Capítulo 20: Milão

De trufas, nozes e alcaçuz

Apenas duas semanas que estava ali e se achar entre os becos da Milão bruxa não estava sendo nada mole. Pra falar a verdade nada ali estava sendo fácil. Ir para Itália e fazer carreira de estilista sempre foi seu sonho e imaginou que assim que colocasse os pés na tão conhecida capital da moda sua felicidade seria total! E até seria mesmo... se nunca tivesse conhecido um falso gay.

Chegando ao seu pequeno apartamento, que ficava a quatro quadras do atelier em que trabalhava, largou sua bolsa em cima do sofá e se jogou ali mesmo. Sonhou tanto em estar ali, mas agora tudo parecia tão monótono. Passava o dia no atelier desenhando roupas para um evento de moda que abria espaço para novos estilistas, depois voltava para casa e não fazia mais nada há não ser pensar o quanto sentia falta da sua vida agitada em Londres. E pensar que antes reclamava bastante em relação a isso.

Nada estava saindo como havia planejado, Draco tinha feito um belo estrago na sua carreira! Se continuasse naquele desanimo não iria conseguir produzir nada há não ser roupas para velório. "Draco, seu estúpido! Você podia fazer algo, né?". Era isso que esperava, uma atitude da parte dele. Sabia que tinha sido radical no dia do desfile, mas ele havia merecido. E se fosse um pouco esperto perceberia que quando a raiva passasse estaria disposta a tentar.

- Ele só devia estar a fim de diversão. E pensar que eu disse que estava apaixonada por ele... – suspirou. Pelo visto Draco não tinha entendido que ela queria muito mais do que desculpas por ele tê-la enganado-a.

E por mais boba e romântica que parecesse queria que ele tivesse aparecido antes de aparatar direto em Milão e pedido para que ficasse com ele, ou então que ele aparecesse ali em Milão com um buquê de flores e trufas de licor de menta pedindo para ficarem juntos. Mas é claro que Malfoy não faria algo assim. Ele nem respondeu em retorno quando tinha dito que estava apaixonada, por que viria atrás dela?

A campainha do seu apartamento tocou a tirando dos seus pensamentos. Ginny estranhou, ainda não tinha amigos ali, só alguns colegas de trabalho, mas eles nem sabiam onde ela morava, pelo menos achava que eles não sabiam. Levantou do sofá e foi abrir a porta para se deparar com um loiro e um enorme buquê de rosas.

- Draco? – sussurrou. Devia estar sonhando, coincidências assim nunca eram reais.

Draco sorriu galante e ela sabia o que aquilo significava: ele estava pronto para dar o bote na sua presa.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou atônita e segurando firme a porta.

- Uma visita – ele respondeu deixando de sorrir e arqueando a sobrancelha. - Passei três dias tentando achar onde você morava então será que dá pra me convidar a entrar?

- Você... você não tem o direito de aparecer assim na minha casa e...

- Vamos parar com isso, Ginny. A gente ainda tem muito o que resolver – disse entediado entregando o buquê a ruiva. – Estou aqui fazendo o papel do cara romântico então você poderia fazer sua parte e se jogar logo nos meus braços.

Ela resmungou baixo e abriu mais a porta para que ele entrasse. Era exatamente isso que desejara há minutos atrás então por que não fazer o que ele disse?

Draco entrou e ela fechou a porta. Colocou o buquê em cima da mesa e o encarou um pouco incerta. Ele não estaria ali se fosse só uma diversão, estaria?

- Hum, o que temos pra resolver? – perguntou e o loiro não fez cerimônia nenhuma em se sentar na poltrona esperando ela fazer o mesmo. Ginny se sentou no sofá em frente a ele.

- Você foi embora sem a gente nem ter tempo pra discutir o que tinha acontecido.

A ruiva ruborizou levemente e disse ácida:

- Pelo que eu entendi fui a sua válvula de escape.

Draco crispou os lábios e revirou os olhos.

- Bem que eu gostaria que tivesse sido só isso – ela o olhou pronta para xingá-lo e expulsá-lo dali, mas ele foi mais rápido e falou antes. – Mas você sabe que não foi isso que aconteceu. Eu me envolvi com você de verdade.

- O que você quer dizer com isso?

Draco sorriu e quando Ginny se deu conta ele já estava sentado ao lado dela.

- Eu quero dizer que com você eu tive os melhores amassos e a melhor transa – respondeu deixando a ruiva vermelha e chocada com tanta cara de pau.

- Ah... e você acha que dizendo isso vai me convencer a ficar com você? – ela já se preparava para levantar e colocá-lo para fora da sua casa, mas Draco a impediu segurando sua cintura e aproximando os lábios do ouvido dela.

- E eu também me apaixonei por você – sussurrou. – Acho que foi por isso que tudo foi tão bom.

Ginny sentiu um familiar frio na barriga e um arrepio nos braços e pescoço. Sabia que não ia resistir muito tempo.

- E pelo que eu bem sei com você aconteceu a mesma coisa – Draco desceu os lábios pelo pescoço dela apenas deslizando de leve.

- Eu nunca disse que você tinha sido minha melhor transa – ela não pode deixar de alfinetar.

Draco parou imediatamente de beijar o pescoço dela e se afastou um pouco, sua segurança de segundos atrás totalmente abalada.

- Eu... talvez eu... – Ginny nem estava acreditando no quanto o tinha deixado vacilante. – Olha, talvez não tenha sido um dos meus melhores desempenhos, você sabe que eu já estava há um tempo sem...

Mas o loiro nem chegou a completar a frase. Quando viu já estava com os lábios da ruiva colados aos seus. Sem perder mais tempo correspondeu ao beijo. Ela não tinha resistido mais ao ver o quanto ele ficava uma gracinha inseguro daquele jeito. Parou de beijá-lo, se afastando só um pouco antes de sussurrar:

Mas o loiro nem chegou a completar a frase. Quando viu já estava com os lábios da ruiva colados aos seus. Sem perder mais tempo correspondeu ao beijo. Ela não tinha resistido mais ao ver o quanto ele ficava uma gracinha inseguro daquele jeito. Parou de beijá-lo, se afastando só um pouco antes de sussurrar:

- Você foi perfeito – ele sorriu orgulhoso de si mesmo. - Acho que você tem razão quando diz que sou quem 'ataco' primeiro – Ginny comentou sorrindo e beijando o pescoço dele. – Bom, só faltou as trufas.

Draco ruborizou, mas ela não chegou a ver isso.Ele havia comprado trufas sim. Fez questão de trazê-las da melhor chocolateria que conhecia em Londres, mas elas só duraram até o segundo dia dele ali a procura de Ginny(1).

- Vou lembrar disso da próxima vez – disse, trazendo o corpo dela para mais perto do seu. – E posso ser mais perfeito ainda hoje... – Ginny mordiscou o pescoço dele que conteve o gemido. - E eu achando que ia demorar mais um pouco pra você se render – ele murmurou, acariciando os cabelos dela.

Ginny o olhou séria, se acomodando no colo dele.

- Pra ouvir mais besteiras vindo de você nem um pouco romântico? Não, obrigada – acariciou o rosto dele, contornando os lábios finos com a ponta dos dedos. – Você não vai fugir no dia seguinte, vai?

- Nunca mais – respondeu antes de beijá-la com intensidade. As mãos de Ginny já brincavam nos botões da sua blusa e ele deitou por cima dela. A ruiva o abraçou com força, ainda apreciando as palavras que tinha acabado de ouvir.


Quando Draco acordou no meio da madrugada sentindo suas costas doloridas se xingou mentalmente por não ter ido para o quarto da ruiva. Haviam feito amor e dormido ali mesmo no sofá, sem conforto ou cobertores. Ginny ainda dormia, o abraçando e com parte do corpo por cima do braço dele. Draco beijou o topo da cabeça dela e fechou os olhos tentando voltar a dormir e ignorar seu braço formigando.

- Hum, Draco, vamos pra cama, estou com frio aqui – Ginny pediu com a voz mole e sonolenta.

O loiro sorriu e fez com que ela sentasse para que ele pudesse levantar e levá-la nos braços até o quarto. Chegando lá a colocou na cama, pegou um cobertor e se deitou. Ginny voltou a abraçá-lo e deitou com a cabeça encima do peito dele. Draco os cobriu e acariciou os cabelos ruivos.

- Você já está dormindo, Ginny? – perguntou baixo.

- Quase – ela respondeu de olhos fechados.

- Eu falei sério quando disse que nunca mais iria fugir.

- Uhum.

- Quando a gente dormiu junto pela primeira vez eu não tinha me dado conta do que estava sentindo, sabe? Mas depois eu acho que entendi. Eu realmente me apaixonei por você.

- Eu também me apaixonei por você – ela disse, esfregando o nariz de leve no peito dele e voltando a deitar com a cabeça.

- Isso nunca tinha acontecido... então eu pensei: acho que eu devo casar com você.

Ginny abriu os olhos e levantou a cabeça para encará-lo. Mas Draco já estava com os olhos fechados e ressonava baixinho. Ela ainda ficou alguns minutos assim antes de voltar a deitar com a cabeça no peito dele e tentar entender a frase que tinha acabado de ouvir.

Draco sabia fingir dormir muito bem.


Ginny não podia estar se sentindo melhor! Finalmente tudo parecia se acertar em sua vida. O único problema que permanecia era e falta de idéias para desenhar novos modelos de roupas. E a causa disso ainda era a mesma: Draco. Depois de se acertar com o loiro, sua concentração andava zero. Quando estava longe se pegava pensando nele na maior parte do tempo e em casa passavam praticamente juntos o tempo todo. Estava completamente apaixonada e sabia que era plenamente correspondida.

Nunca imaginou que Draco podia ser tão atencioso e carinhoso, e aqueles poucos dias juntos mostravam isso. Mas ainda havia o lado mimado e preguiçoso nele. Dificilmente Draco se dava ao trabalho de sair do apartamento dela e sempre reclamava por passar quase o dia todo sozinho ali sem nada para fazer. Ela acabava se derretendo com o jeito e os bicos que o namorado fazia, o que a levava a negligenciar seu trabalho e o mimando de todas as maneiras que podia imaginar. Naquela tarde mesmo, depois que saiu do atelier, passou em uma padaria ali perto e comprou uma fatia generosa de torta de nozes, a preferida dele.

Assim que chegou em casa, depositou a torta na mesa e seguiu para o quarto, encontrando ele dormindo, o que não era nenhuma surpresa. Suspeitava que a única coisa que Draco fazia quando ela não estava ali era dormir.

Sentou-se na cama com cuidado e assim que acariciou os fios loiros, Draco abriu os olhos. Ela sorriu e se abaixou um pouco encostando nos lábios dele rapidamente.

- Já estava acordado?

- Uhum. O que trouxe hoje para mim? – perguntou com a voz rouca.

- Torta de nozes – respondeu, ainda acariciando os cabelos dele.

Draco se sentou e a encarou durante alguns instantes antes de se levantar. A ruiva ficou um pouco confusa com a reação – ou a falta de reação – dele. Nada de beijos intensos, ou reclamações do tipo 'você demorou'. Tratou de ir atrás para se certificar que não havia nada de errado.

Ele já se encontrava ao lado da mesa dividindo a torta em dois pedaços iguais e colocando cada um em um prato. Ofereceu um dos pedaços a ela e se sentou no sofá começando a comer sua torta. Ginny pegou seu pedaço e se sentou ao lado dele, esperando Draco puxar algum assunto, já que ele costumava tagarelar horas sem parar assim que ela chegava do trabalho.

Mais depois de alguns segundos observando-o apenas a comer sua torta concentrado, viu que realmente algo não estava muito certo ali. Pensou em algo para dizer e acabou se vendo sem palavras. O que podia falar em uma situação como aquela? Ainda estava cedo para eles começarem a discutir a relação. Até ontem tudo parecia perfeito. Estava começando a pensar se toda aquela paixão que Draco mostrava não tinha acabado do dia para noite.

Colocou sua fatia intocada em cima da mesinha de centro e perguntou tentando soar calma e natural.

- Algum problema, Draco? Você está tão quieto hoje – ele a encarou ainda mastigando e balançou a cabeça negando. Ginny ficou meio frustrada com a resposta, mas achou melhor não insistir no assunto por hora.

Draco realmente tinha um pequeno problema, mas não levava o menor jeito para discutir sobre o assunto. Se a ruiva estava frustrada com o seu comportamento hoje, ele também estava com a falta de resposta dela e com a falta de jeito dele próprio. Tinha pedido ela em casamento e não havia recebido nenhuma resposta. Claro que não podia nem culpá-la por isso. Não havia sido realmente enfático e havia feito o pedido em uma hora em que ela não estava totalmente consciente.

As alianças estavam ali, em seu bolso. Estiveram sempre guardadas com ele desde o dia em que pos os pés pela primeira vez no apartamento dela. Sabia que era uma atitude precipitada e nem sequer conseguia se imaginar fazendo o pedido, ainda sim conseguia imaginar ela dizendo não. Era loucura, se conheciam há pouco tempo e estavam juntos há menos tempo ainda. Não entendia por que o impulso de fazer o pedido. Aquela Weasley devia ter torrado todos os seus neurônios. Mas então por que parecia tão certo? Por que precisava tanto fazer o pedido?

E a resposta estava ali do seu lado, o olhando insegura, como se pudesse sentir todo o conflito que passava por ele, apesar de não entender o que estava realmente acontecendo. Colocou o prato vazio na mesinha e se aproximou da ruiva, segurando o rosto dela com a palma da mão. A amava. Mesmo que não entendesse, que não soubesse a razão. A única coisa que tinha certeza era de que a amava. E era por isso que precisava fazer o pedido.

- Hum, Draco, você está realmente bem? – Ginny perguntou novamente, estranhando o olhar vidrado dele sobre ela.

Ele chegou mais perto, os lábios próximos aos da ruiva, que fechou os olhos. Então se viu dando vazão ao seu pensamento.

- Amo você – simples assim e fácil, como não imaginou que seria. Ginny abriu os olhos, chocada e sem saber como reagir. – E é por isso que eu acho que devo casar com você.

Ela se afastou um pouco, tentando entender o que tinha ouvido. Amor ia além da paixão, não era? Não sabia bem. Mas a vontade de dizer o mesmo e a certeza de que aquelas palavras eram verdadeiras estavam presentes ali. Draco a amava, e ela o amaria em retorno porque esse era o certo. O abraçou forte, afundando o rosto na curva do pescoço dele. Podia sentir o quanto ele estava tenso.

- Eu também amo você – sussurrou. O loiro correspondeu ao abraço, parecendo mais tranqüilo. Inconscientemente levou a mão até o bolso, segurando a caixinha com as alianças. Ginny ainda não havia respondido ao seu pedido.

- E...? – indagou.

Ela se afastou um pouco o olhando sorrindo.

- E o que?

- Você ouviu o que eu disse depois? - Draco arqueou a sobrancelha, meio incerto.

- Ah, você ta falando sobre o lance de casar? Bom, eu achei melhor ignorar já que você soou como se fosse uma obrigação. "Eu devo casar com você". Faça-me o favor, né, Draco! – disse divertida.

Ele pareceu indignado e sem palavras por alguns segundos.

- É a segunda fez que eu te peço em casamento e é assim que você me responde? – Ginny tentou parar de rir ao ver o quanto ele estava sério. – Não é uma obrigação. Eu realmente quero casar com você, de verdade, porque eu amo você, sua ruiva burra! – disse tirando a caixinha do bolso e abrindo-a na frente dos olhos dela. Ginny ficou boquiaberta.

- Você está falando sério? – perguntou olhando para as alianças.

- Não, Ginny. Elas são de alcaçuz, você coloca na boca e elas derretem! – respondeu com sua paciência esgotada. Segurou a mão direita dela e colocou a aliança no dedo. – Pronto! Você não precisa mais responder. – Não ia levar um "não" àquela altura, não é?

Ginny voltou a sorrir, praticamente se derretendo com a falta de jeito do agora noivo.

- Ai, Draco, é incrível como você consegue ser fofo mesmo não querendo – sem se conter mais, pulou em cima dele, fazendo-o deitar no sofá. – Eu aceito casar com você sim!

Com sua paciência esgotada há séculos, Draco pressionou a nuca dela, fazendo com que os lábios da ruiva encostassem-se aos seus, finalmente a beijando. Apesar de não conseguir se expressar de maneira romântica, iria compensar a sua ruivinha com uma noite maravilhosa. Já estava começando a se entusiasmar no beijo, quando ela se afastou bruscamente e se levantou.

Ginny foi até a lareira e pegou a sacolinha que ficava ali em cima com pó de flu.

- Ei, o que você vai fazer?

Ela se virou rindo, os olhos brilhando de felicidade.

- Contar pra minha família!

Draco fez uma careta, mas ela nem viu.

- Você tinha que estragar a noite, né? – resmungou baixo, seu entusiasmo se evaporando.

Ginny passou mais de meia hora com a cabeça ali na lareira, contando a novidade para a família, enquanto Draco brincava distraído com sua própria aliança. A ruiva não perdia o tom alegre, mesmo tendo que driblar as reclamações deles. Só restava esperar a tempestade que viria a partir de agora. Draco tinha uma vaga noção do estardalhaço que aquela família podia causar, e não tinha tanta certeza assim de que poderia enfrentar aquilo com muita facilidade, mas sabia que valia a pena.

Era amor afinal.


(1). O Draco de CL é viciado em doces assim como o de CN:P

N.A: Nem acredito que finalmente to atualizando essa fic. Gente, desculpa por essa demora horrorosa, mas eu escrevi esse capítulo umas três vezes, cada uma de uma maneira diferente, fora outros contratempos. Bom, agora já está tudo certo entre eles e o próximo capítulo é o último, eles voltam pra Londres prontos para se casarem. Não tenho respondido as reviews porque ando sem muito tempo, mas obrigada por elas. Eu tive que relê-las antes de escrever esse capítulo pra ver se me inspirava e ajudou bastante!

Bjus.

N/B: Bem, demorou, mas definitivamente valeu a pena! Ê ê... Esse capítulo ta altamente fofo, e vc´s com certeza concordam comigo, então não sejam malvados, e digam a Nah, o que eu canso de dizer, que ela é uma escritora maravilhosa, e que o Draco dela é perfeito! Mas claro, morram de inveja, pq simplesmente ele é "Só meu":P

Bjos a todas!