Capítulo 20
"Então, você nunca me contou... O que aconteceu?"
Isabella olhou para cima, inconscientemente, enquanto Ângela entrava no escritório e caia na cadeira na frente da sua mesa. "O que aconteceu com o quê?"
"O que aconteceu com o quê?" Ângela repetiu secamente. "Quando eu deixei minha casa na segunda à tarde, vocês estavam se preparando para passar a noite. Quando eu voltei do trabalho na Terça de manhã, a casa estava mais limpa do que eu deixei, havia um grande buquê de rosas sobre a mesa com um cartão que dizia 'Obrigado!', e vocês não estavam em lugar nenhum. Você podia ter me deixado um bilhete contando o que aconteceu, sabe?"
"Desculpe", Isabella murmurou. Benjamin havia lhe dito que Maggie mencionou a bagunça que Edward disse que tudo estava quando ele deixou a casa de Ângela. Aparentemente, ela contou tudo a Eleazar, e ele imediatamente fez uma ligação para cuidar disso. Parece que, quem quer que ele tenha mandado para a casa de Ângela para cuidar do assunto, fez um bom trabalho com a limpeza. Isabella não estava surpresa: seu tio não aceitaria nada menos. No entanto, as flores a surpreenderam, pois ninguém falou nada sobre isso a ela.
"Desculpe", ela repetiu. "Eu devia ter pensado em deixar um bilhete."
"Sim, devia", Ângela disse com uma risada. "Especialmente já que você não apareceu para o trabalho ontem à noite e sua mãe ligou para dizer que você estava doente. A curiosidade andou me matando esses dois dias." Ela botou pra fora um fôlego exasperado. "Então? Me conte.
Acredito que você e sua mãe tenham acertado tudo? Isso significa então que ela aceitou o Edward?"
"Sim, ela aceitou", Isabella murmurou com um pequeno sorriso. Todo mundo aceitou Edward. Depois de passar o dia fazendo amor e cochilando, os dois acordaram à tarde para encontrar a cama dela cercada com seus primos e Maggie.
"Ainda na cama?" Benjamin perguntou, divertido, enquanto Isabella piscava pra eles.
"Estou tão feliz por vocês terem descansado pelo menos um pouco hoje. Eu temia que você fosse matar o Edward de cansaço enquanto nós dormíamos."
"Tentavam dormir?" Edward perguntou, reprimindo um bocejo enquanto
saia da posição de conchinha na qual eles estavam dormindo e ficou de costas no lençol.
"Sim, bem, isso foi difícil", Benjamin os informou. "Eu ficava ouvindo gritos e gemidos vindo desse quarto."
Ele parou nesse momento para observar com interesse enquanto Isabella ficava vermelha, antes de comentar "Eu imaginei que se tratasse daqueles pesadelos que dizem que vêm depois da transformação."
"Sim, Edward teve pesadelos", Isabella disse, se agarrando a essa desculpa com gratidão.
"Hmm, foi isso que eu pensei", Benjamin murmurou.
"Depois eu me dei conta de que você estava gritando também, Bella." Ele arqueou uma sobrancelha, então o rosto dele se dividiu num sorriso largo, e ele exclamou, "Vocês dois são barulhentos na cama. Eu já ouvi uma gata no cio fazer menos barulho com o parceiro."
Gemendo enquanto todos seus primos começavam a rir, Isabella enterrou o rosto num travesseiro enquanto Edward tentava acabar com a festa anunciando que ele estava levantando, e a não ser que eles quisessem ter uma visão indesejada, era melhor que fossem embora.
Rose, Maggie, Kate e as gêmeas não pareceram se incomodar com a idéia de um show grátis, mas nessa hora Renée apareceu na porta para dar uma olhada em Edward. Depois de fazer um check-up nele, ela pronunciou que ele estava muito bem e saudável e expulsou todo mundo do quarto para que ele e Isabella pudessem levantar.
O resto da noite se passou naquela típica atmosfera caótica da família, com todos felizes e falantes, e dizendo a Edward todas as coisas que eles achavam que ele precisava saber, agora que era um deles.
Isabella sentiu muito quando se deu conta que estava na hora de se aprontar para o trabalho, e sentiu uma rápida inveja dos primos Benjamin e Rose, por não terem que trabalhar naquela semana.
Eles dois trabalhavam para o irmão dela, nas Empresas Swan, mas por insistência de Renée, ele deu folga aos dois para que eles pudessem ajudar a entreter Kate e as gêmeas durante sua visita. Isabella não tinha o tipo de trabalho em que ela podia tirar uma semana de folga sem dar aviso prévio. As pessoas no abrigo dependiam dela. Edward pareceu ficar igualmente decepcionado por ela precisar trabalhar, e acompanhou Isabella até seu quarto para "ajudá-la" a tomar banho e se aprontar. Os esforços dele a atrasaram consideravelmente, e ela podia ter se atrasado para o emprego se Benjamin não tivesse batido na porta para lhe avisar da hora e se oferecer para dar uma carona.
Engatinhando pra fora da cama, com o cabelo ainda molhado, Isabella jogou as roupas no corpo e foi para o andar de baixo com Edward em sua cola. Ele os acompanhou até a cidade, lhe deu um beijo de despedida antes que ela saísse do carro, depois os homens foram embora, foram para a casa de Edward para buscar mais roupas para levar para a casa da mãe dela. Ficou combinado que ele devia ficar lá até que ele se ajustasse a todas as mudanças pelas quais ele teria que passar, e Isabella desconfiava que naquele exato momento ele estava até o pescoço com os primos dela, recebendo uma palestra sobre como ser vampiro.
"Terra para Bella. Terra para Bella", Ângela repetiu e Isabella piscou enquanto a outra mulher passava a mão na frente dos seus olhos.
"Me desculpe", ela murmurou, enquanto se afastava dos pensamentos. "Eu só estava pensando."
"Pensando?" Ângela arqueou uma sobrancelha. "Querida, divida alguns desses pensamentos comigo, porque eu quero sentir o que quer que tenha feito você sorrir desse jeito."
Isabella ficou corada com a brincadeira e torceu o nariz, depois disse, "Eu lamento muito por não ter deixado um bilhete, Ang. Foi muito bom da sua parte ajudar daquele jeito."
"Sem problema", ela disse facilmente. "Eu até vou te perdoar completamente se você me disser o que aconteceu."
Isabella hesitou, depois disse, "Bem, Edward encontrou meu primo Benjamin, e ele e uma amiga chamada Maggie esclareceram tudo." Isso era o mais próximo da verdade que ela podia chegar, ela decidiu. "Minha mãe está feliz, eu estou feliz..." Isabella encolheu os ombros. "Tudo está funcionando muito bem."
Ângela encarou o rosto dela, examinando minuciosamente sua expressão, depois disse, "Você não parece completamente segura." Isabella baixou o olhar mas não sabia o que dizer. Ela não estava nem um pouco segura. Ela estava muito feliz, mas...
"Isso é medo?" Ângela perguntou. "Nervosismo? Agora que não existe mais a resistência da sua mãe, isso está de dando chance de ter suas próprias dúvidas?"
Isabella começou a negar, então se deu conta de que estaria mentindo. Ela estava com medo.
Ângela não a obrigou a dizer. Ao invés disso, ela simplesmente disse, "Eu não estaria surpresa se for isso. Eu me senti do mesmo jeito antes de Ben e eu casarmos. Era medo, puro e simples. Eu estava com medo que ele pudesse não ser tão maravilhoso quanto parecia, que algo acontecesse para estragar tudo, que meu coração fosse ficar partido..." Ela deu um suspiro pesado. "E eu estava certa."
A cabeça de Isabella se ergueu com a surpresa. Ângela deu um sorriso torto por causa da sua expressão de choque, e completou, "No dia que ele morreu, meu coração se partiu irrevogavelmente." Ela deixou que isso fosse absorvido, então disse, "A vida nem sempre é fácil, Isabella. É cheia de decisões difíceis e corações partidos, e de coisas que nem sempre funcionam do jeito que nós esperamos. A vida simplesmente não vem com garantias. E mesmo que seja verdade que às vezes, ao deixar de apostar nas pessoas, a gente evite um coração machucado, também podemos perder os melhores momentos da nossa vida. Não tenha medo de amar." Isabella se afundou na cadeira enquanto Ângela deixava o escritório, com as palavras da outra mulher brincando em sua mente. Não tenha medo de amar. Isso a fazia lembrar da conversa com seu tio Eleazar.
"Você acha que eu tenho medo de amar?" Ele perguntou, e quando ela acenou com a cabeça, ele disse, "Bem, talvez... E talvez seja verdade que é preciso comer um quilo de sal com uma pessoa para conhecê-la." Isabella exalou uma respiração rápida e se deu conta de que realmente estava com medo. O medo impediu que ela discutisse o "para sempre" com Edward quando ele quis falar sobre isso ao acordar depois da transformação, assim como nas outras duas vezes em que ele mencionou o assunto mais tarde. Ela estava com medo de ser magoada. Não por uma rejeição, ela já sabia que ele queria ser o parceiro da vida dela, e Isabella sabia que isso não era porque ela o transformou. Edward a amava. Ela sentia isso toda vez que suas mentes se uniam. Ela estava era com medo do futuro, e do que ele faria com o amor dos dois.
"A vida simplesmente não vem com garantias," Ang disse, mas o amor também não vinha. Ninguém sabia o que o futuro podia trazer, mas Isabella sabia que desde que conheceu Edward passou os melhores momentos dos seus mais de duzentos anos. Ela também sabia que se permitisse que o medo a impedisse de dar uma chance ao futuro com Edward, o preço seria desistir da oportunidade de ter mais desses momentos maravilhosos. Basicamente, ter medo do amor não compensava, ela pensou, e decidiu que essa noite eles teriam a conversa sobre a eternidade. Ela estava pronta para se dar uma chance.
"Isabella?"
Ela olhou para cima assustada com o som do seu nome e achou o Padre Weber na porta. "Sim, Padre?"
"Há um cavalheiro aqui para vê-la", o padre anunciou, e se virou para chamar alguém.
Ninguém nunca vinha vê-la no abrigo, e Isabella estava começando a fazer uma cara de confusão, quando Edward apareceu.
"Edward!" Ela empurrou a cadeira e ficou de pé, mas então parou e se impediu de sair correndo ao redor da mesa e se jogar em cima dele, como seus instintos queriam que ela fizesse.
Tentando manter uma atitude profissional por causa do Padre Weber, Isabella conseguiu forçar um tom calmo enquanto perguntava, "O que você está fazendo aqui?"
"Estou aqui pra te levar pra casa", ele anunciou. "Você está pronta pra ir?"
"Oh." Isabella olhou para o relógio e fez uma careta quando se deu conta que já passava da sua hora de ir. Como sempre, ele perdeu a noção do tempo. Seu olhar deslizou pela mesa, e ela fez uma careta. "Eu preciso guardar essas pastas e deixar um bilhete para a garota que faz meu trabalho durante o dia, para que ela saiba que ligações deve fazer e -"
"Vá em frente", Edward interrompeu. "Eu não me importo em esperar."
Isabella sorriu, depois olhou na direção do Padre Weber.
"Obrigada, Padre", ela murmurou, se movendo ao redor da mesa até chegar na porta. "Obrigada por mostrar o caminho a ele."
"Está tudo bem, então?"
"Oh, sim. Ele é um amigo", ela o assegurou.
"Oh." O Padre Weber concordou com a cabeça. "Que bom." Ele hesitou, depois se afastou da porta enquanto Edward entrava no escritório. "Eu vou só..." O padre fez um aceno vago com a mão, depois se virou e foi embora pelo corredor.
Isabella o observou com preocupação. O Padre Weber ainda não estava dormindo, e isso estava começando a deixá-la preocupada. Ele estava com sacos tão grandes embaixo dos olhos que dava até pra guardar comprar ali, e sua pele estava ficando com um tingimento acinzentado pouco saudável. Suspirando enquanto o perdia de vista, ela fechou a porta e se virou pra Edward, perdendo o fôlego de surpresa quando foi puxada de repente para os braços dele e sua boca abaixou sobre a dela.
"Mmm", ele murmurou enquanto acabava o beijo. "Olá."
"Olá", ela sussurrou roucamente. "Você está esperando há muito tempo?"
"Trinta e cinco anos, mas vale a pena esperar por você", Edward lhe assegurou.
Isabella sorriu suavemente e beijou a ponta do nariz dele, depois disse, "Eu estava falando dessa noite."
"Você quis dizer essa manhã", ele corrigiu. "Apesar de ainda parecer noite, já que o sol ainda não nasceu."
"É um pouco confuso ter horários diferentes de todo mundo", ela reconheceu.
"Sim, é mesmo", Edward concordou. "E respondendo a sua pergunta, eu estou esperando há cerca de meia cheguei aqui cinco minutos adiantado. Na verdade, eu cheguei na cidade com meia hora de antecedência e parei numa loja de donuts para não parecer pateticamente ansioso, sentado lá no estacionamento."
"Pateticamente ansioso, huh?" Isabella perguntou, divertida, relaxando nos braços dele e brincando com os botões em sua camisa. "É provavelmente bom que você tenha parado numa loja de donuts. Eu duvido que você estivesse nesse bom humor se eu te deixasse esperando por mais ou menos uma hora."
Ele encolheu os ombros de um jeito torto. "Você não sabia que eu estava aqui."
Isabella balançou a cabeça distraidamente, seu olhar no botão que ela estava mexendo até que Edward a apertou um pouco, e disse, "Eu reconheço isso, é o seu 'olhar preocupado'. O que está havendo?"
"Eu estava só pensando -"
"Se preocupando", Edward corrigiu secamente.
"Se você já pensou no que isso vai fazer com o seu consultório", ela continuou, ignorando a interrupção.
"Ah", ele disse solenemente. "Quer dizer que você estava se preocupando que isso afetasse o meu consultório e eu fosse ficar ressentido por isso estar afetando meu trabalho, e virasse meu ressentimento para você."
Isabella deu um sorriso torto por ser lida tão facilmente. "Você é bem esperto, huh?"
"Esperto suficiente para reconhecer uma boa mulher quando a vejo", Edward disse facilmente, depois beijou sua testa, e disse. "Na verdade, eu andei pensando nisso e não há com o que se preocupar. A maioria dos meus clientes trabalham e preferem consultas à noite, para que isso não interfira em seus trabalhos. Até agora eu passei a maior parte do dia trabalhando no meu livro e atualizando observações sobre os pacientes, depois eu passava o final da tarde e a noite em sessões com os pacientes." Ele ergueu os ombros.
"Agora eu só vou aceitar pacientes à partir das cinco da tarde e vou trabalhar no meu livro enquanto você estiver no trabalho, depois vou dormir durante o dia."
Isabella fez uma careta. "Então você vai trabalhar enquanto eu estiver fora e escrever enquanto eu estiver trabalhando?"
Edward piscou. "Isso mesmo", ele disse lentamente enquanto a ficha caía.
"Você começa no trabalho às onze e eu provavelmente receberia os pacientes até as dez. Nós nunca nos veríamos." Agora ele estava com uma careta também. "Talvez eu pudesse -"
"Não, espere", Isabella disse rapidamente, sua mente trabalhando rapidamente. "Você não receberia pacientes nos Sábados e Domingos, então se eu mudasse minhas folgas para Segunda e Terça, então só ficaríamos sem nos ver muito nas Quartas, Quintas e Sextas."
"Então eu ia te ver metade da semana? Eu acho que não", ele disse com um desagrado seco, depois piscou e um sorriso lento apareceu em seus lábios.
"O quê?" Isabella perguntou.
"Só que é muito bom que você queira continuar me vendo", ele disse baixinho. "Eu não tinha certeza da minha posição. Você não parecia a fim de discutir o futuro."
Isabella suspirou e encostou a testa no queixo dele. "Desculpa. Eu só estava meio..."
"Assustada?" Ele sugeriu, quando ela hesitou.
"Sim, talvez. E um pouco afetada também, eu acho. Tudo aconteceu tão rápido." Ela ergueu a cabeça e o assegurou, "Vamos conversar sobre isso tudo quando chegarmos em casa; nós, nossa casa, tudo. Vamos dar um jeito de fazer isso tudo funcionar."
"Okay." Edward a abraçou, depois se afastou e deu um tapinha em seu bumbum. "Vá em frente, escreva seu bilhete pra podermos dar o fora daqui. O sol vai sair daqui há pouco, e eu já estou com fome de novo. Eu não devia estar, eu tomei um pacote de sangue antes de sair de casa."
"Você vai sentir muita fome pelos próximos dias", Isabella disse, cheia de simpatia, enquanto escapulia dos braços dele.
"É. Sua família andou me alertando sobre todas as coisas que eu devo esperar", ele murmurou, observando ela sentar e colocar um bloco de notas à sua frente. "Benjamin também prometeu que uma noite dessas vai me ensinar a caçar enquanto você estiver trabalhando, pra que eu não fique totalmente sem noção no caso de uma emergência, e eu precise me alimentar direto da fonte."
Isabella ficou rígida e olhou para ele pra perguntar diretamente. "Ele disse, não é?"
"Ora, Isabella, meu amor. É o monstro verde do ciúme que eu estou vendo nos seus olhos? E eu aqui achando que eles eram azul prateados."
Isabella fez uma careta com a brincadeira dele. "Pra mim parece que você já sabe se alimentar direto na fonte. Você certamente já praticou o suficiente comigo."
"Como vai esse bilhete?" Ele perguntou com um sorriso.
Com a boca contorcendo, Isabella desviou a atenção para o bilhete e continuou escrevendo.
"Eu faço um trato com você", Edward disse enquanto a observava escrevendo.
"O que é?" Ela perguntou distraidamente.
"Você promete que de hoje em diante só vai morder mulheres, e eu prometo que quando Benjamin me ensinar, eu só vou morder outros homens."
Ela olhou para cima, surpresa com a sugestão, e descobriu que ele estava fazendo uma careta com as próprias palavras.
"Ou talvez eu mude isso para prometer que só vou hipnotizar essas mulheres, sem mordê-las", Edward decidiu. "Como você disse, eu posso treinar essa parte das mordidas com você, e eu realmente prefiro não chegar tão perto de outro homem."
Isabella sorriu, divertida, enquanto terminava o bilhete e ficava de pé.
"Mas você não se importa que eu chegue perto de outras mulheres?"
"Hmm", ele considerou brevemente, parecendo confuso, e decidiu. "Ok, então, segunda condição, eu vou curar a sua fobia para que você não precise morder mais e eu -"
"Edward", ela interrompeu gentilmente e ele pausou para olhá-la em dúvida. Isabella se afastou para pegar sua bolsa e seu casaco, e disse, "Podemos discutir isso também quando chegarmos em casa, mas agora precisamos ir andando, o sol vai nascer em breve."
"É." Com um sorriso torto curvando seus lábios, ele pegou sua mão e a puxou até a porta.
O Padre Weber estava esperando no fim do corredor quando eles saíram do escritório dela, e Isabella, envergonhada, tirou sua mão da de Edward quando o viu. Ela mal tinha acabado de fazer isso quando o Padre olhou para eles.
"Tudo pronto?" Ele perguntou, enquanto eles se aproximavam.
"Sim," Isabella sorriu enquanto eles chegavam até a porta, depois comentou, "Estou surpresa por Kelly já não estar aqui. Ela ligou dizendo que está doente?" Enquanto Claudia substituía Isabella nas suas noites de folga, Kelly era a garota que a rendia nos turnos do dia. Ela geralmente chegava antes que Isabella saísse.
"Não." Padre Weber balançou a cabeça. "Eu disse a ela que tinha alguém no escritório com você, então ela desceu até a cozinha pra pegar uma xícara de café. Ela vai chegar logo."
"Oh, okay", Isabella sorriu. "Então, acho que te vejo à noite."
"Sim. Tenha um bom dia", disse o Padre Weber, então ele olhou para
Edward, e completou educadamente, "Foi bom te conhecer."
"Bom te conhecer também, Padre", Edward respondeu, e abriu a porta para Isabella.
"Onde está o Jeep?" Isabella perguntou, enquanto eles cruzavam o estacionamento.
"Você quer dizer o Jeep de Benjamin?" Edward perguntou, surpreso.
"Sim. Você não pegou o Jeep emprestado dele para vir me pegar?"
"Não. Eu trouxe o meu carro", ele disse, depois explicou, "Nós o pegamos quando Benjamin me levou até o apartamento para fazer as malas. Ele voltou no Jeep e eu o segui com meu carro. Isso me faz sentir menos -"
"Um prisioneiro?" Isabella perguntou suavemente quando ele pausou. Edward fez uma careta, mas concordou com a cabeça enquanto a guiava até um BWM escuro. Ele destravou e segurou a porta do passageiro para que ela entrasse, depois a fechou e deu a volta para o acento do motorista.
Isabella se inclinou para destravar a porta para ele, e sentou de novo enquanto ele entrava no carro. Ela travou o cinto de segurança enquanto ele colocava a chave na ignição e a virava, depois ergueu as sobrancelhas quando nada aconteceu. Fazendo uma careta, Edward tentou de novo, mas o motor não estava dando a partida.
"Mas o que -?" Ele pisou no acelerador algumas vezes e tentou mais uma vez, depois xingou de frustração quando nada aconteceu. Isabella mordeu o lábio enquanto ele tentava novamente. "Talvez
devêssemos chamar um táxi."
"Ele estava funcionando muito bem no caminho até aqui", Edward murmurou, tentando novamente, depois o som de uma batidinha na janela fez os dois pularem e olhar para o Padre Weber. O padre estava de pé no estacionamento, ao lado da janela no motorista.
Edward abaixou a janela quando o homem fez um gesto e perguntou, "Algum problema?"
"Ele não quer ligar", Edward murmurou, tentando de novo. O Padre Weber viu ele girando a chave, e fez uma careta quando nada aconteceu. "Deve ser a ignição. Não está virando."
"Não, não está", Edward concordou, afundando no acento com um suspiro. O homem mais velho hesitou, então disse, "Eu estava indo buscar alguns mantimentos. Eu posso lhes dar uma carona. Pra onde vocês vão?"
"Oh, isso é muito doce, Padre, mas provavelmente fica fora do seu caminho", Isabella disse, depois mencionou a área em que sua mãe vivia.
"Oh!" O Padre Weber exclamou alegremente. "Isso não é longe de onde
eu estava indo. Deve ser o destino. Venham, eu levo vocês pra casa rapidinho."
Dando as costas sem esperar pela resposta, ele caminhou até a van que tinha um logotipo do abrigo na lateral, e Edward olhou para ela duvidosamente.
"Está ficando tarde", ele disse. "E eu posso ligar para a oficina e fazer com que eles peguem o carro para dar uma olhada nele enquanto dormimos hoje."
Suspirando, Isabella concordou e destravou o cinto de segurança.
"Eu espero que vocês não se incomodem, mas já está na rota, eu pensei em parar nos fornecedores no caminho."
Com as palavras do Padre Weber, Isabella olhou para a frente da van, depois olhou pra fora pela janela enquanto ele dava a volta na estrada.
Pela sua estimativa, eles estavam a menos de cinco minutos da casa da mãe dela.
"Eu suponho que seria igualmente rápido parar no caminho de volta, mas eu podia usar uma mãozinha para carregar os suprimentos, e já que vocês não estarão comigo no caminho de volta..." Ele deu uma olhada apologética na direção de Edward. "Você não se importaria, não é? Eu posso dar a volta se você "
"Não, é claro que não, Padre", Edward lhe assegurou. "Nós apreciamos a carona. Parece muito justo te ajudar com os suprimentos." Isabella sorriu fracamente com as palavras educadas. Isabella conhecia
Edward o suficiente para saber que mesmo estando decepcionado com o atraso, ele sentiria que era rude se recusar a ajudar o homem que os poupou de pagar o preço de um táxi até a casa da mãe dela.
"Aqui estamos."
Isabella olhou para fora pela janela, fazendo uma careta enquanto ele passava por uma longa alameda que levava até uma casa grande e branca.
Não havia sinal em lugar algum de que aquilo era alguma espécie de comércio. E também, pelo que ela pôde ver quando olhou ao redor, aquilo ficava no meio do nada. Não havia nenhuma casa na vizinhança. De repente, Isabella começou a se sentir um tanto desconfortável.
"Essa é a mulher que borda nosso logotipo em todas as toalhas, nos lençóis e nas fronhas, Isabella", o Padre Weber anunciou enquanto estacionava na frente da casa. "Ela é uma das frequentadoras da paróquia, uma senhora muito doce."
"Oh", Isabella murmurou, e se sentiu relaxar.
"Demora um pouco mais de tempo do que levaria numa casa industrial", ele continuou alegremente enquanto desligava o motor e destravava o cinto de segurança. "Mas ela é viúva e precisa do dinheiro, então eu trago todos os lençóis e toalhas quando precisamos de uma nova remessa."
"Isso é gentil da sua parte," Edward murmurou, destravando seu próprio cinto.
"Na verdade, eu estou feliz por ter vocês dois comigo", ele tagarelou. "Ela frequentemente me convida para tomar um chá, e com vocês eu vou ter uma desculpa para não ficar."
Isabella murmurou educadamente, depois destravou seu cinto enquanto o Padre Weber abria a porta e saía do carro.
"Ele parece um bom homem, mas é bem conversador, não é?" Edward murmurou quando a porta se fechou e eles estavam sozinhos.
"Ele está sofrendo de insônia há mais ou menos uma semana", Isabella explicou em tom de desculpas, mas não tinha certeza se o homem era tagarela com ou sem insônia. Ele trabalhava durante os dias, ela
trabalhava durante as noites. Na verdade, ela mal o conhecia.
"Bem, quanto mais cedo pegarmos aqueles lençóis, mais cedo iremos pra casa", Edward disse, segurando a maçaneta da porta, depois ele pausou e perguntou, "Quanta luz do sol eu posso aguentar nesse estágio do jogo?" Isabella olhou para o céu, notando que os primeiros sinais do dia já
apareciam no céu. Ela balançou a cabeça. "Não tenho certeza. Mas isso não deve demorar muito e estamos há apenas uns cinco ou seis minutos de casa. Você vai ficar bem."
Concordando com a cabeça, Edward abriu a porta e saiu, depois segurou a porta aberta e ofereceu a mão enquanto Isabella saía do banco traseiro e se arrastava no banco do passageiro para sair.
Era óbvio que a velha senhora dos bordados estava esperando por eles, pois a porta da frente já estava aberta e o Padre Weber estava entrando na casa quando Edward fechou a porta da van. Eles se apressaram para alcançá-lo e o ouviram conversando enquanto se aproximavam, depois ele parou e virou para os dois enquanto eles subiam as escadas da varanda.
"Ela disse que está quase acabando, e estava empacotando tudo", ele informou enquanto eles chegavam na porta. "Ela foi lá pra trás, pra colocar tudo nas caixas. É por aqui."
Isabella fechou a porta da frente para que o calor não escapasse, depois seguiu os homens pelo corredor. No fim do corredor, o Padre Weber pausou para abrir a porta e a manteve aberta para os dois passarem.
Isabella murmurou 'Obrigada' enquanto seguia Edward para um pequeno quarto escuro, iluminado apenas por um pequeno abajur sobre uma mesa ao lado da porta. Ela quase pisou nos calcanhares de Edward quando ele parou de repente.
"Vá em frente", o Padre Weber disse, e Isabella olhou para trás e congelou com a imagem da arma em sua mão. Ela o encarou sem expressão por um minuto, com a confusão reinando em sua mente, depois se virou de novo e foi para o lado de Edward para olhar o que havia à sua frente. Ela não ficou surpresa ao ver que não havia uma velhinha bordando lençóis por ali. Isabella ficou surpresa, no entanto, quando
reconheceu o homem que estava à frente deles, apontando uma segunda arma para o peito de Edward.
