Capítulo Vinte.

"A saudade é um sentimento egoísta".

Rolei na cama me sentindo bastante confortável no meu colchão macio, mas incompleta. Ouvi as gargalhadas de Andrew na sala e provavelmente James e Victória estavam com ele. Agarrei meu travesseiro desejando que fosse Edward. Passamos duas semanas incríveis juntos e toda vez que venho embora, sinto que meu coração ficou lá, com ele. Percebo que fico ansiosa, esmagada e um pouco agitada para que os dias passem mais rápido e consiga, finalmente, estar de volta nos braços dele. Passamos uma semana incrível viajando. Foi uma conexão ou (re) conexão bastante intensa. Andy dormia muito durante a noite, chegando a acordar tarde no dia seguinte, de tanto que nós brincávamos com ele durante o dia. Ele adorou nadar na piscina, toda hora chorava apontando para água e cheguei a pensar que meu bebê viraria peixe.

Foi uma das viradas de ano mais incríveis da minha vida e por isso eu estava realmente satisfeita com tudo que vivemos juntos. E principalmente por estarmos noivos. E eu ainda relutei muito em permitir nosso relacionamento. E ter a aliança dele me trouxe uma segurança e confiança muito grande. O livro está prestes a ser publicado, mas eu já tenho seguidores e diversos blogueiros interessados na minha história. Alice, não sei como, conseguiu que fizéssemos um book trailer e eu fui a protagonista, mesmo que só aparecesse meu cabelo e algumas partes do meu corpo, mas era a minha letra no meu diário e o nome do livro ficou com a pergunta,para a qual a resposta ainda não tenho: "Para Quem Estou Vivendo?".

Edward amou o título e o vídeo. Eu sabia que ele estava se contorcendo para ler e prometi que assim que tivesse um exemplar físico em mãos, ele seria o primeiro a ler. Isso aconteceria no período que fôssemos viajar para casa de campo dos Cullen. Nós decidimos fazer o primeiro aniversário do Andrew em Forks, no quintal da casa de Esme ou do meu pai, porém, o Vovô Cullen está doente demais para viajar e ele queria estar presente no primeiro aniversário do seu bisneto. E com essa situação, o tema dele foi alterado e teríamos uma festinha na fazenda.

Eu estava me virando nos trinta com todas as provas e trabalho para ficar ausente da faculdade por dias a mais que o combinado. Meu tempo muito maior fora de casa estava afetando Andy mais do que eu gostaria, afinal de contas, é ele quem está sofrendo com a minha ausência. Ele tem andando com febre, amuado e fazendo pirraça não só com sua babá, mas com Victória também. Ele ficou uma noite com Alice enquanto estudava e foi um show de horror. Eu não sabia que ele poderia ser tão irritante.

Olhei para minha aliança reluzente e tão perfeita e sorri. Levantei da cama lembrando da reação da Rosalie ao me ver com a aliança da mãe dela e óbvio que elas começaram a planejar um casamento. Precisei dar um stop nos planos porque nós não vamos casar nos próximos três anos, infelizmente. Não daria para morarmos juntos, mas eu sei que se Edward quiser casar amanhã, ele casaria, porém, eu quero estar noiva agora e não esposa. Eu quero curtir mais isso, esse momento pré-casamento.

Andrew soltou uma gargalhada feliz quando me viu e esticou os bracinhos mesmo de pé. Ele estava quase andando. Edward queria que a primeira vez dele fosse filmada e então eu estava andando com o celular carregado o tempo todo caso Andy desse seus primeiros passinhos ainda longe do pai. Peguei-o no colo e beijei seu rosto, sentando ao lado de Victória no sofá. James levantou do chão e veio com uma bandeja cheia de coisas, então, minha amiga e eu começamos nosso café da manhã antes de tirarem o dia para sair com Jane e Félix. Eu realmente sinto muita falta de Lauren e Ben, mas eles estão tão felizes vivendo juntos e criando Connor que realmente era um quadro bonito de uma família. Eu me sentia honrada de ter meus amigos animados e românticos.

Passei o sábado totalmente de preguiça na cama. Edward estava trabalhando e isso tornava tudo ainda mais chato, ainda mais quando precisava estudar e terminar três trabalhos. Andy exigiu minha atenção em alguns momentos e eu fiz questão de tirar a soneca da tarde com ele porque ainda não existia nada mais gostoso que ficar completamente agarradinha com ele. Suspirei e olhei mais uma vez para minha aliança… Como a vida é realmente louca.

A noite, Victória e James jantaram comigo e depois foram para "balada". Eu não tinha ideia qual boate eles tentariam entrar, mas por mais que fosse muito tentador cometer esse tipo de loucura, eu não quero ser pega quando tenho um bebê me esperando em casa. Não posso me arriscar vivendo aventuras alucinantes e provavelmente muito legais para minha idade, que me faria contar histórias incríveis para os meus netos - isso é um luxo do qual eu abri mão quando decidi ter meu bebê. Existe uma diferença muito grande entre ter um filho e criar um filho. Eu preciso cuidar do meu bem estar duas vezes mais porque ele depende exclusivamente de mim.

E hoje, mais do que nunca, entendo o coração e o desespero da minha mãe. Ela abriu mão de tudo por mim. Teve dois empregos, estudou à noite, dividiu um pequeno lugar com uma mulher esquisita, morou com minha avó por um longo tempo até conseguir ter uma carreira. Eu entendo seu sentimento de frustração porque eu decepcionei o futuro que ela desenhou pra mim, provavelmente, da mesma forma que eu faço com Andrew. Eu espero que ele estude, se torne um bom homem como o pai dele. Todas as noites que passo acordada estudando eu desejo que ele tenha um futuro maravilhoso, mas até que ponto as atitudes dele me fariam cortar relações?

Me sinto confusa. Sei que a decepcionei, mas tudo que eu mais precisava era ela. Quem foi egoísta? Eu ou minha mãe?

- Mamain. - Andrew me chamou e desviei minha atenção do meu exercício sobre Hamlet. - Mamain! Ah papa! - apontou para meu celular vibrando bem na frente dele e que aparecia a foto do Edward.

Sorri e agarrei o celular, pegando Andy e dando um beijo. Ele ama esse "papa".

- Oi amor… - suspirei porque meu coração estava apertado de saudades.

- Ei, estou saindo do hospital agora. - disse baixo e percebi que algo estava errado. - Rosalie está aqui e vai dormir lá em casa. Emmett está em uma grande cirurgia aqui no hospital e ela quis vir com ele… É um paciente delicado.

- Ah… Entendo. O que houve?

- Não me sinto bem desde cedo. Algo está errado… É como se minha habitual disposição física estivesse em falha.

- Sério?

Edward normalmente é ativo ao ponto de parecer que foi ligado na tomada.

- Vou chegar em casa e deitar. Liguei para ouvir a sua voz agora… Me sinto tão estranho, tudo que eu queria agora era deitar e sentir você.

Edward também nunca expressava tão abertamente sua necessidade por mim. Eu sei que está lá, que ela existe, que ele me ama e sente saudades, mas nesse tempo todo longe do outro entendemos que ficar repetindo isso o tempo todo só piora as coisas. Nós focamos em conversar coisas boas.

Esperei que ele chegasse em casa, tomasse banho e comesse. Enquanto isso conversei com Rosalie e fofocamos sobre a vida de algumas pessoas conhecidas, eu reclamei que Alice está cada dia mais viciada no trabalho e simplesmente não se desliga dele, chegando a ser irritante porque não podemos ter uma conversa de dez minutos sem que ela pare de prestar atenção e comece a digitar loucamente no celular. Isso quando não levanta e me deixa falando sozinha. Jasper é muito paciente, mas até ele está se sentindo estranho com isso.

Conversei com Edward até que ele dormiu. No meio da madrugada, Rosalie me informou que ele estava queimando em febre. Fiquei tensa e preocupada por todo dia seguinte, desejando poder largar tudo para cuidar dele. Ser dele, mas tudo que fiz foi ouvir a aventura bêbada dos meus dois melhores amigos e também cuidei do meu bebê. Enquanto eles se divertiam e eram jovens, eu me sentia dez anos mais velha do que realmente sou, segurando um bebê gordinho, uma mamadeira de leite morno, sentada na cadeira da cozinha querendo cuidar do meu noivo.

Não me sinto infeliz, me sinto fora de órbita. Edward me faz feliz. A viagem foi a prova de que nós podemos ser jovens. O hotel oferecia um serviço de babá, que por mais aflito e preocupante que fosse deixar meu filho com uma pessoa desconhecida, eu amei muito ter saído para dançar com meu noivo. Eu não sabia que ele podia dançar tão bem e ser tão divertido pela madrugada. Nós jantamos, bebemos e dançamos por toda noite. Chegamos de manhã no hotel exaustos e cientes que teríamos um pequeno ligado em uma bateria de caminhão para cuidar, mas valeu a pena.

E foi na hora do jantar que realmente abri um sorriso. Não só porque Edward parou de vomitar e estava conseguindo falar algumas coisas, mas porque percebi que não trocaria absolutamente nada da minha vida para cometer loucuras. Bem… Em parte. Vai dizer que não é louco ser mãe antes dos vinte anos, noivar menos de um ano de relacionamento, abandonar sua pequena cidade para viver na cidade grande, escrever um livro e criar uma criança? Eu não posso mesmo dizer que a minha vida não tem aventuras porque estaria sendo muito injusta.

Alguns dias depois, Andrew e eu finalmente embarcamos em direção a Jacksonville. Eu precisava apresentar meu filho a minha avó. Ela apenas o via por fotos e estava me cobrando muito para conhecê-lo pessoalmente. Sem querer ou querendo, ela informou que Renée estava fora da cidade para o trabalho. Desembarquei tranquilamente e por conhecer bem a cidade, segui direto para meu hotel, me instalando. Liguei para Tara e algumas outras colegas. Saímos todas para almoçar e fofocamos por uma tarde inteira. Edward estava de cama ainda, sem conseguir ir trabalhar. Sua infecção estomacal estava grave e eu sabia que isso era resultado da sua negligência consigo mesmo, mas ele estava bem.

Depois que me tornei mãe, aprendi que certas lições a vida dá sozinha. E eu não iria me intrometer nisso. Ele precisa aprender a cuidar de si mesmo ou nós teríamos um problema.

Na manhã seguinte, arrumei Andrew como um rapazinho. Ele estava querendo andar fazia dias, mas algo ainda o impedia. Ele ficava de pé, olhando para seu objetivo e então sentava. Edward queria que eu o chamasse, mas toda vez que fazia isso, ele vinha até a mim engatinhando com um sorriso me dizendo "agora eu não quero andar". Depois de algumas tentativas, decidi que era hora de pegar o táxi para visita. Chegamos na casa de repouso que fiquei acolhida por uns dias sem demora e sem problemas na entrada. Com a minha mochila cheia de coisas necessárias para ele passar o dia e presentes para minha avó, abri a porta sendo recebida por muitos sorrisos doces e alegres de finalmente conhecer meu filho.

Andrew sorriu e jogou charme para todas as enfermeiras ao meu redor e então, fez-se um silêncio na sala. Virei na direção que todos olhavam e me deparei com a minha mãe, parada no meiu da sala, com os olhos arregalados, focados em mim como se ela não me visse há dez anos ao invés de quase dois. Renée realmente parecia envelhecida e infeliz. E ela estava sem aliança. Seu olhar caiu sobre meu filho e seu rosto se torceu, rompendo no mais desesperador e profundo choro que eu nunca vi igual. Minha boca se abriu em choque quando a mesma desmoronou na minha frente. Eu não sabia o que fazer.

Minha vontade era de sair correndo pela porta mais próxima, segurando Andrew e ligando para Edward. Eu não estou pronta. Isso era uma verdade. Eu não queria me sentir penalizada ou culpada pelo seu choro, muito menos curiosa e abalada com a sua aparência. Eu não queria me importar ou realmente saber da vida dela, porque foi ela quem fez questão de me tirar da sua vida. Mas o motivo que me fez permanecer parada, mesmo quando minha avó me envolveu em seus braços, enquanto uma enfermeira acalmava minha mãe foi porque eu a amo e me importo. Ela é a minha mãe. E as profundezas das minhas mágoas são tão profundas que me fizeram entender que não estou pronta para enfrentar isso.

Eu queria correr e meus pés estavam presos. Andrew deitou a cabecinha no meu ombro e fechou os olhos. Eu queria poder deitar a cabeça nos ombros da minha mãe e fechar os olhos.

- Vem querida… Vamos ter privacidade no meu quarto. - Vovó sussurrou e assenti, seguindo-a e olhando uma última vez para Renée. - Ela chegou de surpresa, não consegui avisar. Sei que você não quer vê-la. Mesmo que ache que é um desperdício de vida uma mãe não fazer parte da vida da sua filha, mas isso não cabe a mim resolver, somente a ela.

- Entendo… - sussurrei com a garganta seca e entramos em seu quarto espaçoso. - Vó, esse é o meu filho. Minha razão de viver… Andrew Charles Swan, seu primeiro bisneto.

Andrew ficou olhando por um longo tempo para minha avó, provavelmente hipnotizado com os grandes olhos azuis. Ela sempre foi muito bonita, mesmo com os cabelos grisalhos. Nunca estava fora da moda ou usando roupas sem graças de senhoras de idade. Minha avó era a minha mãe anos mais velha… As duas eram lindas e realmente chamativas. Meu filho sorriu e esticou os bracinhos, querendo ir ao encontro dela. Os dois passearam pelo quarto e olhei para a porta: Renée passaria por ela?

- Ela não virá. - Vovó disse simplesmente. - Relaxe, criança.

Relaxei meu corpo sentando em uma poltrona confortável no canto. Deixei minha mochila no chão e percebi que consegui respirar melhor.

- Phil saiu de casa. - Vovó comentou casualmente e balancei a cabeça. Meu estômago doía. - Sua mãe passou por uma fase difícil desde que você se foi.

- É mesmo?

- Ela percebeu a besteira que fez… - murmurou sem tirar os olhos de Andrew. - E isso afetou o casamento deles. E em todo caso, depois de um tempo, ela descobriu que ele estava tendo um caso com a secretária… Ele saiu de casa para ter um bebê. Deve ter o mesmo tempo que nosso menino aqui.

- Jura? Ele odiava crianças.

Não consegui esconder a minha surpresa. O pânico dele em me pressionar para escolher meu futuro e a criança agora fazia todo sentido.

- Bem, até descobrir que se tornaria pai, eu acredito. Eu acho que ele estava apavorado com você grávida e a outra mulher também e deve ter descontado em você e principalmente, na sua mãe, tudo que estava acontecendo. Renée entendeu errado. Ela juntou suas próprias frustrações e o choque da sua gravidez com toda pressão de Phil…

- Ela me pediu para escolher, vó.

- Ela colocou em você todos os sonhos dela…

- Eu sei…

- Eu sei que você sabe…

Vovó não falou mais sobre a minha mãe, mas ela perguntou tudo sobre a minha vida, meu pai, Sue, a família Cullen, meu noivado com Edward, minha faculdade, meu trabalho e até mesmo se estou precisando de dinheiro, mas fiquei muito feliz em negar. Edward está ganhando bem no hospital, ainda recebe sua ajuda de custo para estudos científicos e eu estou ganhando bem da Editora, ganhando produtos através do blog do livro e conseguido sobreviver e guardando dinheiro. Eu mal posso esperar para começar as vendas do meu livro e finalmente descansar tranquila.

Passeamos por toda casa, ela apresentou seu bisneto para todas as amigas, almoçamos e lanchamos juntas. Pouco antes da hora do jantar, voltei para o hotel, peguei minhas malas porque estava na hora de ir embora. Cheguei ao aeroporto sem problemas. Andrew estava dormindo, então, complicou carregar as coisas, mas um rapaz me ajudou no embarque e eu o agradeci com um sorriso e uma piscadinha.

Não consegui fechar os olhos para descansar durante o meu curto vôo. Minha cabeça estava zunindo… E assim que pousamos, meu celular apitou mostrando a diferença de horário. Andrew abriu os olhos e eu vi que não iria dormir mesmo. Novamente consegui ajuda com minha mala e sai empurrando meu carrinho, com ele sentado dentro dele, me olhando e rindo, adorando o passeio. Alguém estaria aqui me esperando, mas de todas as pessoas, não imaginava ser Edward em pé, no meio do saguão, de casaco de capuz e as mãos enfiadas no bolso. Ele parecia abatido e magro. Meu coração se apertou.

Andrew soltou um grito, que fez com que Edward me visse e sorriu. Ah meu Deus, ele parece tão doente!

Ele pegou Andy e encheu de beijo, apertou muito, cheirou e meu filho parecia tão contente em ver o pai, que gritava de alegria, chutando as pernas, puxando o cabelo de Edward e rindo. Mordi os lábios.

- Por que a mamãe está tímida e ainda não veio dar um beijo no papai? - Edward perguntou a Andrew e foi o suficiente para me fazer chorar por tudo que estava pressionando a minha cabeça. - Ei, baby. O que foi?

Edward me abraçou apertado e depois beijou cada pedacinho do meu rosto, parecendo tão preocupado, mas ele tinha a pior aparência possível. Balancei a cabeça e segurei seu rosto, beijando-o com muita saudade. Não falamos nada. Andy parecia agitado demais para nos deixar conversar. Seguimos para casa, ele pediu uma pizza, comemos com Andrew praticamente colocando a sala abaixo. Rosalie estava na rua com Emmett, mas eles ainda dormiriam aqui essa noite e amanhã seguiríamos todos juntos para fazenda, que era bem longe de Seattle.

- Vou fazê-lo dormir, ok? - Edward disse depois que terminamos o banho dele.

Aproveitei para tomar meu banho mais demorado, precisava lavar meu cabelo e depilar minhas partes de menina. Não me preocupei com o tempo, precisava organizar a minha mente. Não podia ser só uma indisposição estomacal. Edward está pálido, esquisito. Eu não quero que ele fique doente. Ou que seja grave. Também não quero pensar na minha mãe e na loucura que a vida dela se tornou.

Quando saí do banheiro, Edward estava deitado na cama com a televisão ligada. Ele desligou e sorriu pra mim. A porta que dava do corredor para sala estava fechada. E a porta que dava para o quarto de Andy, encostada. Subi na cama e sentei no colo dele, envolvendo meus braços no seu pescoço. Por baixo do meu roupão não havia um fio de roupa.

- Estou preocupada. - sussurrei olhando em seus olhos. - Você mentiu pra mim.

- Ocultei. - disse baixinho, beijando meu queixo. - Não é realmente tão preocupante.

- Claro que é… Me conta.

- Estou anêmico… Fui negligente com minha alimentação, principalmente que já tenho um histórico de anemia, pressão baixa, acabou que comi muita besteira, meu estômago rejeitou e foi aí que começou tudo… Estou tomando vitaminas, comendo melhor. Juro. A pizza agora à noite foi uma extravagância, mas Rosalie me filmou almoçando só para você acreditar em mim.

- Você precisa se cuidar… - murmurei me aconchegando em seus braços. - Temos um bebê para criar, mais bebês para fazer no futuro… Casar… Tanta coisa que sem você, o que vou fazer? Arrumar outro cara, sabe? - provoquei brincando e ele rosnou, me mordendo no ombro. Acabei soltando um gemido que caiu nos ouvidos dele de outra forma. - Eu acredito em você, mas se cuida, ok? Eu preciso de você.

- Eu preciso de você para ficar melhor. Me sinto carente. Meu pau não aguenta mais a minha mão…

- Você tem se masturbado? - perguntei chocada. Edward riu.

- Claro que sim, mas não é a mesma coisa. - respondeu e voltou a me beijar.

- Na cama ou no banho?

- Geralmente no banho, suja bem menos…

- Eu quero ver você se masturbando no chuveiro!

A imagem deve ser incrível!

- Querida, eu quero foder você agora.

Sorri e deixei que ele me empurrasse deitada na cama. Fizemos amor contendo um pouco as nossas necessidades, além de termos visitas dormindo no quarto ao lado, Andrew poderia acordar se nos empolgássemos muito. Dormi colada nele, literalmente agarradinha, eu queria sentir seu cheiro o tempo todo. Acordamos muito cedo e logo arrumamos nossas coisas para pegar a estrada. Rosalie achava que Edward estava melhor, porque fazia tempos que não o via comer bem pela manhã. Ele comeu uma salada de frutas, duas torradas com geleia, ovos e um copo gigante de suco.

- Papai! - Andy engatinhou até as pernas de Edward e ganhou mais uma colher do seu mingau. Ele andava tão agitado que nós precisávamos deixar que ele corresse atrás da comida. Satisfeito, voltou a rolar pelo chão da sala. Depois voltou de novo. - Papai!

E ele ainda não me chama de mamãe perfeitamente. Só quando quer. E eu acho que ele faz de propósito. Sou mamã o tempo todo, mas Edward é quem ganha a palavra completa e perfeita.

Rosalie acariciou a barriga de forma distraída e não percebeu o olhar de pura devoção que ganhou de Emmett e então me dei conta que era exatamente assim que Edward olhava pra mim. Isso só me deu motivos para amá-lo ainda mais. Me inclinei na minha cadeira e dei um beijo na sua bochecha. Ele riu sem entender nada.

Pouco mais de uma hora depois, entramos em nossos carros e partimos em direção à fazenda. Para ter três dias de folga, Edward não via a luz do dia fora do hospital há semanas e por isso fiz questão que essa viagem fosse a melhor possível. Andrew fez alguns shows no banco de trás, jogou seus brinquedos, rasgou folhas, comeu muito biscoito e toda hora pedia água. Paramos para tirar fotos, depois para ir ao banheiro e depois para trocar a fralda da criança inquieta que só dormiu algumas horas depois que eu não aguentava mais distraí-lo.

- Você anda alimentando-o com uma bateria de caminhão? - Edward perguntou apertando meu joelho levemente, mas seus olhos estavam na estrada a nossa frente. Graças a Deus não estava chovendo.

- Um ano de idade… Eu não sei o que esperar mais dessa criança. - murmurei bocejando.

- Descanse um pouco, baby.

- Não. Estou bem.

Demoramos mais duas horas para chegar e quando finalmente estacionamos, já era hora do jantar. Carlisle e Esme estavam nos esperando, assim como todo restante da família de Edward que eu ainda não conhecia pessoalmente.

- Oh querida, venha. Vamos acomodá-lo no quarto e depois você conhecerá a todos. - Vovó Cullen me puxou delicadamente e mostrou um quarto prontinho para nossa chegada. Coloquei Andy no meio da cama, cercado por travesseiros e depois montaria o berço portátil dele.

Nós duas andamos pelos quartos enquanto ela me dava um pequeno tour pelo segundo andar e então descemos por uma escada estreita que dava diretamente para cozinha. A mansão era antiga. Histórica. E eu me perguntei há quanto tempo a família de Edward morava aqui. Eram muitos hectares para dar conta e eu imagino a quantidade de funcionários que Vovó Cullen devia ter. Sei que eles passaram por um momento ruim quando Carlisle era adolescente, devido a história que Edward me contou sobre os pais deles, mas… Hoje parecia estar tudo muito bem.

Chegamos na cozinha aonde toda família se encontrava. Abracei os primos de Edward que já conhecia, a tia dele e seu marido. Dei um beijo no Vovô e então, fui apresentada a um casal Carmen e Eleazar, que eram sobrinhos do Vovô Cullen. E então, tinha uma garota de mais ou menos a minha idade, loira, pendurada nos braços do meu noivo. Edward soube, no instante que olhei para as mãos dela no corpo dele, que eu não tinha gostado nenhum pouco. E foda-se a minha vida. Eu me senti no lugar da Tanya quando nos conhecemos, naquele fatídico café da manhã. Minha vida passou a girar nos meus olhos e cheguei a ficar tonta.

- Bella, essa é a minha sobrinha neta… Irina Cullen. - Vovô disse e eu forcei um sorriso.

Edward a soltou e parou ao meu lado, segurando minha mão. Quem me conhecia no recinto sabia que aquele meu sorriso era o mais falso de todos, mas a garota fez um beicinho e depois piscou pra mim. Irina tinha olhos de anjo, mas eu sentia que ela era o verdadeiro diabo.

- Estou muito feliz que todos estão aqui, principalmente o Edward, ele nunca mais voltou… Mesmo que tenha sido para o aniversário do seu enteado. - disse em um tom de voz doce.

Rosalie, que nunca foi das mais pacientes, logo mostrou que sua priminha não era a sua pessoa favorita.

- Filho. - Edward corrigiu. - É aniversário de um ano do meu filho.

- Não gaste seu latim, maninho. - Rosalie disse acariciando a barriga com um sorriso terno. - Irina nunca foi das mais espertas. Sempre uma menininha.

- Ah Rosie… - a garota murmurou percebendo o tom.

Esme coçou a garganta, disfarçando com uma tosse.

- Não vejo nenhuma menina. - disse depois de um tempinho em silêncio. - E ela parece bem esperta. - completei e aí sim eu poderia dizer que o momento foi "alerta climão".

O pai de Irina estava dando diversos alerta no olhar, mas a garota fingia que não estava vendo. Edward segurou minha mão e pediu licença, dizendo que desceríamos para o jantar. Meu humor que já não estava muito bom desde o encontro com a minha mãe, despencou diversos andares de uma vez só. Não falei nada enquanto abria minha mala no maior silêncio para não acordar Andrew. Tirei uma cueca limpa, calça jeans e camiseta confortável para Edward e ele entrou no chuveiro. Pensei em esperar seu banho, mas depois de trinta segundos sentindo que minha cabeça iria explodir, tirei a minha roupa e entrei no banheiro.

- Pensei que você nunca fosse vir, bicudinha. - murmurou me abraçando e eu amei o conforto dos seus braços.

- Eu odiei conhecer sua prima. - resmunguei e ele riu alto. Fez eco no banheiro. Bati no peito dele.

- Ninguém gosta dela. Sempre fui mais paciente porque era uma menina mimada, gordinha e verdadeiramente irritante, mas todos os nossos primos implicavam com ela. Eu era o mais velho e tentava manter a paz, mas isso faz anos. A última vez que a vi foi em algum aniversário e não lembro… Faz tempo.

- Então por que ela ficou te segurando?

- Não faço ideia, mas ela é uma criança. Tem quinze anos, Bella. E antes que você abra a boca para falar alguma besteira, pensa bem. - disse rindo e eu revirei os olhos.

- Não vou falar nenhuma besteira. E ela que pense bem antes de colocar as mãos em você novamente. - murmurei concentrada na boca gostosa dele.

- Minha mulher muito ciumenta… - disse me beijando de forma deliciosa. - Mas não precisa se preocupar com absolutamente nada.

E eu sabia que não. Foi bobo. Eu ainda ficaria de olho em Irina, mas não estava preocupada quando a Edward. Ele tem amigas na faculdade, facebook, no hospital e em outros lugares. Conheço a maioria, tenho no meu facebook, troco mensagens com algumas e inclusive ele queria fazer um jantar com seus amigos. Edward sai com eles - digo homem e mulher - para assistir a um jogo ou comer algo. Realmente não ligo. Ele nunca me deu motivos para ter ciúme, mesmo com a forma que o nosso relacionamento começou.

Depois de um banho bem íntimo, no qual nós quase acabamos com toda água quente do nosso lado da casa, descemos com um Andy banhado, com muita energia. Sorte a nossa que tinha adulto demais querendo estar com ele. Mas todos perderam atenção quando meu pai chegou com Sue. Charlie podia ganhar a medalha de melhor pai e melhor avô. Não havia nada que ele não fizesse por mim ou por Andrew. Eu quero que meu filho cresça aprendendo muito com ele e sorte a minha dele ter ainda a vida toda pela frente.

A cozinheira da Vovó Cullen era maravilhosa e fez uma quantidade de comida exorbitante. Durante o jantar, a conversa estava engraçada e leve. Alice e Jasper não viriam, porque meu amigo não tinha como viajar nesse época do ano e Alice estava, bem, sendo Alice. Ela nunca vai na esquina sem Jasper. Irina ficava o tempo todo me olhando, depois para Edward e por fim para o meu filho. Minha paciência estava quase no fim porque toda vez que Andy gritava no colo de Edward ou jogava algum pedaço de comida na direção de alguém, ela reclamava. Eu queria muito que meu filho acertasse uma batata no meio da testa dela. Como queria.

- Irina. - Carmen disse quando ela reclamou de novo. - Quando você era um pouco maior que ele, por volta dos quatro anos, era tão terrível quanto. Ele é um bebê e está querendo chamar atenção porque todos estão conversando e ninguém está bajulando. Isso é normal. Bebês querem ser bajulados.

- Ah, esse aqui então… - murmurei olhando para meu filho que abriu um sorriso safado muito gostoso. - Igual ao pai. Precisa ser bajulado.

- Hey! - Edward reclamou. - Meu filho é galante. Ele gosta disso.

- Edward era uma criança tímida. - Vovó Cullen disse. - Vivia quieto brincando, ou apartando brigas dos seus primos ou lendo. Ele sempre limpava o machucado dos menores e segurava a mão deles toda vez que Carlisle iria fazer algum curativo. Eu lembro que enquanto Rosalie tinha uma fascinação por descobrir o corpo humano, Edward queria fazer a dor do mundo passar.

- Ele ainda é assim. - sorri admirada por conhecer bem meu noivo.

- Não sou tímido.

- Não é mais tão tímido, mas ainda quer fazer a dor do mundo passar. Ele se preocupa e se entrega a cada paciente. Eu tenho muito orgulho dele ser tão dedicado.

Irina bufou e revirou os olhos e eu decidi que a partir daquele momento, ela estava deliberadamente ignorada. E foi assim pelos dias seguintes. Gastei meu tempo passeando com Rosalie. Nós conhecemos o pomar, o celeiro, os funcionários, todos os animais e nos deliciamos cozinhando com Esme, Vovó, Sue e Carmen. Preparamos uma deliciosa festinha com o tema dos animais, bem a luz do dia. Edward parecia melhor. A avó dele estava empenhada em dar todos os remédios caseiros que ela sabia e também o alimentava de três em três horas. Todas as refeições eram deliciosas.

No dia do aniversário de Andrew, dia 20 de janeiro, a fazenda ficou lotada. Fiquei grata e surpresa que meus amigos vieram. Convidei, mas não estava esperando devido à distância. Victória e James chegaram não só com Jane e Félix, mas com Lauren e Ben e o Connor, que já estava bem grandinho.

A festinha foi perfeita. Todas as pessoas que mais amo reunidas comemorando o primeiro aniversário do meu bebê. Ele deu seus primeiros passinhos em direção a Edward e eu chorei enquanto filmava. Meu pai me abraçou e disse que sou boba, mas tudo que meu filho faz é mais importante que tudo. Quando estou com eles, com a minha família, me sinto completa, inteira e feliz.

Edward me abraçou apertado depois que assopramos a vela do bolo junto com Edward, mas antes de ser cortado, Rosalie já tinha roubado minha criança para tirar fotos com ela e Emmett.

- Obrigado. - sussurrou no meu ouvido e olhei para o seu rosto.

- Pelo o quê?

- Por me dar essa experiência incrível.

- Eu tenho um presente para você. - sussurrei de volta e ele pareceu confuso.

Arrastei-o da multidão de pessoas e levei para o nosso quarto. Eu queria fazer isso mais tarde, mas agora parecia um bom momento. Peguei o envelope na minha bolsa e o entreguei.

- Eu posso esperar para ser uma Cullen. - disse enquanto ele abria. - Mas eu não posso ser egoísta e privar vocês dois disso. Basta assinar, papai.

- Você está me deixando registrar Andrew? - sussurrou com os olhos transbordando de lágrimas. - Porra, Bella. - disse baixinho e pulei no seu colo. - Eu te amo, quero casar com você amanhã.

- Primeiro assine isso e depois vamos organizar uma grande festa, seu bobo. Vai ser meu único casamento, ele tem que ser incrível. - respondi e ele riu, concordando.

"Em todas as coisas na minha vida, tudo que tenho certeza é que não importa para onde vou e o que vou fazer amanhã, depois, ou o que não vou fazer. O que importa mesmo é ser grata É amar. Gratidão e amor são os maiores, melhores e mais puros e sinceros sentimentos que podemos nutrir no coração. Eu ainda não sei quem eu sou, o que vou ser, mas sei que está bom assim porque um dia vou descobrir".