Creio que estou com um pouco de medo de concluir essa história; não por não conseguir (Eu até consigo), e sim porque não gosto nem um pouco de despedidas. É meio que como aquela frase de efeito "Seja grande ou pequeno, tudo que você faz tem consequências"... Apesar de não ser a primeira, ela foi muito importante em meu desenvolvimento como ficwriter. Mudaria algumas coisas, após finalmente terminá-la? É claro que sim. Mas não acho que seja justo com quem me acompanhou e incentivou durante todo esse tempo. Então, ela permanecerá assim, com todos os erros, com todos os detalhes que poderiam ser melhorados, e vamos ver no que isso vai dar :)

Beijos, e até o próximo capítulo!

Capítulo XXI — Ascendere — Se elevar

Convencê-los de que confundira as coisas não foi uma tarefa tão fácil quanto parecia. Jeff, em particular, não parecia nem um pouco disposto a deixá-lo sair. Porém, também não foi uma batalha tão árdua. Após algumas horas de falsos argumentos e fabulosas mentiras, as correntes de prata finalmente foram afrouxadas e ele se viu livre. Seus instintos mais primitivos ordenavam que deveria correr para Jensen, somente para ter a certeza de que tudo estava bem, mas precisou parar, esfregar os pulsos e agir naturalmente. Precisou forçar o riso pelas piadas de mau gosto, pelas gracinhas a respeito de ter soado genuinamente apaixonado quando estava ao lado de Ackles. E fingiu que não havia nada de errado — porque a vida de Jensen dependia disso —, enquanto concordava com cada afirmação absurda que escapava dos lábios dos homens ali presentes.

Pelo menos até o momento em que lhe deixaram a sós com Padalecki. Pelo menos até sentir-se ser abraçado, e ficar automaticamente tenso. Graças a Deus, o outro não pareceu notar.

– Achei que tivesse te perdido para o humano. – Jeff sussurrou; se não o conhecesse bem demais para tal, Collins diria que parecia realmente angustiado. – Eu teria de matar Jensen de qualquer forma, mas, mesmo assim...

Meio relutante, retribuiu o abraço, ainda que desejasse verdadeiramente poder escapar daquilo.

Nada vai ser forte o suficiente para nos afastar. – afirmou, e tinha na voz uma convicção que, naquele momento, lhe parecia oportuna. – Somos uma tribo. Somos irmãos.

Ainda que você seja um filho da puta que tentou matar meu namorado. Ainda que você seja doentio, possessivo e, às vezes, assustador. Ainda que esteja planejando acabar com todos os sonhos do seu irmão, para transformá-lo num monstro apenas por não querer se afastar daqueles que ama, pensando apenas em si mesmo. Nós somos família, Jeff, mesmo que eu esteja com medo do que você pode fazer.

Fechou os olhos com força. Era verdade, de certa forma. Mesmo depois de tudo aquilo, o que lhe restava de esperança ainda era forte o suficiente para que acreditasse na possibilidade de o mais velho ser... Salvo de toda aquela merda. Foi a primeira vez, em todos aqueles anos, que Misha se permitiu fazer um juramento, tendo a certeza de que não tentaria cumpri-lo.

– Eu prometo.

Porque aquelas duas palavras eram as únicas coisas que o impediam de voltar para os braços do homem que amava. E Collins iria repeti-las como um mantra, mataria quem fosse preciso, para estar novamente ao lado dele. Havia um lado seu que desejava ardentemente que aquilo fosse real. O outro, gritava desesperadamente que ele deveria estar fugindo dali para proteger o namorado, e não perdendo o tempo com o cara que destruiu sua vida.

Sentia-se perigosamente tentado a atender ao segundo.

[...]

– Jen. – Danneel chamou baixinho pelo amigo, afagando carinhosamente suas omoplatas, tentando lhe passar alguma segurança. – Tá tudo bem. Eles não vão te machucar. Nenhum deles. Não podem.

As palavras não pareciam surtir tanto efeito quanto a carícia, mas, ainda assim, a ruiva insistiu em manter o tom terno, sob o olhar atento de Jared, que parecia à beira de um ataque de nervos. Harris não sabia ao certo como lidar com aquela situação. Ficara tão aflita, criando possibilidades e mais possibilidades para ajudar o amigo a fugir daquele lugar, que acabou não pensando em absolutamente nada. No geral, ela até tinha alguns recursos para o caso de precisarem urgentemente de algo, mas sua atitude tola ao apenas adentrar na floresta à procura do rapaz... Bem, dizia muito sobre o tipo de pessoa que ela era.

– Jensen.

Padalecki, já perdendo a paciência, depositou uma mão no ombro do loiro. Ao contrário do que Danneel imaginava, não recuou, ou ignorou. Ele ergueu os olhos, num gesto estranhamente tímido, e encarou o mais alto. Suas mãos, outrora simplesmente caídas ao lado do corpo, buscaram as da amiga em busca de algum tipo de conforto, e a ruiva prontamente certificou-se de apertá-las entre as suas.

– O que aconteceu? – o moreno sentiu como se um tijolo estivesse se alojando em sua garganta. – O Jeff... Ele e o Mi...

Ackles estremeceu, abraçando Harris como se sua vida dependesse disso, e Jared fechou os olhos. Por um minuto, o que prevaleceu entre os jovens, foi o silêncio completo e a tensão que se esgueirava de um para outro e fazia parecer que o mundo estava sobre seus ombros. Então, Jensen engoliu em seco, respondendo num tom falho:

– Seu irmão... – e, ao fitá-lo, os olhos verdes demonstravam tamanho desespero e confusão, que o mais alto não podia sequer cogitar a possibilidade de o loiro estar mentindo. – É um deles.

X-x-x-x—x-x-x-X

– Você está brincando. – Thomas olhou para Christian, a incredulidade presente em suas feições.

Quando o rapaz começara seu relato, Welling realmente acreditava em cada palavra que dizia. Porém, de acordo com o avanço da história, cada vez mais cabeluda, o mais velho começara a acreditar que estava lidando com um estudante perturbado que começara a enlouquecer. Seus olhos azuis nos dele, julgando-o, exigiam a verdade. Mas — talvez fosse isso que o assustava — em momento algum, Kane dera sinais de que aquilo não passava de uma brincadeira sem graça.

– Não. – ele sacudiu a cabeça com veemência, e havia uma pontada de desespero em sua voz. – Tudo o que eu sei é que... Eles estão lá. Correndo perigo.

Tom passou as mãos pelo próprio cabelo, bagunçando os fios escuros, suspirando de maneira um tanto nervosa. Em todos os seus trinta e poucos anos, jamais precisara lidar com algo semelhante. Adolescentes histéricos e/ou perturbados? Bem, sim. Praticamente todo mundo tinha de lidar com eles, em algum momento. Mas situações como aquela, onde acreditar ou não podia decidir que rumo a vida de ao menos três deles tomaria? Era um pouco assustador.

Christian mordeu a parte interna da bochecha ao encará-lo diretamente, e era nítido o desconforto que sentia ao fazê-lo.

– E não estão sozinhos.

X-x-x-x—x-x-x-X

Misha sempre soube que não seria fácil, escapar das garras de Jeff. E, de certa forma, sempre teve a impressão de que isso poderia ser o que desencadearia a série de problemas que o levaria a decidir que fim teria. Porque fugir não era uma opção, e, até pouco tempo atrás, ele não conseguia conceber a ideia de precisar matar alguém para conseguir sua almejada liberdade.

Então, conheceu Chad. Os dias ao lado dele se tornaram assustadoramente fáceis de serem vividos, sem esforço algum por parte do Collins. Murray tornava tudo mais vívido, mais colorido. Estar com ele era como mergulhar no mais profundo oceano, e perceber que não havia apenas escuridão e morte. Era como se dar conta, finalmente, que mesmo o local mais sombrio podia se tornar a proteção, o lar. Que, mesmo em meio às trevas, podia existir vida.

Jeff Padalecki não o obrigara a se livrar do rapaz que o fez enxergar aquilo. Então, de certa forma, Misha era tão mentiroso quanto ele. Mas seu maior alento era ter a certeza de que, independentemente de todas as falhas, de todos os erros, Jensen o amava. Ele dissera, com todas as letras. Ele tivera a chance de ver o tipo de monstro que o moreno se tornava durante a lua cheia.

E mesmo assim o escolheu. Dentre tantos outros, melhores, Ackles deixara bem claro que era com Misha que iria ficar, pelo tempo de vida que lhes restasse. Collins jamais poderia explicar em palavras ou gestos o que aquilo havia significado. Jamais poderia dizer que não entendia o medo presente nos olhos verdes, daquele que insistia em amá-lo incondicionalmente.

Mas Jensen precisaria se elevar. Precisaria se tornar um deles, porque a noite era uma criança, e em breve os convidaria para brincar. Porém, enquanto se embrenhava na mata com o coração batendo desenfreado no peito — com o objetivo de encontrar o namorado, o melhor amigo, e, talvez, Lauren, para livrá-los de toda aquela merda —, Collins tentava não se preocupar com isso.

Apenas um pensamento coerente ocupava sua mente: encontraria um jeito de acabar com aquela maldição, nem que precisasse morrer para tal.

Mais tarde.

RESPOSTAS:

Medecris: E demorei mais 4 meses para chegar com o capítulo 21, olha o desastre! [risos]

Sim. O tempo todo, ele sabia. Pelo Jensen, Misha se mostrou disposto a enfrentar o que ele é, o que ele faz, e o que mais viesse. Pelo Chad, ele não foi tão, digamos assim, "forte". Se foi por falta de amor, por não saber o que fazer, ou apenas covardia, isso eu já não saberia dizer a você.

Espero não decepcioná-la com o rumo que tudo está tomando! ^^

Beijos, obrigado por ler e comentar.

Dels: Ah, eu sempre volto. Independentemente do tempo que demore. Dia 19/04 foi o aniversário de 1 ano da fanfic; tendo em vista que as demais histórias que eu escrevia, costumavam demorar muito mais tempo para serem concluídas, acredito que "ainda estou no lucro". [risos]

De qualquer forma, teremos, sim, um final feliz. Não florido, porque isso não faz muito o meu estilo, mas feliz.

Beijos, obrigado por ler e comentar.