Capítulo 21

Eu me sento no carro tentando esquecer que minha cabeça está latejando, o estômago dando voltas e a boca com gosto de cabo de guarda-chuva. Meu dedo inchado também lateja. Tudo por minha própria culpa, é claro, mas ainda assim não tenho muito remorso e sinto pena de mim mesma.

Meia hora antes, seis troncudos oficiais de polícia cercou a Maple Tree Drive, e Edward e Emmett bateram gentilmente na porta antes de proferirem a terrível frase: "ABRAM, É A POLÍCIA."

Uma mulher sonolenta abriu a porta, Edward entrou na frente e Emmett fechou a porta, e essa foi a última coisa que eu vi. Depois de alguma comunicação apressada pelo rádio, os outros quatro oficiais posicionados em volta da casa entraram pela porta da frente. O que será que eles estavam fazendo lá? Bonequinhas de papel?

A valente equipe do hospital tinha conseguido tirar a garrafa do meu dedo aplicando compressas frias no meu pé durante mais de uma hora para que a inchação cedesse. Depois tiraram um raio X, mas graças a Deus não havia nada quebrado.

Edward Cullen, especialmente emburrado, voltou da casa de Tanya e me levou para um bar que abria vinte e quatro horas para eu comer umas torradas e tomar uma xícara de café. Tive a impressão que ia botar tudo para fora um pouco depois. Mas felizmente isso não aconteceu.

Então saímos madrugada afora para nos encontrar com os outros oficiais de polícia, um dos quais era Emmett, que olhou para meu rosto verde e para a cara zangada de Edward e achou melhor ficar de bico calado.

Finalmente Edward aparece na porta da casa, com ar desanimado, e meu coração afunda. Ele vem andando devagar e, sem dar uma palavra, senta no carro ao meu lado.

— O que aconteceu? — pergunto ansiosa. — Você encontrou alguma das antigüidades roubadas?

Ele balança a cabeça, e instintivamente ponho a mão no seu joelho.

— Oh, James, que pena!

Ele dá de ombros e diz:

— Não precisa ter pena, porque nós encontramos lá dentro um banco de dados no computador com os detalhes das três casas e a fatura de uma garagem alugada do outro lado da cidade. — Ele olha de lado para mim e dá um sorriso mais relaxado.

Solto um grito de alegria e me arrependo em seguida, pois a adrenalina entra no meu sistema nervoso já bem estressado.

— Então nós pegamos o Raposa? Finalmente conseguimos pegar o ladrão?

— Não é um ladrão, é uma ladra.

— Uma mulher? — pergunto incrédula, de queixo caído.

— Acho que o nosso sr. Makin tem passado as informações para ela e ela tem executado os roubos.

— Mas pensei que fosse um homem.

— Nós todos supúnhamos que fosse um homem.

— E ela fez tudo sozinha, sem mais ninguém?

Ele concorda.

— Parece que sim; teremos de esperar para interrogar a moça. O tio mora com ela, e você nem imagina o que...

— O quê?

— Ele conserta relógios nas horas vagas. Uma parte da casa é toda reservada para isso. Pela cara dele acho que não sabe nada sobre os assaltos, mas teremos de interrogá-lo também.

— E o sr. Makin nisso tudo?

— Mandei um policial buscá-lo.

Sorrio animada, mas quando nos olhamos o sorriso some do meu rosto. Mudo de posição no banco. Será um instante romântico ou é a química forte agindo sobre o meu corpo que está me deixando confusa? Nós nos olhamos intensamente por um instante, que parece durar horas.

A tensão da situação parece ter nos apanhado desprevenidos. Minha respiração se torna difícil e começo a arquejar de forma constrangedora. Edward continua com seus belos olhos verdes fixos em mim.

— Bella — ele diz com calma, sem tirar os olhos do meu rosto, — você... — Uma batida no vidro do carro nos faz pular de susto.

Emmett gesticula para Edward e, sem dar palavra, Edward sai do carro e os dois entram de novo na casa. O que ele ia dizer? Você o quê? Ele ia perguntar se eu danço tango? Se uso um anoraque? Se como manteiga de amendoim? (Não, não, sim.)

Enquanto espero, tento não pensar no que poderia ou não ter acontecido entre nós dois. Digo para mim mesma que estou cansada e provavelmente um pouco bêbada ainda. Digo que estou imaginando coisas que não existem.

Penso na mulher que eles irão interrogar daqui a pouco e admito que sinto um certo respeito por ela. Ela quase escapou com mercadorias preciosas valendo centenas de milhares de libras. Fico pensando no seu tio e espero que ele esteja bem. O meu problema é ter o coração mole demais.

Eu nunca poderia ser um oficial de polícia. Ficaria muito preocupada com as pessoas. Então me lembro da cara triste da sra. Stephens quando todos os seus objeta de estimação foram roubados, e da cabeça enfaixada do sr. Williams quando nós o visitamos no hospital. As pessoas não podem sair por aí fazendo esse tipo de coisa. Tiro meu bloco de noras e escrevo freneticamente o ocorrido nas últimas horas para o meu diário.

Quando todos os oficiais de polícia finalmente saem da casa, vêm segurando uma mulher, a mesma mulher que abriu a porta. Ela está vestida com um jeans velho e um blusão. Eles vêm escoltando também, com mais gentileza, um senhor idoso. Só a mulher está algemada. Um dos oficiais leva-os para um carro de polícia e fecha a porta. Os outros carregam umas coisas em sacos plásticos grandes, colocam os sacos na mala do carro e se dispersam.

Edward conversa com dois outros oficiais e depois vem andando para o nosso carro. Olho para o chão e continuo a escrever no meu bloco de notas. Ele entra, coloca o cinto de segurança e seguimos os a outros carros pela estrada.

— Você vai até a delegacia, ou prefere que eu te deixe em casa? — ele pergunta.

— Você vai fazer os interrogatórios?

— Vou, não podemos deter os dois por muito tempo antes de uma acusação formal, então precisamos fazer todos os interrogatórios hoje. Mas você não vai poder participar disso.

—Tudo bem. Eu vou para a delegacia, se for possível, para escrever o meu diário.

— OK.

O nome da mulher é Jane Stedman. Edward interroga Jane e seu tio durante horas, fazendo algumas interrupções para discutir a situação com o advogado, que foi tirado da cama no início da manhã.

Em uma dessas interrupções Edward volta ao escritório para tomar um café na máquina. Eu estou digitando no laptop a história de hoje. Olho para cima quando ele se aproxima e senta na cadeira ao lado.

— Como você está se sentindo? — ele pergunta.

— Muito bem!

Ele me olha desconfiado.

— Isso não é verdade, é?

— Não, estou me sentindo péssima.

— Como está seu pé?

Olho para o calçado feito de improviso no hospital com uma sandália de dedo velha. — Um pouco doído. E você, como está se sentindo?

— Um pouco cansado.

— Ah! — eu digo, baixando os olhos para o laptop. Não tenho nada a ver com isso, é claro. — Eles já foram acusados de alguma coisa?

— Ainda não.

Espero impaciente pelo desenvolvimento do caso. Meu prazo para a próxima edição do jornal está se esgotando, e embora eu não possa publicar detalhes específicos se eles forem acusados, gostaria de dizer aos meus leitores que foi feita uma prisão. Finalmente Edward volta ao escritório.

— O que aconteceu? —pergunto ansiosa.

— Ela confessou, colaborou completamente a fim de conseguir redução da pena. Foi acusada, mas o tio foi liberado. Mando por e-mail a versão agora completa do diário para o jornal. Consegui cumprir o prazo e me recosto na cadeira.

— Muito bem! Está satisfeito?

— Estou aliviado. Pelo menos o Chefe ficará feliz.

— O que vai acontecer agora?

— Ela vai nos levar ao esconderijo amanhã. Aparentemente a maior parte das coisas está lá.

— Então a sra. Stephens vai receber suas coisas de volta?

— Espero que sim.

— Ela fez tudo isso sozinha? Sem cúmplice algum?

— Fez todos os assaltos por conta própria. O sr. Makin lhe entregava as listagens do seguro por uma certa soma de dinheiro, inclusa detalhes das casas que ele havia avaliado, mas que não tinham sido seguradas pela sua empresa. Nós também interrogamos o sr. Makin, e ao que parece ele estava se aposentando no mês que vem e precisava de um pouco mais de dinheiro para o futuro. Os negócios não andavam bem recentemente e ele resolveu vender seu banco de dados. Mas talvez ele não seja acusado, pois, segundo o seu advogado, ele não tinha idéia de que as listagens eram utilizadas com essa finalidade.

— O que você acha?

— Acredito que ele sabia, mas não queria saber, se é que você me entende. — Eu faço que sim. — Ao que parece, a loja foi o último roubo que ela planejou. Eles iam colocar tudo dentro de um caminhão e sair da cidade. Ela disse para o tio que queria se mudar para Lincolnshire para ficar perto do irmão.

— Então, através do banco de dados, ela sabia como entrar nas casas e exatamente o que levar?

— O banco de dados continha detalhes do tipo de alarme e de todos os pontos fracos de cada casa. Por exemplo, quando Sr. Makin disse ao sr. Forquar-White para colocar uma tranca naquela janelinha nos fundos da casa, ele registrou isso no banco de dados. E ela usou a informação quando invadiu a casa.

— Eu me lembro que achei a janela um pouco pequena para deixar passar um homem.

— O banco de dados tinha uma lista completa com a descrição de todos os objetos que valiam mais de três mil libras, e especificava em que sala os objetos se encontravam.

— Mas como ela reconhecia esses objetos? Eu não saberia reconhecer uma

antigüidade mesmo que ela caísse na minha frente.

— E provavelmente cairia, considerando sua dificuldade de equilíbrio. Essa ladra foi criada no meio de antigüidades. Seu tio era dono de um antiquário antes de se aposentar. Um interesse que ele e o nosso sr. Makin tinham em comum. Na verdade, por ironia do destino o sr. Makin fazia o seguro da loja do tio dela. Foi assim que eles se conheceram.

— Puxa, deve ter sido ela então que deu a pancada na cabeça do pobre sr. Williams.

— Foi ela sim. E isso vai aumentar sua pena consideravelmente.

— Ela examinou tudo dentro da loja do sr. Rolfe entrando e saindo como se fosse uma cliente?

— Isso mesmo. Vamos chamar o sr. Rolfe para ver se ele consegue identificar a moça.

Eu me recosto na cadeira, digerindo todas essas informações. De repente me lembro de uma coisa.

— E aquela substância que Aro encontrou nas cenas do crime? O que era aquilo?

— Eu não tenho certeza, mas acho que pode ser um tipo de material de limpeza especial que o tio usa para limpar os relógios. Ela usava umas luvas velhas dele. Aro vai confirmar isso amanhã.

— O pêlo de gato que Aro encontrou deve ter caído da sua roupa. Então ela sempre levava um relógio para o tio? — Edward fez que sim. — E ele sabia das atividades dela?

— Acho que não. Ele pensava que ela tinha um emprego à noite.

Comemoramos os acontecimentos com Emmett, que insiste para nós todos irmos tomar um drinque na esquina da rua Rod com a Duck. Ao chegarmos lá Edward conta para Emmett a minha aventura no hospital, e eu me encolho em um canto, envergonhada. Tenho certeza de que Edward está exagerando e que não foi tão ruim como ele contou. Emmett rola de rir.

Pretextando cansaço (eu estou absolutamente exausta), volto para a delegacia para pegar minhas coisas e dar um alô para Rose. Ela está muito deprimida, mas parece contente pela prisão executada por Edward e pelo resto da equipe.

Depois de ser regiamente recebida por Jake, que está exultante de ter um fim tão emocionante nas duas últimas semanas do diário, vou para casa e, ao chegar lá, caio exausta no sofá. Alice vem da cozinha.

— O que aconteceu? Vocês pegaram o ladrão?

— A ladra.

— O quê?

— A ladra. Ela foi presa. O Raposa é uma mulher.

— Verdade? Meu Deus! Você não está feliz? Isso vai garantir o sucesso do seu diário. Você deve estar contentíssima.

— Estou — digo baixinho.

O que há de errado comigo? Alice está certa, eu devia estar pulando de alegria com a nossa vitória, mas estou me sentindo estranha e vazia. Vou para o meu quarto, me atiro na cama e, em vez de ficar acordada lembrando dos acontecimentos do dia, caio imediatamente no sono e durmo até o dia seguinte.

Acordo assustada e olho em pânico à minha volta. Meu coração acelerado vai voltando ao normal aos poucos, à medida que vou reconhecendo o meu ambiente. O problema é que meus ambientes mudam tão rápido ultimamente que meu pobre corpo não sabe onde vai acordar no dia seguinte. Eu me sento na cama devagar e olho as horas; ainda é cedo. Alguém me despiu com cuidado. Estou deitada debaixo do edredom, só de sutiã e calcinha.

Ponho a mão na cabeça, que continua doendo, e vou para a cozinha fazer um chá. Com uma gostosa xícara de Tetley na mão (chá de saquinho, não em folha) volto para o quarto e me sento na penteadeira para me examinar. Vejo uma estranha no espelho.

Vocês acham que seria muito rude de minha parte sugerir que essa estranha pegue todos os potes de loção hidratante do banheiro e ponha no rosto? Quando vou pegar um pote, vejo o bilhete e sorrio. É de Mike.

Vim à sua casa, como combinamos, mas encontrei você desmaiada. Não se preocupe, pelo que Alice disse você teve uma noite cheia. Mas vou cobrar a esfregada nas costas.

Beijo, M.

P.S. Linda calcinha.

Prometo a mim mesma que vou recompensar Mike por isso, e ponho um creme hidratante na minha pobre pele maltratada. A pele reage como se tivesse vivido no deserto de Gobi e suga todo o hidratante. Depois de tomar uma ducha visto uma calça de cintura baixa e descubro debaixo da cama a sandália adaptada para meu pé machucado. Que horror! Prefiro não saber onde a equipe desesperada do hospital encontrou aquilo, e fico imaginando se eu devia ter desinfetado essa coisa. Visto uma camisa pólo vermelha e prendo o cabelo para trás.

Sentindo-me bem melhor, junto minhas coisas, deixo um bilhete para

Alice e vou buscar Tristão. Vamos aos solavancos pela rua, enquanto tento tirar a sandália maluca que ficou presa debaixo de um dos pedais.

Encontro o sargento-Dave-não-tão-ranzinza-da-recepção no seu posto habitual. Ele olha para cima e sorri quando eu mostro minha identidade.

— Meus parabéns! Ouvi dizer que você e o seu detetive fizeram uma prisão hoje.

— Obrigada! — eu digo surpresa, e ele aperta o botão para abrir a porta de segurança.

Descubro que estou andando bem com o pé machucado. A inchação parece ter desaparecido, mas o pé ainda está bem feio. Ando normalmente até o segundo andar; quando estou ligando o laptop, Edward entra e recebe aplausos de todo o departamento, um hábito sempre observado quando um oficial de polícia faz uma prisão. Ele está com ar melhor que o de ontem.

— Bom-dia. Como você está se sentindo?

— Melhor. E você, dormiu um pouco?

— Dormi, fui direto para a cama e só acordei hoje.

— Quando vamos visitar o esconderijo?

— O advogado de Jane disse que chegaria às nove horas. Temos de esperar para irmos todos juntos.

Bebemos uma xícara de café enquanto esperamos, e ficamos conversando sobre os acontecimentos dos últimos dois dias. O telefone toca. É alguém avisando que o advogado de Jane chegou, e descemos para o estacionamento.

Edward leva nosso Vauxhall para a frente do prédio e eu telefono para Vince, pedindo que ele nos encontre no esconderijo no endereço que lhe forneço. Marcus, o policial de costume, aparece com Jane algemada e entra com ela em uma viatura. Outro policial e um cavalheiro, que suponho ser o advogado dela, entram também no carro.

Nosso pequeno comboio atravessa a cidade. À medida que Edward e eu vamos falando de amenidades, rindo de umas bobagens, sinto a tensão dos últimos dias desfazerem-se nele. Percebo que deve ter sido muito pressionado pelo Chefe para solucionar esse caso, e fico realmente feliz, não só por ele, mas também pelo diário.

Depois de uns vinte minutos seguindo pela área de Avonmouth em Bristol, que fica na direção do canal de Bristol, paramos em um ruela estreita com garagens dos dois lados. Como nunca precisei ir para aquelas bandas, fico surpresa de ver que estamos em uma região já bastante rural.

Pastagens verdes viçosas pontilhadas de pequenos povoados e casas solitárias surgem diante de nós do outro lado da ruela. Vamos sacolejando no carro até pararmos em frente a uma garagem específica.

Saímos todos do carro e nos reunimos ali.

— É aqui? — Edward pergunta a Jane. Ela faz que sim mal-humorada, e ele tira um enorme molho de chaves do bolso.

— Encontramos essas chaves na sua casa; você as reconhece? — Ela faz que sim de novo.

— Quer me dizer qual delas é a daqui? — Ela encolhe os ombros.

Edward dá um passo à frente e começa a experimentar as chaves um por uma no grande cadeado da porta. Estamos todos irrequietos. Um vento frio sopra na ruela, provavelmente vindo diretamente do canal de Bristol, e eu enfio o pescoço na gola da camisa pólo e sinto um arrepio.

— Por que não arrombamos logo o cadeado? — pergunto para Marcus, que está ao meu lado.

— Se aqui não for propriedade da pessoa acusada do crime, o departamento de polícia terá de pagar o conserto. Ela alugou a casa e nós estamos com verba baixa — ele diz baixinho. O advogado olha para nós. Depois de tentar todas as chaves, que devem ser umas cinqüenta, por uns bons dez minutos,

Edward vira-se para Jane com um ar impaciente que me é muito familiar. Tento transferir meu pensamento para Jane. "Diga para ele. Diga logo,

antes que ele perca as estribeiras."

— Janr, você devia estar cooperando conosco. Por favor, pode me dizer

qual é a chave certa? — Ela olha para o advogado que lhe faz um sinal de cabeça, e então ela se vira para Edward. — É esta — diz, apontando para o molho todo.

—Qual? Esta?

— Não. Esta — diz ela, gesticulando com a cabeça.

— Qual delas? — pergunta ele com voz cortante. Eu já presenciara o mau humor de Edward Cullen várias vezes e sabia exatamente como ele se comportava nessas ocasiões.

— Marcus, tire a algema dela — ele diz.

Marcus hesita por um segundo, dá um passo à frente e tira as algemas. Jane faz um movimento como se fosse olhar as chaves, mas, em ação contínua, passa pela brecha entre Marcus e seu infeliz advogado (que vai ter problema para explicar isso no tribunal).

Desce a ruela voando, na direção oposta em que viemos na direção dos campos e pastagens. Edward tem a reação mais rápida de todos os demais.

— Que merda! — diz, e sai correndo atrás dela. Marcus e os outros oficiais da polícia seguem-no, deixando-me junto com o advogado inapto para cobrir a retaguarda.

Ignoro a dor no meu pé quando corro pela ruela, pelo menos sem saia justa e sem salto alto. Quando chego ao final da rua percebo que a brisa fria deve estar mesmo vindo diretamente do canal de Bristol, pois as pastagens exuberantes diante de nós se vergam na direção do inconfundível brilho da água prateada.

Vejo o Fusca lilás de Vince sacolejando, vindo da direita. ChristJaneine deve ter passado por ele pintes de enveredar para a esquerda nos campos.

— Vamos! — eu grito para Vince. Justiça lhe seja feita, ele pula imediatamente para fora do carro, depois de apanhar uma câmera pequena que devia estar no banco do carona pronta para uma emergência como essa, e corre atrás dos outros. Nós todos chegamos à segunda cerca mais ou menos na mesma hora.

Vince e eu, aproveitando a experiência dos outros na primeira cerca, conseguimos ganhar uns valiosos segundos. Quando estou subindo pelo caminho noto que a segunda cerca é muito mais alta que a primeira. É alta demais para pularmos.

Edward deve ter pensado exatamente a mesma coisa que eu porque, ainda em plena corrida, dá um grande pulo diretamente em cima da cerca de arame farpado para derrubá-la. É a última coisa de que me lembro daquele dia.

Ouve-se um forte estalo no ar. Sons e sensações estranhas assaltam meu espírito e meu corpo. Uma dor aguda espalha-se pela minha cabeça e depois disso há só escuridão.


N/a: Só uma coisa a dizer: OMG!

Valew pelos reviews pessoal, infelizmente eu não vou poder responder agora.

Compenso na proxima ;D

Até

Maça ;*