N.A.: tem aviso no final do capítulo.
Capítulo 20
27ª semana
A segunda-feira foi incomum em muitos detalhes. Arthur ignorou seu despertador e pulou a corrida da manhã para ficar mais um pouco na cama com Merlin. Sua garganta estava raspando e sua cabeça doía, mas, pelo menos, seu nariz não estava tampado. Pelo jeito, as vitaminas que tomara nos últimos dias tinham valido alguma coisa.
Ele cochilou e, quando acordou novamente, Merlin tinha um sorriso no rosto e uma bandeja com café da manhã nas mãos - sua especialidade: ovos, bacon, linguiças e torradas com feijão. O paladar de Arthur estava um pouco amortecido e sua garganta doía ao engolir, mas nem por isso ele deixou de limpar seu prato, assegurando Merlin que estava bem. Pelo menos seu lábio havia cicatrizado quase totalmente, o que evitaria especulações por parte dos seus colegas a respeito do seu fim de semana.
Quando Merlin aproximou-se da pia para lavar a louça, Arthur disse que ele deixasse para Johanna, sua faxineira, que deveria chegar a qualquer momento, e mandou-o subir para terminar de se arrumar. Merlin insistiu que Arthur fosse para o escritório primeiro dizendo que seria melhor se eles fossem separados, já que o garoto só entraria às nove horas, mas Arthur não quis saber de nada daquilo. Eles teimaram, cada um com seu argumento, mas acabaram chegando a um consenso: iriam juntos, mas Arthur deixaria Merlin em uma lanchonete a duas quadras da empresa. Não era a melhor opção, porém Arthur sabia que devia ser razoável se não quisesse que Cenred confirmasse suas suspeitas.
Ao chegar ao escritório, Arthur já se sentia cansado, mas a perspectiva de um dia cheio acabou de exauri-lo. Para piorar a situação, Arthur tinha uma série de visitas de prospecção agendadas e, ao final do dia, já estava quase completamente sem voz.
Assim que chegaram ao apartamento - Arthur teve que insistir menos do que naquela manhã para voltassem juntos -, Merlin foi direto para a cozinha fazer omeletes e Arthur subiu para trocar de roupa. Ele se sentou na beirada da cama, exausto, afrouxou a gravata e começou a responder algumas das ligações perdidas durante o dia com mensagens de texto, desculpando-se por não poder retornar a ligação e assegurando que estaria disponível também para responder e-mails.
Quando voltou para a cozinha, com uma bermuda e camiseta regata, Merlin estava de costas para ele, no cooktop, cantando junto com a música – ele tinha colocado uma das suas playlists para tocar – e mexendo o quadril.
"…Till I hit the dance floor, hit the dance floor, I got all i need. No I ain't got cash! No I ain't got cash! But I got you baby…" ¹
Sorrindo, Arthur se sentou numa das banquetas em frente ao balcão e pescou uma fatia de bacon de um dos pratos, assistindo enquanto Merlin continuava.
"…Baby I don't need dollar bills to have fun tonight (I love cheap thrills!)" Merlin levantou a espátula para o ar enquanto movia o quadril ao ritmo da música! "But I don't need no money… as long as I can feel the beat. I don't need no money... as long as I keep dancing…"
Merlin pegou um prato do armário debaixo da pia e virou o conteúdo da frigideira nele. Depois voltou-a para o fogão, quebrando mais dois ovos e adicionando os temperos. Arthur se sentiu invadir por uma onda de ternura enquanto observava. Ele gostava de morar sozinho, gostava da sua privacidade; mas, ao mesmo tempo, sentia falta daquele tipo de intimidade e ver Merlin tão à vontade na sua cozinha fez com que Arthur desejasse ver aquilo todos os dias.
Por várias vezes, ele pensara em propor para Mithian que ela se mudasse para seu apartamento, mas toda vez que tentava sondá-la a respeito ela deixava claro que não sairia do seu próprio flat sem um anel no dedo e aquilo sempre fazia com que Arthur se retraísse, frustrado. Morgana vivia dizendo que Mithian era calculista e Arthur sabia que ela provavelmente estava usando aquilo como estratégia para fazer com que Arthur a pedisse em casamento logo, mas a verdade era que Arthur provavelmente teria feito exatamente aquilo, caso não tivesse descoberto que ela o estava traindo.
"Come on, come on, turn the radio on. It's Saturday and I won't be long. Gotta paint my nails, put my high heels on. It's… Whoa!"
Merlin tinha se virado para colocar o prato com omeletes no balcão e dera de cara com Arthur, arregalando os olhos e alcançando o controle remoto para abaixar o som, mas Arthur o impediu, arrancando o controle dele.
"Ei, pode deixar" Arthur articulou bem as palavras para que Merlin pudesse ler seus lábios quando sua voz falhou. "Continue. Finja que não estou aqui."
Merlin tinha o rosto corado de embaraço quando voltou as costas para Arthur novamente, mexendo os ovos na frigideira. Porém, infelizmente, ele não cantou nem rebolou enquanto terminava a omelete. Quando se sentou de frente para Arthur, ainda evitava encará-lo e daquela vez Arthur não impediu quando ele abaixou o volume da música.
"Sabe..." Arthur falou, pegando seus talheres. "Não é sábado, mas fique à vontade para pintar as unhas e colocar os saltos-altos."
"Ah, cale a boca" Merlin falou, ameaçando-o com o garfo e Arthur sorriu ainda mais, colocando alguns pedaços de bacon e linguiça em seu prato.
"Eu estava planejando pedir comida chinesa para o jantar, mas..." Arthur levou uma garfada à boca. "Isso está ótimo" ele murmurou.
"E quem disse que isso é a janta?" Merlin arqueou uma sobrancelha. "É só o meu lanchinho do final da tarde. E você prometeu para minha mãe que me alimentaria direito." Ele fez bico.
"Você quer dizer que come isso todos os dias, quando chega do trabalho?" Arthur perguntou, incrédulo e Merlin encolheu os ombros.
"Normalmente só como ovos mexidos ou omelete, mas estava empolgado. E faminto" ele encheu a boca de ovos e linguiça.
"Como foi o seu almoço?" Arthur tentou soar casual, apesar de ainda estar inconformado com o fato de que Merlin fora almoçar com Gwen, Lance e Elyan enquanto Arthur almoçara com alguns clientes em potencial.
"Bom" Merlin assentiu, terminando de mastigar. "O seu?"
"Sensacional" Arthur falou, sarcástico, lembrando-se de todos os pratos requintados que os executivos haviam pedido enquanto Arthur daria tudo para comer peixe e batatas fritas com Merlin.
"Acha que vai conseguir o contrato, pelo menos?"
"Estou quase torcendo contra, pra dizer a verdade" Arthur admitiu, cansado. "Honestamente, se fecharmos todos os contratos que estão pendentes, não sei como vamos fazer para dar conta. Leon já está arrancando os cabelos por causa dos projetos em andamento, reclamando que o pessoal está sobrecarregado e Morgana não quer nem ouvir falar em horas extras até o fechamento do trimestre."
"Água?" Merlin ofereceu, levantando-se para pegar um copo d'água para si mesmo. "Ou talvez você queira uma cerveja? Para relaxar?"
"Água está bom."
"Deve ter algum outro jeito" Merlin comentou depois de voltar a se sentar, entregando o copo de Arthur.
"E tem!" Arthur admitiu depois de tomar um gole. "Mas não vai ser nada fácil."
Arthur comentou como tinha planejado pedir a colaboração dos outros setores para que disponibilizassem alguns analistas para uma força-tarefa. Porém, precisaria do apoio de Morgana e Uther para isso, pois não poderia correr o risco de desfalcar os outros setores. Eles ficaram ainda algum tempo conversando depois de terminarem de comer até que Arthur se cansou de falar sobre serviço, propondo que eles saíssem para se distrair. Merlin recusou, dizendo que estava cansado, mas Arthur suspeitava que ele estava apenas tentando poupá-lo.
Entretanto, ao invés de protestar, Arthur esperou que Merlin se encostasse à pia para lavar a louça - Arthur sugeriu a lava-louças, mas Merlin insistiu que era muito pouca louça para valer o gasto de energia elétrica - e aumentou o volume da música, abraçando-o por trás e forçando-o a mover o quadril ao ritmo da música.²
"Gostei da sua dança, mais cedo" Arthur falou junto ao ouvido dele enquanto descia as mãos pelo quadril de Merlin até colocar as mãos em concha em suas nádegas, apertando-as.
"É mesmo?" Merlin fingiu indiferença, continuando a ensaboar os pratos.
"Achei bastante... inspiradora" Arthur deixou as mãos deslizarem pelas coxas de Merlin, apalpando-as sem pressa, depois subindo pela parte da frente até sua virilha, abrindo o zíper da calça dele e enfiando uma mão por dentro dela, encontrando-o já semi-ereto.
"Arthur..." Merlin ofegou, apoiando o prato ensaboado na pia por um momento enquanto jogava o pescoço pra trás, apoiando-se nele.
Arthur segurou o queixo de Merlin com a mão livre, trazendo-o para um beijo desajeitado e amaldiçoando as camadas de roupas entre eles. Arthur tirou o prato das mãos de Merlin e virou-o de frente num movimento brusco, ao que Merlin soltou uma exclamação, enlaçando as mãos ensaboadas no pescoço de Arthur.
"O que foi que eu disse sobre usar jeans dentro de casa, Merlin?" Arthur perguntou, deslizando o nariz pelo queixo de Merlin.
"Que eu não deveria" Merlin murmurou, oferecendo seu pescoço para que Arthur beijasse.
Ao invés disso, entretanto, Arthur manuseou-o novamente, empurrando-o de encontro ao balcão - agora livre dos pratos e copos - e fazendo com que se debruçasse sobre ele.
"Deixe-me ajudá-lo a tirar, então."
Arthur enfiou as mãos pelas laterais dos jeans de Merlin, tocando cada centímetro de pele enquanto abaixava calça e cueca de uma só vez. Ele ajoelhou-se no chão para ajudá-lo a tirar os tênis e meias até tirar a calça por completo, enquanto beijava e mordia a junção da coxa com a nádega de Merlin. Arthur então se levantou novamente, colocando os braços de Merlin para cima para retirar a última peça de roupa - a camiseta.
"Hmmm" Arthur murmurou, aprovador, deslizando as pontas dos dedos pelas laterais do tronco de Merlin. "Assim está melhor" Arthur uniu os pulsos de Merlin próximo à base da coluna dele e pressionou uma mão em suas costas, forçando-o a se debruçar no balcão novamente. "Espero que você não esteja cansado demais para isso."
"Não... Ah!" Merlin gemeu quando seu peito encontrou a pedra fria.
"Ótimo" Arthur soltou-lhe os pulsos e escorregou as mãos pelas nádegas de Merlin novamente antes de afastá-las, pressionando sua ereção - ainda coberta pelas suas roupas - entre elas. "Porque eu vou foder você aqui e agora e quero lembrar disso toda vez que olhar para essa cozinha" Arthur esticou um braço em direção à gaveta de remédios e pegou o lubrificante que deixara ali, ao alcance, para uma eventualidade como aquela. "Ou quando ouvir essa música."
Can't keep my hands to myself... Hands to myself...³
Arthur não conhecia a música nem sabia quem era a cantora, mas a letra era bastante conveniente. Merlin murmurou algo ininteligível, mas Arthur não precisava ouvi-lo para saber que ele estava totalmente excitado, já que a maneira como ele se esfregava de encontro ao seu membro não deixava margem para dúvidas. Arthur segurou-lhe o quadril no lugar com uma mão e espalhou um pouco do lubrificante entre as nádegas de Merlin antes de escorregar um dedo para dentro dele, abaixando-se para beijar o local entre as omoplatas de Merlin enquanto o preparava.
"Não consigo manter minhas mãos longe de você, Merlin" Arthur falou para o ombro de Merlin, enfiando mais um dedo enquanto sua mão livre explorava cada pedaço das pernas, abdômen e a virilha de Merlin ao seu alcance.
Arthur escorregou a ponta do nariz pela espinha dorsal de Merlin até o meio das costas e lambeu seu caminho de volta para cima, sentindo o cheiro e o sal da pele dele impregnando seus sentidos. Então se endireitou para passar mais lubrificante antes de adicionar um terceiro dedo, observando conforme Merlin segurava a borda do balcão com força, o rosto pressionado de lado na pedra, a respiração ofegante. Quando sentiu a resistência ceder o suficiente, Arthur retirou seus dedos e abaixou o elástico dos seus shorts e a cueca até a metade da coxa e esfregou seu pênis entre as nádegas de Merlin, lubrificando-o.
"Por favor, Arthur" Merlin implorou, mudando o ângulo do seu quadril até que a ponta da glande de Arthur escorregou para dentro do anel de músculos e Arthur teve que segurá-lo no lugar e travar os maxilares para não se empurrar de uma só vez para dentro.
"Alguém está ansioso" Arthur sorriu, voltando a beijar-lhe as costas enquanto o penetrava lentamente. Já estava quase totalmente dentro quando a próxima música começou e ele riu, jogando a cabeça para trás ao ouvir as primeiras estrofes, fazendo Merlin levantar a cabeça, curioso, tentando encará-lo por cima do ombro.
"Que foi?"
"A música, Merlin!" Arthur falou para o pescoço dele. "A porra da música!"
"Oh!" Merlin voltou a apoiar o rosto na pedra, sorrindo. "Eu juro que não foi intencional."
"É claro que não" Arthur ironizou. "Você não teria como ter planejado isso, teria?" ele retirou-se alguns centímetros e empurrou-se novamente com um pouco mais de força, para reforçar o que dizia e Merlin mordeu o lábio inferior, sacudindo a cabeça.
Então Arthur começou a se mover ao som de Animals - Maroon 5. Ele despiu a própria camiseta para sentir melhor o contato de pele contra pele e segurou os cabelos de Merlin, forçando-o a levantar a cabeça, ainda que gentilmente.
"You're like a drug that's killing me" Arthur meio cantou, meio falou junto ao ouvido dele enquanto continuava a mover o quadril em sincronia com o ritmo da música. "I cut you out entirely, but I get so high when I'm inside yoooou."
Merlin choramingou e gemeu e ofegou e Arthur praticamente uivou junto com a música. O cenário todo, além da sua voz rouca, provavelmente era bem patético, mas Merlin não parecia se importar, pela maneira como se contorcia, a respiração acelerada. Arthur olhou para sua própria mão segurando o quadril de Merlin, então mais para baixo, assistindo seu pênis desaparecer e reaparecer e xingou, acelerando o ritmo, já sem se importar mais com a música.
Ninguém nunca o teve assim, Arthur pensou, subitamente maravilhado com a própria sorte.
Arthur puxou Merlin, fazendo com que ele endireitasse a coluna e beijou-o, acariciando-lhe o peito - sua pele estava gelada onde estivera encostada à pedra fria -, prestando atenção especial aos mamilos rígidos.
"Arthur..." Merlin arquejou, segurando uma das suas mãos e guiando-a para seu pênis. "Eu preciso... que você..."
Arthur ficou tentado a negar, pois estava relutante em acabar, mas acabou cedendo, segurando-o com firmeza.
"Isso!" Merlin aprovou. "Agora... você sabe... mexa-se!"
Arthur riu.
"Exigente, hã?" Arthur provocou, mas voltou a se mover, estimulando-o em sincronia com suas investidas.
Merlin voltou a se debruçar no balcão, aproveitando o som alto para soltar a voz e Arthur fez uma nota mental para colocar música mais vezes. Arthur chegou primeiro, respirando pesadamente no pescoço de Merlin por um momento enquanto pulsava dentro dele antes de voltar a se mexer, rápido e forte, até Merlin se derramar em sua mão com um grito rouco.
Arthur retirou-se de dentro dele, sensível e exausto, apoiando as mãos no balcão enquanto se recuperava. Merlin soltou um gemido de desconforto e Arthur endireitou-se, deixando que ele se virasse de frente. Merlin abraçou-o e respirou contra seu pescoço por algum tempo. Arthur não sabia dizer ao certo quem estava apoiando o peso de quem.
"Onde você..." Merlin falou, mas limpou a garganta quando sua voz falhou e Arthur tateou o balcão até encontrar o controle remoto, abaixando o volume do som. "Onde você achou um lubrificante?"
"Gaveta de remédios" Arthur respondeu.
"Você planejou isso?"
"Digamos apenas que sou uma pessoa precavida."
"Deus, estou exausto" Merlin arfou.
"Hm-hum" Arthur concordou.
"Sinto muito, a propósito."
"Por quê?"
"Por ter passado gripe para você."
"Hunf..." Arthur fungou. "Você não me passou gripe. E é preciso muito mais do que uma dorzinha de garganta para me derrubar. Além do mais, você não me obrigou a beijar você, obrigou?"
"Hm" Merlin resmungou. "Só sei que Maroon 5 nunca mais vai ser a mesma coisa para mim. Ou essa cozinha."
"Bom" Arthur suspirou. "Banho?"
"Sim, por favor."
A escada nunca pareceu tão interminável, mas o banho demorado de banheira valeu o esforço.
"Meus ombros estão gelados" Merlin informou, a voz pastosa de sono.
"E eu com isso?" Arthur desdenhou, mas jogou água quente nas costas dele, estreitando os olhos ao ouvir o interfone, no andar debaixo.
"Você pediu comida?" Merlin perguntou, sem fazer menção de sair de cima do peito de Arthur. Eles estavam praticamente deitados na banheira, um de frente para o outro, e Merlin fazia o peitoral esquerdo de Arthur de travesseiro.
"Sim, mas..." Arthur tateou pelo celular de Merlin – tinha esquecido o seu no andar debaixo –, checando as horas. Era pouco mais de oito horas. Ele voltou a apoiar a cabeça na borda da banheira, grunhindo. "Eu pedi para eles entregarem só depois das nove!"
"Quer que eu vá pegar?" Merlin se ofereceu, ainda sem mover um músculo.
"Deixa comigo" Arthur suspirou e deu um tapinha no braço dele. "Quer sair de cima?"
"Ngh" Merlin resmungou, mas acabou se desalojando de cima de Arthur, sentando-se na banheira e jogando água no rosto. "Você pretende voltar?"
"Não, acho que não" Arthur falou, levantando-se e puxando uma toalha para se enxugar rapidamente conforme o interfone soava uma segunda vez. "Mas pode ficar mais, se quiser. Você sabe ajustar a temperatura, certo?"
"Hm-hum" Merlin murmurou e deitou-se novamente, deixando apenas a cabeça para fora d'água.
Arthur meneou a cabeça, rindo consigo mesmo ao sair do banheiro. Ele enfiou-se dentro da sua calça de moletom, fechou a porta do quarto e desceu as escadas secando os cabelos. Ouviu o celular tocando na mesa e pegou-o ao passar, porém a ligação caiu na caixa postal antes que tivesse tempo de atender. Ele desbloqueou-o enquanto pegava o interfone.
"Olá?" Arthur chamou, mas não teve resposta. Ele tornou a colocar o aparelho no gancho e franziu o cenho ao perceber que tinha cinco ligações perdidas de Morgana. "Mas que diabos?" ele perguntou quando o telefone começou a tocar novamente, ao mesmo tempo em que alguém batia em sua porta. "Alô?" Arthur atendeu, abrindo a porta automaticamente.
"Arthur, quer fazer o favor de abrir a maldita..." Arthur congelou por um momento enquanto processava o que via e ouvia. Morgana encarou-o de volta do outro lado da porta. "Ah, aí está você" ela guardou o telefone na bolsa, praticamente empurrando-o para o lado ao entrar. "Feche logo a porta para não pegar friagem, sim? Você devia pelo menos ter colocado seus chinelos. E vestido algo mais quente, sabe?"
"O que–" Arthur piscou, virando-se para ver sua irmã caminhando até a mesa da cozinha enquanto vasculhava a bolsa distraidamente.
"Não precisa ficar tão surpreso. Eu liguei para a portaria e eles me deixaram entrar, já que você não se deu ao trabalho de atender ao interfone. Ou ao telefone..."
"O que você está fazendo aqui?" Arthur praticamente guinchou, fechando a porta assim que recuperou suas faculdades mentais e aproximou-se de Morgana. Porém algo no chão da cozinha chamou sua atenção, fazendo com que parasse no meio do caminho. "Mer..." Arthur começou a xingar, mas interrompeu-se a tempo.
Suas roupas e as de Merlin ainda estavam espalhadas pelo chão exatamente onde eles as haviam atirado, meia hora atrás. Arthur deu uma olhada para a irmã – que continuava meio mergulhada na mala que ela insistia em chamar de bolsa – e agiu rapidamente, juntando as roupas antes que ela percebesse e chutando-as para debaixo do armário.
"Estava me lembrando de quando éramos menores e eu fazia chá para você quando você não estava se sentindo bem, lembra? Ah, aqui está!" ela tirou uma caixinha da bolsa, sacudindo-a. "Passei na farmácia do Gaius e ele recomendou este chá. Disse algo sobre adoçar com mel, mas sei que você prefere seu chá sem adoçar, então..." ela deu a volta no balcão, rumando para o fogão. "Por que você não se senta enquanto eu... Oh!"
Morgana estacou em frente a pia e então fungou, como se farejasse algo, olhando ao redor.
"Arthur, você estava cozinhando?" ela encarou-o, colocando uma mão na cintura.
"O quê? Não!" Arthur sacudiu a cabeça, tentando processar tudo que ela dissera. Estava prestes a dizer que ela sabia muito bem que ele não cozinhava quando Morgana indicou a frigideira suja na pia com um gesto de cabeça. "Ah, quero dizer... Eu estava com vontade de comer uma omelete" Morgana arqueou uma sobrancelha, cética. "E... bacon."
"Tem alguém aí, não tem?" Morgana colocou a caixa de chá sobre a pia e cruzou os braços, lançando-lhe um olhar avaliador.
"O quê? É claro que não!" Arthur desviou os olhos da irmã e encarou o local exato onde Merlin tinha se debruçado no balcão, momentos antes, arregalando os olhos ao perceber a viscosidade branco-perolada na parede abaixo do balcão. Tinha se esquecido de limpar! Ele deu um passo para frente até ficar entre Morgana e o balcão. "Não tem ninguém aqui além de mim."
"Ah, é mesmo?" Morgana ironizou. "Então por que tem dois pratos, dois copos e dois garfos na pia?" Arthur abriu a boca para responder, mas ela interrompeu-o. "E sei muito bem que você não conseguiria fazer uma omelete nem para salvar a própria vida."
Arthur bufou e esfregou as mãos no rosto, tentando parecer apenas irritado, quando na verdade sua mente estava trabalhando desesperadamente para encontrar uma explicação lógica para aquilo. Além da óbvia, é claro.
"Quem é?" Morgana perguntou e Arthur levantou os olhos para encará-la. "Arthur, por que você não me contou que estava saindo com alguém?"
"Não é... Eu não...!" Arthur tentou, mas Morgana não estava prestando atenção ao que ele dizia, olhando para o topo das escadas, os olhos arregalados. Arthur teve que olhar também, o coração martelando no peito, mas não havia ninguém nas escadas e a porta do seu quarto continuava fechada.
"Ah meu Deus" Morgana olhou para os cabelos molhados de Arthur, a toalha ao redor dos seus ombros nus, então avançou de repente, pegando uma das suas mãos e analisando seus dedos enrugados pela água. "Você estava na banheira! Com... alguém!"
"Morgana...!" Arthur arrancou a mão do aperto da irmã, mas foi interrompido novamente.
"Arthur!" Morgana exclamou, o rosto se abrindo num sorriso torto. "Seu cachorro! E eu preocupada com a sua saúde! Há quanto tempo isso está acontecendo, se vocês já estão tão íntimos assim?"
"Morgana, pelo amor de Deus, quer fazer o favor de parar com isso?"
"Só se você me contar quem é" ela encolheu os ombros.
"Como se isso fosse mesmo acontecer" Arthur falou, por fim, desistindo de negar. Sabia reconhecer uma batalha perdida.
O sorriso de Morgana abriu-se ainda mais.
"Tudo bem, não estou com pressa" ela virou-se para o fogão novamente, pegando a chaleira para encher de água. "Quem quer que seja, vai ter que descer em algum momento, não é mesmo? Ou eu poderia subir logo e..."
"Você não se atreveria" Arthur chiou por entre os dentes cerrados, pronto para colocar a irmã para fora à força, caso ela tentasse.
"Espero não ter que fazer isso, é claro" ela continuou, acendendo o fogo e abrindo o armário. "Devo preparar três xícaras?"
"Morgana, chega!" Arthur deu um passo para frente e fechou o armário. "Isso já está passando dos limites. E você sabe que está! Eu agradeço o gesto, mas acho que você deveria ir. Agora."
"É alguém que eu conheço, não é?" Morgana continuou e Arthur grunhiu, enterrando o rosto nas mãos. "É alguém do escritório! Aposto que posso adivinhar..."
"Ok, eu contratei uma prostituta, está bem?" Arthur falou, entrando em pânico.
Morgana encarou-o em silêncio por alguns longos segundos antes de voltar a falar.
"E você convidou-a para comer ovos e bacon. Ou ainda, para fazer ovos e bacon para você! Puxa, isso faz sentido! Aposto como ela vai cobrar um extra por isso" ela rolou os olhos. "Honestamente, Arthur, assim você insulta a minha inteligência..."
Arthur abriu a boca para se defender, mas ouviu a porta do seu quarto se abrindo e a voz de Merlin soou logo em seguida.
"Arthur, quão apegado você é aos meus pelos?"
Arthur teve medo de olhar, principalmente pela maneira como Morgana havia arregalado os olhos, cobrindo a boca com a mão, mas acabou virando-se, preparado para ver Merlin descendo as escadas totalmente pelado. Então apoiou-se no balcão, respirando aliviado ao ver que ele vestira pelo menos a calça do pijama. Merlin tinha os cabelos molhados e coçava os pelos abaixo do umbigo distraidamente, mantendo o olhar baixo.
"Quero dizer, você se importaria se eu acabasse com eles?" Merlin continuou falando tranquilamente. "Porque estou pensando seriamente em raspar..."
"Merlin!" Arthur interrompeu-o rapidamente, limpando a garganta quando sua voz falhou. "Merlin, Morgana está aqui."
"Oh..." Merlin congelou na metade da escada, a boca aberta em um perfeito "o", as mãos descendo lentamente até se encontrarem em frente à sua virilha e o olhar de Arthur foi imediatamente atraído para a região. Pelo caimento do tecido, Arthur podia apostar que ele não estava usando cuecas. Arthur xingou e desviou os olhos.
"Merlin, que surpresa!" Morgana seguiu-o para fora da cozinha, sorrindo e olhando de um para outro.
"A mãe dele está viajando" Arthur ofereceu antes que Merlin pudesse abrir a boca e terminar de arruinar tudo. "Eu disse que ele poderia ficar aqui. No quarto de visitas."
"Sei..." Morgana estreitou os olhos, incrédula, mas Arthur susteve seu olhar com a máxima dignidade que conseguiu reunir. "Até onde sei, aquela porta é do seu quarto" ela apontou para a direção de onde Merlin viera.
"Deixei que ele usasse minha banheira" Arthur tentou soar despreocupado. "Ele nunca tinha visto uma hidromassagem na vida e ficou me olhando com esses olhos de cachorro que caiu da mudança. Você sabe como são as crianças, hoje em dia..."
"Ei!" Merlin indignou-se. "Eu não...!"
"Bem, para quem nunca tomou um banho de hidromassagem, ele certamente foi muito rápido" Morgana comentou, sarcástica, então seu rosto se abriu num sorriso doce ao encarar Merlin. "Mas por que você não se junta a nós para um chá? Você parece um pouco rouco, também. Que coincidência, não é mesmo?"
"Ah, eu provavelmente deveria terminar de me vestir..." Merlin começou, fazendo menção de voltar para cima, mas Morgana fez um gesto de desdém.
"Bobagem, não precisa ter vergonha. Afinal, eu é que sou a intrusa aqui" ela voltou-se para a cozinha ao ouvir o apito da chaleira. "Venha logo, Merlin. Sente-se. Vou preparar o chá num instante."
"Sinto muito" Merlin moveu os lábios com uma expressão consternada, mas Arthur limitou-se a rolar os olhos.
"Não é sua culpa" Arthur sussurrou de volta, passando direto por ele e sentando-se à mesa da cozinha, ligando seu notebook para checar seus e-mails, dividindo a atenção entre o computador e o que acontecia ao seu redor e fingindo não estar apreensivo com o rumo que aquilo estava tomando.
"Venha, Merlin. Sente-se!" Morgana insistiu, apontando para um dos banquinhos em frente ao balcão e Arthur percebeu pelo canto do olho a maneira como Merlin se sentou rigidamente, de costas para Arthur, mantendo os braços à frente do corpo, como se tentasse esconder sua nudez ao máximo. "Então, sua mãe está viajando!"
"Ah... Sim" Merlin concordou. "Ela foi para a Irlanda, visitar uma tia minha."
"Entendo... E Arthur ofereceu que você ficasse aqui? Quanta consideração, a dele!"
"Sem dúvida."
"Desde quando você está aqui?" Morgana perguntou com forçada casualidade enquanto preparava o chá.
"Hum... Desde sexta à noite."
"Você toma seu chá com açúcar, Merlin?"
"Sim, obrigado."
"Deixe-me ver... Onde está mesmo o açucareiro...?"
"Na bandeja ao lado de micro-ondas" Merlin ofereceu e Arthur xingou baixinho.
"Ah, sim, claro... Venho aqui tão raramente que nunca me lembro! Aqui está... Ah, que mãos lindas você tem, posso vê-las...? Você tem mãos de pianista, sabia?"
Arthur teve que ranger os dentes para não fazer algum comentário mordaz para a desculpa esfarrapada da irmã para analisar a mão de Merlin, provavelmente constatando que estava tão enrugada quanto a de Arthur.
Morgana entregou uma xícara de chá para Arthur e voltou para o balcão, continuando a conversa com Merlin e parecendo ignorá-lo, mas Arthur conhecia muito bem a irmã e sabia que ela estava contando com o fato de que Arthur prestava atenção a cada palavra que eles diziam. Morgana fazia comentários aparentemente inocentes enquanto tentava sondar um pouco mais sobre o quão familiar Merlin estava com os arredores e Arthur precisou de todo o seu autocontrole para não marchar até lá e dizer: "Tudo bem, é verdade, nós estamos juntos. Parabéns, você descobriu tudo! Você é realmente muito esperta. Agora diga logo o que devo fazer para comprar seu silêncio."
Merlin, no entanto, parecia totalmente alheio ao jogo de Morgana, continuando com a farsa de que estava lá como um mero convidado. Ele não tinha como saber como Morgana gostava dos seus jogos de poder.
"Bem, a conversa está realmente muito agradável, mas infelizmente eu preciso ir" Morgana falou, aproximando-se da mesa para pegar sua bolsa, dispensando polidamente os agradecimentos de Merlin pelo chá. "Merlin, é sempre um prazer conversar com você. Arthur, querido, será que você pode fazer a gentileza de pelo menos acompanhar sua irmã até a porta?"
"Com prazer" Arthur disse, sarcástico.
"Você ficou louco, Arthur?" Morgana falou num sussurro urgente assim que saíram para o hall do elevador. "Quer ser processado? O que acha que as pessoas vão dizer, no escritório, se souberem disso?"
"Morgana..." Arthur começou, fechando a porta atrás de si para se certificar que Merlin não ouviria nada, porém ela continuou, sem dar atenção a ele.
"O que você acha que nosso pai vai fazer, se ficar sabendo? E não estou me referindo apenas ao fato de Merlin ser um garoto - eu sinceramente não acho que o gênero faria diferença para nosso pai, nesse caso -, mas por ser seu estagiário! Ou mesmo Cenred! Se ele tão somente sonhar com isso, vai achar que o Natal chegou mais cedo...!"
"Morgana!" Arthur insistiu, segurando os braços da irmã e resistindo ao impulso de sacudi-la. "Ninguém vai saber se você não contar."
"É claro" Morgana bufou, desvencilhando-se dele. "E você está fazendo um ótimo trabalho em esconder isso, trazendo-o para o seu apartamento e brincando de casinha!"
"Bem, não é como se Cenred fosse aparecer sem avisar, ao contrário de certas pessoas, não é mesmo?" Arthur impacientou-se.
"Mas e se fosse nosso pai?" Morgana insistiu. "Não precisa ser nenhum gênio para saber que vocês dois estavam tomando banho juntos ou que nenhum de vocês se preocupou em vestir cuecas!"
"Tudo bem, tudo bem" Arthur esfregou as mãos no rosto, tentando se acalmar. "Poderia ter sido meu pai. Poderia ter sido qualquer um. Mas não foi! Foi você!" Arthur encarou-a e Morgana cruzou os braços, os lábios pressionados um contra o outro. "Agora a pergunta é: o que você vai fazer com essa informação?"
"Que informação?" Morgana levantou uma sobrancelha. "Eu não sei de nada! Porque, se soubesse, teria que fazer alguma coisa a respeito, não teria? A começar por mudar ele de supervisor e de setor!"
Arthur engoliu em seco, desviando os olhos da irmã, sentindo-se igualmente envergonhado e aliviado.
"Eu bem que desconfiei" Morgana continuou. "Todas aquelas mensagens, a maneira como você olha para ele, suas escapadas para a chácara... Mas sinceramente não achava que você fosse ser tão irresponsável com a sua própria carreira. Ou mesmo com Merlin! Já pensou nas repercussões disso para ele?"
Arthur grunhiu, dando as costas para a irmã e apoiando uma mão na parede, batendo o punho fechado em frustração.
"Há quanto tempo isso está acontecendo?" Morgana pressionou. "Vocês já estavam juntos no seu aniversário, não estavam? Aquele pão com manteiga de amendoim era para ele, não era?"
"Ele estava bêbado" Arthur falou, tentando não soar culpado e falhando. "E eu o beijei. Mas ele apagou antes que eu voltasse para o quarto."
"Cristo, Arthur! Eu achava que você era mais inteligente do que isso! Você realmente está arriscando a sua imagem na empresa por causa de uma aventura?"
"Não é uma aventura!" Arthur voltou-se para ela, indignado.
"Então o que é? Por acaso você é gay agora?"
"Eu não sei!" Arthur exasperou-se. "Tudo que eu sei é que eu gosto do Merlin. E nós estamos namorando. Sei que você viu o status dele no Facebook."
Morgana suspirou e deixou os ombros caírem, aproximando-se dele.
"Olha, Arthur..." sua voz soou mais branda, mais compreensiva. "Não me entenda mal. Merlin é um amorzinho. Eu ficaria extremamente feliz por vocês, em outras circunstâncias. Mas isso é perigoso. Sem contar que é completamente irresponsável."
"Eu sei" Arthur concordou, a voz falhando.
E, no fundo, ele realmente sabia. Gaius tinha razão sobre Merlin talvez preferir jogar tudo para o alto para poder assumir o relacionamento deles, mas Morgana também tinha razão naquele ponto: Arthur jamais se perdoaria por arruinar a carreira de Merlin.
Eles ficaram em silêncio por algum tempo antes que Morgana voltasse a falar.
"Alator veio falar comigo sobre Merlin."
"É mesmo?" Arthur voltou-se para ela, surpreso. "E o que ele disse?"
"Ele queria saber o que precisava fazer para efetivá-lo ao final do estágio e se seria possível trazê-lo para a equipe dele" Morgana ofereceu-lhe um pequeno sorriso.
"Uau!" Arthur exclamou, passando uma mão pelos cabelos. "Mas já? Merlin passou apenas uma semana com ele. E, mesmo assim, apenas algumas horas por dia!"
"Bem, acho que ele conquistou você na primeira semana, também" Morgana encolheu os ombros, uma expressão suave no rosto. "Eu ainda me lembro do jeito que você me olhou quando sugeri mudá-lo de setor."
Arthur fechou a cara, pronto para negar tudo, mas Morgana continuou antes que ele o fizesse ser efetivado."
"Ok" Arthur concordou. "Obrigado, Morgana."
"E você vai se ver comigo se magoar ele!" ela ameaçou, subitamente séria.
"Por que todo mundo age como se eu fosse o vilão?" Arthur indignou-se. "E se ele me magoar?"
"Ah, você já é bem crescidinho. Pode muito bem lamber as próprias feridas" Morgana desdenhou, mas sorriu e abraçou-o antes de se afastar, apertando o botão do elevador. "E não se esqueça: eu não sei de nada."
Arthur assentiu e acenou um adeus quando as portas se fecharam. Do lado de dentro, Merlin estava andando de um lado para o outro na sala, roendo as unhas, mas correu até ele assim que ele entrou.
"E então? Como foi?" Merlin perguntou, preocupado. "Muito ruim?"
"Está tudo bem" Arthur garantiu, prestes a dizer a verdade, mas então lembrou-se das palavras de Morgana. "Ela só queria conversar sobre nosso pai."
"Oh..." Merlin deixou os ombros caírem, aliviado. "Uau... Eu tinha certeza que ela tinha percebido tudo! O jeito como ela olhava para mim enquanto falava... Eu estava quase confessando tudo para ela sem ela ter nem perguntado! Eu devia ter ficado mais tempo no banheiro ou, pelo menos, checado antes de..."
"Ei, ei" Arthur interrompeu-o, segurando seus ombros. "Está tudo bem. Você não tinha como saber. Nem mesmo eu esperava por isso! Ela nunca vem sem avisar."
"Ok" Merlin assentiu, apesar de parecer ainda um pouco incerto.
"De qualquer forma, acho que seria melhor se nós não deixássemos nossas roupas espalhadas pela casa, se pudermos evitar."
"Ah, não!" Merlin arregalou os olhos. "Ela não viu, viu?"
"Eu escondi antes que ela visse" Arthur encolheu os ombros. "E tenho quase certeza que ela não viu a mancha na parede do balcão, bem aonde você..."
"Ah meu Deus!" Merlin escondeu o rosto nas mãos, corando. "Eu não acredito! E todo esse tempo eu estava conversando com ela bem ali, praticamente sem roupa, tentando não me lembrar do que a gente fez... Deus, isso é tão embaraçoso! Acho que nunca mais vou poder encarar sua irmã nos olhos durante toda a minha vida...!"
"Bobagem" Arthur garantiu. "Então, o que você estava dizendo mesmo sobre raspar seus pelos?"
"Argh!" Merlin puxou os próprios cabelos. "Me mate logo de uma vez e acabe com essa tortura!"
Arthur jogou a cabeça para trás e riu, puxando Merlin para um abraço em seguida, pensando no quão adorável ele ficava envergonhado daquele jeito.
.Merlin.
"Bem, acho que acabamos este aqui!" Isolde falou, salvando o documento. "Quer revisar antes que eu mande?"
"Não precisa" Merlin garantiu. "Acho que ficou ótimo."
"Também acho, pra ser sincera" Isolde sorriu. "Bem, estou mandando para revisão, então. Com cópia para Alator e Arthur" ela falou, conforme incluía os endereços no e-mail. "Ah, viu só? Estou passando tanto tempo com você que já estou chamando o diretor pelo primeiro nome! Preciso me policiar ou farei isso na cara dele qualquer dia desses..."
"Não acho que ele vá se importar" Merlin encolheu os ombros.
"Bem, melhor não arriscar" Isolde deu mais alguns cliques e então girou a cadeira para encará-lo. "Pronto! Conseguimos terminar mais cedo que o previsto!" ela consultou o relógio. "E ainda temos algum tempo sobrando. Quer pegar o projeto da boutique?"
"Na verdade" Merlin coçou a cabeça. "Arthur pediu que eu passasse no Almoxarifado para pegar algumas caixas para ele, então..."
"Ah, claro! Sem problemas" Isolde garantiu. "Vamos deixar para amanhã, então."
Eles se despediram e Merlin acenou para Alator ao sair – ele ficava numa sala tipo aquário como a de Arthur. Alator era mais simpático do que Merlin imaginara, a princípio, bem-humorado e respeitoso com seus funcionários. Ele sempre parava para conversar com Merlin e parecia genuinamente interessado no que ele tinha a dizer. Merlin chamou o elevador e retirou o celular do bolso, mandando uma mensagem para Arthur.
'Descendo para o Almox agora.'
'Não se atrase' veio a resposta quase imediatamente.
'Ah, você planeja sair no horário hoje?'
'Eu sempre saio no horário, Merlin. Além disso, tenho planos para hoje à noite.'
'Verdade? Que planos mesmo?'
'Boa tentativa. Você sabe o significado de surpresa, não sabe?'
'Chato.'
'Intrometido.'
Merlin guardou o celular no bolso com um sorriso no rosto. Uma das muitas vantagens de passar a semana com Arthur era que eles conseguiam ser mais discretos durante o expediente. Mesmo as mensagens que trocavam eram mais inocentes e comedidas. Arthur ainda ficava um pouco ranzinza quando se aproximava a hora de Merlin descer para o Desenvolvimento, mas, pelo menos, ele tentava ser civilizado a respeito. Merlin tinha ficado surpreso quando Alator pedira que ele continuasse passando algumas horas no setor todos os dias, mas ficara ainda mais surpreso quando Arthur não fizera nenhuma objeção.
Quando Merlin ergueu os olhos, entretanto, seu sorriso morreu. Cenred estava parado do outro lado do corredor, as mãos no bolso da calça, as costas apoiadas na parede.
"Eu perguntaria o que poderia ser tão interessante a ponto de colocar um sorriso desses no seu rosto, mas faço uma ideia" Cenred falou em seu melhor tom desinteressado.
"Ótimo" Merlin murmurou, sarcástico, apertando o botão do elevador novamente. Cenred havia aparecido no Desenvolvimento pouco depois que Merlin chegara e passara algum tempo na sala com Alator. Merlin se sentara propositalmente de costas e evitara olhar naquela direção, mas podia praticamente sentir o olhar dele o tempo todo, como uma sensação desagradável em sua pele. Perguntou-se há quanto tempo ele deveria estar ali no corredor, de tocaia. Afinal, não seria a primeira vez que ele fazia aquilo. "O que você está olhando?" Merlin perguntou ao surpreender o olhar dele novamente.
"Estou tentando entender como é que não enxerguei o seu potencial logo de cara" Cenred encolheu os ombros. "Quero dizer, não me lembro de você estar tão... agradável aos olhos na primeira vez que nos encontramos. Obviamente Arthur enxergou além do seu jeito desleixado logo de início, mas devo admitir que ele fez um ótimo trabalho com você, desde então."
"Hunf" Merlin grunhiu, pressionando os lábios um contra o outro para não dar nenhuma resposta atravessada.
"Não me entenda mal, gosto desse seu visual despojado, mas você estava definitivamente mais... interessante com aquela maquiagem. E a camiseta, não vamos esquecer a camiseta. Absolutamente encantadora, especialmente quando você levantava os braços."
"Você está falando sério?" Merlin encarou-o, fazendo questão de deixar seu desgosto evidente.
"Ah, eu certamente estou."
"Você tem consciência do quão inapropriado é isso, certo? Eu poderia denunciá-lo por assédio sexual."
"Você poderia" Cenred ponderou. "Mas nós dois sabemos que você não vai. Afinal, se você não gostasse desse tipo de atenção, Pendragon já estaria suspenso do seu cargo, senão exonerado. Ou talvez seus padrões sejam altos demais para um simples gerente como eu?"
"Meus padrões são altos demais para um idiota como você" Merlin pressionou o botão do elevador novamente com força.
"Oh, está ficando melhor a cada segundo!" Cenred provocou, se aproximando. "Atraente, decidido e ousado! Pena que você não é muito esperto, não é mesmo? Ou já teria percebido que o elevador está emperrado no oitavo andar desde que você chegou."
"Ok, tem razão" Merlin concedeu, levantando as mãos em redenção. "Devia ter optado pelas escadas no segundo em que notei você aí. Adeus!"
Merlin deu as costas para ele e pegou as escadas.
"Mande lembranças minhas para o seu namorado!" ele ouviu a resposta de Cenred e cerrou os punhos, descendo os degraus de dois em dois até colocar uma distância segura entre eles. Agora podia entender perfeitamente o que levara Arthur a partir para a agressão física com aquele bastardo. E falando em Arthur, Merlin agradeceria se ele jamais ficasse sabendo do encontro que acabara de ter. Conhecendo-o bem, ele certamente faria algo muito estúpido para afirmar sua posição.
Merlin sacudiu a cabeça e empurrou aquele acontecimento para algum canto esquecido da sua mente, direcionando seus pensamentos para algo mais agradável, como o que Arthur poderia ter planejado para aquela noite.
.Merlin.
"Aqui está" Merlin colocou uma pasta sobre a mesa de Arthur.
"Está tudo aqui?" Arthur perguntou, folheando os documentos.
"Sim" Merlin cobriu a boca ao bocejar. "Sim, eu conferi."
"Ótimo. Agora você pode passar para a próxima atividade que pedi."
"Ok" Merlin piscou algumas vezes antes de dar meia volta. Então parou no meio da sala, parecendo meio perdido.
"Algum problema, Merlin?"
"Ah, não eu só..." ele coçou a cabeça. "O que você pediu que eu fizesse mesmo?"
"Preparar a sala de reunião" Arthur levantou uma sobrancelha. "Honestamente, Merlin. O que você andou aprontando para estar tão acabado numa quarta-feira de manhã?"
"Hm... Eu não ia comentar nada, mas já que você perguntou..." Merlin sorriu, seu rosto se iluminando de repente. "Meu namorado me levou para um show muito bom ontem à noite, sabe? Foi ótimo! Eu me diverti muito!"
"Bem, diga para o seu namorado pegar mais leve ou você não vai aguentar até o final de semana" Arthur teve que morder a parte interna da bochecha para não sorrir também.
"Por que eu diria isso?" Merlin indignou-se. "Valeu totalmente a ressaca. Na verdade, eu aguentaria a ressaca todos os dias, se fosse o preço a pagar por isso."
"Bem, não sei a respeito de 'todos os dias', mas tente não vomitar no carro dele da próxima vez e quem sabe ele leve você mais vezes?"
"Ei, tecnicamente eu não vomitei no carro. Eu abri a porta a tempo!"
"Mas foi por muito pouco."
"Ainda assim! Não vomitei no carro!"
Por mais que estivesse provocando Merlin, Arthur tinha ficado satisfeito com a maneira como Merlin se divertira na noite anterior. Arthur o havia levado para jantar num restaurante francês, onde solicitara uma mesa num lugar reservado para que eles pudessem agir como dois adolescentes apaixonados o quanto desejassem sem atraírem olhares reprovadores dos outros clientes. Depois, Arthur o levara para um show de uma banda dinamarquesa, num camarim exclusivo com direito a open bar. Arthur não era particularmente fã de música alternativa, mas Merlin tinha dançado e pulado praticamente o show inteiro, especialmente depois da terceira dose de tequila.
"Ok" Arthur consultou o relógio. "A reunião está marcada para daqui quinze minutos. O que você ainda está esperando?"
"Estou indo!" Merlin saiu, parecendo mais acordado.
Arthur meneou a cabeça e voltou sua atenção para o computador, porém seu telefone tocou. Arthur suspirou ao ver o número do ramal da sua irmã no identificador, mas sabia que ignorá-la nunca era uma boa opção.
"Você sabe que vamos nos ver em quinze minutos, não sabe?" ele falou ao pegar o telefone.
"Bem, sim, mas achei que você não gostaria que Uther ouvisse o que tenho a dizer" Morgana respondeu.
"O que foi?" Arthur tentou não soar preocupado.
"Ele me ligou para perguntar se eu estaria livre este sábado para almoçar com ele e Catrina."
"Ah, Merda" Arthur pressionou a ponte sobre o nariz. "Morgana, você sabe que Merlin ainda estará em casa..."
"Sim, sim, eu sei" Morgana interrompeu-o. "Foi por isso que eu disse que já tinha marcado um compromisso com uma amiga minha da faculdade que viria passar o fim de semana em Londres."
Arthur respirou aliviado.
"E o que ele disse?"
"Ele sugeriu o domingo, mas eu disse que Leon e você tinham marcado aquela partida de futebol mensal e que não seria bom se vocês se empanturrassem antes do jogo."
"Mas nós não..."
"Eu também sei disso" Morgana interrompeu-o novamente. "Depois você pode dizer que cancelou ou remarcou a partida. Sabe, a maioria das pessoas diria apenas 'Obrigado, Morgana, fico devendo essa!', mas suponho que seria esperar demais de você."
"Bem, eu não diria que estou devendo nada..."
"Ah, mas você está! E pretendo cobrar essa dívida muito mais cedo do que você imagina."
"É claro que sim" Arthur disse, sarcástico. "Então me diga, Morgana, o que exatamente estou devendo para você?"
"Edwin Muirden vai dar uma festa de lançamento de uma linha de produtos masculinos na próxima terça-feira e ele faz questão da nossa presença" ela falou e Arthur grunhiu. "Acontece que tenho um pressentimento que estarei com uma terrível enxaqueca nessa noite, então receio que você terá que me representar, dessa fez."
"Não, obrigado" Arthur desdenhou.
"Talvez eu não tenha sido muito clara antes, mas isso não é um pedido, Arthur."
"Morgana, por favor..." Arthur praticamente choramingou. "Você sabe que eu odeio esse tipo de evento! E você nunca..."
"Sim, bem, eu nunca me importei em participar, distribuir sorrisos e inventar desculpas para a sua ausência..."
"Você é bastante criativa nesse sentido, tenho que admitir. Da última vez, acredito que você tenha mencionado algo sobre uma ex-namorada minha ter morrido de HIV" Arthur comentou, porém Morgana não lhe deu atenção.
"Bem, acontece que estou cansada disso. Quero ficar em casa pintando minhas unhas, tomando vinho e assistindo filmes clássicos enquanto você fica com cãimbra de tanto sorrir, falando sobre política, economia e futebol com aqueles narcisistas, pra variar. Estou tirando algumas semanas de férias desses eventos e você, irmãozinho, vai representar a família Pendragon nos próximos eventos."
"Eventos? Ei, tenho certeza que não devo tanto assim a você por uma mentirinha à toa..."
"Oh, é mesmo?" a casualidade na voz de Morgana soou tão forçada que Arthur se encolheu instintivamente. "Me diga, Arthur, Merlin já raspou a virilha ou você continua apegado aos pelos dele?"
"Porra, Morgana!" Arthur bateu o punho na mesa. "Você poderia tomar mais cuidado com o que diz no telefone da empresa?"
"Ah, não é com os grampos no telefone que você precisa se preocupar, Arthur. Esse é o tipo de coisa que poderia facilmente escapar da minha boca no nosso jantar neste sábado, já que a minha amiga da faculdade acabou de cancelar a visita..."
"Não acredito que você está me ameaçando por causa de um evento de lançamento de xampu masculino!" Arthur indignou-se.
"Funciona melhor do que apelar para o seu amor fraternal, não é mesmo?"
"Você é má, Morgana."
"Olha, Arthur, tudo que estou pedindo é que você apareça lá, cumprimente Muirden, certifique-se de sair em algumas fotos e pronto, já estará liberado."
"Está bem" Arthur concordou, ainda que relutante. "Mas vamos ter que conversar melhor sobre esses outros eventos." Conhecendo Morgana, se ele não delimitasse agora mesmo aquilo, era equivalente a concordar com uma escravidão vitalícia.
"Próxima terça-feira. Não se esqueça."
"Tenho certeza que você não vai deixar eu me esquecer."
Arthur bateu o telefone no gancho e xingou em voz alta. Agora certamente estava num ótimo humor para enfrentar Morgana, Uther e Cenred numa reunião. Ele consultou o relógio uma última vez antes de pegar a pasta sobre sua mesa e deixar a sala.
.M.
"... o que nos deixa com nove possíveis clientes, sem contar esses que já mencionei" Arthur dizia, mudando o slide. "Além disso, Leon e eu estamos com a agenda cheia de visitas para esta semana e para a semana que vem. Se continuar nesse ritmo, não teremos tempo para dar continuidade aos projetos já em andamento."
"E você acha que duas pessoas a mais é suficiente?" Uther perguntou, o cenho franzido.
"Dificilmente" Arthur ponderou. "Mas já é um começo. Pelo menos até Morgana conseguir a aprovação para a contratação de mais funcionários."
"E em que pé está isso?" Uther voltou-se para Morgana, que examinava as próprias unhas.
Ela tinha sido simpática com Merlin como sempre, ao chegar à reunião, perguntando sobre sua mãe e Gaius e até sobre seu namorado misterioso. Merlin respondera evasivamente à última pergunta, mas não podia evitar se sentir decepcionado. Se fosse sincero consigo mesmo, tivera esperanças de que ela tivesse percebido tudo, na segunda-feira, quando o vira no apartamento de Arthur. Não gostava de esconder aquilo dela, principalmente depois de tudo que ela dissera no pub, mas preferia imaginar que Arthur estivesse apenas sendo cauteloso, ao invés de envergonhado.
"Consegui aprovação do Financeiro para duas vagas em cada setor" Morgana falou, pragmática. "CRM, Diagnóstico, Desenvolvimento e Implementação. Mas acredito que possa conseguir mais, em breve. De qualquer forma, posso dar início à seleção para as vagas aprovadas imediatamente enquanto negocio as outras."
"Faça isso" Uther assentiu. "Quanto às colaborações, imagino que você já tenha alguns nomes?"
"Na verdade, eu tenho" Arthur falou e Cenred bufou.
"É claro que tem" o gerente da Contabilidade murmurou, porém os outros não ouviram ou fingiram não ouvir. Ele também tinha cumprimentado Merlin ao chegar à sala de reuniões, embora nada agradavelmente, ganhando um olhar assassino de Arthur.
"Elyan Keller, do RH, e Mordred Allen, da Contabilidade" Arthur continuou, como se não tivesse sido interrompido.
Merlin arqueou as sobrancelhas, surpreso. Arthur não tinha mencionado exatamente quem pretendia trazer para o setor quando explicara seu plano, na segunda-feira. Mas Merlin já devia ter imaginado que Arthur daria preferência aos seus amigos.
"O quê?" Cenred levantou-se. "Você está louco, Pendragon?"
Os três Pendragon o encararam com diferentes níveis de aborrecimento e tédio - este último no caso de Morgana.
"Ele parece bastante razoável para mim, Cenred" Morgana falou. "Eu concordo em ceder Keller, a propósito."
Uther e Arthur voltaram-se para Cenred novamente, cheios de impaciente expectativa.
"Bem?" Uther pressionou e Cenred voltou-se para Arthur, enfurecido.
"Não vejo por que eu deveria ajudar seu setor em detrimento do meu, Pendragon."
"Por acaso você prestou atenção a alguma coisa do que eu disse?" Arthur ironizou. "Porque esse é exatamente o objetivo dessa reunião, se ainda não percebeu."
"Por que Allen?" Cenred continuou, ignorando-o. "Por que não qualquer outro funcionário? Por que não um funcionário da... Manutenção ou do Almox ou qualquer outro que não um dos meus?"
"Você quer dizer, além do fato da qualificação deles ser totalmente inútil para o tipo de serviço que eles teriam que desempenhar?" Morgana alfinetou quase docemente. "Além disso, por acaso você não estava presente quando Arthur comentou sobre como o volume dos demais setores relacionados aos projetos é diretamente proporcional ao do CRM?"
"Mordred já tem alguma experiência com os nossos projetos" Arthur argumentou. "Ele já nos ajudou uma vez em outra ocasião e, quanto menos tempo perdermos com introduções e explicações, melhor."
Uther fez um pequeno aceno de cabeça, como se julgasse o argumento bastante razoável - como de fato era, na opinião de Merlin. Não que alguém fosse pedir sua opinião.
Entretanto, por algum motivo, Merlin viu-se chateado pela maneira como Arthur parecia irredutível quanto a Mordred. Imaginava que ele não fosse comprar briga com Cenred tão deliberadamente caso aquilo não fosse realmente importante para ele. Merlin lembrou-se da maneira como Arthur e Mordred pareciam íntimos no pub, da última vez, e seu humor tornou-se sombrio de repente.
"Por que eu emprestaria um dos meus melhores funcionários para você por um mês inteiro quando você não se dignou nem mesmo a emprestar seu estagiário para mim por uma semana?" Cenred apontou um dedo acusador em direção a Arthur e Uther franziu o cenho, encarando Arthur como se o enxergasse pela primeira vez em muito tempo.
Merlin remexeu-se em sua cadeira àquelas palavras, tentando se encolher ao máximo, porém ninguém olhou em sua direção.
"Isso de novo?" Arthur rolou os olhos e Morgana suspirou.
"Ao contrário de você, Arthur não esperou até o último minuto para mobilizar o máximo de pessoas possível para uma causa perdida, Cenred" Morgana crispou o lábio superior. "Ele planejou e trouxe uma proposta razoável para evitar chegar a uma situação como aquela. Ou você realmente acha que teria cumprido o seu prazo caso Merlin tivesse ajudado?"
"Bem, eu não sei..." Cenred respondeu, empertigando-se. "Pelo jeito como Arthur se recusa a mantê-lo fora da sua vista até mesmo durante uma reunião estratégica como esta, o Sr. Emrys deve ser mesmo muito especial" ele desdenhou.
De repente, havia quatro pares de olhos encarando Merlin. Ele fingiu checar os fios do projetor, sentindo o rosto esquentar de embaraço.
"Merlin está aqui como meu assistente pessoal" Arthur falou por entre os dentes cerrados. "E não entendo como ele possa ter alguma relação com o tópico desta reunião."
"Henry, sente-se, por favor" apesar das palavras educadas, o tom de Uther não deixava dúvidas de que aquilo era mais uma ordem do que um pedido e Cenred sentou-se, mas não sem antes lançar outro olhar carregado de desprezo em direção a Arthur. "Você tem alguma objeção pertinente à proposta de Arthur? E estou falando de números, estatísticas e projeções, não de opiniões e reclamações, caso não tenha ficado claro."
Cenred pareceu ruminar algo antes de abaixar a cabeça.
"Não, senhor."
"Ótimo. O que acham de Keller e Allen começarem na próxima segunda?"
Todos concordaram – Cenred por último e claramente relutante. Tão logo deu a reunião por encerrada, Uther atendeu a uma ligação no celular com uma expressão séria e Cenred deixou a sala mais que depressa. Morgana trocou algumas provocações com Arthur e acenou um adeus para Merlin antes de sair. Merlin pôs-se a desligar os equipamentos.
"Arthur" Uther falou com uma cara de poucos amigos, abaixando o celular. "É o Sr. Odin. Ele pediu para falar com você."
Enquanto se aproximava da mesa para recolher os papéis espalhados, Merlin viu os lábios de Arthur se moverem num xingamento, mas ele forçou um sorriso ao aceitar o telefone.
"Sr. Odin! Em que posso ajudá-lo?" Arthur falou com falsa cordialidade, mantendo-se em pé próximo do pai.
"Então" Uther falou e Merlin quase esbarrou num copo d'água, tamanho o seu susto ao perceber que o homem deveria estar se dirigindo a ele, já que não havia mais ninguém presente na sala. "Sr. Emrys. Fiquei sabendo que você frequenta a UCL."
"Sim, senhor" Merlin concordou, sem conseguir sustentar o olhar de Uther por mais que algumas frações de segundo por vez.
"Que curso você faz mesmo?"
"Economia" Merlin respondeu.
"Ah, sim" Uther falou, a expressão tão grave que Merlin não sabia se ele estava insatisfeito apenas com a resposta ou com Merlin, no geral. "E como você está se saindo?"
"Ah... Bem, eu acho" Merlin desviou os olhos e quase derrubou o copo novamente ao ouvir a voz de Arthur, que havia se aproximado sem que ele percebesse.
"Bobagem" Arthur disse, cobrindo o bocal do celular. "As notas dele dariam inveja em Stephen Hawking."
"Não seja ridículo" Merlin falou automaticamente e então corou ao perceber o olhar intenso de Uther.
"É verdade" Arthur confirmou, então tirou a mão do bocal, endireitando-se. "Sim, Sr. Odin. Como eu já disse, o projeto deve estar pronto amanhã..."
"Ele está exagerando" Merlin esclareceu, voltando a recolher os papeis.
"Por que você não tentou Cambridge ou Oxford?" Uther continuou.
"Er... Na verdade, eu tentei" Merlin admitiu. "E fui aceito. Mas gostei mais da grade do curso daqui" ele mentiu.
A verdade era que, por mais que sua mãe tivesse insistido que daria conta, Merlin sabia que ela não poderia arcar com as despesas. Ele teria que ir e voltar todos os dias e os horários de ônibus não eram muito flexíveis, além de ser uma longa viagem, o que o impediria de arrumar um estágio. Ou então, teria que se mudar para Cambridge ou Oxford e arrumar um jeito de se manter por si mesmo, mas a perspectiva de deixar sua mãe sozinha, preocupada constantemente se ele tinha dinheiro para comer e todas outras coisas, também não era nada agradável. Por isso, Merlin preferira permanecer em Londres e não se arrependia da sua decisão. Nem mesmo diante do olhar reprovador de Uther.
"Entendo" Uther falou, apesar de seu tom indicar o extremo oposto. "Morgana me disse que você conhece Gaius."
"Sim!" Merlin ficou feliz pela mudança de tópico. "Ele é meu padrinho. Foi ele quem me falou da vaga e ele sempre falou da Pendragon com tanto carinho que não tive dúvidas sobre aplicar."
"Fico feliz por isso" Uther falou e então emendou rapidamente. "Por ele ter tão boas lembranças daqui. Ele certamente foi um ótimo funcionário, muito dedicado e leal. É uma pena que tenha se aposentado tão cedo. Mas imagino que tenha sido bom para ele abrir seu próprio negócio."
"Com certeza" Merlin concordou. "E ele está indo muito bem, na verdade. O senhor já viu a loja dele?" ele perguntou antes que se impedisse.
"Não, receio que não" Uther franziu o cenho.
"Ficou muito boa, especialmente depois da última reforma. Ele já expandiu uma vez depois que abriu, teve que passar boa parte do almoxarifado para o andar de cima para abrir mais espaço. As pessoas vêm de todos os cantos de Londres para comprar suas pomadas e seus chás. O senhor deveria ir visitá-lo, qualquer dia desses. Quero dizer" Merlin engoliu em seco, arregalando os olhos. "Não estou tentando dizer o que o senhor deve ou não deve fazer, só acho que seria uma boa ideia. Ele tem muita consideração pelo senhor e..."
"Merlin, acho que meu pai entendeu o que você quis dizer" Arthur interrompeu-o, oferecendo o celular de volta para o pai e Merlin deixou os ombros caírem, aliviado pela interrupção. "E tenho que concordar com Merlin. Gaius ficaria muito feliz em vê-lo."
"Certo" Uther guardou seu celular e recolheu sua pasta, levantando-se. "Vou tentar dar uma passada por lá na próxima semana. De qualquer forma, diga a ele que mandei lembranças."
"Certamente" Merlin assentiu prontamente.
"Ótimo" Uther virou-se para Arthur e Merlin sentiu como se um peso tivesse sido tirado das suas costas. "Bem, tenho que ir. Estou planejando um almoço no sábado que vem, já que você e Morgana estão com as agendas cheias no próximo fim de semana, então tente não marcar nenhum compromisso, está bem?"
"Sem problemas" Arthur falou e eles se despediram.
"Uau" Merlin deixou-se cair numa das cadeiras. "Se você não tivesse me interrompido, eu provavelmente estaria me desculpando por não corresponder às expectativas dele e implorando para que ele não me sentenciasse à morte por ousar dizer a ele o que fazer."
Arthur riu e sentou-se ao seu lado.
"Ei, até que você se saiu bem" Arthur encolheu os ombros. "Demorou para começar a tagarelar nervosamente... Ouch!" ele riu e segurou o lado do corpo, aonde Merlin o havia acotovelado. Mas, quando voltou a falar, estava mais sério. "Ei, não leve para o lado pessoal. Ele é assim com todo mundo. Ninguém nunca corresponde às expectativas dele. E, acredite, eu bem que tentei."
Arthur abaixou os olhos para os papéis na mesa e Merlin sentiu-se mal por ele, tentando imaginá-lo como criança, empolgado, mostrando seu boletim cheio de notas dez apenas para ver o pai criticá-lo pela única nota nove. Naquele momento, achou que podia entender a apreensão de Arthur a respeito de contar ao pai sobre o relacionamento deles.
"Então você está com a agenda cheia neste fim de semana, hein?" Merlin cutucou-o numa tentativa de levantar seu humor.
"Sim" Arthur levantou os olhos, uma sugestão de sorriso em seus lábios. "Estou ficando de babá para um garoto muito teimoso..."
"Ora, cale a boca" Merlin falou, batendo nele com a pasta que tinha em mãos. "Ou vou mostrar exatamente quão teimoso seu garoto pode realmente ser. E não estou falando de greve de fome."
"Hunf" Arthur fungou. "Como se você tivesse força de vontade suficiente para fazer greve de alguma coisa, quanto menos de fome! Ou sexo!"
"Ora, seu..." Merlin fez menção de bater nele de novo, mas ele se levantou, rindo. "Isso é o que vamos ver!"
.M.
"Isso é horrível! Como você consegue?" Merlin reclamou, frustrado. Estava morrendo de fome, com um monte de comida à sua frente e aquele maldito hashi não estava ajudando.
"Não, você está segurando errado" Arthur falou, levantando-se e posicionando às suas costas para poder segurar a mão dele. "Segure mais para o meio. Assim. Agora deixe-os mais separados, com a distância de um dedo entre eles. Eles não devem encostar nem cruzar quando você abrir. Tente novamente."
Merlin tentou, mas não conseguiu mover quase nada.
"Desse jeito vou ter câimbras!" Merlin choramingou.
"Claro, você está segurando muito forte! Não é questão de força e sim de jeito."
"Mas são palitos!" Merlin exasperou-se. "Dois palitos estúpidos! Como você espera que eu pegue esses... rolinhos de alga e esses pedaços enormes de frango? Não faz sentido!"
Arthur desviou os olhos, fazendo uma expressão estranha. Merlin largou o hashi.
"Não se atreva a rir de mim!" Merlin ralhou. "É isso, não é? Você me trouxe até aqui só para tirar uma com a minha cara!"
"Ora, não seja estúpido, Merlin" Arthur voltou a ficar sério. "Foi você quem insistiu em dispensar os talheres."
"Você não usa talheres! Além do mais, qual é o sentido de vir a um restaurante japonês e não usar um desses?"
"Várias pessoas não usam" Arthur apontou para as mesas ao redor. A maioria das pessoas no restaurante era constituída de descendentes de japoneses, mas havia pessoas de todas as raças. Uma família na mesa mais próxima conversava animadamente sem parecer prestar atenção à cena que Merlin fazia.
"Sim, é verdade. Aquelas crianças ali definitivamente estão usando talheres" Merlin ironizou. "Me sinto bem melhor, agora."
"Tudo bem" Arthur puxou sua cadeira para mais perto da dele e se sentou. "Vamos tentar novamente. Se você não conseguir, eu peço talheres para mim também, está bem?"
Merlin soltou o ar dos pulmões, sentindo-se consideravelmente menos irritado e ridiculamente afeiçoado.
"Está bem" Merlin fez questão de soar contrariado, entretanto.
Arthur segurou seu hashi para demonstrar e ajeitou o de Merlin até que, com muito custo, Merlin conseguisse levar um pedaço de vagem até a boca sem derrubar no meio do caminho. Porém, o salmão cru – sashimi, Arthur corrigiu – não parava de escorregar, fazendo os palitos girarem um sobre o outro.
"Ok, eu desisto!" Merlin largou o hashi, cruzando os braços e olhando para a comida com ressentimento. "Melhor pedir logo esses talheres se não quiser passar vergonha. Juro que estou prestes a pegar com a mão."
"Tudo bem" Arthur pegou o sashimi com seu próprio hashi. "Abra a boca."
"O quê? Não!" Merlin arregalou os olhos. "Você não vai me tratar como uma criança, Arthur!"
"Merlin!" Arthur chiou por entre os dentes. "Não estou tratando você como uma criança! Estou tentando ser romântico!"
"Oh..." Merlin exclamou, surpreso.
"Boca" Arthur insistiu. "Abra."
Merlin obedeceu sem reclamar.
"É mesmo muito gostoso" Merlin teve que admitir. "Mas a textura é um pouco... estranha."
"Você se acostuma, acredite" Arthur garantiu e fez sinal para o garçom mais próximo. "Por favor, você tem algum adaptador?"
"Sim, senhor" o garçom fez uma leve mesura, alcançando algo no bolso e entregando-o a Arthur. "Mais alguma coisa, senhor?"
"Obrigado" Arthur dispensou-o, pegando o que parecia ser um suporte de borracha e encaixou-o no hashi de Merlin. "Pronto. Tente agora."
"Isso não é trapacear?" Merlin perguntou, testando suas ferramentas adaptadas, abrindo e fechando o hashi como uma pinça. "Ah, bem melhor!"
Pegar a comida, entretanto, não se mostrou tão fácil. Ele continuava fazendo os palitos girarem a maior parte do tempo, mas não se daria por vencido tão cedo - apesar de não ver nada de errado em aceitar um ou outro item que Arthur colocava na sua boca. Então eles passaram para os itens mais pesados dos pratos no centro da mesa.
"Agora tente o sushi" Arthur falou, por fim. "Ou rolinho de alga, como você disse."
"Não tire sarro!" Merlin ameaçou-o com o hashi.
"Não estou! Eu juro!" Arthur defendeu-se num tom que indicava o completo oposto. "E tente não apertar tanto ou você realmente vai ter câimbra."
"Não estou apertando."
"Seus dedos estão brancos" Arthur apontou, arqueando uma sobrancelha divertidamente.
"Mas eu tenho que colocar ele inteiro na boca?"
"Merlin, se você ainda não reparou, todos os pratos são feitos em tamanhos perfeitamente calculados, nem tão pequenos que você não consiga pegar com o hashi, nem tão grandes que você não consiga colocar na boca de uma só vez."
"Isso aqui não é muito grande?" Merlin indignou-se, apontando para o maior deles. "Olhe só para o tamanho disso!"
Arthur encarou-o por um momento.
"Você já colocou coisas maiores na boca sem reclamar, Merlin."
"Sim, mas eu não tive que mastigar, tive?"
"Cristo, Merlin" Arthur se retraiu, pegando um sushi e oferecendo-o a Merlin. "Vou manter você de boca cheia daqui em diante."
"Ei!" Merlin protestou algum tempo depois, quando Arthur fez menção de pegar o último sashimi.
"Eu ia oferecer para você, se pelo menos você me desse a chance" Arthur justificou-se, mas Merlin bateu no hashi dele para afastá-lo.
"Deixa que eu pegue sozinho, então" Merlin insistiu teimosamente, ao que Arthur bufou, mas afastou-se para assistir enquanto ele comia.
Ou melhor, tentava comer. De alguma forma Merlin conseguiu derrubar o sashimi antes que ele alcançasse sua boca. Ele ficou ainda algum tempo encarando o pedaço de peixe no chão antes de levantar os olhos para Arthur, que tinha uma sobrancelha arqueada e uma sugestão de sorriso no canto da boca.
Merlin fez bico. Arthur rolou os olhos.
"Está bem, vou pedir mais uma porção" Arthur disse, já gesticulando para o garçom.
"Mas eu só queria mais um pedaço!"
"Tenho certeza que você vai mudar de ideia até lá."
Conforme Arthur previra, Merlin comeu a porção toda sozinho e gemeu ao largar seu hashi.
"Meu Deus, não aguento mais nada."
"E quanto a sobremesa?" Arthur perguntou quase inocentemente.
Merlin choramingou, passando a mão pela barriga e Arthur riu suavemente.
"Se quiser, posso pedir para levar" ele ofereceu.
"Não precisa. Vamos esperar um pouquinho. Está bom aqui."
Arthur deu-se por satisfeito com a resposta, aproximando ainda mais a cadeira de Merlin e passando o braço sobre seu ombro. Merlin sorriu e olhou ao redor. A decoração do restaurante era muito bonita, carregada de vermelho e preto, com lâmpadas de papel penduradas como balões, estampas florais e quadros de templos, árvores floridas e do Monte Fugi, na parede maior. A iluminação era baixa na parte onde estavam, emprestando um ar romântico e acolhedor ao ambiente.
"Gostei daqui" Merlin falou.
"Bom" Arthur assentiu. "Também gosto daqui."
"Qual é a sua comida preferida?" Merlin perguntou, curioso, e Arthur franziu o cenho.
"Não acho que tenha uma comida preferida."
"Mas qual você gosta mais? Você já me apresentou à comida mexicana, chinesa, francesa, japonesa... Deve ter alguma que você prefere."
"Eu prefiro alternar" Arthur insistiu e Merlin encarou-o. "Não tenho que escolher quando posso ter todas elas, não é mesmo?"
"Ok" Merlin desistiu. "Qual é sua cor favorita, então?"
"Qualquer uma" Arthur encolheu os ombros. "Menos amarelo mostarda e verde musgo."
Merlin rolou os olhos.
"Música?"
"Eu ouço um pouco de tudo" Arthur respondeu.
"Eu também ouço um pouco de tudo, mas gosto mais de pop rock, rock alternativo e indie" Merlin devolveu. "Você tem que escolher algo!"
"Não, eu não tenho" Arthur teimou. "Gosto de tudo!"
"Você sabe que em 'tudo' você inclui ópera e rap e..."
"Tudo bem, talvez não tudo, mas não tenho um estilo favorito. Não vejo qual é o sentido em escolher um."
"Jogos favoritos?" Merlin tentou novamente.
"Depende do meu humor."
"Arthur, estou tentando conhecer mais sobre as suas preferências, aqui!" Merlin exasperou-se.
"E de que maneira essas perguntas vão ajudar você com isso?"
Merlin abriu a boca para responder, mas tornou a fechar ao perceber o sorriso torto de Arthur.
"Você está fazendo isso só pra me provocar, não está?"
"Claro que não" Arthur negou, mas Merlin arqueou uma sobrancelha. "Talvez. Mas só porque você fica bonitinho quando está fazendo bico desse jeito."
"Não estou fazendo bico" Merlin falou, bicudo, e Arthur aproximou mais seus corpos.
"Próxima pergunta?" Arthur balançou as sobrancelhas, provocante.
Merlin teve que desviar os olhos para esconder um sorriso.
"Personagem favorito de Harry Potter?" Merlin perguntou.
"Uau!" Arthur recuou. "De onde você tira essas coisas?"
"Seus personagens favoritos dizem muito sobre você, sabia? Agora responda a pergunta."
"Hmmm..." Arthur olhou ao redor como se procurasse a resposta em uma das lâmpadas decorativas. "Harry, eu acho."
"Harry" Merlin repetiu, incrédulo, mas Arthur limitou-se a encolher os ombros. "Sério?"
"Qual é o seu personagem favorito?" Arthur devolveu.
"Draco Malfoy."
"O quê?" Arthur soou profundamente ofendido. "Por que alguém gostaria daquele garoto mimado e arrogante e–"
"Ei, relaxa, é zoeira!" Merlin rolou os olhos. "E ele não é simplesmente um garoto mimado e arrogante. Ele é bem mais complexo do que isso. Não que eu espere que você entenda, é claro, grifinório do jeito que é."
"Idiota" Arthur deu um peteleco na sua nuca. "Quem, então?"
"Hermione" Merlin respondeu prontamente.
Arthur tossiu algo muito parecido com 'nerd'.
"Ei, ela não é só inteligente, é decidida, leal..."
"Eu não disse nada" Arthur espalmou as mãos em frente ao peito.
"Ok, então por que Harry?" Merlin cutucou.
"Porque ele é o herói" Arthur falou como se constatasse o óbvio. "Porque ele teve uma infância de merda e nem por isso se deixou afetar nem culpou os tios pelo que passou. Porque ele é corajoso e leal. Porque ele abraçou o destino dele desde cedo e estava disposto a dar sua vida pelo bem maior. E eu e respeito isso. Teria feito o mesmo no lugar dele."
"Sei que você faria" Merlin declarou e era a mais pura verdade. Devia ter adivinhado que Arthur se identificaria com Harry. Merlin desconfiava que ele não tivera uma infância nada fácil com um pai como Uther, mas nem por isso deixara de se tornar uma boa pessoa.
"Ok, minha vez" Arthur voltou-se para Merlin, surpreendendo-o. "Qual é o seu tipo de leitura favorita?"
"Ficção" Merlin respondeu prontamente. "De preferência aqueles livros que misturam aventura, romance e mistério."
"Infanto-juvenil, sei..." Arthur encarou-o com superioridade.
"Falou o cara que tem uma coleção inteira de ficção infanto-juvenil!" Merlin devolveu.
"Que eu li quando era adolescente, como você!"
"Ora, você já devia ter mais de vinte anos quando o último livro de Harry Potter saiu!"
"O que ainda é quase dez anos atrás..."
"Ora, cale a boca" Merlin interrompeu-o. "Sim, eu gosto de ficção infanto-juvenil, e daí?"
"Tudo bem, você está no seu direito!" Arthur disse com seu melhor sorriso zombador.
"E quanto a você? O que você, em toda a sua maturidade, gosta de ler?"
"Um pouco de tudo, na verdade. Mas..." ele acrescentou antes que Merlin pudesse vocalizar seu protesto. "Meu tipo de leitura preferido é poesia."
Merlin soltou um riso incrédulo pelo nariz.
"É claro que sim" ele ironizou, porém Arthur limitou-se a encará-lo intensamente, aproximando a boca do ouvido de Merlin.
"Adoro poesia clássica" Arthur continuou, inabalado, e o sorriso de Merlin morreu lentamente. "Daquelas longas e intensas. Na verdade, mais do que ler, eu gosto de fazer poesia. Você gosta de fazer poesia, Merlin?"
Merlin engoliu em seco, evitando encará-lo.
"Ok, acho que estou pronto para a sobremesa agora" Merlin declarou e Arthur riu.
.M.
Assim que chegaram em casa, Arthur mandou que Merlin o esperasse em seu quarto.
"Com roupas ou sem roupas?" Merlin perguntou, já no meio do lance de escadas.
"Surpreenda-me" Arthur respondeu, esperando até ele desaparecer no andar de cima antes de entrar no escritório para pegar uma maleta preta de couro.
Arthur abriu-a sobre a escrivaninha e examinou seu conteúdo pelo que parecia ser a milésima vez, pensando se deveria. Talvez fosse mais sábio pegar apenas um ou dois itens mais seguros, começar aos poucos. Ou talvez devesse deixar que Merlin escolhesse os que preferisse...
Arthur suspirou e fechou a maleta, levando-a consigo. Encontrou Merlin deitado na cama já completamente nu e xingou, deixando a maleta na beirada da cama antes de se deitar sobre ele, beijando-o.
"O que aconteceu com a greve de sexo?" Arthur perguntou, deslizando a mão pela coxa de Merlin enquanto se apoiava no colchão com a outra.
"Você tem razão. Eu não tenho a mínima força de vontade" Merlin admitiu, puxando-o para outro beijo. "Agora que tal aquela poesia?"
"Bem, sobre isso..." Arthur levantou-se de cima dele, sentando-se nos próximos calcanhares e puxando a maleta. "Andei fazendo umas compras online..."
"O quê?" Merlin também se sentou na cama, seu pênis já semi-ereto parecendo maior agora, sem os pelos em sua virilha. "O que é isso?"
"Abra" Arthur incentivou-o, observando atentamente o rosto de Merlin conforme ele o fazia. Seus olhos se arregalaram imediatamente e ele cobriu a boca com a mão.
"Ah meu Deus!" Merlin exclamou e Arthur não soube dizer se ele estava empolgado ou horrorizado.
"O que achou?" Arthur pressionou, apreensivo, sem tirar os olhos de Merlin por um segundo sequer. "Não precisamos usar nada disso, se você não quiser."
"Não acredito que você andou comprando acessórios eróticos! Há quanto tempo você está escondendo isso?"
"Desde a semana passada" Arthur admitiu. "Eu planejava mostrar no último fim de semana, mas então você ficou doente..."
Merlin gemeu.
"Eu sabia que você tinha planejado muito mais que passeios e shows..." Merlin pegou uma das pulseiras de couro revestida de veludo preto, examinando-a. "Pra que serve isso?" ele apontou para o cinto enrolado no meio da maleta, curioso.
"É um cinto para a cama" Arthur tirou-o e desenrolou um pouco, mostrando as quatro pontas. "Para mãos e pés" ele pegou uma corrente. "Mas elas podem ser usada só como algemas, viu só? Os elos são ajustáveis também."
"Achei que você tinha dito que não gostava de algemas!" Merlin encarou-o, embasbacado.
"Bem, mudei de ideia" Arthur tentou parecer casual.
"E isso?" Merlin puxou outra corrente com dois grampos nas pontas.
"Prendedores de mamilo" Arthur observou quando os olhos de Merlin ameaçaram saltar das órbitas. "Olha" ele tomou o item das mãos de Merlin e enfiou-o de volta na maleta, fechando-a e fazendo com que Merlin o encarasse, ainda espantado. "Nós não precisamos usar tudo de uma vez. Podemos começar com um ou outro. Ou nenhum, se você preferir..."
"Você está de brincadeira, certo?" Merlin tirou a maleta da sua mão e tornou a abri-la. "Eu quero usar tudo! Podemos usar tudo?"
Arthur piscou, agradavelmente surpreso.
"É claro que podemos" ele garantiu e Merlin sorriu, pegando a venda e girando-a no próprio dedo.
"Isso é tão... Cinquenta tons–"
"Pare agora mesmo ou eu juro que você nunca vai ver essa caixa de novo."
"Já parei!" Merlin disse, falsamente inocente. "Devo colocar isso agora ou depois?"
Arthur tirou a venda da mão dele.
"Você vai se deitar e ficar bem quietinho enquanto eu arrumo isso."
"Sim, majestade" Merlin deitou-se na cama, seu membro se erguendo em atenção novamente.
Arthur retirou as pulseiras da caixa e começou pelos tornozelos de Merlin, checando para ver se não estavam muito apertadas.
"Assim está bom?" Arthur perguntou, apenas para se certificar.
"Está ótimo" Merlin garantiu, mexendo os pés para testar sua mobilidade. "É tão macio."
"Me dê uma mão" Arthur pediu e pôs-se a abotoar a terceira pulseira. "Se você achar que é demais é só dizer que eu tiro. A qualquer momento, entendeu?"
"Sim" Merlin assentiu com um sorriso carinhoso no rosto. "Não se preocupe."
Arthur fungou.
"Estou amarrando você na minha cama e você vem me falar para eu não me preocupar?"
"Sim" Merlin reforçou. "Porque eu estou tranquilo. Porque eu confio em você, Arthur."
Arthur desviou os olhos dos dele, terminando de afivelar a última pulseira e pegando o cinto. Ele prendeu de um dos lados, pulso e tornozelo, depois jogou-o por debaixo da cama até alcançá-lo outro lado, prendendo as outras duas pontas. Então se afastou para apreciar o resultado do seu trabalho. Merlin tinha os braços meio esticados, mas ainda lhe sobrava alguma mobilidade. Já as pernas estavam dobradas nos joelhos, as plantas dos pés sobre o colchão e entreaberta ao máximo.
"Você consegue mover seus pés?" Arthur perguntou e Merlin testou, tentando fechar as pernas, mas não conseguiu ir muito longe.
"Um pouco" Merlin concluiu, voltando a relaxar com as penas mais afastadas.
"Está desconfortável?"
"Nem um pouco. Mas eu digo se ficar."
"Ótimo" Arthur assentiu, então pegou a venda e engatinhou até ficar sobre ele, ainda completamente vestido. "Hora de colocar isso aqui" Arthur mostrou a venda antes de vesti-la na cabeça de Merlin, ajeitando-a sobre seus olhos. "Consegue ver alguma coisa?"
"Absolutamente nada" Merlin negou.
"Perfeito" Arthur beijou o queixo e o pescoço de Merlin. "Agora relaxe e aproveite."
Arthur beijou-lhe os lábios demoradamente, seus corpos mal se tocando, até que Merlin tentou se mover, aparentemente se esquecendo das restrições.
"Tudo bem?" Arthur perguntou, encarando seu rosto vendado em busca de algum sinal de desconforto.
"Hm hum" Merlin assentiu, a respiração acelerada.
Arthur tornou a beijá-lo até que Merlin soltasse pequenos sons de aprovação em meio ao beijo. Então Arthur dedicou algum tempo nos mamilos de Merlin, provocando-os até que ficassem enrijecidos, a pele ao redor avermelhada. Então Arthur alcançou os prendedores dentro da maleta e testou uma última vez no próprio dedo antes de se dar por satisfeito, prendendo um mamilo e dando um leve puxão, ao que Merlin soltou um som de surpresa.
"Como está?" Arthur perguntou depois de colocar o outro, puxando a corrente entre os prendedores e arrancando um gemido de Merlin.
"Não tenho certeza" Merlin admitiu, embora seu membro estivesse agora totalmente ereto.
"Quer que eu tire?" Arthur ofereceu, mas Merlin meneou a cabeça.
"Não. Continue."
Arthur pegou um travesseiro e mandou que Merlin levantasse o quadril, colocando-o por baixo. Ele tomou algum tempo alisando as pernas de Merlin, especialmente as coxas. Então abaixou-se entre elas e passou o rosto pela junção das pernas com as nádegas, aspirando seu cheiro e distribuindo beijos. Arthur tinha tomado o cuidado de se barbear antes de sair para jantar já com aquela intenção, de modo a não machucar Merlin. Arthur afastou-lhe as nádegas, lambendo entre elas.
"Ah!" Merlin exclamou, surpreso, os músculos das pernas se retraindo conforme ele tentava se mover e Arthur sorriu, satisfeito consigo mesmo.
Ele lambeu Merlin novamente, desde o ânus até os testículos, fazendo com que ele soltasse um palavrão.
"Estou gostando cada vez mais do meu trabalho com o barbeador" Arthur falou antes de lamber novamente. Ele tinha se oferecido para raspar os pelos de Merlin com seu barbeador, no dia anterior, e Merlin retribuíra o favor, apesar de não ter feito um trabalho tão minucioso quanto o de Arthur, principalmente na parte de trás. Arthur não tinha se importado com os pelos de Merlin antes, mas a ausência deles definitivamente tornava seu trabalho mais agradável.
Arthur fez círculos com a língua ao redor do anel de músculos antes de penetrá-lo com a ponta e Merlin gemeu, tentando se empurrar de encontro a ele. O gosto e o cheiro de Merlin ali eram diferentes de qualquer outra parte do seu corpo, mas não era desagradável e valia totalmente a pena ver Merlin se retorcer e murmurar de prazer sob suas ministrações. Arthur penetrou-o mais fundo com a língua, para dentro e para fora, alternando lambidas ao redor do seu ânus ao se retirar, deixando a saliva se acumular e escorrer para o travesseiro.
Arthur afastou o rosto e chupou dois dedos, enfiando-os em Merlin e voltando a lamber ao redor deles, conforme a pele se esticava para acomodá-los.
"Ah, Arthur...!" Merlin gemeu quando Arthur tocou sua próstata e ele ouviu o barulho das presilhas de metal conforme Merlin se contorcia. "Tão bom...!" ele ofegou. "Tão... bom!"
Arthur continuou estimulando-o, alternando lambidas em seu ânus, testículos e na base das suas coxas. Ele umedeceu outro dedo antes de inseri-lo e foi sua vez de amaldiçoar, ajeitando-se nas calças com a mão livre enquanto Merlin gemia e apertava seus dedos ao enterrar os calcanhares no chão e mover o quadril em direção à sua mão, empalando-se em seus dedos.
"Arthur, por favor..." Merlin gemeu, totalmente entregue e Arthur xingou em voz alta, retirando os dedos, engatinhando sobre ele e beijando-o. Merlin forçou os braços e os pés antes de desistir e tentar levantar o quadril de encontro a ele.
"Como está isso aqui?" Arthur deu um puxão nos prendedores e Merlin soltou um grito, seu membro se movendo e deixando um rastro de líquido perolado em seu abdômen.
"Está ótimo, na verdade" Merlin ofegou, umedecendo os lábios.
"Você não faz ideia do quão irresistível você fica assim, Merlin" Arthur falou contra a boca dele.
"Então por que você ainda está vestido?" Merlin choramingou, esfregando o joelho na calça jeans de Arthur.
"Vou corrigir isso num instante" Arthur deu um último selinho nele antes de se levantar, despindo-se sem tirar os olhos de Merlin, cujo peito subia e descia rapidamente, os lábios entreabertos e vermelhos. Arthur pegou o lubrificante na gaveta do criado e espalhou em si mesmo antes de voltar a se posicionar entre as pernas de Merlin, que murmurou uma aprovação ao sentir o movimento no colchão. Arthur guiou a si mesmo para dentro de Merlin lentamente.
"É isso que você quer?" Arthur provocou.
"Isso!" Merlin jogou a cabeça para trás, expondo a garganta, o pomo de adão subindo e descendo conforme ele engolia em seco.
Arthur aproveitou a vista enquanto mantinha um ritmo lento e constante. Merlin tinha os lábios inchados, a pele tornada ainda mais pálida em contraste com a venda, as maçãs do rosto coradas, os mamilos enrijecidos e escuros comparados ao metal dos grampos e da corrente que os prendia, o pênis cheio e avermelhado, balançando conforme Arthur investia contra ele, a umidade se acumulando na ponta.
"Mais, Arthur... Por favor... Mais rápido" Merlin pediu, a respiração acelerada.
"Está com pressa de ir a algum lugar, Merlin?" Arthur perguntou, mantendo o ritmo contido.
Merlin meneou a cabeça.
"Eu fiz uma pergunta, Merlin" Arthur insistiu.
"Não" Merlin respondeu. "Não estou com pressa."
"Nem eu" Arthur segurou as coxas de Merlin, aproximando os joelhos da base da coluna de Merlin, por baixo do travesseiro e voltou a se mover.
"Ah! Ah! Ah!" Merlin gemeu conforme Arthur atingia sua próstata repetidamente, murmurando sob a respiração, suas palavras abafadas pelo ruído das suas nádegas batendo nas coxas de Arthur.
Arthur mexeu com um dos grampos nos mamilos de Merlin e ele choramingou, implorando e se contorcendo. Arthur ignorou seus pedidos, alternando o ritmo, mais rápido, mais lento, mais rápido...
"Arthur... isso é tortura!" Merlin ofegou, forçando as amarras dos braços. "Você me tocou em todos os lugares... menos lá."
"Não vou tocar em você, Merlin."
"Por que não?" Merlin soou profundamente indignado, levantando o pescoço da cama como se o encarasse, e Arthur parou por um momento, xingando.
"Porque estou tentando fazer você gozar sem tocá-lo! Esse é o motivo!" Arthur explodiu, perdendo a paciência.
"Oh..." Merlin deixou a cabeça cair no colchão novamente, ofegante. "Arthur, eu não sei se consigo... Quero dizer, eu nunca..."
"Não tem problema" Arthur interrompeu-o. "Só quero tentar, tudo bem? Se não conseguir dessa vez, podemos tentar em outro momento. Só quero que você relaxe. Não estou com pressa. Você está?"
"Não, não estou" Merlin admitiu.
"Você está desconfortável? Quer que eu tire as pulseiras? Ou os prendedores?"
"Não, não de verdade" Merlin umedeceu os lábios. "Tudo bem, continue."
Arthur retirou-se por um momento apenas para adicionar mais lubrificante e voltou a penetrá-lo ajustando o ângulo até acertar a próstata dele novamente. Merlin voltou a gemer a cada investida, murmurando incoerências.
Por mais que tentasse parecer controlado, Arthur estava lutando contra o impulso de aumentar o ritmo até enchê-lo com seu sêmen, mas estava determinado a não gozar. Ele mexeu nos mamilos de Merlin sem nunca deixar de estocar, mudando a posição de tempos em tempos para não sobrecarregar os músculos das coxas e os joelhos. Ele disse palavras sujas, elogios, encorajamentos, xingamentos...
A pequena poça de líquido seminal abaixo do umbigo de Merlin crescia a cada instante e ele se remexia inquietamente, o suor brotando da sua pele e umedecendo sua franja. Ele mordia o lábio inferior com força, tentando conter os gemidos cada vez mais longos. Arthur já estava começando a ficar esperançoso quando Merlin levantou a cabeça.
"Arthur... não consigo mais..." ele admitiu, soluçando e Arthur congelou, apavorado. "Sinto muito... Não consigo... por favor..." ele mordeu o lábio inferior para suprimir outro soluço.
"Merlin!" Arthur repreendeu, debruçando sobre ele para retirar sua venda.
Merlin piscou lutando para abrir os olhos, mas Arthur podia ver a umidade se acumulando neles.
"Merlin..." Arthur gemeu, beijando-o. "Está tudo bem, baby. Vamos acabar logo com isso."
Arthur retirou os prendedores dos mamilos de Merlin e aproximou mais os joelhos, trazendo o quadril dele para cima das suas coxas e voltou a se mover, daquela vez alcançando o pênis de Merlin e estimulando-o, curvando-se para lamber um dos mamilos sensíveis.
Merlin gritou e xingou e estremeceu ao gozar, apertando Arthur quase dolorosamente. Arthur empurrou-se mais algumas vezes, sem deixar de estimulá-lo, até se derramar dentro dele com um grunhido, apoiando a cabeça no ombro de Merlin enquanto terminava de aproveitar seu orgasmo. Então retirou-se de dentro de Merlin, beijando seus mamilos num pedido de desculpas antes de encarar Merlin nos olhos novamente. Merlin tinha os olhos fechados, a respiração ainda alterada e um rastro brilhante onde uma lágrima correra. Arthur beijou-lhe o canto dos olhos, sentindo o sal em seus lábios. Ele tirou a franja molhada de Merlin da sua testa delicadamente.
"Ei" Arthur chamou suavemente. "Tudo bem?"
"Hm" veio a resposta, um murmúrio quase inaudível. Merlin levantou as sobrancelhas, como se tentasse abrir os olhos sem sucesso e Arthur beijou-lhe a testa antes de se ajoelhar na cama, retirando as presilhas das pulseiras e tornozeleiras de Merlin até que o cinto caísse no chão, libertando-o. Arthur pôs-se então a desafivelar as pulseiras, beijando e massageando um pulso de cada vez antes de passar para os tornozelos, dispensando o mesmo tratamento minucioso. Merlin se deixou manusear sem nenhum protesto, largando as mãos e braços na cama frouxamente. Arthur limpou-o com alguns lenços umedecidos, retirando o travesseiro debaixo dele e limpando também entre suas pernas, a mistura de lubrificante e sêmen.
Só então, Arthur deitou-se ao lado de Merlin, acariciando seu rosto suavemente com o polegar.
"...mhh..." Merlin murmurou, então limpou a garganta antes de tentar novamente. "Sinto muito."
"Se você se desculpar mais uma vez, vai dormir no sofá, entendeu?" Arthur falou em tom de aviso, puxando-o para seu peito. "Você devia ter me avisado antes. Não devia ter esperado tanto, se sabia que não ia conseguir."
"Mas eu queria conseguir..." Merlin choramingou e Arthur silenciou-o.
"Shhh... Tudo bem. Podemos tentar de novo outro dia. Quantas vezes forem necessárias, na verdade. Só me prometa que não vai deixar chegar nesse ponto novamente."
"Não vou deixar" Merlin segurou o pulso da mão que acariciava seu rosto e beijou-lhe a palma. "Eu prometo."
"Bom" Arthur assentiu. "Agora durma."
"Estou com sede..."
"Vou trazer água para você."
Arthur foi até a pia do banheiro e encheu um copo d'água, ajudando Merlin a se sentar para tomar. Depois arrumou o travesseiro para que ele se deitasse e acomodou-se ao seu lado novamente.
"Arthur?" Merlin chamou, aconchegando-se a ele.
"Sim, baby?"
"Foi a melhor poesia da minha vida" ele murmurou. "Épica."
Arthur riu, beijando-lhe a testa.
"Épica, de fato" Arthur concordou e pôs-se a niná-lo.
.Merlin.
¹ Cheap Thrills – Sia
² What do You Mean? - Justin Bieber
³ Hand to Myself – Selena Gomes
Aviso: um pouquinho de bondage, mas bem de leve.
