Capítulo 21 – Pulsação
Tradução: Mery Almeida
Sexta-feira, 26 de Dezembro
Ao invés de sonhar com Edward como eu normalmente fazia, eu sonhei com a véspera de Natal. Quase como se eu pudesse descobrir exatamente onde tudo deu errado se eu começasse a pensar nisso forte o suficiente. Minha mente era realmente muito talentosa quando se tratava de conjurar a imagem dos olhos de Edward se apagando com a dor, sua máscara chegando quando ele imperfeitamente me entregou o meu presente. Lágrimas não passaram por seus lábios virados para baixo, nenhuma faísca quando nossas mãos se tocaram. Era como se ele tivesse me deixado e apenas um espectro dele tivesse sido deixado para trás para me atormentar. Eu não podia suportar vê-lo dessa maneira, mas eu também não podia fazer de outra forma.
Assim como eu não conseguia abrir meus olhos, eu não conseguia reunir a energia para sair da minha cama. Eu não me sacudia, eu não me virava, eu não fazia muito além de apenas estar ali. Eu não chorava. Eu apenas... existia.
Quando meu estômago não agüentava mais, o despertador me disse que era 1:45 da tarde.
Sábado, 27 de Dezembro
"Bella, você precisa sair. Você não pode apenas sentar e esperar por ele." Alice de alguma forma descobriu sobre meu bloqueio auto-imposto. Passaram-se dois dias desde o Natal e eu ainda não ouvi nada sobre Edward. "Vamos Bella, vamos às compras comigo. Pense em todas as liquidações pós-Natal!"
Hoje eu estava muito melhor, apesar de tudo. Eu tinha me obrigado a sair da cama antes do meio-dia e a tomar banho e sair do meu pijama. Embora a verdade é que eu estava de moletom e uma camiseta de manga comprida, mas isso era uma passo na direção certa.
"Alice... eu não posso acreditar que estou dizendo isso, mas fazer comprar soa como uma boa idéia." Não houve sons provenientes do outro lado da linha e fiquei brevemente preocupada em ter causado um ataque do coração nela. "Alice?"
"Você... quer... ir às compras... comigo?" Parecia que ela estava em lágrimas e eu podia sentir o toque de um sorriso fazendo minha boca se contorcer.
"Sim, eu preciso de um vestido para o casamento de Ângela e tenho certeza que eu poderia usar o seu conselho." Eu tive que puxar o telefone longe da minha orelha com seu grito de prazer. "Você nem mesmo vai ter que utilizar um dos cupons que eu lhe dei no Natal. Este é voluntário. Guarde para quando eu tentar lutar contra".
Parte do meu presente para Alice foi uma caderneta de vales que variavam de 'viagem de compras grátis com Bella - sem perguntas', a 'viagem gratuita para o spa com Bella - sem fazer perguntas'. Pena que nem todas as minhas idéias de presente foram tão bem recebidas como aquele.
Alice até mesmo me deixou ir às compras com minhas calças de moletom, eu devia estar parecendo pior do que eu me sentia para ela me deixar fazer isso. Enquanto ela me passava vestido por vestido, eu tentei não pensar no fato de que eu provavelmente iria a esse casamento sozinha agora. E então eu gemi audivelmente quando me lembrei quem mais estaria lá.
"O quê? Você não gosta deste? É muito grande? Muito apertado? Que tal a cor? Eu posso ver se eles têm em outra cor?" É por isso que eu amo Alice. Eu poderia estar no meu leito de morte e eu acho que Alice ainda encontraria uma maneira de me fazer rir.
Pelo que pareceu a primeira vez em anos, eu dei uma risadinha. "Não, Alice. Eu só estava pensando sobre quem estaria no casamento." Ela me jogou um outro vestido - roxo e com babados. "Não estou realmente ansiosa para ver Jéssica e Lauren enquanto eu deveria estar de férias".
Do outro lado da porta do meu provedor eu ouvi Alice bufar... ruidosamente. "Eu sei o que você quer dizer. Mas hey, isso é por Ângela." Eu assenti e murmurei a minha concordância. "Além disso, vamos encontrar o vestido perfeito e elas serão intimidadas por sua magnificência, elas não saberão o que fazer com si mesmas".
Novamente, eu me surpreendi rindo. "Magnificência?"
"Cala a boca!" Eu tive que me desviar de uma massa voadora de babados cor de rosa. "Você quer a minha ajuda ou não?"
O passeio de compras havia sido uma distração divertida, mas que foi embora no minuto em que eu estava de volta ao meu apartamento vazio. Eu pendurei meu vestido novo no meu armário, fora da vista, longe do coração. Eu mantive os sapatos em sua caixa no fundo do armário. Alice tinha sido grande em não trazer Edward à tona o tempo todo e eu estava além de grata por sua incrível amizade. Foi bastante difícil sabendo que provavelmente ele falou com ela quando ele não pôde sequer se incomodar em me deixar saber que estava vivo.
Fiquei surpresa com o tiro de raiva que correu através de mim com esse pensamento. Eu não deveria estar zangada com ele, mas eu acho que estava. Eu sabia que eu tinha errado, mas eu não estava pedindo para ele voltar e fingir que tudo era perfeito quando não era. Eu só queria saber se ele estava vivo. Doeu pensar que eu não poderia sequer estar em seus pensamentos quando ele estava sempre tão presente nos meus. Talvez eu apenas estivesse com raiva de mim mesma por ter empurrado tão longe. Não, eu definitivamente estava com raiva de mim mesma.
As 9 horas eu decidi que era uma hora decente para começar a ficar pronta para dormir. Pijama vestido, debaixo das cobertas, luzes apagadas, eu me encontrei olhando para o CD que foi o meu presente de Natal. Ainda em sua embalagem, fechado, parado ali, zombando de mim, provocando-me como se soubesse de algo que não eu não sabia. Por que você me deu este CD? Como eu tinha feito desde o momento em que ele quase saiu correndo de meu apartamento, eu procurei saber mais sobre o que era esta ópera, este CD, esta gravação, esta performance, que o obrigou a dá-lo para mim.
Pensei em levantar-me, abri-lo e escutá-lo, mas algo me manteve na cama. Talvez eu estivesse com medo do que eu encontraria quando eu finalmente o ouvisse. Talvez eu só quisesse mantê-lo em seu estado fechado, esperando que, quando ele voltasse, nós poderíamos ouvi-lo. Isso é estranho? Eu ri sombriamente com meu otimismo interno.
Domingo, 28 de Dezembro
A mercearia estava felizmente deserta, eu acho que todo mundo ainda estava vivendo das sobras do jantar de Natal. Mesmo que eu soubesse que tinha enviado para a casa de Charlie comida suficiente para alimentá-lo pelo próximo mês, eu ainda queria cozinhar para ele. A normalidade da rotina me fazia bem e eu sabia que ele não reclamaria. Mas a quem eu estava enganando? Eu precisava sair do meu apartamento vazio, eu precisava fazer alguma coisa.
Eu tentei escrever, voltando ao que eu tinha começado na semana passada com as antigas histórias de Billy, mas eu não conseguia me concentrar. Eu continuava olhando para o meu telefone convencida de que eu tinha acabado de perder o momento em que ele ligou. Toda vez que eu ouvia um carro passando por perto eu pulava para olhar pela minha janela da frente esperando para vê-lo. Mas ele nunca ligou, ele nunca veio. A solidão era sufocante, o que era estranho considerando como eu costumava procurar pela solidão – ela costumava ser o meu santuário e agora era a minha prisão.
Espere, o meu telefone acabou de vibrar? Nope – alarme falso. Eu tive um monte disso hoje. Eu tinha ido pra lá e pra cá entre mudar meu telefone para vibrar o mais alto que ele podia tocar, tentando descobrir qual seria o melhor para que eu não perdesse o seu telefonema. Obviamente, quando eu estava longe do meu telefone, como quando eu tinha que usar o banheiro, o toque era mudado para o volume alto o tempo todo. Mas eu tinha decidido em última instância por manter o celular para vibrar e no meu bolso, então não havia nenhuma maneira que eu poderia possivelmente perdê-la.
Eu tentei não pensar em como esperando por ele assim me fez lembrar dos dias que passei me escondendo em La Push – esperando até que eu pensava que era seguro voltar para casa. Eu tentei não pensar sobre as noites que eu me esconderia no meu quarto, a porta trancada, esperando pelo humor de minha mãe se normalizar. Eu tentei não pensar sobre o que aconteceu com minha mãe quando eu esperei um pouco demais para verificá-la. Mas isso é o que a espera fazia comigo – me fazia lembrar.
Não adiantou, também, quando eu parei na minha antiga casa e as memórias tornaram difícil ver o que estava realmente na minha frente. Eu não poderia dizer o que estava borrando mais minha visão, a neve caindo ou as lágrimas que eu estava tentando desesperadamente segurar. Eu não queria que Charlie me visse assim, então eu negligentemente tentei apagar a dor dos meus olhos enquanto eu remexia desajeitadamente com os sacos de supermercado. Se ele perguntar, diga apenas que você tem neve em seus olhos. Até agora, eu era uma profissional em parecer normal na frente dele, mas isso não mudava o fato de que isso me fazia sentir culpada de manter as coisas longe dele.
Assim que eu pisei fora da minha picape, uma rajada de vento me deu um tapa no meu rosto e isso foi tudo que eu precisava para empurrar meus pensamentos de lado e ser apenas Bella para Charlie. Com certeza ele estava me esperando com a porta aberta e um sorriso no rosto. Eu posso fazer isso, eu posso ser sua Bella. Eu queria que Edward estivesse aqui.
A rotina, a familiaridade eram o que me pegava completamente. Nós falamos sobre quão maravilhosa a família Cullen era por nos hospedar em um Natal maravilhoso. Ele agradeceu-me novamente pelo livro de receitas que eu tinha feito para ele. Eu teria comprado um para ele, mas logo me ocorreu que ele não entenderia e jamais o usaria. Então eu fiz o meu próprio com todas as suas receitas favoritas e pilhas de fotos do que deve ser uma xícara de farinha comparada com uma xícara de leite. Eu sabia que uma xícara molhada versus uma xícara seca seria jogá-lo em parafuso.
Mas todo lugar que eu olhava, memórias mantinham-se covardemente voando pra cima de mim. Eu estava hiper consciente do fato de que em todos esses anos Charlie não tinha mudado nada. Os móveis eram os mesmos, a cor das paredes, os talheres, as fotos nas paredes, e eu não consegui parar os arrepios que corriam para cima e para baixo na minha espinha. Eu queria que Edward estivesse aqui. Eu sentia frio e eu ansiava por seu calor. E então Charlie perguntou sobre ele, como um bom pai faria.
"Então, eu acho que Edward não pôde sair do trabalho para se juntar a nós?" Foi uma pergunta inocente, e em circunstâncias normais eu estaria extremamente feliz que Charlie realmente queria que Edward viesse para o jantar. Em vez disso, eu senti o sangue escorrer do meu rosto, meu peito apertar e meu estômago caindo no chão.
"Sim, e eu acho que as férias estão deixando as coisas um pouco difíceis para ele." Não era exatamente uma mentira, mas não era exatamente a verdade. Será que isso conta?
"Sim, eu posso imaginar. Eu não posso acreditar que eu quase esqueci disso. "Charlie balançou a cabeça tristemente, "Ele é um bom homem, Bells".
Enquanto Charlie ficou alheio a minha reação, eu tinha me agarrado no balcão para não cair. Eu tinha quase esquecido o fato de que Charlie teve de fazer um extenso check-up sobre a experiência de Edward quando ele se candidatou para o cargo e, portanto, Charlie sabia tudo o que aconteceu com seus pais e possivelmente mais do que eu sabia. A coisa louca é que, de alguma forma, sabendo o que Charlie sabia sobre Edward, ele ainda o tinha em alta conta.
Sim, Edward era um bom homem. Sim, ele foi gentil em me matar agora, mas não foi culpa dele. Nada disso mudava o fato de que ele estava sofrendo, e eu também. Mas o mais importante, isso não mudava o fato de que eu o amava.
Segunda-feira, 29 de Dezembro
Grrr. Onde está essa coisa? Eu não tinha muitas posses e havia poucos esconderijos neste pequeno apartamento estúpido. Levantei-me do meu lugar, ajoelhando ao lado da cama, olhando para baixo. Eu soprei os fios errantes de cabelo longe do meu rosto e saí como um furacão em direção à minha sala de estar.
Eu olhei furiosamente a neve pesada, algo que a maioria das pessoas consideraria bonita agora. Eu segurava minha mão sobre o lugar onde repousava o meu telefone no meu bolso, a ponto de desistir e ligar para ele, mas puxei minha mão em um punho em vez disso. Não, não é o seu lugar ligar para ele. Você empurrou-o longe e agora você precisa lidar com as conseqüências Fechei meus olhos, resignada, e continuei a minha procura pelo meu velho álbum de fotos.
As lembranças da minha mãe eram amargas e tinham me assombrado nos meus sonhos a noite passada. Eu queria encontrar lembranças felizes para equilibrar as ruínas, mas eu não conseguia encontrar o meu álbum de fotos. Eu só precisava ver alguma coisa para lembrar que não foi de todo ruim. Eu precisava ser lembrada de toda a diversão que tivemos juntos. Eu precisava nos ver como uma família, sorrindo. Eu precisava apenas de algo para aliviar a dor, só um pouquinho.
Terça-feira, 30 de Dezembro
Eu deixei o telefone na mesa da cozinha e me afastei. Eu só verifiquei-o uma vez hoje e aquela seria a única vez. Também era seguro dizer que ele não viria comigo amanhã ao casamento de Ângela e eu estava bem com isso. Mas eu tinha acabado com a espera. O telefone foi recolocado em sua configuração padrão, e se ele ligasse, que ligasse. Mas eu estava determinada a voltar para algum tipo de normalidade na minha própria casa.
Então eu me encontrei olhando para o CD novamente, ainda embrulhado, ainda um mistério. O que mais eu vou fazer? Eu me enrolei no meu sofá, laptop sobre a mesa de café e decidi abrir o presente de Edward para mim. Não foi até que eu abri a caixa do CD que eu percebi que eram na verdade vários CDs e não apenas um. Eu abri as notas do programa, lendo sobre a história da orquestra e todas as realizações do diretor e, em seguida, sobre Wolfgang Amadeus Mozart, a maioria das quais eu já sabia. A parte emocionante foi a leitura sobre a ópera, a trama, os personagens e sobre o que eram as músicas.
Eu ainda não conseguia decifrar nada espetacular que lançasse uma luz sobre sua importância, então eu decidi ouvir a ópera – toda ela. Eu carreguei-a no meu ipod, configurei os alto-falantes, fiz-me uma tigela de pipoca e procurei um web site decente sobre os detalhes das diferentes cenas da ópera para que eu pudesse seguir adiante.
Meus olhos fecharam por conta própria com os acordes da abertura e eu respirei profundamente absorta no brilhantismo que era Mozart. Mas meus olhos abriram em surpresa quando a música de repente deu uma guinada brincalhona, primeiramente nos instrumentos de cordas, em seguida, nos instrumentos de sopro. Mas ainda assim o tom subjacente de perigo era impossível de perder. Enquanto eu tinha lido a sinopse e eu tinha uma compreensão básica do que iria acontecer, o meu nível de interesse parecia aumentar com cada barra da música.
A próxima coisa que eu sabia, Papageno e Pamina estavam cantando uma ode ao amor e eu tinha lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Gah, e em seguida Tamino e Pamina se viram pela primeira vez... e seu amor é ameaçado e eu achei que era difícil de respirar. Havia tanto amor e saudade em cada nota, cada frase, e eu nunca tinha sido tão afetada por uma ópera antes. Mas então, novamente, eu não poderia ter certeza de quanto do meu próprio drama eu estava projetando no que eu estava ouvindo. O tema de dois amantes que se esforçam para se conectar bateu um pouco perto de casa. Poderia ter sido esse o propósito dele em me dar este CD?
Eu sei que deveria estar com raiva de Edward, e até certo ponto eu estava. Mas eu não podia realmente deixar-me zangada com ele. Quando ele finalmente falasse comigo novamente, eu não podia ter certeza de como reagiria. Eu acho que na maior parte dependeria de quando ele finalmente me procurasse. Mas por quanto tempo ele poderá ficar afastado? Eu pensei que realmente tinha alguma coisa lá por um tempo. Eu pensei que poderia mesmo ter sido amada por ele, eu sei que era e ainda é amor do meu lado disso.
Eu tinha que saber se isso seria sempre assim. Será que eu sempre teria que pisar em ovos ao seu redor? Eu teria que verificar com Alice cada vez que eu quisesse surpreendê-lo ou dar-lhe alguma coisa? E quando, porque eu sei que iria, quando eu cometesse um outro erro, nós sempre passaríamos uma semana ou mais sem conversar antes que ele pudesse olhar para mim de novo? Eu realmente poderia viver assim?
Enquanto eu pensava sobre isso, sentia a dor e o medo correndo através de mim, a insegurança, a resposta a essa pergunta foi um pouco surpreendente. Por Edward, sim, eu viveria toda a vida assim.
Eu estou tão condenada.
Quarta-feira, 31 de Dezembro - Dia do Casamento
Pela primeira vez desde o meu pesadelo, exatamente uma semana atrás, eu sonhei com Edward. Eu nem mesmo sei se isso se qualificava como um sonho sobre Edward – nada aconteceu. Pelo que pude lembrar, estávamos apenas parados lado a lado, seu braço em volta de mim e era esse o sentimento que ficou comigo quando eu acordei. Eu estava feliz, loucamente feliz. Não me lembro onde estávamos, o que estávamos vestindo, nada, apenas que naquele momento eu sentia como se nada pudesse me puxar para baixo. Deus, eu queria sentir isso novamente.
Mas, primeiro, ele tem que falar comigo novamente. E assim, com um suspiro pesado, eu rolei para fora da cama e fiz um rápido café-da-manhã. Hoje seria um longo dia e, enquanto eu poderia olhar para a frente em um ponto quando eu pensei que Edward estaria comigo, agora eu temia isso. Minha única motivação neste momento era Ângela e a oportunidade de vê-la no que seria um dos melhores dias de sua vida. Então eu retirei o vestido que eu tinha escolhido, os sapatos que ainda estavam em sua caixa e pulei para o chuveiro.
Vendo que estava nevando novamente lá fora, optei por manter o meu cabelo para baixo e simples, sabendo que qualquer coisa que eu fizesse nele seria em vão tão logo eu pisasse do lado de fora. Era ruim o suficiente que eu estava com um vestido curto e sem alças em dezembro. Mas eu gostei desse vestido e era apropriado para a ocasião. Assim como Alice arremessou-o para mim sobre a porta do provador eu sabia que era perfeito. Eu apreciava particularmente a cor, lembrando-me de uma rica e profunda safira. Eu puxei meu cardigã cor creme que Alice tinha me dado no Natal, coloquei minhas botas e agarrei os meus sapatos – não há nenhuma maneira de eu andar através da neve em saltos
Eu estava tentando encontrar minhas chaves na minha bolsa quando ouvi o som claro de um pigarro. Não, não podia ser
Surpreendida fora da minha mente, eu olhei para cima e lá estava ele. Seu cabelo bronze desarrumado estava escuro, sobrecarregado para baixo com neve, seus olhos verdes evitando os meus, desviando o olhar, sua postura defensiva, cautelosa enquanto ele permanecia ali. E então eu notei que ele estava vestindo um longo casaco cinza escuro, com um terno preto com camisa preta por baixo. Alguém poderia ter pensado que ele estava vestido para um funeral até que você notasse a gravata azul escura de seda que praticamente combinava com o meu vestido. Alice.
Havia muita coisa acontecendo na minha cabeça e eu não poderia perceber o sentido de nada disso. Fiquei aliviada de finalmente vê-lo, eu estava admirada como quão incrível ele parecia, eu ainda estava ferida pela sua ausência, havia também raiva e confusão, mas, principalmente, eu estava apenas muito feliz em vê-lo novamente. Tomei uma respiração e pela primeira vez em uma semana, senti isso. Eu nunca fui alguém de guardar rancor e Jacob tinha muitas vezes me acusado de ser muito legal, muito complacente e eu suponho que é o por que eu não tenho o coração para gritar com Edward exatamente agora. Eu só queria senti-lo.
Ele finalmente olhou para mim e a exaustão escrita em todo o seu rosto me fez ofegar. Ele não disse nada - apenas me encarou. As emoções que atravessam seus olhos cansados eram tão difíceis de apanhar como as minhas enquanto ele me olhava. Estremeci ao pensar sobre o quão pouco ele dormiu na semana passada e isso apenas fez tudo mais real. Ele foi embora da minha vida por uma semana inteira... mas ele está de volta agora. Agora que ele estava aqui, no meu apartamento, eu podia realmente acreditar que nós poderíamos consertar isso, poderíamos passar por isto - nós tínhamos que... eu tinha que fazer isso.
"O que você está fazendo aqui, Edward?" Eu tinha que saber, eu tinha que ouvi-lo dizer isso. Por tudo que eu sabia, isso poderia ser um outro sonho.
Seus olhos se afastaram de mim, ao mesmo tempo puxando meu coração. "Eu pensei... eu disse a você que seria seu encontro para o casamento de Ângela".
Eu chupei uma respiração afiada, atordoada, como se ele tivesse me dado um soco no estômago. Eu não queria isso, eu não o queria a não ser que ele me quisesse também. "Edward, eu não quero você aqui por algum senso de obrigação." Fiquei maravilhada com o tom baixo da minha voz, mesmo que internamente eu era como uma massa de nós e voltas e mais voltas. "Eu não quero fazer com que você faça algo que não quer fazer." E então foi a minha vez de olhar para longe porque eu sabia que não podia vê-lo se afastar de mim novamente.
Ouvi-o suspirar e esperei pelo som da porta fechando atrás de mim. "Bella, eu... eu sinto muito, mas eu não estou aqui por obrigação. Eu gostaria muito se você pudesse me acompanhar ao casamento de Ângela. Mas se você não puder, ou não quiser, eu entenderei completamente depois do jeito que eu me comportei. Deixo para você decidir".
Minha cabeça subiu e meu coração acelerou com a esperança cautelosa que eu vi nos olhos dele. Eu não tinha palavras e minha mente estava em branco. Mas o que quer que ela tenha visto em meus olhos foi o suficiente para incentivá-lo a estender seu braço para mim, como um cavalheiro. E eu tomei-o, como uma dama. Ele até me ajudou a colocar meu casaco de inverno, segurando-o para mim enquanto eu empurrei um braço pela manga de cada vez, olhando para ele sobre meu ombro, apenas desfrutando de sua proximidade. E mesmo com as mangas compridas, eu silenciosamente me alegrei quando percebi que as faíscas estavam de volta enquanto ele segurava minha mão ajudando-me a entrar no jipe de Emmett.
"Eu espero que você não se importe, mas era ou isso, ou a minha viatura." Ele sorriu levemente em sua própria piada, mas o sorriso não chegou aos seus olhos.
Conforme o tempo passava e chegávamos mais e mais perto da igreja, a enormidade da semana passada tornava-se cada vez mais difícil de ignorar. Eu percebi que eu estava aterrorizada que isso fosse temporário, que após isso ele me diria que estava acabado, que durante toda a semana ele foi percebendo o erro que foi se envolver comigo e que ele estava fazendo isso por cortesia - nada mais. Talvez por isso quando o meu corpo inteiro estava praticamente gritando para eu dizer alguma coisa, dizer qualquer coisa, eu não disse. Nem mesmo o rádio foi ligado enquanto dirigíamos em silêncio.
E então ele estava estacionando o jipe e era a hora de sair. Vendo que o caminho estava relativamente limpo, tirei minhas botas e deslizei nos sapatos que Alice insistiu que eram necessários usar com este vestido. No momento que olhei para cima, Edward estava segurando a porta aberta para mim olhando meus pés com uma expressão curiosa. Eu apenas dei de ombros. Naturalmente, eu acabei escorregando tanto que Edward teve que praticamente me carregar para dentro. Ok, talvez depois da primeira vez que ele me pegou, eu parei de prestar atenção onde eu estava pisando com a chance de poder sentir seus braços em volta de mim novamente.
Uma vez que havíamos pendurado nossos casacos, não demorou muito para encontrar Alice e o resto dos nossos amigos. Quando Alice nos encontrou, no entanto, eu pude ver o brilho em seus olhos. Jasper sorriu conscientemente e Rosalie e Emmett nem sequer perceberam a nossa chegada até que foram forçados a se afastar para acomodar a nossa presença. Então, e só então, Emmett olhou para cima e levantou uma sobrancelha incrédula para Edward antes de piscar para mim. Alice mal teve tempo para me elogiar em minha roupa antes da cerimônia começar e o silêncio voltou.
Meu braço permaneceu em torno de Edward, mas eu era muito medrosa para estender minha mão nas suas. Senti que aquilo era muito íntimo e porque eu não sabia exatamente onde estávamos, eu não queria arriscar. Por agora, isto teria que ser suficiente. Enquanto o seu olhar ficou no que estava acontecendo à nossa frente, encontrei-me constantemente olhando em volta, vendo quem estava aqui, assistindo a cerimônia e observando Edward. Mas seu rosto não traía nada, sua máscara firmemente no lugar. Senti meu peito apertar quando lembrei o meu sonho, percebendo que a felicidade que eu sonhava me iludiu, mesmo agora com Edward exatamente ao meu lado.
Mas nada poderia parar o meu sorriso enquanto eu observava a minha amiga dizer o 'eu aceito' dela para o, agora, seu marido. A felicidade deles quando se viraram para nós como marido e mulher era ofuscante a ponto de cegar. E como eu faria quando o sol finalmente brilhasse através da cobertura de nuvens pesadas, eu fechei meus olhos e sorri para isto. Só que desta vez, não me senti completamente quente. Em vez disso, eu senti uma lágrima deslizar pelo meu rosto e implorei silenciosamente que Edward não notasse. Mas então eu senti seu dedo no meu rosto limpando-a, e isso levou tudo que eu tinha segurado para uma nova rodada de lágrimas que não tinham nada a ver com o casamento. Inconscientemente, eu me encontrei inclinando em seu toque, desejando o momento quando o sentimento de suas mãos em mim não fosse tão amargo.
Durante a recepção, as coisas ficaram piores. Parecia que os olhos de todos estavam sobre mim enquanto quando Edward e eu caminhávamos para a nossa mesa. Graças a Deus por Alice.
"Hey pessoal! Não foi uma cerimônia linda? Simples e elegante?" Eu ri com o olhar sonhador em seu rosto e então ela ficou séria. "Mas não tão grande o suficiente. Jazz, feche seus ouvidos." Eu não sabia o que me chocou mais, seu pedido, ou o fato de que ele realmente segurou suas mãos sobre os ouvidos e começou a cantarolar. "Meu casamento vai ter flores por toda parte, lírios, orquídeas, rosas, tudo branco, e não será em uma igreja - ele simplesmente não caberia em uma igreja".
Eu tive que morder minha língua quando Alice passou os próximos cinco minutos falando sobre seu casamento perfeito, e nenhuma só vez Jasper pareceu impaciente ou perturbado com o fato de que ele estava no meio de uma festa de casamento segurando suas orelhas e cantarolando para si mesmo. Eventualmente Edward teve pena dele e os dois partiram para pegar bebidas para nós. Tão logo eles estavam fora da distância de audição, Alice deu um suspiro e parou no meio da frase.
"Cara, eu pensei que eles nunca sairiam!" Eu sentei-me ereta na minha cadeira com surpresa. "Então, vocês dois conversaram? Eu vou assumir isso já que vocês estão aqui juntos".
Eu tive de sacudir a minha cabeça, "Bem, não exatamente." Os lábios dela viraram para baixo em uma careta e eu suspirei. "Eu estava guardando essa parte para mais tarde".
"Bella," Sim, ela não estava feliz sobre isso. "Vocês precisam conversar. Está tudo bem dizer a ele como você se sentiu, não se deixe acreditar que os seus sentimentos são enos importantes que os dele".
Senti a picada de lágrimas mais uma vez, suas palavras cortando através de mim. "Eu só... e se é isso? E se ele está aqui apenas como cortesia? Eu não quero fazê-lo tão miserável que ele possa me dizer que ele não quer me ver mais." Senti tudo o que eu estive engarrafando crescer na minha garganta, tornando difícil respirar, quanto mais falar.
A pequena mão de Alice agarrou a minha e eu me agarrei a ela como uma tábua de salvação. "Bella, isso é o que eu estou falando. Você precisa falar com ele. Você não tem idéia do que está acontecendo na cabeça dele e ele não tem idéia do que passa pela sua também. Você não pode continuar evitando isto porque você está com medo." Sua mão apertou a minha mais uma vez antes dela se afastar sentando ereta em sua cadeira.
Olhei para cima e, com certeza, Jasper e Edward estavam de volta com nossas bebidas. Tomei algumas respirações para me acalmar, sorrindo apreciativamente para eles enquanto eles tomavam seus assentos. E então toda a atenção foi desviada para a frente do salão quando os novos Sr. e Sra. Ângela e Ben Cheney foram anunciados. Todos ficamos em pé aplaudindo o novo casal e eu me encontrei novamente olhando pela lista de convidados. Mas eu tive que desviar rapidamente assim que percebi Lauren Mallory dando-me um olhar que Medusa teria inveja. Eu queria fugir, mas não havia jeito de escapar sem ser notada, por isso fiquei no meu lugar, apenas tremendo ligeiramente em meus calcanhares.
A comida não era tão ruim quanto eu esperava que fosse com tudo o que as pessoas gostavam de reclamar sobre comida de casamento. Ângela e Ben tomaram o salão em sua primeira dança como marido e mulher, e o estrogênio bombeando através da sala era palpável. Mas novamente contra o meu melhor julgamento, eu me encontrei olhando para a mesa de Lauren de tempos em tempos, vendo-a inclinar-se e sussurrar algo para Jéssica, às vezes até apontando descaradamente em minha direção. Não foi até que outros casais começaram a se mover na pista de dança que elas estavam, provavelmente, fofocando sobre o fato de que eu estava aqui com Edward.
Como se ele soubesse que eu estava pensando nele, ele falou meu nome. "Bella, você gostaria de dançar comigo?" Minha cabeça girou na velocidade de um tiro de tão rápida, eu estava quase na expectativa de receber chicotadas com a movimentação brusca. E lá estava ele em pé, inclinando-se, sua mão estendida para mim, parecendo um cavalheiro de uma época perdida.
Pena que eu era uma dama muito desta época. "Hum... eu não sei se isso é uma boa idéia. Eu não posso exatamente... você sabe... dançar".
Ele riu um pouco e pela primeira vez em uma semana, eu vi um brilho de seu sorriso verdadeiro. Não estava todo lá, mas foi quase e que me fez sorrir de volta. "Não é tão difícil quando você tem o parceiro certo." Quando eu não reagi além de morder meu lábio, sua mão estendeu para pegar a minha. "Vamos lá, eu não vou deixar você cair".
Eu não sei se era só eu, ou se ele também estava ciente de todas as diferentes maneiras que suas palavras poderiam ser interpretadas. Mas uma vez que sua mão nua estava tocando a minha, a escolha havia sido feita. Eu não podia dizer não e mesmo se isso acabasse mal, eu não poderia ignorar a oportunidade de estar em seus braços e tão perto dele. Então, relutantemente em silêncio, eu levantei e ele nos guiou até a pista de dança.
Lentamente, cautelosamente, ele se moveu para colocar a minha mão esquerda em seu ombro, sua mão direita envolvendo em torno da minha cintura, sua mão esquerda nunca deixando a minha direita. E então estávamos nos movendo, dançando, e eu não percebia nada além do fato de que eu estava em seus braços. Seu calor, seu cheiro, seu conforto eram tudo ao meu redor. A eletricidade voltou e, pela primeira vez em uma semana, eu me sentia viva - talvez não completamente, mas viva.
Enquanto ele continuou a nos conduzir ao redor da pista de dança, as outras pessoas começaram a evaporar e eu me encontrei inclinando-me cada vez mais para perto. De alguma forma, agora que eu me sentia viva, eu também me sentia mais forte. Agora que eu estava no conforto e na segurança do seu abraço, eu poderia enfrentar o medo e eu não queria ficar em silêncio por mais tempo.
De forma imprudente, eu deitei minha cabeça contra seu peito largo. "Eu senti sua falta".
Ele levou nossas mãos conectadas para descansar em seu peito, exatamente sobre o seu coração enquanto seu queixo descansou no topo da minha cabeça. "Eu senti sua falta também".
E isso foi quando eu senti meu coração bater novamente. Eu nem sequer percebi como eu tinha sentido falta dessa sensação até agora. O sangue estagnado em minhas veias começou a se mover novamente, pulsando com vida, fazendo-me completa de novo. Ele sentiu minha falta. E pela primeira vez, eu pude ouvir a música que nós estávamos dançando porque ele estava cantarolando junto com as palavras.
Embrace me, my sweet embraceable you
Embrace me, you irreplaceable you
Just one look at you, my heart grew tipsy in me
You and you alone bring out the gypsy in me
I love all the many charms about you
Above all, I want my arms about you
Don't be a naughty baby
Come to mama, come to mama do
My sweet embraceable you
I love all the many charms about you
Above all, I want my arms about you
Don't be a naughty baby
Come to mama, come to mama do
My sweet embraceable you
Abrace-me, meu doce abraçável
Abraça-me, você é insubstituível
Apenas um olhar para você e meu coração cresceu alto em mim
Você e somente você traz pra fora o cigano que há em mim
Eu amo todos os muitos encantos sobre você
Acima de tudo, eu quero meus braços sobre você
Não seja uma garota malcriada
Venha para a mamãe, venha para a mamãe fazer
Meu doce abraçável você
Eu amo todos os muito encantos sobre você
Acima de tudo, eu quero meus braços sobre você
Não seja uma garota malcriada
Venha para a mamãe, venha para a mamãe fazer
Meu doce abraçável você
(Embraceable You, de Judy Garland)
(N.T.: Revirei o youtube tentando achar a versão da música de Judy Garland, mas parece ser MUITO antiga, mas achei a versão do "The Nat King Cole Trio" [ http:/ www . youtube . com/ watch?v=vkF3WVN5ao8 ] e do Frank Sinatra [ http:/ www . youtube . com/ watch?v=vkF3WVN5ao8 ], ambas são incríveis, se estiver curioso, está aí o link! Lembre-se de retirar os espaços!)
O tenor suave de sua voz me envolvia, remendando os buracos que surgiram na sua ausência. Meu coração recentemente encontrado saltava a cada vez que ele cantarolava a palavra 'amor'. Enquanto a música se dissipava e outra tomava o seu lugar, eu me senti forte o suficiente para falar novamente.
"Edward, você não pode fazer isso comigo de novo." Senti seus braços apertarem em volta de mim quando eu confessei o meu medo e a dor no meu peito. "Você não precisa explicar nada agora, eu só... eu só preciso que você saiba que eu me importo com você e que eu me preocupo".
"Bella, eu sinto muito, muito, mas..." Eu balancei minha cabeça, cortando-lhe a palavra.
"Não, está tudo bem. O que estou tentando dizer é... se isso acontecer de novo, onde você precisar ficar sozinho, apenas... uma mensagem de texto dizendo que você está vivo seria legal." Eu aconcheguei meu rosto contra o sentimento real do seu corpo contra o meu. "Eu entendo que há coisas com as quais você precisa lidar e eu estou bem com isso. Eu prometo".
"Bella," mesmo que sua voz fosse apenas um sussurro, havia tanta emoção gravada em seu tom áspero; dor, remorso, confusão e alguma outra coisa. "Eu não mereço você".
Eu podia imaginar seu rosto contorcido de dor e, mesmo que eu não pudesse vê-lo, me machucava só de pensar nisso. "Não importa o que você acha que fez e não merece. Eu estou aqui e eu não vou embora." Eu te amo, eu silenciosamente adicionei em minha mente.
E então estávamos abraçando um ao outro; meus braços em volta do seu pescoço, suas mãos nas minhas costas e pescoço, os dedos enterrados nos meus cabelos, e eu soube... eu soube que poderíamos fazer isso funcionar.
N.T.: Será que vou cair no choro a cada capítulo desta história? Acho que sim!
Espero que você tenha gostado do capítulo o tanto quanto eu adorei traduzir.
Então, deixe sua review e diga o que achou! XX, Mery.
