"Duzentas flexões, Hudson." Foi o que o treinador Tanaka disse em resposta ao atraso de seu quarterback. Finn teria feito todas as flexões sem problema algum - assim como fazia esforços maiores durante o treino e os jogos - senão fosse a dor infernal nas costas que ainda não havia passado, o nariz entupido e todos os outro sintomas que a gripe trouxera.

"Dude, você está bem?" Sam perguntou, vendo o amigo se levantar do gramado. Com certeza, não havia feito as duzentas flexões pedidas e apenas esperou os treinadores virarem para se levantar novamente.

"Não muito..." O quarterback respondeu, antes de coçar o nariz novamente, evitando outra crise de espirros. O único efeito que o antialérgico tinha causado era o sono, fazendo que ele lutasse para manter os olhos abertos.

"O que te derrubou? Ou devo dizer... quem?" O loiro perguntou novamente, irônico e com um sorriso malicioso nos lábios.

"Eu só fiquei gripado, Throuthy Mounth."

"Aham, sei." Continuou dizendo com ironia. "Corta essa, Huddy. Eu quero saber o por quê de eu não ter podido sair com a minha gata ontem."

"Okay, okay... bom, eu preparei algo pra Rachel e a gente transou na piscina e dormimos na varanda e eu acordei assim. Satisfeito?" Disse o moreno, matando a curiosidade do colega de time.

"Wow, nunca tentei na piscina... é bom?" Ele perguntou.

"Tudo com a Rachel é bom, você não tá entendendo..." Afirmou o quarterback, dando um sorriso orgulhoso.

"Chega de fofoca, moças!" Exclamou o treinador Tanaka, apontando parar os dois. "Já terminou as flexões, Hudson?" Perguntou, agora apontando para o mais alto.

"Já, treinador." Foi o que o moreno respondeu.

"Então vamos treinar, temos um grande jogo pela frente." Afirmou, antes de voltar a andar pelo campo com seus principais jogadores atrás de si.

"Tem certeza que vai conseguir treinar assim?" Sam sussurrou para o amigo, ao ouvi-lo ter uma crise de tosse.

"Não ouviu ele? Temos um grande jogo pela frente, não posso dar pra trás agora." Disse Finn, pondo o capacete e determinado a aguentar aquele treino.

~x~

Infelizmente, ele não aguentou.

Finn abriu os olhos, confuso por onde estava e logo sentiu a mesma dor na cabeça e nas costas lhe atingirem, só que numa intensidade bem pior.

"Ai..."

"Dude, você acordou finalmente!" O quarterback seguiu a voz de Puckerman, que estava parado em frente a cama/maca onde ele estava deitado.

"O q-que aconteceu?" Perguntou, coçando os olhos.

"Você desmaiou no meio do treino. Sam disse alguma coisa sobre você estar gripado ou algo assim..." O empresário respondeu, sendo interrompido pela porta recém-aberta.

"Parece que o antialérgico que você tomou não adiantou em nada, Sr. Hudson." Terri, uma das médicas que trabalhava no "pequeno hospital", que o centro de treinamento dos Giants tinha, adentrou a sala dizendo.

"Ele vai ficar bem?" Puck perguntou, imediatamente preocupado com o jogo da próxima sexta-feira.

"Vai, vou receitar alguns remédios pra conter os sintomas e seus anticorpos fazem o resto. Além de, claro, repouso durante os próximos dias e temo que o quarterback reserva vai ter que jogar nesta sexta." A loira disse, dizendo o que o homem de moicano e Finn temiam.

"Oh, merda..." O quarterback reclamou e se calou ao ver a porta se abrir pela segunda vez em pouquíssimo tempo. Não se calou porque alguém estava entrando, mas, sim, porque se surpreendeu ao ver quem estava entrando.

"Terri, meu pai está reclamando de dor de cabeça. Ele quer um remédio, urgente." Ninguém mais, ninguém menos que Marley Rose adentrara a enfermaria, inicialmente, não percebendo a presença dos dois homens ali.

"Só um minuto, Stra. Wilde." Terri pediu.

"Você não ouviu? É urgente!" Exclamou, mimada. "Oh... olá, Finn." Disse ela, mudando totalmente a postura e, até mesmo, sorrindo para ele que não fez nada além de revirar os olhos.

"Ora, ora, se não é a garota que me deu um trabalho desgraçado contando para a imprensa que o Finn tem uma filha." Puckerman se pronunciou, ao ver Terri sair da sala para pegar o remédio exigido pela patricinha.

"Você tem provas? Acho que não..." A garota de olhos azuis disse em tom de desprezo para o empresário e voltou a prestar atenção no homem que lhe interessava.

"Sabia que existe algo chamado lógica?" O dono do moicano perguntou.

"Estou ignorando você, okay? Então, Finn..." Ela mordeu o lábio inferior. "Quando vamos sair de novo?"

A risada rouca e irônica do quarterback preencheu a sala. "Você ainda tem algum tipo de esperança de que isso vá acontecer?"

"Uhum, claro que tenho! Senão fosse aquela ligação, nós estaríamos juntos agora." Afirmou ela, com toda certeza do mundo.

"Acho que isso só faria com que o Finn estivesse com a Rachel há menos tempo, mas ele não estaria com você." Puck se intrometeu novamente, não se dando conta da besteira que havia feito.

"Puck!" Finn disse entre dentes.

"Puta que pariu! Por que eu não posso calar minha boca, hein? Por que eu só tenho que falar merda, cara... Isso é injusto, sabia?"

"Quer dizer que você está com a mãe da sua filha agora?" Marley perguntou, interrompendo o surto do empresário. "Isso quer dizer que você não estava com ela antes... ou estava? Isso quer dizer que você só me usou pra despistar a imprensa?"

Ele não sabia o que responder e nem teve tempo, pois Terri adentrou à sala novamente, entregando o remédio à Marley e vendo Puck socar a parede com ódio de si mesmo. O quarterback apenas se conteve em bufar e fechar os olhos sentindo toda a dor de cabeça atual aumentar e prever a que viria pela frente.

~x~

"Você não faz ideia do quanto eu odeio essa Marley sem ao menos conhecê-la." Rachel afirmou no dia seguinte, ao conversar com Finn no skype e ele finalmente contá-lo sobre o episódio ocorrido no dia anterior.

"Eu ainda me pergunto como fui tão inútil à ponto de sair com ela." O quarterback disse. "De qualquer forma, o Puck quase se ajoelhou pedindo desculpas por ter falado mais que a boca. Eu disse à ele que estava tudo bem, mas uma dor de cabeça ainda pior viria por aí." Completou, suspirando e ajeitando o travesseiro atrás de si.

"Não estou com raiva dele, mas nós realmente não tínhamos pensado nesta possibilidade de assumir nosso relacionamento em público." A morena disse.

"Não teria problema em fazer isso, senão fosse o inferno que a imprensa e os paparazzi fariam. Você nunca passou por isso, porque seus fãs te respeitam e não te perseguem, apenas pedem um autógrafo ou algo assim, mas isso vai mudar no momento em que você virar a namorada do quarterback dos Giants." Lamentou ele, visivelmente triste. O que partiu o coração dela, porque além dele estar doente, ainda estava longe dela.

"Sinto sua falta, sabia disso? Queria estar cuidando de você e... vamos deixar esse assunto de lado por enquanto. Estamos sofrendo antecipadamente, Finn." Afirmou a escritora, dando um sorriso reconfortante.

"Também sinto sua falta, babe." Ele disse simplesmente, dando, também, seu característico sorriso. "E da Zoey, claro." Afirmou, ao ouvir o choro da filha invadir a sala.

Rachel deixou o notebook em cima da mesa e se levantou, indo pegar a pequena Hudson-Berry em seu quarto. Voltou com ela vestida com a camisa dos Giants que ganhara de presente do pai e com algumas lágrimas escorrendo pela bochechas rosadas. Era manha, a morena tinha certeza.

"Hey, princesa... porque está chorando, hein?" Finn perguntou, ao ver Rachel voltar para frente do notebook com Zoey em seu colo, que demorou um pouco para perceber que a voz do pai vinha de dentro do estranho aparelho.

"Você está saudade do papai, não está?" A morena perguntou à filha, que esticava os bracinhos para tentar tocar o rosto do pai, mas só conseguiu manchar a tela do notebook com os seus dedos.

Fez cara de cachorrinho e isso partiu o coração do quarterback.

"Não fica triste, okay? Eu já estou melhorando e logo vou estar com você de novo..." Ele prometeu. "Quer que eu cante pra você? Então você pode dormir de novo e o tempo vai passar mais rápido." Completou, como se ela pudesse entender e Rachel apenas observava a cena com adoração.

Finn limpou a garganta e pensou rapidamente em uma música da sua playlist mental.

Where is the moment we needed the most

(Onde está o momento quando nós mais precisamos?)

You kick up the leaves and the magic is lost

(Você chuta as folhas e a mágica é perdida)

They tell me your blue skies fade to grey

(Eles me dizem que seus céus azuis tornam-se cinza)

They tell me your passion's gone away

(Eles me dizem que sua paixão foi embora)

And I don't need no carryin' on

(E eu não preciso seguir em frente)

Because you had a bad day

(Porque você teve um dia ruim)

You're taking one down

(Você está se sentindo para baixo)

You sing a sad song just to turn it around

(Você canta uma música triste apenas para mudar isso)

(...)

E no fim da música, Zoey estava adormecida e Rachel se perguntava se podia ficar mais apaixonada do que já estava por aquele homem.