Capítulo 21
Pepper entrou pela porta da frente com a bolsa pendurada no ombro e alguns documentos em cima de seu braço. Ela deu uma batida na porta para fechá-la e, cuidadosamente, caminhou até o sofá para colocar seus pertences ali. Ela olhou para trás e viu a cozinha perfeitamente limpa. Eu pensei que Tony tivesse dito que íamos assistir a um filme esta noite. Ela pensou enquanto caminhava em direção à cozinha. Ela encolheu os ombros e abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água fria. Ela inclinou-se e inspecionou cuidadosamente o conteúdo na geladeira. Ela olhou para a garrafa de água, e rapidamente tomou um gole dela.
"Sra. Potts?" Perguntou JARVIS.
Ela tampou sua bebida. "Sim, Jarvis?" Ela respondeu.
"O Sr. Stark está solicitando você para a oficina dele."
"Ok. Estarei lá em breve." Solicitando? Ela decidiu levar sua garrafa de água com ela. Seus sapatos de saltos faziam barulhos agudos ao descer as escadas de forma eficiente o suficiente para alertar Tony. Ele olhou para trás da porta de vidro e viu-a digitando seu código de acesso.
Um pequeno sorriso estampou seu rosto quando seus saltos ecoaram por toda a oficina.
"Oi". Ela cumprimentou-o com um pequeno sorriso em seu rosto.
"Oi". Ele caminhou casualmente até ela para lhe dar um beijo na bochecha. "Como foi o trabalho?"
"Depende de que lado você olha." Ela colocou a garrafa de água na frente dele. "Quer um pouco?"
"Não, você tem piolhos." Ele brincou, pegando a garrafa dela. Ela revirou os olhos para ele antes de vê-lo praticamente beber a garrafa inteira de uma vez. "Obrigado." Ele colocou a garrafa de volta na mão dela.
"Sede?" Ela riu.
"Eu consertei um pouco a armadura enquanto você estava no escritório." Ele disse, caminhando para o sofá, com Pepper arrastando-se atrás de si.
"Ah, e como foi?"
"Foi ... interessante, para dizer o mínimo." Ele se sentou no sofá com um baque suave, e gesticulou ao lado dele.
"Você por acaso fez pipoca?" Ela tinha visto a cozinha e não viu nenhuma bagunça.
"Você quer que eu queime a casa, de novo?" Ele levantou uma sobrancelha para ela.
"Tudo bem. Vou fazer isso." Ela sorriu em sua direção antes de caminhar até a cozinha. Ela abriu um dos armários e teve que ficar na ponta dos pés para alcançar o pacote de pipoca. Ela pegou o pacote e fechou a porta do armário. Ela o abriu e colocou-o no micro-ondas. Ela apertou o botão "pipoca" e jogou fora a embalagem. "Sabe, há um botão de pipoca no micro-ondas."
"Nunca devo ter notado isso durante as vezes que eu falhei em fazer pipoca." Ele sorriu, virando a cabeça para vê-la.
"Por favor, me diga que você não queimou a casa só para chamar minha atenção." Ela bufou, olhando-o com cuidado.
Ele desviou o olhar, quase culpado. "Não?"
"Oh meu deus, Tony." Ela apertou os lábios.
"Você sempre está no escritório..." Ele fez beicinho.
"Sim, porque é onde eu trabalho."
"Bem, eu sou bilionário, então consertar a casa não vai fazer nem cócegas na minha conta bancária – e eu tenho você agora. Então você não tem que se preocupar com casas queimadas – A menos que eu tenha um desejo intenso de cozinhar alguma coisa." Seus lábios formaram um pequeno sorriso antes de ele se virar para encará-la. Ela ficou ali, com as mãos descansando em seu quadril e sua boca aberta de forma engraçada; literalmente decepcionante.
"Você é incorrigível." Ela finalmente murmurou.
"Ah, não diga isso Peppy". Ele franziu a testa.
Peppy? Ela franziu as sobrancelhas, enquanto olhava para o micro-ondas. O micro-ondas apitou. Pepper abriu a porta do micro-ondas e com cuidado pegou o saco quente de pipoca do micro-ondas. Colocou-o sobre o balcão e vasculhou os armários procurando por uma tigela. Uma vez que ela encontrou uma tigela de plástico vermelho, ela cuidadosamente abriu o pacote e colocou a pipoca amanteigada dentro da tigela. Ela jogou o pacote gorduroso na lata de lixo ao lado dela e cuidadosamente caminhou em direção ao sofá.
Tony ficou lá com o braço ruim descansando em seu estômago e seu braço bom ao seu lado.
"Então, que filme vamos assistir?" Pepper deu a volta no sofá e sem pensar sentou-se ao lado dele, colocando pressão sobre o braço ferido.
Tony fez uma careta de dor. "Ow, ow, Pepper—você está sentada no—" Ele tentou dizer a ela. Pepper imediatamente levantou-se em preocupação e notou que ela estava sentada contra o seu braço direito. Ele ficou ali, com os olhos fechados, tentando suportar a dor.
"Oh Deus, Tony, me desculpe — Eu—"
Ele a cortou e deu um pequeno sorriso. "Está tudo bem. Estou bem."
Pepper ficou ali, com a tigela de pipoca balançando em suas mãos. Ela odiava vê-lo sentindo dor. É por isso que ela sempre o repreendia. Ela não gostava de vê-lo sentindo dor — a dor que ele teve que passar porque ele quis, e não porque ele foi forçado a isso.
"Não — Sabe, eu estou cansada. Aposto que você está cansado, também. Porque não continuamos isso amanhã à noite? Posso fazer o jantar e—"
Tony deu um tapinha no local ao lado dele. "Venha aqui".
Pepper franziu a testa solenemente e olhou para a tigela de pipoca. Ela apertou os lábios e, cuidadosamente, sentou-se ao lado dele, sobre o seu lado bom. Ele protetoramente envolveu seu braço bom em volta de sua cintura e beijou-a na bochecha.
Ele sabia o que ela estava pensando quando ele ouviu quão irregular estava sua respiração quando ele disse a ela - não, praticamente implorou - para ela se mover. Tony apertou sua cintura e esfregou-a suavemente.
"Eu estou bem, Pepper." Ele finalmente disse a ela.
Pepper manteve seu olhar sobre a tigela na frente dela. "Eu não queria—"
"Eu sei." Ele carinhosamente beijou sua testa.
"O filme...?" Ela sentiu uma sensação desconfortável dominá-la quando ela mudou de assunto.
"Eu estava pensando em Alice no País das Maravilhas". Logo que ele disse o nome do filme, JARVIS o projetou na frente deles.
"O velho ou novo?" Ela passou as pernas para cima do sofá e inclinou-se em seu abraço, moldando-se bem contra ele.
"O novo". Ele olhou para ela, enquanto o filme era projetado. Ele sentiu seu corpo pressionar suavemente ao seu lado. A estranheza começou a se infiltrar entre eles. Ele sabia como ela estava triste, ele só não sabia como dizer a ela que nunca foi culpa dela. De alguma forma, ele sempre pode ver, nos olhos dela, que ela sempre se culpou por seus ferimentos.
"Eu pensei que você quisesse ver algo cheio de ação." Ela olhou para ele novamente.
"Este filme tem grandes comentários, então eu pensei que eu devesse assisti-lo. E o que é melhor do que vê-lo com a minha namorada?" Ele alargou o sorriso para ela.
Os lábios de Pepper formaram um pequeno sorriso por uma fração de segundo antes de olhar para o longe. Que a verdade seja dita, ela já teve um ombro deslocado antes. Foi durante o ensino médio, na educação física. Ela estava jogando futebol com seus colegas de classe e uma colisão com outros dois jogadores a fez cair numa posição desconfortável. Doeu pra infernos. Ela não achava que viveria para sentir aquele tipo de dor. Demorou um mês para ela se curar, mas quando as pessoas colidiam com ela, era como se facas fossem enfiadas por seu ombro com uma força onipotente.
"Pepper, não se sinta como se fosse culpa sua." Ele finalmente murmurou, apertando seu quadril mais uma vez.
"Eu tive um ombro deslocado antes e—"
"Eu sei." Ele acenou com a cabeça. "Não doeu, mas eu penso nisso como uma mordida de amor." Ele beijou a nuca de seu pescoço, fazendo-a contorcer-se um pouco em suas mãos.
Seus lábios formaram um sorriso doce novamente. "Tony —"
"Isso nunca foi sua culpa." Ele interrompeu-a novamente. Ela olhou para ele com aqueles belos olhos azuis dela. "Hardman queria me matar por causa de um mal-entendido. Isso não doeu porque o alvo era você."
"Isso não é como eu vejo." Ela resmungou.
Uma tela azul estava projetada na frente deles, mas apenas quando o filme estava começando, Tony pausou ele. "JARVIS, pare o filme."
Pepper imediatamente olhou para ele. "Podemos falar sobre isso depois —"
"Não". Ele a cortou novamente. Ele não queria que eles adiassem essa conversa e ele não queria que ela se sentisse um lixo durante o filme. Ele tinha que falar sobre isso agora. "Nós estamos falando sobre isso, aqui e agora." Ele apertou os lábios e virou o corpo para encará-la.
"Eu realmente não quero falar sobre isso." Ela suspirou pesadamente, olhando para o longe.
"Eu vou te dizer o que eu acho que está acontecendo nessa bela cabeça loura sua." Ele disse a ela quase docemente. "Me pare se eu falar algo errado."
Pepper apertou os lábios e lentamente virou a cabeça para olhar para ele. Ele estava ali, em toda a sua glória, lindamente adorável, olhando para ela. Seus olhos estavam num tom mais suave de marrom, mostrando o quanto ele se importava com ela.
"Você acha que a culpa é sua." Ele começou. "Você acha que você foi o motivo por tudo que aconteceu aquele dia. Talvez você tenha pensado que se você não fosse minha assistente pessoal, então talvez ele não teria me feito alvo através de você. Você odeia me ver machucado, e vendo-me sofrer te amedronta. Você está mesmo considerando o fato de terminar comigo, porque você acha que vai fazer a minha vida mais fácil."
"Ok, para por aí." Ela virou-se para ele. "A parte de 'terminar'– não é verdade."
"Ótimo". Ele alargou o sorriso e apertou carinhosamente a parte de cima de seu joelho. "Porque, se você estivesse pensando nisso, eu teria que tomar medidas drásticas para persuadi-la do contrário." Ele balançou sua sobrancelha para cima e para baixo para ela.
Pepper soltou uma risada antes de franzir a testa novamente, ela olhou para ele. "Mas, aquilo me assustou... Vendo você se machucar daquela maneira..."
"Fury disse que cuidou do pequeno dispositivo de Hardman. O Homem de Ferro vai, eu espero, nunca mais experimentar aquilo de novo." Ele recostou-se no sofá confortavelmente.
"Isso é bom." Ela se inclinou contra ele, descansando a cabeça em seu ombro.
"Eu também levei um tempo para formular um antídoto contra aquilo usando as especificações do dispositivo que Fury me enviou. É para o propósito de 'apenas em caso'." Ele tranquilizou-a, envolvendo seu braço ao redor da cintura dela. "Então, você não tem que se preocupar mais comigo."
"Eu me preocupo com você o tempo todo." Ela o lembrou.
"Força de hábito?"
"No começo, era. Agora isso virou um hábito geral". Ela explicou a ele.
"Você não deveria se estressar por minha causa." Ele suspirou pesadamente.
"É o que uma namorada faz." Ela inclinou a cabeça para cima e deu um beijo suave em seu pescoço, logo abaixo de sua mandíbula.
Tony ampliou seu sorriso e a apertou mais. Ele honestamente não podia acreditar o quão sortudo ele era por tê-la. Ele a amava, ele realmente a amava. Ele só tinha dificuldade em dizer isso. Era como ver Fury dançando. Ninguém acreditaria que aconteceu até que alguém visse por si próprio.
O sorriso de Pepper cresceu quando ela sentiu-o beijando o topo de sua cabeça. Ela se aconchegou em seus braços e colocou a tigela de pipoca entre eles.
"Por favor". Ele praticamente sussurrou. "Não se culpe pelo que aconteceu comigo. Nunca é culpa sua."
Pepper ficou ali, e silenciosamente acenou com a cabeça em resposta. Ela não sabia como não se culpar. Ele salvou o mundo e ele sempre pensava nas vidas inocentes além da dele mesma (Algo assim). Ele sempre tentava encontrar tempo para ela, e durante todo esse tempo, ela achava que ela era um fardo para ele. Era difícil vê-lo suportar tanta dor e agonia, quando havia provavelmente outro caminho. Há sempre um outro caminho.
Ela deitou-se em silêncio quando o filme começou, e Tony ficou lá ao lado dela, silenciosamente, passando a mão para cima e para baixo em sua cintura. Não demorou muito antes de Pepper segurar carinhosamente sua mão, e entrelaçar seus dedos com os dele. Ele deu um beijo prolongado no topo de sua cabeça e suspirou contente. Foi uma noite perfeita e um encontro perfeito. Nenhum deles queria dormir sozinhos naquela noite.
