Feliz natal leitoras! Vocês votaram e escolheram um extra de DMS. Aqui estamos! Muita luz, saúde, felicidade e renovação para todas vocês e suas famílias! Para acompanhar qualquer novidade, convido você a participar do meu grupo no facebook o By Mirela Paes ! Quer dar uma olhada no meu canal do youtube com a Jessica Guanabara? Procura por Dois dedos de bagunça!

XoXo Mirela Paes

Allison observou a sala se sentindo orgulhosa.

Era oficial. Já tinha três anos que tinham feito planos sobre morar nos Hamptons.

Mesmo não sendo tão distante assim de Nova York, a vida deles claramente teve um novo e mais do que merecido recomeço.

Tinha aprendido a apreciar o natal e esta tinha se tornado uma de suas datas comemorativas mais esperadas.

A casa parecia finalmente estar no lugar, exceto o quarto com todas as caixas e coisas que jamais imaginavam que teriam e seriam inúteis. Tinham um orçamento mais folgado que o normal no ultimo ano, mas ela sabia que agora teriam que se planejar com mais cautela.

Tyler voltaria para casa e veria que tudo estava em seu devido lugar.

Também veria uma grande arvore de natal na sala.

Tinha sido cautelosa e pedido ajuda para que os homens a colocasse no canto da sala.

Não estava pegando peso, não estava se esforçando mais que o normal.

Sempre tinha achado estranho saber que mulheres guardavam aqueles bastões em caixinhas, mas pensou em fazer o mesmo. Depois de devidamente higienizado, ela o colocou em uma caixinha mais bonita e perdera algum tempo para fazer um laço que ficasse apresentável.

Ele ficaria feliz?

Já tinham conversado sobre isso, tinham se mudado para uma casa um pouco maior, se sentiam mais leves.

Tyler já tinha trinta e dois anos.

Alguns de seus amigos já eram pais, outros desejavam ser.

A verdade é que Allison já sentia que tinha uma família.

Não tinha imaginado que gostaria de ser mãe, ao menos não tanto quanto naquele momento. Parecia muito oportuno até.

Vida nova, casa nova, emprego novo.

Tyler estava muito bem na sua posição de chefia e ela estava feliz demais em trabalhar na ONG. Apesar de ter iniciado como auxiliar no jurídico, agora ela tinha se tornado uma espécie de porta voz. Nenhuma garota se sentiria desamparada e ficaria sem um teto para dormir no que dependesse dela.

Muitas vezes ela pensou se não gostaria de advogar de fato, pegar alguns casos particulares, mas no final, ela se sentia tão feliz ajudando aquelas crianças, que receber por isso parecia simplesmente perfeito.

Ninguém imaginava que os Hamptons também seria um local que abrigaria tão boas ações. Existiam muitas pessoas boas no mundo e com toda certeza se sentia privilegiada por morar em uma cidade tão cheia dessas.

Ainda era estranho morar em uma cidade tão pequena que só parecia ter vida durante o verão. Apesar de todas as ruas e jardins das casas gritarem luxo e ostentação, não existia preço que pagasse o fato de se sentir parte de uma comunidade.

Agora era assim que ela se sentia.

Antes, só tinha se sentido assim quando frequentou o grupo de jovens da igreja de seus pais adotivos.

Era muito gostoso ir ao trabalho a pé ou de bicicleta.

Passar no café e sorrir para todos os funcionários e receber os sorrisos deles, além de seu favorito sempre estar pronto para viagem todas as manhãs.

A loja que costumava comprar roupas – das poucas que tinham um preço realmente acessível – sempre a recebia muito bem e quando recebia coisas novas, separava pelo que já conheciam de seu gosto e tamanho para que pudesse provar com calma.

A igreja era pequena e simpática e por mais que ela não fosse a pessoa mais religiosa do mundo, sempre que sentia vontade, ia a alguma missa. Quando tinha algum evento, sempre estava lá, engajada, angariando fundos, agasalhos...

Definitivamente aquele não era um local pobre. Jamais tinha visto um pedinte, jamais se sentia insegura de andar pelas ruas sozinha. Mas a Ong em que trabalhava tomava conta de dois abrigos. Um especializado em meninas e adolescentes e outro em jovens.

Tinha tentado não se apegar, mas foi impossível. E ela sabia da importância do seu trabalho e como o impacto era muito maior do que o trabalho realizado dentro da delegacia.

Especialmente quando começou a conviver com as garotas. Era impossível não se identificar.

Definitivamente não desejava nada daquilo que tinha passado para nenhuma delas. Para nenhum dos garotos também, mas ela sabia muito bem como o mudo era mais cruel com as mulheres.

Talvez, se Tyler não tivesse aparecido em sua vida as coisas não tivessem mudado.

Ou teriam?

Ele quem abriu seus olhos quando o assunto era família, carinho, companheirismo e ela era extremamente grata por isso.

Mal podia esperar que ele chegasse em casa.

Xx

Assim que parou o carro na frente de casa, Tyler sorriu.

Ainda não tinha certeza se seria um investimento comprar aquele novo espaço, mas se Allison dissesse que sim, embarcariam naquela loucura.

O dinheiro da venda de seu pequeno apartamento ainda intacto na conta do banco. Ambos estavam ganhando muito bem. Ao menos, muito bem para os padrões dele, que junto de sua família era modesto demais.

A casa era simples, se comparada como a maioria das casas próximas, mas era tudo, menos modesta ao seu ver.

A neve estava cobrindo toda a faixada, mas quando pensaram em se mudar para ela, já tinham visto o quão bonito era o seu gramado na frente, na lateral e no pequeno quintal da casa.

Por meses ela esteve disponível, o que era um tanto raro, então Allison tomou a iniciativa de fazer uma oferta.

Assim que o contrato com a antiga casa acabou, se organizaram para fazer a mudança.

Era assustador, mas ao mesmo tempo muito bom saber que tinham feito tantos amigos e que tanta gente tenha os ajudado até tarde da noite.

E aquela casa tinha as paredes no tom de azul que ela tanto gostava.

Era estranho ser um homem de perfil trabalhador tão engomadinho.

Sentia falta de usar seus jeans e camisas de flanela e por mais estranho que fosse, não conseguia imaginar estar onde estava sem ela ao seu lado.

A pequena mala e a pasta de projetos ficou no canto do corredor, junto com seu casaco, seu gorro e suas luvas.

Acendeu a luz e ficou um tanto irritado.

Ela com toda certeza tinha arrumado toda a casa. A sala estava impecável e tinha até uma arvore no canto.

Coisa que ele tinha prometido que iria ajudá-la a conseguir, mas sabia que ela tinha acabado fazendo sozinha com medo de ficar sem nenhuma.

Exatamente como tinha acontecido no ano anterior.

A cozinha estava impecável, igual a sala. O quarto no térreo tinha algumas caixas e malas, mas mesmo assim parecia extremamente organizado.

A casa estava limpa e aquecida.

O quarto do andar de cima estava com seu material do escritório e até um quadro estava pendurado no corredor.

O banheiro também estava todo organizado.

E ela?

Onde ela estava?

Quando abriu a porta do quarto, notou como o cômodo também estava impecável. O melhor, era notar que ela estava dormindo profundamente, o ipad jogado de lado.

"Ei." Avisou baixinho enquanto puxava o pequeno corpo para ficar próximo ao seu. "Baby, acorde."

Ela sorriu e o abraçou, se sentindo finalmente completa.

"Você está em casa." Beijou seu queixo. "Hmm que cheiro bom."

"Eu passei o dia inteiro trabalhando e depois peguei a estrada." Gargalhou sabendo que estava sujo. "Preciso mesmo é de um banho."

"Preparo o jantar enquanto você toma banho?" Adorou que ele estivesse a ajudando a se levantar. "O que quer comer?"

"Estamos em um dia farto?" Ela riu com ele.

"Estamos em um dia pré-feriado de natal. A geladeira e a dispensa estão perfeitamente cheias. Com minha folga e sua viagem tive que me preocupar em me ocupar, você sabe."

"Também senti muito sua falta."

"Eu sei." O abraçou. "Pareceu ter sido tanto tempo."

"Tanto tempo que você já arrumou a casa toda." Resmungou fazendo com que ela gargalhasse mais alto.

"Tive alguma ajuda. Além do mais, você não pode mais brigar comigo por causa da bagunça, não é mesmo?"

Ela realmente tinha melhorado bastante. Estava realmente se esforçando cada dia mais. Assim como ele.

"Certamente estamos nos tornando adultos." Encostou sua testa contra a dela.

"Vou fazer alguma coisa para a gente jantar." Ele puxou para que ficasse próxima novamente.

"Não tem que fazer nada. Podemos sair ou até mesmo pedir uma pizza."

"Não. Eu preciso cozinhar." Beijou o pescoço dele. "Precisamos ser mais saudáveis."

"O seu dia foi tão tedioso assim?"

"Estou com saudades." O empurrou em direção da cama e logo se sentou em seu colo. "Muita saudade."

"Mas eu só passei dois dias em NY." Sorriu desajeitado e se apoiou para que não acabasse caindo.

"Dois dias é bastante coisa, convenhamos." Sentiu a ponta do nariz ser beijada. "E logo mais é natal, logo mais teremos a casa cheia de gente."

"Cheia de gente?" Ela sorriu com a leve inocência dele.

"Sim, pelo visto a casa vai ter mais gente que você imagina no futuro próximo."

A fome e o banho foram deixados de lado. Allison o guiou de forma que fizeram amor vagarosamente, pelo que pareceram horas e horas. Tinha algo de diferente nela, tinha percebido isso, só não tinha certeza do que.

O delivery já não era mais opção quando acordaram pela madrugada.

Juntos, foram para a cozinha e fizeram um rápido jantar. Torradas francesas geralmente eram consumidas no café, mas para Tyler não existia uma hora certa. E as de Allison eram as melhores. E quando ela colocava mel por cima, ficava perfeito.

Eles pegaram os pratos e se sentaram no sofá para observar a nova sala. Ainda precisava ser decorada para o natal, mesmo que em cima da hora, mas Allison disse que precisava fazer isso junto com ele.

Foi assim que ele finalmente notou o pequeno embrulho embaixo da arvore.

"O que é aquilo? Nem arrumamos as coisas e temos presentes para comprar."

"Aquilo é seu." Ela sorriu já emocionada. "Que tal descobrir o que é?"

Tyler largou seu prato de lado e pegou a caixa antes de voltar a se sentar. Mais parecia a caixa de uma caneta. Sorridente, bebeu mais um gole de sua cerveja enquanto observava ela fazer o mesmo com seu copo de leite.

Abrindo a embalagem, assim que viu o que tinha dentro dela ficou sem ar.

Não sabia descrever o que estava sentindo. Era o peso junto com uma alegria sem igual.

Positivo

"Positivo." Sussurrou mais para si do que para ela, que ainda não sabia o que fazer. "Positivo Allison, como isso..."

"Você sabe como isso..." Ela sorriu. "Não tem mais que um par de horas que fizemos isso."

Eles tinham conversado entre si e também com o novo terapeuta.

Estavam prontos, quando viesse, se esse fosse o destino deles, ficariam felizes.

"Mas você... o remédio..."

"Escroto, não é?" Ela riu. "Parece que meus hormônios resolveram ouvir. Não perdi um dia se quer, mas mesmo assim..."

Tyler a abraçou, sabendo que mesmo que o peso da responsabilidade não fosse tão simples de carregar, que a felicidade de tê-la ao seu lado, de formar uma família com ela... de saber que seria pai... pai.

"Nós vamos ter um filho." Sussurrou nervoso, mas claramente feliz. "Nós vamos ter um filho..."

"Sim." Adorou ser abraçada com tanta força. "Vamos ter uma família para valer agora."

"Você está pronta para isso?" Olhou nos olhos marejados dela.

"Com você? Nunca pensei que seria... capaz. Mas com você? Sim Tyler. Eu estou pronta. Eu quero. Nós merecemos."

Nós merecemos.

Ele também sabia disso e concordou sorrindo abertamente, com os olhos igualmente marejados.

Eles definitivamente estavam com os pés no chão. Finalmente tinham encontrado a paz que tanto desejavam e mereciam.

Mal conseguiam se beijar, por conta dos sorrisos enormes que estavam mantendo. A puxando para seu colo, a abraçou ainda mais apertado, agradecendo completamente pelo melhor presente que já recebera em sua vida.

Xx

O Natal tinha sido agridoce. Os Riley, Diana e Caroline optaram por ceiar com eles. A neve caia do lado de fora enquanto comiam o que Allison e Tyler tinham cozinhado e encomendado.

Ela estava feliz por ter seus pais por perto e que a sogra tivesse aceitado o convite. Uma pena que o sogro não tivesse optado por se juntar a eles, mas esta sim, não era uma surpresa.

Diane e o marido tinham uma enorme e maravilhosa casa não muito distante da deles e observou o espaço com menos desprezo que na ultima vez que os encontrou e conheceu a pequena casa no centro da cidade.

Acha incomodo que morassem ao lado de uma pâtisserie e um bistrô e questionava o tempo todo se não se sentiam incomodados com o cheiro das comidas ou o barulho das pessoas.

Sem parecia existir um defeito.

Sobre a casa nova, ela parecia mais contente. Era grande para eles, e apesar de Caroline tentar fazer com que a mãe se comportasse, o casal já sabia como desviar de seus comentários.

Lois rolava os olhos com Doug todas as vezes em que a mulher abria a boca. Ela não sabia ser grata? Por nada? Diante de seus olhos, só via um jovem e feliz casal, mais nada.

Tyler serviu vinho para todos, mas acompanhou Allison e a irmã bebendo chocolate quente.

"Queremos muito que abram seus presentes." Ela avisou.

"Ao mesmo tempo." Ele interrompeu. "Vão abrir quando eu disser 'já'"

"Até eu?" Caroline parecia um tanto confusa. "Ok, ok."

"1,2,3..." Allison contou.

"Já!" Tyler pediu.

Ambos observaram as mais diferentes reações enquanto as quatro pessoas rasgavam os pacotes. Beijando a bochecha dela, Tyler não pode se sentir mais feliz.

"Oh meu deus." Lois levou as mãos a boca e Doug gargalhou, tão emocionado quanto.

"Sensacional!" Caroline gritou indo abraçar os dois.

Enquanto três pessoas comemoravam com os dois, Diane, perplexa, deixou os blocos de madeira caírem no chão.

Tyler imaginava que a mãe estava chorando de emoção, mas assim que ela se levantou, pediu silenciosamente que não fizesse uma cena.

"Caroline." Chamou atenção da filha com o máximo de calma que pudesse ser possível. "Vamos embora."

"Mas mãe."

"Mãe..." Tyler suplicou.

"Eu não posso ficar aqui." Limpou o rosto. "Me desculpe, mas eu não posso ver isso acontecer. Não posso nem quero. Sei que é difícil ouvir isso, mas acredite que é ainda pior dizer."

"Diane." Allison se levantou nervosa. "Eu pensei que ao menos dessa vez..."

"Não." Bateu o pé. "Eu aguentei que estivessem juntos todos esses anos. Aguentei saber que conhecidos tinham sido seus clientes. Aguentei quando trocaram alianças, aguentei quando seguiram até o cartório que fica três ruas daqui e se casaram. Mas isso? Tyler, o seu futuro."

"O futuro dele é ao meu lado. E ao lado dessa criança."

Vendo como o filho abraçou a mulher que jamais tinha desejado que fosse sua nora, resolveu ir embora.

Sozinha, caminhou para o lado de fora, sentindo um frio sem igual. Esperava que Tyler fosse ao seu encontro, mas nem mesmo Caroline tinha saído com ela.

Aquela mulher realmente tinha o fisgado.

No fundo ela sabia que Allison era uma boa pessoa, mas o seu passado... ele não poderia ser esquecido assim, tão facilmente. Por mais que estivessem vivendo uma vida normal, as coisas não pareciam poder ser deixadas de lado daquela forma.

Em sua mente, Tyler ainda era o mesmo jovem bobo que tinha se envolvido com uma prostituta de baixo nível.

"Ei." Sentiu as mãos quentes dele em seu rosto. "Allison eu não me importo com a opinião dela." Ela sentiu alivio por todo o corpo. "Eu não me importo. E eu estou feliz, você me faz feliz. Você me deu o melhor presente de natal de todos. Você." Beijou o topo da cabeça da mulher que tinha escolhido para toda a sua vida. "Eu amo vocês. Eu quero vocês. Só vocês importam de verdade, estamos entendidos?"

Ela balançou a cabeça positivamente e se permitiu ser abraçada com força.

Xx

Apesar do drama na hora do almoço, o restante do dia tinha sido incrível.

Doug e Lois deixaram claro que estavam prontos para se mudar e morar mais proximo deles. Queriam estar ao lado da família e agora que seriam avós, não desejavam perder nada. A casa deles já tinha recebido uma boa oferta e agora era encontrar algum lugar naquela pequena cidade.

Allison não pode receber presente melhor.

Sentia muita falta deles e agora não via a hora de pedir para ficar um tanto só.

A casa estava como um belo retrato de revista, decorada para o natal. Tyler colocou a estrela no topo da arvore e ela se sentiu como nos filmes.

Vivendo uma vida perfeita, embora real e cheia de defeitos que a fariam crescer ainda mais.

Caroline não via a hora de ser tia e esperava poder ser madrinha da criança, mas não queria pedir abertamente. Ao menos, não ainda.

Na noite de ano novo, comemoraram no hotel em que Doug e Lois estavam hospedados. Caroline levou o novo namorado para apresentar ao irmão e a cunhada que mais desejavam que o ano passasse logo.

O verão seria a estação mais esperada por todos, uma vez que Allison já estava gravida de dois meses.

Todos compareceram a primeira consulta pré natal e se emocionaram com o som do coração do bebe batendo forte e saudável.

Cada mês que passava, a barriga ia aparecendo. Allison se sentia enorme, mas Tyler só conseguia ver o quão maravilhosa era a sua mulher.

No aniversário de casamento, em março, Lois fez um almoço especial para o casal, já em seu pequeno apartamento.

Dessa vez ela e Doug não optaram por uma casa, mas por um apartamento em um charmoso condomínio familiar em East Hampton. Era pequeno em comparação à casa que viviam, mas era suficiente para um novo começo dos dois. Tinha dois quartos, o que significava que o neto ou a neta teria um lugar para ficar sempre que quisesse.

Allison ia aprendendo a cada dia.

Gostava de ter sua mãe por perto e sempre agradecia pela sua mãe biológica tê-la colocado no mundo. Tê-la criado com o máximo de amor que pôde. Era obvio que tudo o que tinha passado quando mais nova ainda lhe geraria pesadelos, mesmo assim, ela estava feliz e sabia que tudo aquilo não tinha ocorrido a toa. Ela podia dialogar com jovens, entender e defender da maneira adequada aquelas que precisassem.

Para uma gravida, ela sabia muito bem defender com unhas e dentes aquelas que precisavam, como se fossem sua própria cria. A corte de Nova York já estava acostumada e Allison ficava feliz que não perdessem tempo quando precisava, não por estar grávida, mas por sempre estar certa.

Garotas como ela tinha sido precisavam de ainda mais proteção. O choque do carinho era muito pior que o choque da realidade. Ela sabia muito bem disso. Sabia muito bem como era ainda mais intenso saber que era querida do que que seria usada para sobreviver.

Xx

Tyler acordou com frio.

Já era primavera, mas ele sabia muito bem o que aquilo significava. Allison tinha saído da cama mais uma vez.

Era curioso saber que alguém estava ali. Crescendo dentro dela. Os preenchendo de forma que ele jamais imaginara. O sofá parecia ter se tornado mais agradável que a cama e ele não gostava nada disso. Olhando para a bagunça que fora feita no corredor soube que aquele pequeno quarto teria um dono ou uma dona muito em breve e nada tirava de sua mente que as paredes brancas deveriam ser pintadas por um leve tom de rosa. O projeto já estava definitivamente pronto em sua mente e ele claramente já podia visualizar a sua garota velando o sono de sua garotinha.

Allison discordava. Acreditava que era um garoto. Queria mais um cômodo azul, com nuvens imitando um céu de verão. Com direito a um sol ao redor da luminária.

Aquela criança seria abençoada não só por eles, por seus amigos e parentes ou pela igreja. Seria a prova concreta do amor deles dois.

"Allison..."

"Me desculpe." Ela sentiu o rosto pegar fogo. "Não quero incomodar você."

"Não vai." Esfregou seu rosto no dela, carinhosamente.

"Estou com fome." Sorriu. "Esquenta sopa para nós?"

Eram duas e meia da manhã, mas Tyler não pensou duas vezes indo em direção da cozinha.

Allison o observou escorada na porta da cozinha, usando seus óculos de descanso sabendo que só depois de muito ler é que cairia no sono novamente.

Sua barriga estava enorme, mas segundo seu medico ela estava abaixo do peso. Mesmo carregando uma enorme melancia, se sentindo enorme, descobrira que só tinha ganhado sete quilos, o que era um tanto incomum e extremamente saudável.

Mesmo assim, sentia como se tivesse engordado mais de vinte.

"No que está pensando?" Perguntou enquanto colocava da sopa em um bowl.

"Na sua mãe." Foi sincera. "Acordei com ele se movendo e observei a foto do dia em que assinamos aquele papel para comprovar que estávamos casados." Ela riu.

"Adoro aquela foto." Tyler comentou se lembrando que um de seus novos amigos tirou a foto com o celular. "Aquele vestido branco ficou muito bonito em você."

"Um vestido da Forever21. Sua mãe não poderia ficar mais feliz."

"Você estava feliz?"

"Absolutamente. Tanto quanto estou agora." Tomou um pouco da sopa. "Hmmm obrigada."

"É isso o que importa, sabe?"

"Eu sei que é difícil para você."

"Nunca imaginei que fosse ser fácil. E se ela gosta de complicar, não é problema nosso." Apertou a ponta do nariz dela, fazendo com que acabasse rindo. "É disso que precisamos. Sorrisos, não preocupações."

"Ok, vamos as preocupações reais." Bebeu mais um pouco da sopa. "O quarto dele."

"Dela."

"Dele."

"O ultrassom vai comprovar que estou certo."

"Ou errado." Apontou com a colher. "Ele."

"Ok. Vamos fazer um acordo então. Se for ele, você escolhe o nome. Se for ela, eu escolho o nome."

"Você sabe que essa coisa de Jr só funciona e muito mal com nomes masculinos, certo?" Teve que rir com o medo dela.

"Pode deixar." Se levantou. "Vou organizar a cama para você. Quer ler um pouco?"

"Precisamos disso." Comentou alisando a barriga.

Xx

O quarto foi pintado exatamente como ela tanto queria.

Serviria tanto para um menino quanto para uma menina no final. Tyler estava feliz com o projeto modesto. Era a cara deles.

No dia dois de julho, Allison se sentiu esquisita a manhã inteira.

Enquanto preparava um sanduiche de manteiga de amendoim, sentiu uma imensa vontade de ir ao banheiro, mas não soube exatamente o que tinha acontecido. Enquanto estava constrangida por não ter conseguido chegar ao banheiro, Lois sorriu avisando que aquela provavelmente tinha sido sua bolsa que tinha estourado.

Como não tinha previsto isso?

Não estava sentindo muita dor.

Tyler, nervoso, a ajudou a se limpar e após um ligeiro banho, seguiram para o hospital.

Allison estava tranquila e apesar de optar pela anestesia, não teve tempo para tomar a mesma. Doug sorriu com o nervosismo de Tyler e Lois apenas chamou a médica quando notou o que a filha estava fazendo, mesmo sem ter total consciência.

Caroline chegou ao hospital ao lado da mãe, que não teve coragem de entrar.

Sabia que estava errada, não apenas naquele momento, mas ao longo dos últimos anos. Não queria ser uma intrusa naquele momento feliz do filho.

Foram exatas seis horas entre entrar no hospital e finalmente dar a luz. Depois de tanto se esconder nos exames de ultrassom, ambos receberam aquele bebê cheios de amor.

Allsion não sabia descrever o que sentia, além de que poderia explodir de alegria e amor. Quando Tyler aconchegou a criança em seus braços e a médica a orientou para que pudesse fazer com que mamasse pela primeira vez, sentiu dor e alivio.

Estava tudo bem.

Todos estavam cansados e felizes com aquela nova etapa.

Caroline incentivou a mãe a entrar no quarto e se surpreendeu quando o pai apareceu também. Jamais imaginou que ele fosse comparecer. Não depois de tantos anos.

"Mãe? Pai?" Tyler ficou visivelmente ainda mais emocionado por tê-los ali.

Allison observou a cena e suspirou aliviada.

Finalmente.

Finalmente tudo parecia estar entrando nos eixos. Seus pais beijaram o topo de sua cabeça e ela sorriu para os sogros.

"Venham. Venham conhecer ele."

"Ele?" Perguntaram ao mesmo tempo e ela sorriu para Tyler, provando que sempre esteve certa.

"Sim. Venham conhecer o Michael."

Fim