Capítulo 21- Ana ponto de vista:
"Acho que não podemos ficar aqui por muito tempo. Adeus Gandalf! Eu não disse a você: se passar pelas portas de Moria, tome cuidado? Infelizmente, o que eu disse tinha fundamento.. Que esperança temos agora, sem você?" – Aragorn disse.
"Vamos ter de nos arranjar sem esperanças. Pelo menos, podemos ainda nos vingar. Vamos criar coragem e parar de chorar! Venham! Temos à frente uma longa estrada, e muito a fazer".- Continuou voltando-se para nós.
Olhamos ao redor, ao Norte o vale subia e entrava numa abertura escura entre dois grandes braços da montanha, sobre os quais três picos brancos (Celebdil, Fanuidhol, e Caradhras) brilhavam, as Montanhas de Moria. Descia uma torrente de água do alto da abertura, como uma renda branca sobre uma escada de pequenas cascatas, e uma névoa de espuma envolvia os pés das montanhas.
Fiquei calada por todo o tempo, estava péssima com o que aconteceu, passamos pelo Lago-espelho, eu não estava ligando pra nada que estava acontecendo ao meu redor, pois eu já sabia e precisava de um tempo calada, só eu e meus pensamentos.
Depois de um tempo paramos, porque Sam e Frodo não estavam conseguindo nos acompanhar, então Legolas percebeu e nos alertou. Aragorn cuidou dos ferimentos deles, foi tão bom sentir o aroma de arthelas, ervas de cura.
"Ana, você está bem? – Legolas perguntou.
" Estou, só preciso de um tempo com meus pensamentos".- Respondi.
Depois da nossa refeição, nos aprontamos para partir de novo. Apagamos a fogueira e seus vestígios, saindo do vale, retornamos à estrada. Já era noite, o vento frio oriundo do vale batia no nosso rosto. Mais a frente tinha uma enorme sombra cinzenta e nós ouvimos o farfalhar das folhas.
"Lothlórien! Lothlórien! Chegamos ao limiar da Floresta Dourada. Pena que estamos no inverno!" - Legolas gritou.
Eu me aproximei dele.
"Lothlórien! Alegro-me em escutar de novo o vento nas árvores. Estamos ainda a um pouco mais de cinco léguas dos Portões, mas não podemos ir além. Esperemos que aqui a virtude dos elfos nos proteja do perigo que nos persegue".- Disse Aragorn.
"Se é que os elfos realmente ainda moram aqui neste mundo em que as sombras aumentam".- Disse Gimli.
"Faz muito tempo que alguém de meu povo viajou até aqui, de volta a região de onde saímos eras atrás. Mas ouvimos falar que Lórien ainda não está abandonada, pois há um poder secreto aqui, que impede que o mal se aproxime do lugar. No entanto, seu povo é raramente visto, e talvez more no fundo da floresta, longe da fronteira Norte".- Falou Legolas.
"Realmente, eles moram nas profundezas da floresta. Devemos nos arranjar por esta noite. Vamos avançar um pouco mais, até que as árvores nos cubram totalmente, e depois vamos sair do caminho e procurar um lugar para descansarmos".- Aragorn disse.
"Você tem razão, meu amigo".- Eu disse.
Ele deu um passo à frente, todos seguimos, porém Boromir estava parado e não o seguiu.
"Não há outro caminho?" – Perguntou.
"Que outro caminho mais belo você poderia desejar?" – Aragorn respondeu com outra pergunta.
"Uma simples estrada, mesmo que passasse por uma cerca viva de espadas. Por estranhos caminhos esta comitiva foi guiada, e até agora para encontrar má sorte. Contra minha vontade, passamos sob as sombras de Moria, para nossa infelicidade. E agora você diz que devemos entrar na Floresta Dourada. Mas desta terra perigosa já ouvimos falar em Gondor, e diz-se que poucos que entram conseguem sair dela, e desses poucos nenhum escapa ileso".- Boromir disse, sendo bastante ignorante, por não saber das tradições sendo filho do Regente de Gondor.
"Não diga ileso, diga inalterado, e então talvez dirá a verdade. Mas a tradição está se extinguindo em Gondor, Boromir, se na cidade daqueles que já foram sábios se fala mal de Lothlórien. Creia no que quiser, não há outro caminho para nós- a não ser que voltássemos ao Portão de Moria, ou escalássemos as montanhas, onde não há caminhos, ou nadássemos sem proteção através do Grande Rio".- Aragorn falou.
"Então vá na frente! Mas é perigoso".- Boromir comentou.
"Realmente perigoso, um lugar belo e perigoso, mas apenas o mal precisa temê-lo, ou aqueles que trazem consigo alguma maldade. Sigam-me!" – Aragorn disse.
-Legolas ponto de vista:
Avançamos um pouco mais de uma milha na floresta, então encontramos um curso de água que corria veloz das ladeiras arborizadas que subia na direção das montanhas. Escutamos a água caindo numa cascata escondida nas sombras, à direita, um pouco mais adiante.
"Aquele é o Nimrodel! Sobre esse riacho os elfos da Floresta fizeram muitas canções antigamente, e ainda as cantamos no Norte, relembrando o arco-íris sobre as suas cascatas, e as flores douradas que flutuavam sobre sua espuma. Tudo agora está escuro, e a Ponte do Nimrodel está destruída. Vou molhar meus pés, pois diz-se que a água é curativa para os que estão cansados".- Disse indo na frente e colocando meus pés na água.
"Sigam-me! O riacho não é fundo. Vamos atravessá-lo andando! Podemos descansar na outra margem, e o som da água que cai poderá nos trazer sono e esquecimento de nossas dores".- Continuei.
Atravessamos e como estávamos cansados, nos sentamos para descansar e comer, contei muitas histórias sobre Lothlórien, sobre o sol e as estrelas, percebi os olhos de Ana brilhando de interesse, ela é muito bonita.
Então ficamos em silêncio, escutando a música da cascata, então ouvi a voz de Nimrodel.
"Estão ouvindo a voz de Nimrodel? Vou cantar-lhes uma canção da donzela Nimrodel, que tinha o mesmo nome do riacho perto do qual viveu há muito tempo. É uma canção bonita em nossa língua da floresta, mas em Westron fica assim, conforme alguns a cantam em Valfenda atualmente".- Falei, e depois comecei com uma voz bem suave, quase inaudível por causa do farfalhar das folhas.
Donzela élfica de outrora
Brilhava à luz do sol:
No manto branco de ouro orla,
Nos pés prata de escol.
Estrela presa sobre a testa
Luz no cabelo dela;
Qual sol dourado na floresta
De Lórien a bela.
Longas melenas, alva tez,
Linda era e descuidada;
Ao vento ia com rapidez
De folha desfolhada.
Junto às quedas de Nimrodel,
Na água clara e fria
Sua voz de prata lá do céu
Rebrilhando descia.
Não há ninguém que saiba agora
Se em sombra ou em luz está;
Perdeu-se Nimrodel outrora,
Nos montes vagará.
O barco élfico atracado,
Por monte protegido
Por muitos dias ficou ao lado
Do mar enfurecido.
Um vento Norte a noite corta
Com gritos e estertor,
E o barco élfico transporta
Por maré de vapor.
Manhã sombria de terra em sombra,
Montanha acinzentada,
Além de altas, arfantes ondas,
Plumas de espuma e nada.
Amroth contempla o litoral
Já longe do escarcéu
E amaldiçoa o barco o qual
Lá deixou Nimrodel.
Um elfo-rei outrora houvera
Senhor de vale e planta:
Abria em ouro a primavera
Em Lórien que encanta.
Do leme ao mar se foi num salto
Qual flecha desferida,
Nas águas fundas vem do alto,
Falcão em sua descida.
Fluía o vento em seu cabelo,
A espuma o envolveu;
Assim foi visto forte e belo
De cisne o nado seu.
Porém do Oeste não vieram
Palavras ou sinais;
Os elfos novas não tiveram
De Amroth nunca mais.
Não consigo mais cantar essa música, ela é muito triste.
A/N: Pessoal, deixa eu passar algumas informações básicas pra vocês entenderem minha fic: Essa história está ambientada na terceira era do sol, época relatada no Senhor dos Anéis, porém vou usar muitas coisas que aconteceram durante a primeira era do sol e no período anterior que consta no Silmarillion.
Eru, o verdadeiro, é o Deus que criou arda, seus servos de maior poder são os ainur, os sagrados, o qual se dividem nos valar e maiar. Os valar são mais poderosos e o mais poderoso deles era Melkor, o traidor, mestre de Sauron. Os maiar auxiliam os valar, e são extremamente poderosos, um pouco menos que os valar, os poderes do mundo.
Bom como meu colega Fëanor colocou a história de Ana se liga com a de Melkor, agora como isso acontece só vai ser revelado no espelho de Galadriel.
No próximo capítulo vocês vão saber o que Ana achou da voz do nosso príncipe élfico. Acho tão poética essa parte do livro.
Até mais.
