Killer já estava esperando Misa na proa no horário marcado, mas ela demorou um pouco a chegar. Não que estivesse terminando seus serviços, e sim porque estava se caprichando diante do espelho, queria estar bonita – mesmo que ele não fosse nada seu. Mas aquele encontro depois da sonze, depois de muitos ali se recolherem, abriu um certo interesse nela. Quem sabe, ele confessaria que a amava? Seria uma ótima oportunidade para também confessar que o amava. Até então, guardava para si seu amor platônico pelo loiro.

– Pensei que demoraria mais… – disse Killer.

– Desculpa… isso não ocorrerá mais! ...bem, o que queria falar comigo ontem e que só poderia hoje?

– Do nosso relacionamento.

– ...relacionamento?

– Sim. Ontem, você tornou-se atrevida em tentar tirar a máscara de mim.

– Ah… mas já expliquei que não foi por mal…

– Não, você não me engana. Sei que quer tornar íntima demais comigo. Pois saiba que certas coisas não tolerarei. Eu gosto muito de você, acredita… mas quero que ainda exista a confiança que sempre existiu.

– Killer… bem… – ela abaixou a cabeça. O fraco vento movia os cabelos alaranjados e ondulados – prometo que não vai acontecer mais.

– Certo. Tenha sempre minha confiança, e o capitão sempre a respeitará.

– Ele me respeita apenas por causa da minha irmã…

– Não… ele até tem uma certa consideração. Afinal, você faz bons serviços. Lembra-se quando ele disse que sua comida era até melhor que a da Rhina?

– Lembro… mas ele é tão tempestuoso!

Killer riu, sentando-se em um dos caixotes perto dela.

– Ele é assim mesmo…

– Deveria ser que nem você… – sem propósitos definidos, Misa disse com a voz mais branda e levemente sensual. Parece que, certas horas, ela não escondia tanto seu amor por ele. Killer engoliu seco.

Ele levantou-se e foi até a beira do navio. Misa foi atrás.

– O que houve?

– Bem… nada não. Só queria falar isso mesmo. Já pode ir dormir.

– ...só isso? – a pergunta escapuliu dos seus lábios. Misa não acreditava que ele chamou apenas para continuar sua bronca por causa de sua máscara.

– Sim… – disse ele, olhando para o infinito do mar.

Silenciaram-se. Apenas o fraco ruído das ondas do mar poderiam ser ouvidas. Kid passava por perto e flagrou os dois na proa. Sorrateiro, ficou olhando os dois evitando ser notado.

– Essa não! – ele continha o riso.

Kid nunca perdia a oportunidade de debochar das coisas e das pessoas. Começou a cutucar levemente o braço-direito, principalmente a ruiva que tinha mais ou menos seu temperamento. Enquanto Misa alimentava o fogo da fogueira que sempre fazia à noite, Kid aproveitou para descobrir se o amigo estava realmente de casos com ela.

– Parecem que vocês estão se dando muito bem aqui…

– ...eu e quem? – parou seu serviço para lhe dar atenção.

– Killer.

– Ah… sim. – ela voltou a atiçar o fogo da fogueira.

– Nunca imaginei que ele se tornasse tão íntimo de uma simples garotinha que nem você… – disse, sentando-se em frente a fogueira.

Misa entendeu aquela leve provocação, mas manteve-se quieta.

– ...ele é livre para se tornar íntimo de quem quiser, não? – respondeu a ruiva com a pergunta, depois de alguns segundos.

– Sim, claro… por falar nisso, cade sua irmã?

– Está trazendo os petiscos. Vou lá vê-la. – levantou-se, sem pedir licença ao capitão.

– Seja mais educada quando sair. Peça licença! – disse Kid, com um leve ar sorridente e provocador.

Misa deixou-o falando sozinho. Ao entrar na cozinha, viu Killer segurando a irmã nos braços, fazendo-a mais alta para alcançar alguma coisa que ainda não tinha visto. Um súbito ciúme a deixou incomodada com aquilo.

– O que está fazendo, Killer?! – Misa perguntou com tom sério de voz.

Killer quase deixou Rhina cair, mas conseguiu recuperar a firmeza e colocou a morena no chão.

– Que houve, Misa? Ele só estava me ajudando a pegar as ferragens lá em cima! – explicou Rhina.

Misa saiu dali zangada. O loiro e a morena olharam-se, confusos. A ruiva trancou-se no quarto, encostando-se à porta.

– Preciso contar até cem para me acalmar. Um… dois… três… quatro… ahhh! O que está acontecendo comigo?!

Ela sempre tinha a mesma insegurança em relação à Rhina. Sim, Killer era sempre próximo, prestativo e confiante – sendo que ela era a mulher do capitão. Ela, que era mais próxima ao Killer, era literalmente evitada, tratada como uma imagem. "Rhina… Killer gosta de você como Kid gosta. Que magia você tem? Sim, você é mais bonita que eu. Tem o corpo mais bonito. É mais madura. Ai… sou uma tola por deixar-me levar por esses sentimentos..."

Os pensamentos dela acabaram quando bateram à porta. Misa recompôs-se e abriu a porta, deparando-se com a irmã.

– Que houve?

– Misa… por que saiu nervosa da cozinha? O que achou que Killer estava fazendo comigo?

– ...desculpa, minha irmã… esqueci que você jamais trairia Eustass Kid por ninguém. – disse em um tom irônico.

– Misa! Está louca? Ele só estava me ajudando em um serviço, poderia fazer o mesmo se você pedisse! Ora… até parece que ele é seu namorado!

– Com licença! – ela fechou a porta na cara da irmã.

Veio Killer atrás.

– O capitão quer que as duas sirvam a bebida.

– Já vamos! ...minha irmã não está nada bem…

– ...entendo. Deixa eu chamá-la. – bateu à porta. – Misa! Vem para fora! O capitão quer ver as duas.

Misa estava na cama, sentada, de braços cruzados.

– Diga que não estou bem! – gritou lá para fora.

– É mentira! Vamos… – Killer dizia paciente.

Misa queria ficar sozinha. E lidar com Kid o resto da noite seria uma tormenta. Mas aquela voz… branda, calma e profunda lhe pedindo para sair dali… ele sempre era paciente com ela… não, esse não. Esse não era como o cavalo louco do Kid. Misa levantou-se e abriu a porta. Viu apenas Killer.

– Só falta você, Misa. Vem? – ele lhe ofereceu a mão, cavalheiro. Misa quase riu daquela atitude. Olhou bem o Killer. Deu a mão a ele como uma dama.

– Incrível como tenho paciência com você! – Misa abriu um sorriso pequeno ao confessar.

– Digo-te o mesmo…

Shanks era o alvo daquela aliança e era cada vez mais distante de alcançá-lo. Estúpida ideia de Apoo – pensava Kid. Enquanto conhecia bem o território de Big Mom, tinha que ficar perdendo tempo em ficar pesquisando sobre o outro ruivo. Tinha ódio do dia em que aceitou a ideia do seu braço-direito. Haviam rumores que outros Youkous também estavam perto da base deles, como Kaido. Esse só tinha conhecido o nome. Seria interessante lidar com esse também, mas já tinham um alvo em questão.

Cada um dos membros daquela aliança viviam em seus cantos naquela ilha. Não havia muito "coleguismo" entre eles – e nem tinha como ter entre Apoo e Kid, que já quase se confrontaram em Sabaody, quando se conheceram. Foi um pouco antes de conhecer aquela escravinha fugitiva que hoje era sua mulher.

Tinha alguns planos para Rhina. Embora quisesse estar sempre junto dela, não poderia mantê-la perto durante as mais poderosas guerras que enfrentaria para conquistar o Novo Mundo. Ela e aquela irmãzinha dela precisavam de uma "casa" em terra firme. Aquela ilha não parecia segura, mas já tinha se fixado ali. Temia também pelos outros homens de Apoo ou de Hawkins, caso quisessem se aproveitar dela longe dele. Rhina até já sabia se defender, era praticamente uma pirata; mas ainda era uma mulher e mansa demais. E fraca diante dos outros. Também não confiava muito nos outros dois novos membros de sua tripulação. Deixar Rhina ser independente era uma tarefa difícil, assim como uma mãe sofre em deixar um filho livre e solto por aí. Foi consultar Killer, Heat e Wire em relação a isso. Os outros três principais membros tinham a mesma indecisão de Kid. E Killer temia pelas duas. Mas… como mantê-las em risco naquele navio durante os combates? Deram muita sorte na vez em que lutaram com Big Mom.

Depois de uns dias, Kid decidiu manter um território em terra firme, onde as duas ficariam caso eles partissem para uma missão. Os outros dois membros mais novos de Kid aceitaram vigiá-las vinte e quatro horas por dia. Comunicou sua decisão as duas irmãs, que aceitaram. Seria menos riscos que enfrentariam, e estariam sob vigia deles.

O acampamento era uma grande alojamento improvisado, similar a uma grande choupana. Montaram as áreas que equivaliam a uma típica casa, como cozinha e quartos. Ali também poderiam ficar até o capitão, quando quisesse ficar em terra firme. Um dos espiões de Apoo vinha de vez em quando, por ordem do chefe, ver o bando do Kid firmando um espaço fora do navio. E tanto Apoo quando Hawkins também tinham seus acampamentos em terra firme, em cada um do lado da ilha em que fizeram sua base.

Misa é quem mais passava no acampamento em terra que Rhina, que sempre ficava mais perto do seu amado capitão. Resolveu cuidar dos afazeres do acampamento, assim distraía-se com muito trabalho para fazer e (tentava) esquecer sua frustração em relação ao Killer. Mas nada adiantou muito, pois o próprio vinha sempre verificar os serviços dela e se precisava de alguma coisa. Não que fosse ruim – a ajuda dele era sempre bem-vinda – mas ela tentava esquecê-lo em seu amor frustrado… e não adiantava nada.

Mas algo mudaria em um certo fim de tarde. Misa e Rhina estavam cuidando da limpeza do acampamento. Ao terminar, Rhina resolveu voltar ao navio, aproveitando para tomar um banho e relaxar um pouco antes de fazer o jantar.

– Você vem?

– Daqui a pouco, vou terminar de organizar os quartos aqui.

– Certo.

Rhina saiu e deixou Misa sozinha. Ao saber que ela estava sem ninguém por perto, Kid mandou Killer ficar de olho em volta da base térrea deles. Ele não tinha convocado Killer à toa. Queria provocá-lo indiretamente, fazendo lidar com aquela bela ruiva que parecia evitar. Mas sem nenhum protesto, o loiro foi até a base.

Misa aproveitou sua solidão ali para explorar a área em volta. Deixando tudo organizado, saiu dali e se meteu na mata mais próxima. Não imaginava que encontraria uma área similar a um oásis, com um pequeno lago e cheio de árvores tipicamente praianas em volta. O ruído de irritantes cantos dos pássaros é que incomodava Misa naquela paisagem. Aproveitou o momento e resolveu se banhar ali. Tirou suas roupas e deixou-as perto de uma pedra. Revelou um belo corpo feminino, tão branco e tão puro. Entrou aos poucos na água gelada. Já dentro, relaxava em um momento de liberdade e folga. Killer ficou assustado ao perceber a ausência dela. Nunca se sentiu tão preocupado com ela antes. Saiu em busca dela, mas procurou não deixar pistas como o barulho dos passos e das plantas ao entrar em plena mata. Também encontrou o mesmo oásis e o que menos esperava ver: uma bela mulher nua brincando na água. Uma visão divina. Era ela?...sim, era ela. Misa.

Enquanto a jovem estava distraída jogando água para todos os lados, o loiro ficou atrás de um arbusto lidando com o flagra e a culpa por não conseguir tirar os olhos dela. Queria sair dali, mas também não poderia deixá-la sozinha. E se ela flagrasse ali, seria o caos. Recuando, voltou até a metade do caminho, ainda podendo vê-la de longe. Uma menina ainda, ostentando um belo corpo feito de mulher.

Quando ela caminhou em direção as suas roupas, Killer fez a mesma trilha de volta ao acampamento, acompanhando o ritmo que Misa voltava também para lá. Quando Misa chegou ao acampamento, deparou-se com Killer, de braços cruzados para ela.

– Desaparecendo por aí? Estive te procurando o tempo todo!

– Ora… sei me virar! Não me distanciei muito, fui apenas me banhar no lago e voltei. Mas... e o que veio fazer aqui?

– Tenho ordens para não deixar as duas sozinhas, assim como os outros homens também tem.

– Ah… esse Kid… está há muito tempo aí, Killer?

– Cheguei há pouco tempo. E não te vi aqui. Resolvi esperar. – ele despistava que a seguiu e a flagrou nua e se banhando.

Kid saiu do navio com uma desculpa qualquer, mas quis cercar devagarinho o acampamento. Ainda no navio, sentiu uma vontade inconsciente de espiar aqueles dois. Pediu para que o resto continuasse no navio, e que ele voltaria logo. Também não queria "espantar" Rhina. Chegou por trás da choupana, ocultando o barulho dos seus passos. Escutou vozes, e ficou em direção de onde elas vinham.

– Olha, não precisa se zangar comigo, Killer! – Misa continuou o diálogo que parecia um pouco nervoso.

– Como não vou me zangar? Sabe que os outros podem mandar espiões aqui e… vendo-a sozinha… podem fazer algum tipo de maldade?

– …preocupa-se comigo assim? – Misa disse em um tom morno de voz.

– E por que não me preocuparia? Por isso, nunca mais volte para aquele lugar para se banhar sozinha! – ele deixou escapulir o que não devia falar.

– O quê? Como sabe que fui me banhar? ...você esteve o tempo todo aqui, não foi? – agora, sua voz havia mudado.

– ...bem… – ele ficou sem jeito.

– Você foi me espiar, não foi?

– Não grita! Sem querer… acabei descobrindo quando fui te procurar que nem um louco.

– Não deveria mentir para mim! – ela ficou irritava em saber a verdade.

– Eu sei, eu sei…

Kid achava graça em seu canto, espiando pelas frestas da parede feita de palha grossa e resistente.

– Sabe, você anda me irritando! Em tudo! – Misa gritou com Killer.

– Você anda muito estranha, Misa. Onde está sua fidelidade comigo?

– Fidelidade? Sou sua mulher, por acaso?

– Falo como amiga!

Ela bufou. E continuou.

– Então seja meu amigo em não ficar me espiando por aí!

– Já disse que não a espiei, apenas flagrei e voltei para cá para te esperar. Afinal, agora estamos quites, não é? – ele se lembrou da vez em que ela o flagrou nu.

– Ora! – ela pegou o primeiro objeto em sua mão para atacar nele.

– Não se atreva!

– Atrevo-me, sim! – e atirou o objeto nele, que se esquivou facilmente.

Misa pegou outro objeto e apontou nele, que se adiantou e travou o pulso dela no alto. Ela foi controlada ali.

– Solta meu pulso!

– Não, não vou deixar você arremessar isso em mim!

De repente, ela perdeu o controle do corpo e caiu em cima dele, que acolheu-a com a outra mão que estava livre. Ambos se encararam. Somente Misa podia ser flagrada corada, mas Killer sentiu arder suas faces também. Ela largou o objeto no chão, e ele puxou-a para uma das duas redes que tinham ali, deitando-se e puxando a garota por cima dele gentilmente. Pareciam hipnotizados um pelo outro. As mãos dela estavam sob o peitoral dele. Depois dessa curto momento em que ambos se encaram, ela recebeu um doce beijo em sua clavícula. Ela fechou os olhos podendo ouvir o som do beijo dele por trás daquela máscara. Lentamente abriu os olhos e viu seu amado, incrivelmente, compartilhando tal carícia nela. Misa não pode evitar a surpresa em sua expressão. Aquilo fez Killer voltar para suas inseguranças e sair de cima, dela, sentando-se na rede.

– Não posso…

– O que não pode…

Ele se virou para ela.

– Eu não posso tocá-la desse jeito…

– E… por quê? ...é melhor que quando briga comigo.

– Mas você… você é só uma menina… e vai se espantar comigo. – ele ameaçou em se levantar, mas ela segura-o pelos enormes ombros e deixou-o sentado novamente.

– Killer… sei que sou praticamente uma menina… mas não serei assim para sempre. E se existe alguém que possa me tornar uma mulher de verdade… esse alguém é você.

Ele quase se engasgou com a saliva ao ouvir aquilo. Misa era muito firme em sua confissão. Ela lhe parecia mais apetitosa naquela rede, segurando-lhe pelos ombros.

– Só existe um homem que merece meu amor… apenas… sinto muito por ser desprezada por coisas tão insignificantes… mas faça o que quiser. – ela soltou-lhe o ombro, ajeitando-se naquela rede para ficar sentada.

– … não imagina o bruto que sou…

– E sou tão delicada assim?

– Você é… – ele acariciou-lhe a bochecha.

Ela não conseguia manter os olhos abertos diante daquela carícia. Kid espionava sério, não zangado, aquele momento de confissão.

– Você é uma garota maravilhosa… merece uma pessoa melhor que eu.

– Quem seria melhor que você?

Ele a puxou em um abraço que foi correspondido.

– Sou um homem dos mares… um homem perigoso, procurado… levaria sua vida eternamente ao lado de um pirata?

– Se minha irmã pode, porque eu não posso? E ainda tenho mais sorte em amar aquele que sempre foi meu amigo. Diferente do brutamonte que é o capitão. Talvez minha irmã esteja em um risco maior que eu..

Kid quase rosnou alto lá de fora, mas manteve-se.

– ...espero que não se decepcione comigo…

– ...entendo… – ela pensou que ele manteria sua decisão. Uma lágrima escorreu pelo olho, e ela tratou de limpá-la discretamente. Mas surpreendeu-se quando, ao levantar para se distanciar dele, ele a pegou pela mão, fazendo-a parar.

– Olha para mim.

– O que mais quer dizer…

Misa parou de falar. Killer revelou seu rosto para ela. Kid apenas percebeu isso por causa da máscara na mão dele, pois o loiro estava de costas para onde o ruivo estava. A jovem ruiva pôs a mão em seu rosto, pasmada.

– Você… confiou em mim a ponto de se revelar? – ela sorria aos prantos.

– Sim.

– Obrigada… ao menos isso, pude ter sua confiança.

– Quero mais que isso, Misa…

Ele a trouxe de volta para a rede, deixando a máscara em baixo dela. Ela envolveu seus braços em volta de seu pescoço, puxando-o para mais próximo de si. Trocaram o primeiro beijo do casal. O primeiro beijo dela, também. Killer era calmo e dócil, diferente do bruto que se considerava. Suas necessidades sexuais estavam à flor da pele, principalmente diante daquela mocinha temperamental e apaixonada. Apesar de nunca ter feito nada daquilo, Misa recebeu aquele beijo tão naturalmente como se já tivesse passado por tudo aquilo. Ele colocou o braço sob sua cabeça e aninhou-a sob seu corpo. Trocaram beijos por minutos, naquela posição. Então Misa parou de beijá-lo. Olhava-o cheia de amor e desejo.

– Deixa-me… tentar uma coisa?

– O que é?

– Surpresa…

Ela se moveu, saindo debaixo dele e ficando deitada de frente a ele. A rede balançou um pouquinho, dando a impressão que viraria, fazendo o homem acolhê-la em um abraço. Ela levantou a camisa dele, sem tirá-la, acariciando seu abdômen ondulado de músculos tão bem definidos, e sem tirar os olhos do rosto dele. Em seguida, as mãos foram até a região mais sensível dele, por cima da calça.

– Não imaginava… que fosse tão belo…

Killer sorriu sem jeito. Apertando os lábios, ele levantou o vestido dela pelo final dele, revelando a pele alva e fresca do banho recém-tomado. Voltaram a se beijar, e ela foi levantando a camisa. Pararam de se beijar apenas para desfazerem das roupas um do outro. A noite estava fria, mas o vento que entrava pela janela apenas causava uma sensação agradável a pele quente de ambos. As cicatrizes que Killer tinha não faziam frente ao belo corpo que tinha. Músculos perfeitamente alinhados, que contraíam-se com aqueles toques que vinham da ruiva.

Ousada, Misa acariciava o corpo do outro como se estivesse moldando uma escultura de cera. Apreciou ao ver o sexo dele despertando, os testículos mais curtos e o pênis ereto.

– Assusta isso? – Killer lhe falava rouco ao pé do ouvido.

– Excita-me mais ainda… quero muito conhecê-lo também…

Lá fora, Kid não conseguia ver mais muitas coisas, a rede cobria um pouco o corpo dos dois. E aquela cena fez recordar que já não possuía sua fêmea faz um tempo, devido as tantas tarefas que tiveram nesses dias recentes. Era hora de voltar para o navio e avisar que ambos estavam bem q que voltariam logo.

Com as carícias ousadas em seu pênis, ele sentiu-o crescer duro, a ponto de querer jogá-la no chão e penetrá-la com todo o impulso do seu desejo. Mas continha-se, sabia que estava lidando com uma virgem, e também não queria tornar aquela experiência traumatizante para ela.

– Eu preciso te tocar… – ele dizia entre beijos pelos cabelos dela.

– Então toca… – ela falava com a voz quase sumida.

A rede balançava ainda mais, causando leve riso dos dois.

– Vamos nos ajeitar melhor? – disse Killer.

Depois de se ajeitarem, Killer deslizou a mão entre as coxas, até alcançar as partes íntimas escondidas em uma pequena penugem da mesma cor que os cabelos dela em suas dobras e friccionou os dedos ali. "Ahh...", ela choramingou, contorcendo-se diante daquele prazer que jamais teve, nem mesmo quando já proporcionou para si mesma. Ele observava como ela enlouquecia de prazer, e torcia para que ela não gritasse a ponto de acharem que ela estava sendo violentada. Aqueles seios redondos, de mamilos rosados… o bico eriçado pedia por sua boca, assim fazendo-o. Quando mais ele amamentava nela, mais sentia seu pênis pulsar e ela se abria totalmente naquela rede, as pernas escapando para fora dela, ficando pendurada. Ela removeu os dedos e colocou dentro nos lábios de Misa, em seguida, fazendo-a sentir seu sabor. Ela sugava seus dedos grossos e úmidos, enquanto ele roçava seu pênis contra a púbis dela, friccionando a região clitoriana.

– Isso… é bom demais… – ela falava enrolada, sem parar de chupar-lhe os dedos.

O loiro era atento a cada reação dela. Preocupado em mantê-la feliz. Mais feliz que ele próprio. Ela parecia pronta para Killer satisfazer seu membro rígido.

– Vai doer um pouquinho… mas depois você vai se acostumar… e se não quiser mais dentro, eu retiro...

– Eu… confio em você… – acariciou-lhe as bochechas, puxando sua cabeça paa dar-lhe outro beijo intenso.

Sem mais delongas, Killer pôs-se dentro dela, movendo devagar. Ela arqueou o corpo, dando um gemido indecifrável, sem saber se era de dor ou prazer.

– Está... tudo bem?

– Sim… vou me acostumar… ahhh… – instintivamente, ela movia os quadris, fazendo o pênis dele mover-se sem ele mover os quadris. Ato que o deixou louco de satisfazer-se totalmente. Ela, que estava com as mãos segurando a rede, levou-as até ele e acariciava seu peito largo.

Ele começou a mover seus próprios quadris, segurando-a pela cintura. As pernas dela balançavam penduradas na rede. Pôs seu rosto entre os seios dela, abafando seus gemidos, sendo audíveis apenas para ela, que enfiou o rosto em sua vasta cabeleira loira, gemendo da mesma forma que ele. Aos poucos, movia-se com mais rapidez. Misa tirou seu rosto da cabeleira dele para vê-lo penetrá-la. Nem aqueles movimentos fazia os músculos deles se moverem tanto, de tão firmes. Era como um deus grego que ostentava algumas cicatrizes típicas de um guerreiro. Ele saiu do colo dela, firmando-se com as mãos na rede e, sustentando o peso do peitoral, movia seus quadris com mais rapidez, friccionando sue pênis dentro daquela abertura tão úmida e macia dela. Misa parecia estar em transe – os olhos semicerrados, a boca entreaberta, leves tremores por todo o corpo.

Ela choramingava cada vez mais alto quando ele encravava-se todo dentro dela, como o seu corpo movia-se involuntariamente a cada vez que ele transava mais rápido. Ela está quase no seu clímax, ela só precisa de um pouco mais.

– Mais... aahhh… mais rápido! – ela tinha respiração pesada, mas estava em um clímax que desejava que nunca acabasse.

Misa levou vários golpes dentro de si até que, ao sentir que vinha sua carga de prazer, Killer retirou seu pênis e mirou o sexo dela, despejando seu sêmen ali. Misa friccionava seu clitóris melado, fazendo finalizar seu orgasmo quase levantando as pernas totalmente, chorando no pico do seu orgasmo. Killer caiu jogado no lado oposto da rede que ela estava encostada, assistindo ela masturbar-se com aquela quantidade pequena de sêmen. Recuperando o fôlego, Misa abriu os olhos, deparando-se com aquele homem divino que despertou-lhe a mulher em si. Cansado, ele acariciava seu pênis apenas para acalmar os últimos reflexos de excitação assistindo ela. Ela moveu-se na rede, com cuidado para não balançar muito, e pôs-se deitada em cima daquele peito e abdômen musculosos como se ele fosse um colchão. Ele observava aquelas curvas singelas descansando sobre si, colocando uma mão no meio daqueles cabelos ruivos e a outra em sua cintura esguia.

– ...já cansou, meu amor?

– Você não?

– Um pouco… mas quero mais de você…

– Também quero… mas devemos voltar logo para o navio… senão o capitão vai nos seguir.

– Uhmmm… é verdade… – ela se aninhou nele, roçando seus seios e barriga contra o corpo dele – quero ficar toda grudada em você…

– Você é minha, agora… e podemos fazer isso quando sempre quisermos. – finalizou com um beijo na nuca dela.

– Eu te amo… e obrigado por me aturar…

– Agradeço pelo mesmo motivo...