Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot. Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.

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CAPÍTULO 21

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Escolhi a Kurenai Yuhi.

A Karin achou que eu deveria ter escolhido alguém mais famoso, tipo algum apresentador de telejornal em rede nacional. Mas eu gostava da Kurenai por causa daquela vez que eu caí no colo dela depois da entrevista coletiva no hospital.

E a Kurenai se revelou uma moça bem durona. Ela não aceitava desaforo de ninguém. Quando o Sr. Tobirama, secretário de imprensa do Palácio do Governo, disse que ela não podia, sob nenhuma circunstância, levar a equipe de filmagem ao gabinete dele para filmar o quadro da Lin Kato, ela respondeu que o Palácio do Governo não era residência particular. Pertencia ao povo do Japão e, na posição de cidadãos japoneses, ela e a equipe de filmagem tinham tanto direito de estar lá quanto ele.

A não ser, é claro, que ele tivesse algo a esconder.

Finalmente, o Sr. Tobirama cedeu e eu mostrei todos os quadros para a Kurenai, inclusive o da Misagi Tekken. Eu disse que o trabalho dele era legal e tal, mas que a minha escolha tinha sido o da Lin Kato.

—E é verdade, Sakura, que o primeiro-ministro disse que você teria que escolher outro quadro, algum que tivesse um ângulo menos político? —Karenai perguntou na frente das câmeras, igualzinho como tínhamos ensaiado um pouco antes, quando nos encontramos depois de eu ligar para a produção de programa dela.

Eu falei que tinha ensaiado a manhã toda:

—A verdade é que eu acho que o primeiro-ministro pode não estar ciente de que os adolescentes japoneses não estão só interessados em saber qual é o videoclipe no primeiro lugar das paradas. Nós temos preocupações. Queremos que nossa voz seja ouvida. A exposição de arte internacional Da Minha Janela, patrocinada pela ONU, é o fórum perfeito para que adolescentes do mundo inteiro possam expressar suas preocupações. Acredito que seria errado tentar abafar esta voz.

Ao que Kurenai respondeu, como disse que faria, em troca de eu ter dado ao programa dela os direitos mundiais e exclusivos da minha única entrevista:

—Quer dizer que o homem cuja vida você salvou de maneira tão heróica nem mesmo permite que você tome suas próprias decisões na posição de embaixadora teen do Japão na ONU?

Respondi, cheia de tato:

—Bom, talvez exitam preocupações nacionais das quais não estamos cientes, ou qualquer outra coisa do tipo.

Depois disso, a Kurenai fez um sinal de corte embaixo do queixo e mandou:

—Bom pessoal, foi isso. Vamos guardar todo o equipamento e ir para o hospital. — Que era para onde todos nós iríamos em seguida, porque meu gesso seria retirado naquele dia.

—Esperem um pouco — gritou o secretário de imprensa do Palácio do Governo, correndo para nos alcançar. —Esperem um pouco. Tenho certeza de que não há motivo para a senhora exibir esse último segmento. Tenho certeza de que podemos arranjar algo com o primeiro-ministro...

Mas a Kurenai não tinha se tornado uma das apresentadoras de telejornal mais audazes do país por causa dos arranjos. Ela fez o Kim e os outros câmeras guardarem o equipamento e já estávamos saindo de lá antes que se pudesse dizer: "Voltamos depois dos comerciais."

Em casa, depois de eu tirar o gesso, a Kurenai estava fazendo algumas cenas de "preenchimento" comigo e o Pakkun pulando na minha cama quando o telefone tocou e Chiyo apareceu, toda animada, e falou bem baixinho:

—Sakura. É o primeiro-ministro.

Todo mundo congelou. A Kurenai, que estava dividindo dicas de beleza com a Karin, que parecia totalmente alucinada com aquela coisa de ter uma apresentadora de TV em casa, já que era um trabalho que exigia boa aparência e você ainda podia expressar sua opinião a respeito das coisas; a Moegi, que estava tomando notas das dicas de um dos caras da iluminação sobre como se comportar igual a uma pessoa normal; os câmeras, que, na minha opinião, estavam demonstrando interesse excessivo no meu pôster da Gwen Stefani... Parecia que todo mundo prendeu a respiração quando eu desci da cama e peguei o telefone da mão da Chiyo.

—Alô?

—Sakura — o primeiro-ministro urrou. A voz simpática dele estava tão alta que eu precisei afastar o telefone do rosto. — Que história foi essa que eu ouvi, sobre eu não apoiar a sua escolha para a exposição de arte da ONU?

—Bom, senhor – respondi. — A verdade é que, na mina opinião, o melhor quadro que recebemos é o da Lin Kato, de Oto, mas, até onde pude entender, o senhor...

—Mas foi desse que eu gostei – interrompeu o primeiro-ministro. — Aquele dos lençóis.

—É mesmo, senhor? – respondi. — Porque o senhor disse que...

—Não se preocupe com isso agora – respondeu o primeiro-ministro. — Você gostou do quadro dos lençóis, mande empacotar e envie para Tóquio agora mesmo. E, da próxima vez que você tiver algum problema com uma coisa desse tipo, procure-me primeiro, antes de chamar a imprensa, certo?

Eu não mencionei o fato de que eu tinha tentado antes. Em vez disso, respondi:

—Sim, senhor. Farei isso, senhor.

—Muito bem. Até logo, então — concluiu o primeiro-ministro. E desligou.

E quando a minha entrevista exclusiva com a Kurenai Yuhi foi ao ar na noite seguinte (quarta-feira), toda a parte do quadro da Lin Kato foi cortada. Em vez disso, a emissora afiliada de Oto foi até a casa da Lin Kato e disse que ela era a vencedora. Descobri que a Lin era uma garota de cabelo escuro, mais ou menos da minha idade, que morava em uma casinha com mais seis irmãos.

Como eu, ela estava encalhada bem no meio de todos eles.

Eu sabia que devia ter alguma razão para eu ter gostado mais do quadro dela.

Só que, quando disseram à Lin que ela tinha vencido, ela começou a chorar. Daí, eles pediram e ela mostrou a vista da janela dela. Era igualzinho à do quadro, com a roupa lavada pendurada no varal e a cerca de arame farpado à distância. A Lin tinha mesmo pintado o que via, bem como eu pensei, e não só o que ela conhecia.

E agora ela e a família iam poder ir a Tóquio e ver o quadro exposto na ONU, junto com todos os outros ganhadores do mundo inteiro. E parecia que eu iria conhecê-la, porque o Sr. Tobirama disse que o Palácio do Governo mandaria a minha família inteira Tóquio, para a abertura da exposição.

Eu já tinha pedido para a minha mãe e o meu pai me levarem ao Museu Nacional enquanto estivéssemos lá, para eu ver os impressionistas, e eles disseram que sim.

Aposto que a Lin também vai querer ir.

Na noite em que a minha entrevista com a Kurenai foi ao ar, todo mundo ficou na sala assistindo, junto... eu, a Karin, a Moegi, o Pakkun, a minha mãe e o meu pai. Meus pais não sabiam direito o que tinha rolado, porque a maior parte da entrevista tinha acontecido depois da escola, quando a minha mãe estava no tribunal e o meu pai, no escritório. Eu precisei faltar à aula da Tsunade na terça por isso. Mas eu teria que faltar mesmo, porque a Chiyo ia ter que me levar para tirar o gesso, de qualquer jeito.

Portanto, a minha mãe e o meu pai ficaram meio surpresos quando mostraram as partes gravadas em casa (especialmente o segmento do meu quarto, que estava meio bagunçado na hora). Minha mãe grunhiu, com voz de terror, ao olhar para a tela da TV, como se estivesse petrificada:

—Ai, meu Deus, Sakura.

Mas eu expliquei que a Kurenai tinha pedido para eu deixar meu quarto do jeito que era, para ficar mais autêntico. A Kurenai adorava autenticidade. O objetivo dela ao fazer aquela reportagem era mostrar uma "heroína japonesa autêntica", coisa que eu era pelos seguintes motivos:

a) Eu tinha arriscado a minha vida, de maneira altruísta, para salvar a de outra pessoa.

b) Aquela outra pessoa por acaso era um dos líderes do mundo livre.

c) Eu sou japonesa.

O ponto de vista da Kurenai a respeito do assunto, felizmente, era compartilhado por outras pessoas. Por exemplo, o médico que serrou o meu gesso. Ele tomou bastante cuidado para não cortar nenhum dos desenhos que eu tinha feito nele. Antes de tirá-lo, ele avisou que, durante um tempo, meu braço ia parecer muito leve e esquisito, e ele estava certo. Assim que ele tirou o gesso, meu braço subiu uns dez centímetros, sozinho. A Chiyo, a Kurenai, todos os câmeras e eu rimos.

Outras pessoas que achavam que eu era uma heroína nacional autêntica eram as que trabalhavam no Museu de Konoha, para onde fomos assim que eu tirei o gesso. Eu resolvi que, em vez de vender meu gesso na internet, eu doaria para um museu, e o Museu de Konoha era o maior museu em que eu conseguia pensar. Por sorte, eles aceitaram. Fiquei preocupada de que eles achassem meio nojento eu doar para eles um gesso com desenhos patrióticos e da Saya Haruno.

Mas já que era, sabe como é, um tipo de relíquia que denotava um pedaço importante da história japonesa, disseram que ficariam contentes de tê-lo no acervo.

A reportagem que falava de mim terminava com um segmento que eu e a Kurenai havíamos discutido com muita atenção anteriormente. Uma das condições para eu deixar ela fazer a entrevista era que ela me fizesse uma pergunta específica. E era a respeito da minha vida amorosa.

—Então, Sakura — Kurenai inclinou-se para a frente na cadeira, com um sorrisinho no rosto. — Ouvi uns rumores...

A câmera me mostrou com cara de inocente, sentada no mesmo sofá em que estava acomodada naquele momento, assistindo à transmissão da entrevista.

—Rumores, Kurenai? — o meu eu da TV perguntou, com olhos bem arregalados.

—É, — respondeu ela — sobre você e uma certa pessoa...

E daí começaram a mostrar umas imagens do Sasuke (sabe como é, acenando dos degraus do avião do governamental, entrando e saindo do ateliê da Tsunade, usando terno no Festival Internacional da Criança). Daí a câmera voltou para a Kurenai e ela disparou:

—É verdade que você e o primeiro-filho estão juntos?

O eu da TV, ficando vermelho (ficando vermelho bem ali na televisão, apesar de saber qual era exatamente a pergunta que ela faria), mandou:

—Bom, Kurenai, vamos colocar assim. Eu gostaria que fosse verdade. Mas se ele sente ou não a mesma coisa, eu não faço ideia. Acho que eu estraguei tudo.

—Estragou? — a Kurenai parecia desorientada (apesar de ela também saber qual seria exatamente a minha resposta). — Como foi que você estragou tudo, Sakura?

—Eu só... – o eu da TV deu de ombros. — Eu não enxerguei uma coisa que estava bem na minha frente. E agora acho que é tarde demais. Espero que não... mas sinto que é, provavelmente.

Foi aí que o meu eu de verdade (o que estava assistindo à TV) puxou a almofada em que o Pakkun estava sentado, enfiou a cabeça ali e começou a gritar. Tipo assim, eu tinha que falar aquilo... não conseguia pensar em nenhum outro jeito de dizer aquilo de modo a reparar a cosia horrível que eu tinha feito... sabe como é, toda aquela história de gostar do Sasuke o tempo todo sem perceber até que já fosse tarde demais e tal.

Mas isso não queria dizer que eu não estava envergonhada. Nem que eu tinha a mais remota esperança de que fosse funcionar.

E era por isso que eu estava gritando.

Meu pai, que estava assistindo à TV com uma expressão meio atordoada, mandou:

—Espera um pouco. Que história foi essa? Sakura... você e o Sasuke brigaram?

Ao que Chiyo respondeu:

—Ah, ela estragou tudo mesmo. Mas, quem sabe, se ele assistir a isso aí, ele dá outra chance para ela. Tipo assim, não é todo dia que alguma garota vai a rede nacional para dizer ao mundo que quer ficar com você.

Até a Moegi olhou para mim com respeito renovado.

—Que coragem, Saky – exclamou ela. — Foi mais corajoso do que o que você fez outro dia na frente da confeitaria. Não que vá dar certo, claro.

—Ah, Moegi – pediu Karin, tirando todo o som da TV, já que a entrevista tinha acabado. — Cala a boca.

Não é muito frequente a Karin sair em minha defesa em batalhas familiares, de modo que eu ergui o olhar da almofada do sofá, totalmente surpresa. Foi aí que eu percebi o que estava me incomodando a respeito da Karin naqueles últimos dias. O que tinha me incomodado a respeito da Karin naqueles últimos dois, três dias.

—Ei – perguntei. — Cadê o Sasori?

—Ah – respondeu Karin com um dar de ombros displicente. — Nós terminamos.

Todo mundo na sala (e não só eu) ficou olhando para ela, boquiaberto de tanto espanto.

Meu pai foi o primeiro a se recuperar.

—Aleluia! — Que era um sentimento estranho partindo de um agnóstico, mas sei lá.

—Eu sabia — comentou Chiyo, sacudindo a cabeça. — Ele voltou para aquela namorada dele, não foi? Homens. Eles são uns... — e daí disse um monte de palavrões em espanhol.

—Ah, credo — murmurou Karin, revirando os olhos. — Dá um tempo. Ele não me traiu nem nada. Só que ele foi um grosso com a Sakura.

Achei que não era possível meu queixo cair ainda mais, mas foi o que aconteceu, não sei como.

—Eu? —a voz saiu esganiçada. — Do que é que você está falando?

A Karin parecia siderada.

—Ah, você sabe — explicou, soando impaciente. — Aquela história toda do quadro. Ele estava sendo muito idiota. Eu falei para ele... como é que foi mesmo, Moegi?

—Para nunca mais escurecer a sua porta? —Moegi arriscou.

—Foi — respondeu Karin. — Isso aí.

Daí a Karin, que tinha ficado trocando de canal o tempo todo enquanto falava, deu um gritinho:

—Aaah, olha. É oDavid Boreanaz! – E aumentou o volume.

Não dava para acreditar. Não dava para acreditar. A Karin e o Sasori, brigados? Por minha causa? Tipo assim, preciso reconhecer que eu fantasiava o acontecimento havia meses. Mas, nas minhas fantasias, a Karin e o Sasori sempre terminavam porque o Sasori finalmente caía na real e percebia que eu era a garota certa para ele. Nunca brigavam porque, por acaso, a Karin tinha visto o Sasori ser grosso comigo.

E com certeza eles nunca brigavam depois de eu perceber que não amava mais o Sasori... e talvez, para começo de conversa, eu nunca tivesse amado. Não da maneira como se deve amar alguém.

Não era assim que as coisas deveriam ser. Não era assim que as coisas deveriam ser. Não mesmo.

—Karin – comecei, inclinando o corpo para a frente. — Como é que você... tipo assim, depois de todo o tempo que vocês ficaram juntos, como é que você pode simplesmente dispensar o Sasori desse jeito? Tipo assim, e o baile de formatura? A sua formatura está chegando. Com quem é que você vai, se não for o Sasori?

—Bom – respondeu ela, com o olhar grudado no bíceps do David Boreanaz. — Eu já consegui chegar a uma lista de uns cinco caras. Mas acho que vou convidar meu parceiro de aula de química.

—O Shikamaru Nara? – deu um grito histérico. — Você vai ao baile de formatura com o Shikamaru Nara? Karin, ele é, tipo, o cara mais CDF da escola inteira!

A Karin parecia chateada, mas só porque meus berros estavam encobrindo o canto suave do Sr. Boreanaz.

—Dãh, cara – explicou. — Mas os CDFs estão super na moda agora. Tipo assim, você deveria saber. Foi você quem começou a tendência.

—Tendência? Que tendência? – questionei.

—Você sabe – tinha começado um intervalo, então a Karin tirou o som da TV de novo, largou-se no sofá e olhou para mim. — Essa história de sair com CDFs. Foi você quem começou, quando levou o Sasuke àquela festa. Agora todo mundo está fazendo igual. A Ino Yamanaka está saindo com o Rock Lee.

—O cara que ficou em primeiro lugar na feira de ciências? – gaguejei.

—Só. E a Tenten Mitsashi deu um pé no Kiba Inuzuka para ficar com algum CDF da Horizon.

—É mesmo? – irrompeu na conversa minha mãe, que ainda estava na sala, ouvindo tudo, cada vez mais irritada, até que não aguentou mais. — Veja só o que vocês estão dizendo, garotas! CDFs! Vocês não percebem que estão falando de pessoas? Pessoas com sentimentos

?
Assim como a minha mãe, eu também estava ficando cada vez mais irritada. Mas não pelo mesmo motivo.

—Espera aí – exclamei. — Espera só um pouquinho. Karin, você não pode terminar. Você ama o Sasori.

—Bom, é verdade – respondeu ela, simplesmente. — Mas você é minha irmã. Não posso sair com um cara que é grosso com a minha irmã. Tipo assim, que tipo de pessoa você acha que eu sou?

Só fiquei olhando para ela. Não dava mesmo para acreditar. A Karin (a minha irmã Karin, a garota mais bonita e mais fútil do ensino médio da Konoha High) tinha dado o pé no namorado, e não por ele a estar traindo, nem porque tinha se cansado dele. Tinha dado o fora nele por causa de mim, a irmãzinha rejeitada dela. Eu, Sakura Haruno. Não a Sakura Haruno que tinha salvado a vida do primeiro-ministro do Japão. Não a Sakura Haruno embaixadora teen na ONU. Não, a Sakura irmãzinha da Karin.

Foi aí que a culpa tomou conta de mim. Tipo assim, a Karin tinha feito um sacrifício enorme (tudo bem, talvez não fosse tão enorme assim para ela mas, mesmo assim, era um sacrifício) e que tipo de irmã eu tenho sido para ela? Hein? Tipo assim, durante muito e muito tempo, tudo o que eu fiz foi desejar (não, rezar) para que a Karin e o Sasori terminassem para que eu pudesse ficar com ele. Daí, a coisa finalmente acontece, e bem por minha causa...

Porque, de acordo com a Karin, ela me ama mais do que jamais poderia amar qualquer cara.

Eu era a pior irmã do mundo. A mais baixa das baixas. Era uma escória.

—Karin – fiz um esforço. — Fala sério. O Sasori só estava chateado aquele dia. Eu entendi total. Eu não acho mesmo que você deveria terminar com ele só por causa... só por causa de mim.

A Karin parecia entediada com aquela conversa. O programa dela tinha recomeçado.

—Sei lá – respondeu. — Vou pensar.

—Pensa mesmo, Karin – reforcei. — Acho que você deve pensar bem mesmo. Tipo assim, o Sasori é ótimo. Ele é um cara maravilhoso. Tipo assim, para você.

—Tudo bem – Karin pareceu irritada. — Eu falei que vou pensar. Agora, vê se fica quieta. Estou vendo o programa.

A minha mãe, um pouco estupefata por se dar conta do que estava acontecendo, resolveu interferir:

—Hum, Karin, se você quiser sair com esse outro garoto... seu parceiro de química... eu e seu pai achamos bom. Não é mesmo, Kizashi?

Meu pai apressou-se em garantir que achava.

—Na verdade – continuou ele — porque você não traz o rapaz aqui em casa amanhã, depois da escola? A Chiyo não vai se incomodar, não é mesmo, Chiyo?

Mas o estrago já estava feito. Eu sabia que a Karin e o Sasori estariam juntos de novo antes do almoço do dia seguinte.

E eu estava feliz. Feliz de verdade.

Porque eu não amava o Sasori. E, provavelmente, nunca tinha amado o Sasori. Não de verdade.

Claro que o único problema era que eu tinha bastante certeza de que a pessoa que eu de fato amava não se sentia da mesma maneira em relação a mim.

Mas eu tinha a sensação de que descobriria rapidinho, de um jeito ou de outro, na aula da Tsunade, no dia seguinte.

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E aí, gente, o que vocês acham? O Sasuke vai dar (mais) uma chance pra Sakura ou não?