N/A: Aí está a primeira parte do capítulo.
Agora um avisinho: a fic está se encaminhando para a reta final. Só teremos mais dois capítulos depois desse, mas como esse capítulo tem 4 partes, então ainda vai demorar um pouco. Estou pensando em fazer toda a fic pelo ponto de vista de Edward, passando a se chamar "Message Received" e acho que vai rolar mesmo, mas aviso por aqui sobre qualquer decisão definitiva.
Enfim... é isso. Continuem mandando muitos reviews e façam a autora ainda mais feliz =D
CAPÍTULO XVIII – Parte 1
~ 18º Dia ~
O dia amanheceu ensolarado novamente, embora a umidade deixasse claro que em breve a chuva cairia.
E com a manhã quente e abafada, veio a constatação de que eu era mesmo uma imbecil por ter acreditado que aquilo daria certo.
Edward não mandou nenhuma mensagem avisando que tinha chegado, nem qualquer tipo de notícia. E quando eu cheguei cinco minutos atrasada na escola e não vi o carro dele, percebi que ou ele estava fugindo para não conversar e dizer que não queria mais nada, que tinha deixado aquilo ir longe demais, ou ele tinha sofrido um terrível acidente durante a caminhada e agora estava sangrando em cima de uma pedra.
Confesso que fiquei muito tentada a preferir a segunda opção.
Apesar de estar muito irritada com Edward e com toda aquela situação, eu não consegui me impedir de ficar triste ao pensar no quanto o dia em que eu me apresentei a Edward tinha sido bom. Em como tinha sido perfeito passar aquela hora inteira conversando com ele no último horário enquanto cabulávamos a aula de Educação Física. No beijo que trocamos. Meu primeiro beijo. Na forma protetora com que ele pegara minha mão e me levara até o seu carro quando estávamos rodeados de alunos curiosos e fofoqueiros.
E agora esses mesmo alunos estavam fazendo do meu almoço um verdadeiro inferno. Porque, como se não bastasse ter Lauren com os mesmos comentários do dia anterior, agora Jessica tinha resolvido acompanhar a amiga, provavelmente achando que seu segredo estava seguro porque eu não era mais uma ameaça. E boa parte dos alunos a nossa volta riam dos comentários das duas e, mais uma vez, eu saí do refeitório sem ter comido praticamente nada. Mas mesmo que tentasse, tinha certeza de que nada desceria hoje. Parecia que havia um nó na minha garganta e a vontade que eu tinha era de gritar até aquilo passar.
E eu fiquei tentada a fazer o mesmo que ontem e deixar minha roupa no vestiário, saindo com a roupa da ginástica novamente, mas podia ouvir a chuva que finalmente tinha caído e a minha blusa branca ficaria transparente no primeiro metro debaixo d'água. Assim, respirei fundo e entrei no vestiário, nem um pouco pronta para enfrentar as feras.
- Então, Bella, cadê o seu Edward? – Lauren perguntou assim que eu entrei.
- Edward dela? Desde quando ele era dela? – Jessica desdenhou rindo baixinho, sendo acompanhada por Lauren. – É isso que dá ceder muito fácil. Ele teve o que queria e partiu para outra melhor.
Entrei em um dos boxes e comecei a me trocar o mais rápido possível, mas ainda assim as duas continuaram falando, aumentando a voz para que eu pudesse ouvir com clareza.
- Eu realmente não sei o que foi que Bella fez para que ele quisesse ficar com ela mesmo que por um dia. – Lauren comentava com Jessica, as duas sentadas despreocupadamente em um dos bancos longos de madeira.
- Parem com isso, vocês duas. – ouvi a voz de Ângela vinda de um dos boxes – Vocês estão machucando a Bella com essa conversa sem propósito.
- Ah, Bella. Não chora. – Lauren falou em voz de falsa piedade e eu pude ouvir o riso baixo de Jessica. – Você não achava mesmo que alguém como Edward iria querer alguém como você, achava?
Saí do box encarando-as fixamente para que elas vissem que eu não estava chorando, mas não falei nada. Apenas peguei a minha mochila que tinha deixado em um canto e saí do vestiário batendo a porta com força. Mas eu estava no meu limite para aquilo tudo e enquanto andava para a saída do ginásio, senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.
Saí do prédio e me encostei à parede, respirando fundo algumas vezes e enxuguei a lágrima com as costas da mão, me sentindo uma idiota por chorar por alguém que não merecia.
Respirei fundo mais uma vez e ergui o rosto, pronta para encarar a chuva e correr até o meu carro. E foi então que eu vi Edward vindo na minha direção, debaixo de chuva, e sem parecer nem um pouco preocupado com esse fato.
Seus olhos estavam presos em mim e eu só identifiquei uma coisa neles: dor.
Mas eu não queria conversar. Eu não queria olhar para Edward porque eu sabia que se o fizesse, acreditaria em qualquer coisa, qualquer mentira que saísse da sua boca. E eu não queria ouvi-lo. Não agora.
O problema era que ele estava no meu caminho para o estacionamento e quando eu andei na sua direção e tentei passar por ele, tudo que Edward precisou fazer foi segurar meu pulso e me impedir de continuar.
- Me solta! – pedi por entre os dentes, tentando puxar meu braço, mas ele simplesmente era mais forte.
- Bella, não acredite em nada do que elas disseram, por favor. – ele pediu em tom de urgência, apontando para o ginásio ao nosso lado. – Nada daquilo é verdade.
- Me solta, Edward! – pedi quase gritando, puxando meu braço com mais força e dessa vez ele me soltou.
Ainda pensei em sair dali e correr para o meu carro, mas sabia que Edward me alcançaria em dois segundos. Nós dois estávamos completamente encharcados, mas eu não me importava com isso. Tampouco me importava com o fato de que vários alunos nos observavam de longe, protegidos da chuva.
- Eu não me arrependi de nada do que aconteceu, Bella. Nada. – ele falou com a voz um pouco alta para que eu o ouvisse acima do barulho da chuva e dos trovões.
Apesar de saber que deveria perguntar como ele tinha ouvido aquela conversa, saber que ele tinha escutado tudo, toda a minha humilhação, me deixou com ainda mais raiva e novas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, por sorte sendo imediatamente lavadas pela chuva.
- Conhecer você foi a melhor coisa que me aconteceu e se eu me comportei daquela forma na terça feira foi apenas porque... Droga, Bella! – ele esbravejou de repente, passando a mão nos cabelos molhados. – Eu amo você e nada vai mudar isso.
Senti meu coração falhar uma batida e então voltar a bater tão rápido que nem parecia estar batendo. Um zumbido encheu os meus ouvidos e me senti levemente zonza. Edward... me amava? De verdade? Eu queria acreditar, mas não fazia sentido.
- Por que você me ama? – perguntei num fio de voz, sem saber ao certo se ele tinha me ouvido.
- Você me tirou de um abismo que pensei que nunca sairia, Bella. – ele falou mais baixo agora, dando um pequeno passo na minha direção.
- Mas eu não sou ninguém. – murmurei novamente, olhando para meus pés e deixando meus cabelos molhados formarem uma cortina ao redor do meu rosto. – Nem bonita eu sou. – concluí falando ainda mais baixo.
Percebi que Edward se aproximava mais e vi suas mãos erguendo na minha direção, tomando meu rosto entre elas. Então ele me fez encará-lo mais uma vez, vendo um pequeno sorriso se formando nos seus lábios perfeitos.
- Isabella Swan – ele começou, removendo uma mecha molhada do meu rosto – você é a mulher mais linda, sensual e apaixonante que eu já conheci. E eu estou falando sério. – ele completou quando viu que eu não acreditava.
- Então, se eu sou isso tudo, por que você foi embora?
- Porque eu precisava te proteger. – ele respondeu de imediato.
- De você? – perguntei com o cenho franzido e ele apenas assentiu. Respirei fundo para clarear minha mente e o encarei novamente – Eu confio em você, Edward.
Foi a vez dele de franzir o cenho como se o que eu falasse não fizesse sentido.
- Por quê?
- Porque eu te amo. – respondi simplesmente e me surpreendi com o quanto tinha sido fácil falar aquilo. Um sorriso enorme surgiu no seu rosto e ele já estava se inclinando na minha direção para me beijar quando eu recuei o rosto para continuar – E eu não preciso de proteção. – falei num tom firme quando ele franziu o cenho. – Eu preciso de você!
A seriedade que tinha voltado ao seu semblante imediatamente foi substituída por um novo sorriso e dessa vez eu permiti que eu me beijasse na frente de todos e que envolvesse minha cintura tirando meus pés do chão. E eu fiz questão de envolvê-lo pelo pescoço intensificando ainda mais o beijo, deixando bem claro para quem estivesse olhando que Edward era meu.
Não sei se estremeci pelo corpo gelado de Edward, pela chuva ou pelo beijo trocado que de tão intenso me deixou sem ar. Estava bem inclinada a pensar que tinha sido por conta do beijo, mas Edward não parecia pensar do mesmo jeito.
- Vamos sair dessa chuva. – ele sussurrou interrompendo o beijo e encostou a testa na minha. – Vai acabar pegando um resfriado.
- Não me importo.
Tudo que eu queria era voltar a beijá-lo.
- Mas eu sim. Não quero te ver doente. – ele murmurou me apertando um pouco mais contra o seu corpo e então me soltou depois de dar um pequeno beijo nos meus lábios.
Edward abriu um enorme sorriso, fazendo-o parecer o homem mais feliz do mundo e pegou minha mão apertando-a de leve, mas com firmeza e me levou em direção ao seu carro.
- Vai molhar tudo. – falei quando paramos ao lado do Volvo.
- Deixe de bobagem, Bella. – ele falou sem deixar de rir e me puxou pela nuca, depositando um beijo rápido nos meus lábios.
Edward soltou minha mão e segurou a porta aberta para mim. Entrei no carro e sentei no banco confortável, sentindo meu rosto esquentar quando a água começou a empoçar no chão do carro aos meus pés. Mas quando Edward entrou e jogou minha mochila no banco traseiro, sentando em seguida ao volante, o mesmo aconteceu com ele e tudo que ele fez foi sorrir para mim e acionar o motor, ligando o aquecedor em seguida.
- Meu Deus, você está tremendo, Bella. – Edward murmurou quando já estávamos na estrada, colocando o aquecedor no máximo.
- Como é que você não está com frio? – perguntei sem parar de tiritar, colocando minhas mãos na saída do ar quente. – Você está tão encharcado quanto eu.
- Eu estou bem. – ele respondeu apenas, seu sorriso vacilando um pouco, mas logo ele voltou a sorrir – Acho que demos um pequeno show agora na escola.
- Verdade. – concordei rindo também, ao mesmo tempo em que sentia meu rosto esquentando de novo.
Logo parávamos na frente da minha casa e Edward rapidamente desceu do carro e deu a volta, abrindo a porta para mim sem parecer nem um pouco preocupado em estar debaixo da chuva de novo. Desci apressada e corri para a porta de entrada, mas quando fui procurar pelas chaves, vi que tinha esquecido a mochila dentro do carro.
- Fique aqui. – Edward pediu quando eu já estava fazendo menção de voltar para o carro. - Eu pego.
Mas antes dele sair de perto de mim, Edward me puxou pela nuca mais uma vez e cobriu meus lábios com os seus. Apesar dos seus lábios serem extremamente gelados, assim que sua língua encontrou a minha, um calor intenso percorreu meu corpo e eu já nem lembrava de estar completamente molhada.
Mas como tudo que é bom dura pouco, Edward logo estava se afastando parecendo bastante receoso de fazer isso e deu uns passos para trás ainda de olhos fechados. Então abriu os olhos e sorriu para mim, um sorriso tão doce que novamente o fazia parecer o homem mais feliz do mundo.
Sorri de volta para ele, sentindo meu coração pular com força dentro do meu peito e aquela sensação gostosa de borboletas no estômago voltou intensa.
Depois que Edward pegou minha mochila no carro e voltou correndo para a entrada, eu peguei as chaves que estavam no bolso da frente da mochila e abri a porta, segurando-a aberta para que Edward entrasse.
- Eu acho melhor não. – ele murmurou passando a mão nos cabelos.
- O que foi? – perguntei, colocando a mochila no chão ao lado da porta e me aproximei dele que estava do lado de fora.
- É melhor eu ir para casa. – ele falou se aproximando também e infiltrou uma mão fria na minha nuca, puxando meu corpo delicadamente para perto dele e abaixou o rosto até o seu estar quase colado com o meu. – E você precisa de um banho quente.
- Você também. – sussurrei de olhos fechados, sentindo seus dedos acariciando minha nuca e seu hálito gélido no meu rosto, me deixando inebriada.
- Eu te aviso quando chegar em casa, ok?
- Ok.
Seus lábios cobriram os meus mais uma vez, de início apenas um leve roçar de lábios. Mas quando ele prendeu meu lábio inferior com os dentes e deslizou a língua por ele, eu não consegui conter um gemido e isso foi o bastante para a paixão explodir. Quando me dei conta já estava encostada na parede ao lado da porta e o corpo de Edward prensando o meu.
Sua boca devorava a minha com intensidade e eu correspondia do mesmo jeito, nossas línguas dançando afoitas. Eu já tinha esquecido de todo o resto. Não havia chuva desabando, trovões ressoando, roupas molhadas. Nada. Tudo que eu sentia era o beijo de Edward, seu corpo pressionado ao meu, sua mão segurando minha nuca com firmeza, enquanto a outra deslizava pela lateral do meu corpo, me deixando ainda mais quente do que já estava.
E quando eu gemi novamente ao sentir sua mão roçando a lateral de um seio, Edward gemeu também, pressionando ainda mais seu corpo contra o meu, me fazendo sentir o quão excitado ele estava.
- Desculpe. – ele pediu arfante, interrompendo o beijo e afastando o quadril do meu, mas não me soltou completamente. – Esse é um dos motivos que me faz achar melhor ir para casa agora. – ele continuou com um pequeno sorriso.
- Como? – perguntei num murmúrio ainda mais arfante que ele, não vendo motivo algum que o fizesse ir embora. Muito pelo contrário. Ele tinha que ficar.
- Você precisa tomar banho. – ele falou dando um beijo leve no meu rosto – E pensar em você debaixo do chuveiro estando tão perto, não é muito bom para o meu controle.
- Ah…
O que Edward queria com isso? Me matar? Porque eu tinha certeza de que estava bem perto disso.
- Melhor eu ir agora antes que acabe esquecendo dos meus princípios.
Como dizer para ele que eu queria que ele esquecesse tudo?
- Ok. – falei apenas, sentindo meu rosto corar ainda mais só por ter pensando em falar aquilo.
- Te aviso quando chegar. – ele murmurou, depositando um beijo leve nos meus lábios.
- Cuidado na estrada. – pedi quando ele já estava se afastando. – Não corre muito.
- Chegarei são e salvo em casa. – ele falou com um sorriso enorme e andou tranqüilamente para dentro do carro.
Fiquei na porta até que seu carro desapareceu na curva e soltei o ar de uma vez. Não sei quanto à Edward, mas eu definitivamente estava me sentindo a pessoa mais feliz no mundo.
