Uma segunda chance

Capítulo 21 – Começo do segundo mês

Três semanas haviam passado e a vida parecia seguir na casa dos Hale.

Era domingo e pela primeira vez nessas semanas Peter estava curtindo a companhia de John, que tirara o fim de semana de folga após vários dias praticamente vivendo na delegacia.

-Tem certeza que poderíamos estar fazendo isso? – perguntou John, sem fôlego.

-E por que não poderíamos? – retrucou Peter ao tirar a camiseta e jogá-la num canto, sem entender.

-Por causa do seu... – ele começou, apontando para a barriga do outro, que ainda não apresentava nenhuma mudança visível – estado – completou, com uma careta. O outro riu.

-Não seja bobo – ele avançou para cima do outro – Diz isso só porque está perdendo – ele então pegou a bola do chão e arremessou – Cesta! – comemorou, jogando os braços para cima e virando para o outro com um sorriso no rosto. Era muito bom poder relaxar assim.

-E ela liberou exercícios? – perguntou ele descrente, ao tentar roubar a bola do outro.

-Yeap – afirmou – Tudo liberado até segunda ordem – disse tentando driblar o parceiro, quando tropeçou em seu pé.

Os dois acabaram perdendo o equilíbrio e quando Peter percebeu, estava caído no chão, em cima de John.

-Eu sinto muito. Machucou alguma coisa? – Peter perguntou preocupado.

-Vai dar um beijo para sarar? – respondeu John, rindo.

Parou de rir quando sentiu os lábios do outro colado aos seus. Foi um beijo breve e delicado, mas como sentira falta daquilo.

Sem pensar, ele puxou o corpo do outro, grudando-o no seu e o beijou. Mas não foi um beijo tão casto. E quando deu por si, os dois tinham rolado e invertido as posições.

Quando os dois estavam assim, juntos, tudo que acontecera nos últimos tempos parecia só um sonho ruim.

Tudo estava indo bem, e a coisa estava esquentando até que ele sentiu o mais novo tenso. Antes que ele pudesse perguntar qual era o problema, sentiu o mais novo o empurrando para o lado e ouviu um barulho. Era Peter vomitando.

A ilusão tinha se quebrado. Não tinha sido só um sonho ruim.

-Está tudo bem? – perguntou ao passar a mão nas costas do outro em movimentos circulares, o outro fez que sim com a cabeça sem encará-lo – Tem certeza? Enjoar é normal, eu acho – tentou acalmar o outro.

-Não é isso. É esse cheiro, muito forte para o meu olfato – explicou e vomitou de novo.

Só aí que John percebeu que se o cheiro já era ruim para ele, devia ser péssimo para o outro. Ele então tirou sua camiseta e a dobrou.

-Põe isso no rosto e vamos lá para dentro – ele entregou sua camiseta para o outro, que o olhou agradecido e aceitou.

Eles entraram e os lobisomens torceram o nariz assim que eles passaram. O cheiro era realmente péssimo.

-Ei, Stiles. Você pode dar uma mão e cuidar do quintal enquanto eu ajudo o Peter? – perguntou John, fazendo o filho fazer uma careta. Os outros presentes na sala fizeram cara de paisagem e fingiram que não ouviram nada.

-Tá, tá. Sempre sobra para o humano – resmungou ao se levantar – Ele está bem? – perguntou em voz baixa para o pai ao passar por ele. O xerife só respondeu que sim com a cabeça.

Stiles foi até o quintal e viu o estrago.

-Uau. Parece o set de filmagens do exorcista – comentou sozinho ao ver o estrago na pequena quadra de basquete atrás da casa.

-Quer ajuda? – perguntou uma voz suave, fazendo-o virar.

-Derek! Você por aqui? – ele sorriu, abrindo os braços – Imagina! Para que eu iria querer ajuda para limpar a casa onde eu não moro? – respondeu sarcasticamente - Valeu, Isaac! – gritou para o lobisomem que estava jogando videogame na sala.

-Disponha! – o lobisomem gritou de volta.

Stiles balançou a cabeça e foi abrir a mangueira.

-Não precisa ajudar, nem é tanta coisa assim. Pode ir lá para dentro brincar. Eu cuido disso – disse Stiles, jogando água na sujeira.

-Eu não quero brincar, não sou mais criança – Derek respondeu com uma cara feia.

E realmente, agora que Stiles se dera ao trabalho de prestar atenção no outro, viu que ele estava bem diferente. Tinha perdido o jeito infantil e estava quase da sua altura já. Estava lindo.

-Que bagunça, tem até roupa jogada aqui – disse pegando uma camiseta jogada, tentando mudar de assunto. Stiles podia sentir seu rosto corando.

-Acho que o Peter tirou antes deles começarem a se pegar – comentou Derek despreocupado, fazendo o outro largar a roupa na mesma hora. Ele riu.

-Ah, está rindo, é? Vamos ver se vai continuar rindo – ele mirou o jato de água no outro que continuou a rir cada vez mais.

Nunca um quintal demorou tanto a ser lavado.

Fim do cap. 21

Nota da autora:

Depois que postei o último capítulo, e vi os reviews que todos mandaram, eu realmente fiquei muito animada.
No dia seguinte, decidi que iria escrever tudo.
Para o meu desespero, quando abri o arquivo com todos os resumos vi que tudo além do quarto mês tinha simplesmente sumido!
O trabalho de mais de um mês inteiro tinha simplesmente desaparecido.
Confesso que chorei... de raiva.
Mas ao conversar a respeito e contar um pouco sobre o que aconteceria na fic, muitos dos detalhes de algumas cenas foram voltando, e eu me animei.
Tenho plena consciência de que provavelmente algumas cenas estarão perdidas para sempre. Seria impossível lembrar de tantos detalhes. Mas o enredo não está, e outras cenas virão.
Estou reescrevendo todos os resumos, e esse capítulo é o começo disso. Ele não existia no resumo original.
Dedico esse capítulo ao Raphael Fernandes, por ter me ajudado e me animado quando tudo o que eu queria era jogar tudo pro alto e tacar o fod*(&*¨&*%.