Capítulo Vinte e Um
The Heir's Heir
(O Herdeiro do Herdeiro)
No café da manhã do dia seguinte, rumores de que Harry era o Herdeiro de Sonserina já tinham se espalhado pela escola e tomado o controle da mente dos outros alunos.
Um grupo de Lufos rasgaram a mochila de Harry quando o viram no corredor para que um deles — aparentemente um nascido muggle — pudesse fugir, e Ron conseguiu uma detenção por socar Cormac McLaggen durante o almoço por fazer uma pergunta que nenhum dos amigos de Harry queria repetir.
O jantar foi tranquilo; apenas Draco e Ginny se sentaram com Harry; Hermione estava na biblioteca com Ron (os dois tinham decido para encher pratos de comida antes de desaparecerem de novo) e os outros Grifinórios mantinham sua distância, com exceção do time de Quadribol, que lhe deu tapinhas nas costas ao passarem por ele e se sentarem um pouco depois de Draco para conversar sobre a próxima partida em voz baixa. Harry não conseguiu se forçar a se juntar a eles e, em vez disso, manteve a cabeça baixa e tentou ignorar os murmurinhos que lhe eram muito claros, graças à sua audição Animaga.
Harry supôs que não era uma completa surpresa se ver levado até o escritório de Dumbledore depois da sobremesa por uma professora McGonagall de lábios crispados. Perguntou-se se ela também acreditava nos rumores.
— Oi, Fawkes — disse Harry e recebeu um canto doentio em resposta; supôs que era a semana da queima.
— Sente-se, Potter — disse ela, indicando a cadeira. — O diretor logo se juntará a nós. — Harry se sentou, e ela se provou certa; Dumbledore chegou poucos minutos depois deles e ofereceu uma bala de limão a Harry ao se sentar.
— Não, obrigado — falou Harry.
— Por mais admirável que a lealdade deles seja — falou Dumbledore com uma sobrancelha erguida —, talvez você queira sugerir que o senhor Malfoy cuide de você a uma distância maior; ele quase foi esmagado pela escada agora mesmo.
— Devo...
— Deixe-o, Minerva — disse o diretor, escolhendo uma bala de limão para si. — Harry precisa de seus amigos no momento, eles só precisam ter mais cuidado. — Com isso, Dumbledore presenteou Harry com um sorriso.
— Não perdem tempo — murmurou ela, mas continuou onde estava.
— Acho que ficou sabendo de ontem — falou Harry.
— Acredito que já conversamos sobre segredos, ou melhor, a falta de segredos em Hogwarts — falou Dumbledore. — E eu, apesar de não saber muitas coisas, tenho a tendência a ouvir todos os tipos de coisas. — Harry, incerto se tomaria uma bronca ou se seria reconfortado, ficou em silêncio. — Antes de mais nada, você está bem?
— Claro — respondeu, dando de ombros. McGonagall soltou um som irritado.
— Potter — disse ela.
— Dada as circunstâncias, estou tão bem quanto possível — falou ele sem olhá-los. Olhava para os tênis. — Estou tendo o melhor dos dias? Não. Podia ser pior? Acho que sim. — Olhou para os dois. McGonagall estava com a boca aberta, como se quisesse dizer algo, e Dumbledore parecia pensativo. — Sabe por quê? — perguntou depois de uma pausa.
— Por que o quê, Harry? — perguntou Dumbledore.
— Por que eu consigo... você sabe. Falar com as cobras. — Harry estava ciente de que McGonagall o olhava com pena, não por conseguir ver, mas por sentir o cheiro. Era um cheiro enjoativo.
— Eu não tenho respostas — falou Dumbledore. — Apenas suposições. — Harry esperou. — Minha melhor suposição, nesse momento, é que naquela noite em que Voldemort tentou te matar, quando ainda era um bebê, ele transferiu acidentalmente algumas de suas habilidades a você...
— Então, eu meio que sou o Herdeiro de Sonserina, já que eu — Harry torceu o nariz — herdei suas habilidades.
— Por magia, não por sangue — disse Dumbledore gentilmente.
— Mas é através da ofidioglossia que acontece — falou. — Ou pelo menos é o que achamos.
— Mesmo?
— Achamos que é uma cobra. É por isso que eu consigo ouvir, mas os outros não...
— Uma explicação bastante lógica. — Dumbledore estava de pé, andando de um lado para o outro atrás de sua mesa. — Uma em que não pensei, mas considerando a raridade desse dom...
— Então eu poderia ser...
— Você pode ponderar as complicações de habilidades mágicas herdadas e suas aplicabilidades depois, Albus — disse McGonagall sucintamente.
— É claro — falou ele, inclinando a cabeça na direção dela. Lentamente, mas ainda pensativo, ele voltou a sua cadeira. — Suponho que o verdadeiro assunto, Harry, é para onde vamos daqui.
— O que quer dizer? — perguntou Harry.
— Não consigo pensar em nada que resolva seu problema — falou Dumbledore. Harry balançou a cabeça; ele, seus amigos e Padfoot também não conseguiram. — Os rumores são inevitáveis e alguns alunos mais ousados podem te atacar por medo...
— Eu sei — disse Harry.
— Esse comportamento não será tolerado — falou McGonagall, firme. — Eu os farei aparar o campo de Quadribol com uma tesoura de unha, senhor Potter, posso garantir. — Harry conseguiu dar um sorriso fraco, certo de que nunca deduraria alguém a ela por causa disso, mesmo que o atacassem de verdade. Ela assentiu.
— Mas a verdade é que eles estão assustador, e as pessoas que estão assustadas podem ser perigosas — disse Dumbledore. — Eu não quero vê-lo em perigo, Harry, e por isso devo perguntar se tem certeza de que quer continuar em Hogwarts.
— Eu sempre estou em perigo, senhor. — Ou é o que parece, pensou. — Dou conta. — Dumbledore não pareceu surpreso, mas parecia um pouco triste e não respondeu. — Se for isso — falou —, eu tenho uma redação que preciso...
— Na verdade, Harry, preciso tomar mais um pouco de seu tempo. — Harry voltou a se sentar e esperou, curioso. — O Conselho Diretor sempre procura um motivo para me afastar — disse quase alegremente. — E acho que eles decidiram que essa história da Câmara pode ser o argumento necessário... — Sua alegria sumiu e sua expressão ficou séria. — Ouvi alguns rumores durante o natal, mas parece que tudo se aquietou na última semana. — Pausou e olhou para McGonagall. — Ainda não sabemos se isso é algo bom ou não.
— Por que está me contando isso? — perguntou Harry.
— Da última vez, os ataques só pararam porque Tom não podia arriscar se expor depois de ter ido tão longe para esconder seu envolvimento. Dessa vez, nada do tipo aconteceu e, por isso...
— Haverá mais ataques — disse Harry. McGonagall crispou os lábios. — É o que acha, certo?
— É o mais provável — disse Dumbledore pesadamente. — É claro que estamos fazendo o que podemos para manter os alunos seguros, mas...
— ... mas isso não significa que estejam — terminou Harry e, então, deu-se conta do que tinha dito. — Desculpe, eu...
— Não há por que se desculpa, caro menino — disse Dumbledore, balançando uma mão. — Você está, infelizmente, correto. — Suspirou. — E temo que o próximo ataque resultará em meu afastamento da escola.
— Isso seria idiotice — falou Harry, cruzando os braços. — Ninguém do Conselho tem tanta chance de encontrar Riddle quanto você...
— Pode ser que você encontre — falou Dumbledore suavemente. Harry piscou. — Não estou — disse, severo — sugerindo que você deixe tudo de lado para encontrá-lo, Harry. Como disse antes, não quero vê-lo em perigo...
— Eu sempre...
— Você mencionou — falou Dumbledore gentilmente. — O que estou sugerindo, é que Tom pode ser atraído por você. Ele é perspicaz e talentoso, mas ele sempre teve uma infeliz necessidade de ser reconhecido. Ele vai querer que alguém saiba que isso tudo foi por causa dele.
— Acha que ele vai se deixar ser capturado? — perguntou Harry, franzindo o cenho.
— Não — falou Dumbledore, balançando a cabeça. — Mas acho, e sei que você teve pensamentos similares, que ele pode procurar você. — Harry assentiu lentamente. Era algo em que tinha pensado. — Seja para se vangloriar ou...
— Seja pela profecia — disse Harry em voz baixa. McGonagall soltou um som baixinho e questionador, mas Dumbledore balançou a cabeça para ela.
— Talvez. — A palavra pesou no escritório, brusca, mas não tão aterrorizante quanto Harry acharia ser antes. Engoliu em seco e assentiu. — Eu sei, Harry, que você fez suas promessas a Sirius... — Harry ergueu uma sobrancelha, e Dumbledore apenas sorriu como quem sabe das coisas. — De que contará a ele qualquer desenvolvimento ou perigo. Eu peço o mesmo e, se eu for afastado pelo Conselho, quero que procure a Minerva.
— E aí, o quê? — perguntou. — Fico sem fazer nada?
— Eu suspeito que, nas próximas semanas, com esses rumores e sabendo quem é o Herdeiro, você possa se sentir solitário e responsável — os olhos de Dumbledore estavam tristes —, mas não está sozinho nisso, Harry, e não é sua responsabilidade...
— Eu nunca disse isso — protestou Harry.
— Sirius disse — falou Dumbledore. Sua barba se moveu sobre um fraco sorriso.
— Ele te disse isso? — perguntou Harry, duvidoso. Achava que as coisas entre Padfoot e Dumbledore ainda estavam... bem, não achava que Padfoot diria esse tipo de coisa a Dumbledore.
— Eu acho, Harry, que você subestima até onde Sirius está disposto a ir para te manter seguro. Quanto mais olhos, melhor, foram as palavras dele, acredito. — Os olhos de Dumbledore brilharam. — Se descobrir ou suspeitar de alguma coisa, eu gostaria de saber, porque — disse, erguendo um dedo — quero que meus alunos estejam seguros, Harry. Todos eles. — Os olhos de Dumbledore encontraram os de Harry, que tentou manter o contato, até que ficou demais.
— Sim, senhor — disse Harry por fim.
— Muito bem. Agora, acredito que você disse ter uma redação para escrever.
— Sim, senhor — repetiu.
— Vá em frente, então — disse Dumbledore, sorrindo. Harry saiu do escritório e quase trombou com Draco ao sair da escada; só parou a tempo porque Draco saiu do caminho e tirou a capa.
— Você demorou — disse, guardando a capa nas vestes.
— Você quase foi esmagado — retorquiu Harry, erguendo uma sobrancelha para ele.
— Eu... quase... Quem te contou?
— Dumbledore — respondeu, e Draco fez uma careta.
— Eu sabia que ele viu — falou. — Não tenho nem ideia de como, já que eu estava embaixo da capa, mas eu fiquei com a impressão...
— Ron ainda está na biblioteca? — perguntou Harry.
— É claro; alguém tem que ficar de olho na Granger até resolvermos essa história da Câmara. Quer ir encontrar com eles ou...
— Salão Comunal — disse, balançando a cabeça. — Não quero que joguem livros em mim por ser o Herdeiro. — Revirou os olhos, e a expressão de Draco ficou tensa. Ele abriu a boca e a fechou novamente. Harry não se importava com o silêncio. Sua conversa com Dumbledore lhe dera muito no que pensar.
— Então, o que eles queriam? — perguntou Draco por fim, quando passaram pelo Buraco do Retrato.
— Hmm? — Os olhos de Harry estavam na escada; pelo menos um terço das pessoas que estavam no Salão Comunal tinham ido para os dormitórios quando Harry e Draco chegaram, e Harry não achava que Draco era o motivo. Apenas Percy e alguns outros alunos mais velhos ficaram, perdidos demais em seus estudos para notá-lo, e Ginny, que franzia o cenho para o fogo.
— Dumbledore, Potter. Não imagino que ele tenha te chamado para perguntar o que comeu no jantar... que não foi muito — adicionou, desaprovador.
— Ele queria conversar sobre ontem, se certificar de que quero ficar aqui, me oferecer apoio... o de sempre. Mas ele acha que estamos certos. Que talvez seja ofidioglossia que permite o Herdeiro entrar na Câmara e controlar o monstro.
— Perguntou a ele por que você tem? — perguntou Draco, enquanto se sentavam (numa concordância muda) nas poltronas no canto mais distante. Triste, Harry supôs que esse era um bônus de todos terem medo deles; não teriam mais de se preocupar em encontrar lugares vagos.
— Ele supôs que consegui com Voldemort — disse em voz baixa, apesar de Ginny ser a única perto o bastante para ouvi-los e ela ainda olhava para o fogo. — Que naquela noite em que ele morreu, ele... sei lá, me deu parte de seus poderes ou algo assim. — Fez uma careta. — De certa forma, eu sou o Herdeiro, porque herdei esses poderes de alguém da linhagem...
— Mas só magicamente — falou Draco, assim como Dumbledore. — Não foi por sangue.
— Mas se estivermos certos e a ofidioglossia for o segredo da Câmara e do monstro, que diferença isso faz?
— Mas você não está atacando as pessoas — disse Draco. — Você sabe disso, certo?
— Eu sei — disse, chutando-o.
— Bom — fungou Draco. — Agora, quais são as minhas chances de te convencer a me explicar a redação de Transfiguração?
— Não é isso que Ron está fazendo com Hermione? Você podia ter ido com eles em vez esperar...
— Acho que Transfiguração é a última coisa na cabeça da Granger — disse Draco suavemente, mas Harry sentiu o cheiro da evasão. — Além do mais, você é melhor.
— Certo — disse. Draco pareceu satisfeito e fui buscar suas coisas no dormitório, enquanto Harry se recostava em sua poltrona e tentava pensar se tinha ficado sozinho desde que revelara ser Voldemort por trás de tudo. Cerrou os olhos para Draco (que estava no alto da escada) quando percebeu que não, estivera. Draco e Ron (e possivelmente Hermione) tinham se juntado para lhe fazer companhia e mantê-lo seguro, do mesmo jeito que ele, Ron e Draco tinham se juntado para cuidar de Hermione.
— Por que está sorrindo? — perguntou Draco.
— Não estou — falou, fazendo uma carranca na mesma hora.
— Certo — disse Draco depois de uma pausa. — Bem, dê uma olhada nisso, pode ser?
-x-
— Com cuidado, Ginny — avisou Tom ao ajustar o cenário mental que criara na mente de Ginny; uma das poltronas tremia e sua própria aparência sumiu por um momento.
— Desculpe — disse ela, ainda sentada na própria poltrona. Ela parecia incerta, mas Tom estava concentrado demais em outras coisas para tentar descobrir o que a incomodava. — Então, como você disse estar fazendo isso?
— Eu não sei — mentiu Tom. — Eu só achei que, em vez de só ouvir minha voz, eu poderia tentar criar um lugarzinho nosso na sua cabeça, onde você possa me ver e eu possa ver você. É como estar no diário sem estar. — A mente de Ginny era tão boa quanto o diário; tão vazia quanto as páginas de seu diário e igualmente receptiva.
— Mas como? — perguntou ela, parecendo impaciente.
— Do mesmo jeito que fiz com o diário, acho — disse, dando de ombros. — Ou talvez só criei a mim mesmo e sua mente fez o resto. — Não tinha sido assim, é claro, mas não machucaria deixar Ginny pensar isso. — Não me surpreenderia — disse suavemente, sentando-se no braço da poltrona da mente dela. — Você é verdadeiramente incrível. — Correu os dedos pelo cabelo longo e ficou surpreso ao notar que a sensação era a mesma aqui, na cabeça dela, e no diário. Ela soltou um som baixinho e satisfeito, mas o franzir não sumiu.
— Mas eu tenho que sumir quando visito o diário — disse, muito mais calma. Tom fez um som para mostrar que concordava. — Mas agora mesmo ainda estou no Salão Comunal.
— Sim.
— Mas aí as pessoas não vão perceber? Devo estar muito parada, sem fazer nada, então...
Como era possível que ela fosse tão consciente de algumas coisas, mas completamente ignorante de todo o resto? Estou tentando ajudar Harry Potter a encontrar o Herdeiro de Sonserina, Tom, você não sabe quem pode ser, sabe?, mas depois ela se perguntava o que as pessoas pensariam se ficasse muito quieta e parada. Tom só estava feliz por saber que ela estaria morta em algumas semanas.
Reconsiderou a pergunta. Podia dizer a verdade; que ele estava dando conta, que ela se mexia a cada poucos minutos — coçando o nariz, cruzando as pernas e coisas assim — e que ele estava vagamente ciente de quem estava por perto — mais por ouvir do que por ver —, mas suspeitava que Ginny entraria em pânico e não havia como prever os danos que isso causaria ao delicado cenário mental que criara, e ele realmente achava que não estava na hora de testar o controle que tinha sobre seu corpo e mente para ver se conseguiria dominá-la quando ela estava acordada e alerta. E se ela ganhasse?
— Eu... não tinha pensado nisso. — Deixou que seus dedos caíssem do cabelo dela. — Eu estava tão ansioso para tentar, que...
— Talvez não aqui — disse ela. A versão mental dela se levantou e olhou para o cenário. — Como eu saio? — perguntou.
— É só pedir — disse ele e permitiu que o cenário mental sumisse. Sentiu a mente de Ginny tomar o controle dos olhos, dos ouvidos, dos braços e das pernas, afastando-o ao fazê-lo. Não achava que ela percebeu que ele estava lá, mas ela também não sabia pelo que procurar. Tom permitiu-se afundar no fundo da mente dela, que começava a parecer com seu canto favorito do Salão Comunal da Sonserina.
Harry e Draco voltaram, disse ela.
É mesmo?, perguntou Tom, apesar de saber perfeitamente bem disso. Ouvira quando eles chegaram, através dos ouvidos dela, enquanto ela conversava em seu cenário mental. Imagino sobre o que o diretor queria conversar com ele. Imaginava mesmo. O mais provável era que Dumbledore só estivesse preocupado com o menino, mas Harry Potter incomodava Tom. Ele era intrometido, mas aparentemente bastante engenhoso — afinal, ele conseguira ligar a família de Tom à Sonserina, algo que o próprio Tom demorara quase um ano —, e Tom apenas sabia que ele faria seu melhor para interferir assim que tivesse a chance.
E apesar de ele só ter doze anos, achar que Quadribol era a melhor coisa do mundo e ter escolhido os Weasley, sangues-ruins e traidores de sangue como amigos, Tom não ia subestimá-lo. Ele não era tão inteligente quanto Tom tinha sido nessa idade, mas ele tinha boas notas (se é que podia acreditar nas respostas dele quando Granger o incomodava sobre resultados) e derrotara a versão mais velha de Tom duas vezes.
Teria de lidar com Harry Potter, ou pelo menos distrai-lo até estar forte o bastante para se livrar dele permanentemente. Era uma pena que ele soubesse que Tom era o responsável, se não Tom tentaria usar a história de Hagrid de novo.
Acha que falaram sobre ontem? Sobre sua... sobre as cobras? Ginny claramente ainda estava incomodada com isso. Tom não entendi o porquê; era um dom valioso e impressionante. Só era uma pena que ela acabara tendo-o. Hydrus Malfoy, por mais pretensioso que fosse, teria um uso muito melhor ao dom. As coisas teriam ficado muito mais interessantes no duelo contra Potter.
E essa era outra coisa; como Potter conseguira ter esse dom em particular fugia à compressão de Tom. Ofidioglossia — em todos os casos que conhecia (e não eram tantos assim) — só era herdada pelo sangue. Tom até começava a temer que sua versão mais velha pudesse... que ele e Harry Potter pudessem ser... parentes.
— ... eu sou o Herdeiro — disse Harry Potter em voz baixa ali perto —, porque herdei esses poderes de alguém da linhagem...
— Mas só magicamente — falou Malfoy. — Não foi por sangue.
Agora, isso era interessante.
Acha que consegui o meu por magia?, perguntou Ginny. Tom conseguia sentir que ela mordia o lábio.
Eu não sei, Ginny, disse e tentou não soar impaciente. Agora shiu, talvez eles expliquem melhor. Felizmente, ela não discutiu nem respondeu. Tom aguçou a audição de Ginny. Perdera parte da conversa, graças a interrupção.
— Mas você não está atacando as pessoas — disse Malfoy. — Você sabe disso, certo?
— Eu sei.
Tom nunca gostou muito do natal, mas imaginou que sentia o que as pessoas sentiriam se o natal chegasse mais cedo. Desculpou-se com Ginny, dizendo que estava cansado, e voltou ao diário. Tinha uma ideia.
Continua.
