Às duas horas da manhã lorde Potter saiu do banho. Em seguida, foi obrigado a vestir roupão e chinelos e sair à procura da esposa, porque, como já devia esperar, ela não se encontrava na cama, como deveria. Harry foi à Torre Sul primeiro, mas ela não se encontrava lá. Mary tinha adormecido em uma cadeira ao lado da cama de Dominick. O garoto dormia profundamente, deitado de bruços, com as cobertas amontoadas ao pé da cama. Resmungando, Harry recolheu os lençóis e cobriu o filho. Em seguida, acariciou a cabeça dele e saiu.

Quinze minutos depois ele encontrou Hermione no salão de jantar. Envolta em seu roupão negro e dourado de seda, com os cabelos descuidadamente presos em um coque no alto da cabeça, ela estava diante da lareira. Seus dedos seguravam uma taça de conhaque, e ela admirava o retrato da mãe do marido.

— Podia ter me convidado para beber com você – disse ele, à entrada do salão.

— Queria que isso ficasse entre mim e Lily – respondeu ela, ainda fitando o retrato. – Vim fazer um brinde a ela.

Ela ergueu a taça.

— A você, minha querida Lucia, por trazer o meu endiabrado marido ao mundo... e por dar a ele tanto do que havia de melhor em você... e por abrir mão dele, para que ele pudesse viver e se transformar em um homem... e para que eu pudesse encontrá-lo.

Ela agitou o líquido cor de âmbar na taça e inalou o aroma respeitosamente. Em seguida, com um pequeno suspiro de prazer, levou-o aos lábios. Harry entrou na sala e fechou a porta atrás de si.

— Você não sabe a sorte que teve por me encontrar – disse ele. – Sou um dos poucos homens na Europa Ocidental que tem condições de sustentar você. Esse, sem dúvida, é o meu melhor conhaque.

— Não pensei na sua adega quando ponderei seu patrimônio e suas responsabilidades – disse Hermione. – Com certeza isso teria lhe dado mais pontos. Ela indicou a pintura com um gesto. — Ela não lhe parece esplêndida ali?

Harry foi até a cabeceira da mesa, sentou-se em sua cadeira e estudou o retrato. Em seguida, levantou-se e foi até o aparador, considerando-o a partir daquele ângulo. Examinou-o da porta que levava à Galeria dos Músicos, das janelas e da extremidade oposta da longa mesa de jantar. Finalmente ele se juntou à esposa ao lado da lareira, cruzou os braços diante do peito e examinou a mãe daquele ponto, com uma expressão séria no rosto. Mesmo assim, independentemente do ângulo pelo qual ele a visse ou por quanto tempo a observasse, não sentia mais nenhuma dor ou mágoa. Tudo o que via era uma bela mulher que o havia amado à sua própria maneira temperamental. Embora nunca viesse a saber a verdade completa sobre o que acontecera 25 anos antes, ele sabia o bastante e acreditava o suficiente para poder perdoá-la.

— Ela era uma beleza, não? – disse ele.

— Era linda.

— Duvido que alguém possa culpar o maldito de Dartmouth por ter fugido com ela, eu acho – disse ele. – Pelo menos aquele homem ficou com ela até o fim. Os dois morreram juntos. Isso deve ter enfurecido o meu pai. – Ele riu. – Mas não duvido que o filho de "Jezebel" o enfurecia ainda mais. Ele não podia me deserdar porque era um esnobe e não seria capaz de deixar sua preciosa herança nas mãos vulgares de um de seus bastardos. O grande hipócrita não conseguiu nem mesmo destruir o retrato, porque ela era parte da história dos Potters, e ele, como seus nobres antepassados, deve preservar tudo para os seus descendentes, goste ou não.

— Ele nem jogou fora os brinquedos.

— Mas ele me jogou fora, ainda assim – disse Harry. – A poeira da fuga da minha mãe mal havia assentado quando ele me mandou para Eton. Por Deus, que velho mais imbecil e obstinado. Podia ter me aceitado, podia ter conquistado respeito e admiração do filho com um mínimo de esforço. Eu tinha 8 anos! Estava completamente à mercê dele. Como argila em suas mãos. Podia ter me modelado para ser o que ele quisesse. Se queria se vingar dela, seria a maneira perfeita, e teria o filho que desejava ao mesmo tempo.

— Fico contente por ele não ter moldado você – comentou Hermione. – Você não seria tão interessante.

Ele olhou para o semblante sorridente de Hermione.

— Interessante, certamente. O flagelo e a perdição dos Potters, o Príncipe dos Canalhas em pessoa. O maior cortejador de prostitutas de toda a Cristandade. Um ingrato arrogante e imbecil.

— O homem mais depravado que já viveu.

— Um enorme paspalho. Um brutamontes arrogante, egoísta e odioso.

Ela assentiu.

— Não se esqueça de "idiota pretensioso".

— Não importa o que você pense – disse ele pomposamente. – Meu filho acredita que eu sou uma mistura do rei Arthur com todos os cavaleiros da Távola Redonda em uma só pessoa.

— Você é humilde demais, meu querido – comentou ela. – Na verdade, Dominick está convencido de que você é uma mistura de Júpiter e todos os outros deuses do panteão romano em uma só pessoa. É algo totalmente nauseante.

— Você não sabe o que é nauseante, Mione – contou ele, rindo. – Queria apenas que você tivesse visto a pilha de sujeira que encontrei na estalagem Golden Hart. Se aquela coisa não houvesse falado, eu poderia tê-lo confundido com uma pilha de lixo e jogado o coitado no fogo.

— Remus me contou – falou ela. – Eu desci enquanto você estava se banhando e o encostei na parede antes que ele fosse embora. Ele descreveu o estado em que Dominick se encontrava e como você enfrentou a situação e cuidou de tudo... com as próprias duas mãos.—Ela enlaçou o braço dele, aquele que os próprios medos e a carência de Harry haviam paralisado, aquele que os medos e a carência ainda maiores de um garotinho haviam curado. — Eu não sabia se devia rir ou chorar – confessou ela. – Assim, fiz as duas coisas. – Uma névoa brilhava nos olhos dela. – Estou muito orgulhosa de você, Potter. E orgulhosa de mim mesma – acrescentou ela, desviando os olhos e piscando forçosamente. – Por ter tido o bom senso de me casar com você.

— Não seja ridícula – disse ele. – O bom senso não teve nada a ver com isso. Mas vou lhe dar o crédito por conseguir extrair o melhor de uma situação que faria qualquer mulher normal saltar, aos gritos, do alto da torre mais próxima.

— Isso seria imperdoavelmente gauche – disse ela.

— Significaria admitir a derrota, você quer dizer – disse ele. – E isso é algo que você não é capaz de fazer. Não é da sua natureza. Como Wesley aprendeu, para sua eterna vergonha.

Ela franziu a testa.

— Eu sei que me aproveitei dele. Apesar de tudo, ele foi bem cavalheiresco para revidar como devia. Tudo o que ele tentou fazer foi se desvencilhar e me jogar para longe. Mas eu não teria me aproveitado da situação se o desgraçado tivesse soltado o ícone. Quando ele o soltou, eu já estava ensandecida demais para parar de agredi- lo. Se você não tivesse chegado naquele momento, acho que eu o teria matado.

— Creio que sim. Bem, brutamontes arrogantes até que servem para alguma coisa – disse ele.

Harry a tomou nos braços e a levou até a mesa de jantar.

– Por sorte, meus dois braços já estavam funcionando naquele momento. Caso contrário, duvido que conseguiria arrancá-la de cima dele. – Harry colocou-a sobre o tampo de madeira. – O que eu gostaria de saber, no entanto, é por que a minha esposa equilibrada e sensata não teve o bom senso de manter alguns criados por perto, independentemente de haver um incêndio na propriedade.

— Eu mantive – disse ela. – Mas Joseph e Mary estavam na Torre Sul, longe demais para ouvir o que quer que fosse. Eu não perceberia que Wesley estava aqui se ele não houvesse descido pela escadaria principal. Mas desci até o térreo para procurar por você. Alguém tinha que estar lá quando você chegasse para fazer Dominick se sentir bem-vindo aqui. Eu queria ser essa pessoa. Queria provar que estava ansiosa pela chegada dele. – A voz de Hermione vacilou. – Queria reconfortá-lo queria lhe d-dar um abraço.

Ele ergueu o queixo de Hermione e fitou seus olhos úmidos.

— Eu o abracei, cara – disse ele, com a voz suave. – Eu o trouxe comigo, segurando-o à minha frente, sobre o meu cavalo, e o abracei com força, porque ele é uma criança e precisa ser reconfortado. Eu disse que cuidaria dele... porque é o meu filho. E disse que você o queria, também. Contei-lhe tudo a seu respeito. Disse que você podia ser gentil e incrivelmente compreensiva, mas que não iria tolerar nenhuma gracinha. – Ele sorriu. – E, quando chegamos, a primeira coisa que Dominick viu foi uma prova sólida e indisputável do que eu lhe disse. Você provou que o papai estava dizendo a verdade e que o papai sabe de tudo sobre todos.

— Então vou abraçar o papai. – Ela colocou os braços ao redor da cintura de Harry e encostou a cabeça em seu peito. – Amo você, Harry James Potter. Amo você, lorde Pottter e Belzebu, lorde Blackmoor, lorde Launcells, lorde...

— São muitos nomes – disse ele. – Estamos casados há mais de um mês. Como parece que você tem a intenção de continuar por aqui, posso até mesmo lhe dar licença para usar o meu nome de batismo. De qualquer maneira, é melhor do que "cabeça-dura".

— Amo você, Harry – disse ela.

— Até que sou meio afeiçoado a você, também – disse ele.

— Imensamente afeiçoado – corrigiu ela.

O roupão que ela usava deslizou pelos ombros. Ele rapidamente a cobriu.

— "Imenso" talvez seja a palavra adequada. – Ele olhou para baixo, onde seu membro começava a ganhar vida contra o tecido do próprio roupão. – É melhor subirmos e irmos dormir. Antes que o meu sentimento de afeição cresça até um nível despropositado.

— Ir ao quarto apenas para dormir seria um disparate – falou Hermione. Ela deslizou as mãos pela abertura do roupão dele e acariciou-lhe o peito. Os músculos de Harry se retesaram e pulsaram, e as pulsações começaram a percorrer-lhe o corpo, descendo cada vez mais.

— Você está exausta após aquela briga – disse ele, sufocando um gemido. – Além disso, tenho certeza de que está com vários hematomas. Não vai querer o corpo de um brutamontes de 100 quilos pesando sobre o seu.

Hermione deslizou o polegar sobre o mamilo de Harry.

Ele inspirou o ar com força.

— Você pode deixar seu corpo por baixo – disse ela, suavemente.

Harry ordenou a si mesmo que ignorasse o que ela havia acabado de dizer, mas a imagem se ergueu em sua mente, assim como seu falo, ansioso. Já fazia um mês desde que ela tinha dito que o amava. Fazia um mês desde que ela o convidara verdadeiramente para dentro de si em vez de cooperar. Por mais agradável que fosse aquela cooperação, ele sentia falta dos arroubos audaciosos de Hermione quase tanto quanto daquelas duas palavras preciosas.

Além de tudo, ele era um animal.

E já estava tão excitado quanto um elefante no cio.

Ele a tirou de cima da mesa. Sentiu vontade de jogá-la no chão, pois levá-la nos braços seria algo perigosamente íntimo. Mas ela não aceitaria ser jogada no chão. Prendeu-se aos braços dele e enlaçou-lhe a cintura com as pernas. Ele tentou não olhar para baixo, mas não conseguiu evitar. Viu coxas brancas e macias circundando-o e percebeu um vislumbre dos pelos crespos castanhos logo abaixo da fita que não prendia mais o roupão. Hermione ajeitou o corpo e o robe deslizou pelos ombros novamente. Ela tirou o primeiro braço da manga folgada e depois o outro. O roupão elegante se transformou em um retalho inútil de seda que lhe pendia da cintura.

Sorrindo, ela ergueu os braços e colocou-os ao redor do pescoço de Harry. Esfregou seus seios firmes e brancos contra a abertura do roupão dele, e a peça cedeu. Os montes mornos e femininos pressionaram sua pele. Ele deu meia-volta, voltou para perto da mesa e escorou-se sobre ela.

— Mione, como diabos vou conseguir subir as escadas nessas condições? – perguntou ele com a voz rouca. – Como um homem pode enxergar quando você faz esse tipo de coisa?

Ela lambeu a reentrância do pescoço de Harry.

— Eu adoro o seu gosto – murmurou ela. Entreabriu os lábios e deslizou-os sobre a clavícula dele. – E do toque da sua pele na minha boca. E o seu cheiro... sabonete, colônia e homem. Eu adoro suas mãos grandes e quentes... e seu corpo grande e quente... e seu imenso e latejante...

Harry puxou a cabeça de Hermione para cima e pressionou a boca contra a dela. Ela se abriu instantaneamente, convidando-o a entrar. Ela era uma devassa, uma femme fatale, mas seu sabor era fresco e limpo. Tinha o gosto da chuva, e ele a sorveu. Inalou o aroma de camomila misturado à fragrância que era unicamente sua.

Seguiu com o dedo os contornos aprazíveis daquele corpo com suas mãos grandes e morenas... a coluna graciosa do pescoço, a inclinação suave dos ombros, a curva sedosa dos seios com os mamilos intumescidos e escuros. Ele se deitou sobre a mesa e a trouxe por cima de si, deslizando aqueles contornos femininos novamente com a língua e a boca. Acariciou aquelas costas lisas e macias, encaixando as mãos na curva sinuosa da cintura esguia e na protuberância formosa dos quadris.

— Sou como argila em suas mãos – sussurrou ela em seu ouvido. – Amo você loucamente. E o quero muito.

A voz suave, rouca pelo desejo, enchia a cabeça de Harry e pulsava em suas veias, fazendo aquela música louca ecoar em seu coração.

Sono tutto tuo, tesoro mio – respondeu ele. – Sou todo seu, meu tesouro.

Daí agarrou-a pelos quadris apetitosos e trouxe-a até a sua masculinidade... e gemeu enquanto ela o guiou para dentro de si.

— Oh, Mione.

— Todo meu. – Ela baixou lentamente o corpo, envolvendo-lhe o membro.

— Oh, Deus. – O prazer se espalhou por ele, duro e quente como ferro em brasa. – Oh, Dio. Vou morrer.

— Todo meu – disse ela.

— Sim. Mate-me, Mione. Faça isso de novo.

Ela se ergueu e baixou os quadris outra vez, com a mesma lentidão torturante.

Outro relâmpago.

Abrasador. Arrebatador.

Harry implorou por mais. Ela lhe deu mais, cavalgando-o, controlando-o. Era assim que ele queria, porque era o amor que o dominava, a felicidade que o aprisionava. Ela, a dona do seu corpo, a amável dona do seu coração. Quando a tempestade finalmente explodiu, trêmula após o ato, Hermione se deixou cair nos braços dele. Harry segurou-a com força contra o coração acelerado do qual ela era dona... onde o segredo que ele escondera por tanto tempo batia dentro do peito.

Mas não queria mais segredos como aquele. Podia dizer aquelas palavras agora. Era muito fácil, quando tudo que havia sido congelado e enterrado dentro dele acabou se descongelando e borbulhando, vívido e fresco como os riachos de Dartmoor na primavera.

Com um riso vacilante, ele ergueu a cabeça de Hermione e a beijou de leve.

Ti amo – disse ele. E foi tão ridiculamente simples que ele disse aquilo outra vez, em inglês. – Amo você, Mione.


Se o amor não tivesse aparecido em sua vida, informou seu marido pouco tempo depois, ele poderia ter cometido um erro do qual nunca se perdoaria. O sol nascia no horizonte quando os dois voltaram ao quarto de Harry, mas ele ainda não estava pronto para dormir até que os eventos da noite estivessem esclarecidos, explicados e resolvidos.

Ele estava deitado de costas, olhando para os dragões dourados do dossel da cama.

— Como eu mesmo estou apaixonado – dizia ele –, fui obrigado a notar a facilidade com que qualquer homem, especialmente alguém com a inteligência limitada de Ronald, pode tropeçar e cair de cabeça num poço de areia movediça.

Em algumas poucas sentenças carregadas de desprezo, ele relatou suas suspeitas sobre a participação de Blaize no escândalo de Paris e como as armações continuaram. Hermione não ficou muito surpresa. Sempre considerou Blaize um ser humano desagradável e perguntava a si mesma por que a esposa dele ainda não o havia abandonado. Ela ficou, entretanto, surpresa e contente com a maneira que seu marido encontrou de lidar com o problema. Quando Harry terminou de descrever seus métodos intrigantes para lidar com Ron e com o repelente Beaumont, Hermione ria incontrolavelmente.

— Ah, Harry – arfou ela. – Você é muito malvado. Eu daria qualquer coisa para ver a expressão no rosto de Blaize quando ele ler a c-carta de agradecimento de R-Ronald.

— Só você seria capaz de apreciar o humor da situação – disse ele quando finalmente pararam de rir.

— E a elegância de tudo isso – complementou ela. – Wesley, Chang e até mesmo aquele maldito canalha do Blaise, tudo resolvido em questão de minutos. E sem que você precisasse levantar um único dedo.

— Exceto para contar as notas bancárias – disse ele. – Isso está me custando, lembra?

— Ronald lhe será grato pelo resto da vida – disse ela. – Ele vai correr até os confins da terra para atender seus pedidos. E Cho ficará contente porque se acomodará com um homem que a adora. Isso é tudo o que ela deseja, você sabe. Uma vida de luxo e indolência. Foi por isso que ela teve Dominick.

— Eu sei. Ela achou que eu lhe pagaria 500 libras por ano.

— Perguntei a ela como havia chegado a essa conclusão esdrúxula – disse Hermione. – Ela disse que foi quando todos aqueles figurões vieram para o enterro do seu pai. Alguns cavalheiros trouxeram suas próprias aves do paraíso e as deixaram em hospedarias nas proximidades. Junto com outras fofocas que vieram de Londres, Cho ouviu histórias, exageradas, sem dúvida, de pensões e anuidades pagas para filhos ilegítimos de certos nobres. Isso, ela me disse, foi o motivo pelo qual ela não usou as precauções habituais com você e Ainswood, e também, quando percebeu que estava enceinte, não tomou nenhuma providência para corrigir a situação.

— Em outras palavras, foi outra prostituta sem nada na cabeça que lhe deu essa ideia.

— Cho achou que só precisava ter um filho e nunca mais precisaria trabalhar outra vez. Quinhentas libras era uma fortuna impensável para ela.

— O que explica por que ela aceitou as suas 1.500 libras tão rapidamente. – Harry ainda estava com os olhos fixos nos dragões. – Você sabia disso e ainda assim ameaçou dar o meu ícone a ela.

— Se eu tivesse que lidar com ela usando meus próprios meios, eu não poderia correr o risco de que ela fizesse um escândalo diante de Dominick – explicou Hermione. – Assim como você, ele é muito sensível e emotivo. O estrago que ela poderia causar com algumas palavras em poucos minutos poderia levar anos para ser consertado. Mas, com você ali, esse risco caiu consideravelmente. Ainda assim, preferi que ela fosse embora de forma discreta. Foi por isso que armei Remus com dinheiro para um suborno.

Harry se virou de lado e puxou-a para seus braços.

— Você fez a coisa certa, Mione – disse ele. – Duvido que eu teria sido capaz de lidar ao mesmo tempo com uma criança doente e uma mãe histérica. Eu estava com as mãos cheias. As duas. E minha mente estava ocupada por ele também.

— Você estava lá quando ele mais precisou – disse ela, acariciando-lhe o peito duro e quente. – Seu papai forte e grande estava ao seu lado, e isso é o que importa agora. Ele está em casa. Está em segurança. Vamos cuidar dele.

— Em casa. – Ele baixou os olhos, fitando-a. – É permanente, então.

— Lady Granville criou os dois bastardos do marido, concebidos pela tia, ainda por cima, junto com os próprios filhos legítimos. Os bastardos do duque de Devonshire também cresceram na casa da família.

— E a marquesa Potter pode fazer o diabo, e para o inferno com o que as outras pessoas pensam – disse seu marido.

— Não me importo em começar minha família com um garoto de 8 anos – disse ela. – É possível conversar com uma criança dessa idade. Eles já são quase humanos.

Naquele momento, como se percebesse a deixa, um grito animalesco rasgou o silêncio da manhã.

Harry afastou-se de Hermione e levantou o corpo com um movimento rápido.

— Ele está tendo um pesadelo, apenas isso – disse Hermione, tentando puxar o marido de volta para si. – Mary está com ele.

— Esse berreiro está vindo da galeria. – Harry se levantou da cama.

Enquanto vestia o roupão, Hermione ouviu outro grito ensurdecedor... grito que vinha da galeria, como Harry disse. Depois, ela ouviu outros sons também. Outras vozes. E barulhos de pancadas. E o som suave de passos apressados. Harry já avançava descalço pelo corredor enquanto Hermione ainda tentava se desvencilhar dos lençóis. Ela vestiu o roupão, calçou os tamancos e correu atrás dele.

Hermione o encontrou em pé logo ao lado a porta, com os braços cruzados diante do peito, a expressão inescrutável enquanto observava um garoto de 8 anos nu correndo em direção às escadas da ala sul, com três criados em perseguição desabalada.

Dominick estava a alguns poucos passos da entrada quando Joseph surgiu abruptamente sob o vão. O garoto instantaneamente deu meia-volta e retornou por onde veio, desviando-se dos adultos que tentavam agarrá-lo e gritando quando não conseguiam.

— Parece que meu filho é do tipo que acorda cedo – disse Harry, sem se alterar. – O que Mary lhe deu para comer no café da manhã? Pólvora?

— Eu lhe disse que ele era ligeiro como o diabo – disse Hermione.

— Ele passou correndo por mim há um momento – disse ele. – E me viu. Olhou nos meus olhos e riu. Esses berros são risadas, como você vai perceber, e ele continuou em alta velocidade. Foi diretamente na direção da porta, parou um instante antes de arrebentar a cabeça contra ela, virou-se e correu para o outro lado. Imagino que ele queira a minha atenção.

Ela assentiu.

Harry entrou na galeria.

— Dominick – disse ele, sem elevar a voz.

O filho disparou para o interior de uma alcova. Harry o seguiu, tirou-o das cortinas que ele estava tentando escalar e colocou a criança sobre o ombro. Harry o levou até o quarto do casal, e de lá para o quarto de vestir. Hermione o seguiu somente até o interior do quarto. Podia ouvir a voz grave e forte do marido e os sons mais agudos do garoto, mas não conseguiu identificar as palavras.

Quando os dois saíram do vestíbulo alguns minutos depois, Dominick vestia uma das camisas do pai. A frente pregueada se estendia até abaixo da cintura do garoto, enquanto as duas mangas e a barra se arrastavam sobre o tapete.

— Ele tomou o café da manhã e se lavou, mas recusa-se a usar o macacão porque aquela roupa o sufoca, pelo que me disse – explicou Harry enquanto Hermione quase morreu sufocada ao tentar manter a expressão serena.

— Essa é a camisa do papai – disse Dominick a ela, orgulhoso. – É grande demais. Mas não posso ficar de bunda de fora...

— Nu – corrigiu Harry. – Não se deve falar do seu traseiro quando houver senhoras por perto. Da mesma forma que você não deve andar por aí com o seu piu-piu balançando ao sabor do vento... por mais que seja uma delícia ouvir as mulheres chocadas gritando. Além disso, você não deve fazer um escarcéu tão grande ao raiar do dia quando minha senhora e eu estamos tentando dormir.

A atenção de Dominick se voltou para a cama imensa. Seus olhos verdes se arregalaram.

— Essa é a maior cama do mundo, papai?

Ele arregaçou as mangas, segurando dois punhados amarrotados do tecido que balançavam ao redor das pernas esquálidas, e foi trotando até ela, observando-a com admiração.

— É a maior da casa – disse Harry. – O rei Charles II dormiu nessa cama uma vez. Quando o rei visita, é preciso ceder-lhe a maior cama.

— Você colocou um bebê dentro dela nessa cama? – perguntou Dominick, apontando os olhos para a barriga de Hermione. – Minha mãe disse que você me colocou na barriga dela na maior cama do mundo. Tem um bebê ali agora? – perguntou ele, apontando.

— Sim – disse o senhor marquês. Dando as costas para a esposa assustada, ele se aproximou da cama e pegou o filho nos braços. – Mas isso é segredo. Você não pode contar a ninguém. Promete?

Dominick fez que sim com a cabeça.

— Prometo.

— Sei que vai ser difícil guardar um segredo tão interessante – disse Harry. – Mas farei valer a pena. Em troca desse favor especial, vou deixar que você surpreenda a todos com a notícia. É um bom acordo, não é?

Depois de ponderar a questão por alguns momentos, Dominick assentiu mais uma vez com a cabeça. Ficou claro agora que os dois rapazes não tinham problemas para se comunicar. Ficou claro também que Dominick, para todos os fins e propósitos, era como argila nas enormes mãos do seu pai. E o pai sabia disso.

Harry abriu um sorriso matreiro de superioridade para a esposa estupefata e levou o filho para fora do quarto.

Ele retornou alguns momentos depois, ainda sorrindo.

— Você está muito seguro de si – comentou ela quando Harry se aproximou.

— Sou capaz de calcular – disse ele. – Estamos casados há cinco semanas e você ainda não alegou indisposição uma única vez.

— Ainda é cedo para dizer.

— Não, não é. – Ele tomou Hermione nos braços com a mesma facilidade com a qual erguera o filho e carregou-a para a cama. – É fácil de calcular. Uma marquesa fértil e um marquês viril resultam em uma criança chorona, em algum momento entre fevereiro e março. Ele não a colocou no chão; sentou-se na beirada do colchão, aninhando-a em seus braços musculosos.

— E eu achei que conseguiria surpreendê-lo.

Ele riu.

— Você me surpreende desde o dia em que eu a conheci, Mione. Toda vez que eu me viro, alguma coisa explode no meu rosto. Se não for um relógio obsceno ou um ícone raro, é uma arma. Ou a minha mãe tragicamente incompreendida. Ou o meu filho endiabrado. Há momentos em que eu me convenço de que não me casei com uma mulher, e sim com um artefato incendiário. Isso, pelo menos, faz algum sentido. – Ele colocou uma mecha rebelde dos cabelos de Hermione atrás da orelha. – Não há nada de surpreendente no fato de que duas pessoas com apetites carnais insaciáveis tenham feito um bebê. É perfeitamente natural e razoável. Não ofende nem um pouco a minha sensibilidade delicada.

— Isso é o que você diz agora. – Ela olhou em seus olhos e sorriu. – Mas, quando eu começar a engordar, quando meu humor começar a ficar instável e irritadiço, seus nervos vão sair do controle. E quando o parto começar, quando você me ouvir gritar, xingar e mandá-lo para o inferno...

— Eu vou rir – disse ele. – Como o bruto sem consciência que sou.

Ela ergueu a mão para acariciar aquele queixo arrogante.

— Ah, bem, pelo menos você é um bruto bonito. E rico. E forte. E viril.

— Já era hora de você perceber a sorte que tem. Você se casou com o homem mais viril do mundo. – Harry abriu um sorriso malandro, e, em seus olhos verdes, ela viu o diabo que havia dentro do marido rindo. Mas aquele diabo pertencia a ela, e ela o amava loucamente.

— O mais presunçoso, você quer dizer – rebateu ela.

Ele baixou a cabeça até que o seu imenso nariz estava a poucos centímetros do dela.

— O mais viril – repetiu ele, firmemente. – Você é mesmo uma cabecinha de vento. Para a sua sorte, eu sou o mais paciente dos tutores. E vou mostrar a você.

— Sua paciência? – perguntou ela.

— E minha virilidade. Ambas. Repetidamente. – Os olhos verdes brilharam. – Vou lhe ensinar uma lição que você nunca mais vai esquecer.

Ela enfiou os dedos nos cabelos dele e trouxe aquela boca ao encontro da sua.

— Meu devasso querido – sussurrou ela. – Gostaria de vê-lo tentar.


A acabou... Meu Deus, como eu amei adaptar essa fanfic, esse livro tem um lugar especial no meu coração e fiquei muitoo feliz com o resultado da adaptação :D Espero que tenham gostado do final e até a próxima!

Guest: Concordo totalmente com você: Hermione é fodaa kkkkk primeiro o tiro, agora a briga! E, a pior parte (para mim, pelo menos) o epílogo, porque tenho que dar adeus a fanfic, mas fazer o que né? Espero, sinceramente, que tenha gostado da fanfic e desejo a você um feliz ano novo! Beijos :D

LuanaMalfoyLivros: Acabou :( mas Mione vai ter um baby sim! kkkkk mulher, acredite em mim, se eu conseguisse faria mais uns 30 capítulos para a fanfic, mas, Deus não me deu o dom de escrever então só iria estragar completamente a história! Depois de HH(clarooooo) Draco e Gina são meu casal favorito e até pensei em adaptar a continuação, mas... to com uns outros projetos... nada confirmado mas quem sabe eu até não faça os dois? Meu Deus, quero morrer sua amiga kkkkkkk Espero que tenha gostado do final, te desejo uma ótima, maravilhosa virada de ano e que 2016 seja melhor ainda, bjoos, flor :D

Sabrina: Fiquei muitoo feliz em saber que ficasse lendo a fanfic o dia todo kkkkkk te entendo completamente, quando pego um livro ou fanfic muito boa não consigo largar! E saber que minha adaptação te agradou tanto me deixa muito feliz! Espero que tenha gostado do final, espero que você tenha uma ótima virada de ano, querida :D

Midnight: Concordo totalmente! Eu simplesmente morri de rir quando li a cena pela primeira vez, ela sai dando tiro por aí e quebrando a cara do povo, adorei kkkkkkk E o que achaste desse final? Espero que tenha gostado! Te desejo uma ótima virada de ano e um 2016 melhor ainda, beijos querida e até a próxima! :D