Nem adianta eu pedir desculpas. Eu sei que demorei. Tô pensando em colocar novos capítulos toda sexta.
Espero que gostei desse cap. novo. Reviews são bem vindas! ;)
beijinhos!
Capítulo 21 – Personal Refuge
PoV Edward
Música: John Mayer – Back to You
Eu não sei o que deu em mim naquele momento em que eu segurava seu copo de Milkshake, mas eu simplesmente precisava beijá-la.
Bella estava tão frágil, e tão linda, reclamando de ter congelado o cérebro com o líquido gelado. O vento batia em seus cabelos e o tom rosa de suas bochechas era simplesmente incrível. Eu me sentia diferente na presença dela. Eu me sentia bem, como se estivesse conversando com uma amiga de anos.
Apesar de ter sido uma coisa superficial, apenas um encontro rápido de lábios, fiz com o intuito de demonstrar que tudo que eu estava falando era verdade. Que eu estaria ao lado dela, e faria tudo ao meu alcance para que ela se sentisse segura, pois Bella era muito especial pra mim.
Esquecer você
Eu nunca esqueço você
Esquecer você
Tem alguma coisa sobre você
É só o jeito que você se mexe
O jeito que você mexe comigo
Eu realmente queria que ela confiasse, e ouvir ela falar aquilo dentro da lanchonete me deixou aliviado. Ela confiava. Mas algo dentro de mim ainda dizia que Isabella tinha certa relutância em suas ações comigo. E eu não sabia o porque. Eu sempre me abria, falava as coisas que eu sentia, enquanto ela tinha medo de expressar o que sentia. Quando falei que estava sentindo coisas que não sentia antes, ela quase sorriu, mas em compensação, logo depois, pediu para mudarmos de assunto.
A culpa era minha. Eu havia magoado Bella em proporções imensuráveis. Afinal, quando você tem uma péssima auto-estima, gosta de uma pessoa e ouve essa mesma pessoa falar coisas terríveis sobre você, deve ser uma das piores sensações e frustrações do mundo. Emmett havia me lembrado apenas da vez do Homecoming. Mas eu já tinha falado mal dela outras vezes. Na realidade ela era o alvo de todas as piadas do colégio. E ela devia ter noção disso.
Agora eu queria me redimir. Recompensá-la por cada palavra que saiu da minha boca naquela época.
Voltamos para o meu carro sem dar nenhuma palavra, mas eu pude notar que ela exprimia um leve sorriso em seus lábios após me beijar. Ela conseguia ser uma pessoa completamente diferente e encantadora quando estava fora do escritório.
Apesar de eu gostar de todas as pessoas que ela conseguia ser.
Ao ouvir a história de Didier, confesso que eu fiquei realmente preocupado. Quando la me disse que estava com medo, minha cabeça rodou. Eu pirei. Eu não queria que ela se sentisse insegura, mesmo que fosse uma coisa que eu não tinha tanta participação. Mas eu faria de tudo para que nada acontecesse a ela. Ainda bem que eu estava antecipando as coisas na faculdade, e meu diploma viria em um mês, então no que fosse preciso eu a ajudaria.
Assim que ela sentou no banco do carona e fechou a porta do carro, coloquei minha mão em sua perna com a palma pra cima. Bella passou seu dedo indicador por toda a extensão do que minha mãe sempre chamou de "linha da vida", me dando um arrepio involuntário. Descansou sua mão na minha e fiquei um bom tempo vendo como elas se encaixavam perfeitamente. Se eu fechasse meus dedos, ela ficaria ali, guardada e protegida comigo. Bella levantou seu olhar e sorriu pra mim. Acho que ela tinha interpretado do mesmo jeito.
Era impressionante como uma coisa pequena estava segurando nossa aproximação. A forma como a magoei no colégio, e uma coisa escrota de nota que ficou em minha cabeça pra sempre, nos impediu de termos um relacionamento profissional melhor. Mas agora, isso não seria empecilho pra gente. Não se dependesse de mim. Eu desistiria de todo meu estilo de vida por ela. Sem nem pensar duas vezes.
O sentimento era novo para mim, mas muito certo. Acho que era hora de crescer e finalmente enxergar; Eu estava apaixonado.
Chegamos novamente no escritório e passei a tarde inteira pensando nessa história do Francês. Peguei uma cópia do fax que tinha chegado do Consulado da França e li, onde ele anunciava oficialmente que amanhã viria nos visitar. Por isso Bella estava tão nervosa.
Rasguei a cópia do fax e joguei no lixo no momento em que James entrou novamente no escritório e mexeu na maçaneta de Bella, que estava fechada.
- Ela saiu? – ele apontou para a porta.
- Não, trancou. – respondi não tirando os olhos da tela do computador.
- Avise a ela que estou entrando então. – ele se apoiou na porta e colocou uma das mãos no bolso.
- Ela está ocupada, em conferência com um cliente da Suíça.
- Mas eu quero falar com ela agora.
- Você vai ter que esperar. – falei sem nenhum contato visual.
- Quem você pensa que é pra ficar atrapalhando toda vez que eu quero falar com ela?
Respirei fundo e comecei a sacudir minha perna direita de nervoso. Eu já não ia nem um pouco com a cara de James, e agora depois de saber da posição dele com o cliente francês, meu sangue ferveu com mais intensidade.
- Eu sou quem responde por ela quando ela não pode responder. – falei entredentes já me segurando na barra da mesa.
- Pff... você não é nada garoto, não passa de uma criança que nem terminou a faculdade.
- Cala a boca, que você não me conhece. – a esse ponto meus olhos já ardiam de ódio e meus dedos apertavam tanto a mesa que meus ossos começaram a doer.
- Nem faço questão de conhecer. Daqui a pouco você já está fora daqui mesmo. Perda de tempo. – ele deu um riso de escárnio.
- Você quer que eu te expulse daqui? – gritei e me levantei, fazendo minha cadeira bater na parede atrás de mim.
- Experimenta. – ele cerrou os dentes e os punhos, inclinando seu corpo em minha direção.
- Hey, hey hey... – Jasper chegou na sala olhando para nós dois e com o semblante calmo. – Vamos acalmar os ânimos, que tal? – ele colocou a mão no ombro de James.
- Oi Jasper. – falei bufando e sentando na cadeira novamente. Apesar de eu estar louco para socar a cara de James até que ele ficasse desfigurado, eu gostava de Jasper e não queria causar uma cena.
- Esse garoto me tira do sério. – James bufou e se encostou na porta de Isabella.
- Esse garoto é o assistente dela. Tenha respeito. Ele que responde por ela quando ela não pode falar.
- Você também, Jasper? – ele olhou, sacudindo a cabeça negativamente.
- Só falo o que é justo. – Jasper bateu na porta de Isabella e ela logo veio destrancar.
- Ah, então pra ele pode? – James apontou pra Jasper e me olhou com raiva.
- Só entra na sala quem ela quer e quem eu quero. – dei um sorriso e James me mandou o dedo, antes de entrar na sala de Isabella e fechar a porta.
Tentando não me focar e não me preocupar no que quer que estivesse rolando dentro da sala dela, abri minha caixa de emails e vi que tinham dois de Alice.
Bufando, abri, e esperei que carregasse uma foto minha e dela. Logo abaixo ela escreveu um texto:
"Cullen,
Espero que você tenha noção da amizade que você está perdendo. Eu sempre estive do seu lado e você está tão cego que não consegue enxergar tudo que acontece na sua vida, depois que essa mulher se meteu no nosso caminho.
Está é a última vez que faço o convite para você e Emmett jantarem aqui em casa. Você sabe como minha mãe é louca e como eu preciso do seu apoio. Por favor, não faça isso comigo, Edward. Se for pelos jogos, eu compro todo o campeonato do ano que vem pra você mas... por favor... vem.
Beijos, Alice."
Cliquei em responder, mas no momento em que comecei a digitar, Jasper e James saíram gritando da sala de Isabella.
- Não adianta James, eu não vou deixar você pegar o caso!
- Eu invisto dinheiro nessa porra dessa empresa tanto quanto você, Jasper! Eu tenho direito de pegar os casos que me interessam!
- A acionária maior não quer. Então acabou! – ele saiu da sala mas ainda pude ouvir os gritos do lado de fora. Era um lado de Jasper que eu ainda não tinha visto. Forte e decidido.
Me levantei correndo da cadeira, quase tropeçando na mesa e fui até a sala de Isabella, pois a porta ainda estava aberta e queria aproveitar para ver como ela estava, antes que ela se trancasse de novo.
Dei três batidas e entrei devagar, vendo que ela estava com os cotovelos na mesa e as mãos enfiadas no cabelo, que agora estava solto.
- Isabella?
- Hmm. – ela respondeu rápido.
- O que aconteceu? – entrei e fechei a porta atrás de mim, bem devagar.
- Nada que valha a pena perder a energia contando. – ela falou com a voz arrastada.
- Você tá precisando de alguma coisa? – me aproximei e pude ver que ela estava sacudindo seu corpo também.
- Preciso. Sumir. – sua voz foi ficando cada vez mais mole e fraca.
Sem nem ao menos olhar o relógio, peguei a bolsa de Isabella que estava em cima do sofá de couro preto e me aproximei de sua cadeira, pegando em seu braço.
- Vamos.
- Vamos? – ela levantou a cabeça, com os olhos vermelhos e as bochechas quase no mesmo tom. – Vamos aonde, Edward?
- Vamos sair daqui. Esquece do escritório por hoje.
- Mas e o trabalho, e as petições...
- Eu venho mais cedo amanhã e termino tudo, mas agora vamos. – falei com mais força na minha voz, segurando-a com mais firmeza.
Isabella olhou pra frente, mordeu seus lábios, olhou pro relógio, pro computador, pro notebook... deu uma olhada no celular...
- Tá esperando que alguma dessas máquinas te libere? – bufei sem paciência. – Você que manda aqui, mas no momento me sinto na necessidade de mandar em você. Vamos. – dei um puxão de leve em seu braço e ela levantou, ajeitando seu vestido novamente.
Ah sim, o vestido. Desde a primeira vez que botei meus olhos nele hoje, eu sabia que de certa forma não ia prestar. Suas coxas ficavam estonteantes naquela roupa. Só controlei meus hormônios porque vi claramente que estava sendo um dia estressante pra ela.
Sério? Eu realmente estava controlando meus hormônios?
- Aonde vamos?
- Não sei. Só vamos.
Puxei Isabella comigo, apagando a luz da sala e fechando tudo com chave. Não queria que James entrasse aqui sem a nossa presença, então me certifiquei que tudo estava seguro. Enquanto ela me esperava, suas pernas se sacudiam e ela passava a mão o tempo inteiro no cabelo. Nem preciso dizer que ela mordia o lábio com tanta força, que começou a me deixar irritado. Ela precisava relaxar e eu definitivamente daria isso a ela hoje.
Quando entramos no elevador, ela se encostou na parede de madeira e deu um suspiro longo, olhando pro teto. Depois fechou os olhos e eu apenas parei pra me focar no pescoço dela, que estava completamente exposto, quase que me chamando. Ah, se não fossem essas câmeras...
Já na portaria, Eric levantou do sofá, vendo que Isabella estava se aproximando da porta de saída.
- Eric, ela está comigo hoje. Pode ir pra casa. – falei ainda segurando o braço dela. Ele me olhou estranho, meio que se perguntando porque eu estava dando ordens.
- Está tudo bem, Eric. – Isabella falou rindo de sua reação. – Só vou sair pra espairecer a cabeça um pouco, estou muito estressada.
- Ok, Srta. Isabella. Tem certeza que esta tudo bem?
- Tenho sim. – ela sorriu. – Pode ir pra casa.
Saímos do prédio e ela me olhou, meio estranha. Fiquei olhando pra ela, sorrindo, e ela sorriu logo depois.
- Isso. Fica muito mais bonita sorrindo. – lutei com a vontade de passar o dedo em sua bochecha rosada. Estávamos na frente do prédio, eu não queria dar bandeira.
- O que estamos esperando?
- Meu carro. – sorri. – Derek foi buscar na garagem.
- Sério que você não sabe onde vamos? – ela prendeu seu cabelo novamente, quase me fazendo perder o foco por alguns segundos.
- Tenho uma vaga idéia de onde te levar. – coloquei a mão nos bolsos.
- Que é... ? – ela levantou uma sobrancelha, já parecendo mais relaxada.
- Boa tentativa, mas não vou falar. – ouvi o barulho de buzina e vi que o funcionário do prédio vinha com o meu carro, já estacionando na porta.
- Toda vez que a gente sair vai ser assim? Você não vai me falar pra onde vamos? – ela riu.
- Não é legal? – franzi o cenho rindo.
- Depende.
Abri a porta do carona pra ela, e ela entrou rápido, ajeitando novamente o vestido em suas pernas. Fiquei ali, apoiado na porta do carona, apenas observando o que ela estava fazendo.
- Você não vai pro seu lugar? – ela olhou pra cima, querendo rir novamente.
- Se você continuar ajeitando o seu vestido desse jeito, acho que vamos demorar um pouco. – assenti com a cabeça.
Isabella riu e me empurrou, fechando a porta. Fui para o meu assento e dei partida no carro.
Pensei em vários lugares para levá-la, incluindo meu apartamento. Mas Emmett poderia estar lá, tudo era uma bagunça, eu não sei nem se tinha água para servir se ela quisesse, então definitivamente não era uma opção válida. Pensei em seu apartamento, mas ela já vivia naquele mundinho tão fechado, que seria melhor levá-la pra outro lugar. E eu queria que ela conhecesse um lugar em especial. Hoje parecia ser o dia perfeito.
Peguei a avenida principal do Centro e a auto estrada. No momento em que Bella viu que estávamos saindo da cidade, ela me olhou com dúvida.
- O que foi? – virei minha cabeça em sua direção, já sorrindo por antecipação.
- Nós estamos saindo da cidade, Edward. – ela falou constatando.
- Quem está dirigindo sou eu, Isabella. Eu acho que eu já sabia disso. – ri.
- Bella, cacete. – ela falou séria.
- Ok, Bella. – brinquei, colocando minha mão em sua perna e apertando seu joelho de leve.
- Sério, você pretende me levar pras montanhas ou algo parecido? – ela bateu com seus dedos no vidro, olhando pra fora.
- Não, definitivamente nada de montanhas.
- Você não gosta? – ela me olhou novamente.
- Não, sou um cara mais da cidade.
- Sei, medo de bicho, e tal.. – ela voltou a olhar para a janela.
- Eu não tenho medo de bichos.
- Aham. – ela riu.
- Eu não tenho! – aumentei a voz, rindo.
- Tá bom Edward. Ok. – ela levantou os braços. – Não está mais aqui quem falou.
Ficamos conversando aleatoriamente e rindo bastante até que uns vinte minutos depois, chegamos onde eu queria. Johnny's Hideaway.
O nome condizia ao lugar. Era praticamente um esconderijo. Estive aqui pela primeira vez com meu pai, quando fiz dezesseis anos e ganhei meu carro. Lembro que dirigimos até aqui, ele me contando quais seriam minhas obrigações e responsabilidades como motorista. Depois disso, tomei o lugar como meu esconderijo mesmo. Toda vez que eu estava irritado e cansado das coisas, vinha pra cá. E acho que Bella estava precisando disso.
Isso. Bella.
- Pronta?
- Onde estamos? – ela falou olhando pro lado de fora. O bar ficava realmente no meio do nada, só tinham algumas casas de campo por perto.
- Johnny's Hideaway. Seja bem vinda ao meu esconderijo.
Desliguei o carro e saí, correndo para abrir a porta pra ela. Na hora veio na minha cabeça todas as vezes em que Jessica reclamava porque eu nunca abria a porta.
Simples. Ela não era tão especial quanto.
Entramos e procurei o lugar que eu mais gostava. Ficava no segundo andar, era bem pequeno, aconchegante e quase ninguém ficava. Tinha um sofá, uma mesa pequena para colocar as bebidas e uma Jukebox. Me sentei no sofá e Bella sentou ao meu lado, analisando todo o local. A iluminação era muito fraca, mas era perfeito para dar adeus à dor de cabeça e estresse.
Pedi uma garrafa de vinho e liguei a jukebox, colocando músicas aleatórias.
- Aqui é o lugar pra relaxar. – me sentei novamente, pegando a garrafa de vinho e as taças. Enchi o copo de Bella primeiro, depois o meu, retornando a garrafa à mesinha. Tirei a gravata e encostei no sofá.
Bella cheirou o vinho de forma sexy e sorriu, dando um gole devagar. Encostou no sofá mais relaxada, e fechou os olhos, só sentindo a música de fundo e o ambiente tranquilo.
- Obrigada. – ela falou baixo.
- Não precisa agradecer. – respondi dessa vez sem hesitar, e envolvi minha mão em seu rosto, passando meu polegar em sua bochecha. Com a outra mão, dei um gole no meu vinho e observei como ela respirava fundo ao sentir meu toque.
- É só que... James me irrita tanto... – ela fechou os olhos novamente, com força.
- Eu sei.. – falei baixo. – Não sei como ele ainda continua na empresa depois das coisas que você me falou.. não sei nem como você atura ele.
- Ele é sócio. Tem vinte e cinco por cento da empresa. A única forma dele sair é vendendo a parte dele pra alguém, ou pra um de nós. E ele não quer.
- Não tem como "expulsá-lo"? – enfatizei as aspas com minha mão livre, enquanto dava outro gole no vinho.
- Jasper disse que tem, seria algo a ver com quebra de contrato, mas eu ainda não estou a par disso. – ela suspirou dando um gole em seu vinho.
- Ele pegando esse caso não seria uma quebra de contrato? – perguntei.
- Não. – ela sacudiu a cabeça. – Nada no contrato fala disso.
- Entendi.
Ficamos em silêncio e assim que nossos copos esvaziaram, enchi novamente. Aproveitei quando fui pegar a garrafa e me aproximei mais ainda de onde ela estava, passando meu braço direito por seus ombros e mantendo-a em um abraço. Ela descansou sua cabeça no meu ombro e ficou tomando o vinho, calada.
- Minha mãe foi morta e estuprada. – ela falou depois de um tempo, me colocando em choque.
- O que? – inclinei minha cabeça para poder olhar em seu rosto , mas ela manteve sua cabeça em meu ombro, provavelmente querendo se esconder de mim enquanto falava. Por isso respeitei.
- Ela foi estuprada quando tinha quarenta e três anos. – ela falou quase que como em um sussurro. – e depois morta.
Eu não sabia nem o que falar. Levantei minha mão e levei em seus cabelos, acariciando devagar. Dei um beijo em sua cabeça, sentindo o aroma delicioso que seus fios emanavam. Bella suspirou e continuou a falar.
- Ela estava grávida novamente. Charlie estava todo feliz porque eles estavam tentando desde que eu tinha cinco anos. E finalmente aos quarenta e três ela conseguiu.
- Uhum.. – continuei acariciando seus cabelos, com meu nariz e boca mergulhados em sua cabeça.
- Ele começou a falar que ela tinha que aprender a dirigir, porque ele queria dar um carro a ela, e ela relutou até o fim. Mas acabou entrando em uma auto-escola.
Fiquei ainda calado, apenas observando como os dedos de sua mão livre puxavam a barra do vestido, devagar, mas de forma nervosa.
- Ela entrou em uma sem nos avisar. Acho que queria fazer surpresa, não sei.. – ela sacudiu a cabeça. – Não voltou da primeira aula... o instrutor... – sua voz ficou angustiada e resolvi cortar.
- Não precisa continuar. – dei mais um beijo em sua cabeça. – Eu entendi.
- Não, tudo bem...
- É por isso que você não dirige, não é?
- Mmhum. – ela balançou a cabeça devagar.
- Nós podemos mudar de assunto se você quiser... – seus fios estavam tão cheirosos e eu não conseguia parar de acariciá-los.
- Não tem problema... já faz tempo.. é só que... – ela suspirou. – Eu não quero ajudar uma pessoa que fez exatamente o que fizeram com a minha mãe.
- Eu te entendo perfeitamente, Bella.
Bella deu um risinho baixo, fazendo seu corpo tremer um pouco.
- O que foi? – acabei soltando um sorriso, só de saber que ela estava rindo.
- Primeira vez que você me chama de Bella. Acho que consegui. – ela mexeu seu corpo e sentou com uma das pernas no sofá, me olhando de frente. – Obrigada mesmo por esse tempinho.
- Já falei que não precisa agradecer. – sorri. – Mais vinho?
- Sim. – ela deu um sorriso sincero enquanto estendia a taça pra mim. – E Alice, como está? Se resolveram?
- Ah, ainda estou meio brigado com ela. – enchi sua taça e completei a minha. – Alice quer mandar nos outros e fica com raiva quando não consegue.
- Mas porque vocês brigaram?
- Gênios fortes. – menti, não querendo falar justamente agora que ela era contra nosso relacionamento. Até porque nem tínhamos um.
- É, entendo bem isso. – ela falou. – Estou sem falar com Tyler também.
- Eu jurava que Tyler era seu namorado. – falei rindo.
- Cinco minutos com ele e você já vai saber que ele nunca seria. – ela riu dando um gole no seu vinho. Eu já sentia o calor da bebida alcoólica tomando conta de mim. – Quantas namoradas você já teve? – ela falou colocando sua taça na mesa e olhando pra mim.
- Eu? – parei pensando. – Nenhuma.
- Você nunca namorou? – ela falou rindo.
- Nope. – dei outro gole no vinho. – E você?
- Só tive um namorado na faculdade, mas nem durou tanto assim.
- Ele que foi o sortudo de tirar sua virgindade? – perguntei e percebi que estávamos sem a mínima noção de filtro. Falando as coisas sem pensar.
- Não. – ela mordeu seu lábio, como se fosse me contar alguma outra coisa, mas depois suspirou e toda mole, se jogou de lado no sofá.
- Hum... então quer dizer que se eu continuar a fazer com você o que tenho em mente, ninguém vai vir reclamar você de volta? Tenho o caminho livre? – passei meu dedo indicador por sua bochecha quente.
- Tem.. – ela riu, meio envergonhada, rodopiando o copo de vinho em sua mão e mordendo os lábios.
- É? – falei quase que em um sussurro. - Muito bom saber... – com minha voz já meio grogue, inclinei meu corpo e deixei nossas bocas à centímetros uma da outra. Bella soltou um suspiro e partiu seus lábios bem devagar, me fazendo sentir a mistura de vinho e hortelã que seu hálito exalava. Não satisfeito, coloquei meu copo em cima da mesa e peguei em seu rosto com as duas mãos, meus dedos misturados em seus fios.
- Eu amo essa música! – ela sorriu e se soltou das minhas mãos, levantando.
Música: Estelle – Come Over
Óbvio que ela estava fazendo isso para me provocar. Bella andou de costas até a Jukebox, não desgrudando os olhos dos meus. O alto teor alcóolico já estava mais do que presente tanto nela quanto em mim.
Me ajeitei no sofá, colocando os braços no encosto e esticando as pernas na mesinha, vendo enquanto Bella dançava ao ritmo da música leve. Essa era uma cena que eu nunca esperava que fosse acontecer. Ou que se acontecesse, eu não presenciaria. Ela fechava os olhos e movia seus quadris, passando a mão nos cabelos e sorrindo. PRA MIM.
Meus olhos analisaram seu corpo de cima a baixo, e ela sorria ao ver o efeito que estava causando. Mordi meus lábios já lutando com meus hormônios, que gritavam, me chamando de babaca e idiota de estar sentado, apenas olhando. Ah, que inferno!
Me levantei e fui até ela, que já estava com os olhos embriagados pelo vinho, e sorrindo com a minha aproximação.
- Achei que não ia vir.. – ela falou com a voz embolada.
- Eu não seria doido de te deixar aqui sozinha. – peguei em sua cintura e aproximei nossos corpos, nos movendo ao som da música. Bella sorriu e envolveu seus braços, repousando suas mãos em minhas costas e sua cabeça em meu peito. Com minha mão direita, tirei o cabelo que estava em seu pescoço e me inclinei, levando meu nariz em sua pele. Respirei fundo seu cheiro e senti o arrepio instantâneo que causei. Bella agarrou a parte de trás da minha camisa em suas mãos, respirando fundo com o contato.
Ficamos calados, só curtindo um ao outro e a música. Dei um beijo bem devagar em seu pescoço e ela suspirou novamente. Levantou a cabeça e me olhou, sorrindo. Sorri de volta, olhando bem nos seus olhos e vendo todo o brilho.
- Bella.. – falei baixo.
- Oi... – ela respondeu engolindo seco.
- Me deixa cuidar de você. – passei meu polegar por sua bochecha rosada. – Esquece de todo o passado, de tudo que eu fiz, deixa eu me redimir e mostrar que posso ser mais do que você imagina. – falei tentando ver se quebrava aquele jeito meio frio dela ao receber tudo que eu falava. Eu queria que ela se abrisse pra mim da mesma forma que eu estava me abrindo. – Eu não tenho mais forças para me afastar.
- Eu não quero mais saber do passado, Edward. – ela falou tão baixo quanto eu, fechando os olhos e sentindo meus dedos em sua pele. – E também não consigo mais me afastar de você. – ela suspirou. – Acho que nem tenho mais como.
E dessa vez, fui mais forte do que a tarde no parque, e a beijei novamente. Mas beijei de verdade.
Trouxe seu lábio inferior em meus dentes, soltando um suspiro involuntário dela, direto em minha boca. Suas mãos passavam pra cima e pra baixo em minhas costas, fazendo meu coração acelerar. Isso era o mais próximo de carinho que eu havia tido com uma mulher. Nada tinha sido assim em minha vida. Nem beijar eu beijava! Acho que nunca tinha beijado Jessica, e era a primeira vez que eu beijava Bella sem a intenção carnal.
Minha mão direita subiu por seus cabelos, enquanto a esquerda permanecia em sua cintura, meu polegar fazendo círculos por cima do pano do vestido. Por mais que eu estivesse louco para transar com ela, percebi que se eu queria passar segurança, eu deveria me controlar mais. Então apenas peguei em sua nuca e aprofundei nosso beijo.
A sensação era de que eu perderia o ar a qualquer momento. Meu peito doía das batidas fortes do meu coração, e era um sentimento tão viciante, que eu só tinha que culpar a Bella por ter posto ele em minha vida.
Nosso beijo foi ficando mais calmo, e fiquei dando pequenos selinhos cada vez que ela sorria. Bella me abraçou apertado, e mais uma vez senti outra sensação diferente; a de ter carinho por alguém de verdade.
Mudança. Ela era minha mudança.
