Spoiler: Atenção, contém SPOILER de HBP. Não leia se você não quer saber o que se passa no sexto livro.
Disclaimer: Nunca mais jogo pôquer na minha vida. Já eram todos meus. Mas aí a JK ofereceu um tudo ou nada: o bicho-papão e o patrono do Snape contra todos os personagens. Eu topei. Mas como eu ia adivinhar que ela iria transfigurar as cartas? Buááááá. Perdi tudo e o universo Harry Potter ainda é da loira. Mas ela não sabe que eu peguei todos emprestados para brincar. Como estou só brincando, não terei fins lucrativos e nem vou ganhar nada. A não ser o prazer de me divertir. Ah, a música também não é minha.
21. CINCO ANOS DEPOIS
Parecia que Snape poderia explodir a qualquer momento. O nível de tensão acumulada em seu corpo seria suficiente para que alguém menos treinado realizasse magia involuntariamente.
Mas ele estava consciente de que nada poderia dar errado naquela hora, e nem naquele lugar. Além dessa certeza, as únicas coisas que o mantinham controlado eram os passos com que o professor media o corredor e o abrir e fechar frenético de suas mãos.
Algumas pessoas que também aguardavam no corredor tentaram se aproximar, mas o olhar insano do Mestre de Poções desencorajava qualquer manifestação, fosse de reprovação, fosse de apoio.
O passar do tempo aumentava a tensão no ar, mas Snape não parecia ser capaz de ficar ainda mais nervoso do que já estava. Quando se acreditava que o professor não agüentaria mais tanta pressão emocional, ele foi seguro por um braço e ouviu:
- Venha comigo.
Surpreendendo a todos que assistiam à cena e esperavam por uma explosão, Snape nada disse, permitindo-se ser conduzido até uma porta, por onde passou a passos lentos. Ao cruzá-la, ele respirou fundo, tentando não demonstrar o estado de nervos em que se encontrava.
O Mestre de Poções foi se dirigindo ao centro da sala, bem devagar. Sabia que seu destino estava selado para sempre a partir daquele dia. Apesar de vir se preparando psicologicamente para aquele momento, Snape jamais poderia imaginar o impacto emocional que entrar naquela sala, para aquele momento, iria lhe proporcionar.
Mesmo com o treinamento que se impusera ao longo dos anos em que trabalhara para Dumbledore como espião da Ordem da Fênix, o professor não conseguiu conter o tremor de suas mãos, que aumentava na medida em que ele se afastava da porta e entrava mais e mais naquela sala.
Foi então que ele a viu. Sem conseguir se conter, Snape corre até Hermione, segurando uma das mãos da jovem entre as suas mãos trêmulas, levando-a aos lábios e beijando-a com toda paixão e ternura de que se sentia capaz naquele instante.
Com uma voz embargada, que nem de longe lembrava a dele, Snape apenas consegue dizer:
- E então?
Com um sorriso no rosto cansado, Hermione retira lentamente a mão que o professor ainda mantinha presa entre as suas e afirma:
- Veja por você mesmo.
Foi somente nesse instante que Snape desceu o olhar para o colo da grifinória e conheceu o filho, que acabara de nascer.
- Vamos, pegue-o, diz a jovem mãe.
- Não, eu...
- Severus, meu amor, você não vai machucá-lo. E eu sei que você está ansioso para pegar o bebê. Deixe de ser bobo, interrompeu Hermione, ampliando ainda mais o sorriso.
Recebendo nos braços o pacote de mantos que envolvia seu filho, e sentindo a fragilidade do corpo recém-nascido, pela primeira vez em sua vida Snape percebeu o que era amor incondicional e pode finalmente entender o gesto de Lílian Potter, que deu a própria vida para salvar a de Harry. Naquele momento, o professor descobriu que também seria capaz de fazer isso, por aquele serzinho indefeso em seus braços.
Como se sentisse as emoções conturbadas e intensas do pai, o bebê abriu os olhos e fixou o olhar enevoado nos olhos negros de Severus, capturando para sempre a alma e o coração do ex-Comensal da Morte. Durante alguns segundos pai e filho se fitaram e Snape não pode conter o profundo suspiro que saiu de seu peito.
Mas o momento foi interropidopor uma madame Pomfrey cansada, que pediu a Snape:
- Professor, é preciso deixar mãe e filho descansarem. Foi um longo trabalho de parto. Pode ficar tranqüilo que ambos estão bem e seu filho goza de perfeita saúde. E, além disso, existem outras pessoas lá fora que estão ansiosas por saber as novidades.
Mais uma vez o temido Mestre de Poções se permite ser conduzido pela enfermeira. Ao sair da ala hospitalar, é cercado por Harry Potter e Gina Weasley, Minerva McGonagall, Molly e Arthur Weasley, Tonks e Lupin. Com voz mais firme, ele declara:
- Meu filho acaba de nascer. É um menino e vai se chamar Victor Albus Granger Snape. Segundo a Pomfrey me garantiu, mãe e filho passam bem, apesar do longo trabalho de parto, afirma o professor.
Snape logo é cercado pelos professores da escola e pelo casal Weasley. Mas em meio à alegria de todos e felicitações que recebia, percebe que Potter mantém-se afastado, apenas olhando a cena, como se não tivesse mais o direito de permanecer ali.
Afastando-se do grupo, o Mestre de Poções se aproxima do Menino-que-venceu-o-Dark-Lord e pára na frente dele.
- Potter!
- Sim, Snape, retruca Harry.
- Meu filho nasceu em período de paz. Não há mais nada a temer, pois Voldemort foi morto por você, diz Snape.
- Sim, eu sei, mas porque você está me dizendo isso, interrompe Harry.
- Porque, apesar disso, meu filho precisa de um padrinho corajoso, determinado e leal. Será que você está disposto a esquecer o passado e ocupar esse cargo?
Pego de surpresa, Harry deixa escapar as lágrimas que tentava conter e leva algum tempo antes de estender a mão para o ex-comensal:
- Professor Snape, será uma honra!
Sabendo que aquele dia representava o início de uma nova vida, Snape retribui ao aperto de mão, sorrindo antes de dizer:
-Mas não se engane, meu filho irá para a Sonserina...
- Isso é o que veremos, professor, isso é o que veremos, retruca Harry.
Nota da autora: Chegou ao fim, meus amores. Foi difícil por um ponto final nessa fic, que foi a mais longa que escrevi. Agradeço a quem leu e deixou reviews, a quem leu e não comentou, e às meninas do Esquadrão da Madrugada, que me incentivaram a escrever esse epílogo. Um beijo a todos.
