A/N: Oi, genty! Vocês me odeiam muito ou pouco? Enfim, eu peço perdão pela demora com a fic, mas como veem, ela não foi e nem será abandonada. O meu pequeno problema foi, além de família (em garrafais, por favor), faculdade, emprego, um pequeno bloqueio mental. E vocês vão se perguntar 'como essa desavergonhada está falando de bloqueio se ela abriu uma nova história?', pois bem, eu tive um problema com essa daqui em especial. Ou melhor, com a Santana pra ser mais sincera e, por isso e pela demora, peço sinceras desculpas.
Vamos seguir da fatídica noite da cantoria no bar e talvez vocês gostem, porque eu diminuí o tamanho dos capítulos para algo que dê menos sono e vontade de socar o monitor. Eu sei que é pedir demais, mas eu tô tri perdida com isso aqui então preciso de uma luz (no fim do túnel) para saber o que acham. Se não gostarem, eu mudo, sem problemas. Essa seria a terceira vez, mas tudo bem. E então, como vocês tem andado? Com as pernas, presumo eu.
Muito obrigada a todos e todas pelos votos e pelas reviews e eu tentar respondê-las por PM, tudo bem? Não quero me prolongar aqui mais do que o necessário e acabar provocando ainda mais o ódio de vocês. Talvez eu demore só um cadinho pra responder porque tá uma correria queniana a minha vida, mas eu responderei a todos. Obrigada pelas reviews, pelas promessas de assassinato que recebi e por se importarem com a história tanto assim. Muito obrigada mesmo. Provavelmente, teremos mais uns nove capítulos pela frente, okay? Falando nisso, caso gostem de Pretty Little Liars, tem um crossover com Glee que abri, se vocês estiverem se sentindo ousados/as o suficiente.
Xoxo, meus queridos e queridas, mais uma vez me desculpem e sintam-se à vontade para meter o pau na história ou em mim, okay? Não tenho problemas com feedbacks e menos ainda com críticas, como sabem. Aos que começaram a ler agora, muito obrigada por terem dado uma chance e terem gostado. E aos meus velhos/as e queridos/as leitores/as de sempre, eu senti uma saudade filha da puta de você, com todo o respeito. Nos vemos em breve, galera bonita. Tentarei arrumar mais tempo pra vir aqui, tá?
PS.: Eu não abri nota aqui e nem nada comentando sobe o atrasoporque acho uma putaria quando fazem isso nas fics e não quis que vocês passassem pelo mesmo.
Nem tenho mais visto Glee tamanha piranhagem que a mona fez com aquela série. Mas por sorte essa fic é uma outra dimensão e nem preciso me torturar mais vendo aquilo para atualizá-la (embora isso tenha mesmo me ajudado a fechar a mente pra Glee e pra cá). Enfim. Ah, se eu tivesse a série... O Finn estaria embaixo da terra sendo assassinado por um raio serelepe mandando por Zeus em uma storyline que contaria como o ser humano ajudou a destruir o planeta. Ele e o RM.
'Feet don't fail me now, take me to the finish line.'
"Quinn, fica comigo, por favor... eu não posso te perder..."
"Rachel, a Beth precisa de vocês, por favor."
"Você não sabe com quem está lidando, Spencer, você não sabe o que está me pedindo e nem imagina o que eu sou capaz de fazer."
"Pro inferno!"
Argh! Mas que praga! Não é possível que desde quando eu comecei a andar com a trupe 'Rent' vendida e baixo clero da Berry eu tenho que acordar com uma dor de cabeça do capeta e ainda ter pesadelos desastrosos incluindo a pouca perna, Jigsaw e um bicho horroroso ameaçando a minha namorada. Isso só pode ser o destino rindo da minha cara e das minhas escolhas erradas. Afinal, quem em sã consciência se juntaria ao musical pardal RuPaul, sua indigníssima guardiã traveca remendada, sua frígida e desbotada paixonite gay, sua cunhada revoltada e discípula de James Dean em 'Juventude Transviada' (se eu pudesse escolher um nome para esse rendez-vous gay e barraqueiro, que resolveu grudar em mim como um mau cheiro, seria esse, que cobre bem cada uma das delinqüentes sapatões rebeladas e ainda insere a aia interssexual transformista. Porque vocês sabem, hoje em dia, esse movimento LGTB-BBC-FBI-CNN-AXN... está processando todo mundo que não for pelo menos bi ou qualquer nota, então temos que integrar todas as possibilidades sexuais nesse grande bacanal herdado da Grécia, ou seremos processados numa tortura ainda pior que as intermináveis leituras da linguaruda pintora de rodapé, até nos jogarem no xilindró e nos ameaçarem para que mudemos de sexo e saiamos por aí dando mais do que piranha em dia de Ação de Graças. Malditos viadinhos que não sabem dar a bunda em silêncio e criam essas porras de siglas escrotas!) e sua melhor amiga, e minha atual namorada, Vênus de Milo? Tudo bem, pela última parte, eu confesso que até ganhei alguma coisa e tudo mais, só que acordar nessa derrota todos os dias é de foder o juízo de um ser humano.
Enfim, resolvi abrir os olhos e espiar ao meu redor em busca de provas e de vítimas (já que eles se gabam tanto dessa amizadezinha macabra de outro mundo, que me emprestem os ouvidos. E isso é o mínimo! Porque pelo que eu passo sofrendo todos os dias em suas companhias desagradáveis, nem se eles me roubassem a riqueza do Bill Gates nós estaríamos quites.) e olhei ao meu redor. De um modo estranho, eu não estava mais no estábulo da Oompa Loompa e nem deitada em sua cama de feno. Não, eu estava em um quarto todo branco e com cheiro de desinfetante vagabundo de motel de beira de estrada mal assombrada. Okay... O que está acontecendo aqui? Será que alguém os pegou fazendo suas bruxarias rotineiras e, achando que eu estava sendo cúmplice, me jogou presa nesse sanatório? Porra! Cadê o chefe dessa merda pra eu poder dizer que só estava servindo de cobaia e fui seqüestrada e presa em cárcere privado contra a minha vontade? Cadê a justiça desse mundo? Soquei com força essa merda de maca de pedra e tão logo me arrependi. Um dor dilacerante me cortou o peito e me fez tremer em assombro ao pensar no que eu estava fazendo ali. Meu santo caralho! Eles tiraram os meus órgãos para usar em algum ritual maçônico e demoníaco! Era isso. Esse era o meu fim. Eu, Santana Lopez, mandante de toda a cidade de Lima, estava prestes a morrer sem um coração (não que isso seja alguma novidade para alguém, mas pensem nos outros órgãos), numa tábua de açougue e em uma clínica de reabilitação no meio das areias do Egito. Calma aí, será que eles se dariam ao trabalho de me levar ao Egito e me mumificar depois de usarem e abusarem do meu corpo sadio e sarado ou eu estou só ocupando o lugar que a Lindsay Lohan alugou em suas incontáveis internações por seu vício em bebida, drogas, jogo e mulheres? Que porra! É o que me falta! Ser considerada a reserva da patricinha do pó nessa espelunca é um desgosto grande demais para o meu pobre coração... Isso foi até a porta se abrir e me gelar toda a alma em apreensão ao pensar no que poderia aparecer e me dar as boas vindas.
"Boa noite, senhorita Lopez, eu sou a doutora Maginnes e estou aqui pra saber como está se sentindo." Soltei o ar de meus pulmões e foi assim que descobri que tenho uma ótima respiração, muito obrigada, e me peguei analisando a mulher parada na minha frente. Certo, ela tinha a usual capa branca que os médicos usam para tentar imacular seus assassinatos em série e seu nome estava escrito nela. Bem, até aí, ela pode simplesmente ter roubado aquele avental ou ser uma veterinária fingindo saber algo. Ou ter comprado seu diploma... Seu antigo sorriso tinha ido fumar um cigarro e o novo jogador em campo era um cenho cerrado. Melhor assim. Pessoas sorrindo me assustam demais. Hum, seus cabelos eram castanho escuros assim como seus olhos e estavam presos em um rabo de cavalo (não tão bom quanto os meus, se me cabe dizer) e sua pele era morena bronzeada. Ela até tinha a aparência agradável, ainda mais sem essa quantidade de dentes me assustando, e não parecia ser velha. Quando cansou de fazer cara feia (ou se lembrou de que isso dá rugas, menos que arreganhar a boca, mas ainda assim), resolveu olhar em seu panfleto pra relembrar sua fala nessa peça sombria que se tornou a minha vida. "Então, Santana, tudo bem com você?" Ela decidiu perguntar me olhando e até abri a boca para respondê-la (porque sou uma menina muito bem educada), mas a porta se abrindo me impediu. E, como que automaticamente, eu sorri para a sorridente pessoa estacionada na soleira e com as mãos cheias de alguma porcaria que nem em meus pesadelos mais assustadores eu ousaria perguntar o que era. Caminhando em minha direção, ela ignorou completamente o olhar esquisito da doutora e resolveu se explicar.
"Santana! Graças a Deus!" Foi tudo o que disse antes de minha atração magnética fazer com ela se arremessasse em cima de mim como as pedras foram atraídas até a cara promíscua de Maria Madalena nos tempos bíblicos. Óbvio que eu sou assim, irrestível, mas também não resisti e nem controlei meu sorriso ao vê-la parada e ofegante ao meu lado enquanto me analisava minuciosamente como se eu fosse algum tipo de aberração. Que porra de romantismo é esse? "Eu sei, você vai detestar, mas mesmo assim eu trouxe gelatinas." Mas que diabo? Por que não trouxe logo uma arma para me dar um tiro na cabeça e terminar com o meu infortúnio? Pro caralho, viu? Em sua pose de modelo da Vogue, ela me arqueou uma sobrancelha e me desafiou, balançando a cabeça. Certo, talvez eu tenha feito cara de nojo, mas quem pode me julgar? "Você precisa comer, Santana..." Ela suspirou, pedinte, se sentando na cama e segurando uma de minhas mãos. "Além do mais, temos de todos os sabores aqui: a verde é de limão, temos morango, uva, abacaxi e essa aqui meio salmão deve ser de laranja." Sua expressão pensativa era tão linda que até senti (mais) uma certa dor no peito, tamanha era a vontade de abraçá-la enquanto ela examinava aquele veneno. E foi assim que eu descobri que, mais do que tudo, ela me fez falta. Com esses dentes brancos em trocentos mil sorrisos e essa voz doce e preocupada comigo e com o meu bem estar. Apesar de querer me socar essa merda garganta adentro, eu quis dizer. Não sei se apertei sua mão levemente ou se ela leu os meus pensamentos mais uma vez, só sei que o sorriso que recebi fez meu coração pular uma batida e acelerar em toda velocidade como se fosse tirar a mãe da zona. Abaixando para me dar um beijo na testa, só por sentir a sua respiração no meu rosto o meu corpo resolveu entrar em uma tremedeira que não deixava nada a desejar se comparada ao cotidiano dos japoneses. "Agora eu posso voltar a viver." Não, não foi um 'eu senti a sua falta' e nem um 'eu te amo', mas podem estar certos como o inferno que eu nunca me senti mais amada, desejada e feliz em toda a vida e por esse fato eu abracei em seu pescoço como um filhote de coala, como se ela pudesse sumir e me deixar a qualquer momento. Talvez eu estivesse chorando, porque assim que ela afastou sua cabeça, as pontas de seus dedos limparam algumas lágrimas que tinham caído dos meus olhos. Malditas drogas que me deram ao me cortar no meio. Maldita falta de sexo! "O que foi, hermosa, está sentindo dor?" Menos pela sua pergunta ou pela sua expressão de cachorro que caiu da mudança (porque isso era pra lá de adorável, confesso em segredo e só para vocês) e mais por seu vocativo, eu arqueei a sobrancelha em minha muda pergunta pra ela, que só deu de ombros, meio embaraçada. "Er, é espanhol..." Revirei os olhos.
"E eu aqui achando que era mandarim..." Respondi e seu sorriso se abriu como se o fato de me ouvir falar fosse quase um prêmio Nobel, ou sei lá o que nerds como ela almejam ganhar por perder a vida pensando em merdas inúteis quando ninguém está dando a mínima e querem mais é dinheiro no bolso e pobre morrendo.
"Não, não, em mandarim 'linda' é..." Se eu fosse um cachorro, minhas orelhas estariam levantadas tamanha era a minha curiosidade para saber. Afinal de contas, não é todo dia que arrumamos uma namorada poliglota que pode mentir em todas as línguas desse planeta.
"Manga." Oi? Ao ouvir a resposta da louca fugitiva do manicômio que fantasiava ser uma médica, tanto Katie quanto eu olhamos em sua direção, que parecia um tanto quanto desconfortável. Que porra essa desequilibrada estava querendo dizer? Será que era alguma mensagem subliminar? "A gelatina." Ela estava falando com a gelatina? Se achando a reencarnação de dona Maria I e igualmente alienada de suas faculdades mentais, a outra louca resolveu revirar os olhos para nossa cara de origami, originalmente inventada por Finnsolente. "A gelatina cor de abóbora é de manga." Em mais uma de suas viagens imaginárias, ela falou como se essa fosse a maior verdade que esse mundo já viu depois dos trezentos filmes de James Bond. Minha namorada a olhou com sua usual expressão de compaixão ao descobrir o que eu já tinha percebido, que a menina só não atirava pedra em avião porque Deus tinha pena de, na pressa de completar seu serviço para descansar no sétimo dia, tê-la mandado com um cérebro desajustado e completamente fora de órbita.
"Manga?" Katie perguntou olhando aquele infame copo e fazendo uma careta porque, se aquela porra era alaranjada e deveria ser manga, que alguém me salve do gosto dessa merda. "Bem, se fosse laranja, eu até entenderia, mas manga?" Ah, mas meu doce caralho cor de rosa, hein? Era o que me minha dor no corpo pedia pro garçom: duas doses de vodca com gelo e uma discussão sobre gelatinas, por favor? Me matem agora. A doida varrida riu porque estava prestes a inventar sabores para o meu sofrimento e resolveu engajar naquela buceta de discussão inútil sobre aquele veneno sem gosto.
"É. Quero dizer, foi isso que ouvi das enfermeiras..." A morena, ainda sentada na minha cama, concordou com a cabeça e eu revirei os olhos. "Vai ver a manga não estava madura..." Nem a manga e nem você, pelo visto, porque pra pensar numa piadinha filha da puta dessas, essa mulher ainda estava na fase de comer massinha.
"Mas se fosse assim, a manga estaria verde..." Mas é claro que a embaixadora do ONU ia continuar aquele papo tão macabro quanto a minha última semana, como não vi nisso antes? Falando em prever, outra coisa que não previ foi a pinel olhando timidamente para a minha mulher. Mas que porra era essa? De risinhos e abaixando o olhar, ela só podia estar num estágio ainda mais avançado de demência se achava que sairia viva dessa sala se continuasse o flerte com a minha namorada na minha frente. Isso, vai me desafiando pra ver se eu coloco seus miolos no lugar e conserto sua loucura na porrada, vadia!
"Faz sentido... Bom, isso elas nunca me explicaram..." Porque eu vou te explicar agora, pistoleira, continue com esse risinho pinhanhesco e você vai precisar de um dentista e de um cirurgião plástico se quiser voltar a abrir a boca ainda nessa vida.
"Hum, talvez elas ainda não tenham experimentado..." Katie, cega como o Stevie Wonder, não viu as malignas intenções dessa desqualificada 'wannabe' Meredith Grey e nem o meu repúdio a essa conversa desnecessária. "Ou talvez..." Pronto! É isso! Já deu!
"Eles erraram no colorau que colocam nessa merda, pronto." Ao me ouvir, minha morena voltou seus olhos para mim assim como a devassa prostituta de luxo. Me sorriu e arqueou a sobrancelha para a qual eu revirei os olhos, obviamente "Meu Deus! Que diferença faz isso?" Com tanta raiva que me possuía, tentei me ajeitar na cabeceira da cama e me senti menos desconfortável. Claro que ela ia se jogar para me ajudar a me ajustar e logo depois levantou as mãos em rendição. Acho bom! Melhor mesmo.
"Não precisa ficar nervosa por isso, senhorita Lopez, não te fará bem." A vampira sugadora de almas tentou explicar se sentindo o próprio mestre Yoda e sorriu.
"Pois vocês discutindo gelatina também não ajuda." Disse cruzando os braços e Katie olhou para baixo, em um mudo pedido de desculpas que fez meu coração doer um pouquinho com culpa. Mas puta que pariu! Por que eu fui arrumar uma namorada tão lerda pra ver quando dão em cima dela? Só pode ser karma! Primeiro a Britt que era inocente demais e achava que o mundo era bom e cor de rosa e agora ela, que achava que as pessoas riam porque tinham dentes. Pois se essa bagaceira continuar rindo assim, ela vai perdê-los junto com a vontade de arreganhá-los, menos do que desejava arreganhar as pernas pra minha namorada! Revirei os olhos e puxei-a pelo braço para se ajeitar ainda mais perto de mim e ouvi um 'eu sinto muito' murmurado. Respirei fundo. Ela tinha um anjo da guarda muito bom, porque não era possível que eu não sentisse o mínimo de raiva dela. A maluca de varrer deitada teve a decência de ficar constrangida. Suspirei mais uma vez, ai meu cacete. "Não é como se a gelatina tivesse gosto algum também. É só colágeno misturado com corantes artificiais. Então, ela pode muito bem ser cinza e ter gosto de manga ou de qualquer outra porcaria." Não sei qual foi a graça na minha explicação, mas minha namorada me abraçou delicadamente (como se eu pudesse quebrar) e sorriu aquele sorriso que nem eu e nem meus sentidos conseguirão descrever pelo resto dos meus dias. E eu me senti completa, mais uma vez. Até a porta se abrir, também mais uma vez.
"Nossa, eu estou morrendo de fome e o café daqui é uma merda!" O furacão Fabray entrou 'like a g6' pela porta e se jogou numa das cadeiras ao lado da cama. "Santana, que bom te ver! Dormiu bem?" Claro que ela estava com um sorrisinho ordinário que sua irmã lesada nunca herdaria, ele só acompanhava o meu e o da hermAfrodite, a costurada deusa da destruição do nosso grupo. Arqueei uma sobrancelha em sua direção.
"Sentiu a minha falta, Meg?" Claro que a Katie bufou de raiva e a fuzilou com os olhos e de braços cruzados. Vejam vocês como é bom causar ciúmes nos outros. Claro, não é como se ela fizesse intencionalmente, mas mesmo assim...
"Talvez." Ela me respondeu em um sorriso de lado e olhando para as malditas gelatinas em cima do frigobar. Quando se virou para nós e viu o olhar assassino de sua melhor amiga, continuou com seu senso de humor que só lhe dará uma cova em troca. "É, mas não tanto quanto a Kay, que não dorme há não sei quanto tempo e anda de um lado para o outro como se estivesse desfilando para a corrida da cocaína em Milão." Falando isso, ela pegou uma daquelas desgraças e analisou, mas nem perdi mais tempo vendo aquela atração arriscada e seu flerte com o perigo que era aquela porra, logo me virei pra minha namorada, que sorriu inocente e tímida. "Posso comer?" Assenti com a cabeça sem me dar ao trabalho de me virar e vê-la porque estava muito ocupada me apaixonando novamente pela minha namorada.
"É, eu posso voltar a viver e a dormir também..." Foi seu suspiro só meu, já que pela altura de seu tom, nem a nuvem negra que sobrevoava a minha cabeça tinha ouvido.
"Vem aqui." Disse igualmente baixo e ela foi subindo um pouco mais perto da cabeceira e se sentando. "É a sua vez de dormir..." Sua resposta foi balançar a cabeça em negativa porque sim, eu tenho a namorada mais teimosa da história desde a Joana d'Arc. Revirei os olhos, pois isso não é nada de novo até aí. A novidade ficou por conta da pergunta da Meg.
"Adrianne?" Ainda com uma colher daquele cianureto em estado... gelatinoso (esse é o meu problema com a gelatina, a gente nunca sabe qual é o estado dessa porra!), ela perguntou para a doida que balançou sua cabeça desmiolada em concordância olhando para a Katie. "Você mudou." Foi seu único comentário enquanto minha namorada escaneava a menina e abria um sorriso, se levantando da cama e indo na direção da sua, futuramente morta, conhecida ou sei lá o que. "Isso é uma merda!" A loira disse comendo aquela lavagem e reclamando, como eu já esperava.
"Como vai, Katie?" A vagabunda perguntou quando a dita menina (e ela vai ouvir poucas e boas depois, ah, se vai...) se aproximou e ficou olhando-a. Revirando os olhos, a atriz principal do pornô 'Enfermeiras Safadinhas' abraçou a minha Katie e riu. Puta. "Nossa! Quanto tempo! Como você está diferente..." Tentando controlar a minha ira para não entrar em erupção como um vulcão adormecido, me virei para Meg que estava revirando os olhos e ainda comia aquela gororoba e soltava críticas doces pelos ares. Ao me ver, ela me motivou com a cabeça para que eu prestasse atenção naquela interação das amigas e rivais, ou sei lá que porra elas tinham sido. "E eu achando que você não ia resistir e voltaria a ser nerd." E eu achando que você poderia andar nua, de quatro e tatuar um 'me coma' na testa que não seria tão cara de pau.
"Er, bem, a Meg me apresentou os benefícios das mudanças, não é?" Quando percebeu que sua melhor amiga estava do meu lado e não do dela, a Spencer mais velha se ajeitou em seus sapatos e resolveu ignorar o fato de ter sido ignorada. "Eu estou bem sim. E você? Tem novidades?" Pelo menos ela se dignou a parecer desconfortável por estar dando papo pra essa galinha depenada na minha frente. E vocês devem estar se perguntando se eu não vou tomar atitude. E não vou mesmo. Primeiro, não é como se eu pudesse levantar da cama e socá-la, eu ainda estou em recuperação; segundo, ela é minha médica (e pretendo resolver isso e solicitar outro doutor me atendendo no instante que uma enfermeira aparecer); terceiro, eu estou tentando ser uma mulher mais madura e mais controlada, só que certas pessoas estão dificultando e muito esse meu objetivo; e quarto porque... Bem, eu fiquei triste. Confesso. Não muito, mas ela conseguiu arrancar a minha namorada do meu lado pra ficar papeando sobre gelatina ou sobre seus órgãos genitais que querem copular com ela e... Argh! Eu me senti a Berry agora.
"Não, não tenho nada de novo. Estava namorando, mas terminei faz pouco tempo e estou começando a residência em cardiologia, descobri a minha paixão." A puta arreganhou seus dentes e não pude ver a cara de pau da Katherine porque ela estava de costas. "E você? Namorando, estudando, jogando, dominando o mundo? Por onde tem andado Katherine Spencer?" Por todos os lugares, menos pela minha cama. Controlada é o caralho! Essa menina tem sorte por ter me envenenado, porque se eu não estivesse tonta e sem força nas pernas, ah... Ela ia engolir as perguntas, os dentes e os beiços em uma porrada! Lendo minha mente, ou percebendo as últimas intenções dessa sem caráter, Katie se afastou da assanhada e se aproximou de mim.
"Bom, eu larguei o período de economia que estava cursando e vim pra cá. E vou ficar por aqui até o final do ano." Ela disse me olhando e sorrindo, por isso perdeu o sorriso da sem vergonha. Claro que o piranhão se virou e andou em minha direção, parando na frente dela para saber do resto. Vagabunda fofoqueira. "Ou melhor, vou ficar até essa menina aqui ir à faculdade, porque assim eu vou acompanhá-la e terminarei os estudos onde ela for estudar." E com isso eu me esqueci da pistoleira cadela que nos olhava curiosa e da loira bandida que sorria maquiavélica. Meus olhos estavam presos nela e talvez eu até tenha sorrido, porque recebi um outro sorriso em troca que me esquentou a alma.
"Ah, vocês estão namorando?" A destrambelhada perguntou, mas minha namorada nem se deu ao trabalho de responder, o que quer dizer que isso foi um trabalho para a justiceira da noite, que combatia o mal armada de punhos e do código civil.
"São noivas." Claro que felicidade de pobre dura muito pouco, ao ouvir a confissão de sua amiga, Katie arregalou os olhos em competição com a risonha e límpida virgem e conselheira amorosa, Srta. Pillsburry. Com sua cabeça levemente inclinada, ela me olhou com uma grande interrogação na testa e eu assenti com a cabeça.
"Noivas?" Ao fundo, a piranha surda repetiu, mas nada tiraria os meus olhos da garota na minha frente. Mais farfalhante que a parada gay, ela só faltava soltar fogos de artifício pelo quarto, como aquela mutante louca do X-Men e andou na minha direção, me beijando rapidamente nos lábios. Rápido demais pro meu gosto inclusive! "Bem, parabéns para as duas!" A esquecida vaca de presépio murmurou, só que eu não viraria nem se quisesse, já que minha noiva estava segurando o meu rosto e me olhando fundo nos olhos com tanto carinhos que meu coração bateu até mais forte.
"É verdade, Santana?" Oras, o que tinha acontecido com o 'hermosa'? Não achei a menor graça nessa mudança repentina. "Você realmente quer casar comigo?" Meu Deus, eu realmente precisava de todo esse sentimentalismo? Sim, eu precisava, mas ela não saberia disso.
"Bom, eu não estou fazendo nada e nós estamos namorando e eu pensei..." Eu comecei a explicação e fui interrompida por seu um beijo surpresa e um sorriso encantado. "E eu preciso de sexo também e você é um bom partido..." Ela revirou os olhos e bufou com raiva. Mas que menina sem senso de humor. Antes que sua birra a levasse embora, eu segurei sua mão no meu rosto e tentei ser o mais sincera que pude. "Nós não somos a Q. e Hobbie, Katie, e eu não vou ficar um mês longe de você pelo saco da sua ex." Eu disse e ela abaixou os olhos, entretanto, eu a segurei pelo queixo e levantei o seu rosto. "Eu sei que não é desse modo que as coisas deveriam acontecer, mas eu não preciso adiar algo que eu quero fazer porque as pessoas podem julgar." Ela assentiu com a cabeça, mas eu conheço o meu povo...
"A gente pode esperar, você sabe disso. Eu não vou a lugar algum, eu te dou o tempo que você precisar pra pensar direito nisso, Santana. Você acordou de um coma, não de um conto de fadas, então eu acho que você tem que analisar bem essa situação." Meu cu com farinha. Depois eu é que sou a empata foda nessa merda.
"Eu não acordei de um conto de fadas, Katherine, quanto a isso você pode estar certa e, mesmo antes dessa merda toda acontecer, eu tinha comentado com a Meg, então me dê um pouco mais de crédito, pode ser?" Disse séria e ela olhou pra baixo arrependida de novo. Arrependimento é a palavra-chave do dia, podem fazer suas apostas.
"Eu sinto muito, só não quero que você se precipite com isso." Assenti com a cabeça porque aquilo fazia sentido.
"Você quer?" Eu realmente espero que tenham costurado muito bem o meu corpo ou o meu coração vai sair batendo por essa câmara de tortura mais do que tambor em centro de macumba, porque depois daquela pergunta e de olhar nos olhos dela, se a resposta fosse negativa, eu mandaria fazerem uma eutanásia (eu sei que as pessoas precisam estar em coma para isso, mas vocês me entenderam. Espero) em mim para poder me enterrar como a noiva que decidiu matar o Bill depois do desgosto de ter sido quase assassinada no altar (realmente, as coisas ainda podiam ser piores. Qual era o problema com o 'não'? Cruzes, gente mais maluca.).
"O que?" Levar um soco na boca. Pois é o que vai acontecer se ela continuar com essa palhaçada de risinhos e perguntinhas sugestivas para me incitar a me envergonhar como um Romeu. Revirei os olhos.
"Responder a minha pergunta."
"Qual?" Mas tomar no cu, viu? Que caralho! Óbvio que ela queria que eu a pedisse em casamento no meio daquele hospital que mais parecia um purgatório, afinal, nada é mais romântico do que isso. Será que ela queria que eu solicitasse dois copos de plástico, uma aspirina e um refresco horroroso de uva pra podermos brindar com dois anéis de lata de refrigerante jogados no fundo? Ou que eu chamasse algum enfermeiro para soar o alarme do código vermelho e nos envolver em música? Eu também podia pensar em ir até a oncologia e chamar duas crianças com leucemia para levar as alianças e, quem sabe, talvez eu até encontrasse um leproso pra nos sagrar mulher e mulher.
"Sim ou não, Katherine, é muito simples." E era. Ou a gente terminava ali e ela ia poder correr de mãos dadas com a assassina licenciada, ou ela aceitava. Qual é a grande questão?
"Você acabou com o romantismo, Santana." Essa porra de drama estava pior que a Berry em uma interpretação de qualquer desgraça parecida com a minha vida.
"Não, acho que são as persianas abertas que dão uma luz muito clara, ou essa parede branca encardida de hospital. Se bem que nós ainda temos essa roupa de cama mal lavada e esse cheiro de eucalipto de quinta que não presta nem pra sauna de banheiro público, ou..." Antes de terminar minha infinita lista de coisas que estavam quebrando o clima, ela estava me beijando e rindo como uma maníaca maconheira. Isso era um 'sim'? "Isso é um sim?"
"Não sei, você não me perguntou, como posso responder?" Dando de ombros, a palhaça comentou com seu típico senso de humor negro. Bufei. Mas que menina difícil.
"Que se..." Não pude nem completar minha frase e sua boca estava colada na minha, com sua língua me massageando e me bulinando, claro que a aproveitadora se aproveitaria disso para beijar a vida fora de meu corpo fraco. Não que eu ligasse, já que assim, pelo menos ela não fazia mais piadinhas sem graça. Tudo bem que aquilo era demais para um beijo e ainda mais com gente no recinto, só que eu não pude me importar e, mesmo mais fraca que o Popeye sem espinafre, eu estava me excitando a ponto de querer tirar essa camisola horrível e antecipar a nossa lua-de-mel no meio do hospital. Sim, ela me beijava bem o suficiente pra deixar a minha cabeça e o meu corpo presos em um pensamento só.
"Katie, ela está se recuperando se você não percebeu." Meg nos atrapalhou batendo na nuca da minha noiva (será mesmo?) e eu rugi de raiva. Literalmente. Não que fosse mentira, mas eu estava me recuperando de algo completamente diferente do que um mero roubo de órgãos... Me olhando com (adivinhem?) arrependimento, Katie, segurou meu rosto com uma mão e sussurrou um 'sinto muito', mordendo o lábio que eu estava mordendo há meros segundos e estava vermelho só por isso e eu poderia voltar a morder aquela boca porque ninguém como eu para fazer bom proveito dela e...
"Essa facilidade sua com mulheres me surpreende, Katie, você, de fato, mudou bastante." A promíscua piriguete destruidora de lares falou sorrindo (e me desafiando) e minha namorada corou e se virou para ela. "Quem diria que a nerd do McKinley viraria o melhor partido de todo o Estado?" A única coisa que vai falar é a minha mão na sua cara, puta desqualificada! "Na verdade, eu até poderia ter previsto isso. Somando o novo estilo ao charme de citar Walt Whitman, Beethoven e Shakespeare por aí, acho que criamos um monstro." Bisca! Monstro vai virar você depois que eu recuperar minhas forças e te seguir mais do que Hitler atrás dos judeus. Câmara de gás é o caralho, meu método de tortura vai envolver muito mais dor e sadismo, vaca! Mas o que mais me assustou foi a risada imbecil da minha noiva. Será que eu vou ficar viúva antes do casamento propriamente dito? Porque se ela continuar com esses papinhos tortos, eu vou entortar as duas no cacete!
"Que porra?" Lendo meus pensamentos, minha cúmplice arqueou uma sobrancelha assim que largou seu chumbinho de lado. Percebendo que estava numa situação fodida do diabo, Katie só limpou a garganta e me olhou (claro que eu estava com um olhar que faria o incêndio de Nero parecer uma fogueira de São João), para depois abaixar a cabeça. Vai brincando, Spencer, depois vira o Tocha Humana e não sabe o motivo...
"Ah, não é nada. Só uma antiga piada interna nossa." A descabaçada disse rindo como se aquilo tudo fosse muito engraçado. Claro que isso não convenceu minha nova comparsa, que só a fuzilou com uns olhos tão ardentes quanto os meus. Acho que fiz amizade com a Fabray errada. Não me levem a mal, a Q. é ótima e é uma rara amiga, mas com certeza a Meg assustaria até o capeta com seu conhecimento de dicionários (eu quis dizer palavrões) e sua cara de Bruce Banner (depois de seu ataque de raiva, é claro, porque ele é só um perdedor frangote imbecil boa parte de sua vida até virar uma mistura de Godzilla com King Kong), menos verde e mais vestida, mas igualmente destruidora.
"Hum... Aproveita que a piada é interna e enfia no cu." Foi de uma simplicidade tão grande que minha primeira reação foi ficar estática. Até olhar para a cara das duas desavergonhadas e cair na gargalhada. Agora vocês entendem o que eu estou falando, quando que a escrava loira da Berry diria isso? Tá, só se alguém ameaçasse o seu playmobil, mas mesmo assim. Nem sei por quanto tempo eu ri, só sei que meus olhos encheram d'água e minha barriga começou a doer e eu arfei tentando respirar. Nem meu riso incontrolável tirou o peso do ar ou a expressão de horror do rosto da minha namorada e a cara de piranha mal comida daquela vaca, o que me motivou a rir ainda mais.
"Meg!" Katie falou mais em choque do que em repreensão e em mais um de meus momentos de descanso para conseguir jogar ar nos meus pulmões, ela se virou para mim. "Santana..." Isso tudo enquanto a arrombada saliente estava parada na porta e mexendo em seus bolsos, procurando por um saco de papel para cobrir sua cara de pau. Minha namorada se aproximou de mim e fuzilou sua melhor amiga com os olhos enquanto bulinava o meu braço, tentando me acalmar. "Eu realmente não posso deixar vocês duas juntas..." A resposta da loira justiceira foi um sorriso macabro, maníaco e assustador em todos os níveis, para o meu deleite. Minha namorada se sentou na minha cama e só balançou a cabeça em negativa e respirou fundo, esquecendo o projeto de boneca sexual parada na porta.
"Bem, tem uma emergência acontecendo e eu preciso ir. Santana, qualquer coisa que precisar, me chame. E parabéns de novo para as duas" Se recuperando de seu choque de realidade bem no meio de sua cara de prostituta (toooma, puta!), a galinha falou em uma corrida e fugiu do quarto como se tivesse correndo do inferno, fechando a porta assim que seu rabo passou entre suas pernas. Suspirando mais uma vez, Katie se virou para a loira, que voltou a se envenenar com aquela triste desculpa para gelatina. Até a porra das cores daquele caralho eram mórbidas e desbotadas, valha-me Cristo!
"Jura, Meg?" Foi sua única pergunta. Isso até perceber que sua amiga estava devorando aquele terror sem o menor amor próprio e se sentiu entristecida e repugnada pela visão. Pois é, a fome é negra, minha gente. "Ei! Isso é pra Santana comer!" Claro que ela não estava preocupada com o meu bem estar e menos ainda com o fato de a loira sem medo ter fugido da Somália. Por isso, em um movimento rápido, ela roubou aquela arma biológica da mão de sua amiga e olhou com nojo para aquilo. Eu disse, só pensar em engolir isso é simplesmente aterrorizante.
"Enfia a gelatina no cu e tranca, Spencer! Que porra!" Menos pelo belo vocabulário refinado e pelas doçuras sempre presentes na boca da menina disposta a nos brindar com palavras carinhosas e amorosas para elevar nossos espíritos e mais pelo olhar fatal da loira perigosa, Katie engoliu em seco e devolveu a mistureba pra ela. A resposta ao seu gesto foi um olhar gélido que poderia congelar os confins do inferno. "Que palhaçada é essa? Se drogou?" Ouvindo a meiguice em sua frase e vendo a bondade em seus olhos, minha namorada se acomodou mais na minha cama e me abraçou apertado, afagando meus cabelos. Nem reclamei da loucura que era essa virada em 360º de sua atitude, mas só porque ela estava me confortando. E quando foi mesmo que eu me tornei tão sentimental e carente quanto um cocker spaniel? Maldita experiência de quase morte que mexe com nossas emoções!
"Eu tô preocupada também, só pra você saber." Foi uma resposta baixa e simples e me acompanhou um beijo na testa. "Mas você sabe o que eu fiz pra isso aqui estar assim. Você sabe melhor do que ninguém, Meg, em tudo que eu nos enfiei pra poder abraçá-la. Então, por mais que eu esteja morrendo por dentro pela Quinn, pela Rach e pelo Noah, eu não posso ficar triste, não é justo me pedir isso..." Minha namorada comentou baixo e foi quando me liguei tinha algo pra lá de sombrio no ar e eu perdi isso tudo em meu descanso de beleza. Caralho voador!
"Eu não estou te pedindo e nem te cobrando nada, Katie, entenda isso." Parecendo mais calma do que realmente estava (e isso posso dizer por conhecer a relação que ela tinha com a Q. e pelo pouco que sabia sobre ela, a Meg não era a pessoa que conseguia sentar e deixar as outras trabalharem em paz), a loira disse meio triste e meio desolada. "Eu sei que medidas desesperadas pedem ações impensadas, você me conhece, eu sei tudo sobre isso..." Um sorriso derrotado seguiu essa confissão. "Eu ainda estou me acostumando a sensibilidade dessa mudança, de ouvir várias conversas na minha mente e de não ver exatamente os mortos. Só que eu tenho tudo, menos paciência e tempo para oferecer, Katie, não com a minha irmã em perigo." Peraí, peraí! O que diabos está acontecendo aqui?
"Eu sinto muito por ter te envolvido nisso, Meg, você nem imagina o quanto... Se eu pudesse..." Algumas lágrimas encheram os olhos da minha namorada eu me senti mais perdida que o Finntratável em uma das vergonhas que a escola chama de jogos de futebol (sorte que nós éramos as melhores líderes de torcida do país, porque com certeza atraíamos mais a atenção para nós do que para as desonras que eles faziam em campo. Graças a Q., eu preciso admitir, porque ela era uma pit bull fêmea e raivosa que não nos deixava parar nem para respirar. Bons tempos...) e só olhei de uma para a outra, que raios?
"Ei! Para com isso, Kay! Eu que te pedi, lembra? Você não tem culpa de nada, nada mesmo. Só estava cansada de ficar para trás e..."
"De que caralhos vocês estão falando, alguém pode me iluminar aqui?" Interrompi a conversa pra assombro da minha namorada e, pela primeira desde que a vi de novo, desespero da Meg. Meu Cristo que ressuscitou, o que essas duas fizeram?
"B-bom..." Ao ouvir aquela menina sem papas na língua se enrolar com as palavras, um arrepio mau me subiu a espinha. Deus! O que quer que essas duas tenham feito, não foi nada bom, nada bom mesmo! "Então, nós fizemos um acordo pra te trazer de volta, Santana. Nada de mais, eu só tive que passar por alguns percalços e..."
"Cruzar a barreira da vida." Katie completou e aposto que meus olhos se abriram mais que um buraco negro depois de uma explosão no vácuo. Sim, eu estava tão fora de órbita que até comparações nerds me pareceram acertadas. O que era isso? Eu acordei num mundo diferente e...
"Sim, mas a Katie também brigou lá com o guardião dos portões e isso vai pegar pro nosso lado mais pra frente. Só que a gente tira isso de letra." Percebendo que eu estava prestes a ter uma parada cardíaca ou um AVC, minha namorada tratou logo de me abraçar e me beijar a testa enquanto fuzilava a loira com os olhos.
"Calma aí, o que isso quer dizer?" Perguntei olhando de uma para a outra e elas simplesmente deram de ombros. Pra casa do caralho com isso! Elas vão ter que responder, ah se vão! Que porra elas estavam aprontando de novo? Isso nem é possível, não pode ser... Antes que eu pudesse apertá-las contra a parede e torturá-las até saber exatamente o que tinha acontecido, a porta foi arreganhada mais uma vez e a arreganhada de mais cedo entrou valsando por ela vestindo uma carapuça apavorada. Ah, Deus...
"Meg, sua irmã é Quinn Fabray?" Antes de responder, o endereçado furacão ficou ainda mais pálido e saltou em seus pés, preparada para o ataque. "Ela acabou de entrar na emergência, foi vítima de uma batida de carro e está passando por uma cirurgia agora, mas ainda está inconsciente então não sabemos ainda a gravidade do seu quadro, só que talvez ela tenha tido uma lesão na coluna e..." Não, eu não ia terminar de ouvir aquilo, assim como a loira não esperou e saiu correndo na direção da porta, mas ela foi parada pela suicida vagabunda de beira de estrada. "Você vai conversar com Marissa Archibald, a menina que a trouxe aqui, mas não irá ver a Quinn porque ela está em operação." Em sua voz cheia de autoridade, a galinha conseguiu falar e a Meg só se virou e nos olhou.
"Quem é essa?" Foi sua pergunta baixa, ameaçadora e mais controlada do que ela estava no momento. Melhor do que eu na verdade.
"A namoradinha do marginal." Peraí! Se a namorada do marginal os trouxe... "Que porra? Cadê a Berry e o Puckerman? Eles não podem ter abandonado a Quinn assim e..." Não. Não pode ser, não é verdade...
"Onde que tá essa menina?"
"Na sala de espera." A última coisa a ser dita naquela sala antes de o furacão Fabray sair destruindo tudo. E eu caí derrotada na cama e só percebi que estava chorando quando ouvi a minha noiva (será mesmo? Com tudo isso acontecendo... mas foi bom enquanto durou, isso foi...) me abraçar apertado e me prometer que tudo ficaria bem. Mesmo quando ela sabia que não ficaria, que nunca mais ia ficar... Se algo acontecesse a algum dos três, eu ia matar a irmã dela várias vezes e de inúmeras formas... Foi quando me bateu o que ela provavelmente estava sentindo e, ainda assim estava me consolando. Ela cruzou as barreiras da vida, largou a faculdade, vendeu a alma dela e de sua melhor amiga para me trazer de volta e a filha de uma grande piranha sem vergonha que era a sua irmã provavelmente tinha matado os seus dois velhos amigos e acabado com a irmã de sua melhor amiga, mas ela estava ali, me consolando num abraçado apertado e beijando a minha testa. Me afastei por um momento e resolvi olhá-la. Era tanta tristeza em seu rosto que desejei ter morrido ali e na hora, mas apesar disso tudo, ela ainda me sorria. Como alguém pode ser assim, tão altruísta? Ela não podia ser real...
"Eu não vou te deixar, Katie, e a gente vai superar isso." Não, nem me perguntem de onde veio isso porque eu nem sei, mas posso garantir de que a situação ficou menos intolerável, menos pesada, menos destruidora. Não sei se foi pela minha confissão ou se foi pelo seu sorriso misturado com várias lágrimas, só sei que apesar de tudo, eu me senti mais forte e em casa. Pela primeira vez em muito tempo. E independente do que pudesse acontecer, tudo ficaria bem pra ela. Nem que eu atropelasse dois mundos pra isso, o dos vivos e o dos mortos.
...
"Archibald?" Em menos de um trinta segundos eu estava na sala de espera e fuzilava todos os presentes atrás da dita menina. Uma ruiva se aproximou de mim com os olhos tristes e parou na minha frente, com as mãos nos bolsos da calça. "Marissa?" Dessa vez, evitei os gritos, afinal de contas a pessoa com quem eu queria conversar estava na minha frente e eu não era assim tão desequilibrada, por mais que a Katie assumisse o contrário. Ao ouvir minha pergunta, ela levantou os olhos do chão e só assentiu levemente com a cabeça. Respirei fundo, era o tudo ou o nada agora. "Eu sou Meg, irmã da Quinn e gostaria de saber o que houve, você pode me contar?" Sim, eu nunca fui tão educada em toda a minha vida e nem serei novamente (não sei como se faz um negócio desse, mas dá um trabalho dos infernos, podem apostar nisso). Respirando fundo, ela olhou para baixo e depois voltou os olhos pra mim.
"Bem, começou quando entramos em perseguição ao sairmos do bar..."
...
"Volta aqui, Rach!" Minha namorada gritou antes de me puxar pela camisa e nós duas abaixamos para fugir da chuva de balas que estava cortando o carro da minha cunhada. Foram cacos de vidro por todos os lados, tiros no banco e no capô e creio que um deles tenha atingido um dos pneus, furando-o. Maravilha! Quando resolvi olhar para a minha loira, ela estava aterrorizada e me assustei ao pensar que ela pudesse ter sido atingida. "Baby, você está bem?" Antes que pudesse perguntá-la, ela roubou minha linha e apenas assenti com a cabeça.
"E você, amor?" Sua resposta foi a mesma e, quando nos demos por convencidas de que eles não descarregariam mais as balas em cima da gente, ela me fez um gesto positivo com a cabeça e levantamos ao mesmo tempo. Claro que com os astros do nosso lado, eles iam pegar novamente a metralhadora e ameaçariam descarregá-la novamente. 'Mais uma história de como Rachel Berry é uma vencedora e nem a morte pode tomar o seu sucesso'. Ficaria ótimo em minha biografia, seria além de uma marca de sucesso, um ensinamento de vida e... "Noah!" Meu melhor amigo jogou o carro roubado em cima deles, que saíram da pista e atravessaram em contra mão, batendo de frente em outro carro. Por sorte (porque as habilidades automobilísticas dele nunca nos salvariam nem numa corrida contra uma tartaruga), o carro em que estava foi arremessado para o lado contrário e saiu da pista, atingindo o acostamento. Respirei fundo por um minuto e segurei a mão de Quinn, um tanto mais aliviada. Mas claro, foi tudo por muito pouco tempo, já que um dos tiros destruiu um dos pneus e a minha namorada perdeu a direção, rasgando todo o carro no concreto que separava as pistas, mas infelizmente, nem toda a pista era separada por cimento e, assim que o mesmo acabou, nós invadimos a outra pista e tudo foi pelos ares, inclusive o carro, que deu algumas cambalhotas e foi atingido por um pára-choque perdido na batida anterior. Depois de duas cambalhotas, o carro parou estacionado em cima de suas rodas (se é que elas ainda estavam lá, já que ouvi um barulho de explosão e creio ter sido do contato do pára-choque com a outra roda dianteira, mas não tenho certeza) e bati a cabeça no banco, perdendo a consciência momentaneamente. Um barulho ao fundo me acordou depois de (acredito eu que tenham sido alguns segundos) e abri os olhos. Meu primeiro pensamento ao nos ver fora de perigo foi procurar pela minha namorada que, infelizmente, não estava por perto no banco do meu lado e só o pensamento de tê-la perdido me fez entrar em pânico.
"Rach! A Quinn está comigo, eu vou buscar você!" O grito de Noah me tirou do estado letárgico que tinha em enfiado e me acalentou de certo modo, na pior das hipóteses, minha namorada estava segura com ele. "Droga, Rach! Você precisa sair daí! Vamos, eu te ajudo, esse carro pode explodir!" Assim que disse isso, ele me ajudou a sair pela janela e sem que eu precisasse fazer qualquer movimento, fui tirada daqueles destroços por ele. "Deus! Como você está?" Ainda me recuperando do meu choque, abaixei os olhos e, apesar do sangue descendo pelos meus braços, ali estava ela, a Colt prateada na minha mão, banhada em sangue, mas ainda estava lá. Seguindo meus olhos, Noah olhou da arma para mim e de mim para ela novamente. "R-rach... O-o que é isso?" O pavor em seu rosto superou cada um dos meus sinônimos presentes em meu vasto vocabulário e a única coisa que fiz foi olhá-lo ali, boquiaberto. Depois de alguns segundos nos encarando, me virei em meus calcanhares e fui atrás da minha loira, que estava deitada no chão, lavada em sangue também e aparentando estar mal, muito mal. Imediatamente caí de joelhos ao seu lado e perdi o barulho de um carro parando ao meu lado e do meu melhor amigo parando do outro.
"Eu já liguei pra 911, eles vão estar aqui em menos de cinco minutos, Rach." Foi o que ele me disse e se agachou com sua sei-lá-o-quê (por sorte o carro que estacionou do nosso lado era da ruiva e não de algum bandido tentando nos matar) copiando seus movimentos. "Ela vai ficar bem, eu prometo." Claro que vai, ela num tem outra opção, não existe, nem pode existir...
"Quinn, fica comigo, por favor... eu não posso te perder..." Lá estava a garota da minha vida, futura mãe dos meus filhos e a pessoa com quem eu vou compartilhar cada partícula da minha vida até o meu último suspiro, e estava praticamente tentando se manter acordada e respirando. "Eu te amo, eu te amo tanto... com todo o meu coração, Quinn, você não pode me deixar!"
"Rach, meu amor..." Minha namorada suspirou ainda deitada e me abaixei mais para olhá-la, partindo o meu coração. "Ei, Broadway, vai ficar tudo bem, eu te prometo." Como uma estúpida, eu só pude concordar com a cabeça debilmente. "Psiu! Não chore, cadê o meu lindo sorriso?" Assim que ela completou essa frase, me abriu um sorriso vermelho de sangue e só pude chorar ainda mais forte porque a dor era física. Era insuportável. Era a única coisa que me impediria de seguir e me faria abandonar tudo. Se eu perdesse essa menina... Não, isso não vai acontecer! Eu não vou... Eu não posso...
"Rach, ela vai ficar bem." Aquela voz me fez olhar para trás e... Lá estava ela, Shelby, a mãe que não me quis e estava me encarando com pena e sombras nos olhos como se ela estivesse...
Antes de poder amarrar minha mente em tudo que estava acontecendo ali, o grupo do carro entrou em outro veículo e se prepararam para fugir, depois de dar um tiro no peito de um motorista e jogá-lo na pista, arrancando com o carro há pouco mais de 50 metros de onde estávamos. Peraí... Não era um motorista era ela...
"Rachel, a Beth precisa de vocês, por favor." O carro roubado passou com três integrantes e o choro de um bebê pode ser ouvido, mas antes que pudéssemos reparar nos gritos, eles se prepararam para atirar e assim o fizeram.
"No chão!" Noah gritou e me joguei em cima da minha namorada ao tempo de ouvir sirenes de ambulâncias se aproximando e cortando o som dos tiros. Claro, o fato de termos nos jogado no chão fez menos do que o carro blindado da Marissa nos servindo como escudo e por isso conseguimos sobreviver. Não pela sorte, não pelo destino, só por isso.
"Rachel, por favor, vocês precisam ir atrás deles... Eles podem machucar a Beth... por favor..." Shelby comentou, mas não ouvi. Eu só estava prestando atenção na respiração e nos batimentos cardíacos da minha namorada porque eu nunca iria deixá-la. Alguns homens de branco me arrancaram de cima dela e me empurraram para longe, me mantendo longe da minha loira e examinando-a.
"Ei! Tirem a mão dela, ela é minha namorada! O que vocês pensam que estão fazendo? Saiam daqui!" Eu gritei com os homens e, muito para a minha tristeza, quando levantei minha mão para ameaçá-los com a arma, ela tinha sumido. Que porra? Fuzilei meu melhor amigo com os olhos e ele teve a decência de olhar para o chão e balançar a cabeça.
"Rachel, por favor, cuide da minha filha. É o que a Quinn iria querer..."
"Você não faz a menor idéia do que ela iria querer! Você não a conhece como eu, então não venha valsando do mundo dos mortos até aqui pra me dar um sermão porque você não tem esse direito. Nunca teve e nunca vai ter!" A essa altura, minha noite tinha se transformado em uma tragédia digna de Shakespeare e eu não ia aturar desaforos de uma morta somadas a tudo isso. "Você me abandonou antes e agora morreu e abandonou a Beth! Você não tem o menor direito de me dizer algo sobre cuidar de algu..."
"Senhorita, eu gostaria de levá-la para fazer uma tomografia, eu acho que você está sofrendo de estresse pós trauma e isso nos deixaria muito mais seguros." Um dos enfermeiros disse depois que colocou minha namorada na ambulância e a garota do Noah estava lá com ela. Tudo por culpa da filha da puta da Shelby que apareceu e me distraiu o suficiente para não seguir minha loira como eu tinha me prometido. Uma merda de namorada que eu sou...
"Nós vamos segui-los no carro, por favor, só a leve imediatamente. Não podemos perder tempo..." Noah disse com sua voz autoritária e assustadora, convencendo os enfermeiros a nos deixar ali e a levar a minha namorada para o hospital sem a minha presença...
"Ei! Esperem! Eu vou com vocês, eu preciso ficar com ela! Ei!" Eu tentei gritar e correr atrás da ambulância, mas meu melhor amigo me segurou e me apertou pelos braços.
"Ela vai ficar bem, Rach. Nós precisamos salvar a Beth... por favor..." Seus murmúrios foram de cortar o coração, mas eu não teria nada disso. Ele não podia deixar a Shelby convencê-lo a abandonarmos a Quinn, ele não ia conseguir me convencer! "Por favor, Rach, por favor..." Ele me virou pelos ombros e pude ver que estava chorando como um bebê. "A Quinn vai ficar bem, mas como você acha que ela vai encarar saber que nós dois deixamos algo acontecer com a Beth e não tentamos impedir? O que você acha?" Porra! E lá estava ele, o trem da culpa me passando sem pena, no mesmo horário e com carga completa. Antes que eu pudesse pensar em algo, estava chorando no abraço do meu melhor amigo. "Eu sei que é ruim pra você, Rach, mas é a minha filha..."
"Ela nunca iria me perdoar, Noah. Ela nunca vai me perdoar por eu tê-la abandonado... Nunca. E eu nunca vou me perdoar." Foi o que sussurrei para ele e sua resposta foi apenas me abraçar mais apertado. E choramos com mais força ainda. Grandes patetas nós somos.
"Rachel, a Quinn não vai morrer." Aquela voz de novo. Shelby ainda estava ali conosco e soltei meu melhor amigo para olhá-la. "Eu te prometo que nada vai acontecer com ela. Eu te prometo." Em toda a sua altivez mórbida, ela estava estendida e luminosa como uma árvore de Natal e acho que pela primeira vez em toda a minha vida, eu consegui acreditar nela. Não, nem na época em que estávamos tentando estreitar os laços, nem depois disso, nem antes ao menos. Eu nunca acreditei tanto nela quanto estava acreditando ali, mas mesmo assim, eu não vou apostar a vida da minha namorada numa de suas muitas promessas sem fundo.
"E como você tem certeza disso, Shelby? Se importa em dividir conosco?" Cruzei os braços e olhei diretamente nos olhos dela.
"Porque eu vou estar com ela e, caso aconteça algo, eu virei contar para vocês. Eu só peço que vocês cuidem da Beth e eu não vou deixar nada acontecer com a Quinn. E eu sei que você não acredita na minha palavra e nem teria motivos para tal, mas eu vou morrer Rachel e vou embora e só estou aqui até agora por causa da Beth e da Quinn, porque ela é a única pessoa que pode cuidar da sua irmã, então não me vale saber que a minha filha está bem, caso a Quinn esteja mal e vice-versa. Por favor..." Certo, aquilo mexeu comigo, era exatamente assim que acontecia com os mortos. Eles só esticavam suas presenças desagradáveis e mórbidas nesse mundo até que suas pendências fossem resolvidas, isso era um fato. Respirando fundo, olhei para o meu melhor amigo que estava assentindo com a cabeça timidamente.
"Shelby, eu vou fazer isso, mas eu estou acreditando na sua palavra pela última vez, se algo acontecer com a Quinn, eu nem sei..." Era pra ter sido uma ameaça, mas toda aquela situação me bateu com força e acabei soluçando ao invés de rosnar.
"Eu te prometo, Rachel, eu te prometo pela última vez, pode acreditar." Concordei brevemente e olhei para Noah, que limpou os olhos com as costas da mão.
"Pra onde iremos?" Perguntei para Shelby e no exato momento, Noah tirou dos bolsos a chave do carro de sua garota e me deu.
"Entrem no carro e eu darei as direções. Só tomem cuidado, por favor." Revirei os olhos, era o que eu precisava de conselhos maternos nesse momento. Suspirei fundo e olhei para o meu melhor amigo que assentiu com a cabeça mais uma vez e tirou a arma da cintura. Acelerei o carro e segui as instruções. Como sempre, nós ficaríamos com a pior parte. Entre Santana com um tiro no peito, minha namorada machucada, minha mãe morta e minha irmã correndo perigo, acho que não tem muito o que piorar nessa situação.
...
"Dessa vez não, Spencer, ela não vai sair daqui."
"Ela vai sair sim, você querendo ou não." Não é algo muito sábio desafiar o guardião dos portões do mundo dos mortos, mas ela era a única coisa que eu tinha a perder e não poderia ligar menos para o fato de o mundo ir rodopiando em uma espiral pro inferno, desde que ela estivesse sã e salva.
"Ah é? E eu gostaria de saber como você vai fazer isso." Seu sorriso era macabro assim como a sua figura. Se eu acreditasse em inferno, diria que ele tinha vindo de lá e isso explicaria sua aura sombria, seus olhos vermelhos e sua armadura de ferro com aparência antiga e um pouco rachada. "Porque desde a criação do mundo, ninguém tirou alguém daqui sem o meu aval, ninguém voltou depois disso e muitos eram mais intimidantes que você." Ele não precisou mostrar nenhuma das suas cicatrizes, mas eu as vi ainda assim. "Então, como é que você vai tirá-la daqui?" Essa era uma ótima pergunta.
"Não está na hora dela, não foi culpa dela. Era pra ser eu aqui, não ela." Se eu tinha algo a dizer sobre aquilo, é que eu estava gritando e exasperada já. Mas nem isso o convenceu. Seu sorriso foi frio, desdenhoso e mórbido e, aproveitando minha abertura, ele se utilizou disso para me circular e me observar meticulosamente.
"Sabe o que dizem sobre escolhas? Pois bem, ela fez a dela." Sua resposta me fez me virar e encará-lo com raiva, enquanto ele continuava me rodeando e negando com o dedo. "Não faça isso, Katherine, não pense assim. Quem escolhe quem morre e vive não sou eu e você sabe, mas eu não posso te deixar brincar mais com o mundo depois do que sua irmãzinha já fez. E te digo mais, que família carne de pescoço é essa sua, hein? Sua mamãezinha querida veio aqui me amaldiçoar, sua irmã carrega os espíritos para vagarem pelo mundo e isso é um ato de puro egoísmo, não acha? Ela nem os devolve a vida como você quer fazer com a sua garota, ela simplesmente os aprisiona num mundo que não lhes pertence." Ao dizer isso, ele parou de me rodear e apenas negou com a cabeça. E, caso eu resolva ser sincera comigo mesmo, direi que não entendi lhufas do que ele disse sobre a Bizzy, mas isso não era importante agora. Ele me deu uma fraqueza e eu precisava usá-la para salvar a Santana.
"Você não acha melhor o que eu vou fazer por ela, Guardião? Eu não estou sendo egoísta, só quero ser justa. Eu não vou levá-la para vagar pelo mundo, eu quero que ela viva plenamente e eu sei que você..."
"Ah, você está sendo egoísta sim, Katherine, nós dois sabemos disso. Óbvio que você não tem o sangue frio ou a desumanidade da Stacey, mas o que você está querendo foge de tudo que essa vida prega. O que eu vou fazer? Ninguém mais vai morrer, Spencer? É isso?" Balancei a cabeça em negativa. Eu nem poderia me importar menos com o mundo nesse momento, todos poderiam morrer, menos ela... "Hum, você sabe que eu não culpei sua irmã pelo infortúnio que lhe foi acometido e, justamente por isso, tampouco te culpei por não se sentir mais parte do mundo e vir aqui a seu bel prazer, estou mentindo?" Balancei a cabeça em negativa. "Exatamente, você sabe disso, nós dois sabemos. E eu adoraria culpar sua irmã por isso, mas nenhuma maldição começa com o último filho, Katherine, é sempre com o primogênito. Então, você também não pode acusá-la. Ninguém pode." Certo, isso estava muito absurdo para que eu pudesse focar minha mente na conversa e optei apenas por olhá-lo e permanecer calada. "Ah, essa sua família tem muito sangue nas mãos, mais até do que dinheiro, se você puder imaginar isso." Do que ele estava falando? "Grécia, Roma, Constantinopla, Egito, Mesopotâmia, Atlântida, Jerusalém, Japão... hum..."
"Do que você está falando?" Eu estava ali pra salvar a minha namorada e não para ter uma aula de história, desgraça.
"Ora, civilizações destruídas e amaldiçoadas, Katherine, pensei que você gostasse de história." Fechei os olhos e respirei fundo, era um ótimo momento para discutirmos a história antiga, certamente. "Eu até incluiria Sodoma e Gomorra, mas graças a Deus, literalmente, se é que você me entende," isso seguiu uma piscadela e cruzei os braços, grande senso de humor. "eles não deixaram civilização alguma para darmos falta."
"Onde você quer chegar, Guardião?"
"Hades, o meu nome é Hades, Katherine, não acha conveniente?" Ele me piscou e meu sangue gelou. Ele estava dizendo o que eu imaginava? "E eu não decido nada, minha cara, eu só não posso abrir mão de algumas almas, só isso."
"Por que você deixou a Stacey fazer isso?"
"Talvez ela tenha sido a única que conseguiu passar por mim. Estou dizendo, sua irmãzinha é um tanto quanto maligna. Essa juventude..." A essa hora eu já estava impaciente e enfurecida. Como ele poderia liberar os espíritos para vagarem e não poderia me ajudar a trazer a minha namorada de volta? "Ela me ofereceu alguma coisa em troca, você sabe." Antes que pudesse pensar em alguma coisa, ele estava na minha frente, me fuzilando com seus olhos vermelhos. "Na verdade, Katherine, eu não ligo muito para quem entra e sai daqui. A maioria se perde mesmo e passam a eternidade vagando aqui. Mas a sua família não vai mais tirar o que quer que seja daqui ou de mim. Não hoje, nem nunca."
"Do que você está falando?"
"Jimmy Spencer." Certo. Aquilo ali estava um grande show de horrores e eu não imaginava o que ele queria dizer com essas coisas tão absur... "Não ouviu falar do seu irmão mais velho, Katherine?" Aquilo sim rodou a engrenagem. E não, eu nunca fui apresentada a nenhum 'Jimmy' ou sei lá o que era essa pessoa. "James Leon Spencer, nascimento em... nossa! Como eu odeio datas! Deixe-me ver... Ah sim, nascido dia cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e seis. Ele teria algo em torno de vinte e cinco hoje."
"Peraí, como assim 'teria'?" Ele fez pouco da minha pergunta e só balançou a cabeça em negativa, suspirando fundo.
"É triste como as pessoas vem aqui e me exigem a alma alheia, como se fosse responsabilidade minha. Oras! Esse povo não guarda a alma no corpo, o que eu tenho com isso? Mas não, nunca é assim... enfim." Depois de reclamar, ele respirou fundo e deu dois passos pra trás me observando. "Você é a única que presta nessa família, Katherine, e eu sinto pena que você precise sofrer por eles. Algo que eu devo te alertar, as pessoas nunca voltam como vieram, nunca. Então pense bem o que vai me oferecer pela alma da sua amada porque ela pode muito bem voltar para aquela mocinha loira e lerda que ela namorava." Ele disse me olhando intensamente nos olhos e se achou por algum segundo que eu a deixaria aqui só para não perdê-la pra Brittany, ele estava mais do que redondamente enganado. "Você realmente é melhor que a sua irmã... Então, qual é o trato?"
"Eu não tenho o que te oferecer."
"Então ela fica." Sua resposta torta e de mau gosto fizeram meu sangue entrar em ebulição e fui para cima dele.
"Ela vai sair daqui e vai sair agora!"
"Você não sabe com quem está lidando, Spencer, você não sabe o que está me pedindo e nem imagina o que eu sou capaz de fazer."
"Eu não me importo! Eu fico no lugar dela!" Talvez não tenha sido a melhor escolha de palavras e... É, não foi. Nesse momento, ele começou a me rodear e a me medir cinicamente, mas algo o parou e algo mudou em sua expressão. Assim que ele cansou de balançar a cabeça como um animal analisa a sua presa, seu sorriso macabro se abriu e ele desapareceu por longos dez segundos até voltar com uma nova presa nos braços e com Santana no outro. "Santana! Meu Deus como você está?"
"Ela está descansando, é o que os mortos fazem antes de seguir seus rumos." Sua confiança me fez levantar do chão e olhá-lo com repúdio e raiva... até perceber quem ele estava segurando.
"Meg! Pelo amor de Deus!" Eu gritei assim que ele a jogou no chão. "O que você fez com ela? O que ela..."
"Não fiz nada, só a trouxe para um passeio. Vejamos, aqui está a moeda, se der cara, a Fabray volta, se der coroa, volta a Lopez, que tal?" Ele me disse com o sorriso maligno e segurando a moeda. "Okay, a sorte está lançada!" E assim foi a moeda pelos ares. Mas antes que ela pudesse cair no chão, ele me olhou sorrindo de modo ameaçador "Não seja estraga prazeres!"
"Pro inferno!" Cerrei os dentes olhando para ele e abracei as duas, torcendo e pedindo para que só dessa vez desse tudo certo, só agora. A última coisa que ouvi foi o som da moeda rolando no chão e sua voz funda.
"Santana, Meg... Ah, não se engana a morte tantas vezes assim, Katherine. Te contei uma, mas dessa você não escapa. Antes que você me culpe, o destino quer as três." Como eu previa, a moeda nunca parou.
"Katie, o que houve que você está tão longe?" Santana me perguntou enquanto estava deitada no meu ombro e só respirei fundo. No que eu tinha metido essa menina?
"No que aconteceu fora daqui." Falei simplesmente e esperei que a realidade batesse nela (no sentido figurado, por favor) e nem fiquei decepcionada quando a vi se levantando do meu ombro e olhando nos olhos. Respirei fundo antes de responder. "Eu adoraria te dizer que podemos dar um jeito nas coisas, Santana, mas eu não posso. Ele me pediu para escolher e eu não pude, só isso..." Droga! Eu não vou chorar na frente dela, o que essa menina está passando e tudo é por minha causa... É desumano tudo isso, mais do que eu gostaria de admitir. "Eu acho que eu não deveria ter me aproximado de você." No segundo seguinte que eu disse essa frase, me arrependi até de ter nascido pela expressão que ela vestia. Deus! Será que eu não consigo fazer nada certo?
"Ótimo saber disso agora, Spencer, maravilhoso." Antes de terminar sua frase, ela já estava se afastando e ameaçando levantar da cama, mas eu fui mais rápida. "Me solta! Que diabo de romantismo é o seu, hein? Você me espera dizer... aquilo pra falar que deveria não ter se aproximado? Pro inferno!" Obviamente ela estava ensandecida naquele momento e nem esperava nada diferente, mas realmente me senti a pior das pessoas do mundo naquele momento.
"Não foi isso que eu quis dizer, Santana!" E ela não ouviria nada daquilo e eu não estava surpresa, por isso, quando ela se sentou, eu me sentei também. "É óbvio que eu não quero e nem posso te perder, Santana, não existe essa possibilidade. Eu só estou com medo..." A surpresa ficou por conta de ela me olhar e tentar me entender antes de me furar com o bisturi. Pois é, as pessoas até que mudam um pouco.
"Medo de?"
"De ter estragado a sua vida assim que eu entrei nela. De ter cortado seus sonhos, ou de bagunçar tudo, de, ao invés de ajudar, simplesmente colocar tudo por água abaixo. Porque eu não vou suportar que algo te aconteça por minha culpa, Santana, eu não posso nem imaginar isso sem sentir um calafrio me gelar a alma. Eu não conseguiria conviver com isso, com o fato de poder te fazer mal..." Suspirei fundo e abaixei os olhos, eu não suportaria vê-la mudando de idéia e indo embora. Certo, não indo embora literalmente, já que ela precisa de alta, mas enfim, desistindo.
"Tá bom." Claro que de tudo que eu esperei, essa era a última coisa que tinha em mente, por isso fui pega de surpresa.
"O quê?" Em sua usual persona, Santana apenas me revirou os olhos e me escalou de volta.
"Você" Suas duas mãos estavam empurrando meus ombros para baixo. "É" Ela se sentou em cima de mim (Cristo me salve!). "Fofa" Aproveitando de sua nova posição, ela começou a desabotoar o meu colete. "Demais" Seguindo o pensamento, ela afrouxou a minha gravata. "Pra" Claro, ela iria colocar as suas mãos geladas na minha barriga e me arranhar. "Sentir" Já que suas mãos estavam ali, né? Minha noiva (é tão bom pensar assim, me passa tanta paz) resolveu desabotoar a minha camisa. "Medo". E se abaixou para me beijar com força e vontade. Não satisfeita com isso, ela se afastou e mordeu o meu lábio, me olhando nos olhos. "Você..." Ai, Deus! Como a minha camisa já estava arreganhada com a gravata jogada para o lado, ela desceu a mão até o meu short e começou a desabotoá-lo.
"Vai me enlouquecer, Santana!" Comentei no segundo que ela descolou sua boca da minha para me sorrir torto. Ah, o que esse sorriso fazia comigo era um crime. Percebendo o meu estado – o que nem era difícil de imaginar por ela estar em cima de mim só com aquela camisolinha fina e aberta (e eu deveria estar me aproveitando desse fato) –, ela só sorriu ainda mais e passou a arranhar a minha barriga. "Santana!"
"Que foi?" Obviamente ela estaria se fazendo de rogada e inocente enquanto tentava abrir o fecho do meu sutiã, isso nem me surpreendia mais. Nada disso era essa grande surpresa, tirando o fato de estarmos em um quarto de hospital, deitadas numa maca e ela usava esse pano horroroso e todo aberto e... "Porra, Katie!" Essa foi a minha vez de rir quando dei por mim e me aproveitei do fato de ela não ter absolutamente por baixo daquela vestimenta. Em outras palavras, eu estava apertando sua bunda enquanto ela me beijava e rebolava em cima de mim. "Tira esse short, tá me incomodando." Seu sussurro no meu ouvido passou batido até eu sentir suas duas mãos puxando meus jeans para baixo. E conseguindo, claro. Porque Santana Lopez consegue tudo que quer, pelo menos enquanto eu puder lhe dar as coisas. "Hum, bem melhor..." Ela suspirou na minha boca e eu só balancei a cabeça em sinal de positivo como uma demente, com a mesma cara pasmaceira do Hudson, mas para a minha sorte, ela ignorou esse fato e continuou rebolando em cima de mim, com as mãos espalmadas na cama, uma de cada lado da minha cabeça e usando ainda mais força nos quadris. "Você não me foge dessa vez, Spencer, você não tem essa opção." Claro que menos pela sua ameaça sussurrada em meu ouvido e muito mais por eu definitivamente não pensar em outras coisas, só me dei ao trabalho de puxá-la mais pra perto e abraçá-la apertado. Abraçá-la era a melhor experiência da minha vida, não me entendam mal, mas aquele abraço em especial foi para tentar desatar o laço daquela camisola terrível. Um dos trabalhos mais difíceis que tive na vida, se me couber dizer, mas saí vencedora. Vendo isso, minha noiva desistiu de se apoiar nas mãos e soltou o corpo em cima do meu para voltar a me beijar com ainda mais força e paixão. Me aproveitei dessa abertura (literal e figuradamente) e me deitei por cima dela, nos virando na cama. Sem a menor pressa porque eu realmente só queria olhá-la nos olhos para ter certeza do que ela gostaria naquele momento. "Katie, me come agora!" Aquela frase e o olhar que ela estava me lançando conseguiram tirar o ar dos meus pulmões e me deixar sem fala. Infelizmente, menos do que a outra pessoa que entrou no quarto.
"Meu bebê, me desculpa! Eu adoraria ter vindo antes, mas fui chamado pra operar emergencialmente a sua amiga Quinn e não pude chegar aqui antes. Graças a Deus ela está bem e não houve nenhuma seqüela. Agora eu quero saber como você... O que está havendo aqui? Santana!" A dita menina que estava embaixo de mim só me arregalou os olhos e a única coisa que eu pude fazer foi me rolar para o lado e cair no chão.
"Pai?" Ah, Deus! Não, hoje não...
"E quem é ela e o que ela estava fazendo em cima de você?" Pelo tom de voz que ele usava... Bem, eu estava em maus lençóis. Por isso aproveitei para abotoar minha roupa do melhor modo que desse e eis que vi um esconderijo maravilhoso: embaixo da cama. Antes que vocês possam me julgar, não é exatamente covardia, só que eu tenho um pouco de amor próprio e sou muito nova para morrer, ainda mais nessa situação e em um hospital, com a minha n...
"Nem pense nisso, Katie!" Fui arrancada de minha fuga pela voz da minha namorada e por sua cabeça pendurada da cama e me olhando no chão. Sorri em desculpa. Ora, eu nem tinha fugido no sentido literal da palavra, mereço crédito.
"Onde você pensou que ia, mocinha?" E lá estava aquela voz e aquele homem parado exatamente na minha frente e vendo minha mão entrar embaixo da cama com vida própria.
"Hã? Er... Meu brinco, ele caiu. Ali, eu... vi. E, hum..."
"Eu estou certo de que o seu brinco está na cama da minha filha, junto com os outros botões da sua blusa." Se eu pudesse, eu teria voltado para o outro mundo dos mortos porque morrer pelas mãos do Hades me pareceu menos violento. Só fiquei porque minha noiva esticou a mão da cama e me ajudou a subir, me olhando com um sorriso curioso (provavelmente por eu ter tido um leve AVC tentando responder à pergunta de seu pai) e me puxou de volta para a cama, pro meu desespero e pra raiva do homem. "Ora, Santana, o que está havendo aqui?"
"Primeiro, pai, com todo o respeito, o senhor não tem o direito de entrar aqui e acusar a minha noiva do modo que você acabou de fazer. Então, eu espero que você peça desculpas a ela." Não sei se a surpresa maior foi minha ou do meu sogro, mas sei que toda a cor morena que ele tinha na face desapareceu e deu lugar a um branco pálido e morto.
"Noiva...?" Foi sua pergunta abobada, olhando para nós duas.
"Exatamente. Pai, quero te apresentar a minha noiva, essa é Katherine Spencer. Katie, esse é o meu pai, Dr. Carlos Lopez." Santana disse como se estivesse apresentando seu pai a uma colega, tamanha foi a simplicidade e isso me fez ficar mais uma vez surpresa com essa menina. Sacudi a cabeça e estiquei a mão em sinal de educação, mas o homem só se irritou ainda mais e negou com a cabeça. E bem, eu coloquei minha mão na maca, até minha noiva a segurá-la novamente.
"¡No voy a darle la mano, Santana! Y usted no..." Aquele homem conseguiu ficar ainda mais assustador praguejando em espanhol. Droga, droga, droga! Por que eu não estudei essa língua? Agora ele vai achar que eu sou uma imbecil. Quero dizer, pela paixão com que ele está falando de mim, eu duvido muito que ele acredite que eu seja qualquer outra coisa, mas enfim...
"¡Basta, padre! E vamos voltar ao inglês!" Minha noiva me defendeu e eu parei de suar frio ao olhar pro seu rosto.
"E por que? ¿Su novia no habla español?" Rá, eu entendi! Essa eu realmente entendi. Quero dizer, ele estava falando de mim e querendo saber da minha vida, né?
"Não, ela não fala." Santana respondeu revirando os olhos e eu não sabia pra quem olhava ou pra que, ou se olhava. Eu podia fugir, né? É sempre a melhor opção.
"¿Y qué idioma hablas?" Ele estava falando comigo, eu tenho quase certeza. Ou só estava me fuzilando com os olhos por seu puro prazer. Mas bem, ele me fez uma pergunta e acho que eu entendi. Quero dizer, espero que sim...
"Bem, senhor, eu falo inglês, italiano, francês, latim e um pouco de mandarim e russo, mas não falo espanhol. Sinto muito." Respondi fingindo mais confiança do que eu teria em toda a minha vida e, de canto de olho, pude ver minha novia sorrindo em vitória e com os braços cruzados, encarando seu pai. Ai, Cristo, onde eu fui me meter?
"E a senhorita tem algo contra o espanhol, Spencer?" A essa hora, Santana já estava balançando na cama como um pêndulo e não sei se isso era bom ou péssimo. Ou simplesmente horrível.
"Não, não, senhor. Eu não tenho nada contra a língua, ou contra o país e as colônias. Na verdade, acho interessante demais toda a cultura e a economia que herdamos deles, além da expansão que foi muito impulsionada por eles no início do sécu..."
"Meu amor, você não precisa explicar mais nada." Minha noiva interrompeu todo o meu discurso e, por sorte, diminuiu a minha vergonha.
"É óbvio que ela precisa! Eu sou seu pai, Santana Lopez, e se coloque no meu lugar. Eu vim aqui preocupado contigo e com o seu bem estar e de repente eu a vejo em cima de você e se aproveitando do seu quadro e do seu estado fragilizado. Ela me deve explicações!" O pai da minha namorada resolveu começar a me aterrorizar mais ainda, como se sua aparência não fosse assustadora o suficiente. Ele era alto, tinha a mesma cor de pele da Santana, os cabelos bem negros e bem penteados e tinha um porte forte e uma barba impecavelmente penteada. Sem contar com o fato de que ele vestia esses macacões de cirurgião, então ele poderia muito bem amputar cada um dos meu membros com uma frieza russa... Santo Deus! Eu preciso para de pensar nisso e voltei meus olhos para a minha morena. E claro que isso não incomodou no mínimo a minha latina, que só cerrou os olhos para seu pai e apertou ainda mais a minha mão com raiva.
"Você não sabe nada sobre ela! Nós vamos nos casar, é disso que você precisa saber. E sobre o que você viu, eu iniciei, não foi culpa dela." Minha namorada explicou e eu suspirei fundo, sorrindo leve.
"Do mesmo modo que você ia casar com a Brittany?" É, certo, isso tirou o meu sorriso do rosto. A mão que ainda segurava a minha já estava suando frio e resolvi me levantar da cama e ameaçar sair do quarto. "Ora, não vai participar da conversa, minha nora?" Dr. Lopez comunicou com desdém e um tom de ameaça e resolvi ignorá-lo, parando na frente da porta.
"Katie, onde você vai?" Santana me perguntou num tom extremamente triste e respirei fundo, antes de me virar com um sorriso.
"Eu vou ver a Quinn, meu amor, porque tenho certeza de que a Meg está quebrando tudo por aí, ao invés de estar lá com ela. Eu já volto, não se preocupe. Só não vou atrapalhar mais a conversa de vocês." Dizendo isso, voltei até a cama e lhe dei um beijo na testa. "Eu não vou te deixar, nunca. Lembra?" Ao vê-la concordar com a cabeça e sorrir, me virei em meus calcanhares e segui até a porta, parando pouco antes de abri-la. "Foi um prazer conhecê-lo, senhor Lopez, mas eu sinto muito pelas circunstâncias terem sido tão contrárias. Tenha uma boa noite." Nem me virei para saber se ele me ouviu de fato, só respirei fundo e cruzei a porta.
Conhecer pais continuava sendo algo traumatizante. Mas pela Santana eu tentaria o meu melhor, ela não merece menos do que isso.
...
"É ali, Rachel! Ali que eles devem deixar a Beth e mudar de carro para fugir." Shelby me disse no banco de trás e respirei fundo, olhando para Noah, que deu de ombros. "Ela está bem, a cirurgia foi um sucesso." Assim que ouvi a sua frase, um sorriso se abriu no meu rosto e no do meu melhor amigo e por isso pisei no acelerador daquela máquina futurista para chegarmos logo e poder segurar a minha irmãzinha e depois, enfim levá-la para a minha namorada. Estou dizendo, a vida de Rachel Berry daria mais do que um livro de biografia, seria uma trilogia, uma saga, ou algo igualmente longo. Olhei pelo retrovisor e Shelby também me sorria. Tudo ficaria bem, não é?
"Ali, Rach, temos uma trilha por ali, apague os faróis e vamos." Concordei com a cabeça e fiz o combinado, desligando todas as luzes do carro e jogando-o na direção que me meu melhor amigo me deu. Estranhamente escuro e calmo, aquilo estava me dando calafrios pela espinha e agarrei ainda mais forte o volante. "Sh, Rach, ali está casa. Vamos estacionar aqui perto dessas árvores." Noah comentou comigo e segui seu conselho mais uma vez. Era mais seguro esconder o carro na pequena floresta que seguia a pista para o caso de eles pegarem mesmo outro carro de fuga e não virem o nosso veículo ali. "Certo, você tá pronta, superstar?" Desliguei o motor e fechei os olhos, respirando fundo. Assenti mais uma vez e sorri na direção do meu marginal preferido que ainda segurava a Colt da minha cunhada. Ele me sorriu de volta e abrimos a porta do carro, descendo sorrateiramente. Aquilo estava mesmo parecendo um dos nossos campeonatos de videogame, nós dois abaixados e nos escondendo pelas árvores, a fim de nos aproximarmos da casa abandonada. Mesmo com todo o cuidado (de minha parte, obviamente, já que sei que um erro nessas situações é fatal), meu melhor amigo acabou chutando algo e se abaixou para pegar. "O que é isso?" Noah me ofereceu o seu achado.
"É uma arma, punk" Falei ao analisar de perto aquilo e, bem, não era difícil adivinhar. Era uma automática preta, isso dava pra ver pelo design dela e pela simplicidade das armas mais modernas.
"Você vai ficar com ela, Rach?" O sussurro do meu melhor amigo me assustou levemente e quase caí no chão. Bem, era melhor pegá-la, não? Quero dizer, não que eu pretenda dispará-la, mas não fazia mal ter mais uma para o caso de uma emergência, certo?
"Bem, eles dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma, então eu presumo que duas armas disparem melhor do que uma também, certo?" Sussurrei de volta para ele que só me abriu o seu sorriso cafajeste.
"Eu gosto de como a sua mente pensa, superstar." Ora, era óbvio isso! Eu tinha uma ótima mente e arquitetava ótimos planos, obrigada.
"Você sabe, Noah, se Rachel Berry é alguma coisa, eu poderia dizer que 'prevenida' é a palavra." Sorri o meu sorriso vencedor de volta e coloquei-a na cintura para seguirmos nosso caminho. Nos levantamos lentamente e nos preparamos para seguir. Isso até Shelby nos avisar (como sempre, num ótimo horário) que, bom, nem tudo na vida eram flores.
"Oh, Deus, eles já nos viram." Assim, duas coronhadas nos desacordaram. Quero dizer, digo sobre mim, porque pude ouvir Noah disparando alguns tiros antes de cair apagada no chão.
...
"Rach?" Acordei piscando e chamando pela minha namorada, mas infelizmente ela não estava ali comigo.
"Quase." Uma voz me respondeu e sei que a conhecia de algum lugar, não lembrava exatamente de onde, mas era familiar. Por isso olhei na direção da voz e me deparei com dois olhos verdes vivos e cheios de carinho me olhando de volta.
"Katie?" Perguntei e a dita menina só assentiu com a cabeça, ainda sorrindo e de pernas cruzadas na cadeira. "Você viu a Rach?" É, eu sei, ela poderia ter saído para beber alguma coisa, mas eu estava morrendo de saudade dela.
"Não, Quinn, infelizmente não." Suspirei fundo e fechei os olhos. Bem lá no fundo, eu estava esperando por isso, só não esperei que fosse doer tanto assim. "Como você está?" Percebendo a minha mudança de humor, a namorada da minha melhor amiga resolveu continuar seu questionário e assenti com a cabeça em resposta. É, a culpa não era dela. "Que bom, eu fico feliz." Seu sorriso foi sincero e me peguei sorrindo de volta. Não sei como eu pude ter desgostado dessa menina. Quero dizer, além dos ciúmes enlouquecedores que eu sentia dela com a Rach, a Katie é uma menina muito boa e especial e já não era sem tempo de eu cortar as antigas animosidades.
"E a minha irmã?" Perguntei continuando com nossa conversa.
"Ainda não terminou sua missão de colocar o hospital abaixo já que ainda estamos aqui, mas está bem encaminhada já. Pelo que eu a vi fazendo na sala de espera, é bom que não tenham muitos doentes hoje porque boa parte do corpo médico teve que segurá-la e impedi-la de decapitar uma enfermeira." Terminou de falar com um sorriso nos lábios e balançando a cabeça. Eu gargalhei de volta, aquilo era bem a minha irmã.
"Essa é Meg Fabray pra você!" Comentei e ela se juntou comigo nas risadas, embora fossem mais discretas que as minhas. Até que em um momento ela ficou triste, com as feições sombrias e temi pelo pior. O que será que tinha acontecido? Será que foi algo com a S.? "A Santana tá bem, Katie? Ela já melhorou?" Depois de ouvir a minha voz, ela voltou a sorrir e a balançar a cabeça.
"Está discutindo com as enfermeiras que não foram segurar a Meg porque ela quer vir vê-la." Claro que estaria! Pensar nessas duas juntas era como imaginar o fim do mundo em chamas e inundação, coisa de dar medo e por um minuto senti pena da Katie por ter que aturá-las. Quero dizer, eu também sofri tanto quanto ela. Nossa, realmente nós tínhamos algo em comum. "E essa é Santana Lopez pra você." Ela completou e ri ainda mais. Por sorte eu estava num quarto de hospital e não precisava passar pela loucura daquelas duas, pelo menos, não hoje.
"E você vai deixá-las destruir o mundo?" Me voltei para minha cúmplice e arqueei uma sobrancelha.
"Você diz como se eu pudesse impedi-las, Quinn." Foi só o que respondeu e deu de ombros. Seja lá o que a S. fez, isso tinha magoado bastante sua namorada. Era algo mais que perceptível.
"Por que você não está com a Santana, Katie?" Resolvi tentar ser mais séria e ver o que isso nos daria.
"Carlos Lopez." Foi sua única resposta e arregalei os olhos quando entendi que sim, ela estava falando do tio Carl, pai da Santana e... Deus! Essa menina não sabe onde se meteu. "Exatamente isso, Quinn, essa era a expressão que eu estava esperando. Ainda mais depois que ele entrou no quarto e nos pegou, er..." Seu rosto vermelho terminou seu discurso melhor do que ela poderia achar palavras para tal e eu tive que gargalhar. "Ei, Quinn, isso não é engraçado. Aquele homem é assustador, ainda mais falando em espanhol." Ainda gargalhando, eu assenti com a cabeça porque ela estava certo, o tio Carl podia aterrorizar qualquer ser humano que quisesse só citando frases em espanhol.
"Mas, Katie, você estava se aproveitando do bebê dele, o que você queria?" Entre risos, eu comentei com ela e só pude rir quando a vi arregalar os olhos de medo e de vergonha do que acabou de ouvir.
"Eu não estava." Depois de cruzar os braços ela olhou para os lados. "Quer dizer, nós estávamos juntas nisso..." Não sei por que, mas eu já ouvi essa frase antes, em algum lugar...
"Vamos, Nine! É só um cabelo!" Minha irmã mais velha comentou comigo ainda mexendo na panela fervendo no fogão.
"Não é, é o meu cabelo e eu não quero pintá-lo" Cruzei os braços na cozinha e bati o pé. Ela podia ser a minha melhor irmã mais velha, mas ela não ia decidir se eu pintaria o cabelo ou não.
"Mas alguém precisa ser a Florzinha..." Minha irmã comentou e fez biquinho, mas mesmo assim não largou a panela.
"Só que vocês nem vão pintar o cabelo! Isso não é justo!" Eu me sentei na cadeira que era bem mais alta que eu e continuei de braços cruzados.
"Mas é claro que vamos, Nin." Lá estava ela, a melhor amiga da minha irmã agachada do meu lado, com seus infames óculos imensos, seu moletom e o capuz cobrindo seu rosto tentando me convencer de entrar nisso. Mas não, eu não deixaria fácil.
"Mentira, Kat! Você vai ser a Docinho e Meg vai ser a Lindinha porque vocês já estão com o cabelo das cores certas!" Fiz mais um pouco de birra e minha irmãzinha me olhou, revirou os olhos e tirou o boné do time de futebol da escola que ela tinha roubado do namorado de sua melhor amiga. E seu cabelo longo e loiro estava todos escuro, meio preto e meio azulado e ela me sorria como uma esquisita (minha mãe não gosta que a gente fale a palavra com 'r' aqui em casa).
"Gostou?" Foi sua única pergunta assim que virou pra mim e corri em sua direção para ver melhor e tocar. Ela podia estar me enganando, né? "É de verdade, Nine, por que eu mentiria pra você?" Meg me perguntou e fiquei meio mexida e olhei pra baixo, com vergonha de ter duvidado dela. "Certo, Kay?" Assim que ela se virou para sua melhor amiga eu a segui e fiquei boquiaberta quando me deparei com a mesma menina de antes sem os óculos e com um cabelo loiro bem claro, caindo do capuz de seu casaco.
"Meu Deus, Kat! Você está linda!" Disse correndo em sua direção e olhando seu cabelo bem de perto. Nossa! Ela ficava tão bonita loira e sem os óculos...
"Ei! Eu te disse que nós estávamos juntas nisso, Nin..." Foi seu único comentário seguido de um sorriso e eu fiquei um pouco vermelha.
"Ei! Por que ela está linda e eu não? Eu sou a sua irmã velha, Nine, eu tenho que ter preferência aqui!" Sua melhor amiga só revirou os olhos e me olhou balançando a cabeça. "Quer dizer, você realmente está linda, Kay, e isso é algo que podemos testar, que tal? Esses óculos horrorosos não te fazem bem." Minha irmã falou se aproveitando sorrateiramente e olhando-a nos olhos. A Kat se afastava aos poucos, cada vez mais assustada e minha irmã me olhou, me motivando a ajudá-la nessa mudança. Claro que eu ajudaria, ela tinha ficado tão mais bonita e nem seria assim tão difícil de convencê-la.
"Eu concordo! Só vou virar a Florzinha se você parar de usar esses óculos, Kat!" Claro que Meg ficou orgulhosa de mim e Kat só me olhou um pouco triste e me arrependi, abaixando a cabeça. Ela sempre foi tão legal comigo e lá estava eu sendo uma abusada com ela. Mas eu ia me consertar! "Quer dizer, Kat, você pode continuar com o óculos, mas é que você fica tão... er..." E ela estava me olhando com tanta sinceridade e de um modo tão esquisito que eu fiquei nervosa e abaixei a cabeça, olhando para os meus tênis.
"'Tão linda sem os óculos', é o que ela ia dizer eventualmente. E então, Kay? Dá ou desce?" Minha irmã comentou com a sua melhor amiga, mas nem reparei se ela respondeu, ainda estava envergonhada demais para levantar os olhos.
"O que você acha, Nin, eu devo fazer isso ou ela só está me ludibriando?" De repente, ela estava ao meu lado abaixada novamente e segurava o meu queixo, me olhando nos olhos. Assenti com a cabeça milhares de vezes e ela me deu um de seus sorrisos gigantescos que sempre me lembravam os da Rach. Elas duas tinham dentes grandes e limpos e lindos e sorriam honestamente. Ela sempre me lembrava da Rach, na maioria das coisas. Tirando o fato de ela falar menos, e não usar palavras tão esquisitas comigo. Tá, essa 'lubrificando' é um caso em exceção.
"Certo, está pronta, Florzinha?" Meg se aproximou de mim e se agachou na minha frente e ao lado da Kat. Assenti com a cabeça, mas uma dúvida ficou na minha cabeça.
"Estou, mas por que eu tenho que ser a Florzinha?" Eu perguntei e minha irmã e Kat se entreolharam.
"Por que você é a nossa líder, Nin." Kat respondeu e sorri feliz para as duas e dei um grande abraço nelas, me preparando para ficar rosada...? Quer dizer, como se chama alguém com o cabelo rosa? Enfim, isso não era importante! Porque nós éramos as meninas superpoderosas e eu era a Florzinha!
E pela semana toda nós três entrávamos com os cabelos descoloridos e dominando os corredores do McKinley. Eu ficava no meio e todos nos olhavam porque nós éramos as meninas superpoderosas.
No ano seguinte, eu entrei para a Santíssima Trindade, para ser novamente a líder. Porque minha irmã e a melhor amiga dela me deram o empurrão necessário para isso.
"Ai! O que é isso, Quinn?" Katie me perguntou alisando o braço e me olhando em reprovação.
"Isso foi por me fazer pintar meu cabelo de rosa!" Eu disse brincando e ela arregalou os olhos novamente em surpresa. Dei outro soco no seu outro braço.
"Mas o que eu fiz agora?" Ela me perguntou alisando o outro braço e me fuzilando com os olhos.
"Eu tinha um crush em você." Respondi olhando para baixo e murmurando baixo. Não sei qual foi a grande graça, mas ela entrou em uma gargalhada sonora e acabei dando outro tapa em seu braço. Só assim ela engoliu o riso.
"Credo, por que tão abusiva? Sabia que a Meg não era boa companhia pra você" Katie me respondeu massageando o ombro dessa vez e olhou para mim.
"Eu disse que eu tinha um crush em você e você riu de mim. Isso é ridículo!" Respondi com raiva e cruzei os braços olhando com força para ela.
"Você não tinha um crush em mim, Nin, não seja ridícula." Ótimo, agora ela estava só me zoando e me ridicularizando na minha frente. Era o que eu merecia.
"Ah sim, porque disso você sabia..." Rangi os dentes.
"Você gostava de mim e eu gostava de você. Simples assim, não era um crush. Eu sei que você não tinha maldade comigo. Só com a Rach... Para com isso, Quinn! Que horror!" Claro que eu tinha batido nela mais uma vez. Ora, que absurdo falar que eu tinha maldade com a Rach... Inverdade também! Por mais difícil que isso seja... Droga! Não posso pensar nisso agora.
"Eu devia falar pro tio Carl vir te bater." Comentei com desdém.
"Pois se a minha namorada me vir toda marcada assim, eu aposto que não vai sobrar nada para ele bater." Ela comentou se encostando na cadeira. Meu Deus! A Santana!
"Ela te babava! Nossa! Era tão na cara isso! Eu me lembro do dia que estávamos na piscina e a Meg te arremessou lá dentro e..." Foi quando ela cerrou os olhos pra mim e percebi que não, não era o meu papel contar isso para ela. "Ei, Kat, por que 'Nin'?" Resolvi mudar mudar de assunto antes que ela pegasse o que eu quis dizer, que na verdade, a primeira garota que a S. maldou foi a Katie. Enfim, acabei fazendo uma pergunta que era interessante porque aquilo me deixou intrigada, sempre me perguntei o porquê desse apelido e agora era a hora de saber. Ainda me cortando com os olhos, ela suspirou fundo e acabou de se alisar.
"Anaïs Nin. Eu costuma ler pra você à noite, lembra? Por isso o apelido." Katie disse simples e olhando para a porta, como se estivesse esperando alguma coisa.
"Certo. Mas por que você lia pra mim se não gostava de mim de outro jeito...?" Perguntei enquanto ainda tinha a oportunidade e ninguém (lê-se Meg e Santana) entrasse ventando pela porta. Isso pareceu tirá-la de seus devaneios e ela me olhou fundo nos olhos.
"Pela Stacey, Quinn. Nós não fomos exatamente criadas juntas e só nos víamos nas férias porque ela passava a maior parte do tempo no colégio interno." Katie me disse e sorriu sem ter a menor graça. "Ou melhor, no sanatório." Minha única resposta para aquilo foi arregalar os olhos. Mas isso era óbvio, claro que aquela vagabunda era louca! Só podia ser. Mas optei por morder a língua em respeito a ela, afinal de contas, a galinha menstruada ainda era sua irmã e a deixei seguir com sua explicação. "Pois é, eu descobri por acaso que os Spencer tem muito mais a esconder. Enfim, não foi isso que você me perguntou." A morena completou passando a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo. "E eu sentia falta de ser irmã mais velha, sabe? De ler e ajudar com deveres e com as aulas de piano... Não sei, me fazia bem. E você era uma criança fofa." Ela completou e me arremessei nela em um abraço.
"Obrigada por ter estado nas nossas vidas, Kat, eu nem sei como agradecê-la. Você é uma pessoas tão boa que..."
"Que você vai largá-la agora ou eu vou quebrar os seus dentes!" A voz da S. me assustou tanto que pulei de volta na cama e quase caí do outro lado. Quando vi sua expressão assassina, logo olhei para para a Kat e vi que ela também estava traumatizada pelo vida. Só que não como eu, ela estava mordendo os lábios porque o tio Carl estava na porta nos fuzilando.
Será que é tarde demais pra eu fingir um coma?
...
Na casa abandonada, se encontravam Noah, Rachel, Beth e Shelby. Além de algumas figuras que se moviam pelas sombras e conversavam baixo entre si, aproveitando o sono não tá pacífico dos dois amigos.
"Que droga! Vamos logo embora enquanto eles ainda acordaram." Stacey Spencer disse para os dois encapuzados com os olhos cheios d'água. De fato, ela não queria que tudo tivesse chegado tão longe. As brigas com sua irmã, com seu ex-namorado e com todo o grupo que estava mais que unido por toda a confusão armada por ela.
"Não, nós não vamos fazer isso! Eles podem ter nos visto e eu não vou correr o risco de ir pra cadeia novamente, eu não mereço isso!" Scott Morgan disse enquanto segurava uma arma a balançava para provar seu ponto de vista.
"Pois é exatamente pra lá que você vai caso você os mate, Scott! Não percebeu isso?" A ruiva ainda estava tentando convencê-los enquanto outro homem se aproximava do bebê Beth.
"Eu acho que eles merecem morrer. Eles e a puta da sua irmã por terem sumido com o Franz!" Amy Whitman em espíritoe raiva vociferou do outro lado da sala enquanto sua comparsa morta se aproximava da estrela Rachel Berry.
"Não! Nós não vamos matá-los! Nós não somos assassinos!" Stacey tentou argumentar até sentir um frio lhe cortar o corpo e se concentrar em suas têmporas.
"Você pode não ser, mas eu sou, Spencer." Morgan sorriu com o cano de sua arma apontada para a cabeça da menina e nesse momento o ar ficou pesado e frio. Esse foi o momento escolhido por Shelby para solicitar ajuda. Ela poderia até não ter mais salvação, mas suas duas filhas e o pai de uma delas ainda tinham e era por isso que ela iria lutar até desaparecer no ar fino.
"Chega disso e vamos embora!" O homem que brincava com Beth comentou sem ao menos levantar os olhos da criança que segurava a sua mão e pegava em sua arma com curiosidade. Ao vê-la fazer isso, ele se pulou para trás com medo de que algo acontecesse com a pequena. Sim, ele podia não valer o chão que pisava, mas nunca submeteria outro bebê ao que ele foi obrigado a vivenciar. Não, nem ele conseguia ser assim, tão maligno. "Vamos agora, isso já deu." Se levantando, ele focou os olhos na interação que acontecia pela casa. Vendo o homem rodear o lugar com os olhos, Scott abaixou a arma e olhou para baixo, muito para o alívio de Stacey.
"Não! Nós temos que matá-los! Nunca haverá outra chance como essa!" Amy se meteu na conversa e pulou na frente do homem que só respirou fundo.
"Não é porque você está morta que todos devem estar, Whitman." Foi simples e fria a frase dele e a morta se calou em seu canto. "Nós não estamos aqui para matá-los. Eles não são o problema. Ou vocês se esqueceram de tudo?" Com os olhos firmes e cerrados nos vivos e nos mortos, o homem completou e se virou nos calcanhares motivando todos a segui-lo. E assim o fizeram. Até ouvirem uma voz.
"Papá!" A pequena loira disse e Noah abriu os olhos e tentou se ajeitar, colocando uma das mãos na cabeça e reclamando da dor que a cortava.
"Sigam!" O chefe disse e fugiu porta afora, com Stacey e suas duas fantasmas em seus calcanhares, mas o dito assassino ficou para trás. Olhando com raiva para o menino que só correu os olhos pela casa atrás de sua filha e de sua melhor amiga.
"Beth! Rach!" A única que respondeu foi sua filha, já que sua amiga ainda estava caída no chão.
"Papá!" Sua bebê seguiu engatinhando em sua direção sorrindo e ele sorriu de volta, ignorando completamente o homem nas sombras.
"Minha filha! Como é bom saber que você está bem!" O garoto falou e tentou se ajeitar para recebê-la.
"Mas vejam se essa não é uma cena maravilhosa? Falta apenas a loira bisca e puta da Katherine para completar esse cartão-postal, não acha?" Scott Morgan falou se fazendo presente e parando a uma boa distância de Noah, ainda em sua frente. "Vamos ver quem pode ir primeiro? O pai, a filha ou a segunda mãe da criança? Eu voto nela, homossexualismo é um pecado sem perdão!" Morgan continuou falando e apontou sua arma para Rachel.
"Não! Não ouse você!" Noah gritou e tentou se levantar em vão, apenas para ter a arma apontada para a sua cabeça.
"Pois agora a gente vai ter uma brincadeira legal! Você escolhe quem vai primeiro, sua filha, para não ter que presenciar mais um assassinato? Sua melhor amiga, já que ela não vai sentir dor alguma, por já estar apagada? Ou você? Que não quer escolher e é indiferente a ordem de mortes? Tem um minuto, marginal. Decida ou decido eu." Scott Morgan perguntou com um brilho malicioso nos olhos e olhou o relógio. "Tic, tac, Puckerman, tic, tac."
"Não, por favor... Não faça nada com elas..." Noah ainda tentou argumentar com o bandido, mas não seria assim tão simples.
"Seu minuto está passando, Puckerman. O delas também."
...
Mas que diabo estava havendo ali? Juno estava com uma cara de condenada e Katie olhava assustada para o meu pai, como se ele fosse matá-la a qualquer momento. Me virei para olhá-lo e fiquei boquiaberta com a cara que ele estava fazendo. Oras, mas esse homem parecia uma criança de doze anos! Não era como se ela tivesse me deflorado. Porra, infelizmente não e isso ainda era culpa dele! Quando que ele se sentia no direito de me atrapalhar nesse momento? Quem ele pensava que era? Ah, mas o doutor Carlos Lopez vai ouvir bastante! Se ele estava pensando que era simples assim.. Ah, mas ele estava muito errado! Infelizmente, como em mais um dos infinitos tiros do meu revés, fui atrás dele em vão. A piranha do banheiro já o tinha puxado para falar de um moribundo qualquer e ele a seguiu temendo a minha fúria. Humpft! Nossa conversa pode esperar, homem! E ela vai acontecer. Ajeitei o máximo que pude aquela coisa horrenda que cobria o meu corpo maravilhoso, aquele pano terrível e desleixado (como ousam me vestir com um absurdo desses? Por acaso eles me confundiram com a Berry? Falando nisso, onde está esse sapatão que não amarra seu bicho sexual e a deixa abraçar a mulher dos outros? Oras! Essas duas já estão me dando dor de cabeça. Pronto! Marcarei na minha lista o nome delas também. Junto com o do senhor meu pai e da mulher fatal, minha noiva. Todos vão ouvir um bocado por seus comportamentos péssimos e desrespeitosos.) e me preparei para abrir a porta. Qual não foi o meu susto com a cena que vi diante dos meus olhos?
"Quinn, a Rachel e a Beth precisam de você!" Lá estava ela, um pouco mais assustadora e fantasmagórica do que antes, conversando com a mãe de sua filha. Credo, essa minha vida está pior que a continuação da derrota da 'Maria do bairro', igualmente escandalosa e sem decência. A dita loira monga a olhava como se estivesse vendo um fantasma. Porque bem, era o que ela era. E minha namorada estava em pé e estacionada na janela como se aquele circo estivesse assuntando-a e eu só digo 'demorou nesse caralho, hein?'. Se bem que essa mulher é um pesadelo ambulante e nem posso culpar a minha morena. Por isso, para nos salvar desse mau agouro, perguntei para as 'amigas e rivais' conversando sobre o homem que é filho da outra que adotou seu bebê... Ah pra puta que pariu, viu! Num vou nem tentar explicar essa merda porque não tem jeito. Então optei pela saída estratégica e pela sinceridade, minha arma mais poderosa, dizendo:
"Peraí, o que Jigsaw está fazendo aqui?" As duas deixaram de se olhar e todas viraram os olhos na minha direção, como se a porra da morta-viva fosse eu nesse buceta! Vou te contar, hein? É muita desgraça pra pouco 2012. As coisas só ficaram ainda melhores quando uma dor de cabeça me cortou e caí de joelhos no chão, vendo uma cena de raro primor.
"Você não vai escolher, Puckerman? Porque o seu tempo acabou. Um peninha, não é?" Alguém ameaçava a drag e ria de sua cara de travesti. "Acho que quem vai escolher sou eu..." O homem continuou falando e... Peraí, ele tinha uma arma? Nesse mesmo tempo, Berry resolveu se levantar e assustá-lo com sua boca falastrona.
"Argh, minha cabeça." Berry comentou com ninguém, o que não é novidade nenhuma. Apenas para o homem que se virou em sua direção e... Meu santo Deus! É o cara que me atirou e que estava atrás da Katie! O que ele estava fazendo ali e por que...?
"Bang, bang, Rachel Berry!" O homem falou e Rachel olhou pra ele em confusão, voltando seus olhos para casa e para Beth. A filha da Q. engatinhava em sua direção e gritava 'dá-dá' (provavelmente sabendo que é pra ela que sua mãe está dando). No mesmo instante, os olhos do hobbie ficaram mais contentes e ela abriu um sorriso para a criança, sua filha, sua irmã. Deus! Por que eu preciso pensar nessas coisas? Quando Berry ameaçou se levantar para ir atrás da criança, o homem armado voltou a se comunicar. "Nah-ah, Berry, eu não faria isso se fosse você. Ou você sossega aí, ou ela morre. O que acha? Já que o banana aí não soube decidir. Eu estou fazendo isso nesse momento. O que será? Uma música? Que tal 'bang bang'? Eu acho que combina com o momento, não? Eu posso completá-la para você, que tal?" O psicopata sorriu e se virou para Berry apontando a arma para ela. "Bang bang, I shot you down. Bang bang, you hit the ground. Bang bang, that awful sound. Bang bang, I used to shoot you down.*" O cretino cantou e sorriu engatilhando a arma e mirando. "O que achou? Desfinei ou essa apresentação roubou a sua respiração?" Como o filha da puta que era, ele só sorriu e balançou a cabeça. Desgraçado, quando eu te pegar! "Ai, ai. Piadas de lado, agora o assunto é sério. Quais são as suas últimas palavras, Berry?" Ainda mirando na Rachel, ela apenas negou com a cabeça para Puckerman.
"Cuide da Quinn e da Beth para mim, Noah." Para com isso, porra, Berry! Eu sei que é uma arma, mas você não pode se entregar assim. Anda, Puck, faz alguma coisa! Por que eu não posso ajudá-los, por quê?
"Tocante. Durma bem." O desgraçado disse por uma última vez.
"Rach! Não!" A última coisa a ser ouvida antes do barulho de tiro e tudo acabou.
"Rach! Não! Desgraçado!" Gritei socando o chão.
"Santana, meu amor, o que houve?" Eu só me virei e percebi que minha vista estava embaçada pelas lágrimas, mas senti os braços fortes da minha namorada me impedindo de tremer. Q. saltou da cama e foi para o meu lado, também agachada.
"S., o que houve? O que tem a Rach?" Minha melhor amiga me perguntou e nem pude encará-la, por isso, a única coisa que fiz foi abaixar os olhos e murmurar baixo.
"Ela foi assassinada, Q... Ela morreu..." Assim me joguei no colo da Katie e terminei de chorar meus olhos fora. Por que isso, por que a gente? As únicas respostas que tive para essas perguntas foram as lágrimas. Mas elas não eram mais o suficiente pra mim.
'Choose your last words, this is the last time. 'Cause you and I, we were born to die.' – Lana Del Rey
* Essa é a musiquinha de Kill Bill 1, Bang Bang da Cher e conhecida na voz de Nancy Sinatra. Bem, a tradução seria: '"Bang bang, eu te acertei. Bang bang, você caiu no chão. Bang bang, aquele som terrível. Bang bang, eu costumava te atirar."
