Capítulo 21: Cicatrizes
Enquanto Draco lentamente acordava com o ronronar de um felino, sua testa enrugou com confusão quando ele percebeu que o espaço ao seu lado estava vazio, exceto pelo gato que cochilava perto de seus pés.
Rapidamente ignorando o animal de estimação, ele alisou o local onde Granger deveria estar e sentiu os traços do calor da garota formigarem em sua pele. Hesitando enquanto seu cérebro turvo pelo sono despertava, ele girou o corpo lentamente, encontrando-a sentada na janela, sua silhueta definida contra a luz berrante e dourada da manhã. Apertando os olhos enquanto sua visão se adaptava, e sentando-se na cama, ele se concentrou na expressão cansada e tensa de Hermione, e franziu a testa para o olhar distraído da bruxa.
Ainda vestida com as roupas de ontem e as bochechas brilhantes pelas lágrimas antigas, ela estava segurando as pernas firmemente contra o peito e descansando o queixo nos joelhos. Seus lábios estavam amassados pelas mordidas severas, a boca curvada em uma carranca de luto, e seus olhos estavam suplicantes e vermelhos. Tudo o que ela fazia era olhar através do vidro da janela.
Ainda.
Mal respirando.
Ele absorveu todos os detalhes dela com olhos calculistas, agitando as informações em sua cabeça e tentando determinar o que deveria fazer. Merlin sabia que ele não tinha a menor ideia de como aliviar o sofrimento de Hermione, mas a necessidade arranhava sob sua pele de qualquer maneira, e ele nem sequer tentava resistir a ela.
Draco levantou uma sobrancelha quando ela abriu os lábios e respirou pesadamente contra o vidro, levantando um dedo para desenhar uma forma irracional na condensação. Com um suspiro de derrota, ele chamou o nome dela.
Hermione distraidamente arrastou seu dedo na janela enevoada e estreitou os olhos quando percebeu o que estava fazendo. Ela e sua mãe deixavam pequenas mensagens no espelho do banheiro quando era pequena, apenas pequenas coisas como Eu Te Amo ou Boa Noite.
A mão de Hermione caiu inerte ao seu lado, enquanto ela lia o que distraidamente havia rabiscado.
Vejo vocês em breve.
Ela balançou a cabeça, quando a voz turva de Draco infiltrou em suas orelhas e a trouxe de volta à realidade. "O quê?".
"Você ao menos dormiu?" ele repetiu em um tom vazio.
"Oh," ela exalou. "Um pouco... Quero dizer, o suficiente...".
"Não parece," disse ele com firmeza, tirando os cobertores de cima de si e sentando na beira da cama. "Você deveria dormir um pouco mais.".
"Não, está tudo bem," ela murmurou, e Draco odiou o quão distante ela parecia. "Eu não seria capaz de voltar a dormir agora, de qualquer maneira...".
"Não diga que você está bem quando você claramente não está," ele a repreendeu, talvez demasiado bruscamente. "É extremamente irritante...".
"Mas, eu estou...".
"Poupe-se," ele resmungou. "Por que vocês Grifinórios insistem em cobrir tudo com fadas de merda e sol?".
"Eu não estou...".
"Você se sente desorientada, certo?" ele questionou fortemente. "Como se sua mente estivesse fazendo piruetas, e você não tem ideia do que fazer com você mesma.".
Hermione sentiu sua boca mover com palavras silenciosas. "Eu... Como...".
"Caso você não tenha notado, estamos no mesmo barco aqui, Granger, então eu sei que é foda.".
"No mesmo barco? O que você...".
"Eu estou desaparecido desde junho," ele lembrou em uma voz inexpressiva. "Tenho certeza de que meus pais pensam que eu estou morto, em decomposição em algum lugar, em uma cova rasa cavada por alguém do seu grupo.".
Ela se encolheu. "Draco...".
"É verdade," ele interrompeu, considerando-a com uma expressão destacada. "Que outra história cabível poderia Snape ter inventado para explicar a minha ausência?".
"Sinto muito," ela murmurou com sinceridade. "Eu não sabia que fazia tanto tempo para você, mas talvez Snape...".
"Mesmo que ele tenha dito que eu estou desaparecido, suponho que eu tenha sido dado como morto depois de tanto tempo," ele reiterou, levantando a cabeça quando ela fez uma careta. "Não me dê esse olhar simpático, Granger. Não é como se eu estivesse realmente morto...".
"Mas talvez...".
"Eu já aceitei isso, Granger," ele a silenciou. "E você vai aceitar as circunstâncias também, mas você precisa superar toda essa merda de 'estou bem'.".
"Draco...".
"Então nós vamos tomar um banho," falou com firmeza, passando a ficar carrancudo com o olhar incerto que ela lhe deu. "Vamos lá. Levante-se.".
"Draco," ela suspirou, inclinando a cabeça. "Eu não acho que eu estou preparada para...".
"Eu nunca mencionei transar com você," ele a interrompeu com uma carranca enquanto se aproximava dela. "Agora venha.".
"Draco, eu só quero ficar aqui...".
"Merda resistente," retrucou, puxando-lhe o braço e a levantando. "Não me faça te arrastar...".
"Draco, me deixa," ela gemeu, lutando contra ele. "Você está me machucando.".
O loiro determinado recuou, mas manteve sua mão firme no cotovelo de Hermione enquanto a puxava consigo, teimosamente se recusando a reconhecer os protestos, não importava o quanto o tom de súplica dela assediasse seus ouvidos. Ele sabia que estava sendo duro, mas obrigou-se a ser indiferente, porque era necessário. Granger podia não perceber, mas ela precisava disso. Precisava dele.
Sua carranca endureceu quando ela cavou os calcanhares no chão e agarrou sua mão.
"Pare de lutar contra mim," ele advertiu sobre o ombro, pendurando o outro braço em torno do abdômen da castanha para obter uma fixação segura. A agitação de Hermione estava tornando difícil. "Puta que pariu, Granger...".
"Apenas me deixe," Hermione tentou, lágrimas frustradas ameaçando escorregar pelos cílios. "Que diferença vai fazer uma porcaria de banho afinal? Isso não vai...".
"Pare com isso," ele rosnou quando finalmente conseguiu tirá-la do quarto. "Confie em mim quando eu digo que a inatividade só irá fazer mais dano...".
"Eu disse que estava bem!" gritou ela. "Me ponha no chão!".
"Não!" ele gritou de volta, empurrando-a para o banheiro e batendo a porta atrás de si. Draco engoliu o sentimento inquieto entalado em sua garganta quando percebeu que ela estava chorando de novo, mas permaneceu firme em seu objetivo. "Não se atreva a tentar abrir a porta, porque eu vou arrastar você de volta aqui, até você entender a mensagem.".
Ele tentou não se afetar quando ela colocou distância entre eles e o estudou com olhos desconfiados. Será que ela realmente acreditava que ele iria machucá-la? Zombando e balançando a cabeça para fingir que não estava ofendido, ele foi até o chuveiro e o ligou, testando a temperatura contra os dedos e mantendo seus olhos em sua amante abatida no espelho.
"Isso é ridículo," Hermione murmurou por trás de respiração. "Você está sendo ridículo...".
"Tire a roupa," ele instruiu gradualmente, puxando sua própria camiseta sobre a cabeça. "Ou vai ser um puta esquisita de novo?".
Ela olhou para ele com as faíscas de desafio cintilando em seus olhos, antes de lançar um suspiro cansado e começar a tirar lentamente suas roupas. Draco manteve o olhar firme sobre ela enquanto baixava as calças e boxers em um movimento rápido e, em seguida, foi até ela com passos pesados. Ele tirou o suéter das mãos dela e atirou-o para o lado com crescente impaciência, colocando para o lado as mãos de Hermione antes de puxar os jeans e calcinhas pelas pernas dela.
Hermione sugou o ar e tentou se afastar, mas a mão de Draco já estava fixada em seu pulso. "O que há de errado com você?".
"Eu não tenho o dia todo, porra." ele sussurrou friamente, girando em torno dela para remover o sutiã antes que ela pudesse protestar.
Ele lutou contra a tentação de admirar sua nudez e ceder à pontada instintiva em sua virilha enquanto ela ficava em pé diante dele, infinitamente sedutora para ele desde a primeira noite em que haviam dormido juntos. Cada centímetro de sua pele de mel pertencia a ele, gostasse ela ou não, mas ele precisava levar isto adiante e terminar o que havia começado. Fingindo indiferença, que estava em teste visto que seu corpo ansiava por reagir a ela, Draco puxou-lhe o pulso e os guiou para o chuveiro.
"Entre," disse a ela, revirando os olhos quando Hermione previsivelmente hesitou. "Ótimo. Nós vamos fazer isso da maneira mais difícil, então.".
Ela gritou de surpresa quando ele a pegou, e ele rangeu os dentes em um esforço para ignorar o corpo nu de Hermione se contorcendo enquanto ele entrava no chuveiro e os posicionava sob a chuva de gotas d'água sussurrantes. O vapor doce enrolou-se em torno deles como um véu, e Draco silenciosamente desejou que ela esquecesse o mundo lá fora neste casulo enevoado.
A realidade era um obstáculo.
Sempre obstruindo o seu maldito caminho, e estragando seu santuário secreto longe de tudo.
Longe da guerra.
De seu passado.
De tudo.
E chegou a reconhecer que ele havia se estabelecido em seu santuário, apesar de toda a tentativa de resistência. A realidade era apenas uma memória abafada aqui dentro. Com ela.
O que diabos ele faria quando...
Ele sentiu as mãos de Hermione empurrando seu peito.
"De que você está brincando?" Hermione questionou com veemência. "Me deixa sair daqui...".
"Não," ele se recusou, mantendo-a sob a água. "Isto é o que você precisa...".
"Não me diga o que eu preciso fazer," argumentou Hermione em voz baixa. "Não ouse dizer-me como eu deveria estar lidando com esta...".
"Então, o quê?" ele incitou. "Você vai sentar-se no seu quarto e lamentar o dia todo?".
"Eu não estava me lamentando!" ela protestou em voz alta. "Cala a boca, Draco!".
"Bom, pare de ser tão patética!" ele continuou incansavelmente, invadindo o espaço de Hermione e pairando sobre ela. Ela realmente não tinha ideia de como estava bonita para ele agora, seus cachos de chocolate riscando o rosto e os ombros, como riachos de café, mas ele a atormentou indiferente a isso. "Chorar por isso como uma Lufa-Lufazinha de merda dificilmente vai fazer as coisas ficarem rosinha outra vez!",
"Eu sei disso!" ela cuspiu, dando-lhe um inútil empurrão. "Você não acha que eu sei disso?".
"Então pare de se lamentar!".
"Você era um idiota mal-humorado quando cheguei aqui, portanto, não seja tão hipócrita, merda!" ela reagiu. "Eu tenho todo o direito de ficar chateada! Eu sou humana!".
"Então por que diabos incomoda-se em mentir e dizer que você está bem?" ele respondeu bruscamente, trazendo o rosto próximo ao dela. " Vamos, Granger! Coloca pra fora! Por que dizer que você está bem quando você claramente não está? ".
"PORQUE EU NÃO SEI MAIS O QUE FAZER!" ela gritou, suas feições se transformando em um cansado olhar de aceitação enquanto seu peito arfava entre eles. "QUE PORRA EU POSSO FAZER, DRACO? EU NÃO POSSO FAZER UMA MALDITA COISA!".
Lá vai você. Grita, Granger.
"E ISSO DÓI DEMAIS, NÃO É?" ele gritou de volta, odiando-se quando ela fechou os olhos, mas ela precisava disso. Ele sabia que ela precisava. Ele a conhecia. "VOCÊ NÃO PODE FAZER NADA SOBRE ISSO!".
"Pare!".
"VOCÊ ESTÁ DESAMPARADA!".
"PARE!".
"MAS NÃO HÁ NADA QUE VOCÊ POSSA FAZER!" ele gritou, tão alto que queimou sua traqueia. "ACEITE, HERMIONE! NÃO HÁ NADA QUE POSSA...".
Ela lhe deu um tapa. Forte.
E no segundo seguinte, ela estava segurando o rosto de Draco e esmagando seus lábios nos dele.
Faça o que você precisa fazer...
Ela chupou, lambeu, provou, devorou.
Draco a sentiu cravar as unhas contra o seu couro cabeludo e pegar punhados de seu cabelo louro desesperadamente para puxá-lo ainda mais perto. O mais próximo possível. Ele poderia sentir o gosto da necessidade de Hermione por trás dos dentes e na parte de trás da boca da castanha, e ele sabia que havia conseguido o que tinha planejado. Ele a correspondeu, língua com língua e mordida com mordida, enquanto suas mãos passavam selvagens nas costas, laterais e cintura dela.
Toda sua.
Mas ele forçou-se a permanecer equilibrado. Era dela. O que ela precisava. E por um momento, isto o aterrorizava.
Seu gemido gutural deslizou sob a língua de Draco e o trouxe de volta para o agora. Ela. Girando-os, ele a prensou contra os azulejos com um tapa molhado, e mergulhou a mão entre eles para sentir o calor entre as coxas de Hermione. Entrando-a com dois dedos, tão profundo quanto pôde, e dedilhando seu clitóris com uma pressão praticada que ele sabia que a fazia tremer, engoliu o suspiro da garota e beijou-a com força. Forte o bastante para rasgar os lábios e misturar o sangue. O sangue dela, sangue dele. Tudo tinha o mesmo gosto.
"Pegue o que você precisa de mim." ele murmurou, seu tom rouco ressonando entre as respirações pesadas e a vibração dos lábios.
Afiando e esfaqueando as unhas nos ombros de Draco, Hermione balançou os quadris em seu toque, incentivada por suas palavras e muito consumida para resistir. Godric, ela amava as mãos e os dedos dele - em seu cabelo, em sua pele, dentro de si - e agora elas estavam se movendo perfeitamente contra o ponto enigmático sob o seu estômago, e persuadindo sensações ardentes e vibrantes em seu sistema.
Mas não era o suficiente.
"Mais." ela sussurrou entre os lábios em conflito, esperando que ele pudesse entender o que queria dizer.
Draco imediatamente retirou a mão e agarrou as coxas de Hermione, as levantando e envolvendo em seu próprio torso. Ele não se deixou escorregar para dentro da castanha. Ainda não. Ele precisava manter a cabeça. Draco estava tão duro que o músculo sob sua pele tensa latejava de dor. Ela nunca tinha sido assim, desinibida e o pudor completamente descartado, enquanto deixava a paixão e a necessidade por esquecer a guiarem, e isso era muito excitante. Mas ele precisava manter a cabeça. Era por ela.
Ela. Ela. Ela.
Ela estava quebrando o beijo novamente.
"Draco," ela murmurou. "Por favor...".
Draco mordeu o lábio inferior de Granger para abafar seu gemido, e a ergueu um pouco mais alto para que pudesse alcançar seu pênis, e no momento em que o pressionou na fenda de Hermione, ela apertou mais as pernas e o engolfou. Draco respirou fundo com o inesperado e corajoso movimento da garota, mas isso era o que ela precisava, permitir que os instintos a guiassem e abandonar os pensamentos.
Abandonar a razão.
Abandonar tudo, além da carne e da dor.
Ela estava puxando seus braços, pescoço, rosto, qualquer coisa que alcançasse para puxá-lo mais para dentro de si. Para fundi-los. Suas pernas eram como um vício possessivo em torno dele, o prendendo em seu calor escorregadio, tão apertado que Draco estremecia. Cega luxúria. O tipo mais honesto. Ele apressou-se dentro dela, guiado pelos próprios balanços desesperadas do corpo de Hermione para inventar um ritmo de impulsos obrigatórios com os sons de pele batendo e do tamborilar do chuveiro. Estava rápido.
Agitado.
Frenético.
Selvagem.
Maldito atrito. Em todos os lugares. De seus dentes raspando, para as batidas de quadris e as mãos que arranhavam, tudo embrulhado em um vapor úmido e murmúrios que ecoavam. E Hermione estava viva, quase derrubando-o enquanto se contorcia e tentava encontrar sua libertação. Encontrar o fogo. Caçá-lo. Um som estrangulado saiu da boca da garota quando ele a apertou no ponto que queimava seu interior e fazia sua alma tremer.
"Não," ela suspirou, afastando os lábios e levantando o queixo. "Beije meu pescoço.".
Draco imediatamente enterrou o rosto na curva sensível no ombro dela e chupou a pele. Ele sabia onde sua língua brincava com ela, por baixo da linha do queixo e em baixo das orelhas, e as unhas roçando-lhe a espinha confirmaram o que já sabia. Os gemidos dela eram mais altos agora, não mais perdidos entre os lábios, e eles foram derramados em seus ouvidos e o levaram quase ao ápice.
Mas ele estava bem.
Estava bem porque podia sentir os músculos das pernas de Hermione começarem a ficar tensos e se apertarem com solavancos espasmódicos, e seus gemidos de luxúria foram subindo para um tom mais alto.
Lá está...
Nada mais se parecia com a felicidade, além daquelas ondulações e espasmos que marcaram o começo do fim. O clímax. Tudo e nada. Como penas ousadas deslizando sobre o aço. Ele não podia deixar de colocar a cabeça para trás para testemunhar o êxtase de Hermione: olhos fechados, queixo caído e todo o seu corpo rígido enquanto deixava fluir em suas veias, sangue, ossos. Em qualquer lugar que pudesse alcançar.
Enfiando a mão entre os dois, seus dedos procuraram massagear a pele inchada de Hermione novamente, apenas para fazer com que a estática durasse mais alguns momentos para ela. Ele a deixou absorver cada milissegundo da loucura, esperando até que as contrações internas dela cessassem, antes de dar mais dois impulsos e encontrar sua própria libertação.
Ele sufocou seu gemido abafado em outro beijo enquanto ejaculava, sua visão embaçando, a tensão em seu umbigo explodindo. Deixando-a tê-lo. Seu clímax foi de curta duração, ele havia trabalhado apenas em torno das necessidades e desejos de Hermione e, posteriormente, foi de encontro ao seu próprio desejo, mas ele realmente não se importava. Tinha sido por ela.
Ela. Ela. Ela.
Mas o esgotamento varreu Draco de qualquer maneira, e ele disparou toda a sua força em seus braços para manter a sua amante firme, enquanto seus joelhos cediam e desmoronavam. Eles deslizaram pelos azulejos e caíram sem graça em uma confusão de corpos no chão do banheiro, testas coladas e ofegando tanto que seus pulmões doíam e ameaçava romper.
Hermione estava completamente mole contra Draco, enquanto ele usava o restante de sua força para puxá-la para perto e enrolar seus dedos nos cachos emaranhados. Tremendo. Arrepiando. Saboreando. As gotas do chuveiro polvilhando seus corpos molhados, lentamente trazendo de volta as sensações normais e incitando os seus sentidos a funcionar novamente.
Deixe retroceder.
Deixe-os permanecer.
"Eu..." Hermione se esforçou para falar através de suas respirações pesadas. "Eu acho que eu... levei um pouco adiante." ela terminou, e Draco podia imaginar suas bochechas ficando rosadas. "Eu sinto...".
"Porra, não se atreva a pedir desculpas Granger." ele grunhiu.
.
.
Merlin sabia como ele conseguiu, mas ele os levou de volta para o quarto e os colocou em frente à janela, por baixo de uma bagunça desajeitada de cobertores e toalhas úmidas, enquanto ela descansava as costas contra seu peito, sentada entre suas pernas. Ele não pôde deixar de entrar em um sorriso privado, quando um suspiro saciado a deixou e quebrou o silêncio preguiçoso.
"Sente-se melhor agora?" ele perguntou com um tom arrogante.
Ele podia praticamente ouvir o cérebro de Hermione trabalhando enquanto tudo ficava claro para ela. "Você me provocou de propósito antes," ela acusou lentamente. "Não foi?".
"Muito perspicaz da sua parte, Granger," respondeu ele, seus lábios se contraindo com diversão. "Sim, foi.".
"Atrevo-me a perguntar o por que?".
"Porque você precisava desabafar," ele respondeu com um encolher de ombros blasé. "Apesar do que vocês Grifinórios pregam, às vezes a raiva é a resposta.".
Hermione rolou a declaração de Draco em sua cabeça e umedeceu os lábios. "E você pensou que irritar-me, quando você não tem uma varinha, era uma boa ideia?".
Draco bufou. "Estou bastante confiante de que você não vai mais sair atirando feitiços na minha direção, Granger," disse ele. "Tenho certeza de que você gostou de tudo que fiz...".
"Você poderia ter ido longe demais, se continuasse," ela alertou, mas era indiferente. "Você foi um filho da mãe...".
"Mas funcionou," ele lembrou suavemente. "Então agora demos fim a toda porcaria de 'eu estou bem' e podemos seguir em frente...".
"Godric, você é um desgraçado," ela murmurou um pouco irritada. "Suponho que sexo foi um privilégio pouco agradável em seu plano?".
"Eu não sabia que você iria para dar o bote em mim," Draco disse a ela, sua voz cheia de alegria. "Achei que você poderia simplesmente gritar por um tempo e possivelmente me dar alguns tapas." Sua risada vibrou na espinha de Hermione. "Mas foi certamente uma surpresa agradável.".
A testa de Hermione enrugou com o pensamento. "Você realmente não planejou isso?".
"Eu planejei te incomodar," explicou ele com outro encolher de ombros. "Eu não sabia exatamente o que você faria. Mas como eu disse, você precisava desabafar.".
Hermione abriu a boca para falar, mas rapidamente a fechou antes que uma palavra pudesse escapar. A tentação de apontar que ele tinha feito algo perigosamente perto de altruísta fez sua língua vibrar, então ela segurou-o entre os dentes. Com o vapor do chuveiro ainda pairando na pele de ambos e a atmosfera relaxada, ela não ousou arriscar um comentário que fizesse com que ele ficasse na defensiva e quebrasse a calma. E ela se sentiu... normal novamente, ainda, inevitavelmente, chateada com os pais, mas melhor.
Ele a fez se sentir melhor.
Ele tinha pensado nela.
O silêncio estava estendendo-se quando os olhos de Hermione caíram na perna de Draco, e ela inclinou-se para dedilhar a cicatriz que nunca havia notado antes. "Como você conseguiu isso?".
"Quando eu caí da vassoura na partida de Quadribol," respondeu ele após uma pausa. "Segundo Ano.".
Ela murmurou quando a memória surgiu em seu cérebro. "E este?" ela perguntou, movendo os dedos curiosos para a outra perna, logo abaixo do joelho.
"Mesmo que o outro.".
Intrigada, ela cuidadosamente virou-se para fita-lo e retirou os cobertores, deixando-o nu e belo, com apenas uma toalha para cobrir o topo de suas pernas e virilha. Ignorando o olhar desconfiado de Draco, seus olhos o percorriam com curiosidade e brilharam quando ela encontrou uma marca de espessura em seu braço. "Eu acho que sei este," ela não pôde deixar de sorrir, apontando para ele. "Hipogrifo?".
"Muito engraçado," ele disse com a voz arrastada, arqueando uma sobrancelha. "Já acabou?".
"Não," ela brincou, mudando para o peito dele e encontrando outro. "Este?".
Draco apertou sua mandíbula e encontrou os olhos dela. "Este é da maldição que Potter jogou em mim ano passado.".
Encolhendo-se com a tensão inevitável que flutuou entre eles, ela procurou desesperadamente por outra cicatriz a comentar sobre, mas o resto dele estava aparentemente impecável. "Vi todas?".
"Você perdeu uma," disse a ela, levantando os lábios em um sorriso, apontando para uma marca fraca em seu nariz. "Lembra-se de alguma coisa?".
Seus olhos se arregalaram quando ela olhou para a mancha pequena. "Quando eu te dei um soco?" ela perguntou, sorrindo quando ele balançou a cabeça, e ansiosamente abandonou a cicatriz do Sectumsempra. "Você sabe, eu não vou pedir desculpas por isso.".
Draco bufou. "Eu nunca pedi isso.".
"E eu tenho um para combinar," ela sorriu, mostrando-lhe o fraco arranhão em seus dedos. "Deveria ter pensado melhor antes de socar seu rosto pontudo.".
Uma réplica sarcástica quase saiu de sua boca, mas ele a deixou de lado quando viu a marca, muito branca no ombro de Hermione. "Uma vez que estamos neste tema," disse ele, apontando para a falha. "O que é?".
"No ano passado," Hermione disse, inclinando a cabeça para dar-lhe um olhar. "Ron acidentalmente me empurrou para fora do sofá e eu bati na mesa.".
Draco revirou os olhos. "Weasley é um idiota desajeitado," ele murmurou, mas seus olhos se estreitaram quando ele viu a cicatriz bastante desagradável nas costelas da garota, só apontando acima da toalha. "Como diabos você conseguiu isso?".
"Departamento de Mistérios," ela franziu a testa, ajustando a toalha para ocultá-la completamente. "Dolohov me amaldiçoou. Esta é uma bem ruim.".
O silêncio incômodo voltou.
Draco momentaneamente se perguntou como havia perdido as falhas de sua pele beijada pelo sol, mas talvez ele simplesmente nunca tenha realmente visto ela antes, ou tido tempo para olhar. Essa estranha cintilação em seu intestino estava de volta como uma vingança, praticamente permanente agora, e ele ainda não tinha ideia de como atingi-la, mas tentou não dar qualquer atenção a isso enquanto Hermione calmamente voltava para sua posição anterior, inclinando-se contra ele.
E ele a conhecia, falhas e tudo o mais, e isso só parecia encorajar as agitações inadequadas em seu estômago.
Ela tinha deixado uma cicatriz nele.
E ele não queria dizer a marca em seu rosto.
A mente de Hermione estava igualmente distraída, pois ela sabia exatamente como identificar as sensações irregulares em seu intestino. Ela só não sabia o que fazer com elas.
E um pensamento assustador infiltrou-se em seu crânio.
Harry e Ron. Seus pais. Tudo se foi.
E sua separação de Draco era finalmente inevitável, não importava o quanto ela ignorasse o fato.
O que ela faria quando...
"Você quer ler outro livro?" ela se apressou freneticamente, chamando sua varinha para a própria mão.
O suspiro de Draco agradou as costas de Hermione. "Tudo bem.".
"Alguma preferência?".
"Não quero outro deprimente," observou ele em um tom seco, secretamente aliviado pela distração. "Aquele tal Shakespeare que você tanto gosta deve ter sido suicida, ou queria que seus leitores fossem.".
"Ele escreveu comédias também," Hermione murmurou, sacudindo sua varinha para chamar um de seus favoritos. "Eu amo este.".
Ela sentiu o queixo dele em seu ombro quando abriu na primeira página, ajustando o livro contra os seus joelhos para que ele pudesse lê-lo confortavelmente. Hermione escolheu Sonho de Uma Noite de Verão, um livro que misturava magia, conflitos e romances proibidos.
E um final feliz.
Hermione fechou os olhos.
Porque isso só acontece na ficção.
