções.
"Eu--"
"Rabicho." De repente, James estava de frente a ele, segurando seu ombro e Peter ergueu os olhos, hipnotizado pelo que ouvira na voz do outro bruxo. "Acredito em você," James disse baixinho. "E confio em você, se diz que deu um basta."
"Eu dei," ele sussurrou numa voz trêmula. Ah, sim, acabara. Não importava o que acontecesse, disso, ele tinha certeza.
"Sei que nunca nos trairia," James sussurrou. "Ainda é meu amigo, Peter, não importa o que aconteça. E ficarei ao seu lado, irmão, até o fim."
Peter fitou-o, mas permitiu a James pô-lo de pé e abraçá-lo. Depois de um instante, ele devolveu o abraço. Finalmente, permitiu que as lágrimas corressem livremente. James podia não ter compreendido totalmente -- mas o perdoara. Não o odiava... embora Peter ainda não conseguir entender como não se odiar.
"Não sei como agradecê-lo--" ele começou a sussurrar depois de um instante, mas James afastou-o.
"Só me ajude a achar Sirius," ele disse baixinho. De novo, ele apertou o ombro de Peter. "Sei que Remus concordará. Vamos achar Sirius."
Escuridão e dor.
Tudo o mais era um borrão agora. Era difícil diferenciar entre o resto. Dias, talvez, tinham se passado desde que ele fora descoberto -- ou talvez foram semanas. Meses? Ele não achava, mas Bill não estava pensando muito claramente no momento. Ou com freqüência. Ele vagava na dor agora, estremecendo quando os Dementadores se aproximavam dele e reagindo com um terror instintivo quando entravam na sua cela. Uma parte da sua mente lutava contra o medo irracional, mas agora não parecia ter razão para isso. Quando eles vinham para pegá-lo, o levavam para tortura. Quantas vezes ele agüentara, Bill não sabia mais. Contar requeria muito esforço para que ele se incomodasse.
Ainda assim um canto da sua alma resistia, enterrado lá no fundo, onde os Lestrange não podiam alcançar. Ele fora traído, ele sabia, mas como, Bill não conseguia imaginar. Algo dera errado. Não havia chances envolvidas. Voldemort soubera. Ele soubera onde procurar, soubera da missão de Bill e quando ela deveria começar.
Mas como, Bill ainda não compreendia. Ainda assim sua cabeça doía ao pensar nisso, então ele não mais o fazia. Ficava deitado enrolado como uma bola no fundo da cela desejando que os momentos entre o inferno e mais inferno se prolongassem indefinidamente. A parte da sua mente que ainda considerava-se inteligente perguntava-se por que ele ainda vivia -- não sabia o bastante para ser útil e ele percebia isso mesmo no seu estado atual. Por que queriam que ele vivesse? Por que ainda o torturavam? Queriam algo e por um tempo, achou que era só para arrastá-lo para a rotina de dor e impotência, mas agora Bill não tinha certeza. Talvez não houvesse propósito e ele só era um escape para a raiva maníaca dos Lestrange.
E eles estavam com raiva, furiosos com algo que não tinha nada a ver com ele. Poucas horas após a surpreendente descoberta da Chave de Portal e da varinha por Voldemort, Bill escutara vozes enraivecidas.
Frio surgiu e ele estremeceu incontrolavelmente, apertando os olhos contra as lembranças. Mas o Dementador não se aproximou e depois de vários longos momentos, ele tentou respirar fundo e acalmar-se. Não funcionava mais, mas a voz da sua sanidade ainda ecoava na cabeça.
Voldemort sabia.
Bill tentou pensar, tentou entender, mas sua mente com freqüência não era sua. Tudo era um borrão, exceto pelos momentos em que ele preferia não pensar. Mas ele estava deixando algo escapar.
Como?
Ele fora traído, de algum modo, por alguém -- mas por quem? Mesmo em seu estado deprimente, Bill sabia que pouquíssimos tinham ciência do Plano Azkaban em todos os detalhes. James com certeza sabia, como Dumbledore, mas quem esperaria que os dois maiores alvos de Voldemort o traíssem? Assim como a Ministra Figg. Então, se não fora um desses três, então quem? Talvez o círculo interno da Ordem da Fênix sabia, mas com certeza esses indivíduos não...
Frio. Dementadores aproximavam-se mais uma vez, e desta vez ele sabia sem dúvida que vinham atrás dele. Bill estremeceu e tentou concentrar-se -- mas seus pensamentos sumiram, carregando com eles sua sanidade e então, dor.
A Poção Sono-Sem-Sonhos de Poppy ajudara bastante, Remus diria, observando o rosto de Sirius enquanto ele dormia. Ele parecia tão pacífico agora, e se tirasse a aparência desolada e a marca roxa na bochecha esquerda, ele quase seria o Sirius dos velhos tempos. Ao sonhar acordado por um instante, Remus conseguia imaginar o sorriso alegre ou o modo inocente como Sirius sempre diria que não era culpa sua -- mas nem tanto. Era sempre tentador mergulhar no passado, mas agora, o presente parecia muito mais brilhante pela primeira vez em anos.
"Você devia estar dormindo," Poppy disse baixinho ao seu lado.
Remus deu de ombros. "Depois."
"Tinha me esquecido quanto trabalho vocês quatro dão," a matrona respondeu, e a suavidade da voz dela o fez virar a cabeça. Poppy sorriu ligeiramente. "Nunca consegui tirá-los daqui quando você estava aqui."
"É para isso que são os amigos," Remus sussurrou. Irmãos. Não havia hora de dormir num momento como esse, ele sabia. Agora, sua cabeça girava rápido demais e sua coração estava endoidando -- ainda era difícil cair a ficha de que esse era mesmo Sirius e que ele estava vivo. Como sempre, o lobo dentro dele só tornava as coisas piores; ele queria uivar e dançar de alegria. Os Marotos sempre foram irmãos de matilha do lobo e os Marotos estavam juntos de novo. Pela primeira vez em uma década, não havia um elo faltando. Almofadinhas estava de volta.
A mão de Poppy pousou no seu ombro e o diretor sorriu quando ela apertou-o gentilmente. Uma parte dele, ele supunha, sempre seria o garoto de onze anos assustado que acontecia de ter um lobisomem preso dentro dele e que estava desesperado pelo conforto e compreensão que a matrona poderia dar. De todos os os funcionários, Poppy Pomfrey era provavelmente com quem ele menos falava, mas de certo modo, sempre seria mais próximo dela. Havia certas coisas que não precisavam ser ditas e ela entendia. Após um sorriso carinhoso, ela deixou Remus sozinho com o amigo, confiando que ele a chamaria se fosse preciso. Silêncio seguiu a sua partida, mas ele era confortável.
Remus olhou a hora e surpreendeu-se de ver que eram quase quatro. De manhã, ele chamaria James e Peter pela lareira presumindo, é claro, que tudo estivesse bem com Sirius. Mas Dumbledore partira há uma hora, completamente certo de que não havia (de algum modo) uma Maldição Imperius sobre Sirius, o que significava que ele não tinha motivo para temer ninguém e que as coisas finalmente poderia se acertar. Talvez ele estivesse se apoiando demais nas possibilidades, mas Remus sentia-se mais jovem, de súbito. Anos de idade e dor de repente pareciam mais fáceis de suportar, porque Sirius estava de volta. Ele lutara por anos ao lado de seus dois melhores amigos -- mas nunca esquecera que perdera o terceiro. Era bom estar errado.
Agora tudo que tinha a fazer era esperar que Sirius acordasse, aí poderiam compartilhar a novidade com os outros.
Eles passaram as primeiras horas da manhã traçando toda rota possível de Azkaban e perguntando-se onde Sirius poderia estar agora. Infelizmente, as possibilidades eram inúmeras... e de vez em quando, James descobria-se assombrando-se com o fato dele e Lily estarem ansiosamente trabalhando ao lado de um traidor confesso. O que realmente o surpreendera, porém, fora o fato dele não se importar. Talvez ele estivesse simplesmente obcecado com a idéia de Sirius estar vivo, mas também havia o fato de que era Peter. Rabicho era um Maroto -- e na verdade da confissão de Peter, ele escutara o sofrimento. Talvez ele devesse ter visto os sinais antes (e ele vira na verdade, se pensasse sobre isso), mas vira os motivos e entendera. A escolha de Peter não fora uma que ele teria feito... mas nos dias sombrios antes de Dumbledore assumir o Ministério, James poderia entender o medo que levaria um homem a Voldemort.
Ele só queria que Rabicho compreendesse que sempre havia uma saída e que seus amigos não o teriam odiado. Mas ele compreendia agora e isso era tudo que importava, James lembrou-se. Lançando-se sobre mapas, ele falara baixinho com Peter e lentamente, seu amigo começava a entender. A lembrar-se.
Tornarem-se adultos forçara a distância e o espaço entre os Marotos. Deixar Hogwarts mudara as coisas. Eles eram próximos, mas não estavam sempre por perto -- James estava constantemente no Ministério, e Remus em Hogwarts e ambos esqueciam-se o quanto Peter podia precisar deles. De certo modo, James dissera ao amigo baixinho, era tanto culpa deles quanto de Peter. E ele admirara a coragem de expôr-se, depois de tanto tempo.
Às seis da manhã, uma chamada no fogo interrompeu o trabalho deles. Lily a recebera porque nem James nem Peter queriam sair da mesa da cozinha, que tinham coberto totalmente com mapas e páginas e mais páginas de anotações -- mas a voz dela mudara quando ela chamara o nome de James.
"James! Venha aqui!"
"Já volto, Rabicho," James disse, dando um tapinha no ombro de Peter ao sair. Às vezes, não havia como discutir com Lily e julgando pelo tom dela, esse era um desses momentos.
Ele surpreendeu-se, contudo, ao ver o rosto de Remus dançando no fogo. "Aluado?"
"Sente-se, James." Os olhos azuis do outro Maroto estavam nublados de cansaço, mas estavam acesos por um fogo que ele ainda não compreendia. James sentou-se, perguntando-se sobre o que seria isso, sua própria mente cansada ainda funcionando lentamente, depois de estar acordado por quase toda noite -- Remus continuava. "Não vai acreditar nisso, amigo, mas Sirius está vivo."
Snape deve ter dito a ele. "Eu sei," ele respondeu baixinho. Não havia hora como essa para soltar a novidade. "Peter me contou."
"O quê?" Algo sombrio lampejou nos olhos de Remus. "Peter está aó?"
"É. Ele--"
"Ele é um Comensal da Morte." a voz de Aluado era dura, letal até.
"Eu sei," James disse suavemente, mas então franziu o cenho quando a ficha caiu. "Mas como você descobriu?"
"Sirius está aqui, James."
"O quê?" Ele sentiu o coração pular fora do peito e começar a saltar pelo chão, mas aquilo não importava. Sirius estava em Hogwarts -- ele estava a salvo! Como ele fizera todo o caminho até a escola era um mistério para James, mas não importava nem um pouco. Sirius estava em Hogwarts. Sirius estava a salvo. Sua mente rodopiava, mas mesmo então, ele não deixou de notar a exclamação suave de Lily, nem a inspiração repentina que vinha da porta. James virou-se para Peter apoiado na porta, aliviado.
"Ele sabe, não é?" Peter perguntou baixinho.
Remus olhou-o com cuidado, mas assentiu.
"Peter está conosco, Remus," James explicou gentilmente. "Ele veio aqui por conta própria, para me contar -- ele não sabia antes. E agora Voldemort pôs todos os Comensais da Morte caçando Sirius."
"Não é de se surpreender," o diretor de Hogwarts respondeu à última parte, mas seus olhos ainda estavam em Peter, que remexeu-se ligeiramente, mas o encarou. Finalmente, Remus assentiu. "Okay."
"Como ele está?" Lily perguntou por todos eles.
"Horrível," Remus disse. "Parece o inferno... mas Poppy diz que ele ficará bem e Dumbledore já esteve aqui. Ele está limpo, também."
A parte cínica do cérebro de James se perguntou como alguém conseguia escapar das garras de Voldemort sem estar sob uma ou dez Imperdoáveis -- mas o resto dele aceitou isso como verdade bem fácil. Com Sirius, ele aprendera há muito tempo, nada era impossível. Ainda assim, havia outros problemas possíveis, além das maldições óbvias e ferimentos físicos. Ele perguntou, "Mas como ele está?"
"Assombrado." Remus hesitou. "Escondendo bastante. Além disso, não sei de verdade. Ele não está aqui há muito tempo e estivemos tentando fazê-lo descansar. Teria dito a você mais cedo, mas Sirius não deixou --"
"O quê?"
Remus lhe lançou um olhar amargurado. "Ele tinha medo de estar sob a Maldição Imperius. Não acho que ia querer falar comigo também, mas apareci antes que ele pudesse objetar."
"Ah." Havia muito mais o que perguntar, mas James hesitou, tímido em um dos raros momentos da sua vida. E agora? Ele fez um bico e tentou encontrar palavras para o que queria dizer.
"Pontas, você vai vir para Hogwarts ou falar comigo o dia inteiro?" Aluado quis saber de repente; então, os olhos dele vagaram até Peter. "É melhor você vir também, Rabicho. Não sei o que ele vai dizer a você, mas deve estar aqui para isso."
"Certo," Peter respondeu baixinho enquanto James punha-se de pé num salto, agarrando a mão de Lily. Ela podia não ser um dos Marotos, mas aquele momento era dela também.
"Já já estaremos aí."
Título Original: Promisses Unbroken -
Chapter 20: True Friendships
Autora:
Robin
Tradução: Rebeka
