Cap.20- A Marca
Régulo Black aproveitada o final de suas férias para seu último ano em Hogwarts. Se sentia como a maioria, feliz e triste ao mesmo tempo. Porém, ao contrário da maioria, ele já tinha planos para seu futuro. Iria se juntar ao grupo de bruxos sangue puro, os comensais da morte e participar da grande revolução. Criar um novo mundo, inteiramente mágico.
Estava pensando isso quando um aviãozinho de papel entrou flutuando por sua janela aberta. Conhecia a letra e se assustou quando viu o conteúdo:
Estou na porta da sua casa. Preciso falar com você urgente. Desça.
Ass: Sam
Em menos de um minuto ele já estava parado na soleira de sua porta encarando a bruxa.
Sam estava aflita e ofegante mas Régulo não conseguiu deixar de pensar que ela estava cada vez mais bonita.
- Régulo, quero que me diga como eu faço pra encontrar Voldemort. Sei que você sabe e eu quero saber agora.
O menino precisou de alguns segundos para perceber o que a bruxa na sua frente estava lhe pedindo.
- Sam, o que...
- Régulo, não tenho tempo. Eu sei que você sabe como encontrá-lo e eu quero falar com ele agora. Você ouviu? Quero me juntar a ele.
- Sam, você nunca foi a favor dessa idéia, o que houve?
- Mudei de idéia! Não posso? – Respondeu a bruxa, já ficando agressiva.
Régulo analisou bem o que estava acontecendo e por fim, disse:
- Não sei onde encontrá-lo mas sei quem sabe. Espere um minuto. – E dizendo isso, entrou novamente em casa.
O coração de Sam batia tão rápido que a menina achou que ia explodir. Estava mesmo fazendo a coisa certa?
Logo o jovem Black estava de volta. Casaco na mão e indicando a Sam que o seguisse.
- Vamos à casa dos Malfoy. – Disse o bruxo pegando na mão da menina e aparatando.
A mansão dos Malfoy era realmente enorme e bonita, de uma forma fria e impessoal. Toda em tons claros, parecia querer transmitir uma pureza como a de seu sangue e deixa a mensagem de que ali, só entravam os que fossem puros e dignos também.
Os dois estavam parados na frente do portão e quando Sam fez menção em entrar, Régulo a segurou pelo braço a encarando profundamente. A menina se lembrou de Sirius, nesse momento.
- Antes de entrarmos você vai me explicar porque esse desespero todo. O que houve,porque mudou de idéia.
Sam correspondeu ao olhar do amigo e então resolveu lhe contar o que achava que não causaria mal. Além disso, confiava no amigo e, ele era um Black também, não era? Esse sobrenome havia criado nela um símbolo de honra e confiança.
- Estou fazendo por Severo.
Régulo parou para tentar entender,mas não conseguiu.
- Como assim? O que você espera fazer por ele? – Perguntou o menino, ainda segurando forte no braço de Sam.
- Preciso cuidar dele.- Respondeu a menina analisando as palavras com cuidado.- Não existe outra forma de eu conseguir isso. Preciso voltar a me aproximar dele.
O jovem pareceu realmente assustado.
-Sam, você não pode fazer tudo isso por seu irmão. Ele já está bem grandinho. Entenda, eu apoio a causa assim como ele mas, se você não pensa assim, deveria ficar fora. Está pondo sua vida em risco.
O cuidado de Régulos com ela lhe causou comoção. Como podia ser tão gentil e ao mesmo tempo estar decidido a defender uma causa que traria tanto sofrimento para todos?
- Rég, todos tem uma razão particular para se juntar a Voldemort. Seja ganância, maldade, vingança ou outra.
- Sim, mas é a primeira vez que vejo alguém entrar para poder ajudar outra pessoa.
Então Régulo finalmente soltou o braço da bruxa e a conduziu para dentro da mansão onde logo um elfo doméstico simpático apareceu e os cumprimentou perguntando seus nomes e indo anunciá-los pedindo que esperassem no hall para serem recebidos.
Assim, cincos longos minutos depois, a figura bonita e imponente de Lúcio Malfoy apareceu.
- Régulo, como vai? – Disse o bruxo loiro, educadamente se dirigindo ao jovem, ignorando Sam.- O que o trás aqui?
- Trouxe uma companheira, uma outra apoiadora da causa. Acredito que a conheça de vista. Samara Snape, irmã de Severo.
Finalmente Malfoy deu atenção à bruxa. Fez um gesto cordial com a cabeça e indicou para que os dois se sentassem.
- Irmã de Severo é? E porque não veio antes? – Perguntou Lúcio, no tom mais arrogante que pareceu conseguir.
- Meu irmão não era a favor que eu participasse. Tinha receio pela minha segurança. Achava que não seria capaz.
- E você se acha?
- Sim, absolutamente. – Respondeu a menina calmamente. Seu coração disparava.
- Samara deseja ver Lord Voldemort hoje mesmo, quer participar o quanto antes da causa. Acho que só o mestre é digno de julgar se ela merece entrar ou não. Sei que você pode localizá-lo.- Falou Régulo numa postura de defesa e também de arrogância.
- Sim, é claro que eu posso. Mas, eu devo?- Disse o Malfoy, medindo Samara como se a julgasse um ser muito inferior.
- Ao que depende de mim, Lúcio, quando você quiser. – Respondeu Sam. Também no seu melhor tom sonserino.
- Pois bem. Vamos lá então. - Falou Lúcio com uma sobrancelha erguida em desafio, se levantando.- Vamos até ele.
Assim, os três se encaminharam para os jardins da casa e de lá, Régulo e Samara seguraram no braço de Lúcio enquanto ele fazia um gesto que Sam não entendeu e em seguida, todas aparataram.
O lugar em que chegaram era claramente abandonado. Todas as casas em volta pareciam vazias há muito tempo. Somente a imponente residência à sua frente é que parecia ter algum tipo de movimentação. Samara logo soube que era lá o esconderijo de Voldemort.
Então, o portão da casa se abriu sozinho causando arrepios em Sam. Régulo apertou sua mão gelada lhe dando coragem e os dois entraram com Lúcio Malfoy logo atrás.
A casa parecia bem maior vista de dentro. Principalmente, Sam achou, porque não haviam móveis. Simplesmente o espaço vazio e escuro na sua frente.
- O que querem aqui? - Perguntou uma voz feminina.
Samara se virou e reconheceu quem era na mesma hora. Bellatrix Lestrange. A bonita e maldosa prima de Sirius Black.
Bellatrix era ainda mais velha que Lúcio, portanto, Sam não havia tido muito contato com ela na escola, mas sabia, pela fama, o quão terrível ela podia ser.
- Viemos trazer mais uma candidata a comensal para o mestre. Essa é Samara Snape, irmã de Severo. - Falou Lúcio tomando a frente.
- E porque o próprio irmão não veio trazê-la? - Perguntou Bellatrix, se aproximando do grupo e os medindo da cabeça aos pés.
- Tive problemas particulares com meu irmão que não vem ao caso. Quero que o próprio Lorde Voldemort me julgue. – Se impôs a menina com o melhor tom de segurança que conseguiu.
- Oras, mas isso será um prazer. - Uma voz fria soou por trás da pequena Snape e ela sentiu um frio terrível percorrer seu corpo.
Descendo as escadas, caminhando lentamente vinha um homem alto e bonito. Olhos assustadoramente penetrantes e um sorriso sem vida nos lábios. Tom Riddle, conhecido por todos como Voldemort.
- Admiro a coragem de pessoas como você, que tomam a iniciativa de vir mesmo contrariando outras pessoas. - Começou o bruxo que parecia estar querendo ser simpático. - Seu irmão já mostrou ter muito potencial embora ainda não o tenha mostrado totalmente, não é mesmo Bellatrix?
A bruxa que havia se calado admirando o mestre, se apressou em concordar com o que ele dizia.
- Pois bem, sou todo ouvidos. O que a trás aqui? - Perguntou finalmente o bruxo, se postando diante de Sam.
- Quero me juntar a sua causa senhor, creio que possa ser muito útil. Meu irmão não era favorável a minha entrada por julgar que eu não era capaz mas eu vim aqui pra mostrar ao senhor que ele está errado. - Disse a bruxa, quase num folego só. Rezando para conseguir manter a calma.
- Entendo - Afirmou o bruxo lentamente. Depois, logo após um breve período de silêncio, Voldemort, como gostava de ser chamado, voltou a se pronunciar.- Quero que saiba que é muito bem vinda, porém, assim como todos os outros candidatos, você deve passar por um teste de confiança. Tenho certeza que você entende.
Sam engoliu em seco. Não esperava aquilo. O que ele lhe pediria pra fazer? A menina sentiu falta da mão do amigo agarrada a sua, já que agora ele se mantinha longe ao lado de Lúcio somente observando a conversa atentamente.
- Que teste seria esse? - Perguntou Sam, já temendo a resposta.
- Bom, terei de pensar nisso ainda, mas em breve você saberá, creio que por hora é isso é tudo.
- Como assim, senhor? Está me dispensando?
- Sim, por hora você não se mostrou de confiança ainda então terá de esperar para se juntar a nós. - Respondeu o bruxo já dando as costas à menina.
- Senhor, e se eu tiver informações úteis? - Perguntou a menina rapidamente, tentando desesperadamente jogar uma última cartada. Isso seria bem mais fácil do que passar por um teste de confiança de Voldemort.
- Vejam só...você quer mesmo fazer parte disso, não? Me diga, porque? - Disse Voldemort novamente se virando para encarar a bruxa. Seus olhos fixos nos da menina. Uma expressão quase de desconfiança no rosto.
- Tenho esse desejo faz muito tempo e, sinceramente senhor, creio que saiba como é querer provar alguma coisa à alguém e, muito mais que lhe servir, eu quero mostrar para todos que eu posso.
Voldemort ergueu as sobrancelhas analisando o que a bruxa à sua frente havia acabado de lhe dizer. Alguma coisa em seu rosto fez Sam achar que ele havia aprovado.
- Bom, então vamos ver que informações você pode ter pra mim que eu ainda não saiba. - Falou o bruxo fazendo um gesto com a mão de permissão para a bruxa começar.
- Alvo Dumbledore está planejando um ataque contra o senhor.
O silêncio na sala foi geral. Todos se voltaram para Sam e a menina soube no mesmo momento que a informação era valiosa.
Voldemort se aproximou ainda mais da bruxa como se procurasse algum sinal de mentira, mas não achou.
- Não é surpresa, tinha certeza que aquele velho tentaria algo e não demoraria muito. Mas a informação é valiosa sim, me diga, como ficou sabendo disso?
- Porque eu participei da reunião. - Respondeu Sam sem pestanejar.
Mas uma vez o silêncio foi geral. Bellatrix olhava de Sam para Voldemort como se procurasse algo para fazer.
- Você, participou? - Perguntou o bruxo novamente como se quisesse ter certeza do que havia ouvido.
- Sim senhor, tomei conhecimento da reunião por um colega e fui participar, sempre com o intuito de ganhar informações para o senhor.
O Lorde das trevas pareceu admirar profundamente o gesto de Sam. Seu olhar se tornou quase caloroso para com a bruxa.
- Admirável, - Falou- completamente admirável. Mas diga mais, o que mais foi discutido lá?
- O ministério sabe e aprova a atitude de Dumbledore. Eles planejam se juntar aos aurores para formar um ataque. Todo o grupo de Dumbledore é formado por ex- alunos. Particularmente senhor, não creio que seja motivo para temer, seu exército é muito maior.
- Ah, eu agradeço as palavras mas eu conheço aquele bruxo. Sei que ele tem habilidade pra reconhecer pessoas certas. Se ele está montando um grupo particular é motivo para nos guardarmos sim.
E então, sem que ninguém esperasse Voldemort se virou furioso para os outros.
- COMO É QUE VOCÊS NÃO SABIAM DESSA INFORMAÇÃO? INCOMPETENTES! A menina chegou nesse momento e já foi muito mais útil que todos vocês vem sendo esse tempo todo! LÚCIO, com tanta influência no ministério, como não ficou sabendo disso? Régulos, outro que quer entrar em nossa causa, você é aluno de lá, como não ouviu nem viu nenhuma movimentação estranha? INCOMPETENTES!
Sam sentiu seu coração dar uma pontada dolorida pelo susto mas tentou recuperar a calma rapidamente. Bellatrix lhe encarava invejosa mas a menina não se deixou assustar. Aquilo era bom para ela.
- Pois bem, Samara, você realmente se mostrou merecedora de se juntar a nós. Mas antes, eu gostaria de acrescentar duas coisas.
A menina sentiu medo, mas não demonstrou.
- Primeiro, quero que você continue freqüentando essas reuniões. Se tivermos alguém bem de perto observando tudo e nos informando, será essencial. Posso contar com você?
- Claro mestre. - Falou a menina sem pestanejar.
- Ótimo! E por último, não me sentiria a vontade de lhe aceitar aqui sem antes falar com seu irmão. Espero que não se importe.
- De forma alguma senhor, se achar necessário. - Samara abaixou a cabeça como num gesto de obediência mas, havia feito aquilo somente pra desviar o olhar. Isso não estava nos seus planos e ela não gostou nada mas, Severo não faria nada que a colocasse em perigo, faria?
Então, Voldemort puxou Lúcio para perto com brutalidade, ergueu a manga de sua roupa revelando a tatuagem de caveira e a tocando com a varinha causando imediatamente a mudança de cor do desenho e um momento de dor para Lúcio. Então era para isso que ela servia.
Logo após o que pareceu um longo silêncio e espera, Severo Snape entrava pela porta da casa com uma expressão fechada e que se tornou imediatamente assustada quando ele avistou a irmã ali.
- Severo, meu caro. Se aproxime. Vejo que já viu quem é nossa convidada de hoje. Mas não tema, - E deu uma risada fria- ela está aqui por sua própria vontade. Veio se juntar a nós, mesmo, pelo que ela nos disse, contra sua vontade, não é Severo?
- Severo temia por mim e subestimava...- Tentou falar a Snape rapidamente.
- SILÊNCIO! Você não fala agora querida, somente ele.
Mas Severo entendeu. Não precisou olhar a irmã para saber que ela estava lhe dando uma orientação. Embora, não entendesse porque ela estava ali.
- Minha irmã sempre foi imprudente e impulsiva demais, mestre, eu temia que ela acabasse fazendo alguma coisa imprópria. Além disso, não acho que ela possua sangue frio o suficiente,
- Mas veja só, ela se mostrou extremamente útil e esperta. Creio que ela será de grande serventia para nós. Você tem algo contra a entrada dela para o grupo?
Severo olhou rapidamente para a irmã. Estava com ódio dela por várias razões mas, colocá-la em meio as serpentes não seria demais?
- Se é o que ela realmente quer, e se acha capaz, então ela já está grandinha para decidir.- Falou Snape, lentamente.
- Ótimo! Adoro ver uma família assim unida por uma causa! Sei que vocês dois não vão me decepcionar e acho que é o que todos esperamos, não é mesmo? - Falou Voldemort soando ameaçador embora tivesse um grande e, o que ele tentava demonstrar, caloroso sorriso no rosto.
- Agora...- Continuou o bruxo com um tom ameaçador - precisamos concluir essa transição, não é mesmo? Já que agora você é uma das minhas.
- Concluir? - Falou Sam e involuntariamente segurou o próprio braço.
- Sim, vejo que você até já sabe o que é. Seu amigo Régulos espera ansiosamente esse privilégio mas ainda é muito arriscado pra ele sendo aluno. Vamos esperar. Mas você, você agora será nossa.
- Senhor, - Começou Sam tentando disfarçar o desespero.- se eu trabalharei como uma espécie de espiã em seu nome, não é muito recomendado que eu ganhe esse desenho.
- Sinto muito minha cara mas, é necessário sim. Além de ser uma forma de eu poder chamá-la sempre que quiser, essa marca é uma prova de que você pertence a mim, e não a eles. Se você for descoberta, será a mim que você vai representar e a toda a nossa causa. - Havia um brilho fanático nos olhos de Voldemort enquanto ele falava aquilo, já segurando no braço da menina.
Vendo que não teria escolha, Samara esticou o braço e olhou para seu irmão. Severo, por sinal, tinha uma expressão indistinguível. Sam não sabia se ele estava com raiva dela ou não, mas ele não desviou seu olhar e pareceu agüentar com ela todo o processo para a gravação da marca negra na pele da irmã.
Era um processo estranho. Começava como uma formigação que logo virava um calorzinho gostoso que ia se espalhando pelo braço quando, de repente, a sensação de ter uma navalha em brasa rasgando a sua pele começava e era quase insuportável. Sam agüentou em silêncio até onde deu, embora lágrimas de dor involuntárias caíssem de seus olhos. Foi quando uma dor que parecia ter sido causada por um pedaço de pele de seu braço sendo arrancado, é que a menina soltou um grito. Então, acabou.
Sam abriu os olhos e viu seu braço da mesma forma que, horas antes, havia visto o do irmão. Somente o vermelho é que estava bem mais intenso e o sangue que ainda escorria. A dor era angustiante.
- Pronto, está feito. Agora minha cara, você é uma de nós. Vá para casa com seu irmão cuidar desse ferimento e aguarde ser chamada para receber instruções.
No mesmo momento Régulo e Severo foram ao encontro de Sam que já começava a suar frio e a acompanharam com cuidado até a porta junto com Malfoy.
- Seja bem vinda minha cara, esse foi o começo de muitas. - Se fez ouvir a voz de Voldemort pouco antes da porta ser fechada. Então, uma fria risada ecoou até o ouvido de todos.
- Bom, acredito que vocês partam daqui sozinhos, certo? - Falou Malfoy em seu tom arrogante- Severo, é sempre um prazer. Régulos até a próxima e, Samara, seja bem vinda. - e em seguida aparatou.
Severo trocou um olhar com Régulos que olhou preocupado para Sam mas acatou e se despediu docemente da menina afirmando que se falariam muito ainda, mesmo ele estando em Hogwarts. Então também aparatou.
- Agora vamos nós dois. - Disse Severo. Os olhos brilhando de ódio.
No mesmo momento em que pisaram dentro da casa dos Snape, Severo soltou a irmã com raiva, em um sofá e começou seu interrogatório.
- Agora me diga, que merda você tinha na cabeça pra fazer isso? - Começou num tom calmo e silábico, mas não agüentou por muito tempo. - COMO VOCÊ VEM NA MINHA CASA MOMENTOS ANTES, FALA TUDO AQUILO E DEPOIS, E DEPOIS VAI LÁ E FAZ TUDO AO CONTRÁRIO?! ME DIGA!
Sam estava exausta e sentia todo seu corpo enfraquecendo mas queria explicar.
- Fiz por você.
- POR MIM? - Severo respirou e procurou forças. - Como pode ter feito por mim?
- Severo, você é meu irmão, eu não poderia ver você se destruir assim. Se você acha que esse caminho é o melhor então eu tomarei também, não importa se doer em mim, eu só não posso ver você assim desse jeito. Irmão, você é mais importante que qualquer outra pessoa pra mim. Você vem acima de todos, tem de acreditar.
- Ótimo! Você já está grande não é? Sabe o que faz - Severo deu as costas e parecia querer encerrar o assunto mas não conseguiu e voltou- Você tem idéia, do que podem fazer com você, como NÓS dois, se ele suspeitar que você...- Severo respirou de novo - Nós dois sabemos que você nunca quis isso.
- Não, mas se for isso que eu tenho de fazer pra você ver que eu estou do seu lado, então eu farei. Eu sinto muito Sev pelas coisas que falei mais cedo. Mas você me deixou tão preocupada e com tanta raiva. Não pensei em outra coisa a não ser que eu ia perder de novo alguém que eu amava.
- E eu? E quanto a mim? Você não pensou como eu me senti quando vi você fazendo amizade com aqueles vermes? Perdi Lilian e perdi você também. Pras mesmas pessoas. Como eu poderia não querer o fim deles?
Sam achou que, pela primeira vez fosse ver seu irmão chorando mas ele se recuperou e tomou forças de novo.
- Você vai se arrepender de ter feito isso. - Disse o irmão, quase carinhosamente- Você já sabe o que vai fazer agora?
- Não, sinceramente, eu agi por impulso, eu não sei... – Sam lutava pra segurar o choro e o cansaço- não sei o que fazer...mas eu não posso colocar ninguém em perigo.
- Fique aqui. É o melhor agora, pra todo mundo.
- Morar com você aqui? - Repetiu a menina incrédula.
- Sim. Essa é nossa casa, certo? Eu deveria deixar você agora com aqueles seus amigos já que você gosta tanto deles mas, não seria bom pra ninguém.
Samara sabia, por toda a convivência com Severo que, mesmo por trás daquela fachada fria que ele estava tentando demonstrar o irmão havia ficado impressionado e grato por ela. E também, muito preocupado.
- Eu não posso sair assim, preciso falar com Sirius.
- Sirius? É com aquele imprestável que você está morando? Achei que seu namorado fosse outro.
- E é, mas o Sirius está morando sozinho agora. Acabou sendo o mais viável.
- Entendo. Então vá lá, invente o que quiser e se mude pra cá. Agora eu vou lhe preparar uma poção pra você pelo menos não desmaiar. Seu braço vai doer mais, mais tarde.
Sam gostou do cuidado do irmão e se acomodou na poltrona. Tomou a poção e realmente se sentiu mais fortalecida. Mas já era tarde e se ela não fosse embora logo poderia se complicar.
Então, se despediu do irmão e partiu.
Quando alcançou o outro quarteirão olhou para trás rapidamente e levantou sua varinha. Pouco tempo depois um enorme ônibus roxo apareceu na sua frente. O Noitibus já estava organizado com camas e Sam se acomodou em uma para poder viajar mais confortavelmente, afinal, seu braço doía e queimava e sua febre não passava.
Duas horas depois, o ônibus a deixou no endereço desejado e partiu. Então Sam se encaminhou para o lugar em que precisava ir e, cerca de quinze minutos depois, se encontrava na frente da porta do homem que desejava, mais que tudo, ver.
- Menina, o que houve com você? - Perguntou Alvo Dumbledore que estava parado assustado bem na sua frente.- Vamos, entre. Vamos conversar. Conte-me tudo.
