Dia da Amizade... E do Amor

Ângelo olhava nervoso a todos lados, não se importava que nesse momento ele fosse o centro de atenção de meio alunado, seu elegante porte de Veela acentuado com um traje de seda branco com delicados rebites dourados lhe dava um ar angelical que para ninguém passava desapercebido, seu cabelo castanho claro se movia como influenciado por um feitiço de graciosa frescura. Mas seus olhos semiocultos por sua mascara de pluma de cisne não luziam felizes, buscava afanosamente entre os assistentes, recusando cordialmente a quem se animasse ao convidar a dançar, ele queria destinar seu tempo a uma só pessoa e ao não o ver se sentia preocupado.

- Albus. –diz acercando ao diretor quem conversava com Minerva enquanto desfrutava de um raspado de limão sem importar-lhe ainda se encontrar em pleno inverno. - Tem visto a Severus?

- Severus?... ele saiu, Ângelo, lhe pedi que fosse a pesquisar sobre os ataques que se suscitaram nos últimos dias.

- Sem mim?

- Não o cri necessário, e Severus também não, nos pareceu que não era nada grave e Remus podia o ajudar enquanto você desfrutava da festa.

- Não posso a desfrutar sem ele… me irei a minha habitação. –comentou com tristeza.

- Espera, fica-te um pouco mais… quer um pouco de raspado? Parece-me que gostará.

Ângelo sorriu timidamente recusando-se a ficar, mas Albus pensou que precisava atuar com rapidez se não queria que o plano se viesse abaixo, no entanto, não foi necessário inventar nada, justo nesse momento, Ron entrava ao salão em companhia de Hermione, isto é, Harry, e os olhos de Ângelo se desviaram para eles, olhando assombrado como as mãos de seus dois estudantes se mantinham entrelaçadas com firmeza.

- Harry… vem com Ron? –perguntou intrigado.

- Parece-me que sim.

A respiração de Ângelo acelerou-se notavelmente quando notou que a camisa de Harry lhe acentuava uma figura que não lhe tinha notado, uma terrível suspeita lhe fez empalidecer, o qual manifestou ainda mais ao se tirar a mascara para poder olhar melhor.

- Grávido?... Harry está grávido?

- Sim, está. Acho que esses dois garotos têm decidido dá-lo a conhecer nesta festa.

- Eles… os dois? –questionou nervoso. - Ron com Harry?

- Sim, esta manhã falei com eles, Ângelo. Parece que têm uma relação esporádica desde faz tempo, mas assim que souberam do estado de Harry pensaram que o melhor era formalizar… talvez saindo do colégio se comprometam.

- Não… não posso o crer.

Mas Ângelo não era o único que olhava com incredulidade o fato de que Ron e Harry entrassem juntos ao dance e tomados da mão como qualquer outro casal. Os cochichos não se fizeram esperar o que provocou que tanto Ron como Hermione tremessem.

- Vão descobrir-nos. –gemeu Ron assustado.

- Se não sorrimos é provável, Ron… Anda, sorri e vamos dançar.

- Acha que seja boa ideia?

- Não sei, mas isso é o que Harry nos pediu, de modo que o façamos.

Ron assentiu e algo torpemente conduziu a Hermione ao centro da pista. Por um segundo olhou-lhe sem saber como devia se comportar, por uma parte tinha em frente a ele à garota que tanto gostava, mas da imagem que se refletia em seus olhos azuis era a de seu melhor amigo, estava aturdido. Hermione notou-o e notou também como muitas miradas estavam fixas neles, sobretudo a proveniente de uns olhos acetinados que não perdiam detalhe de seus movimentos. Suavemente se reclinou sobre Ron e instou-lhe a rodear com seus braços, Rum obedeceu de imediato, mas isso não impedia que seu rosto tivesse adquirido uma cor vermelha como tomate.

- Ron, deve ser mais natural… supõe-se que saímos juntos.

- E também se supõe que é meu melhor amigo… não creio poder, Hermione… me sinto demasiado assustado, não devi lhe prometer a Harry que faria algo assim… não posso!

- Tranquilo, que eu também não me sinto em um leito de rosas. –lhe recriminou Hermione. - O professor Abbatelli não nos tira a vista de cima, acho que devemos o fazer já ou caso contrário perderemos uma grande oportunidade.

- Não, não posso… Não!

Ron queria fugir, mas Hermione sujeitou-lhe pelo rosto para apoderar de seus lábios apaixonada. De imediato uma exclamação de assombro escutou-se por todo o salão. Ron atingiu-a a ouvir, mas foi só um segundo, seus joelhos tremiam e de repente tudo se esfumou a seu redor, seu corpo respondeu abraçando a Hermione contra si, e lentamente lhe correspondeu ao beijo… era estranha a sensação de estar beijando a suas duas melhores amigos ao mesmo tempo, mas, ainda que se negava ao fazer consciente, também resultava excitante.

Justo então entraram Harry e Severus em seus respectivos disfarces, e o Gryffindor teve que calar uma exclamação de assombro ante o que via, se abraçou de Severus brincando de felicidade em seu lugar.

- Consegui-o, estão-se beijando, Severus, estão-se beijando!

- O que vejo é que esse Weasley põe demasiado empenho –grunhiu Severus. - Realmente estará beijando a Granger ou a ti?

- Não seja ridículo, esses dois gostam de muito!

- Abbatelli olha-os. –comentou Severus desviando sua atenção para seu companheiro formal. - E por sua expressão acho que estamos conseguindo um bom resultado, Harry.

- Luze… muito bem hoje. –respondeu Harry olhando a seu rival com ciúmes. - Esse traje fica-lhe perfeito verdade?

- Gosto mais de você. –assegurou sinceramente. - Não se preocupe se Abbatelli ganha concursos de beleza, não me faz sentir nada.

- Está esperando um filho seu… algo deveu te fazer sentir para que isso sucedesse.

- Harry… esta noite é nossa, não se te esqueça.

- Sim, tens razão. –aceitou sorrindo-lhe. - Quer que dancemos?

- Morria-me por que o pedisse.

Harry sujeitou a Severus da mão para levar à pista, começaram a dançar abraçados ignorando o círculo de gente que se tinha formado ao redor de Ron e o falso Harry, ainda se escutavam a alguns alunos puxando de lhe o ter suspeitado com anterioridade, a maioria tinham apostado que esses dois não podiam ser somente amigos. Inclusive teve quem asseguraram tê-los descoberto em alguma ocasião em atitudes suspeitas saindo dos invernaderos… quase ninguém punha atenção ao casal de estranhos que dançavam apaixonados bem perto daí. Só dois pares de olhos o faziam, e Dumbledore estava preocupado de ver interesse na mirada de Ângelo.

- Sinto-me tão bem estando em teus braços. –sussurrou Harry apaixonado.

- Sente-se melhor ter em meus braços, Harry.

Harry sorriu esfregando-se mimoso no peito de Severus quem abraçou-lhe com mais afinco ao sentir seus caricias, suavemente levantou-lhe pelo queixo para beija-lo, algo ao que Harry correspondeu sem nenhum esforço. Em pouco tempo esqueceram-se do que sucedia ao redor, podiam sentir seus corações bater emocionados, tão apaixonados o um do outro, recordando seu primeiro beijo, a noite em que tudo tinha mudado para eles.

Suas línguas jogavam acariciando-se sedosamente, seus lábios sugavam sem pressa, desfrutando das sensações que lhes causava a cada roce úmido invadindo seu corpo de febris estremecimentos. Os dedos de Harry dedicavam-se a acariciar a pele do pescoço de Severus por embaixo da longa melena anil enquanto sentia como o professor lhe apertava possessivamente sua cintura acercando a seu corpo. Harry gemeu dentro da boca de seu casal quando sentiu que não era o único que começava a se sentir excitado. Separaram-se uns segundos para olhar aos olhos, confessando-se seu amor sem palavras, Harry levou suas mãos para o rosto de Severus, acariciando-o embelezado.

- Que fiz para te merecer, Harry? –questionou Severus em um sussurro unindo seu testa à do rapaz.

- Não sei, quando o saibamos me ajuda a saber que fiz eu para te merecer a ti. –respondeu acercando um pouco mais o rosto de Severus e dar-lhe um agradecido beijo na frente. - Bendito seja, Severus, por tudo o que é… muito obrigado por me ter beijado aquela noite, se não o tivesses feito, minha vida seguirá sem mais sentido que assassinar.

- Harry, não diga isso, eu… Te fiz sofrer muito… talvez não…

- Nem ocorra-te dizê-lo! –calou-lhe com um suave beijo para em seguida voltar a olhar aos olhos. - Severus Snape, com gosto passaria de novo por todo se volto a ter este momento contigo… Te amo tanto!

- Também te amo… mais do que jamais poderei te demonstrar.

Harry sorriu, podia sentir o fôlego cálido de Severus caindo sobre seus lábios que entreabriu em um franco convite a ser novamente beijados. Severus comprazeu-lhe, e por uns segundos tudo ia bem até que…

- Demônios! –resmungou Snape mordiscando o lábio inferior de Harry.

- Que passa?

- Não volte, mas Abbatelli vem para cá.

- Que fazemos?

- Nada. –respondeu Severus sorrindo ainda mais ao sentir como Harry se apertava contra ele demonstrando seu temor a ser separados. - Abbatelli não pode nos identificar.

- Pode que a mim não, mas Severus… eu te reconheceria em qualquer parte do mundo e com qualquer aparência. Seus olhos podem ser diferentes, mas sua mirada é a mesma, e seu sorriso… seu cheiro, esse cheiro que me tem transtornado os sentidos… não, não acho que passes despercebido para Abbatelli.

- Bom, deixemos de preocupar-nos. –murmurou inclinando-se para afundar seu rosto no pescoço de Harry, apaixonado ainda mais pela cada uma de suas palavras. - Albus tem chegado ao resgate, não sei a onde o leva, mas se estão afastando.

- Podemos seguir dançando?

- Sim, é nossa noite e dançaremos até que já não possas mais.

- Não, não tanto… há algo pendente para depois, que não se te esqueça.

Severus riu, isso jamais o esqueceria, e menos com o que tinha preparado. Ambos deixaram de pensar em Abbatelli e continuaram seu dance em silêncio.

- Quem são eles? –perguntou Ângelo ao Diretor assinalando a Harry e Severus ao outro lado do salão. - Parece-se a Severus, mas…

- Ele está em uma missão, Ângelo, já te disse.

- É que… se parece tanto! –exclamou assombrado. - Mas tens razão, não pode ser ele.

- Esquece-te deles, vamos tomar algo.

Ângelo pensava aceitar, mas nesse momento viu como Ron e Harry saíam da festa tentando passar despercebidos. Ainda tinha um mau pressentimento sobre essa relação, de modo que, sem lhe importar que o Diretor lhe tivesse chamado, saiu depois do jovem casal de Gryffindors. Algo lhe dizia que Harry tramava uma fecharia… era demasiado cedo para que se tivesse esquecido de Severus, e segundo o tempo que lhe calculava de gestação, esse filho… Não, não se atrevia nem ao pensar.

Ao dar volta em uma esquina deu um passo atrás com rapidez para ficar escondido. A meio corredor estavam Ron e Harry falando baixinho, não podia escutar pela distância e isso lhe incomodou, de modo que se manteve expectante de suas expressões… Podia ver uma emoção real nos olhos de Harry quando olhava a Ron, isso lhe confundiu, seria possível que sua vida pudesse ter um giro tão agradável?

Ron acercou-se a Harry e voltou a beija-lo aproveitando as sombras da noite e viu como o garoto de olhos verdes lhe rodeava pelo pescoço lhe correspondendo tão avidamente que tinha que ser sincero. Não quis espiar por mais tempo e se dando meia volta se marchou, não tinha ânimo de regressar à festa, de modo que melhor iria esperar a chegada de Severus lendo qualquer aborrecido livro.

- Marchou-se já. –disse Hermione separando-se de Ron. - Surpreende-me que tenha sabido lhe dar um bom uso a esse mapa, Ronald.

- E para que achava que o queria?

- Conhecendo-te, para nada bom. Em fim, acho que temos terminado nosso trabalho pelo dia de hoje, sinto-me cansada de modo que melhor vamo-nos à sala comum.

- De acordo… estou ansioso de que se te passe o efeito dessa poção.

- Vá que eu também!

Ron pôs os olhos em alvo ao ver que agora era Hermione quem não tinha captado sua intenção ao querer a ver como era em realidade, mas já não disse nada e a seguiu com rumo à torre Gryffindor.

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- Lindo cabelo, Harry. –interrompeu Dumbledore ao casal que, ainda que deixaram de dançar para lhe atender, permaneceram abraçados.

- Eu o odeio. –disse Harry desmentindo com um sorriso. - Mas creio a Severus gosta muito, e se é assim, já estou pensando em tingir.

- Nem ocorra-te, Harry. –amoestou Severus. - Gosto tal como é sempre, ademais, se o que pretende é que me tinja com desta cor tão escandaloso, perde o tempo.

- E você, Severus… de vermelho?... Não achei que viveria para ver algo assim.

- O que tenho que fazer para que Abbatelli suspeite o menos possível! –exclamou agraviado. - Ele também não esperaria ver destas cores peculiares.

- Peculiares? –repetiu Harry. - Mas se vê-te lindo, eu acho que tivesse sido um perfeito Gryffindor!

- Nada mais porque espera um filho meu não te respondo como merece por esse comentário, Potter. –grunhiu Severus e Harry riu-se abraçando-lhe ainda mais, conseguindo dessa forma lhe arrancar um sorriso.

- Bom, par de tontos, não os interrompo mais, tão só tenho querido lhe avisar que têm o campo livre, Ângelo se marchou e agora mesmo me irei assegurar de que não regresse.

Harry e Severus sorriram agradecidos pela ajuda e depois de que o diretor se afastasse voltando aos deixar sozinhos, eles se acercaram a uma mesa a tomar um pouco de suco de abobora para refrescar-se, o exercício tinha feito que umas gotas de suor escorregassem pelas têmporas do garoto. Ao vê-las, Snape colocou seus lábios sobre elas para beber.

- Severus! –exclamou surpreendido. - É suor!

- Se soubesse o que me morro por provar de ti… Por Merlin, deve ser delicioso!

Harry se corou notavelmente ao imaginar-se ao que se referia Severus, ele podia recordar a noite em que Severus bebeu dele para em seguida lhe dar a provar com um beijo, mas isso não estava na mente do homem, de modo que começou a sentir que realmente aquela seria uma grandiosa segunda primeira vez.

Entre tanto, Dumbledore chegava ao quarto de Severus. Ângelo sorriu-lhe convidando-o a passar, já se tinha mudado de roupa e luzia um elegante pijama salmão.

- Traz notícias de Severus? –perguntou emocionado enquanto servia um pouco de chá ao diretor.

- Não, tenho a impressão de que não saberemos nada até manhã. Sinto não te ter comunicado os planos, Ângelo, mas foi de improviso.

- Está bem, não importa… -respondeu lhe sorrindo sinceramente. -… é só que o estranho muito quando não o vejo.

- Ângelo… porque não lhe dás a Severus a liberdade de eleger?

- Eleger? –questionou ensombrecendo sua mirada. - Mas não há nada que eleger, Albus.

- Para valer não tem nenhuma outra opção?

- Albus… eu o amo, te juro que o amo mais que a minha vida! –assegurou com lágrimas nos olhos. - Quero lutar por ele, quero fazer tudo o que esteja em minhas mãos para que me ame tanto como o amo eu!

- Mas…

- Não posso renunciar a ele, agora estou grávido, e ademais, ele não tem possibilidades com ninguém mais… em algum dia, Albus, em algum dia se dará conta que não sou tão má opção e ainda que seja por ser a única que tem, sei que me chegará a querer!

- Ângelo, está-te lastimando.

- Não me importo. –assegurou já com lágrimas rodando por suas bochechas. - Não me importo com o custo do que fiz… Severus o vale.

Dumbledore não pôde evitar se sentir mau por Ângelo, o tinha conhecido bem durante sua infância, quando seu pai o levava às reuniões da Ordem, sua mãe morreu desde muito dantes, e sempre foi um menino risonho e carinhoso, fascinava a todos os membros daquele então e a nenhum lhe importava o ter jogando enquanto eles planejavam o modo de combater comensais. Os da Ordem deixaram de vê-lo a raiz da morte de seu pai e teve que se ir a viver com uns tios quando ainda não cumpria nem os cinco anos. Albus continuou um tempo em contato, mas a primeira guerra continuava e suas visitas foram-se fazendo mais esporádicas até o dia em que Ângelo cumpriu onze anos, seus tios não acederam ao levar a Hogwarts e ainda que o menino suplicou ajuda a Albus não pôde fazer nada por ele. A situação piorava dia com dia, agora os pais de Harry estavam em um grave perigo, requeriam de toda sua atenção, a morte lhes chegou pouco depois, a guerra terminou, mas os tios de Ângelo não recapacitaram e eles mesmos continuaram lhe dando a educação de acordo às crenças Veela… Dumbledore teve que resignar-se a sua decisão e se apartou por completo. Agora que tinha voltado a sua vida, desde um princípio pensou que seguia sendo o mesmo, tão doce e generoso… não compreendia porque o amor podia mudar a alguém para mau, o voltar extremamente obsessivo e mentiroso. O único que fez foi o abraçar e deixar que chorasse em seu peito, convencido de que essas lágrimas sim brotavam de seu coração.

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Um par de horas depois, Severus conduzia a Harry para uma sala longínqua do quinto andar. Tinha-a escolhido precisamente porque sua localização era tão remota que poucos a conheciam, não tinha sido utilizada em décadas, e só lhe bastou um par de feitiços para que a porta ficasse completamente selada e todo o lugar insonorizado.

- E bem?... gosta? –perguntou quando acendeu a luz mostrando um ambiente confortável, com velas e incenso. A única janela ocluída com uma espessa cortina de veludo vermelho que ondeava suavemente pelo vento que se colava por embaixo dela, dando ainda um toque mais etéreo ao lugar. Uma formosa cama, mais cálida e acolhedora do que jamais sonhou estava localizada cerca da janela.

- Severus… -começou Harry apertando as mãos nervosamente. -… porque não vamos a outro lugar?

- Não gostou?

- Me fascina! Mas… não quisesse que Ângelo voltasse a nos encontrar, não sei ainda como o fez naquela ocasião e não gostaria que se repetisse.

- Eu também não tenho ideia, mas isso não sucederá de novo.

- Faz favor… aceito-te o que seja, inclusive um motel muggle, mas não fiquemos em Hogwarts, Severus… tenho medo.

- Não temas, Abbatelli não nos encontrará aqui. Seria bem mais provável que nos encontre se saímos da segurança de Hogwarts e agora, tanto o mundo muggle como o mágico representam ainda maior perigo.

- Que quer dizer?

- Não o sabe?... pensei que sim. Em fim, Abbatelli tem desenvolvido uma espécie de sexto sentido que lhe faz intuir quando estou em algum perigo iminente, isso o ajudou a ir quando o preciso.

Harry separou-se de Severus caminhando ao redor da sala pensativamente. Harry recordou-o e recordou também parte de certa conversa com Ângelo, mas não sabia se podia perguntar… ademais, não queria aceitar que lhe doía saber que o amor de Ângelo era tão forte como para lhe avisar de proteger a Severus até esses limites, já tinha visto antes como funcionava, mas praticamente a eliminou de sua mente ante a angústia que lhe provocava sentir que perdia o amor de Severus.

- Severus… Ângelo protegeu-te de Voldemort, verdade? –perguntou sem atrever-se a voltar-se para olhá-lo.

- Harry, ele se fez espião para…

- Para salvar-te… para que não tivesse que deitar com esse monstro.

- Como sabe disso? –perguntou aturdido.

- O mesmo Ângelo disse… realmente pensava fazê-lo?

Severus exalou todo o ar de seus pulmões e se foi sentar sobre a cama, com a mirada fixa no andar, apoiando suas mãos sobre seus joelhos.

- O tivesse feito… sim.

- Mas Severus!

- Era o único caminho que ficava, o Lord suspeitava de mim graças a intrigas de Lucius!... eu, eu tinha notado que a dúvida estava nos olhos do Senhor Escuro, mas apesar disso, ainda não me matava, tinha que ser por algo. Estudei lhe e comprovei que queria algo mais de mim antes de acabar comigo… era minha oportunidade, Harry, dessa forma poderia seguir fugindo meu papel de espião e ademais obteria muita melhor informação.

- Informação?... Tudo por obter uma maldita informação?

- Essa informação precisava-se, não ia arriscar o ganhando por nada, ainda que tivesse que levar meu papel até esses extremos.

- E… e levaste-o? –perguntou e sua voz escutou-se avariada.

- Não de todo… Abbatelli apareceu justo no momento preciso e me reclamou como seu companheiro, isso evitou que o Lord pudesse me tocar. Eu estava eufórico, feliz de não ter tido que submeter ao senhor Escuro, isso me assegurava poder seguir olhando aos olhos, e ainda que não tinha nenhuma esperança contigo, ansiava seguir me mentindo com que não era assim… Não pude me conter e quando lhe contava a Albus o sucedido me deixei levar pela alegria que sentia, era algo tão desconhecido para mim me sentir assim, não pude controlar minhas emoções como antes e…

- … e o beijou, selando dessa maneira o reclamo.

- Assim é. Foi algo acidental, mas isso já não importava. Tinha uma oportunidade de anulá-lo, mas era minha morte a solução, quis aceitá-la quando vi a desilusão em seus olhos ao me descobrir beijando a Abbatelli, mas finalmente não o fiz e confirmei a aceitação… essa mesma noite Abbatelli e eu nos convertemos em um companheiro.

Harry já não perguntou mais, não era tão ingênuo para não se imaginar a forma em que se consolidou o reclamo, a prova era a gravidez de Ângelo, e algo lhe dizia que não tinha sido somente naquela ocasião… por algo seu professor de Defesa sempre tinha essa mirada ilusionada a cada amanhã. De repente já não queria estar aí.

- Não duvides de mim. –pediu Severus caminhando para ele para o abraçar, o Gryffindor não o recusou e tristemente se abraçou dele. - Sei que te dói tudo isto, mas te amo e espero poder te recompensar em algum dia.

- Não duvido de ti, mas… não posso evitar me sentir mau. Sua relação com Ângelo é mais forte do que gostaria. Agora compreendo também porque nos encontrou aquela noite.

- Porque?

- Pressentiu o perigo de morte no que estava… por isso foi a ti, justo a tempo para te salvar.

- Salvar-me de que?

- Ângelo confessou-me que essa noite tinha vertido um potente veneno em sua bebida, Severus… eu não me dei conta, e se não tivesse sido por Ângelo nestes momentos estaria morto. –confessou-lhe estreitando o abraço com temor. - E pensar que quis evitar que te levasse consigo, que lutei por derrotar! Se tivesse-o conseguido…

- Já, não pense nisso… o que me diz me faz entender o sucedido essa noite, por ti seria capaz de tudo, mas agora sei que cometi um grave erro, ainda não posso achar que me atrevesse a atentar contra nossas vidas contra a sua! –enfatizou aterrorizado.

- Dá-te conta que se não o tivesse feito agora não estivéssemos juntos?... graças a que por fim me disse que me amava me armei de valor para seguir insistindo por ti. Se aquela noite não tivesse sucedido, então sim estaríamos destinados a viver separados… ainda que segue alarmando-me o pensar que era você o único que corria perigo. Quiçá deveria sentir-me agradecido porque Ângelo salvou-te, assusta-me saber que ele pressentiu pelo que passava estando tão longe enquanto eu, tendo a um lado…

Severus lhe beijou na testa antes de apertá-lo com mais força, comovido pelo pranto de Harry que já saía sem reservas ao compreender muito dos acontecimentos dessa noite. Severus tinha estado disposto a morrer por ele, e não queria nem se imaginar se o tivesse conseguido, se ao acordar tivesse encontrado um cadáver a seu lado… a ideia lhe aterrorizava.

Severus conduziu-lhe à cama. Em silêncio retirou-lhe as botas, Harry não protestou, deixou que o fizesse sem mediar palavra. Depois de correr as cortinas para poder olhar o céu estrelado, se aconchegaram baixo as cobertas resguardando-se do frio baixo elas e entre seus braços. O Professor pronunciou um feitiço para acender um fogo que rodeou a cama para se esquentar sem se queimar, Harry sorriu ao recordar a prova de Snape para proteger a prova filosofal no primeiro ano.

- Não se sinta culpado por Abbatelli. –disse Severus ao ouvido do apaixonado rapaz. - Você não lhe deve nada e quanto ao trato, ele sabe que não o amo, que se estou com ele é por esse reclamo, e assim que meu filho nasça verei a forma em que possamos o cancelar, não lhe ficará mais opção que aceitar, Harry, e então você e eu poderemos estar juntos.

- E seu bebê?

- Não sei… mas não quero renunciar a ele e não penso o fazer.

- Eu te ajudarei, no que possa e até no que não… sempre te ajudarei.

- Obrigado, eu sei. –respondeu beijando-lhe nos lábios para depois secar os últimos vestígios de lágrimas do Gryffindor. - Agora podemos dormir um pouco, sei que não te sente com ânimo de fazer nada.

Severus suspirou enquanto se apegava mais ao corpo de Harry, não lhe fazia falta nada mais para se sentir feliz a seu lado, já teriam mais ocasiões para lhe demonstrar fisicamente quanto conseguia acender seu corpo. Harry mantinha bem perto seu rosto do pescoço de Severus, aspirou fundo inalando essa fragrância que lhe enlouquecia.

- Severus?

- Diga-me. –instou-lhe em um cálido murmuro perto que colou direto na orelha de Harry, o estremecendo involuntariamente.

- Acho que tem conseguido que me regressem os ânimos. –assegurou ronronando sedutoramente. - Ademais, não podemos desaproveitar esta formosa habitação, Severus, me encantaria poder lhe dar um bom uso.

- Alegra-me escutar isso… porque tenho pensado que nossa primeira vez tinha que ser aqui, olhando o céu estrelado que será testemunha de meu amor por ti.

- Isso é lindo, mas… não seria a primeira vez recorda? –disse sujeitando da mão para conduzi-la a seu pequeno ventre volumoso. - Bom, sei que não, mas sabe que sucedeu e que…

- Não me refiro a sua primeira vez… senão à minha.

- Por isso, foi de dois, ainda que não o recorde.

- Harry, não me entende. –disse sujeitando-lhe do queixo para olhar-lhe direto aos olhos. - Sinto-me feliz de dizer-te que quero ser seu, quero que esta noite seja você quem me tome… que seja o primeiro e o único que me faça o amor dessa maneira. Ama-me, Harry, ama-me e reclama-me você como seu!

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Nota tradutor:

Que fofo o Severus pedindo para Harry lhe tomar a virgindade! Ow!

Vejo vocês nos reviews e nos próximos capítulos

Ate breve

Fui…