And Good Time
Alguns anos antes...
Pansy estava sentada em um muro baixo na entrada do colégio, esperando Blaise que conseguira pegar uma detenção. Ela não conseguia entender por que sempre o esperava, defendia e ajudava. Blaise não tomava jeito. Nunca!
Alguns minutos depois, viu Blaise sair apressado pela porta principal do colégio. Quando a viu, ele correu até Pansy.
"Descobri um meio de afastarmos Bletchley do Draco." Ele avisou, e Pansy se endireitou.
"Desembucha! Se Bletchley descobrir que o Draco está se envolvendo com drogas, possivelmente vai acabar contando para o paizinho idiota dele. Argh, odeio aquele homem." Reclamou Pansy.
"Odeia porque ele vive perseguindo e querendo acabar com os negócios do seu futuro sogro." Falou Blaise, num tom debochado e amargo.
"Cala a boca, Blaise. Estamos fazendo isso pelo Draco. Não precisamos que mais ninguém se meta na vida dele, não quando ele está passando por esses problemas que você causou." Pansy acusou, apertando o dedo indicador contra o peito de Blaise.
Ele a segurou pelo punho.
"Eu causei? Eu só ofereci um baseado. Por acaso você sabe que álcool vicia mais que maconha? Como eu ia adivinhar que ele iria atrás de coisas mais fortes?" Blaise sentia-se irritado e culpado por dentro, mas a verdade é que ele nunca conseguia evitar seu lado irresponsável de falar mais alto.
"Só porque você sabe administrar suas droguinhas, não quer dizer que os outros saibam." Rosnou Pansy de volta.
Ela suspirou em seguida.
"O que está feito está feito. Agora qual o plano?" Ela diminuiu a voz, e Blaise se aproximou mais.
"Bletchley é gay." Segredou o moreno.
Segunda feira foi um dia estranho. Estranho até chegar à faculdade, ao menos. Harry gostou de ver que, enquanto iam juntos para a Imperial College, ele e Draco conversavam como sempre, sem constrangimentos de qualquer parte. Era bom saber que amizade continuava, agora que estavam namorando.
Não que eles tivessem falado qualquer coisa sobre namoro, mas Harry gostava de pensar em Draco como namorado, em sua mente. Fazia seu coração acelerar, e um sorriso bobo aparecer involuntariamente. Ainda mais depois de receber aquele beijo – aquele, que te deixa com vontade de ir para o banco de trás do carro – ao entrar na Dodge.
Mas enquanto iam caminhando pelos corredores, em direção a primeira agradabilíssima aula do dia – bioquímica –,murmúrios chegavam a seus ouvidos e olhares de esguelha deixavam suas bochechas vermelhas.
Draco também percebera, e parecia tão confuso quanto Harry. Porém, quando o moreno viu Ron, caminhando até ele, a passos pesados, quase soltando fogo pelas narinas, ele entendeu.
De alguma forma, todo mundo já sabia das novidades, que deveriam ficar em segredo até... até que eles se formassem, no mínimo.
'Merda, nem eu sei direito se estou ficando com Draco.' Indignou-se Harry, parando quando Ron o alcançou.
"Harry," Ron respirou fundo e se aproximou mais do amigo, de modo que só este conseguisse ouvi-lo. "Diga que é mentira." Ele quase implorou.
"O que é mentira, Ron?" Harry se fez de louco. Talvez ainda houvesse uma chance.
"Espalharam, por toda Imperial College, que você e Malfoy... juntos." Ron se engasgou. A idéia lhe soava terrível, e Harry quase sentiu como se estivesse sendo acusado de assassinar crianças na hora do almoço.
"Ron..." Começou Harry, apaziguador. Malfoy olhava-os, empalidecendo, os murmúrios tornavam-se mais altos, e alunos se aproximavam, farejando um barraco. Ron Weasley estava no meio, afinal.
"Não!" Ron se agitou. "Puta merda, puta merda, é verdade!" Ele exclamou, e Harry bateu a mão contra e testa.
"Fala baixo." Pediu, nem um pouco feliz com os grandalhões que o olhavam ameaçadoramente, com sorrisos maliciosos. Por Hipócrates, que pessoal fofoqueiro.
"Desde quando? Quando você estava planejando contar para os seus amigos? Malfoy, Harry? Malfoy? É o Malfoy!" Ron agitou os braços.
"O que você está querendo dizer, Weasley? Que Harry poderia ter encontrado coisa melhor? O pobretão ruivo, por acaso?" Draco se meteu, empurrando Ron para longe de Harry.
"Não seja ridículo. Eu não sou gay." Falou Ron, em um tom enojado. "Ah, Harry, não é..." Ele tentou consertar, ao ver a expressão magoada de Harry.
"Já entendemos, Weasley. Vá expor os seus preconceitos em outro lugar." Draco olhou para os alunos envolta. "O que estão olhando, não tem mais o que fazer não? Caiam fora!" Ele quase gritou a última frase, e os alunos começaram a dispersar.
Vincent e Gregory, os dois grandalhões que viviam empurrando Milo contra armários quando o viam, se aproximaram e olharam com nojo para os dois.
"Nem tente sentar na mesa de sempre, Malfoy." Falou um deles.
"Você me dá nojo, bichinha." Completou o outro.
Draco tentou avançar para cima deles, mas Harry o segurou, observando também com raiva os dois se afastarem.
"Só vai conseguir uns dentes a menos e uma expulsão." Disse Harry. Draco se acalmou, e Ron olhou perdido para os dois.
"Pensei que tivesse dito para cair fora." Falou Draco, torcendo o lábio superior. Harry revirou os olhos. Por que ele saíra da cama hoje mesmo?
Ron abriu e fechou a boca, mas no fim apenas bufou, e se afastou, indo para a aula. Draco queria que ele fosse para o espaço, ainda tinha que dividir a mesma sala com aquele arbusto queimado.
"Será que alguém nos viu, na festa?" Perguntou Harry, mais para si mesmo. Draco deu de ombros.
"Que se dane. São apenas boatos, ainda podemos negar tudo, e com o tempo todo mundo esquece."
Eles foram para sala de aula e ainda tiveram que aguentar mais olhares maldosos, ou curiosos, e comentários sussurrados.
"É realmente algo muito espantoso e curioso o Sr. Potter e o Sr. Malfoy entrando na sala," Disse Snape, irônico, percebendo a agitação da turma. "Agora fiquem quietos." Ele sibilou, calando a todos.
Harry nunca pensou que algum dia seria grato a Severus-eu-odeio-meus-alunos-Snape.
Eles se sentaram ao fundo da classe, longe do olhares de todo.
"Pansy não veio à aula hoje." Comentou Draco, num tom acusador.
"Você não está achando que ela espalhou a fofoca e agora sumiu, por culpa, está?" Perguntou Harry, captando a idéia de Draco.
Draco demorou a responder e, depois de alguns minutos, suspirou e passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os.
"Não. Claro que não." Falou, arrependido, tentando prestar atenção novamente na aula, ignorando as rápidas olhadas que ele e Harry recebiam.
"Ela não faria isso." Garantiu Harry, apoiando a bochecha na mão. Era a primeira aula de bioquímica que ele e Ron não trocavam algum comentário maldoso sobre o amável professor Snape.
Na hora do almoço, Draco caminhou até sua mesa de sempre, indiferente aos olhares que recebia. Seus amigos o olharam meio chocados com sua atitude, quando ele sentiu displicente na cadeira. Se ele acatasse as ameaças de Gregory e Vincent, estaria confirmando os boatos – que eram muito verdadeiros, por sinal.
Vincent se levantou.
"Pensei que tínhamos falado para não se sentar mais aqui." Ele tentou soar ameaçador, mas Draco apenas fez uma cara de tédio, fitando o garoto com descaso.
"E o que você vai fazer, Vincent, me bater?" Debochou, erguendo uma sobrancelha. A segurança do loiro pareceu abalar a do grandão.
Gregory se levantou também, mas não falou nada.
'Dupla de imprestáveis.' Pensou Draco, cutucando um pedaço de bife.
"Vamos, caras, sentem-se. Aquelas coisas devem ser apenas boatos." Disse um dos sentados à mesa, Theodore Nott, companheiro de festas de Draco, Blaise e Pansy.
Vincent perdeu a pose, feliz e esperançoso ao ouvir aquilo. Gregory como sempre continuava com uma cara de quem apenas esperava uma ordem para socar alguém. Os dois sempre foram algo como guarda-costas de Draco, por vontade própria, por este ser popular e influente na faculdade. Fora o loiro, por exemplo, que descolara duas vagas no time de futebol americano da Imperial College. Draco nunca vira as duas portas como amigos, realmente, mas não os dispensava ou afastava, poderiam ser úteis, nunca se sabe.
"É verdade, Draco, são apenas boatos?" Perguntou Vincent, já convencido que era tudo uma grande invenção da mídia para vender jornal – o jornal da faculdade, ao menos.
"O que você acha, idiota?" Draco jogou a pergunta – em um tom sarcástico e seco – que convenceria os dois garotos, e todos na mesa.
"Ah," Soltou Vincent, voltando a se sentar, assim como Gregory. "Desculpe por aquilo, mas cedo." Completou, arrependido.
Draco revirou os olhos.
"Tanto faz. Vocês nunca pensam, antes de fazer merda." Retrucou e, quando ninguém estava olhando, piscou para Harry, em um aviso que estava tudo bem.
Harry viu Draco piscar, divertido, e suspirou aliviado. Aquela faculdade estava infestada de pessoas vindas de famílias tradicionais e preconceituosas. Não era interessante o relacionamento deles ser exposto daquela forma, ainda mais quando Lucius Malfoy estava intimamente ligado a instituição e ao St. Mary, hospital do qual era dono.
O clima na mesa de Harry não estava muito bom. Ron continuava carrancudo e silencioso, e Hermione tentava apaziguar o clima. Luna estava no mundo da lua, mas antes de começarem a comer, garantira que achava o novo casal uma coisa fofa. Harry não gostou nem um pouco de ser 'uma coisa fofa' junto com Draco, e nunca repetiria aquelas palavras ao namorado, que provavelmente mandaria Luna de uma vez para o satélite natural do planeta terra.
"Eu não gosto do Malfoy, ele me dá arrepios." Neville comentou, e tremeu involuntariamente, em seguida.
"É, ele também me dá arrepios," Harry sorriu malicioso. "Mas em outros sentidos." Complementou, olhando debochado para Ron, em implicância.
Ron ficou vermelho e fingiu que ia vomitar a comida, e Neville soltou uma exclamação constrangida.
"Sem detalhes sórdidos, por favor." Ironizou o ruivo, finalmente abrindo a boca para outro fim que não meter mais massa do que poderia mastigar de uma só vez.
"Detalhes sórdidos? Mas eu ainda nem contei o que fizemos no sábado de manhã e..."
"Não, meus ouvidos! Eles doooooem, não posso ouvir!" Exclamou Ron, tapando os dois ouvidos. Harry acabou rindo.
"Ok, Harry, por mais que eu não vá me meter nos seus relacionamentos – diferente do Ron eu vejo como você e Malfoy se dão bem, e como ele é... legal com você – nós definitivamente dispensamos os detalhes sobre suas noites e manhãs com ele." Argumentou Hermione, torcendo o nariz com a idéia de Harry e Draco acordando na mesma cama.
"Por que não? Parece interessante." Comentou Luna, com a voz distante, ajeitando os óculos que a deixavam com os olhos um tanto grandes demais.
"Ah, que amigos eu fui arranjar." Lamentou-se Ron. Ele respirou fundo. "Desculpe pela cena mais cedo, Harry."
"Tudo bem." Garantiu o moreno, aliviado.
"Isso não quer dizer que eu vá começar a tratar bem o Malfoy, ou ficar por perto quando ele estiver junto, ou..."
"Ok, Ron, já entendi. Pode acreditar, duvido que ele vá lhe dar algum tratamento especial daqui para frente, também, então, relaxa." Harry interrompeu o amigo, rindo-se da expressão de profundo desgosto dele.
"Ele só está sendo cabeça dura, como sempre. Daqui a pouco já estará enviando flores para Malfoy." Provocou Hermione, por mais que a idéia soasse tão absurda quanto ela tirando uma nota inferior a nove e meio. Nunca aconteceria.
Ron tocou um fio de massa na cara da namorada, que ficou dependurado no nariz dela. Hermione deixou o queixo cair, e olhou sem acreditar para Ron. O ruivo soltou uma risada, e se esquivou do tapa dolorido que certamente receberia até o final do dia.
Harry piscou de volta para Draco. Estava tudo bem por ali também.
Draco parou a Dodge em frente a uma confeitaria. O lugar era enorme, e também servia almoços e jantas. Era todo espelhado por dentro, dando a impressão a quem entrasse de que voltara ao século XVIII, e mesinhas redondas estavam espalhadas, até que se alcançasse a parte onde os bolos, doces e pães estavam em exposição.
"Por que viemos aqui?" Perguntou Draco, olhando em volta. O teto possuía uma abertura em eclipse, que permitia que se visse o andar superior, com mais mesas.
"Lembrei que preciso despachar uma encomenda." Explicou Harry, indo até o balcão.
"Seu pai trabalha aqui?" Só então Draco lembrou-se de que os pais de Harry possuíam uma empresa confeiteira, e vários estabelecimentos espalhados por Londres.
"Deve passar por aqui de vez em quando, ele e Lily trabalham mais com a parte administrativa agora." Explicou Harry. "Olá, Thomas. Será que você pode cuidar para mim que esse pedido seja entregue nesse endereço?"
Draco observou o moreno entregar um papelzinho para o atendente.
"Claro, Harry, sem problemas." Thomas deu uma olhada no papel. "Ah, os novos bolinhos de hortelã já estão fazendo sucesso!"
Harry soltou uma risada descontraída.
"E não é? Eu tenho jeito para os negócios também." Gabou-se, e logo ele e Draco estavam saindo do lugar.
"Jeito com os negócios?" Debochou Draco. "Que eu lembre a idéia nem foi sua."
Harry empurrou-o com o ombro.
"Quer, por favor, deixar eu ser feliz fingindo que entendo dessas coisas tanto quanto meus pais?" Pediu Harry, indignado, com um leve beiço. Foi a vez de Draco soltar uma risada.
"Você vai ser médico, Harry, não precisa entender dessas coisas." Draco pegou a mão de Harry e deu uma leve apertada, antes que chegassem ao carro.
Harry tentou não sorrir de uma forma muito estúpida antes de também entrar no carro.
Draco ligou para Pansy e descobriu que ela estava na casa de Blaise. Quando os dois chegaram lá, eles estavam discutindo, mas se calaram ao ver os amigos entrarem.
Pansy tinha rosto afogueado e a respiração alterada, e Blaise carregava o maior beiço do universo – emburrado era um eufemismo para a expressão de desgosto dele.
"O que está havendo aqui?" Perguntou Draco, erguendo uma sobrancelha.
Harry não queria admitir, mas estava com medo de Pansy, então se manteve estrategicamente atrás de Draco. Se ela atacasse, ele teria tempo de correr.
Pansy passou uma mão pelos cabelos, tentando se acalmar.
"Algumas pessoas continuam a agir estupidamente." Ela declarou, indo até a janela em busca de um pouco de ar. Blaise não falou nada, mantendo o clima carregado da sala.
"Por que não foi na aula hoje?" Perguntou Harry, tentando mudar para um assunto mais leve.
"Alguém... algo me deteve." Ela lançou um olhar acusador a Blaise, que sorriu debochado e malicioso, e ela bufou.
Draco e Harry se entreolharam.
"Alguém andou espalhando sobre mim e Harry pela faculdade." O loiro se jogou no sofá. Foi um comentário à toa, mas ele franziu a testa vendo os dois amigos congelarem, tensos. "Estranho você não ter ido à aula hoje, Pansy, bem quando a notícia vazou."
Draco não achava que Pansy espalhara a notícia, mas ele tinha esse pequeno problema em não confiar em ninguém, e a linguagem corporal dos dois amigos não estava ajudando-o a não expor suas dúvidas.
Pansy deixou o queixo cair.
"Draco, a Pansy que me incentiv..." Começou Harry, mas a garota o cortou.
"Você está me acusando, Draco? Acha que eu sai espalhando para todo mundo sobre os seus relacionamentos amorosos? Que estou dando uma de Gossip Girl versão britânica?" Ela exclamou, com raiva e mágoa.
Draco se levantou, mantendo a expressão séria e fria.
"Não sei, Pansy, diga-me você, por que eu não vou aceitar que meus amigos façam o mesmo que aqueles riquinhos preconceituosos e burros da faculdade."
Harry não queria, pois a situação era estava para brincadeiras, mas não conseguiu se impedir de achar sexy o modo grave e hostil do loiro.
'Controlem-se, hormônios.' Exigiu, e voltou a prestar atenção na discussão.
"Está bem," Pansy jogou as mãos para o alto, alterada. "Fui eu. Eu dei com a língua nos dentes. Era isso que você queria ouvir? Que a sua melhor amiga sai fofocando sobre a sua vida sem motivos? Ótimo, você já pode ir embora agora!" Ela gritou a última parte.
Harry arregalou os olhos, sem acreditar.
"Vamos, Harry." Chamou Draco, indo em direção a porta. Harry se levantou e lançou um olhar confuso à morena, mas ela desviou o rosto, então ele seguiu Draco.
"Por que você falou isso?" Perguntou Blaise, surpreso, levantando da poltrona e andando até a garota. Ela o fulminou com os olhos, como quem diz: 'mais um passo e eu corto o seu mais precioso bem.'
"Eu contei tudo para você, não é mesmo?" Ela soltou, venenosa, indo pegar sua bolsa. "E você fez o favor de espalhar para os seus amiguinhos. A culpada fui eu, por acreditar que você ainda poderia ser confiável! Por Deus, Blaise, nós não temos mais quinze anos para agirmos como dois idiotas, preconceituosos e ciumentos, que ficam armando pelas costas dos amigos!" Ela completou, irritada e cansada, já na porta.
"Eu não sentia ciúmes. Você sim, com a sua paixonite pelo Draco." Disse o negro, maldoso, tentando esconder seu próprio ciúmes.
Pansy balançou a cabeça em descrença e revirou os olhos.
"Quatro anos e você ainda age como o mesmo adolescente imaturo. Cresça, Blaise, e comece a enxergar o que sempre esteve debaixo do seu nariz." Ela completou, batendo a porta em seguida.
Blaise caiu no sofá.
"Eu estava bêbado, merda." Murmurou, colocando as mãos sobre o rosto. "Idiota, por que você sempre tem que fazer tudo errado?"
"Malfoy, eu não sei qual o seu problema hoje, mas espero que você o resolva antes que os campeonatos de primavera comecem." Reclamou Ritchie, o fim do treino.
Draco apoiou-se na borda da piscina e não falou nada, ainda mal-humorado. Não conseguira se concentrar o treino inteiro.
"Sr. Potter, dê um jeito no seu amigo." Completou Ritchie, antes de sair, assim como os outros três garotos do time, deixando apenas Harry e o loiro na piscina.
Eles costumavam ficar até mais tarde, nadando e conversando. E agora Harry tinha novas idéias do que fazer naquele espaço de tempo. Até mesmo Ritchie falara para ele dar um jeito em Draco! Quem era ele para desobedecer.
"Eu não acredito que Pansy fez mesmo isso." Draco voltou àquele tópico pela vigésima vez no dia. "Ela sempre foi... minha melhor amiga! Que tipo de melhor amigo faz uma coisa dessas?" Ele ia se perguntando, enquanto Harry ia se aproximando.
"Uhum." Concordou o moreno, colocando o loiro contra a borda da piscina e beijando-o no pescoço.
"Acho que eu esperaria mais essa atitude de Blaise do que dela. Não que eu não fosse ficar com raiva dele também e... Harry eu não estou no clima para isso agora e..." Mas Draco soltou um gemido involuntário e perdeu a linha de raciocínio quando Harry abaixou sua sunga e envolveu seu membro, ao mesmo tempo em que lhe mordia o lóbulo da orelha. "Ok, talvez eu esteja um pouquinho no clima." Ofegou e puxou Harry para um beijo.
Harry esmagou os lábios do loiro e aumentou o ritmo do estímulo. Acabou soltando um gemido dentro da boca do outro, quando a mão fria de Draco deslizou por seu abdômen, desceu a barra da sunga e começou um trabalho muito interessante nele também. Começaram a se movimentar um contra o outro, e Harry suspeitava de que as costas de Draco estariam roxas no dia seguinte, devido a força com que o empurrava contra ela.
Harry estava em um estado tão 'hormônios em fúria', 'velozes e furiosos' e coisas do gênero, que nem raciocinou direito quando se livrou totalmente da sunga do outro e prensou-o contra a parede da piscina sem chances de movimentação.
Draco entendeu o que Harry estava querendo e, por mais que a idéia fosse assustadora em um primeiro momento, ele sabia que, em um relacionamento, era necessário confiança e busca mútua por prazer. E ele também queria dar prazer a Harry, de todas as formas. Se ele estava se relacionando com um garoto, precisava experimentar todas as facetas dessa nova experiência, certo?
Certo. Mas isso não impedia que seu coração parasse de querer saltar pela boca, para nadar um pouquinho.
"Relaxa." Pediu Harry, segurando a cintura de Draco com uma mão e a nuca dele – os dedos embrenhados nos fios molhados e macios – com outra. Draco enlaçou a cintura do moreno com as pernas e deu seu sorriso torto mais matador, o qual conseguiu deixar Harry – se possível – ainda mais excitado.
"Eu estou relaxado." Draco voltou a beijar Harry, cheio de lascívia, agarrando a cintura dele. Harry afundou-se dentro do loiro, com cuidado. Draco mordeu o lábio inferior do moreno com força, soltando um gemidinho de dor.
O moreno voltou a estimulá-lo pela parte da frente, para desviá-lo da dor inicial, tentando decifrar se os gemidos que Draco soltava eram de dor ou prazer. Porque os dele, sem dúvidas, eram de um prazer intenso.
Passou a se movimentar devagar, até que o loiro relaxasse completamente e começasse a tentar se mover mais contra ele também.
Ok, agora, com certeza, as costas do loiro estariam muito roxas no dia seguinte. Draco pensava que ele poderia muito bem se acostumar com aquilo, por mais que ainda existisse certo incômodo, ele sabia muito bem que, com a prática, viria a perfeição.
Harry afundou o rosto no pescoço do loiro, aumentando ainda mais o ritmo, e Draco teve que se esforçar tentando achar algum ponto de apoio, mas estava tão ou mais desorientado do que Harry. Ele só conseguia sentir o corpo quente e forte do moreno contra e dentro do seu, e as mordidas eventuais que ele dava em seu ombro e pescoço.
Ele sentiu que chegava ao seu máximo, sendo estimulado por trás e pela frente, e um pouco depois, Harry também relaxou, respirando pesadamente contra sua pele.
"E pensar que ficávamos nadando e conversando antes." Comentou Harry, ainda colado contra Draco.
"É, sorte que ainda temos muitos treinos pela frente." Disse Draco, com a voz rouca e baixa. Harry riu, afastando-se.
"Muita sorte. Não espera!" Exclamou Harry, ao ver que Draco procurava por sua sunga. "Nós ainda não acabamos por aqui."
Draco ergueu uma sobrancelha e sorriu de lado, malicioso.
"Não?"
"Não." Harry foi até a borda e se apoiou nela. "O que você está esperando?"
Foi a vez de Draco prensar o moreno contra a borda. Retribuir os roxos. Nada mal.
"Estava só esperando você pedir." Disse, num tom provocante, descendo os lábios para a orelha do outro e passando a língua por ali. Harry se arrepiou com o toque.
"Por favor?"
